A China tornou-se, até agora em 2026, o maior mercado de cinema do mundo. A bilheteria acumulada do ano já alcança cerca de 970 milhões de dólares, superando levemente a da América do Norte, que soma aproximadamente 938 milhões de dólares no mesmo período. A virada ocorre logo no início do calendário anual e reflete uma combinação de feriado prolongado e forte presença de produções locais.
O principal impulso veio do Festival da Primavera, iniciado em 15 de fevereiro, período tradicionalmente decisivo para o circuito exibidor chinês. Mais da metade da receita do ano foi gerada nesses dias, com salas lotadas e estreias voltadas ao público familiar. A concentração de lançamentos estratégicos ajudou a criar um efeito de massa difícil de ser replicado em outros mercados neste momento do ano.
Entre os títulos que puxaram a arrecadação está “Pegasus 3”, que já ultrapassou o equivalente a 277 milhões de dólares desde a estreia. Na sequência aparecem o thriller “Scare Out”, com cerca de 97 milhões de dólares, e o filme de ação “Blades of the Guardians: Wind Rises in the Desert”, próximo de 80 milhões. O desempenho reforça a força das produções domésticas na sustentação do mercado chinês.
Embora a liderança atual seja significativa, o quadro global ainda depende do desempenho ao longo dos próximos meses. Em 2025, os Estados Unidos e o Canadá fecharam o ano com cerca de 8,9 bilhões de dólares em bilheteria, mantendo o maior mercado anual consolidado. A União Europeia registrou algo em torno de 7,5 bilhões de dólares no mesmo período, enquanto o Japão alcançou aproximadamente 1,8 bilhão de dólares.
No Brasil, a renda total de 2025 ficou próxima de 430 milhões de dólares, em um mercado ainda em recuperação após oscilações recentes de público. A comparação mostra que, embora o volume chinês de 2026 ainda esteja longe dos totais anuais dos maiores polos tradicionais, o ritmo inicial é expressivo. A diferença neste começo de ano ilustra como calendário de feriados, estratégias de lançamento e produção local influenciam diretamente o ranking global.
A disputa pela liderança anual, portanto, está longe de definida. O desempenho chinês demonstra capacidade de mobilização interna e poder de consumo, mas os grandes estúdios de Hollywood ainda concentram lançamentos estratégicos ao longo do segundo semestre. O mercado global segue aberto, e 2026 pode se tornar mais um capítulo na alternância de protagonismo entre Oriente e Ocidente nas telas de cinema.


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