Celso Amorim, ex-chanceler e atual assessor de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez duras críticas à estratégia dos Estados Unidos e de Israel em relação ao Irã.
Em entrevista concedida ao canal TV 247 no dia 8 de abril de 2026, Amorim afirmou que ambos os países subestimaram a capacidade de resistência iraniana, acreditando que ações como assassinatos de líderes ou intensificação de pressões militares poderiam levar a um colapso rápido do governo em Teerã.
Para o assessor, essa expectativa não se concretizou, resultando em um enfraquecimento da posição dos EUA no cenário geopolítico, já que os resultados esperados não foram alcançados.
Durante a conversa, Amorim destacou a profundidade histórica e cultural do Irã, uma civilização que remonta a mais de 3.000 anos.
Ele argumentou que a sociedade iraniana possui uma capacidade única de adaptação, o que torna improvável qualquer desmoronamento abrupto de seu sistema político.
O ex-chanceler enfatizou que o país persa mantém sua integridade como nação e deve continuar a desempenhar um papel relevante na região, independentemente das pressões externas.
Amorim também comentou sobre a dinâmica atual das relações internacionais, onde o uso da força parece predominar.
Ele alertou que até mesmo o poder militar tem limitações claras, e os EUA estão enfrentando dificuldades para impor sua agenda no Oriente Médio.
Amorim mencionou que a República Islâmica do Irã pode estar planejando respostas inesperadas às provocações, enquanto os Estados Unidos lidam com contratempos operacionais, como a necessidade de resgatar militares em situações de risco.
O assessor questionou ainda a narrativa americana de promoção de democracia e estabilidade na região, lembrando que tais discursos frequentemente mascaram interesses geopolíticos e econômicos.
Amorim lembrou que os EUA são acusados de apoiar ações que violam direitos humanos em outros contextos, como no apoio a operações militares em Gaza — contradição que, segundo ele, compromete a credibilidade de Washington no palco global.
A análise do ex-chanceler reforça a percepção de que o Irã, mesmo sob intensa pressão internacional, não deve ser subestimado como ator político e cultural.
Suas palavras trazem um contraponto às narrativas ocidentais que frequentemente retratam a República Islâmica como uma nação à beira do colapso, oferecendo uma perspectiva que considera a complexidade histórica e social do país no contexto das disputas de poder no Oriente Médio.
Com informações de actualidad.rt.com.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!