A conhecida paciência chinesa parece ter se esgotado em Pequim quando se trata de lidar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A visita de Trump à China está prevista para ocorrer entre 31 de março e 2 de abril, no que será o primeiro encontro presencial entre o presidente americano e o líder chinês em território chinês desde 2017.
Às vésperas da viagem, o governo chinês elevou o tom e advertiu Washington para que evite interferências em temas considerados sensíveis por Pequim, especialmente Hong Kong e Taiwan.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os Estados Unidos devem respeitar a soberania chinesa e evitar ações que prejudiquem a estabilidade das relações bilaterais e a paz no estreito de Taiwan.
A declaração foi dada após questionamentos sobre os apelos de Washington pela libertação do empresário de mídia Jimmy Lai, condenado recentemente em Hong Kong.
Segundo Pequim, Lai deve ser punido “severamente de acordo com a lei”, pois teria participado de ações que colocaram em risco a segurança nacional chinesa.
O empresário, fundador do extinto jornal Apple Daily, foi condenado a 20 anos de prisão após ser considerado culpado de conspirar com forças estrangeiras e de publicar material classificado como sedicioso.
Os Estados Unidos e o Reino Unido têm defendido sua libertação, citando preocupações humanitárias e o estado de saúde do empresário.
Pequim, porém, afirma que essas pressões representam interferência externa no sistema judicial de Hong Kong e nos assuntos internos da China.
Outro ponto de tensão é a possível venda de armas americanas para Taiwan.
Autoridades chinesas reiteraram que se opõem firmemente a qualquer fornecimento de armamentos ao território e pediram que Washington respeite o princípio de “uma só China” e os comunicados diplomáticos firmados entre os dois países.
Segundo reportagem da Reuters, o governo americano pode aprovar após a viagem de Trump um novo pacote militar para Taiwan estimado em cerca de US$ 14 bilhões, que incluiria sistemas avançados de interceptação de mísseis.
Se confirmado, seria o maior acordo de venda de armas já proposto para a ilha.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e afirma que a reunificação é um objetivo estratégico, podendo ocorrer inclusive pelo uso da força se necessário.
Embora não reconheçam formalmente Taiwan como um Estado independente, os Estados Unidos mantêm leis que os obrigam a fornecer armamentos considerados defensivos para a ilha.
Nos últimos anos, cada novo acordo militar entre Washington e Taipei tem sido seguido por protestos diplomáticos de Pequim e por exercícios militares chineses nas proximidades do estreito de Taiwan.
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*Informações baseadas em reportagem do jornal South China Morning Post.*


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