Um vulcão submarino próximo a Tonga deslocou quase 10 quilômetros cúbicos de solo em menos de um ano — volume equivalente a quatro milhões de piscinas olímpicas. A erupção do Hunga-Tonga Hunga-Haʽapai, em janeiro de 2022, gerou correntes densas que remodelaram cânions submarinos, destruíram cabos de telecomunicação e devastaram ecossistemas marinhos a até 80 km da cratera.
Pesquisadores da NIWA (atual Earth Sciences New Zealand) e da Universidade de Otago usaram imagens multifeixe e mapas batimétricos para comparar o relevo antes e depois da erupção. Eles identificaram desníveis de até 70 metros em cânions submarinos recém-formados. Alguns canais têm 5-10 km de comprimento por cerca de 2 km de largura, enquanto lobos sedimentares com mais de 20 metros de espessura cobriram áreas próximas. Segundo o estudo publicado na Nature Communications, mais de 75% do material expelido foi depositado dentro de 20 km da cratera. citeturn0search0turn0search1
As correntes vulcaniclásticas removeram solos existentes, rasparam os cânions e criaram novos sulcos profundos no fundo do mar. A infraestrutura submarina sofreu danos significativos: cabos de telecomunicação foram destruídos em trechos de até 80 km, interrompendo a conectividade entre Tonga e o resto do mundo. citeturn0search0turn0search1
Organismos bentônicos, fixos ao fundo marinho, foram praticamente extintos na região afetada. Apenas nas elevações naturais do fundo — montes submarinos e relevos acidentados — encontraram refúgios onde a vida persistiu. A reconstrução biológica dependerá dessas áreas de relevo irregulares, que serviram como escudos naturais. citeturn0search0turn0search1
O levantamento fez parte do programa Seabed 2030, coordenado pela NIWA em parceria com a Nippon Foundation. A bordo do navio-pesquisador RV Tangaroa, cerca de 30 cientistas mapearam 22.000 km² do fundo oceânico, coletando amostras físicas, imagens subaquáticas e dados geofísicos de alta resolução para entender os impactos do fenômeno. citeturn0search0turn0search2
Apesar de o cone vulcânico principal ainda se erguer quase 2.000 metros acima do fundo oceânico, suas encostas sofreram erosões profundas. A topografia basal influenciou o comportamento das correntes densas: canais e elevações existentes guiaram esses fluxos, intensificando o transporte de sedimentos e permitindo erosões de grande escala. citeturn0search0turn0search1
Essas descobertas mostram que vulcões submarinos podem alterar rapidamente vastas regiões do fundo do mar — processo muito mais poderoso do que se acreditava. A revelação exige uma reequipagem do monitoramento costeiro, infraestrutura submarina e políticas de uso ambiental que considerem os riscos submersos. Custos econômicos, impactos ecológicos e soberania sobre mares territoriais dependem desse novo entendimento. citeturn0search0turn0search1
Com informações de www.ecoportal.net.


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