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Câncer colorretal avança em estágios tardios e exames de rastreamento se tornam arma decisiva

0 Comentários🗣️🔥 O câncer colorretal ocupa a segunda posição entre os tumores mais incidentes em homens e mulheres no Brasil, com prevalência especialmente marcante em pessoas acima dos 50 anos. A doença, que acomete o intestino grosso e o reto, tem sua trajetória fortemente determinada pelo estilo de vida: aproximadamente 80% dos casos estão associados […]

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 17:41

O câncer colorretal ocupa a segunda posição entre os tumores mais incidentes em homens e mulheres no Brasil, com prevalência especialmente marcante em pessoas acima dos 50 anos.

A doença, que acomete o intestino grosso e o reto, tem sua trajetória fortemente determinada pelo estilo de vida: aproximadamente 80% dos casos estão associados a hábitos não saudáveis, como sedentarismo, dieta rica em gordura animal, consumo excessivo de álcool e tabagismo — fatores que, combinados, criam um ambiente propício ao desenvolvimento de lesões malignas.

O professor Ulysses Ribeiro Jr., da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador médico da Oncologia Cirúrgica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explica que a obesidade desempenha papel central nesse processo.

O excesso de peso provoca uma inflamação crônica sistêmica que favorece a formação de pólipos no intestino — estruturas benignas que, sem intervenção, podem evoluir para tumores malignos. O dado mais alarmante levantado pelo especialista é que cerca de 70% dos casos diagnosticados no Icesp chegam já em estágios avançados, o que compromete drasticamente as possibilidades terapêuticas e reduz as chances de cura.

Os sintomas da doença, quando presentes, costumam ser subestimados ou mal interpretados. Sangramento nas fezes, dores abdominais e alterações no hábito intestinal são os sinais mais frequentes, mas raramente provocam alarme imediato nos pacientes.

Nos tumores localizados nas porções mais baixas do intestino, como o reto, manifestações específicas incluem o afilamento das fezes e a sensação persistente de evacuação incompleta. Ribeiro Jr. alerta ainda para um equívoco comum: o sangramento retal é frequentemente atribuído a hemorroidas, o que retarda a busca por avaliação médica especializada e, consequentemente, o diagnóstico.

Diante desse cenário, a detecção precoce emerge como o instrumento mais eficaz disponível. O exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes é a principal ferramenta de rastreamento populacional, capaz de identificar lesões antes mesmo que qualquer sintoma se manifeste.

Recomendado anualmente a partir dos 50 anos, o método é menos invasivo que a colonoscopia e permite uma triagem ampla da população, reservando o procedimento endoscópico para os casos em que o resultado se mostrar positivo.

A eficácia dessa estratégia foi demonstrada em um estudo conduzido pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, conforme divulgado pelo Icesp em sua comunicação institucional. Na pesquisa, uma população de 10.000 indivíduos assintomáticos foi submetida ao exame de sangue oculto, e 7% apresentaram resultado positivo — o equivalente a 700 pessoas.

Desse grupo, parte foi encaminhada à colonoscopia, que resultou na identificação de 51 tumores, mais da metade dos quais pôde ser removida durante o próprio procedimento endoscópico, evitando tratamentos mais agressivos como cirurgias de grande porte, quimioterapia ou radioterapia em estágios avançados.

A campanha Março Azul, realizada anualmente para ampliar a conscientização sobre o câncer colorretal, reforça a mensagem de que a prevenção passa tanto pela adoção de hábitos saudáveis quanto pela adesão aos protocolos de rastreamento.

A combinação entre alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal e realização periódica dos exames recomendados representa a estratégia mais robusta para reduzir a mortalidade por uma doença que, quando detectada precocemente, tem altas taxas de cura.

Com informações de Agência Internacional.

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