O Banco de Brasília (BRB) realizou um investimento de R$ 1,5 bilhão na aquisição de ativos de fundos geridos pela Reag, apesar de a gestora ter sido alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apontou a utilização de fundos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro. As transações do BRB envolveram a substituição de carteiras problemáticas do Credcesta por ativos com características similares às fraudes identificadas na operação policial, levantando questionamentos sobre a diligência do banco.
De acordo com informações reveladas pelo portal Metrópoles, as operações foram aprovadas pelas instâncias internas do BRB antes mesmo da elaboração de pareceres de risco.
Esses relatórios, quando produzidos, indicaram semelhanças com as irregularidades investigadas na Carbono Oculto. Ainda assim, as aquisições foram finalizadas de forma acelerada em 30 de setembro de 2025, a tempo de serem incluídas nos balanços trimestrais do BRB e do Banco Master, instituição também envolvida no contexto das transações.
Entre os negócios realizados, o BRB adquiriu 100% das cotas do fundo FIP SH, tornando-se sócio do empresário Roberto Justus. A transação foi fechada com um desconto de 33,25%, mas incluiu uma cláusula que dividia lucros futuros com o Banco Master, enquanto os riscos de desvalorização recaíam exclusivamente sobre o BRB.
Outro destaque foi a compra de 83% das cotas do fundo FIP Trevi, que detinha 30% do patrimônio do FIP Novo Bairro. Os ativos desse fundo sofreram uma valorização expressiva e questionável pela Reag, passando de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão, o que reforça as suspeitas sobre a solidez das avaliações.
Além disso, o BRB investiu em 70% das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Brazil Realty, mesmo com alertas sobre a falta de transparência nos ativos subjacentes. A estrutura complexa, envolvendo fundos sobrepostos, incluía projetos imobiliários na região de Belo Horizonte, com terrenos cujas avaliações foram consideradas duvidosas por analistas.
Essa falta de clareza não impediu a concretização do negócio, o que levanta questões sobre os critérios adotados pelo banco em suas decisões de investimento.
Em novembro de 2025, o BRB aprovou a aquisição de mais fundos no valor de R$ 481 milhões, como resposta à deterioração financeira do Banco Master. Essa operação envolveu ativos como as cotas dos fundos FIP Yvac e FIP Matarazzo.
Apesar de preocupações internas sobre a natureza exata do que estava sendo adquirido, a transação foi concluída, evidenciando uma possível negligência na análise de riscos por parte das instâncias decisórias do banco.
As sucessivas aquisições de ativos de fundos ligados a gestoras sob escrutínio policial colocam o BRB no centro de um debate sobre governança e responsabilidade financeira. A rapidez nas aprovações, a ausência de pareceres prévios e a complexidade dos negócios realizados reforçam a necessidade de maior escrutínio sobre as práticas adotadas pela instituição.


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