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Fenômeno El Niño pode começar a se manifestar na Colômbia em maio

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Fenômeno El Niño pode começar a se manifestar na Colômbia em maio. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O fenômeno El Niño, conhecido por aquecer as águas do Pacífico tropical e alterar profundamente os padrões de chuva e temperatura do planeta, pode começar a se manifestar na Colômbia a partir de […]

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Ilustração editorial sobre Fenômeno El Niño pode começar a se manifestar na Colômbia em maio. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O fenômeno El Niño, conhecido por aquecer as águas do Pacífico tropical e alterar profundamente os padrões de chuva e temperatura do planeta, pode começar a se manifestar na Colômbia a partir de maio. A possibilidade de consolidação do evento até o meio do ano acende alertas em todo o país, especialmente diante da perspectiva de secas prolongadas e calor extremo que ameaçam o fornecimento de energia e água potável.

Segundo a professora Yuley Cardona, doutora em Ciências da Terra e Atmosfera e pesquisadora da Faculdade de Minas da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL), as anomalias já são perceptíveis na região costeira próxima ao Peru. Ela explica que o aumento de 1°C nas temperaturas do oceano ultrapassa o limiar de 0,5°C necessário para caracterizar o início do fenômeno, mas ainda precisa se manter por três meses consecutivos para ser oficialmente declarado.

Cardona observa que os modelos climáticos, tanto físicos quanto estatísticos, indicam uma clara transição rumo a um El Niño, embora a intensidade e a duração ainda sejam impossíveis de prever. Essas variáveis dependem de mudanças sutis nos ventos e na circulação atmosférica, fatores que modulam a forma como o calor é distribuído pelo sistema climático global.

Ela ressalta que, no curto prazo, a neutralidade climática deve persistir, o que significa que o oceano e a atmosfera ainda não apresentam sinais sustentados de aquecimento. Contudo, a partir de maio, as condições podem mudar rapidamente, abrindo caminho para um novo ciclo de instabilidade meteorológica na região andina.

O professor José Daniel Pabón, também da UNAL, reforça que o Pacífico já mostra uma transição inequívoca para condições mais quentes. Após o fim do período de La Niña, entre o final de 2025 e o início de 2026, os sistemas de monitoramento indicaram um aquecimento progressivo que pode se consolidar em um El Niño até o meio deste ano e possivelmente se estender até o início de 2027.

Pabón adverte que o foco não deve estar em especular sobre a intensidade do fenômeno, mas em preparar as comunidades e os setores produtivos para seus efeitos. Para ele, a preparação territorial — de municípios, departamentos e áreas agrícolas — é essencial para mitigar impactos sobre a segurança hídrica e alimentar.

Os centros de previsão climática ainda evitam definir a magnitude do evento, dada a complexidade dos processos oceânicos e atmosféricos envolvidos. Por isso, a principal recomendação é acompanhar de perto os relatórios oficiais do Comitê Nacional para o Estudo do Fenômeno El Niño e adotar medidas preventivas, especialmente no campo, onde a redução da umidade do solo pode comprometer safras inteiras e aumentar o risco de incêndios florestais.

Nas áreas costeiras do Pacífico colombiano, também há possibilidade de elevação temporária do nível do mar, o que pode provocar inundações e afetar a saúde pública. O aumento das temperaturas e as mudanças nos regimes de chuva criam condições favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika, chikungunya e malária, exigindo respostas rápidas das autoridades sanitárias.

O professor Oscar Mesa, do Departamento de Geociências da UNAL, lembra que medidas voluntárias de economia de água e energia podem reduzir significativamente a demanda sem grandes prejuízos ao bem-estar. Ele cita experiências de lugares como a Califórnia, entre 2000 e 2001, e o Brasil, entre 2001 e 2002, onde o consumo foi reduzido em até 25% por meio de campanhas de conscientização e uso racional dos recursos.

Em Bogotá, experiências anteriores mostraram que a racionalização do consumo durante crises de abastecimento pode gerar resultados efetivos e sustentáveis. Mesa reforça que a adaptação e a cooperação social são ferramentas tão importantes quanto as soluções tecnológicas para enfrentar eventos climáticos extremos.

Segundo o professor Pabón, o fenômeno também evidencia a necessidade de maior coordenação entre países latino-americanos em políticas de mitigação e adaptação climática. Ele argumenta que as nações do Sul Global compartilham vulnerabilidades semelhantes e podem fortalecer suas respostas conjuntas frente ao aquecimento global.

Conforme destacou o portal Colombia One, o cenário exige vigilância permanente e comunicação transparente entre autoridades, cientistas e sociedade civil. A preparação antecipada e o monitoramento contínuo serão determinantes para reduzir os impactos do El Niño sobre a economia e a infraestrutura da Colômbia.


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