O telescópio espacial Hubble, operado pela NASA, capturou imagens detalhadas da galáxia NGC 1266, localizada a cerca de 100 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Eridanus. A descoberta mostra um sistema estelar em fase avançada de transição, onde a formação de novas estrelas foi abruptamente interrompida.
A galáxia NGC 1266 é classificada como lenticular, um tipo intermediário entre as espirais e elípticas. Segundo a astrônoma Gaby Clark, editora científica do portal Phys.org, seu núcleo luminoso e disco achatado não apresentam braços espirais, além de exibir uma taxa quase nula de nascimento estelar.
Andrew Zinin, editor-chefe do mesmo portal, destaca que as imagens revelam vestígios de uma antiga estrutura espiral, hoje desprovida de braços definidos. As observações confirmam que a NGC 1266 está em fase pós-starburst, com atividade estelar drasticamente reduzida após um período intenso de formação.
Estudos indicam que uma colisão com outra galáxia menor, ocorrida há cerca de 500 milhões de anos, desencadeou um surto de formação estelar e ativou o buraco negro supermassivo em seu centro. Esse evento aumentou a massa do bojo galáctico e transformou o núcleo em uma região de alta energia, instável e turbulenta.
Os ventos e jatos de gás gerados pelo buraco negro consumiram as reservas de gás da galáxia, suprimindo quase por completo a formação de novos astros. Análises recentes mostram que o meio interestelar está altamente perturbado por ondas de choque, impedindo a condensação do gás em nuvens moleculares.
Atualmente, a única região com atividade estelar detectável está confinada ao núcleo, enquanto as áreas periféricas permanecem inertes. O buraco negro central atua como um regulador cósmico, ejetando o gás necessário para a manutenção da formação estelar.
Essa investigação é crucial para entender os processos físicos que determinam o fim do ciclo de vida de um sistema estelar. A NGC 1266 oferece uma oportunidade única de observar como buracos negros supermassivos influenciam o destino de suas galáxias hospedeiras.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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