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França e Alemanha pressionam Comissão Europeia por retaliação inédita a tarifas dos EUA

Os governos da União Europeia avançaram nas discussões sobre uma resposta mais dura às ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e passaram a pressionar a Comissão Europeia a preparar o uso de seu instrumento comercial mais poderoso contra Washington. A mudança de postura ocorre caso Trump não recue das declarações sobre a […]

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Os governos da União Europeia avançaram nas discussões sobre uma resposta mais dura às ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e passaram a pressionar a Comissão Europeia a preparar o uso de seu instrumento comercial mais poderoso contra Washington. A mudança de postura ocorre caso Trump não recue das declarações sobre a Groenlândia e das medidas anunciadas contra países europeus.

Segundo cinco diplomatas com conhecimento das negociações, a Alemanha se juntou à França na defesa de que a Comissão avalie a ativação do chamado Instrumento Anticoerção durante a cúpula de emergência de líderes da UE marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. O alinhamento entre Berlim e Paris aproxima o bloco de uma reação mais categórica, diante da escalada do discurso de Trump sobre o território dinamarquês e sobre países que se opõem aos planos estadounidenses.

De acordo com um dos diplomatas, a disposição para uma resposta mais firme vem se consolidando nos últimos dias. “A determinação já existe há alguns dias. Sentimos isso nas conversas bilaterais. Há um apoio muito amplo para que a UE se prepare para todos os cenários, e isso inclui colocar todos os instrumentos sobre a mesa”, afirmou.

A posição final dos governos europeus dependerá, em grande medida, do conteúdo do discurso que Trump fará no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no dia de hoje (21). Enquanto alguns líderes tentam organizar encontros com o presidente dos EUA à margem do evento para dissuadi-lo de impor tarifas, outros já trabalham com a possibilidade de que ele leve adiante as ameaças.

No sábado, Trump anunciou que aplicará uma tarifa de 10% sobre países membros da Otan que se opuseram à iniciativa dos EUA de assumir o controle da Groenlândia, incluindo França, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Noruega, Suécia e Finlândia. Desde então, o presidente americano elevou o tom e passou a ameaçar tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

Além do Instrumento Anticoerção — apelidado em Bruxelas de “bazuca comercial” —, os líderes europeus discutem a possibilidade de recorrer a um pacote anterior de retaliação, que prevê tarifas sobre cerca de 93 bilhões de euros em exportações estadounidenses. Dois diplomatas indicaram que as tarifas poderiam ser aplicadas de forma mais imediata, enquanto a Comissão conduz o processo mais complexo necessário para acionar o instrumento mais amplo.

Um alto funcionário francês afirmou que há uma convergência clara com a Alemanha e uma mudança de mentalidade em Berlim. “Há um despertar de que precisamos parar de ser ingênuos”, disse, em referência à disposição de usar a “bazuca” contra Washington. O presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido um dos principais defensores da medida, embora outros países ainda demonstrem cautela, diante do risco de novas retaliações por parte dos Estados Unidos e dos impactos econômicos para o próprio bloco.

No entendimento do governo alemão, um sinal forte de dissuasão seria necessário justamente para evitar uma guerra comercial em larga escala. “Temos um conjunto de instrumentos à nossa disposição e concordamos que não queremos usá-los. Mas, se tivermos de usá-los, então usaremos”, afirmou o chanceler alemão, Friedrich Merz, a jornalistas na segunda-feira.

O Instrumento Anticoerção é considerado uma das principais alavancas da UE contra pressões externas, pois permite a adoção de uma ampla gama de medidas, como a imposição de tarifas, restrições à exportação de bens estratégicos ou a exclusão de empresas dos Estados Unidos de licitações públicas no continente. Uma eventual decisão de acioná-lo é vista como sensível, já que teria impacto relevante sobre a economia europeia.

A última vez que o bloco cogitou utilizar esse mecanismo contra os Estados Unidos foi em 2025, quando Trump impôs tarifas unilaterais à UE. Na ocasião, a Europa recuou. Desta vez, segundo diplomatas, os países-membros demonstram maior disposição para absorver custos econômicos. “É uma situação muito diferente do último verão, quando se tratava apenas de uma disputa comercial”, disse um deles. “Agora não estamos mais no campo do ‘seria bom fazer’, mas do ‘é preciso fazer’.”

Para que o Instrumento Anticoerção seja acionado, é necessário o apoio de pelo menos 15 países no Conselho da União Europeia. Diplomatas esperam que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, aliada política de Trump, também apoie a iniciativa. Como a Itália é a terceira maior economia do bloco, sua adesão seria vista como um sinal importante de unidade.

Até o momento, Roma tem indicado preferência por manter negociações para reduzir a tensão com Washington, enquanto a posição da Polônia ainda é incerta. Com a aproximação entre França e Alemanha, no entanto, a pressão sobre italianos e poloneses tende a aumentar.

Outro fator considerado decisivo para a mudança de postura alemã é o apoio do setor industrial. Bertram Kawlath, presidente da associação alemã de fabricantes de máquinas VDMA, defendeu que Bruxelas considere o uso do Instrumento Anticoerção, apesar de reconhecer que a indústria mecânica europeia já vem sendo “desproporcionalmente afetada” pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Contém informações de reportagem do site Politico

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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