O Estreito de Ormuz, rota crítica para 20% do petróleo global, tornou-se o epicentro de uma crise geopolítica envolvendo Irã, Estados Unidos, Israel, China e Rússia.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, responsabilizou Washington e Tel Aviv pelo bloqueio da passagem marítima durante coletiva em Pequim em 2 de abril de 2026. Ning classificou as operações militares norte-americanas e israelenses como a raiz fundamental da interrupção do tráfego no estreito.
Segundo a Xinhua, a China exigiu cessar-fogo imediato e a retomada de negociações multilaterais como única solução viável. ‘Meios militares não resolvem o problema de forma duradoura’, declarou Ning, reiterando a posição chinesa contrária à escalada bélica.
A declaração ocorreu menos de 24 horas após discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou não depender mais do petróleo que transita por Ormuz. Trump sugeriu que outras nações assumam a responsabilidade pela segurança do estreito, proposta rejeitada pela China.
Mao Ning acusou os EUA de tentar transferir o ônus de uma crise criada por suas próprias ações militares. A China, maior importadora mundial de petróleo, depende de 45% de suas importações do Golfo Pérsico, tornando a estabilidade da região prioridade estratégica.
A Rússia ofereceu-se como mediadora. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou disposição para contribuir com uma solução pacífica. ‘Se nossos serviços forem necessários, estamos prontos para ajudar a transição da situação militar para um caminho pacífico’, afirmou em Moscou.
O presidente Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA estão próximos de serem alcançados, com foco em neutralizar a capacidade iraniana de projetar poder regional. Ele ameaçou atacar a infraestrutura energética do Irã caso não haja acordo de cessar-fogo e convocou países a formarem força internacional para proteger Ormuz.
Autoridades iranianas responderam com retórica inflamada. O comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, declarou que a guerra continuará ‘até a rendição completa e o arrependimento permanente do inimigo’, em referência aos EUA e Israel. O impasse militar completa dois meses sem sinais de desescalada.
O bloqueio elevou os preços do petróleo em 18% desde fevereiro de 2026. A crise expõe divisões entre potências ocidentais e o bloco China-Rússia. Enquanto Washington insiste em solução militar, Pequim e Moscou defendem abordagem multilateral baseada no direito internacional.
A posição chinesa reflete sua estratégia de fortalecer laços com países do Oriente Médio, desafiando a hegemonia norte-americana na região. Analistas do CSIS alertam que o prolongamento do bloqueio pode desencadear recessão global.
A China, responsável por 15% do consumo mundial de petróleo, já registra redução de 8% em sua produção industrial devido à escassez de combustível. A Rússia busca consolidar sua influência como mediadora, aproveitando a oportunidade para expandir presença no mercado energético global.


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