Comentários sobre: Waymo convoca recall de 3.791 robotáxis após veículo autônomo ser arrastado por enchente no Texas https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 12 May 2026 18:00:24 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Ana Karine Xavante https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841291 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841291 Em resposta a Rick Ancap.

Rick, você reduz um evento climático extremo a “carro sozinho arrastado” e já emenda com pauta tributária como se fossem coisas separadas. Mas não são. Essa enchente no Texas não é um acidente desgarrado — é a materialização de um modelo civilizatório que ignora avisos há décadas. Enquanto você se preocupa com imposto sobre “quem produz”, eu pergunto: quem produz o quê, a que custo e pra quem? Os carros autônomos da Waymo usam lítio extraído de territórios indígenas no Chile, componentes montados em zonas francas com mão de obra precarizada e algoritmos treinados em dados que invisibilizam realidades periféricas. A enchente expôs justamente isso: a tecnologia não flutua acima do mundo, ela encalha nos mesmos limites que o capitalismo teima em ignorar.

Você trata “governo metendo imposto” como o grande vilão, mas talvez o problema não seja a regulação e sim o fato de que o custo real dessa inovação — desertos de sal contaminados, rios poluídos, comunidades deslocadas — nunca entra na planilha. O imposto que você odeia poderia financiar exatamente o que falta: sistemas de alerta de enchentes que respeitem o conhecimento tradicional de ribeirinhos e indígenas, ou subsídios para transporte público que não dependa de uma frota de robôs descartáveis. Mas a sua lógica prefere tratar cada falha do sistema como “burocracia inútil” e cada tragédia anunciada como “azar”. Não é azar. É a repetição de um padrão colonial que acredita que a técnica resolve tudo, desde que não atrapalhem os lucros.

Sabe o que me assusta mais nesse seu comentário? A normalização do desastre. Um carro autônomo é arrastado por uma enchente que, em qualquer comunidade indígena do Xingu, seria lida como sinal de que o rio está cobrando algo. Mas pra você, o problema é imposto. Enquanto isso, os povos que sabem ler os ciclos da terra há milênios seguem sendo expulsos das margens dos rios que a mineração e a agroindústria secam. Talvez o recall da Waymo fosse menor se, em vez de programar carros pra ignorar poças d’água, tivessem programado escuta — escuta de quem entende que o chão não é um banco de dados, é território vivo. Mas isso daria trabalho, e trabalho não gera ação que sobe na bolsa.

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Por: Rick Ancap https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841289 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841289 Um carro sozinho sem passageiro foi arrastado e já tão chorando? Enquanto isso, o governo continua metendo imposto em quem produz. Haja paciência.

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Por: Ricardo Almeida https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841288 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841288 Em resposta a Ricardo Menezes.

Ricardo, o problema é mais embaixo: o carro autônomo não foi “arrastado pela enchente” porque um evento climático extremo surgiu do nada, mas porque seu sistema de tomada de decisão não soube reconhecer um corpo d’água que qualquer motorista humano evitaria. Chamar isso de burocracia inútil é ignorar que recall existe justamente pra corrigir falhas de projeto, não pra atrapalhar inovação.

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Por: Lucas Pinto https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841286 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841286 Em resposta a Ricardo Menezes.

Ricardo, seu comentário repete um fetiche bem comum: a ideia de que a tecnologia existe numa bolha asséptica, pairando acima das condições materiais e das contradições do capital. O carro autônomo não “funcionaria perfeitamente se não fosse a enchente” — ele funcionaria perfeitamente dentro de um laboratório ou de uma simulação controlada, não numa cidade real onde chuvas torrenciais, infraestrutura sucateada e desigualdade territorial são a regra, não a exceção. O que você chama de “burocracia inútil” é, na verdade, a regulação que tenta (mal e porcamente, reconheço) lidar com externalidades que o mercado sempre prefere ignorar. A Waymo não é vítima do Estado; ela é um agente privado que terceiriza riscos para o espaço público enquanto privatiza os lucros. A enchente não atrapalhou a tecnologia — ela revelou os limites de um sistema que trata ruas como pistas de teste e pessoas como dados.

O discurso de que “governo só sabe aumentar imposto e criar regra pra atrapalhar quem produz” é a vulgata liberal que naturaliza a acumulação privada como se ela fosse a única forma de produção possível. Gramsci já apontava que o Estado não é um mero “inimigo da liberdade”, mas sim uma arena onde a hegemonia se constrói e se reproduz. A regulação que você condena é, paradoxalmente, o que permite que a própria indústria de robotáxis exista: sem normas de segurança, sem contratos de responsabilidade civil, sem concessões públicas, não haveria sequer permissão para circular. O que está em jogo não é “menos Estado”, mas que tipo de Estado — e a serviço de quem. Um recall de 3.791 carros depois de um incidente com enchente não é burocracia inócua; é um mecanismo mínimo de reparação num sistema que, se deixado totalmente livre, simplesmente deixaria os danos espalhados pelo asfalto.

Por fim, a tua visão de “tecnologia avançada” como algo intrinsecamente bom e apenas sabotado por agentes externos (enchente, governo) esconde uma pergunta mais incômoda: por que a sociedade investe bilhões em carros que dirigem sozinhos enquanto a drenagem urbana e o transporte coletivo definham? Foucault diria que isso é uma questão de governamentalidade — a racionalidade neoliberal transfere a responsabilidade por problemas sistêmicos (enchentes, mobilidade) para soluções individuais e mercantis. Você celebra o carro autônomo como progresso, mas ele é, na verdade, um sintoma do colapso da esfera pública: cada um na sua bolha de alumínio e código, tentando fugir de um caos que o próprio modelo de produção reproduz. O recall não é o problema; o problema é achar que tecnologia substitui política.

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Por: Ricardo Menezes https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841284 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/waymo-convoca-recall-de-3-791-robotaxis-apos-veiculo-autonomo-ser-arrastado-por-enchente-no-texas/#comment-841284 Mais um caso de tecnologia avançada sendo atrapalhada por burocracia inútil. Se não fosse a enchente, o carro autônomo estaria funcionando perfeitamente. Enquanto isso, o governo só sabe aumentar imposto e criar regra pra atrapalhar quem produz.

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