A nova pesquisa da Atlas/Intel divulgada pela Bloomberg acendeu um sinal que vai além da disputa eleitoral: pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em um cenário pré-eleitoral, ainda que dentro da margem e em um contexto inicial de campanha.
O levantamento indica mais uma vez que a disputa será apertada. Nesta pesquisa, Flávio já aparece 1 ponto a frente de Lula no segundo turno, com cerca de 47,6% ante 46,6% do presidente. Sim, está dentro da margem de erro, mas não deixa de ser um sinal de alerta para o governo.

O dado, por si só, não redefine o jogo. Mas obriga uma leitura mais honesta do momento político.
Lula segue sendo, de longe, o político mais conhecido e com maior densidade popular do país. No cenário de primeiro turno, ele ainda aparece liderando com 45,9% contra 40,1% de Flávio. O problema não é falta de capital político — é o uso desse capital.


A pesquisa expõe uma mudança de humor: parte do eleitorado que sustentou o discurso da reconstrução começa a cobrar algo além. E aqui entra um ponto que a política costuma evitar dizer em voz alta — governar bem não é o mesmo que entusiasmar com frases de efeito ou com discursos improvisados.
É verdade que o atual governo cumpriu um papel importante após 2022: estabilizou instituições, reorganizou políticas públicas e recuperou a credibilidade do Brasil no cenário externo. Mas isso, por definição, é ponto de partida. Eleição se ganha com perspectiva de futuro, com projeto modernizador que faça o país avançar estruturalmente, não com balanço de passado acompanhado por um discurso fiscalista e uma defesa difusa da democracia.
E é exatamente nesse espaço que Flávio Bolsonaro cresce.
Não por apresentar um projeto consistente — até aqui, não apresentou. Sua candidatura nasce de um capital político herdado e de um discurso alinhado aos setores mais ricos e ultraliberais do mercado. Sua trajetória está ligada diretamente ao núcleo bolsonarista e a um modelo econômico que historicamente prioriza concentração de renda. Quem não lembra da fila do osso?
Na prática, o trabalhador aparece mais como massa de manobra em forma de base eleitoral do que como prioridade política.
Mas, ainda assim, Flávio avança. E isso diz mais sobre o ambiente do que sobre o candidato.
O eleitor que hoje oscila não está necessariamente aderindo a um novo projeto — está reagindo à ausência de um novo ciclo. A política fiscal mais rígida, defendida até aqui com unhas e dentes pelo governo, o foco em ajuste e contenção de gastos e a falta de sinais mais claros de expansão econômica direta começam a pesar.
Em outras palavras: o governo Lula 3 ainda administra — mas precisa voltar a politizar para se mover, junto com a sociedade, para um novo horizonte. Avançar do governo da reconstrução para o governo da transformação.
E esse é o ponto central.
Se o primeiro mandato teve como eixo a reconstrução, o segundo precisa assumir um papel mais ousado. Isso passa, inevitavelmente, por menos contenção e mais investimento do Estado, por políticas que cheguem diretamente ao cotidiano das pessoas e por uma narrativa que não seja apenas defensiva.
A disputa de 2026 não será decidida apenas por rejeição ao passado — mas por expectativa de futuro.
E, neste momento, os números mostram um alerta incômodo: Lula ainda é o nome mais forte da política brasileira, mas já não é suficiente ser apenas isso.


Sann
25/03/2026 - 12h54
A taxa da blusinha que Lula não teve coragem de vetar e que Haddad foi para a CNN defender matou o governo. Entendam isso logo ou não haverá tempo para reagir!
Anônimo
25/03/2026 - 11h15
Tem uma sirene apitando.
A desaprovação está em 61%. Acabou, qlqr com que vá para o segundo turno leva.