O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) e a Polícia Federal investigam a aplicação de R$ 50 milhões da Amazonprev no banco Master. A operação é apontada como fraudulenta e direcionada para favorecer interesses do Partido Liberal (PL) no Amazonas, conforme reportagem do Diário do Centro do Mundo.
A transação ocorreu em 6 de junho de 2024 com recursos do fundo previdenciário dos servidores estaduais, aplicados em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro. O Master já apresentava problemas de liquidez na ocasião, o que configurava alto risco sem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.
Durante o governo de Wilson Lima (União Brasil), a Amazonprev passou por nomeações estratégicas que ligam a operação ao PL-AM. A então presidente Maria Neblina Marães era doadora da campanha de Lima e assumiu o posto em 2022.
Após a aplicação, Maria Neblina Marães foi substituída por Ary Renato Vasconcelos de Souza. O profissional havia atuado como contador das campanhas eleitorais de Wilson Lima em 2018 e 2022.
Em 2025, o comando do fundo foi assumido por Francisco Evilázio Pereira Nascimento. Ele é irmão do ex-senador Alfredo Nascimento, presidente do Partido Liberal no Amazonas e aliado do senador Flávio Bolsonaro.
Sob a gestão de Francisco Evilázio Pereira Nascimento, o grupo da Amazonprev visitou a sede do banco Master em São Paulo. O relatório da própria instituição já sinalizava o elevado risco de crédito da operação.
O documento interno da Amazonprev indicava que as taxas de retorno estavam acima da média do mercado justamente pelo risco envolvido. Apesar dos alertas, a aplicação foi aprovada e gerou exposição direta do patrimônio dos servidores.
Com a liquidação extrajudicial do banco Master, os valores aplicados ficaram sem garantia de recuperação total. O conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) Ari Moutinho Junior determinou, em dezembro de 2025, a suspensão imediata de investimentos sem cobertura do FGC.
A decisão atendeu à representação da Secretaria-Geral de Controle Externo, que identificou irregularidades na gestão dos recursos. Os procuradores do MPC-AM consideram grave a falta de justificativa técnica para a escolha de instituição em situação de insolvência.
A Polícia Federal apura indícios de favorecimento político e possível fraude na transação. Francisco Evilázio Pereira Nascimento negou irregularidades e afirmou estar à disposição das autoridades para o esclarecimento completo dos fatos.
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