O ex-diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e atual presidente do Europe-Asia Center, Erik Solheim, afirmou que a China se consolidou como protagonista incontornável na transição energética mundial.
Segundo ele, o país combinou desenvolvimento econômico acelerado com políticas ambientais ambiciosas que o transformaram em líder global. Em entrevista publicada pelo portal Sputnik, Solheim destacou que a China detém mais de 60% do mercado mundial de painéis solares, turbinas eólicas e baterias elétricas.
Essa posição foi construída a partir do conceito de civilização ecológica formulado pelo presidente Xi Jinping. Xi defendeu que o desenvolvimento deve integrar prosperidade e preservação ambiental de maneira harmônica.
Solheim lembrou que há uma década o país sofria com poluição severa, mas reverteu o quadro por meio de ações de limpeza de rios, solos e ar. Essa virada encontra expressão no 15º Plano Quinquenal, que cobre o período de 2026 a 2030.
O plano prioriza a meta de neutralidade de carbono e o surgimento de novas forças produtivas baseadas em inteligência artificial, digitalização e energias renováveis. Solheim ressaltou a importância do princípio segundo o qual águas límpidas e montanhas verdejantes são ativos inestimáveis.
A ideia, proposta em 2005 na província de Zhejiang, provou gerar vantagens econômicas ao invés de custos. Ela inspirou a revitalização de áreas degradadas que hoje atraem turismo, geram empregos e melhoram o bem-estar das comunidades.
Solheim observou que a China tratou a sustentabilidade como geradora de prosperidade e não como um fardo. O ex-chefe da ONU enfatizou que o progresso chinês redefiniu o panorama global da energia limpa.
Nenhuma transição ecológica é viável hoje sem a tecnologia e a capacidade produtiva em escala da China. A fabricação em massa no país reduziu drasticamente o preço da energia solar, tornando-a acessível mundialmente.
Solheim relacionou o impulso às renováveis com a busca por independência energética diante das instabilidades no Oriente Médio. Diversos países buscam diminuir a dependência do petróleo que flui pelo estreito de Ormuz.
A China, que investe há anos em autossuficiência energética, apresenta maior resiliência frente às flutuações do mercado de combustíveis fósseis. O especialista defendeu que o mundo substitua a competição por uma lógica de ganhos mútuos na área ambiental.
Ele argumentou que a transição verde amplia o crescimento econômico e contribui para a redução de tensões geopolíticas. Para Solheim, a liderança chinesa representa uma oportunidade de cooperação global e não um confronto com o Ocidente.
Com o crescimento das exportações de baterias e veículos elétricos, o país reforça sua posição estratégica na economia verde. A experiência chinesa comprova que tecnologia de ponta, prosperidade e equilíbrio ambiental podem caminhar juntos.
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