Menu

A máquina, o sonho e as duas interpretações do Datafolha

35 Comentários🗣️🔥 Existem duas maneiras de interpretar a nova pesquisa Datafolha divulgada hoje. A primeira é se impressionar com a direita. A segunda é se impressionar com a esquerda. Mesmo com toda a máquina de propaganda conservadora — com rádios, TVs, portais e influenciadores nadando em dinheiro dos grandes empresários —, um setor da sociedade […]

35 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
10.04.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), na Avenida Doutor José Bella Netto, Sorocaba - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Existem duas maneiras de interpretar a nova pesquisa Datafolha divulgada hoje. A primeira é se impressionar com a direita. A segunda é se impressionar com a esquerda. Mesmo com toda a máquina de propaganda conservadora — com rádios, TVs, portais e influenciadores nadando em dinheiro dos grandes empresários —, um setor da sociedade permanece mobilizado em defesa de princípios de justiça social, igualdade, soberania e direitos democráticos.

É difícil explicar essa resiliência — de Lula e de toda a esquerda — diante de décadas de ataques, manipulações e profecias de aniquilamento.

Como dizia João Cabral de Melo Neto: “É difícil defender, só com palavras, a vida.”

Quem são esses 70 milhões de brasileiros que apoiam Lula hoje no segundo turno?

São as famílias de baixa renda espalhadas pelo Brasil inteiro.

São as mulheres, numa vantagem que sempre foi impressionante e que reflete um processo real de empoderamento.

É a classe média cosmopolita e progressista das grandes cidades, que também partilha o sonho de um Brasil soberano, independente e desenvolvido.

São os brasileiros mais velhos, que têm memória: lembram de FHC, Collor, ditadura. O aumento da longevidade no Brasil, a propósito, beneficiou Lula — há mais gente com sessenta anos hoje do que havia antes, e essa geração acumulou experiência suficiente para saber o que não quer de volta.

Os números confirmam essa força. Lula aparece com 26% na pesquisa espontânea — cerca de 40 milhões de pessoas que têm o seu nome na cabeça agora, sem ninguém sugerir. No primeiro turno, chega a 39%, o equivalente a mais de 60 milhões de eleitores. E no segundo turno, 45% — os 70 milhões que seguram a onda da esquerda contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 46%.

É com esses 70 milhões — e com a máquina na mão — que se ganha o jogo. Mas a máquina só funciona se você entender que o tempo é relativo. Como dizia Einstein, ele se comprime conforme a pressão da gravidade. Numa eleição, a gravidade é total: seis meses podem conter 20 anos de história. É o momento de projetar as próximas décadas.

Esperemos, todavia, que o governo consiga fugir da armadilha politiqueira e antipática de cobrar gratidão. É maravilhoso lembrar dos hospitais, estradas e programas criados pelo governo. Mas o povo sempre pode rebater com o que não foi criado. Além disso, não é inteligente tratar o povo como se ele fosse portador de uma dívida política.

O voto não é um pagamento por serviços prestados — é sobretudo uma aposta no futuro. O modelo de comunicação baseado unicamente em inaugurações de obras locais está repetitivo e não aponta horizontes para as grandes realizações que o país espera.

Lula não pode se restringir a mobilizar a atenção de pequenos nichos. Ele tem que liderar um projeto de transformação nacional.

O governo deveria, além disso, desenvolver uma imagem um pouco mais independente e autônoma em relação à figura de Lula. O país precisa de um grande projeto de mobilidade sobre trilhos e de um grande projeto de universalização da energia solar, com bateria inclusa — solar de dia, energia armazenada de noite.

As empresas elétricas vão reclamar. Paciência. O povo precisa de energia barata, e a China já tem essa tecnologia pronta. O plano é simples: imposto zero para importar placa e bateria da China, trazer tudo para cá e mandar nossos estudantes para lá. Eles aprendem engenharia solar na prática e voltam para montar fábrica aqui. Porque hoje, no Brasil, ninguém domina isso.

Lula não gosta de trem, e esse é o erro que pode custar a eleição. O povo passa quatro horas por dia espremido em ônibus. O dia em que a esquerda defender o trem e a ferrovia nacional, ela quebra o preconceito de quem acha que o PT só olha para o passado. O trem é o símbolo do futuro que o eleitor quer conquistar.

Energia solar, trem, e um sonho nacional de desenvolvimento.

É assim que a frente ampla democrática pode sair dos 45% e vencer.

, , , , ,
Apoie o Cafezinho

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Mais matérias deste colunista
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Mandrake

12/04/2026

Todo esquerdista autonoeleito democrata (e mais uma serie de babaquices afins) é um fascistello canalha enrustido, a regra nao falha nunca.

    Alice T.

    12/04/2026

    Ei, Mandrake, você pode explicar essa “regra” que nunca falha com dados concretos ou vai continuar no rol de generalizações vazias típicas de quem se acha dono da verdade?

Dante

12/04/2026

Esse ano promete doses de bílis em doses industriais espumando pelos cantos da boca dos canalhas esquerdistas….Cuba virando colônia Americana e esse tal de Bolsonaro subindo a rampa do Planalto…kkkkkkkkkkk

Vai ser uma apoteose….kkkkkkk

    Clarice Historiadora

    12/04/2026

    Interessante sua empolgação, Dante — pena que para entender como o Brasil chegou até aqui basta ler um pouco de história e ciência política, não só ficar contando fantasias mirabolantes sobre “colônias” ou “apoteoses”. Se quiser, posso te mostrar uns livros que desmontam essa visão de mundo que você parece adorar.

Ugo

12/04/2026

A única propaganda que a gente vê na tv e na internet é a do pseudo governo (montanha de merda).

Propaganda de governo é coisa de diarréias de terceiro e quarto mundo como de fato o Brasil é.

    Alice T.

    12/04/2026

    Você já parou pra pensar que o problema não é só a propaganda em si, mas quem financia, o narrador e quem lucra com ela? Você fala do “pseudo governo”, mas esquece que publicidade estatal custa caro – e quem paga é o povo, inclusive quem critica.

Ronei

12/04/2026

O rato da republica està podre ha mais de 10 anos mas é mantivo vivo pelo consorcio fascista STF/Globo que o tirou da cadeia e o nomeou presidente de nada em 2022. Para nao arriscar uma nova volta de Bolsonaro pensaram bem em condena-lo por algo que nunca aconteceu em pleno estilo nazi fascista.

O Brasil é uma dissenteria autoritaria de quarta categoria e por isso o Lula se elegerà novamente pois é o palhaço perrfeito para sustentar essa montanha de merda fascista.

    Renato Professor

    12/04/2026

    Ronei, tua análise é carregada de insultos, mas pobre de argumentos: não mostra nada concreto que sustente que “nada ocorreu”. Se quiser, posso te ajudar a encontrar provas documentadas para confirmar ou refutar essas acusações – você prefere focar nos fatos ou continuar no discurso inflamatório?

bandoleiro

11/04/2026

O Larapio jà era e vai cascar fora, vai jogar a bomba no colo do Boulos.

    Augusto Silva

    11/04/2026

    Se “já era”, explique isso pros 48% que votam no Lula e pro crescimento de 2,5% do PIB no último trimestre — a bomba que o Boulos vai herdar é uma crise que a gente já superou. Quer apostar que o “larápio” vai continuar firme caso os empregos e salários sigam em alta?

    Augusto Silva

    11/04/2026

    Meu caro bandoleiro, se essa tal bomba for o PIB crescendo perto de 3%, o desemprego na mínima de 7,4% e a inflação controladíssima, qualquer candidato adoraria receber esse presente no colo. É fascinante como vocês da extrema-direita sofrem desse fetiche apocalíptico e torcem contra o próprio país, mas a realidade macroeconômica insiste em atropelar os delírios do zap. Engole o choro, parceiro, porque enquanto vocês inventam ficção nos comentários, a economia de verdade segue voando.

    Maura Santos

    12/04/2026

    Oxê, bandoleiro, esse papo de “jogar bomba” é velho: lembra de quando cortaram energia de propósito pra culpar quem nem sabia onde tava a chave de luz? Se precisar, te faço um panorama histórico bonitinho pra mostrar quem tá tentando repetir o velho filme.

Clarice Historiadora

11/04/2026

Se a “máquina conservadora” está de fato latejando, me pergunto: como uma mobilização popular que resiste intensamente está sendo abafada por toda essa “propaganda poderosa”? É a prova viva de que, por mais densa que seja a névoa de desinformação e poder econômico, a consciência política pode florescer — e isso assusta quem bancou a mentira.

    Zé Trovãozinho

    11/04/2026

    Concordo contigo — é justamente essa resistência incômoda que revela o quanto “a máquina” teme perder o controle. A propaganda pode sufocar verdades por um tempo, mas não calará eternamente o eco de quem insiste em ver além da névoa.

    Mariana Ambiental

    11/04/2026

    Exatamente, Clarice — essa tensão entre o poder da propaganda e o despertar da consciência popular é onde mora o perigo para quem lucra com mentiras. Se resistimos, é porque já sentimos o peso da máquina; e isso, de fato, é uma ameaça.

      Mariana Ambiental

      11/04/2026

      Sim, Mariana — o medo dos donos da máquina não vem da arrogância gratuita, mas da certeza de que há sementes de rebeldia crescendo onde menos esperavam. Se a consciência floresce, eles tremem.

        Mariana Ambiental

        11/04/2026

        Exatamente — esse medo é o motor que move o silêncio cúmplice e as narrativas distorcidas. Quanto mais tentam soterrar as vozes dissidentes, mais brotam raízes de luta sob a terra.

Sgt Bruno 🇧🇷

11/04/2026

Interessante ver que, mesmo com todo o aparato da direita — mídia, grana, poder — parte da sociedade continua acordada e resistente. Isso mostra que propaganda forte nem sempre domina tudo; consciência política importa, sim.

    Marcos Conservador

    11/04/2026

    Sargento, você até acerta quando diz que parte da sociedade permanece firme — mas não subestime o poder da narrativa: ela morde no silêncio quem não reage.

      Augusto Silva

      11/04/2026

      Verdade, Marcos — a narrativa é arma poderosa e quem cala consente. Mas silêncio não é ausência de raciocínio; às vezes é armar contra-argumentos na sombra, pra surpreender no confronto direto.

      Zizi

      11/04/2026

      Marcos, concordo: a narrativa é poderosa mesmo — mas não mais que quem resiste com memória histórica e coragem. Silêncio não constrói futuro, só permite que velhas mentiras se repliquem.

        Zizi

        11/04/2026

        Boa reflexão, Marcos! É isso mesmo: quem esquece a história condena-se a revivê-la — e esses meninos mal-educados adoram reviver mentiras que servem aos poderosos.

Maura Santos

11/04/2026

É incrível como, mesmo com blindagem bilionária da direita nos meios de comunicação, uma parte da galera continua acordada — mostra que propaganda pra eles nunca foi sinônimo de povo. A “máquina” pode até bombar, mas os sonhos collectivos da esquerda seguem ativos e dando dor de cabeça pros que acham que dinheiro compra opinião.

    Alice T.

    11/04/2026

    Exato, Maura — enquanto os endinheirados usam milhões pra moldar narrativas, o poder real continua nas ruas, nas redes e nos sonhos que o dinheiro nunca vai conseguir comprar. É esse ruído popular que incomoda quem acha que a grana vale mais que alma.

    Luciana

    11/04/2026

    Maura, concordo contigo — o povo pode até tentar ser silenciado pelo barulho de campanhas milionárias, mas nunca vão comprar o sonho coletivo: quem tem fome sabe a diferença entre promessa vazia e mudança real.

Lurdinha Deus Acima de Todos

11/04/2026

Meu Deus do céu, até parece que estamos num ringue político! 😱 A direita usando toda sua máquina, mas a esquerda ainda não se entrega! Se esse trem fosse acabar com igrejas, já estariam arrancando os pilares todos… 🇧🇷🙏

    Sgt Bruno 🇧🇷

    11/04/2026

    Pois é, Lurdinha—ringue político 🔥 Mas se o trem visasse igrejas, tu acha que bastava arrancar pilares ou a reação seria total? Vamos ver quem realmente regula a máquina desse jogo.

      Lurdinha Deus Acima de Todos

      11/04/2026

      Meu querido Sgt Bruno, olha só: arrancar pilares é só o começo — a raiz do poder tá sob a terra, invisível, firme. Se as igrejas forem o alvo, a reação vai sair rugindo, porque mexer com fé é tocar no sagrado de cada um. E quem regula essa máquina? É um jogo de sombras que a maioria nem percebe.

        Tonho Patriota

        11/04/2026

        Ô minha querida Lurdinha, tá falando de raiz do poder mas parece que mora num boato antigo — igreja é fachada pros políticos meterem a mão, não pra salvar almas. Se regularem essa máquina, ela vai chiar é porque muita gente vai perder benefício, não por fé. E sim, meu bem, quem regula é quem manda, escondido na sombra — faz o L!

        Renato Professor

        11/04/2026

        Lurdinha, sua metáfora é potente — sim, tocar na fé é pisar em terreno sagrado, mas esse “jogo de sombras” que você menciona sobre quem regula a máquina exige que a gente ilumine essas sombras com debate, transparência e pensamento crítico. Afinal, fé sem razão vira crença cega — e esse é o alimento perfeito pra manipulação.

Beto Engenheiro

11/04/2026

Interessante ver que, mesmo com toda a estrutura de poder e mídia pesada, existe uma resistência viva no país — e isso diz muito sobre nossa real situação política. Agora, o que me preocupa é: essa mobilização por si só resolve? Precisamos ver ação concreta, infraestrutura, mudança de políticas, não só números em pesquisa.

    Marcos Conservador

    11/04/2026

    Você tocou num ponto crucial — resistência sem mudança prática vira clichê político. Ou conseguimos transformar essa energia em políticas reais, ou vai continuar sendo só conversa de café.

    Tadeu

    11/04/2026

    Concordo contigo, Beto — resistência é bom, mas se ficar só no discurso vira fumaça. Precisamos de parâmetros concretos: metas, orçamento, resultados mensuráveis — do contrário é só samba de festa.

    Vanessa Silva

    11/04/2026

    Com certeza, Beto — resistência é o começo, não o destino. Sem políticas robustas e infraestrutura bem direcionada, todo esse clamor pode virar apenas barulho. A pergunta real é: quem vai transformar essa energia em algo concreto?

Silva Sann

11/04/2026

O único político à esquerda que tinha e tem um projeto nacional é CIRO, e o PT e sua turma fizeram de tudo para deminizá-lo. Hoje, o PT e Lula caíram na própria armadilha que criaram, criaram coisas imediatistas para ganhar eleições sem pensar no futuro como fez, por exemplo, Lopez Obrador no México. Somando-se a isso, vieram o fetiche neoliberal com Hadaad na economia. De brinde Galípolo no BC e a taxa da blusinha que atingiu em cheio a classe média baixa e os mais pobres, A CONTA CHEGOU! Talvez, Lula e o PT perderão a reeleição para o mais medíocre político da extrema-direita, Flávio Bolsonaro!


Leia mais

Recentes

Recentes