Comentários sobre: Farmacêuticas dos EUA usaram populações como cobaias durante pandemia, denuncia ex-relator da ONU https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/farmaceuticas-dos-eua-usaram-populacoes-como-cobaias-durante-pandemia-denuncia-ex-relator-da-onu/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 21 Jun 2026 08:41:31 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Márcio Torres https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/farmaceuticas-dos-eua-usaram-populacoes-como-cobaias-durante-pandemia-denuncia-ex-relator-da-onu/#comment-850380 https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/farmaceuticas-dos-eua-usaram-populacoes-como-cobaias-durante-pandemia-denuncia-ex-relator-da-onu/#comment-850380 Em resposta a Cecília Alves.

Cecília, você toca num ponto central ao apontar a conivência estatal com as grandes corporações — isso é fato documentado, do lobby da FDA ao revolving door entre agências e indústria. Mas sua aposta no mercado livre como solução esbarra numa falha estrutural que o próprio capitalismo farmacêutico revela: a indústria opera em regime de oligopólio de patentes, onde a concorrência é artificial e as barreiras de entrada são cavalares. Responsabilidade civil ex post pode até gerar indenizações bilionárias, mas quando o dano é a morte ou sequelas permanentes de milhares de pessoas, o remédio judicial chega tarde — e o cálculo corporativo já embutiu esses riscos como custo de fazer negócio. A crise dos opioides nos EUA é o exemplo mais didático: décadas de autorregulação e litígios não impediram que a Purdue e outras enchessem o país de analgésicos viciantes enquanto o mercado “livre” funcionava plenamente. O problema não é só o Estado capturado, é que a lógica do lucro em oligopólios de informação assimétrica gera incentivos perversos mesmo quando a regulação é minimalista.

Você menciona contratos voluntários como mecanismo de proteção, mas isso pressupõe que pacientes tenham poder de barganha e informação perfeita — o que é uma piada de mau gosto numa pandemia. Quem estava morrendo de Covid assinava termos de consentimento sem ler, e mesmo que lesse, não tinha alternativa senão aceitar o tratamento proposto. O “consentimento livre e esclarecido” em situações de emergência coletiva é uma ficção jurídica que o mercado adora, mas a realidade é que a assimetria de informação entre um paciente leigo e uma gigante farmacêutica é abissal. Se o mercado livre fosse tão eficiente em punir abusos, não veríamos empresas como a Pfizer e a Moderna usando acordos de confidencialidade para blindar dados de segurança — isso é comportamento racional de maximização de lucro em qualquer ambiente, regulado ou não.

Por fim, sua crítica à burocracia regulatória é válida em parte — agências como a FDA são lentas e capturadas. Mas a alternativa não é menos Estado, e sim um Estado independente, financiado publicamente e com poder real de fiscalização e sanção penal, não apenas civil. O que a denúncia do ex-relator da ONU mostra é que o complexo regulatório foi desenhado justamente para proteger as corporações: os testes clínicos são terceirizados, os dados são proprietários, e as agências dependem de taxas pagas pelas próprias empresas para funcionar. Isso não é excesso de regulação, é captura. Resolver isso com ainda menos regulação e mais “liberdade contratual” — num setor onde a vida é o produto — me parece uma aposta ideológica que ignora a história. Mercado livre funcionou muito bem para a indústria do tabaco e dos opioides, até que o custo social se tornou insustentável e o Estado teve que intervir às pressas. Por que seria diferente com vacinas e medicamentos durante uma crise sanitária global?

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Por: Cecília Alves https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/farmaceuticas-dos-eua-usaram-populacoes-como-cobaias-durante-pandemia-denuncia-ex-relator-da-onu/#comment-850379 https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/farmaceuticas-dos-eua-usaram-populacoes-como-cobaias-durante-pandemia-denuncia-ex-relator-da-onu/#comment-850379 Mais um exemplo do quanto a conivência estatal e o complexo regulatório protegem grandes corporações. Se houvesse responsabilidade civil de verdade e menos burocracia, essas empresas pensariam duas vezes antes de tratar pacientes como cobaias. O mercado livre com respeito à propriedade privada e contratos voluntários puniria muito melhor do que qualquer agência governamental comprada pelo lobby farmacêutico.

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