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Crise no Estreito de Ormuz esvazia Manila e impacta o Brasil

A crise no Estreito de Ormuz esvazia Manila e expõe a vulnerabilidade econômica do Sul Global. Manila, capital das Filipinas, enfrenta uma transformação abrupta e preocupante. As ruas, antes congestionadas, estão agora desertas. A crise de combustíveis, desencadeada pela tensão no Estreito de Ormuz, é a responsável. Após uma operação militar conjunta dos Estados Unidos […]

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Imagem gerada por Ideogram, com prompt do portal O Cafezinho. 26/03/2026 21:47

A crise no Estreito de Ormuz esvazia Manila e expõe a vulnerabilidade econômica do Sul Global.

Manila, capital das Filipinas, enfrenta uma transformação abrupta e preocupante. As ruas, antes congestionadas, estão agora desertas. A crise de combustíveis, desencadeada pela tensão no Estreito de Ormuz, é a responsável.

Após uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, os preços do petróleo dispararam. Este aumento tornou-se insustentável para muitos países dependentes de importação de energia. A situação lembra o lockdown imposto pela pandemia de COVID-19.

Desta vez, o que esvazia as ruas é o custo proibitivo dos combustíveis. A viagem de 26 km entre o aeroporto de Manila e a prefeitura de Quezon City, que costumava levar duas horas, agora pode ser feita em 45 minutos, segundo o Google Maps. Contudo, essa fluidez não é fruto de melhorias no transporte, mas de um desespero econômico que afeta profundamente o cotidiano dos filipinos.

O impacto é visível em locais emblemáticos como a Igreja de Baclaran. Tradicionalmente lotada, agora vê uma drástica redução na presença de fiéis e vendedores. A declaração de emergência energética pelo presidente Ferdinand Marcos Jr. não foi suficiente para mitigar o impacto social e econômico da crise. Para muitos, como o atendente de estacionamento Ruben e a vendedora de guardanapos Emily Ruado, a realidade é de rendimentos drasticamente reduzidos e incerteza sobre o futuro.

Ruben, que trabalha há mais de 12 horas, viu sua renda diária cair pela metade, o que significa menos comida na mesa para sua família. Emily, por sua vez, relata que sua receita diária caiu de US$ 10 para apenas US$ 5 após o aumento dos preços do petróleo. Essa situação reflete um problema maior: a possível estagnação econômica nas Filipinas, com o crescimento do PIB, antes projetado em 5%, agora ameaçado.

A diminuição do tráfego rodoviário levou mais pessoas a utilizarem o já sobrecarregado sistema ferroviário de Manila. As estações de metrô se tornaram pontos de estrangulamento durante o horário de pico, expondo a inadequação da infraestrutura de transporte público e relembrando a população do escândalo de corrupção que ainda ecoa no país.

Para além das Filipinas, a crise no Estreito de Ormuz ressalta a dependência global dos combustíveis fósseis e a vulnerabilidade das economias do Sul Global frente a conflitos internacionais. No Brasil, um país também dependente de importações de petróleo, esse cenário serve como um alerta. A necessidade de diversificação da matriz energética e a busca por fontes renováveis são urgentes para garantir a soberania energética e proteger a economia de flutuações externas.

A crise atual exige uma resposta coordenada, não apenas das Filipinas, mas de todo o Sul Global. A cooperação internacional, especialmente entre os BRICS, pode ser uma via para mitigar os impactos de crises externas e promover um desenvolvimento mais sustentável e independente. Assim, enquanto Manila enfrenta suas ruas vazias, o Brasil e seus parceiros devem aprender com essa situação e trabalhar juntos para um futuro mais resiliente.

O impacto da crise no Estreito de Ormuz em Manila é um lembrete claro da interconexão global e da necessidade de soluções conjuntas. É hora de reforçar a solidariedade entre as nações do Sul Global e buscar caminhos para um desenvolvimento que priorize a soberania e a justiça social.

Curadoria: Afonso Santos | Redação: Afonso Santos

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