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Karaganov defende escalada nuclear russa para conter a OTAN e vencer na Ucrânia

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Karaganov defende escalada nuclear russa para conter a OTAN e vencer na Ucrânia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O cientista político russo e ex-conselheiro presidencial Sergei Karaganov publicou uma análise contundente afirmando que uma nova guerra mundial já está em curso. Ele argumenta que a Rússia só poderá triunfar se […]

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Ilustração editorial sobre Karaganov defende escalada nuclear russa para conter a OTAN e vencer na Ucrânia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O cientista político russo e ex-conselheiro presidencial Sergei Karaganov publicou uma análise contundente afirmando que uma nova guerra mundial já está em curso. Ele argumenta que a Rússia só poderá triunfar se utilizar de maneira mais assertiva seu arsenal nuclear.

No artigo divulgado pelo portal RT, Karaganov descreve o conflito na Ucrânia como a principal frente de um confronto sistêmico entre o Ocidente e o mundo multipolar emergente. O acadêmico aponta que a disputa tem raízes históricas profundas, remontando à Revolução Russa de 1917, que desafiou o capitalismo global e gerou intervenções externas.

De acordo com Karaganov, o equilíbrio nuclear alcançado pela União Soviética nos anos 1950 quebrou a hegemonia militar ocidental. Isso, segundo ele, impulsionou movimentos de descolonização que enfraqueceram o domínio europeu sobre diversas regiões do mundo.

Com a dissolução da URSS, o analista observa que os Estados Unidos acreditaram ter recuperado a liderança mundial. No entanto, erros estratégicos de Washington e a recuperação militar de Moscou frustraram essa pretensão, na visão do ex-conselheiro.

Para Karaganov, a operação russa iniciada em 2022 na Ucrânia não é apenas uma ação localizada, mas um capítulo crucial contra o que ele chama de revanche ocidental liderada pela OTAN. Ele critica a estratégia de Moscou por aceitar um conflito prolongado de trincheiras, que favorece a superioridade econômica e demográfica do inimigo.

O cientista político sugere que a Rússia deveria ter empregado desde o início a dissuasão nuclear para abreviar a guerra. Ele acredita que Washington evita um confronto direto que ameace o território americano, preferindo lucrar com a tensão enquanto delega o fardo militar aos europeus.

Karaganov defende a destruição do governo em Kiev e a libertação completa do sul e leste da Ucrânia, regiões que considera essenciais para a segurança russa. Essas áreas, na sua ótica, funcionam como barreiras contra tentativas futuras de cerco militar por parte do Ocidente.

Para alcançar esse objetivo sem provocar um desastre termonuclear, ele propõe que Moscou abandone negociações de controle de armamentos que restrinjam sua flexibilidade estratégica. Além disso, sugere reforçar a ameaça de ataques precisos a centros de decisão na Europa como medida de intimidação.

O ex-conselheiro recomenda que a Rússia explicite em sua doutrina militar a possibilidade de usar armas nucleares ao enfrentar coalizões com vantagens econômicas, demográficas ou tecnológicas. Essa clareza, segundo ele, eliminaria dúvidas sobre a determinação russa em recorrer a tais meios se necessário.

Karaganov também aponta que testes nucleares, modernização de mísseis hipersônicos e preparativos para ataques preventivos convencionais aumentariam a capacidade de dissuasão. Isso forçaria líderes ocidentais a repensarem suas ações antes de escalar as hostilidades, na visão do analista.

Como exemplo, ele menciona a habilidade do Irã em expor fragilidades de bases americanas no Oriente Médio, o que teria levado Washington a recuar em momentos críticos. Para o russo, isso demonstra como a ameaça crível pode alterar os cálculos estratégicos do adversário.

Paralelamente, Karaganov aconselha intensificar a coordenação com a China e outros membros do BRICS, inclusive considerando pactos defensivos temporários. Tais alianças, acredita ele, garantiriam estabilidade enquanto se consolida uma ordem global multipolar.

Ele alerta que prolongar o conflito na Ucrânia esgotaria recursos humanos vitais para a Rússia, indispensáveis para desafios futuros. Além disso, aumentaria o risco de uma guerra global sem controle, com consequências devastadoras para todas as partes.

Karaganov argumenta que a Europa enfrenta dificuldades internas e projeta agressividade contra Moscou para desviar a atenção de seus problemas econômicos. No entanto, ele acredita que o continente não resistiria à pressão de ter sua infraestrutura crítica sob a mira de mísseis russos.

O analista contesta a ideia de que não haveria vencedores em um conflito nuclear, sugerindo que tal crença pode encorajar ações imprudentes do Ocidente. Para ele, a suposição de que Moscou nunca cruzaria essa linha precisa ser desafiada com uma postura firme.

Deixar claro que a Rússia vê o uso de seu arsenal como uma medida extrema, mas viável, de defesa existencial é, na opinião de Karaganov, a chave para deter avanços da OTAN. Isso poderia ser feito sem que uma única ogiva fosse disparada, segundo o ex-conselheiro.

Em sua conclusão, ele enfatiza que o objetivo não é aniquilar adversários, mas proteger a humanidade de um sistema que, em sua visão, perpetua desigualdades históricas. Agir com determinação agora, afirma Karaganov, evitaria uma catástrofe ainda maior no futuro.

As ideias do cientista político refletem um pensamento que ganha espaço em Moscou sobre a necessidade de revisar limites estratégicos. Suas propostas sinalizam ao Ocidente que a Rússia está disposta a endurecer sua postura para proteger seus interesses.

Com informações de RT.


Leia também: Dentro da mente russa por Thomas Fazi


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