A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República enfrenta resistência de um dos setores mais influentes da economia brasileira: o agronegócio. Lideranças do segmento têm demonstrado cautela em aderir ao projeto político do parlamentar, enquanto aguardam o surgimento de um nome considerado mais competitivo e moderado no campo da centro-direita.
O movimento representa uma mudança relevante em relação ao cenário de 2022, quando o agronegócio foi um dos principais pilares de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, diante do novo ciclo eleitoral, o setor avalia com mais prudência os possíveis candidatos e evita se comprometer antecipadamente com uma candidatura específica.
Setor aposta em nome “mais moderado” da direita
Entre representantes do agronegócio, a avaliação predominante é de que ainda há espaço para o surgimento de um candidato mais moderado e com maior capacidade de diálogo político.
Nos bastidores, a expectativa é por uma liderança que consiga unificar o campo conservador e ampliar a competitividade contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar a reeleição em 2026.
De acordo com interlocutores do setor, há dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro e questionamentos sobre o nível de moderação que o senador afirma adotar em seu discurso político.
Dúvidas sobre competitividade e estratégia eleitoral
A resistência do agronegócio está ligada, em grande parte, à percepção de risco eleitoral. Parte das lideranças avalia que a candidatura do senador ainda não demonstrou força suficiente para vencer uma disputa nacional.
Entre os pontos levantados estão questionamentos sobre a capacidade de ampliar alianças, atrair apoio fora do núcleo bolsonarista e construir uma agenda econômica que dialogue com diferentes segmentos produtivos.
Além disso, há preocupação com a condução de temas estratégicos, como comércio exterior e relações internacionais — áreas consideradas fundamentais para o desempenho do agronegócio brasileiro no mercado global.
Setor mantém cautela após apoio em 2022
O posicionamento atual contrasta com o apoio expressivo dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Naquele pleito, o agronegócio teve papel decisivo, com forte mobilização de produtores, entidades e empresários do setor.
Agora, o cenário é mais fragmentado. Parte do setor prefere aguardar a definição mais clara do quadro eleitoral antes de assumir posição. Outra ala considera a possibilidade de apoiar uma candidatura alternativa dentro da direita.
Há ainda um grupo que avalia manter postura pragmática, priorizando estabilidade econômica e relações comerciais internacionais, independentemente do candidato apoiado.
Nomes alternativos ganham força nos bastidores
Diante das incertezas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, outros nomes da centro-direita passam a ser citados como alternativas mais viáveis para atrair o apoio do agronegócio.
Entre eles, lideranças do setor mencionam governadores e políticos com perfil considerado mais técnico e com histórico de diálogo com o setor produtivo.
A possibilidade de uma candidatura unificada nesse campo é vista como estratégica para aumentar as chances de vitória contra o atual governo.
Divisão interna pode influenciar eleições
Apesar da resistência institucional de parte do agronegócio, o setor não é homogêneo. Há diferenças de posicionamento entre produtores rurais, agroindústrias e grandes exportadores.
Enquanto uma parcela mais tradicional tende a manter proximidade com o bolsonarismo, segmentos mais ligados ao mercado internacional demonstram maior pragmatismo e avaliam diferentes cenários políticos.
Esse cenário indica que o apoio do agronegócio poderá ser dividido nas próximas eleições, repetindo, em parte, a fragmentação observada em disputas anteriores.
Disputa presidencial segue em aberto
Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ainda em fase de consolidação, o posicionamento do agronegócio se torna um fator decisivo para o equilíbrio da disputa eleitoral.
Considerado um dos setores mais organizados e influentes da economia brasileira, o agro pode atuar como fiel da balança na definição dos rumos da eleição presidencial de 2026.
Enquanto isso, a resistência inicial ao nome do senador indica que o cenário político ainda está em construção e que alianças estratégicas serão determinantes para definir quem chegará competitivo à corrida pelo Palácio do Planalto.
Com informações do Globo


Paulo
17/03/2026 - 12h35
Seria interessante que achassem outro…Chega de Bolsonaro(s)…