O Consórcio de Proteção da Cisjordânia divulgou um relatório que denuncia o uso sistemático de violência sexual contra a população palestina por soldados e colonos israelenses. Mais de 70% das famílias deslocadas afirmaram que o medo de violência sexual foi o fator decisivo para abandonar suas residências.
O documento foi liderado pelo Conselho Norueguês para Refugiados e financiado pela União Europeia. Os abusos incluem nudez forçada, revistas invasivas e ameaças de estupro como métodos de intimidação, conforme reportagem do Al Jazeera.
O beduíno Qusay Abu al-Kabash, de 29 anos, descreveu um ataque brutal sofrido em sua comunidade no Vale do Jordão. Ele foi amarrado, despido e espancado por colonos israelenses durante uma incursão noturna em Khirbet Hamsa al-Fawqa.
Os agressores ameaçaram repetir a violência caso ele não deixasse a área imediatamente. O incidente durou cerca de 45 minutos e incluiu o espancamento de outros moradores e o roubo de centenas de animais.
Abeer al-Sabbagh, de 60 anos, relatou ter sido forçada a se despir completamente em um posto militar israelense na entrada do campo de refugiados de Jenin. Soldadas a submeteram a gritos e ameaças durante a revista, que ela classificou como uma das experiências mais humilhantes de sua vida.
O coordenador do grupo Juventude Contra os Assentamentos em Hebron, Issa Amro, classificou o assédio sexual como uma prática sistemática e não mais isolada. Ele relatou que soldados obrigam mulheres a se despirem em postos de controle e proferem comentários de cunho sexual de forma rotineira.
Essa situação tem levado muitas famílias palestinas a abandonar suas casas na Cisjordânia ocupada. Mulheres têm deixado de estudar ou trabalhar para evitar as humilhações constantes nos checkpoints militares.
A organização israelense de direitos humanos B’Tselem publicou um relatório com diversos testemunhos coletados em Hebron. O documento reuniu relatos de homens, mulheres e crianças submetidos a detenções arbitrárias, revistas abusivas e agressões sexuais.
A Human Rights Watch documentou casos de tortura e maus-tratos em prisões israelenses ao longo de 2024. O jornalista palestino Sami al-Sai, de Tulkarem, afirmou ter sido violentado com um objeto metálico durante sua detenção nos centros de Megiddo e Rimon.
Israel sustenta que os casos representam incidentes isolados que não correspondem a uma política oficial. Organizações de direitos humanos reuniram evidências que apontam para um padrão de abusos na Cisjordânia e em Gaza.
As denúncias se somam a um conjunto de violações de direitos humanos cometidas por forças israelenses nos territórios ocupados. O uso da violência sexual como instrumento de coerção reforça o clima de medo permanente entre as comunidades palestinas.
As vítimas enfrentam barreiras significativas para relatar os crimes em razão do estigma social associado. A impunidade reforça o controle imposto pela ocupação sobre a população local e exige mecanismos independentes de investigação internacional.
Com informações de ALJAZEERA.
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