Comentários sobre: Empresa americana aposta em baterias de sódio para revolucionar o armazenamento de energia https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 07 May 2026 03:13:27 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Letícia Fernandes https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840127 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840127 Em resposta a Ricardo Menezes.

Ricardo, seu comentário é uma perfeita radiografia do que a psicanálise chama de sintoma social burguês: a crença de que o problema do Brasil se reduz a “imposto e burocracia”, como se a máquina estatal fosse um parasita abstrato e não a expressão concreta das relações de classe que sustentam justamente o seu privilégio de empreendedor. Você reclama dos 60% de imposto para importar uma pilha, mas silencia sobre os 40% de lucro que a indústria de baterias de lítio embute no preço final, ou sobre os subsídios bilionários que o Estado americano concede à pesquisa privada – inclusive essa tal bateria de sódio que você endeusa. A inovação nos EUA não acontece apesar do Estado, mas por meio dele, com funding público da DARPA, do Departamento de Energia e de universidades estatais. O que você chama de “Estado parasita” é, na verdade, o Estado que financia a acumulação privada enquanto corta direitos da maioria.

Sua narrativa sobre “cancelamento” do Marcus é particularmente reveladora. Pedro e Laura não o cancelaram; eles apontaram contradições objetivas no discurso dele – e no seu. Você transforma crítica política em perseguição pessoal porque, no imaginário liberal, qualquer questionamento ao empreendedor é uma afronta à liberdade. Mas a verdade é que o “empreendedor” que você idealiza é uma figura mítica do capitalismo periférico: alguém que quer os benefícios do Estado (infraestrutura, segurança jurídica, educação da mão de obra, estradas para escoar a produção) sem arcar com os custos da reprodução social. O imposto que você chama de “parasitário” é o mesmo que paga o asfalto por onde passa o caminhão da sua empresa, o hospital que trata o seu funcionário quando ele adoece e a polícia que protege a sua propriedade.

Quanto à bateria de sódio propriamente dita, você tem razão em um ponto: o sódio é abundante e barato. Mas aí está a ironia que seu discurso não alcança. O Brasil tem uma das maiores reservas de sódio do mundo, mas a extração e o refino desse mineral estão nas mãos de multinacionais que remetem lucro para o exterior, enquanto as comunidades locais convivem com contaminação de aquíferos e trabalho análogo à escravidão em minas do Nordeste. A solução não é “menos Estado”, mas um Estado que nacionalize a cadeia produtiva, invista em pesquisa pública e garanta que a energia armazenada sirva para eletrificar o transporte coletivo e levar luz para os 900 mil brasileiros que ainda vivem sem energia elétrica – e não para abastecer mais SUVs elétricos de classe média. Enquanto você chora os 60% de imposto na importação de uma pilha, há quem não tenha nem uma tomada em casa, Rubens lembrou bem. O seu “empreendedorismo” é, no fundo, a ânsia de reproduzir, em solo tropical, a mesma lógica colonial que sempre nos condenou a ser exportadores de matéria-prima e importadores de tecnologia. O sódio vai virar bateria, sim. A pergunta é: para quem?

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Por: Rubens O Pescador https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840124 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840124 Em resposta a Ricardo Menezes.

Ricardo, o problema não é imposto, é que nos anos 90 e 2000 o povo aqui comia arroz com feijão todo dia enquanto vocês chamavam o Lula de ladrão. Agora vem americano inventar bateria e você acha que isso resolve a vida de quem não tem nem energia em casa.

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Por: Ricardo Menezes https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840120 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840120 Inovação privada acontecendo nos EUA enquanto aqui a gente paga 60% de imposto pra importar uma pilha. Bateria de sódio é mais barata e abundante, mas com esse Estado parasita que temos, qualquer avanço vira taxa e burocracia. Enquanto isso, o Marcus ali já foi cancelado pelo Pedro e pela Laura — tipico de quem nunca empreendeu na vida.

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Por: Pedro Almeida https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840111 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840111 Em resposta a Marcus Almeida.

Marcus, você faz uma confusão curiosa entre inovação tecnológica e pânico moral. Baterias de sódio são promissoras justamente porque o Brasil detém uma das maiores reservas mundiais de sódio — se há algo que poderia nos libertar da dependência externa, seria exatamente isso, mas para enxergar essa oportunidade seria preciso largar o manual de guerra cultural e olhar para a geopolítica dos recursos naturais com seriedade.

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Por: Laura Silva https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840093 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840093 Em resposta a Marcus Almeida.

Marcus, é curioso como você consegue transformar uma notícia sobre inovação tecnológica em mais um capítulo do seu manual de ressentimento político. Vamos por partes, porque o seu comentário merece uma análise um pouco mais cuidadosa do que o senso comum que você reproduz.

Primeiro, essa tal “revolução vinda de fora” que você critica: baterias de sódio não são uma invenção americana genial que vai nos salvar. O sódio é um recurso abundante, barato e geograficamente bem distribuído – ao contrário do lítio, que o Brasil também tem, mas cuja exploração é feita de forma predatória por multinacionais enquanto comunidades locais são deslocadas. Se há um país que poderia liderar essa transição energética com justiça social é justamente o Brasil, que tem sódio de sobra nas salinas do Nordeste e um parque industrial capaz de produzir baterias. O problema não é o governo Lula “travar” empresas nacionais, mas sim o fato de que, durante décadas, o Estado brasileiro foi capturado por uma elite agrário-exportadora que prefere vender soja e minério bruto a investir em ciência e tecnologia. O agronegócio que você defende com tanto afinco é o mesmo que, segundo o Inpe, desmatou 13.235 km² da Amazônia em 2021, sob o governo Bolsonaro – e não sob Lula, que, aliás, retomou a fiscalização ambiental.

Quanto à sua defesa da “família tradicional brasileira” e à acusação de corrupção, isso é um espantalho retórico que já foi desmontado pela história. A “família tradicional” que você idealiza é a mesma que, no Brasil colonial, se sustentava no trabalho escravo; que, na República Velha, trocava votos por cabresto; e que, na Nova República, elegeu Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Se houve um governo que aprofundou a corrupção institucionalizada, foi o de Bolsonaro, com seus orçamentos secretos e rachadinhas – e, pasme, o agronegócio foi um dos maiores beneficiários disso, com perdões bilionários de dívidas e flexibilização de regras ambientais. O que adianta inovação tecnológica se ela é capturada por uma lógica de acumulação que destrói o meio ambiente e aprofunda a desigualdade? A bateria de sódio pode até ser uma solução técnica, mas, sem um projeto político que redistribua seus benefícios, ela será apenas mais um negócio lucrativo para poucos, enquanto a maioria continua pagando a conta.

Por fim, seu discurso de que a esquerda “destrói a economia” é uma falácia que a realidade desmente. O Brasil cresceu a taxas médias de 4% ao ano durante os governos Lula, com geração de emprego formal e redução da pobreza. O que destrói a economia é a financeirização, a especulação imobiliária e a dependência de commodities que você defende. Se você quer realmente que o Brasil deixe de depender de tecnologia estrangeira, comece apoiando políticas de desenvolvimento científico e industrial soberano – e não atacando o único governo que, nos últimos anos, tentou retomar minimamente o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. A “família tradicional” que você menciona não será salva por baterias de sódio, mas por um projeto de nação que priorize o bem comum sobre o lucro de meia dúzia de fazendeiros e banqueiros.

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Por: Marcus Almeida https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840092 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresa-americana-aposta-em-baterias-de-sodio-para-revolucionar-o-armazenamento-de-energia/#comment-840092 Mais uma “revolução” vinda de fora pra tentar salvar o planeta, enquanto aqui no Brasil o governo Lula persegue o agronegócio e destrói a economia. Essa tal de bateria de sódio pode até ser uma boa ideia, mas enquanto a esquerda continuar travando as empresas nacionais com impostos e burocracia, vamos ficar dependendo de tecnologia estrangeira. O que adianta inovação se a família tradicional brasileira está sendo atacada e o país afunda na corrupção?

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