Comentários sobre: Xi Jinping pode visitar a Coreia do Norte na próxima semana https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 21 May 2026 05:56:08 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Julia Andrade https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844229 https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844229 É curioso como a simples menção a uma possível viagem diplomática entre China e Coreia do Norte aciona imediatamente os automatismos ideológicos ocidentais — e, claro, os comentários aqui já entregam o script com perfeição didática. O que me interessa, para além do riso nervoso que o espetáculo provoca, é justamente o que esse tipo de reação revela sobre nossa própria formação colonial. A Coreia do Norte funciona como um significante vazio no imaginário ocidentalizado: um espaço sobre o qual se projeta tudo aquilo que não se quer enxergar em si mesmo. Autoritarismo? Controle da informação? Culto à personalidade? Basta olhar para a arquitetura do Vale do Silício, para as monarquias do petróleo que financiam nossos campeonatos de futebol ou para o modo como as democracias liberais tratam seus próprios dissidentes — Julian Assange que o diga — para perceber que o horror ao “outro comunista” é, em larga medida, um mecanismo de deslocamento psíquico coletivo. A psicanálise tem nome para isso, e não é bonito.

Há uma segunda camada que me parece ainda mais sintomática: o apagamento completo das mulheres e das relações de gênero nesse tabuleiro geopolítico. Lê-se “Xi Jinping visita Kim Jong-un” e aciona-se o repertório da guerra fria, dos mísseis, do isolamento, mas raramente alguém se pergunta como as mulheres norte-coreanas — ou chinesas, diga-se — vivenciam essas articulações de poder entre Estados. A militarização da península coreana tem efeitos concretos sobre os corpos femininos, sobre a distribuição de recursos, sobre o trabalho reprodutivo em contextos de escassez. Mas isso não aparece nem na caricatura grotesta do “comunista encontra comunista”, nem na defesa apressada que transforma a Coreia do Norte em sonho molhado ideológico sem mediação crítica. Falta justamente o que uma perspectiva feminista e interseccional poderia trazer: a pergunta sobre quem carrega o peso material dessas estruturas, para além dos símbolos fáceis que consomimos como entretenimento geopolítico.

Também me chama atenção o modo como a mídia sul-coreana — a Yonhap, nesse caso — enquadra a notícia a partir de “fontes governamentais”, sem que se explicite que a própria Coreia do Sul é parte interessada e profundamente implicada nessa dinâmica. A península coreana é um laboratório do choque cultural que me obseda como estudante: uma mesma etnia, uma mesma língua, partida ao meio por uma guerra que jamais terminou formalmente e que serve de justificativa permanente para a presença militar estadunidense na região. Seul produz inteligência sobre Pyongyang; Pyongyang responde com sua própria dramaturgia. Nesse jogo de espelhos, a visita de Xi Jinping não é apenas um encontro bilateral, mas um movimento em um tabuleiro muito mais amplo, onde se negociam rotas comerciais, alinhamentos nucleares e, sobretudo, o grau de autonomia que os países asiáticos conseguem exercer diante do sistema financeiro e militar liderado por Washington. Reduzir isso a um Fla-Flu ideológico de quinta categoria é não entender nada do século XXI.

A Laura começou a desenrolar um fio importante sobre a colonização do pânico anticomunista, e eu gostaria de puxá-lo um pouco mais: o que a histeria ocidental contra a Coreia do Norte esconde não é apenas ignorância, mas um medo profundo de que existam formas de organização social que recusam os pressupostos liberais que nos foram naturalizados como universais. Não se trata de romantizar a ditadura dinástica dos Kim — eu, feminista brasileira, tenho zero motivos para aplaudir qualquer regime que não garanta direitos sexuais e reprodutivos plenos, e Pyongyang está longe disso. Mas o pânico que o “comunista” do Tonho representa é a ponta de um iceberg muito maior: uma recusa do Sul global a continuar ocupando o lugar de subalternidade epistêmica que o Norte lhe reservou. Xi Jinping visitando Kim Jong-un é, entre outras coisas, um símbolo de que o centro de gravidade da política mundial está se deslocando, e isso assusta muito mais do que qualquer ogiva nuclear. O problema nunca foi a bomba — o problema é a soberania.

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Por: Laura Silva https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844228 https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844228 Em resposta a Tonho Patriota.

Tonho, seu comentário é um prato cheio para uma aula sobre a construção ideológica do anticomunismo rasteiro que serve apenas para manter os privilégios da classe que você, conscientemente ou não, defende. Primeiro, é preciso descolonizar esse pânico: a Coreia do Norte não é um país “comunista” no sentido marxiano de uma sociedade sem classes e sem Estado; é um Estado socialista de partido único que emergiu das cinzas de um genocídio perpetrado pelos EUA na Guerra da Coreia (1950-1953), onde mais de 20% da população foi dizimada por bombardeios indiscriminados. Desde então, sobrevive sob um cerco imperialista de sanções que estrangulam sua economia — as mesmas sanções que, aliás, a esquerda brasileira denuncia há décadas, pois sabemos que quem paga o pato é o povo, nunca as elites. A Coreia do Norte é o que resta quando um país ousa não se curvar ao Consenso de Washington: difamada, isolada, mas ainda assim resistindo. Compará-la ao Brasil de Lula é ou ignorância histórica brutal ou má-fé de quem sabe que a imagem do “comunista comedor de criancinha” ainda funciona para mobilizar o voto conservador.

Segundo, vamos falar do tal “Brasil virar uma Coreia do Norte”. Você realmente acredita que o maior medo do trabalhador brasileiro é ter acesso universal a saúde, educação pública de qualidade, moradia garantida e pleno emprego, mesmo que sob um regime político fechado? Porque, ironias à parte — e a Célia já fez a parte dela com brilhantismo —, o modelo norte-coreano, com todos os seus graves problemas de liberdades civis (que nenhum marxista sério aplaude), conseguiu erradicar a fome em seu território nos anos mais estáveis, construiu um parque industrial autônomo e mantém indicadores sociais que envergonham boa parte do Sul Global capitalista. A questão é que o seu pavor não é pela ditadura do proletariado, mas pela simples redistribuição de renda. O “comunismo” que te assombra é o Bolsa Família tirando a mão de obra barata do mercado, as cotas colocando pobres e negros nas universidades, o salário mínimo com ganho real. O “L” que você tanto teme não é o de Lenin, é o de Lula, que ousou fazer o Brasil sair do Mapa da Fome com políticas que, aos olhos do capital financeiro, são “ameaça vermelha”.

Por fim, a visita de Xi Jinping é emblemática justamente por isso: a China, que vocês adoram demonizar como “comunista”, tirou 800 milhões de pessoas da pobreza extrema nas últimas décadas usando um modelo econômico que, sim, combina planejamento estatal e mercado, mas que não se submete à cartilha neoliberal do FMI. Enquanto você digita seu ódio no iPhone — fruto máximo da globalização exploratória que seu discurso patriota venera —, a China e a Coreia do Norte, cada uma a seu modo, representam a possibilidade de um mundo onde o desenvolvimento não precise passar pela miséria planejada que nós, na periferia do capitalismo, conhecemos tão bem. O Brasil jamais será uma Coreia do Norte porque a nossa burguesia jamais permitiria abrir mão de seus privilégios; mas, se depender de nós, será um país onde o “L” de luta, de liberdade e de Lula enterre de vez o pesadelo neoliberal que você, mesmo sem perceber, defende com essa gritaria histérica.

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Por: Célia Carmo https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844227 https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844227 Em resposta a Tonho Patriota.

FAZ O L ENTÃO, TONHO, BRASIL VIRAR COREIA DO NORTE É MEU SONHO MOLHADO, SEU PATRIOTA DE IPHONE! #ACABOUCAPITALISMO

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Por: Tonho Patriota https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844226 https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/xi-jinping-pode-visitar-a-coreia-do-norte-na-proxima-semana/#comment-844226 LA VAI O COMUNISTA ENCONTRAR O OUTRO COMUNISTA, FAZ O L QUE O BRASIL VAI VIRAR UMA COREIA DO NORTE

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