A deputada colombiana Ángela Vergara afirmou que seu filho, Rafael Vergara, permanece detido há mais de 20 dias em um centro migratório na Louisiana, sob custódia do U.S. Immigration and Customs Enforcement, situação que descreveu como marcada por condições “desumanas”. Em entrevista à CNN, a parlamentar relatou que o jovem divide cela com dezenas de colombianos que aguardam deportação e enfrentam falta de água, doenças e superlotação.
Segundo a congressista, Rafael, de 23 anos, foi abordado durante uma fiscalização de rotina enquanto dirigia um caminhão de carga em uma rodovia da Louisiana. Após apresentar documentos a um agente de trânsito, ele teria sido encaminhado à custódia migratória quando uma equipe do ICE chegou ao local. A deputada sustenta que o filho possuía autorização de trabalho válida, número de seguridade social e aguardava audiência de asilo prevista para 2028, o que, na avaliação dela, torna a detenção injustificada.
Vergara afirmou que manteve silêncio inicial na tentativa de resolver o caso por vias administrativas, mas decidiu torná-lo público diante da demora na repatriação, mesmo após Rafael solicitar saída voluntária do país com autorização judicial. A parlamentar pediu ao governo do presidente Gustavo Petro que intervenha diplomaticamente para acelerar voos humanitários e ampliar a frequência das transferências de colombianos detidos nos Estados Unidos.
O caso ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias promovidas pelo presidente Donald Trump, com operações de fiscalização ampliadas, detenções em massa e aumento das deportações. Dados do Departamento de Segurança Interna indicam que centenas de milhares de imigrantes foram removidos desde o início do atual mandato, pressionando o sistema de detenção e ampliando a demanda por voos de repatriação.
A deputada atribui o atraso no retorno do filho a um “gargalo” logístico entre Washington e Bogotá, afirmando que milhares de colombianos aguardam vagas em voos e permanecem sob custódia migratória mesmo após decisões que autorizam o retorno voluntário. As operações aéreas haviam sido temporariamente suspensas durante um impasse diplomático entre os dois países e foram retomadas no fim de janeiro, com a previsão de cerca de um voo semanal para deportados.
A exposição do caso gerou críticas nas redes sociais devido ao posicionamento político de Vergara, integrante do Partido Conservador colombiano, frequentemente associado a pautas de segurança alinhadas à direita americana. Questionada sobre a aparente contradição, a parlamentar respondeu que a denúncia não se trata de disputa ideológica, mas de direitos humanos, afirmando que defender políticas conservadoras não implica aceitar abusos contra migrantes.
A controvérsia ganhou novo capítulo quando o presidente Petro mencionou o episódio nas redes sociais e solicitou assistência consular ao jovem, embora tenha posteriormente apagado a publicação. Vergara também negou ter ligação com movimentos de apoio a Trump e contestou a circulação de vídeos e postagens que tentavam associá-la a campanhas pró-governo americano. De acordo com a deputada, a decisão de solicitar o retorno voluntário do filho foi motivada pelo receio de que ele permanecesse preso por anos enquanto aguarda definição judicial sobre sua situação migratória. Ela afirmou considerar mais seguro o retorno à Colômbia do que a permanência prolongada em centros de detenção nos Estados Unidos, reiterando o apelo por repatriação rápida e tratamento digno aos cidadãos colombianos custodiados no exterior.


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