Distribuidoras de energia elétrica em todo o Brasil começaram a incluir o número 180, canal de atendimento para mulheres em situação de violência, nas contas de luz.
Essa ação integra o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, uma iniciativa coordenada com o governo federal, e busca ampliar o alcance de informações sobre como buscar ajuda em casos de violência de gênero.
A mensagem estampada nas faturas é direta: ‘Violência contra a mulher é crime. Não se cale. Denuncie. Ligue 180’.
Com a participação de todas as distribuidoras do país, estima-se que a informação alcance mais de 212 milhões de pessoas, cobrindo residências em todas as regiões. A estratégia visa atingir especialmente mulheres em contextos de isolamento, onde o acesso a canais de denúncia pode ser limitado.
Patrícia Audi, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, enfatizou o impacto da medida.
Segundo ela, levar essa informação de maneira constante e direta por meio das contas de luz aumenta as possibilidades de romper o ciclo de violência, oferecendo um caminho acessível para quem precisa de apoio.
Os dados sobre violência de gênero no país revelam a gravidade da situação. Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um crescimento de 4,7% em comparação com o ano anterior, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O Anuário da entidade apontou mais de 257 mil casos de lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica em 2024, somados a 51 mil registros de violência psicológica — números que evidenciam a urgência de ações coordenadas.
O canal 180, gerido pelo Ministério das Mulheres, realizou mais de 1 milhão de atendimentos ao longo de 2025, com uma média de cerca de 3 mil contatos diários e 155 mil denúncias formalizadas.
Apenas em janeiro de 2026, foram contabilizados 90,7 mil atendimentos e 15,5 mil denúncias. O serviço é gratuito, confidencial e funciona 24 horas por dia, oferecendo orientação sobre direitos, esclarecimentos sobre legislação e encaminhamento para redes de proteção e autoridades competentes.
A medida, cuja implementação por parte de algumas distribuidoras teve início em março de 2026, representa uma nova frente de divulgação para alcançar mulheres que enfrentam barreiras para denunciar ou desconhecem os recursos disponíveis.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a adesão das empresas de energia elétrica à campanha fortalece os esforços para enfrentar a violência de gênero. O Ministério das Mulheres segue como principal articulador do canal 180 e das políticas públicas voltadas à proteção feminina.
A expectativa é que a presença do número 180 nas faturas — documento que chega a milhões de lares — funcione como um lembrete constante da existência de apoio para quem enfrenta situações de violência.
A iniciativa se soma a outras ações do governo federal e da sociedade civil na tentativa de reduzir os índices de feminicídio e violência doméstica no país.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!