Ondas no tecido do espaço-tempo, conhecidas como ondas gravitacionais, podem ter fornecido a primeira evidência tentadora de pequenos buracos negros nascidos durante o Big Bang. Esses buracos negros primordiais poderiam, por sua vez, explicar a maior parte, senão toda, da matéria escura, o enigmático componente que constitui grande parte do universo.
Ao contrário dos buracos negros de massa estelar, os buracos negros primordiais não se formaram a partir da morte de estrelas massivas, mas sim de flutuações de densidade que ocorreram imediatamente após o nascimento do cosmos. Isso significa que eles podem ser muito menores que os buracos negros de massa estelar, podendo ter massas tão pequenas quanto a de um asteroide médio ou tão grandes quanto a de um planeta massivo.
Apesar de sua existência ter sido proposta pela primeira vez por Stephen Hawking na década de 1970, os buracos negros primordiais permanecem hipotéticos. Contudo, a primeira pista potencial de sua existência surge na forma de um sinal de onda gravitacional “ouvido” recentemente pelo LIGO (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser), indicando uma colisão entre dois buracos negros, sendo que pelo menos um deles possui uma massa menor que a do sol.
O pesquisador da Universidade de Miami, Nico Cappelluti, afirmou que a explicação mais plausível para o sinal do LIGO, que carece de qualquer explicação astrofísica convencional, é a detecção de um buraco negro primordial. Segundo o portal Space.com, a equipe está otimista de que esses buracos negros poderiam representar uma porção significativa, senão toda, da matéria escura.
Embora o sinal possa ser um alarme falso, fruto de interferência ou “ruído” no sistema do LIGO, Cappelluti e seu colega Alberto Magaraggia estão determinados a provar sua autenticidade. “Tentamos estimar quantos buracos negros primordiais podem existir no universo e quantos deles o LIGO deve ser capaz de detectar, e nossos resultados são encorajadores”, disse Magaraggia.
Com o LIGO e seus parceiros de detecção de ondas gravitacionais, o Virgo na Itália e o KAGRA no Japão, prontos para aumentarem sua sensibilidade, e com futuros detectores de ondas gravitacionais altamente sensíveis, como o LISA (Antena Espacial por Interferômetro Laser), no horizonte, pode ser apenas uma questão de tempo até que a tecnologia alcance a teoria.


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