No dia 6 de abril de 2026, a tripulação da missão Artemis II, a bordo da cápsula Orion, testemunhou e registrou o raro fenômeno conhecido como Earthset, no qual a Terra desapareceu atrás do horizonte lunar poucos minutos antes de alcançar o ponto mais isolado da jornada.
Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen capturaram o momento exato em que o planeta natal deixou de ser visível enquanto a nave se preparava para sobrevoar o lado oculto da Lua, conforme detalhou o Live Science em sua cobertura completa da expedição.
Às 18h41 EDT do dia 6 de abril, os astronautas observaram a Terra parcialmente iluminada, com as regiões da Austrália e da Oceania ainda banhadas pela luz solar enquanto o restante do planeta mergulhava na escuridão noturna.
Em seguida, a comunicação bidirecional entre a Orion e o centro de controle foi intencionalmente interrompida por cerca de 40 minutos durante a passagem pelo lado oculto da Lua, gerando um silêncio absoluto que isolou completamente a tripulação.
O Earthset foi sucedido por um eclipse solar total no qual a Terra se interpôs entre a nave e o Sol, bloqueando completamente a estrela e revelando a coroa solar, além de planetas e estrelas que permanecem invisíveis sob o clarão diurno normal.
O fenômeno permitiu observações únicas da atmosfera externa do Sol durante o período registrado pela missão. Wiseman, comandante da expedição, demonstrou forte emoção ao descrever a cena em coletiva de imprensa realizada após o restabelecimento total das comunicações.
«É incrível ver seu planeta natal desaparecer atrás da Lua. Você vê a atmosfera. Você vê o terreno lunar projetado sobre a Terra… foi algo inacreditável… e depois simplesmente não estava mais lá», relatou Wiseman.
A imagem capturada evoca diretamente o icônico Earthrise obtido em 1968 pela Apollo 8, quando o astronauta Bill Anders fotografou a Terra surgindo por trás da Lua em registro que se tornou símbolo da fragilidade planetária. Desta vez, a Artemis II documentou o movimento inverso, com a Terra se pondo de forma consciente e planejada pela equipe.
Durante a curva lunar, a tripulação estabeleceu novo recorde ao se distanciar cerca de 406.777 quilômetros da Terra, superando a marca anterior da Apollo 13 em aproximadamente 6.600 quilômetros.
Wiseman relatou reações físicas intensas, como tremores nas mãos e suor frio diante da magnitude da visão. Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen descreveram a sensação de estarem transportados para um estado quase místico, no qual o conceito de lar parecia simultaneamente distante e profundamente presente.
Além do impacto emocional e simbólico, a missão Artemis II gerou dados científicos relevantes. A passagem pelo lado oculto permitiu o registro de estruturas geológicas pouco observadas, que podem esclarecer aspectos sobre a formação dos corpos celestes no sistema solar.
O eclipse provocado pela Terra ofereceu ainda um laboratório natural para o estudo detalhado da coroa solar em condições impossíveis de replicar a partir de observatórios terrestres.
A cápsula Orion concluiu o sobrevoo e restabeleceu contato conforme programado, trazendo de volta não apenas imagens de alta definição, mas também relatos que reforçam o valor da exploração tripulada para o entendimento tanto do universo quanto do próprio planeta.
A Artemis II representa etapa fundamental no programa que visa o retorno sustentável à Lua e prepara o terreno para missões subsequentes com pouso tripulado.
O registro do Earthset transcende a mera documentação técnica ao conectar gerações de exploradores espaciais. Enquanto a Apollo 8 surpreendeu o mundo com o Earthrise, a Artemis II entrega visão complementar que reforça a percepção da Terra como um oásis isolado na vastidão espacial.
Os dados coletados seguem em análise por equipes da NASA e devem contribuir para o refinamento de protocolos de comunicação e observação em ambientes de blackout radioelétrico prolongado.
Com informações de livescience.com.


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