O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, admitiu ter prestado serviços jurídicos ao Banco Master após ter negado qualquer relação com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. A mudança de posicionamento gerou repercussão política e reforçou a tensão em torno das investigações que envolvem o banco.
A declaração foi feita na quarta-feira (18) e contradiz afirmações anteriores do dirigente, que havia minimizado qualquer vínculo com Vorcaro dias antes. O caso se soma a outros episódios recentes que ampliam o alcance do escândalo financeiro no país.
Admissão contradiz declaração anterior
Ao reconhecer a atuação profissional, Rueda afirmou que trabalhou por meio do escritório Rueda e Rueda, prestando serviços jurídicos ao banco. Segundo ele, a atuação incluiu “dezenas de pareceres e centenas de reuniões, incluindo mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos”.
A admissão contrasta diretamente com a declaração feita dois dias antes, quando o dirigente afirmou não possuir vínculo com Vorcaro além de contatos pontuais. Na ocasião, disse que “não possui qualquer relação com o empresário Daniel Vorcaro, além de contatos sociais eventuais”.
A divergência entre as duas versões elevou a pressão sobre o dirigente e ampliou questionamentos sobre a natureza da relação com o banco investigado.
Defesa sustenta legalidade da atuação
Em nota, Rueda afirmou que os serviços prestados ocorreram dentro da legalidade e fazem parte do exercício regular da advocacia.
Segundo ele, tratou-se de “atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país”, sem qualquer irregularidade associada.
A defesa busca afastar suspeitas de envolvimento direto nas investigações que cercam o Banco Master, destacando que a atuação foi estritamente técnica e jurídica.
Nome aparece em mensagens investigadas
O nome de Rueda surgiu em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Nos diálogos, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, menciona ter se encontrado com o dirigente e relata interesse em reuniões com o banqueiro.
As conversas fazem parte de um conjunto de evidências analisadas pelas autoridades e têm contribuído para ampliar o número de nomes citados no caso.
Atuação em processo reforça vínculo
Além das mensagens, reportagens apontam que Rueda atuou formalmente em pelo menos um processo envolvendo o Banco Master.
O caso citado refere-se a uma ação movida em 2024 por uma entidade de defesa do consumidor, em um momento em que a instituição já enfrentava questionamentos sobre suas operações.
Esse elemento reforça a existência de relação profissional entre o dirigente e o banco, indo além de contatos eventuais mencionados anteriormente.
Escândalo do Banco Master amplia impacto político
O episódio ocorre no contexto do escândalo do Banco Master, considerado um dos maiores casos recentes do sistema financeiro brasileiro. As investigações apontam suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e articulações com agentes públicos, envolvendo uma estrutura complexa e organizada.
O caso ganhou força após a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação da instituição pelo Banco Central, o que desencadeou uma série de apurações em diferentes frentes.
Repercussão política deve crescer
A mudança de versão de Rueda aumenta a pressão sobre lideranças políticas citadas no caso e pode gerar novos desdobramentos.
Nos bastidores, a expectativa é de que as investigações avancem sobre relações entre o banco e agentes públicos, ampliando o alcance político do escândalo.
Com novas evidências sendo analisadas e nomes surgindo nas apurações, o caso Master segue no centro do debate nacional e deve continuar impactando o cenário político nas próximas semanas.
Com informações do Metrópoles.