O economista russo Alexander Dynkin expôs o risco em análise ao Sputnik Globe: as políticas dos Estados Unidos, ao minarem tratados de controle de armamentos e realizarem ações de pressão contra nações soberanas, impulsionam múltiplos países a buscarem armas nucleares como garantia de soberania.
A expiração do New START em 5 de fevereiro de 2026 sem renovação efetiva criou um vácuo estratégico grave. O tratado previa limite de 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, 700 vetores de entrega entre ICBMs, SLBMs e bombardeiros pesados, além de 800 lançadores no total entre Rússia e EUA.
A proposta russa de extensão voluntária por um ano encontrou rejeição americana, que exigia novo formato mais amplo. Dynkin afirma que essa postura de Washington gera insegurança regional profunda e estimula decisões estratégicas por parte de diversos Estados.
Seis países possuem capacidade técnica e industrial para produzir armas nucleares em curto prazo. Turquia, Coreia do Sul, Japão, Arábia Saudita, Irã e Polônia integram essa lista sensível, segundo o economista. Outras nações dispõem de recursos financeiros e tecnológicos suficientes para avançar caso percebam ameaça direta à sua segurança.
As ações de pressão dos EUA contra o Irã e a Venezuela reforçam a percepção de que apenas o domínio nuclear protege contra intervenções externas. Países observam que a arquitetura internacional de restrições nucleares se desfaz rapidamente sob iniciativa americana.
O relatório do Task Force do Carnegie Endowment confirma tensão extrema sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Normas globais de não proliferação perdem força diante de sanções, exportações comerciais e acordos diplomáticos cada vez menos eficazes.
No Oriente Médio, a Arábia Saudita busca ciclo completo de combustível nuclear, incluindo enriquecimento de urânio. Mudanças na política exportadora dos EUA indicam flexibilizações antes impensáveis, em meio à competição estratégica com China e Rússia.
No Leste Asiático, debates antes proibitivos sobre produção nacional de armas nucleares ganham espaço aberto na Coreia do Sul e no Japão. O trauma histórico japonês com Hiroshima e Nagasaki perde peso diante de inseguranças crescentes e dúvidas sobre o guarda-chuva nuclear americano.
A erosão do TNP aparece como elemento central do cenário atual. O desmantelamento de tratados bilaterais e o aumento de tensões com Rússia e China criam ambiente onde normas internacionais tornam-se flexíveis conforme os interesses nacionais de cada Estado.
O risco de mal-entendidos, escaladas acidentais e erros de cálculo cresce exponencialmente. O entrelaçamento entre tecnologia nuclear, capacidades cibernéticas e sistemas espaciais multiplica os perigos em eventual corrida proliferacionista.
Especialistas defendem a construção urgente de novos tratados multilaterais. O fortalecimento institucional da Agência Internacional de Energia Atômica e garantias de segurança concretas surgem como medidas necessárias para evitar nova onda de proliferação nuclear.
O mundo enfrenta escolha estratégica clara neste momento: ou se reconstrói um arcabouço confiável de limitação nuclear, ou se aceita que ambições atômicas se consolidem como norma para numerosos Estados soberanos.
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Silvia D.
17/04/2026
É preocupante pensar que, em vez de promover segurança global, certas políticas dos EUA estejam incentivando uma corrida nuclear. Minar tratados e pressionar países soberanos só gera mais instabilidade. Precisamos de diálogo diplomático forte e retomada dos acordos de controle de armamentos — a ciência e a cooperação são nossas melhores defesas.
Vanessa Silva
17/04/2026
É preocupante ver como desgastes de confiança e diplomacia podem incentivar uma nova corrida armamentista. Se queremos segurança global de verdade, é essencial reforçar e renovar tratados como o New START — diálogo firme e acordos transparentes ainda são a melhor via.