O Ministério das Relações Exteriores da China condenou neste sábado (3) a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como uma violação grave do direito internacional e da soberania de um Estado independente. Em nota oficial divulgada pela chancelaria chinesa, Pequim afirmou que o uso da força representa um fator de desestabilização com potencial de ameaçar a paz e a segurança em toda a América Latina e no Caribe.
A manifestação chinesa ocorre em meio à intensificação das reações internacionais ao ataque norte-americano, que, segundo declarações do presidente Donald Trump, teria resultado na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Até o momento, a operação anunciada pelos Estados Unidos não foi confirmada de forma independente por organismos multilaterais ou por autoridades da Venezuela.
“Uso flagrante da força”, diz Pequim
No comunicado, o governo chinês afirmou estar “profundamente chocado” com a ação militar e destacou que a ofensiva contra a Venezuela e contra seu chefe de Estado contraria normas básicas das relações internacionais. “A China está profundamente chocada e condena energicamente o uso flagrante da força pelos Estados Unidos contra um Estado soberano e a ação contra seu presidente”, diz a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Ainda segundo a chancelaria, “tais atos hegemonistas dos Estados Unidos violam seriamente o direito internacional e a soberania da Venezuela, além de ameaçarem a paz e a segurança na região da América Latina e do Caribe”. A declaração reforça a posição histórica de Pequim de oposição ao uso da força como instrumento de política externa e à realização de ações unilaterais fora do marco do sistema multilateral.
Apelo ao respeito à Carta da ONU
Além da condenação, a China fez um apelo direto ao governo norte-americano para que interrompa a ofensiva e respeite os compromissos internacionais assumidos. “Exortamos os Estados Unidos a cumprirem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, e a cessarem as violações da soberania e da segurança de outros países”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.
A referência à Organização das Nações Unidas e à sua Carta destaca a defesa chinesa do multilateralismo e do papel central dos organismos internacionais na mediação de conflitos. Para Pequim, ações militares sem respaldo internacional ampliam riscos de escalada e dificultam soluções diplomáticas.
Reações internacionais se acumulam
A posição chinesa soma-se a manifestações semelhantes de outros países. O Brasil, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também condenou a ofensiva, afirmando que bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente configuram um “precedente extremamente perigoso” para a ordem internacional. A Rússia classificou a ação como “agressão armada” e defendeu uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Essas manifestações evidenciam a preocupação de diferentes governos com o impacto regional e global da ofensiva. Analistas apontam que a América Latina, historicamente marcada por intervenções externas durante a Guerra Fria, vinha sendo tratada, ao menos no discurso diplomático, como uma zona de paz e cooperação.
Contexto geopolítico e tensões regionais
A Venezuela ocupa posição estratégica no cenário internacional por deter as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, fator que frequentemente é citado em análises sobre interesses geopolíticos no país. Ao mesmo tempo, o governo de Nicolás Maduro enfrenta sanções econômicas e isolamento diplomático promovidos pelos Estados Unidos e por alguns de seus aliados.
A China, por sua vez, mantém relações econômicas e políticas relevantes com a Venezuela, incluindo investimentos e cooperação energética. A defesa da soberania venezuelana também se insere na postura chinesa mais ampla de oposição a intervenções militares lideradas por Washington, especialmente em regiões consideradas estratégicas.
Defesa da solução pacífica de controvérsias
No comunicado, a chancelaria chinesa reiterou que conflitos internacionais devem ser resolvidos por meios diplomáticos. Ao alertar para os riscos à paz e à segurança regionais, Pequim sinaliza preocupação com possíveis desdobramentos da ofensiva, como instabilidade política, fluxos migratórios e impactos econômicos em países vizinhos.
A nota não menciona medidas concretas que a China possa adotar em resposta à ação dos Estados Unidos, mas reforça a pressão diplomática para que o episódio seja discutido em fóruns multilaterais. O posicionamento indica que o tema deve ganhar destaque nas próximas reuniões do Conselho de Segurança da ONU e em outros espaços internacionais.
Com a escalada das tensões e a multiplicação de reações de governos ao redor do mundo, o ataque dos Estados Unidos à Venezuela passa a ser tratado não apenas como um episódio bilateral, mas como um teste relevante para o sistema internacional baseado em regras, soberania dos Estados e resolução pacífica de conflitos.


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