Eduardo Paes critica a decisão do TSE por eleições indiretas no Rio e alerta que o processo favorece a volta do mesmo grupo político recém-cassado por abuso de poder.
O cenário político do Rio de Janeiro se tornou um verdadeiro campo de batalha após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de realizar eleições indiretas para um mandato-tampão. Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao governo, emergiu como uma das vozes mais críticas contra essa decisão, exigindo eleições diretas e questionando a lisura do processo.
A decisão do TSE veio após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, que antecipou sua saída do cargo antes de um julgamento que poderia comprometê-lo. Mesmo assim, Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, resultando em sua inelegibilidade até 2030.
A turbulência no governo fluminense não parou por aí. O ex-vice-governador Thiago Pampolha também deixou o cargo, abrindo caminho para Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa, cujo mandato foi cassado pelo TSE. Atualmente, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do estado, ocupa interinamente o Palácio da Guanabara.
Paes, em suas redes sociais, foi direto ao criticar o TSE. Ele argumentou que a população deveria ter o direito de escolher diretamente seus governantes. “DIRETAS JÁ!!!! A população deveria ter o direito de escolher”, escreveu, ecoando um grito histórico por democracia no Brasil.
O ex-prefeito também levantou dúvidas sobre a lisura de uma eleição conduzida pela Assembleia Legislativa, dado que muitos dos parlamentares foram eleitos com o apoio do mesmo grupo político recentemente cassado. “Como decidir com imparcialidade e justiça em um colegiado em que a maioria faz parte do grupo político que foi cassado pelo próprio TSE?”, questionou.
O pano de fundo dessas críticas é a complexa situação política do estado, que já foi palco de escândalos como o caso “CEPERJ”, mencionado por Paes. O ex-prefeito teme que, sem eleições diretas, o mesmo grupo que cometeu irregularidades no passado possa voltar ao poder.
Além disso, Paes destacou um caso em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode impactar diretamente a condução das eleições no Rio. O STF analisa se mantém uma decisão do ministro Luiz Fux que suspendeu certas regras para a eleição indireta, incluindo a desincompatibilização de candidatos 24 horas antes da votação.
A decisão de Fux, que atendeu a um pedido do PSD, partido de Paes, suspendeu também a previsão de votação nominal e aberta entre os deputados estaduais. Para Paes, derrubar essa decisão significaria “quase que certamente a eleição de um candidato que é a continuidade do governo recém cassado.”
Paes encerrou lembrando episódios passados, como a controversa atuação do Juiz Bretas nas eleições de 2018, posteriormente cassada pelo CNJ. “Eles não cansam e não vão parar nunca!”, concluiu. O alerta é claro: sem eleições diretas, o Rio corre o risco de repetir o ciclo de poder marcado por irregularidades que o TSE acabou de punir.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos


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