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Netanyahu quis matar Khamenei com Trump

A revelação expõe até onde foi a escalada para empurrar o Oriente Médio a uma guerra de consequências incalculáveis. O Oriente Médio esteve a horas de um salto que poderia ter incendiado a região inteira. Segundo revelação publicada pelo South China Morning Post com base em fontes informadas, Benjamin Netanyahu tentou convencer Donald Trump a […]

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O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer (Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS)

A revelação expõe até onde foi a escalada para empurrar o Oriente Médio a uma guerra de consequências incalculáveis.

O Oriente Médio esteve a horas de um salto que poderia ter incendiado a região inteira.

Segundo revelação publicada pelo South China Morning Post com base em fontes informadas, Benjamin Netanyahu tentou convencer Donald Trump a autorizar o assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

A conversa ocorreu por telefone menos de 48 horas antes do início de um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro.

De acordo com os relatos, Netanyahu sustentou que aquele era o momento ideal para uma operação de decapitação. No vocabulário militar, a expressão designa um ataque voltado a eliminar a liderança máxima de um Estado.

A oportunidade teria surgido porque Khamenei e seus principais comandantes participariam de uma reunião em seu complexo, em Teerã. O encontro, inicialmente previsto para a noite de sábado, foi antecipado para a manhã do mesmo dia.

Essa mudança de horário deu peso imediato à pressão feita por Netanyahu sobre Trump. Segundo as fontes citadas, o premiê israelense insistiu que talvez nunca mais surgisse uma chance tão clara de matar Khamenei.

Netanyahu também teria apelado a um argumento pessoal para influenciar Trump. Ele lembrou ao então presidente supostos planos iranianos para assassiná-lo quando ainda era candidato, em 2024.

Esse ponto se conecta a uma acusação formal já conhecida nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça americano acusou um homem paquistanês de recrutar pessoas em território americano para esse fim, num alegado plano de retaliação pelo assassinato do general Qassem Soleimani, ordenado por Trump em 2020.

A revelação sobre a ligação, até então não reportada, ilumina um bastidor especialmente grave da escalada militar. Não se trata apenas de mais um episódio de tensão entre rivais históricos, mas de uma tentativa concreta de transformar uma crise em ataque direto contra o centro do poder iraniano.

Matar Khamenei não significaria apenas eliminar um chefe de Estado de fato. Seria, na prática, um ato de guerra com alto potencial de desencadear resposta iraniana em larga escala, ampliando o conflito para além das fronteiras imediatas e arrastando outros atores para uma confrontação aberta.

É isso que torna o episódio tão explosivo. A fronteira entre pressão militar e guerra regional total ficou perigosamente estreita, e a decisão discutida nos bastidores poderia ter alterado todo o equilíbrio estratégico do Oriente Médio.

A informação também reforça a imagem de Netanyahu como um dirigente disposto a operar no limite máximo do risco. Seu cálculo, ao que tudo indica, era o de que a aliança com Washington poderia ser usada para viabilizar um golpe de consequências históricas contra o Irã.

Nesse sentido, a revelação não fala apenas sobre Israel. Ela expõe também a vulnerabilidade da política externa dos Estados Unidos a pressões de aliados e a impulsos de escalada que contradizem até mesmo o discurso público de seus próprios presidentes.

Trump construiu parte de sua identidade política criticando guerras longas e caras no exterior. Apresentou-se como alguém disposto a romper com o intervencionismo tradicional de Washington e a evitar novos atoleiros militares.

Mas os fatos descritos pelo South China Morning Post mostram um quadro bem menos coerente. Sob influência de Netanyahu e de setores belicistas de seu entorno, Trump se viu diante da possibilidade de aprovar justamente o tipo de ação que poderia abrir uma guerra de grandes proporções.

A decisão final, ao que tudo indica, não incluiu a autorização para esse ataque específico de decapitação naquele momento. Ainda assim, o simples fato de a hipótese ter sido levada tão longe já revela o grau de imprudência que dominava a conjuntura.

A sobrevivência de Khamenei evitou uma catástrofe imediata, mas não encerrou o problema. O ataque que se seguiu, com alvos dentro do território iraniano, já representou por si só um dos episódios mais graves da história recente da confrontação entre os dois lados.

Isso marca uma mudança importante de patamar. A lógica da guerra por procuração cede espaço, cada vez mais, a movimentos de confronto direto, com menos mediações, menos freios e maior risco de erro de cálculo.

Para o Brasil e para o Sul Global, a revelação funciona como um alerta concreto, não como abstração geopolítica. Ela mostra como decisões tomadas em círculos fechados, orientadas por agendas pessoais, cálculos eleitorais ou ambições regionais, podem colocar em risco a estabilidade internacional inteira.

Também por isso a defesa da multipolaridade precisa ser entendida para além da economia e do comércio. Trata-se de uma necessidade de segurança internacional, num cenário em que a concentração de poder militar e político nas mãos de poucos atores amplia a chance de aventuras com impacto planetário.

O caso reforça ainda a centralidade do direito internacional e da soberania dos Estados. Quando se naturaliza a ideia de eliminar a liderança de um país adversário como instrumento legítimo de política externa, o sistema internacional inteiro se torna mais instável, mais arbitrário e mais violento.

Do ponto de vista de Teerã, a revelação ajuda a explicar a lógica de ameaça existencial que orienta sua postura de defesa e resistência. Um plano de assassinato contra seu líder máximo, discutido entre duas potências militares, não é retórica: é um dado estratégico de primeira ordem.

A lição política é dura, mas cristalina. Países não alinhados ao eixo belicista precisam fortalecer canais diplomáticos independentes, mecanismos de contenção e formas de cooperação capazes de reduzir a margem para esse tipo de aventureirismo.

Nesse quadro, a diplomacia brasileira tem papel relevante. Sua tradição de defesa da paz, da soberania e da solução negociada de controvérsias pode contribuir para denunciar práticas que empurram regiões inteiras para o abismo e para sustentar uma ordem internacional menos submetida à força.

A notícia revelada pelo South China Morning Post não pertence apenas ao passado recente. Ela é um retrato de um método de poder que continua ativo, combinando militarismo, oportunismo e desprezo pelos custos humanos de uma escalada.

É justamente por isso que o episódio merece atenção duradoura. Quando a morte de um líder nacional entra na mesa como opção plausível de cálculo estratégico, o mundo inteiro passa a viver mais perto da catástrofe.

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