Programa apoia troca de caminhões antigos por novos
O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota de caminhões, aprovou R$ 1,9 bilhão em crédito em seu primeiro mês de operação.
O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante visita a uma concessionária da Scania em Guarulhos (SP) neste domingo (8/2).
Os recursos, que fazem parte de uma linha total de R$ 10 bilhões (combinando Tesouro Nacional e BNDES), financiaram 1,7 mil operações de compra de caminhões novos e seminovos em todo o país. Do total aprovado, R$ 44 milhões foram destinados a caminhoneiros autônomos.
Resposta à retração do setor
O programa é uma resposta à retração do mercado. Em 2025, as vendas de caminhões caíram 9,2%, com queda de 20,5% nos modelos pesados para longa distância. Em janeiro de 2026, a Anfavea registrou retração de 34,67% ante o mesmo período de 2024.
“Qual foi o problema? A taxa de juros”, afirmou Alckmin, vinculando a queda ao custo do crédito. “Normalmente, quem compra esse tipo de bem financia. A taxa estava em 22%, 23% ao ano”.
O Move Brasil oferece taxas de 13% a 14% ao ano, bem abaixo do mercado, com prazos de até 5 anos e carência de 6 meses. Para Alckmin, o resultado inicial de quase R$ 2 bilhões em um mês comprova a eficácia da medida.
Impacto em cadeia: do emprego ao meio ambiente
Durante o evento, o CEO da Scania para América Latina, Christopher Podgorski, destacou que o programa beneficia toda a cadeia. “O incentivo não é para um único segmento, mas toda uma cadeia de valor, que gera postos de trabalho qualificados”, afirmou.
Segundo a Scania, apenas em operações pelo seu banco foram financiados 283 caminhões (70% para micro, pequenas e médias empresas), em contratos que somam R$ 228 milhões.
Podgorski ressaltou ainda os ganhos ambientais e de eficiência: “Vamos contemplar saúde pública, com veículos mais eficientes e menos poluentes, e incentivar a transição energética”.
Orlando Boaventura, dono de uma transportadora familiar de Santa Isabel (SP), utilizou o crédito para comprar seu 29º caminhão. “Um modelo novo gasta até R$ 200 a menos em combustível numa viagem para o Rio. Essa taxa de juros é adequada”, contou. Com a expansão, a empresa prevê contratar mais cinco funcionários em 2026.
Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, enfatizou que o programa foi construído em conjunto por empresas, trabalhadores e governo, visando manter empregos e reduzir emissões.
Futuro do programa
Questionado sobre a duração do Move Brasil, Alckmin afirmou que não há prazo definido para conclusão, mas o teto permanece em R$ 10 bilhões. “O prazo pode durar até que o recurso se esgote. Depois, vamos estudar”, disse.
O setor privado pede continuidade. “Cada emprego mantido na produção reflete em outros seis indiretos”, afirmou Podgorski, sugerindo que a possível queda da Selic pelo Banco Central pode compensar caso o programa não seja permanente, mas que sua existência já antecipa uma melhora no cenário de crédito.
Como funciona o Move Brasil
O Move Brasil oferece crédito para caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012.
- Taxas: entre 13% e 14% ao ano (menores para quem der baixa em veículos antigos)
- Limite: até R$ 50 milhões por cliente
- Prazo: até 5 anos, com até 6 meses de carência
- Garantia: 80% do valor via Fundo Garantidor de Investimentos (FGI)
- Público: caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas de transporte
Com informações da Agência Gov e Agência Brasil em 09/02/2026


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