Um ovo de 7,6 cm — grande para um animal do porte de um porco — pode explicar como um ancestral dos mamíferos sobreviveu ao evento que extinguiu cerca de 90% das espécies há 252 milhões de anos.
Cientistas identificaram o primeiro ovo fossilizado de um therapsídeo — grupo ao qual pertencem os ancestrais dos mamíferos — com casca macia. Essa descoberta é chave para compreender a capacidade de adaptação vital que permitiu a esses animais atravessar o pior desastre em massa da história, o Permiano-Triássico. Os achados foram publicados em 9 de abril pela revista PLOS One e divulgados pelo Live Science.
O fóssil foi encontrado em 2008 no distrito de Xhariep, na província de Eastern Cape, África do Sul, por John Nyaphuli. Tecnologias de tomografia computadorizada em sincrotron permitiram confirmar que havia um embrião dentro do ovo — algo jamais documentado antes em therapsídeos. O embrião pertence ao gênero Lystrosaurus, herbívoro com corpo semelhante ao de um porco, pele nua, bico como de tartaruga e dois caninos inferiores voltados para baixo. citeturn0search1turn0search2
Não havia material calcificado preservado, mas fragmentos ósseos revelaram que a mandíbula inferior do embrião ainda não estava fusionada — claro indício de que ele não poderia se alimentar sozinho. Isso aponta para casca flexível, tipo couro, semelhante à de répteis modernos, uma vez que ovos rígidos só surgiriam milhões de anos depois. citeturn0search1turn0search3
O ovo tinha aproximadamente 7,6 cm de comprimento por 5 cm de largura. Esse tamanho sugere abundância de vitelo, o que indica que os filhotes já nasciam com desenvolvimento avançado — capazes de se mover, alimentar-se e escapar de predadores com menor dependência dos pais. citeturn0search2turn0search3turn0search1
Lystrosaurus viveu entre cerca de 272 milhões a 250 milhões de anos atrás. Seu sucesso após o colapso do Permiano — quando aproximadamente 90% das espécies terrestres e marinhas foram extintas — deveu-se em parte ao uso desse ovo relativamente grande, menos vulnerável à desidratação. Em um mundo dominado por secas severas, instabilidade climática e rupturas ecológicas, tal estratégia oferecia vantagem. citeturn0search1turn0search3turn0search2
Reprodução ovípara entre therapsídeos era vista por muitos como hipótese possível, mas agora se mostra realidade. Este ovo fossilizado resolve uma dúvida secular: ancestrais dos mamíferos botavam ovos macios, e viviparidade — o nascimento de filhotes vivos — bem como lactação, surgiriam apenas depois, no ramo que originou mamíferos modernos. citeturn0search1turn0search3turn0search2
Filhotes precoces, com desenvolvimento avançado desde o nascimento, reduziam a necessidade de cuidados parentais complexos como aleitamento longo. Estratégias mais simples permitiam ciclos reprodutivos mais rápidos, dispersão eficiente e resiliência em ambientes extremos, condições típicas nos intervalos pós-massacre ambiental. citeturn0search3turn0search2
A descoberta renova nossa compreensão da evolução reprodutiva: ovo, casca macia, embriões já capazes nas fases iniciais e adaptação às crises ambientais moldaram a trajetória dos ancestrais dos mamíferos. Ela também ilustra que, em momentos de pressão extrema, formas de vida que parecem primitivas podem funcionar como alicerces de sobrevivência, não limitações.
O estudo ressalta ainda a importância de tecnologias avançadas de imagem e da conservação de sítios fósseis, especialmente no Sul Global, para revelar segredos da evolução profunda. Essas revelações não apenas preenchem lacunas científicas, mas fortalecem a ideia de que compreender o passado pode iluminar respostas para os desafios ecológicos e climáticos que enfrentamos hoje.
Com informações de livescience.com.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!