A entrada de Sergio Moro no Partido Liberal já produz baixa, debandada e mais fragmentação na direita paranaense.
A filiação de Sergio Moro ao Partido Liberal no Paraná começou com ruptura, não com unidade.
Segundo informação publicada pela Folha de S.Paulo, o deputado federal Fernando Giacobo deixou o comando estadual da legenda e decidiu sair do partido em discordância com a chegada do ex-juiz.
O movimento atinge em cheio a tentativa de Moro de viabilizar uma candidatura ao governo do Paraná em 2026.
Giacobo informou a aliados que deve se filiar ao Partido Social Democrático, legenda do governador Ratinho Junior. A expectativa é que ele leve consigo um grupo relevante de prefeitos, reduzindo a capilaridade política que o Partido Liberal poderia oferecer a Moro no estado.
A saída do dirigente abre espaço para a ala mais ideológica do bolsonarismo assumir o controle da sigla paranaense. O deputado federal Filipe Barros foi escolhido para presidir o partido no estado e deve compor a chapa de Moro como candidato ao Senado.
A troca de comando altera o perfil da legenda no Paraná e empurra o projeto de Moro para um campo mais estreito. Em vez de ampliar pontes com setores pragmáticos da política estadual, a operação reforça o isolamento de um arranjo mais identificado com a militância bolsonarista.
Esse padrão de atrito não é novidade na trajetória partidária de Moro.
Antes de buscar abrigo no Partido Liberal, o senador já havia acumulado desgastes no União Brasil. Sua passagem pela legenda foi marcada por conflitos com as direções nacional e estadual, num roteiro que voltou a se repetir agora no Paraná.
Moro também encontrou resistência no Progressistas. O partido vetou sua entrada na federação em construção com o União Brasil, articulação influenciada por Ricardo Barros e Ciro Nogueira.
Sem espaço consolidado no centro e com dificuldades de interlocução com setores tradicionais da direita, Moro buscou apoio no partido Novo. A movimentação reaproximou o senador de Deltan Dallagnol, que será pré-candidato ao Senado na mesma chapa.
A aliança tenta reativar o capital político associado à antiga Operação Lava Jato. Mas o contexto é outro: menos impulso moralista, mais necessidade de sobrevivência eleitoral e rearranjo partidário.
Para acomodar esse acordo, o Novo abriu mão de uma candidatura própria ao governo do estado. Paulo Martins, nome cogitado pela legenda e visto como próximo de Ratinho Junior, acabou deixado de lado pela direção partidária.
Prevaleceu o entendimento de que Deltan não poderia se colocar contra o projeto liderado pelo Partido Liberal de Jair Bolsonaro. Na prática, o Novo aceitou uma posição subordinada numa composição desenhada para sustentar a candidatura de Moro.
Enquanto esse bloco se reorganiza sob tensão, o grupo de Ratinho Junior observa a fragmentação da direita a partir de uma posição mais confortável. O governador desistiu da corrida presidencial e concentrou esforços na manutenção de influência sobre a sucessão no Palácio Iguaçu.
Nesse cenário, o Partido Social Democrático tende a se tornar o destino natural de quadros descontentes com a guinada do Partido Liberal no Paraná. Nomes como Guto Silva e Alexandre Curi aparecem na disputa interna pela preferência do grupo governista para 2026.
A crise aberta pela chegada de Moro, portanto, não se limita a uma troca de comando partidário. Ela mexe no equilíbrio entre as correntes da direita paranaense e pode redistribuir prefeitos, lideranças regionais e estruturas locais de campanha.
Também expõe uma dificuldade recorrente de Moro em construir alianças duradouras. Sua trajetória recente é marcada por entradas ruidosas, conflitos internos e saídas traumáticas, sempre com alto custo para as legendas que apostam em seu capital eleitoral.
Foi assim no União Brasil e, antes disso, no Ministério da Justiça, de onde saiu rompido com o governo que ajudou a eleger. Agora, o mesmo padrão reaparece no ambiente partidário, com a diferença de que a política estadual exige base, negociação e capilaridade, não apenas notoriedade nacional.
No campo da oposição ao grupo dominante no estado, o tabuleiro também começa a ganhar forma. O deputado estadual Requião Filho, do Partido Democrático Trabalhista, aparece como principal nome desse campo, com apoio do Partido dos Trabalhadores.
Sua eventual candidatura se apresenta como alternativa ao bloco conservador e ao personalismo que marcou parte da política paranaense na última década. O contraste é evidente entre um projeto que busca se organizar em torno de alianças programáticas e outro que ainda gira em torno da figura de Moro e do rescaldo da Lava Jato.
O racha no Partido Liberal sugere que o antigo capital político da operação perdeu parte importante de sua força de agregação. A política concreta do estado, baseada em redes municipais, acordos regionais e cálculo de sobrevivência, mostra menos disposição para se submeter a projetos personalistas.
Nem mesmo setores tradicionais da direita parecem dispostos a atuar como coadjuvantes de uma candidatura construída de cima para baixo. A debandada de Giacobo e a provável migração de prefeitos para o Partido Social Democrático são sinais claros desse limite.
Para 2026, o episódio pode ter efeito maior do que uma simples disputa interna de legenda. O tamanho da fragmentação na direita ajudará a definir o espaço eleitoral da extrema direita e o grau de competitividade de candidaturas de oposição no Paraná.
O Cafezinho seguirá acompanhando os próximos movimentos desse rearranjo. A volta da dobradinha entre Moro e Deltan, agora sem a blindagem institucional de outros tempos, será testada diretamente no terreno duro da política partidária.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Augusto Gomes | Revisão: Afonso Santos


Cris Dorr
25/03/2026 - 14h11
Jornaleco vagabundo lambedor de folha esquerdopata. Quer desunião da direita … vá noticiar as vagabundices do PT … não faltará material!