Donald Trump declarou publicamente que não se opõe ao envio de petróleo a Cuba, mesmo que o fornecedor seja a Rússia.
A fala foi capturada pelo Drop Site News durante uma coletiva de imprensa e circulou rapidamente nas redes sociais.
"Não nos importamos que alguém receba uma carga porque eles precisam sobreviver", disse Trump, descartando qualquer objeção à origem do combustível.
Ao ser questionado sobre o benefício indireto que a medida poderia trazer a Vladimir Putin, o presidente foi direto: "Se ele quiser fazer isso, e se outros países quiserem fazer isso, não me incomoda muito. Não vai ter impacto."
A declaração contrasta com décadas de política americana de isolamento a Cuba, sustentada por um embargo econômico em vigor desde os anos 1960, após a Revolução Cubana de 1959.
O embargo foi concebido para pressionar o governo socialista cubano por mudanças políticas, mas nunca conseguiu derrubá-lo. Cuba sobreviveu com apoio da União Soviética e, mais recentemente, da Rússia e da China.
A Rússia tem sido aliada consistente de Cuba ao longo das décadas. Um eventual fornecimento de petróleo russo aliviaria a grave crise energética que a ilha enfrenta, agravada pelas sanções americanas e pelo colapso de sua infraestrutura interna.
A postura de Trump pode ser lida como um reconhecimento tácito de que o embargo não atingiu seus objetivos históricos. Ao minimizar o peso geopolítico de uma carga de petróleo, o presidente sinaliza disposição de separar pragmatismo humanitário de rivalidade estratégica, ao menos neste caso específico.
Para países do Sul Global, a declaração abre espaço para repensar suas próprias relações com Cuba sem o constrangimento tradicional imposto por Washington. Se a mudança de postura se confirmar em política concreta, representaria uma das alterações mais significativas na relação entre os EUA e a ilha em mais de sessenta anos.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos | Revisão: Pierre Arnaud

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!