Há cerca de 3.000 anos, uma misteriosa mudança demográfica ocorreu na Europa setentrional, levando ao desaparecimento de populações inteiras. Um estudo recente publicado na revista Nature Ecology & Evolution lança luz sobre esse enigma, revelando que as populações originais da Bacia de Paris foram substituídas por grupos provenientes do sul, especificamente da região ibérica.
Os indícios dessa transformação foram encontrados em um antigo túmulo megalítico a cerca de 50 km de Paris, conhecido como Bury. Este monumento de pedra, que abrigava os restos mortais de 300 pessoas, revelou duas fases distintas de sepultamentos. A primeira fase data de aproximadamente 3200 a 3100 a.C., enquanto a segunda começou por volta de 2900 a.C., após um hiato de 200 anos.
Durante essa lacuna, houve uma queda populacional significativa em toda a Europa do norte, um fenômeno que os pesquisadores ainda estão tentando entender completamente. Contudo, a análise de DNA de 132 indivíduos encontrados em Bury mostrou que as duas fases históricas eram geneticamente distintas. A primeira fase estava ligada a populações agrícolas de todo o continente, enquanto a segunda era predominantemente de ascendência ibérica.
Essa substituição populacional não foi gradual, mas sim um turnover dramático, como evidenciado pelas diferenças nos estilos de sepultamento e nas linhagens cromossômicas Y. Além disso, dados de pólen indicam que florestas estavam se regenerando durante o intervalo, sugerindo o abandono de terras de pastagem e campos, algo que também ocorreu após eventos como a Peste de Justiniano e a Peste Negra.
Os pesquisadores argumentam que essa contração demográfica criou um vácuo que permitiu a entrada de populações vizinhas, como os pastores das estepes na Escandinávia e os agricultores ibéricos na Bacia de Paris. A descoberta de patógenos antigos nos restos mortais, incluindo a peste e febre recorrente transmitida por piolhos, sugere que doenças infecciosas, estresse ambiental e contração demográfica contribuíram para o colapso populacional.
Essas descobertas iluminam um capítulo obscuro da pré-história europeia, revelando a complexidade das migrações e substituições populacionais que moldaram o continente.


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