Uma comparação dos levantamentos do Datafolha em etapas equivalentes dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro revela diferenças acentuadas nos índices de aprovação, regularidade e rejeição pouco antes de pleitos eleitorais.
Com o país a poucos meses da próxima disputa presidencial, essa análise histórica ganha relevância ao mapear o capital político acumulado por cada gestor em fase semelhante.
Fernando Henrique Cardoso registrava no fim de seu primeiro mandato, entre 10 e 11 de abril de 1998, exatamente 38% de avaliação positiva na soma de ótimo e bom. Na ocasião, 21% consideravam o governo ruim ou péssimo e 39% optavam pela nota regular.
No mesmo período do segundo mandato, em 9 de abril de 2002, os números mostravam desgaste claro: 28% de aprovação, 29% de rejeição e 41% de regular.
Dilma Rousseff alcançava, em 19 e 20 de fevereiro de 2014, patamar superior, com 41% de ótimo ou bom, 21% de ruim ou péssimo e 37% de regular. Os números indicavam base mais sólida às vésperas da campanha de reeleição.
Já Jair Bolsonaro, consultado entre 22 e 23 de março de 2022, amargava apenas 25% de aprovação contra 46% de rejeição e 28% de regular. Essa marca representou a pior avaliação negativa para um presidente desde a redemocratização em estágio comparável de mandato.
Ao alinhar os três casos em momentos equivalentes, conforme detalhou a Carta Capital na compilação dos dados do Datafolha, fica evidente que Fernando Henrique Cardoso oscilava na faixa dos 28% a 38% de aprovação e Dilma mantinha-se consistentemente acima dos 40%, enquanto Bolsonaro permanecia abaixo dos 30% de positivo com rejeição superior a 45%.
Os contrastes aparecem ainda mais nítidos quando se observa que a rejeição de Bolsonaro era mais que o dobro da registrada por Dilma e FHC no mesmo ponto de seus governos.
Esses índices capturam o estado da opinião pública quando o eleitorado começa a definir preferências para o ciclo seguinte. Fernando Henrique Cardoso via sua popularidade declinar após dois mandatos consecutivos, Dilma sustentava apoio suficiente para vencer disputa apertada e Bolsonaro enfrentava cenário de forte polarização que limitava sua capacidade de expansão eleitoral.
A diferença de mais de 15 pontos percentuais de aprovação entre Dilma e Bolsonaro no período equivalente demonstra como o apoio social variava de forma significativa entre os três líderes em fases decisivas de suas trajetórias.
A análise dos números do Datafolha permite compreender os distintos níveis de legitimidade que cada presidente carregava rumo ao momento eleitoral. Enquanto alguns chegavam com margem de manobra para negociar e mobilizar bases, outros enfrentavam rejeição consolidada que moldava todo o ambiente político posterior.
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