Um míssil de precisão dos Estados Unidos matou 21 civis em Lamerd, no sul do Irã, no dia 9 de março.
A conclusão é de uma investigação da BBC Verify.
O impacto destruiu um ginásio comunitário onde crianças treinavam.
A análise combinou imagens de satélite de alta resolução com avaliações de especialistas em armamentos. O míssil identificado é o modelo PRISM, de ataque de precisão, com alcance de até 500 quilômetros.
O alvo declarado era uma base militar iraniana próxima ao local. A base, no entanto, não registrou danos visíveis, e o impacto se concentrou em uma rua residencial.
Entre os mortos estão Elham Zahiri, jogadora de vôlei de 12 anos, e uma criança de dois anos. Os nomes foram divulgados pela mídia estatal iraniana.
O governo dos Estados Unidos não comentou publicamente o uso do míssil em área civil, mesmo diante das evidências levantadas pela BBC. Em paralelo, um comunicado interno das forças armadas americanas teria elogiado o emprego do sistema, descrevendo a operação como um marco militar.
O silêncio oficial contrasta com a magnitude das mortes e com a natureza do local atingido. A ausência de resposta aprofunda as dúvidas sobre os critérios usados para autorizar um ataque em região densamente habitada.
O episódio ocorre em um momento de tensão crescente entre Washington e Teerã e reacende o debate internacional sobre os limites do uso da força em áreas civis. A questão central é a responsabilidade de potências militares quando armamentos sofisticados causam baixas entre não combatentes.
Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos | Revisão: Pierre Arnaud


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