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Meia/Ideia repete cenário apertado, mas com voto mais decidido em favor de Lula

As últimas pesquisas, assim como a eleição de 2022, mostram um Brasil dividido em dois grandes blocos de opinião. Há um campo de esquerda, outro de direita. O centro, ou os independentes, não formam um bloco propriamente, porque na hora do voto tendem a se dispersar em ambos os lados. Em alguma medida, esse arranjo […]

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Eracy Maciel, presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o presidente da república, Lula. 02.04.2026 - entregas do Novo PAC na área de mobilidade urbana em Salvador - BA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

As últimas pesquisas, assim como a eleição de 2022, mostram um Brasil dividido em dois grandes blocos de opinião. Há um campo de esquerda, outro de direita. O centro, ou os independentes, não formam um bloco propriamente, porque na hora do voto tendem a se dispersar em ambos os lados.

Em alguma medida, esse arranjo começa a lembrar o cenário dos Estados Unidos. Lá também a política foi sendo organizada por dois grandes blocos, com um eleitorado intermediário que decide a eleição conforme a conjuntura.

A nova pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 confirma esse padrão. O primeiro turno segue apertado, com Lula marcando 40,4% e Flávio Bolsonaro, 37%.

No segundo turno, a disputa encurta ainda mais. Lula aparece com 45,5% e Flávio Bolsonaro com 45,8%, num empate técnico.

Mas o levantamento traz um dado claramente favorável a Lula. O eleitor do presidente está muito mais consolidado do que o eleitor de Flávio Bolsonaro.

Entre os eleitores de Lula, 73,4% dizem que já estão decididos. Só 26,6% afirmam que ainda podem mudar de candidato.

No caso de Flávio Bolsonaro, ocorre o inverso. Apenas 39,6% se dizem decididos, enquanto 60,4% admitem que ainda podem trocar de voto.

Esse é o ponto novo da pesquisa. Ela sugere que o crescimento de Flávio Bolsonaro existe, mas ainda não está sedimentado.

Há outro dado que reforça essa leitura. No voto espontâneo, que costuma medir melhor o apoio mais orgânico e consolidado, Lula tem 32,6%, contra 19,4% de Flávio Bolsonaro.

Isso ganha ainda mais peso porque a eleição continua muito aberta. No total da amostra, 51,4% dizem que ainda podem mudar de candidato até outubro.

Ou seja, o cenário permanece apertado, mas não congelado. Numa disputa tão polarizada, a solidez da base pode acabar sendo mais importante do que a fotografia momentânea da intenção de voto.

Isso não significa que a candidatura de Flávio esteja condenada à instabilidade. Como se trata de um nome ainda em processo de consolidação nacional, é natural que parte desse eleitorado permaneça mais fluida neste momento.

Mesmo assim, o contraste chama atenção. Pela primeira vez, uma pesquisa recente mostra com nitidez que a dianteira bolsonarista dentro da direita ainda não se converteu em lealdade firme do seu próprio eleitor.

A eleição segue no fio da navalha. Num ambiente tão polarizado e tão volátil, porém, ter o eleitor mais decidido pode ser uma vantagem decisiva para Lula ao longo da campanha.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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