Em uma descoberta que lança nova luz sobre a evolução dos amniotas, paleontólogos estudaram espécimes de 289 milhões de anos do réptil primitivo Captorhinus aguti, revelando uma cobertura de pele tridimensional, uma cintura escapular completa e uma caixa torácica com cartilagens. Mais surpreendente ainda foram os remanescentes de proteínas, pré-datando em quase 100 milhões de anos o exemplo mais antigo conhecido até então.
A transição do ambiente aquático para o terrestre foi um marco na evolução dos vertebrados, exigindo novas formas de respiração para sobreviver em ambientes secos. Os amniotas primitivos dependiam principalmente de respiração baseada na garganta e na pele, enquanto os amniotas posteriores utilizavam suas costelas e peito para inspirar ar nos pulmões. A evidência direta de quando e como essa mudança ocorreu é rara, pois tecidos moles quase nunca fossilizam.
Segundo Ethan Mooney, doutorando na Universidade de Harvard, «Captorhinus aguti é uma criatura fascinante, fundamental para compreender a evolução dos primeiros amniotas». Durante sua era, esses répteis, que podiam crescer até mais de 50 cm de comprimento, estavam entre os primeiros a experimentar a vida terrestre. Os três espécimes bem preservados foram descobertos em sistemas de cavernas únicos perto de Richards Spur, Oklahoma, e estavam encapsulados em argila fina saturada de óleo, revelando estruturas até então desconhecidas.
Em um dos espécimes, os paleontólogos identificaram um esterno cartilaginoso segmentado, costelas esternais, costelas intermediárias e estruturas conectando a caixa torácica à cintura escapular. Pela primeira vez no registro fóssil, foi possível visualizar essas estruturas em um réptil primitivo e reconstruir o aparelho respiratório completo de um amniota inicial. «Propomos que o sistema encontrado no Captorhinus aguti representa a condição ancestral para o tipo de respiração assistida por costelas presente em répteis vivos, aves e mamíferos», afirmou o professor Robert R. Reisz, paleontólogo da Universidade de Toronto e da Universidade de Jilin.
Esta inovação evolutiva foi fundamental para a conquista do reino terrestre por esses ancestrais dos répteis e mamíferos modernos, contribuindo para a diversificação explosiva dos primeiros amniotas e estabelecendo o palco para sua dominância na terra. «Foi um divisor de águas que permitiu a esses animais adotar um estilo de vida muito mais ativo», acrescentou Mooney. Utilizando espectroscopia infravermelha de síncrotron, os pesquisadores também detectaram restos de proteínas originais preservadas no osso, cartilagem e pele, quase 100 milhões de anos mais velhas que o exemplo anterior mais antigo, encontrado em um dinossauro.
A descoberta, publicada na revista Nature, representa um avanço excepcional na compreensão do que é possível em termos de preservação de tecidos moles no registro fóssil. «A descoberta dos remanescentes de proteínas é excepcional», disse Mooney. «Ela expande dramaticamente nossa compreensão sobre a preservação de tecidos moles nos fósseis». A pesquisa completa está disponível no portal Sci.News.


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