A guerra dos algoritmos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/a-guerra-dos-algoritmos/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 02 Oct 2025 15:13:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png A guerra dos algoritmos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/a-guerra-dos-algoritmos/ 32 32 Discord expõe adolescentes a ideologias violentas https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/discord-expoe-adolescentes-a-ideologias-violentas/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/discord-expoe-adolescentes-a-ideologias-violentas/#respond Thu, 25 Sep 2025 14:22:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218326 Casos recentes de ataques vinculados ao Discord mostram o potencial perigoso de ambientes digitais sem moderação eficaz

Nos últimos anos, a internet deixou de ser apenas um espaço de entretenimento, aprendizado e socialização para se tornar também um campo de batalha ideológica — e, cada vez mais, um terreno fértil para a radicalização de jovens. Um novo capítulo preocupante dessa realidade veio à tona com os recentes alertas de autoridades americanas sobre o uso do Discord por grupos extremistas, especialmente de extrema-direita, para recrutar adolescentes. Diante de evidências crescentes e casos concretos — incluindo o suspeito do assassinato de Charlie Kirk —, é urgente repensar não apenas as políticas de moderação das plataformas digitais, mas também as estruturas sociais que tornam tantos jovens vulneráveis a discursos de ódio e violência.

Criado em 2015 como um fórum para jogadores, o Discord rapidamente se transformou em uma das redes sociais mais populares entre adolescentes nos Estados Unidos. Um terço dos meninos americanos já usava a plataforma em 2023, segundo o Pew Research Center. Sua arquitetura — baseada em servidores privados, pouco regulados e de difícil monitoramento — oferece um ambiente aparentemente anônimo e seguro, ideal para quem busca escapar da vigilância parental ou escolar. Infelizmente, essa mesma liberdade tem sido explorada por grupos extremistas, tanto domésticos quanto internacionais, para disseminar ideologias violentas e recrutar seguidores entre os mais jovens.

Documentos oficiais obtidos pela organização sem fins lucrativos Property of the People revelam que, já no início de 2025, agências como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Centro Estadual de Análise de Terrorismo e Crimes de Ohio (STACC) alertavam para o risco de radicalização no Discord. Um memorando do DHS, datado de janeiro, aponta que “discussões específicas ou conspirações aspiracionais tendem a ocorrer no Discord”, onde a idade média dos participantes é de apenas 15 anos. Outro documento, de abril, reforça que organizações terroristas estrangeiras, como o Estado Islâmico, e grupos neonazistas, como a Atomwaffen Division, têm ativamente buscado influenciar menores de idade em ambientes digitais como esse.

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Esses não são meros alertas teóricos. O Discord já apareceu em investigações de tiroteios em massa: em Buffalo (2022), Highland Park (2022) e, mais recentemente, em um ataque escolar em Iowa, em 2024, onde o atirador anunciou suas intenções na plataforma antes de cometer o crime. Ainda que o Discord negue ter encontrado evidências de planejamento de violência em seu sistema no caso do assassinato de Charlie Kirk, o fato de o suspeito ter usado a plataforma para se comunicar após o crime — e de o FBI estar investigando mais de 20 pessoas ligadas a um mesmo canal privado — demonstra o potencial perigoso desses espaços digitais.

A extrema-direita, em particular, tem se mostrado habilidosa em explorar o vácuo emocional e político deixado por instituições tradicionais. Adolescentes em busca de identidade, pertencimento e respostas simples para problemas complexos encontram, em servidores privados do Discord, uma narrativa sedutora: um mundo binário, onde inimigos são claramente definidos e a violência é romantizada como forma de “resistência” ou “purificação”. Esse discurso ganha força em um contexto de crise: isolamento social pós-pandemia, deterioração da saúde mental juvenil, desconfiança nas instituições e polarização política extrema. Não é coincidência que os relatórios do DHS mencionem esses fatores como catalisadores da vulnerabilidade dos jovens.

Diante disso, responsabilizar apenas os jovens ou seus pais é uma simplificação perigosa. A verdadeira questão está na ausência de políticas públicas eficazes de prevenção à radicalização, aliada à negligência das grandes plataformas digitais. O Discord, apesar de afirmar ter intensificado suas práticas de segurança, continua enfrentando críticas por moderação insuficiente e por ser alvo de processos judiciais relacionados à exploração de menores. Seus próprios relatórios de transparência mostram que, só no primeiro semestre de 2024, quase 37 mil contas foram desativadas por promover conteúdo extremista — um número alarmante que revela a escala do problema.

É preciso ir além da reação punitiva. Precisamos de uma abordagem preventiva, baseada em educação midiática, apoio psicossocial e diálogo comunitário. Escolas, famílias e governos devem trabalhar juntos para oferecer aos jovens alternativas reais de pertencimento e engajamento cívico — não apenas combater o discurso de ódio, mas substituí-lo por narrativas de empatia, justiça e solidariedade. Ao mesmo tempo, as plataformas digitais precisam ser tratadas como atores com responsabilidade social, sujeitos a regulamentações claras e exigências de transparência.

A liberdade na internet não pode ser usada como escudo para a disseminação de ideologias que incitam à violência. O equilíbrio entre privacidade e segurança é delicado, mas não impossível — especialmente quando vidas jovens estão em jogo. Ignorar os alertas das autoridades, minimizar o papel da extrema-direita na radicalização digital ou tratar o Discord como um simples “espaço de gamers” é fechar os olhos para uma ameaça real e crescente.

O futuro da democracia depende, em grande parte, da capacidade de proteger as novas gerações dessas correntes tóxicas. Não se trata de censura, mas de cuidado. De construir um ambiente digital que reflita os valores que queremos para a sociedade: inclusão, respeito e compromisso com a vida. Enquanto isso não acontecer, continuaremos lendo, com cada vez mais frequência, notícias sobre jovens que, em vez de encontrar comunidade, encontraram ódio — e, em vez de futuro, encontraram tragédia.

Com informações de NBC*

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Desinformação monetizada e o retrocesso do YouTube https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/desinformacao-monetizada-e-o-retrocesso-do-youtube/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/desinformacao-monetizada-e-o-retrocesso-do-youtube/#respond Thu, 25 Sep 2025 14:07:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218321 A decisão do YouTube reflete escolhas ideológicas que priorizam lucro, influência política e neutralidade aparente em vez do bem comum

Em um momento em que a democracia, a saúde pública e o próprio consenso factual enfrentam ameaças sem precedentes, o YouTube decidiu dar um passo atrás — e não apenas isso: abriu as portas para que vozes que espalharam desinformação perigosa durante a pandemia e após as eleições de 2020 voltem a ter alcance, influência e, acima de tudo, lucro. A justificativa? Liberdade de expressão. Mas por trás dessa retórica sedutora esconde-se uma capitulação às pressões políticas, uma desregulamentação disfarçada de neutralidade e uma perigosa confusão entre direito à fala e responsabilidade com a verdade.

A plataforma, controlada pela Alphabet, anunciou esta semana que permitirá o retorno de criadores banidos por violar suas próprias políticas contra desinformação sobre a Covid-19 e a integridade eleitoral. A medida não é isolada: é a continuação de um processo iniciado em 2023, quando o YouTube encerrou sua política específica contra alegações infundadas de fraude eleitoral nas eleições de 2020, e em 2024, quando relaxou as restrições a conteúdos médicos não comprovados sobre a pandemia. Agora, nomes como Dan Bongino — que combina influência conservadora com cargo no próprio FBI — podem voltar a monetizar teorias que já causaram danos reais à sociedade.

A empresa argumenta que os “banimentos já não estão mais em vigor” e que busca “reafirmar seu compromisso com a liberdade de expressão”. Em carta ao Comitê Judiciário da Câmara, seus advogados foram além: afirmaram que “vozes conservadoras” merecem espaço sem “censura indevida” e que o YouTube deve permitir “diferentes vozes” em temas politicamente controversos. Soa nobre — até que se lembra que muitas dessas “vozes” não estavam simplesmente expressando opiniões, mas disseminando mentiras com consequências tangíveis: recusa de vacinas, ataques a profissionais de saúde, mineração da confiança nas instituições democráticas.

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A liberdade de quem?

É essencial lembrar: o YouTube não é um fórum público. É uma plataforma privada, mas com poder público. Com mais de 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, ela molda o que milhões de pessoas veem, acreditam e fazem. Nesse contexto, a moderação de conteúdo não é censura — é responsabilidade editorial. Editoras não publicam livros que negam o Holocausto sob o pretexto de “pluralismo”. Jornais não dão espaço a teorias da conspiração sobre clima sem contextualização. Por que, então, plataformas digitais deveriam operar sem critérios éticos mínimos?

A resposta, infelizmente, está na política. A decisão do YouTube não surge no vácuo. Ela é fruto de anos de pressão de figuras como Donald Trump e parlamentares republicanos, que acusam — sem provas convincentes — que houve “censura” ideológica durante a pandemia. Essas acusações, por sua vez, foram abraçadas por executivos como Sundar Pichai, que agora buscam reaproximação com o Partido Republicano por meio de doações, eventos em Washington e concessões políticas. A moderação de conteúdo, antes vista como um dever social, tornou-se moeda de troca em um jogo de influência.

A falácia da neutralidade

Ao afirmar que quer “garantir que diferentes vozes possam ser ouvidas”, o YouTube adota uma postura aparentemente equilibrada — mas profundamente enganosa. Neutralidade, nesse contexto, significa tratar fatos científicos e teorias da conspiração como opiniões igualmente válidas. Significa dar o mesmo peso a um médico que explica a eficácia das vacinas e a um influenciador que promove ivermectina como “cura milagrosa”. E isso não é liberdade: é abdicação.

A ciência não é uma questão de opinião. A integridade eleitoral não é um “debate político” no sentido de que qualquer alegação deva ser livremente propagada. Quando milhões de americanos acreditaram que as eleições de 2020 foram roubadas — apesar da ausência total de evidências —, isso não foi um exercício de liberdade, mas o resultado de uma campanha coordenada de desinformação, amplificada por algoritmos que priorizam engajamento sobre verdade. E agora, o YouTube está ajudando a reabilitar os arquitetos dessa campanha.

O preço da desregulamentação

A volta desses criadores não é simbólica. É econômica. Com o acesso à monetização, eles recuperam não apenas visibilidade, mas uma fonte robusta de renda — financiada, em parte, por anunciantes que talvez nem saibam onde seus dólares estão sendo gastos. Pior: essa normalização reforça a ideia de que espalhar desinformação não tem consequências duradouras. Pelo contrário: pode ser recompensado com audiência e lucro.

Enquanto isso, a plataforma insiste que manterá políticas contra desinformação que “ameace a saúde ou a segurança pública”. Mas como definir essa ameaça? Quando um vídeo sobre “tratamentos alternativos” leva alguém a recusar cuidados médicos essenciais, o dano já está feito. E quando um canal reiteradamente afirma que as urnas eletrônicas são manipuláveis, mesmo sem provas, ele não está “debater” — está minar a base da democracia representativa.

A sombra do governo — ou a desculpa conveniente?

A Alphabet também alega que sofreu “pressão indevida” do governo Biden para remover conteúdos. Em sua carta, acusa o Executivo de tentar “coagir” a empresa a censurar vídeos que, segundo ela, não violavam suas regras. Essa narrativa, repetida por Zuckerberg e Musk, alimenta uma teoria perigosa: a de que qualquer moderação é resultado de interferência estatal. Mas os registros mostram o oposto: as políticas de desinformação do YouTube foram implementadas de forma autônoma, em resposta a críticas de especialistas, organizações de saúde e até de seus próprios usuários.

Aliás, se houve excessos — e é legítimo debatê-los —, a solução não é abolir as regras, mas aperfeiçoá-las com transparência, apelações justas e critérios claros. Em vez disso, o YouTube optou pelo caminho mais fácil: desmantelar as salvaguardas sob o pretexto de “liberdade”, enquanto fortalece laços com o establishment político conservador.

O que está em jogo

Mais do que um ajuste de política, essa decisão reflete uma escolha ideológica: priorizar o crescimento da plataforma, a satisfação de lobistas e a neutralidade aparente em vez da proteção do bem comum. Em um mundo onde a verdade é cada vez mais fragmentada, plataformas como o YouTube têm o poder — e o dever — de não serem meros canais passivos, mas guardiãs ativos de um ecossistema informacional minimamente saudável.

A liberdade de expressão só tem valor quando há condições para que ela seja exercida com responsabilidade, informação e respeito aos direitos dos outros. Permitir que mentiras comprovadamente perigosas voltem a circular livremente não é defesa da democracia — é sua erosão silenciosa.

O YouTube pode chamar isso de “reintegração”. Mas, para a sociedade, soa mais como rendição.

Com informações de AP e NBC*

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ChatGPT cresce com investimento histórico da Nvidia https://www.ocafezinho.com/2025/09/22/chatgpt-cresce-com-investimento-historico-da-nvidia/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/22/chatgpt-cresce-com-investimento-historico-da-nvidia/#respond Mon, 22 Sep 2025 14:53:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218334 Com aporte de US$ 100 bilhões, Nvidia e OpenAI buscam consolidar liderança global em inteligência artificial e ampliar o alcance do ChatGPT

Em um movimento que promete redefinir os rumos da inteligência artificial, a fabricante de chips Nvidia anunciou que poderá investir até US$ 100 bilhões na OpenAI, a empresa por trás do ChatGPT. A parceria consolida as duas companhias como protagonistas de uma corrida global para desenvolver sistemas de IA capazes de transformar tanto a economia quanto o cotidiano das pessoas.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, destacou que o aporte financeiro reflete a confiança de que as capacidades atuais dos produtos de IA da empresa — e seus resultados econômicos — podem ser ampliados de maneira expressiva. “Há três coisas que a OpenAI precisa fazer bem. Precisamos realizar pesquisas de IA de alta qualidade. Precisamos criar produtos que as pessoas queiram usar. E precisamos descobrir como lidar com esse desafio de infraestrutura sem precedentes”, afirmou Altman.

O investimento permitirá à OpenAI expandir sua infraestrutura de data centers, essencial para manter o funcionamento do ChatGPT, que em agosto alcançou a marca de 700 milhões de usuários globais semanais. Para suportar essa demanda crescente, estima-se que será necessário construir data centers capazes de gerar 10 gigawatts de energia — equivalente ao consumo de cerca de 8 milhões de residências. No entanto, até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o cronograma de implementação desses projetos.

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Em uma aparição conjunta na CNBC, Jensen Huang, CEO da Nvidia, descreveu a iniciativa como “um projeto gigante”, reforçando a dimensão e a ambição do investimento. O encontro também contou com a presença de Greg Brockman, presidente da OpenAI, que enfatizou o papel estratégico da parceria no desenvolvimento de tecnologias de ponta.

Especialistas apontam que esse movimento sinaliza uma nova fase na consolidação de tecnologias de inteligência artificial, em que grandes empresas não apenas competem, mas também colaboram para criar plataformas capazes de impactar diversos setores da economia, da saúde à educação.

Com o aporte milionário da Nvidia, a OpenAI se posiciona para acelerar sua expansão tecnológica e ampliar ainda mais o alcance do ChatGPT, enquanto o mundo acompanha de perto o que pode ser o próximo grande salto na era da inteligência artificial.

O anúncio do investimento da Nvidia na OpenAI também provocou forte reação nos mercados financeiros, impulsionando as ações da fabricante de chips para novas máximas, mesmo diante de sinais de desaceleração econômica mais ampla. As ações da Nvidia subiram mais de 3%, o que representa aproximadamente US$ 200 bilhões em valor de mercado, consolidando a companhia como a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo, com avaliação próxima de US$ 4,5 trilhões.

O impacto positivo se refletiu também nos principais índices de ações dos Estados Unidos. O S&P 500 avançou mais de 0,3% nas negociações de segunda-feira, atingindo um novo recorde histórico. O Dow Jones Industrial Average registrou alta de cerca de 0,1%, enquanto o Nasdaq, fortemente influenciado por empresas de tecnologia, saltou 0,6%.

Analistas observam que o entusiasmo com inteligência artificial continua a atrair investidores, mesmo em meio a sinais crescentes de estresse econômico. Na semana passada, o Federal Reserve anunciou seu primeiro corte de juros em 2025, numa tentativa de apoiar a economia diante de indícios de desaceleração no mercado de trabalho.

“O mercado de trabalho está realmente esfriando”, declarou Jerome Powell, presidente do Fed, destacando o cenário de desafios que ainda paira sobre a economia norte-americana.

Mesmo assim, a combinação de investimentos bilionários em IA e o crescimento vertiginoso do ChatGPT mostra que, para alguns setores, o futuro tecnológico ainda parece promissor, capaz de gerar oportunidades significativas e remodelar o panorama financeiro global.

Com informações de NBC*

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Cientistas chineses desenvolvem memória flash que atinge velocidade de 400 picossegundos https://www.ocafezinho.com/2025/04/18/cientistas-chineses-desenvolvem-memoria-flash-que-atinge-velocidade-de-400-picossegundos/ Fri, 18 Apr 2025 15:46:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207047 Cientistas da Universidade Fudan, na China, apresentaram nesta quinta-feira, 18, um novo dispositivo de memória flash que, segundo os pesquisadores, alcança a maior velocidade de gravação e apagamento já registrada.

Nomeado “Poxiao”, ou “Dawn”, o componente foi projetado com um formato menor que um grão de arroz e opera em 400 picossegundos — o equivalente a um trilionésimo de segundo.

O anúncio foi feito após a publicação do estudo na revista científica Nature. O avanço, segundo a equipe de pesquisa, representa uma possível redefinição dos limites técnicos que atualmente separam a memória do processamento em dispositivos computacionais, principalmente no contexto de aplicações em inteligência artificial (IA).

Apesar de o protótipo ainda apresentar capacidade de armazenamento restrita a alguns quilobytes, os pesquisadores afirmam que a arquitetura poderá, no futuro, ser ampliada para permitir integração em larga escala.

A expectativa é de que o modelo permita a construção de sistemas com velocidades de leitura e gravação comparáveis à velocidade de processamento de dados, eliminando a necessidade de arquiteturas tradicionais que distinguem memória principal e armazenamento externo.

O líder do projeto, Liu Chunsen, explicou que o objetivo da pesquisa foi superar os limites de velocidade da memória flash tradicional.

“No passado, a abordagem para acelerar a memória flash envolvia a pré-aceleração dos elétrons, permitindo que eles ganhassem energia antes de entrar e sair”, afirmou Liu em comunicado publicado pela Universidade Fudan.

O método tradicional, baseado em modelos teóricos desenvolvidos desde a década de 1960, impõe uma limitação de desempenho devido ao tempo necessário para que os elétrons atinjam energia suficiente para transitar pelos transistores de porta flutuante — a estrutura básica da memória flash.

Para contornar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram uma nova abordagem denominada “injeção de portadora quente aprimorada em 2D”. A técnica permite que os elétrons se desloquem diretamente para um estado de alta energia, sem a fase intermediária de “aquecimento”.

O resultado, segundo os testes realizados, foi a obtenção de velocidades de gravação e apagamento que superam em mais de 100.000 vezes as da memória flash convencional, e que também superam a velocidade da SRAM, considerada a memória volátil mais rápida até então.

O projeto teve início em 2015, com os primeiros modelos teóricos desenvolvidos em 2021. No ano seguinte, a equipe produziu um dispositivo de memória flash com canal de 8 nanômetros, rompendo o limite físico anterior da tecnologia baseada em silício, que era de cerca de 15 nanômetros.

A versão atual do chip, compatível com a tecnologia CMOS (semicondutor de óxido metálico complementar), já foi fabricada em escala de laboratório.

Os pesquisadores projetam que, em até cinco anos, a capacidade de armazenamento seja ampliada para dezenas de megabytes e que o dispositivo esteja apto a ser licenciado para aplicações comerciais.

No artigo publicado no portal da Universidade Fudan, os autores destacaram que a nova memória flash pode permitir a fusão das funções de armazenamento e processamento em um único sistema.

“Uma vez ampliada para integração em massa, espera-se que ela rompa completamente com a arquitetura de armazenamento atual”, afirma o texto.

“Com base nessa tecnologia, os futuros computadores pessoais podem não precisar mais diferenciar entre memória e armazenamento externo, eliminando a necessidade de sistemas de armazenamento hierárquicos e permitindo a implantação local de grandes modelos de IA.”

A pesquisa da Universidade Fudan ocorre em um momento de avanços globais intensificados no setor de semicondutores, especialmente nas áreas relacionadas à IA, que demandam maior velocidade de transferência e menor consumo de energia.

Atualmente, arquiteturas de memória volátil, como SRAM e DRAM, oferecem altas velocidades, mas apresentam restrições de consumo, custo e perda de dados em caso de falhas de energia.

Já a memória não volátil, como o armazenamento flash, apresenta maior capacidade e persistência de dados, porém com desempenho inferior em velocidade.

A proposta dos pesquisadores chineses é combinar as vantagens dessas tecnologias e reduzir as limitações de desempenho da memória flash, sem depender de alterações nos materiais utilizados.

O desenvolvimento do chip “Poxiao” representa, segundo os cientistas envolvidos, uma mudança teórica e prática no campo dos circuitos integrados.

A memória flash tradicional, baseada em tecnologias introduzidas há mais de seis décadas, manteve-se limitada por parâmetros de operação associados ao movimento dos elétrons em transistores convencionais.

A nova abordagem propõe uma substituição desses fundamentos, com o objetivo de atender às exigências de desempenho dos sistemas computacionais avançados.

O protótipo permanece em fase de testes e otimizações. A equipe da Universidade Fudan avalia, no entanto, que o dispositivo poderá, em curto prazo, ser inserido em plataformas mais amplas, com aplicações voltadas à inteligência artificial, supercomputação e dispositivos de armazenamento de alta densidade.

Com informações da SCMP

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Restrições dos EUA a chips da Nvidia aceleram busca por semicondutores chineses https://www.ocafezinho.com/2025/04/16/restricoes-dos-eua-a-chips-da-nvidia-aceleram-busca-por-semicondutores-chineses/ Wed, 16 Apr 2025 14:10:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206868 Medida pode afetar avanço de modelos de IA e intensifica movimento por autossuficiência em chips na China

As novas restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações dos chips H20 da Nvidia para a China devem impactar diretamente os planos de grandes empresas chinesas de tecnologia no setor de inteligência artificial.

A medida, anunciada na terça-feira, 15, exige licença prévia do governo norte-americano para que a Nvidia exporte os modelos ao mercado chinês, o que, segundo a própria empresa, poderá representar uma perda de até US$ 5,5 bilhões em receita.

O chip H20 foi desenvolvido especificamente para o mercado chinês após os Estados Unidos implementarem controles de exportação anteriores que atingiram modelos avançados da empresa, como A100, H100, A800 e H800.

Segundo especialistas, mesmo com os bloqueios, empresas chinesas continuavam a depender significativamente do H20 para o desenvolvimento e execução de modelos de linguagem de grande porte (LLMs).

Brian Colello, analista da Morningstar, afirmou que a receita da Nvidia com a China deve “cair para quase zero”. No ano passado, o mercado chinês respondeu por cerca de 10% do faturamento total da empresa. “Não prevemos uma reviravolta tão cedo”, declarou Colello em nota de análise publicada na quarta-feira (16).

A utilização do chip H20 por empresas como ByteDance e Tencent vinha sendo estratégica. Ambas utilizaram o modelo em seus projetos de inteligência artificial e, segundo dados da empresa de pesquisa Omdia, citados pelo Financial Times, cada uma encomendou cerca de 230 mil chips da série Hopper da Nvidia no ano passado, ficando atrás apenas da Microsoft, que adquiriu aproximadamente 485 mil unidades.

Para Gao Chengfei, diretor da consultoria Tiaoyuan, sediada em Guangzhou, o H20 se consolidou como peça central no desenvolvimento de IA.

“Com seu poderoso poder de computação e vantagens de eficiência energética, o chip H20 se tornou um hardware essencial para o treinamento de LLM”, afirmou.

Com a restrição, analistas avaliam que empresas chinesas terão dificuldades para acessar capacidade computacional suficiente no curto prazo, o que pode comprometer o ritmo de desenvolvimento dos modelos de linguagem e a velocidade de atualização de produtos.

A procura por chips H20 cresceu em 2025, especialmente após a adoção de modelos de IA desenvolvidos pela startup chinesa DeepSeek, com sede em Hangzhou.

Os modelos da empresa, de código aberto, ganharam ampla utilização, o que intensificou a demanda por soluções computacionais de alta performance. ]

Segundo informações publicadas pela Reuters em fevereiro, ByteDance, Tencent e Alibaba aumentaram significativamente os pedidos de chips após a popularização dos modelos da DeepSeek.

Diante da nova restrição, o governo chinês deve intensificar os esforços para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e fortalecer sua indústria local de semicondutores.

O movimento, que já vinha sendo implementado nos últimos anos, visa ampliar a autossuficiência tecnológica em setores considerados estratégicos.

Entre os fabricantes apontados como potenciais substitutos da Nvidia estão Huawei Technologies, Cambricon Technologies e Hygon Information Technology.

Os chips da série Ascend, produzidos pela Huawei, são citados por analistas como alternativas com bom desempenho e suporte técnico no ecossistema de IA. Já os produtos da Cambricon se destacam pela eficiência energética.

As empresas de tecnologia da China também têm investido em novos modelos e estruturas computacionais para contornar a limitação de acesso aos chips da Nvidia.

A Alibaba, por exemplo, deve apresentar ainda neste mês o AIStack, uma máquina voltada à computação de IA empresarial, com foco em leveza, baixo custo e integração. O lançamento será feito durante um encontro digital promovido em Fuzhou, no sudeste do país.

Outras soluções da Alibaba Cloud e da unidade de design de chips T-Head também serão apresentadas no evento. O objetivo é ampliar o portfólio de ferramentas que utilizem tecnologia nacional para treinamento de modelos de linguagem e outras aplicações baseadas em IA.

O Ant Group, afiliado do Alibaba voltado para serviços financeiros, já iniciou o uso de GPUs produzidas localmente em seus processos de treinamento de LLMs.

Segundo informações de um artigo publicado recentemente e reportagens da mídia chinesa, a empresa utiliza hardware da Huawei e do próprio Alibaba, com redução de custos operacionais em cerca de 20%.

A restrição aos chips H20 é mais um capítulo na disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, que se estende a setores como telecomunicações, computação quântica e inteligência artificial.

O impacto imediato nas operações de grandes empresas chinesas deve ser acompanhado por uma resposta que inclui investimentos em pesquisa, substituição tecnológica e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

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EUA abrem investigações sobre importações de fármacos e chips para impor mais tarifaço https://www.ocafezinho.com/2025/04/15/eua-abrem-investigacoes-sobre-importacoes-de-farmacos-e-chips-para-impor-mais-tarifaco/ Tue, 15 Apr 2025 13:04:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206747 Medida pode levar à imposição de tarifas; uso da Seção 232 se amplia na agenda econômica do governo Trump

O governo dos Estados Unidos iniciou investigações formais sobre as importações de produtos farmacêuticos e semicondutores, com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962.

O objetivo é avaliar se a dependência de fornecedores estrangeiros nesses setores representa um risco à segurança nacional. As informações constam de documentos publicados na segunda-feira pelo Federal Register, diário oficial norte-americano.

As investigações tiveram início em 1º de abril e preveem um período de 21 dias para consulta pública.

Os processos podem resultar na aplicação de tarifas, conforme o padrão adotado pela administração do presidente Donald Trump, que tem utilizado a Seção 232 como fundamento para impor restrições comerciais em setores considerados estratégicos.

A legislação autoriza o governo a adotar medidas de proteção econômica quando identifica ameaças à capacidade industrial necessária para a defesa nacional.

A medida se insere em uma série de ações similares promovidas pela Casa Branca. Durante o primeiro mandato de Trump, investigações com base na mesma cláusula resultaram em tarifas de 25% sobre aço e alumínio, além de medidas voltadas ao setor automotivo.

Após seu retorno à presidência em janeiro, Trump retomou esse instrumento legal para ampliar a abrangência de tarifas sobre outros segmentos industriais.

Além dos setores farmacêutico e de semicondutores, o governo também iniciou investigações sobre as importações de cobre e madeira, segundo os mesmos documentos oficiais.

O movimento ocorre na esteira de novas tarifas recíprocas de até 125% sobre produtos chineses, implementadas recentemente pela administração norte-americana.

Entretanto, itens como smartphones, computadores e eletrônicos foram inicialmente excluídos dessas tarifas, mas autoridades afirmam que esses produtos poderão ser incluídos futuramente, sob a mesma base legal da Seção 232.

A legislação determina que as investigações abertas com base nessa cláusula devem ser concluídas em até 270 dias. A partir desse prazo, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos deverá apresentar suas conclusões e recomendações à presidência, que decide pela eventual imposição de tarifas ou outras restrições.

O presidente Trump tem adotado tarifas como uma das principais ferramentas de sua política econômica e comercial. Durante seus mandatos, a média das taxas de importação dos EUA subiu de 2,5% para cerca de 25%, segundo cálculos de analistas econômicos.

O governo justifica essas medidas com o argumento de fortalecimento da indústria nacional e redução da vulnerabilidade em áreas consideradas críticas.

A ampliação do uso de tarifas também gerou reações nos mercados financeiros. Os principais índices acionários dos Estados Unidos registraram quedas superiores a 10% em relação aos níveis alcançados após a eleição presidencial de novembro.

Economistas consultados por diferentes instituições reduziram suas projeções de crescimento para a economia norte-americana, apontando riscos de aumento no desemprego e na inflação.

Entre os que comentaram os efeitos das medidas está Christopher Waller, integrante do conselho do Federal Reserve. Segundo ele, a política tarifária adotada pelo governo configura “um dos maiores choques a afetar a economia dos EUA em muitas décadas”, refletindo o impacto acumulado das ações sobre os fluxos comerciais e cadeias produtivas globais.

Com a inclusão dos setores de medicamentos e semicondutores nas investigações, o governo Trump reforça a estratégia de alinhar política comercial e segurança nacional. Ambos os segmentos desempenham papéis relevantes na infraestrutura econômica e tecnológica dos Estados Unidos.

O setor farmacêutico envolve a produção de medicamentos essenciais, enquanto os semicondutores estão presentes em sistemas de defesa, telecomunicações e automação industrial.

A Seção 232, ao ser utilizada para justificar tarifas nessas áreas, amplia o escopo das intervenções comerciais do governo e pode ter repercussões em acordos internacionais. Parceiros comerciais dos EUA têm contestado a legalidade das medidas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as justificativas de segurança nacional estariam sendo utilizadas de forma excessiva.

As investigações em curso deverão atrair posicionamentos de empresas e entidades setoriais durante o período de consulta pública. A indústria farmacêutica e os fabricantes de semicondutores possuem cadeias de suprimentos altamente globalizadas, e a imposição de tarifas poderá provocar ajustes em contratos, fornecimento e custos de produção.

Até o momento, o Departamento de Comércio dos EUA não forneceu detalhes adicionais sobre a metodologia das investigações nem sobre possíveis cronogramas para a imposição de medidas tarifárias. A continuidade do processo dependerá das conclusões técnicas que serão elaboradas ao longo dos próximos meses, em consonância com a agenda de segurança econômica promovida pela presidência.

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Huawei anuncia chip Ascend 910C que pode destronar NVIDIA no mercado de IA https://www.ocafezinho.com/2025/02/14/huawei-anuncia-chip-ascend-910c-que-pode-destronar-nvidia-no-mercado-de-ia/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/14/huawei-anuncia-chip-ascend-910c-que-pode-destronar-nvidia-no-mercado-de-ia/#respond Fri, 14 Feb 2025 12:42:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201902 A Huawei apresentou o chip Ascend 910C AI, posicionando-se como um novo competidor no setor de inteligência artificial, até então dominado pela NVIDIA. Com tecnologia de 7 nanômetros e 53 bilhões de transistores, o chip promete até 60% do desempenho do H100 da NVIDIA.

O Ascend 910C será lançado oficialmente durante a conferência GTC 2025. O evento, reconhecido globalmente no setor de tecnologia, será palco para a Huawei exibir seu avanço em IA, enquanto as regulamentações dos EUA sobre a NVIDIA se intensificam.

A Huawei também anunciou uma parceria com a DeepSeek, empresa voltada para o desenvolvimento de soluções de IA. A colaboração visa ampliar o potencial tecnológico do chip Ascend 910C e proporcionar aos desenvolvedores ferramentas para inovações.

A compatibilidade do Ascend 910C com a estrutura CUDA da NVIDIA foi destacada como um diferencial, permitindo aos desenvolvedores a utilização de ferramentas já consolidadas no mercado. Especialistas apontam que essa integração pode facilitar a adoção do chip por empresas já inseridas no ecossistema de IA.

O lançamento do Ascend 910C surge em um momento de crescente tensão comercial entre os EUA e a China, especialmente no setor tecnológico. Com restrições mais severas impostas à NVIDIA, a Huawei busca ocupar espaço no mercado global de IA.

Analistas observam que a entrada da Huawei pode provocar mudanças significativas no mercado, oferecendo alternativas para empresas que dependem de chips de IA. A China, com investimentos crescentes em tecnologia, busca consolidar sua posição como um dos principais polos de inovação.

A concorrência entre Huawei e NVIDIA pode impulsionar novos desenvolvimentos, beneficiando o setor como um todo. O Ascend 910C representa um esforço da Huawei para se destacar no cenário global, trazendo impactos que poderão ser sentidos em diversos setores que utilizam IA.

A Huawei aposta que o Ascend 910C atrairá desenvolvedores devido à sua capacidade de integração e ao suporte oferecido pela parceria com a DeepSeek. O mercado aguarda para ver como a NVIDIA responderá a esse novo concorrente, especialmente diante das atuais restrições.

Com o lançamento previsto para 2025, o setor de tecnologia observa atentamente os próximos movimentos da Huawei. A competição pode redefinir o mercado de chips de IA e influenciar as estratégias de empresas ao redor do mundo.

A Huawei, conhecida por sua atuação em telecomunicações, amplia seu foco para a IA, enfrentando desafios regulatórios e buscando conquistar espaço no mercado internacional. O Ascend 910C é parte dessa estratégia, simbolizando a ambição da China de se consolidar como líder tecnológico.

O impacto do novo chip será avaliado após seu lançamento, mas a movimentação da Huawei já provoca debates sobre o futuro da IA. O setor aguarda a GTC 2025 para compreender as reais capacidades do Ascend 910C e seu potencial impacto no mercado global.

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China amplia produção de chips e ameaça hegemonia de Taiwan https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/china-amplia-producao-de-chips-e-ameaca-hegemonia-de-taiwan/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/china-amplia-producao-de-chips-e-ameaca-hegemonia-de-taiwan/#respond Tue, 11 Feb 2025 19:03:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201794 O domínio de Taiwan como principal fornecedor de semicondutores enfrenta novos desafios diante da expansão agressiva da indústria de chips da China. Segundo especialistas, o apoio estatal chinês e políticas de preços baixos estão pressionando o mercado taiwanês, especialmente no segmento de chips de nós maduros, utilizados em produtos como smartphones e veículos.

Taiwan, que há décadas lidera a fabricação global de chips, está sendo superada pela rápida evolução das fundições chinesas. Empresas como Hua Hong, SMIC e Nexchip têm intensificado a produção e reduzido os preços graças a incentivos governamentais.

De acordo com a TrendForce, até 2024 a China deverá deter 34% da capacidade global de fabricação de chips de nós maduros, enquanto Taiwan mantém 43%. A projeção é que, até 2027, a China ultrapasse Taiwan nesse segmento.

A Powerchip Technology, uma das principais fabricantes taiwanesas, experimentou essa competição de forma direta. Em 2015, a empresa estabeleceu uma joint venture com a cidade de Hefei, na China, para criar a Nexchip.

O projeto, porém, resultou em uma rivalidade que agora ameaça o mercado de chips taiwanês. “Fundições de nós maduros como a nossa devem se transformar; caso contrário, os cortes de preços chineses nos atrapalharão ainda mais”, afirmou Frank Huang, presidente da Powerchip.

Estratégias de adaptação em Taiwan

Diante desse cenário, empresas taiwanesas estão implementando estratégias para manter a competitividade. A Powerchip está investindo na tecnologia de empilhamento 3D, que integra chips lógicos e de memória DRAM, visando melhorar o desempenho computacional e a eficiência energética.

Huang informou que a empresa planeja reduzir sua participação na produção de chips de driver de vídeo e sensores, amplamente usados no mercado chinês, para concentrar-se no desenvolvimento de novas tecnologias.

A UMC, outra grande fundição taiwanesa, firmou uma parceria com a Intel para diversificar suas operações, indo além da fabricação convencional de chips. Por outro lado, a Vanguard International mantém suas estratégias sob sigilo, mas especialistas indicam que também enfrenta pressões similares.

Expansão do mercado chinês

As restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos à tecnologia avançada de semicondutores têm direcionado as empresas chinesas a focarem na produção de chips de nós maduros, fabricados com processos de 28 nanômetros ou superiores. Esse segmento, menos dependente de tecnologia de ponta, tem permitido à China competir com preços mais baixos, beneficiando-se do amplo apoio financeiro estatal.

As fundições chinesas também estão se tornando mais atrativas para clientes locais, que buscam reduzir custos e se beneficiar de incentivos fiscais. Segundo especialistas, essa tendência tem provocado tensões em Taiwan, onde fabricantes de chips estão sendo pressionados a mover parte da produção para a China para manter contratos com clientes.

Implicações geopolíticas e comerciais

A guerra comercial entre Estados Unidos e China também influencia as decisões das empresas do setor. Algumas companhias ocidentais têm evitado utilizar chips fabricados na China, preferindo fornecedores taiwaneses. Um executivo de uma empresa de design de chips sediada em Taiwan, que preferiu não ser identificado, afirmou que a partir de 2023 começou a receber mais pedidos de clientes estrangeiros solicitando produção fora da China.

Entretanto, a situação pode ser afetada por possíveis mudanças na política comercial dos Estados Unidos. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, mencionou a intenção de aumentar as tarifas sobre semicondutores produzidos fora do país em até 100%. Caso implementada, essa medida pode prejudicar os esforços de Taiwan para atrair novos negócios internacionais.

Perspectivas para o futuro

A indústria taiwanesa de semicondutores encontra-se em um momento decisivo. Especialistas sugerem que, para manter sua relevância, as empresas locais precisarão intensificar a inovação tecnológica e fortalecer parcerias internacionais. A pressão do mercado chinês, impulsionada por políticas agressivas e investimentos estatais, deve continuar moldando o setor nos próximos anos.

Por outro lado, a continuidade das restrições tecnológicas impostas à China e o aumento da demanda por soluções fora do território chinês podem representar oportunidades para as fundições taiwanesas. A capacidade de adaptação às mudanças nas cadeias globais de suprimentos será fundamental para definir o futuro da liderança de Taiwan no mercado de semicondutores.

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China já supera os EUA em quase 60 tecnologias críticas https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/china-ja-supera-os-eua-em-quase-60-tecnologias-criticas/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/china-ja-supera-os-eua-em-quase-60-tecnologias-criticas/#respond Wed, 29 Jan 2025 13:09:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201281 Em um estudo divulgado em 2024 pelo Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI), foi revelado que, ao longo de 20 anos, a China superou os Estados Unidos em 57 das 64 tecnologias consideradas críticas para o desenvolvimento econômico e militar global. Em 2007, os EUA lideravam em 60 desses setores, mas atualmente mantêm a liderança em apenas sete.

O estudo analisou as inovações científicas e tecnológicas com base em pesquisas de alto impacto e patentes publicadas e registradas por universidades, laboratórios de pesquisa, empresas privadas e agências governamentais.

De acordo com a análise, a China se destaca em uma série de áreas de tecnologia de ponta, ultrapassando os EUA em setores essenciais, como a fabricação de circuitos integrados avançados, processos de usinagem de alta especificação, motores de aeronaves, drones, enxames de robôs colaborativos, baterias elétricas, energia fotovoltaica e comunicações por radiofrequência avançada.

Por outro lado, os Estados Unidos mantêm uma posição de liderança em apenas três áreas: processamento de linguagem natural, computação quântica e engenharia genética.

Essas tecnologias estão relacionadas a campos de alta complexidade, mas as investigações apontam que a China tem avançado consideravelmente nessas frentes, reduzindo a diferença tecnológica entre os dois países.

O relatório atribui grande parte desse progresso à estratégia de desenvolvimento tecnológico “Feito na China 2025”, implementada pelo presidente Xi Jinping.

A iniciativa tem como objetivo a elevação da China à posição de liderança em várias áreas tecnológicas, com foco na pesquisa e desenvolvimento (P&D) em setores chave.

O governo chinês tem investido massivamente em P&D, proporcionando um fluxo significativo de financiamento estatal direto para o avanço de tecnologias emergentes e disruptivas, transformando esses investimentos em um plano estratégico para alcançar a “supremacia tecnológica”.

Recentemente, a China também causou um grande impacto no setor de inteligência artificial com o lançamento do DeepSeek, um sistema de IA que oferece desempenho superior a um custo significativamente menor em comparação com concorrentes estabelecidos, como o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI.

O DeepSeek, além de ser mais rápido e acessível, também é de código aberto, o que gerou preocupação no Vale do Silício, onde muitas empresas tecnológicas se viram desafiadas pela rapidez do avanço chinês nesse setor.

O lançamento do DeepSeek provocou uma reação negativa nos mercados financeiros, com o índice Nasdaq Composite, que acompanha as ações de empresas de tecnologia dos EUA, registrando uma queda superior a 3% no dia 28 de janeiro de 2025.

Algumas empresas do setor, particularmente aquelas envolvidas com inteligência artificial, enfrentaram perdas de até 17% em suas ações, refletindo o impacto da crescente popularidade da IA chinesa e suas implicações para o mercado global.

A mudança no equilíbrio de poder tecnológico global, conforme ilustrado pelo estudo do ASPI, aponta para uma reconfiguração das dinâmicas econômicas e políticas nos próximos anos.

A crescente vantagem tecnológica da China em várias áreas chave pode influenciar diretamente o cenário internacional, especialmente em um momento em que as tensões geopolíticas entre os dois maiores economias do mundo continuam a aumentar.

Essa situação reflete a rápida ascensão da China como líder em tecnologias críticas, enquanto os Estados Unidos, que outrora estavam na vanguarda do avanço tecnológico, enfrentam o desafio de preservar sua competitividade frente a uma China cada vez mais inovadora e assertiva em suas políticas de desenvolvimento tecnológico.

Com a continuação do investimento chinês em áreas estratégicas, incluindo inteligência artificial, energia renovável, e manufatura avançada, espera-se que a disputa tecnológica entre os dois países intensifique ainda mais, com implicações significativas para o futuro das relações comerciais e políticas globais.

Com informações do Sputnik

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Trump sinaliza que TikTok será comprado por Elon Musk https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/trump-sinaliza-que-tiktok-sera-comprado-por-elon-musk/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/trump-sinaliza-que-tiktok-sera-comprado-por-elon-musk/#respond Wed, 22 Jan 2025 12:57:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200949 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou na terça-feira seu apoio à possibilidade de Elon Musk, descrito como o homem mais rico do mundo e assessor próximo, adquirir a plataforma de vídeos curtos TikTok.

A declaração ocorre em um momento em que o TikTok enfrenta uma possível proibição nos EUA, após a Suprema Corte confirmar uma legislação que obriga a empresa a se desvincular de sua controladora chinesa, ByteDance.

Durante uma coletiva, questionado sobre a abertura à ideia de Musk comprar o TikTok, Trump respondeu: “Se ele quisesse”, e afirmou que tem autoridade para “fazer um acordo”.

O presidente revelou ter se reunido com os principais proprietários do TikTok, a quem descreveu o aplicativo como dependente de sua aprovação para operar efetivamente.

Trump propôs um plano onde a compra incluiria uma cláusula que beneficiaria economicamente os Estados Unidos: “Então o que estou pensando em dizer a alguém é: compre e doe metade para os Estados Unidos da América, metade, e nós lhe daremos a permissão”, explicou.

Ele classificou sua proposta como “razoável”, argumentando que isso tornaria o TikTok “realmente mais valioso” por ter o governo americano como “parceiro definitivo”.

O presidente acrescentou que essa parceria aumentaria significativamente o valor do TikTok, com vantagens em termos de licenças e outros aspectos regulatórios.

Esta abordagem sugere um modelo de negócios onde o governo dos EUA teria uma participação direta nos lucros gerados pela plataforma de mídia social, marcando uma estratégia inédita em relação ao tratamento de empresas estrangeiras operando em solo americano.

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No apagar das luzes, Biden inclui gigante chinesa na guerra tecnológica dos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/01/16/no-apagar-das-luzes-biden-inclui-gigante-chinesa-na-guerra-tecnologica-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/16/no-apagar-das-luzes-biden-inclui-gigante-chinesa-na-guerra-tecnologica-dos-eua/#respond Thu, 16 Jan 2025 13:34:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200591 A startup Zhipu AI, baseada em Pequim, foi adicionada à lista negra de exportações dos Estados Unidos, juntamente com outras 25 empresas chinesas e duas sediadas em Cingapura, conforme anunciou o Departamento de Comércio dos EUA na última quarta-feira.

A medida faz parte de uma série de restrições comerciais implementadas nos últimos dias de mandato do presidente Joe Biden.

O governo dos EUA acusa as empresas listadas de contribuírem para o avanço militar de Pequim, o que motivou a inclusão na Lista de Entidades.

As empresas afetadas estão proibidas de adquirir tecnologia de firmas americanas sem uma aprovação especial do governo.

Em resposta, a Zhipu AI declarou que “discorda veementemente” da decisão e alegou que a ação dos EUA “carece de base factual”, além de afirmar que isso “não terá impacto substancial” em suas operações.

Outra empresa mencionada foi a Sophgo, uma designer de chips chinesa, que já havia sido objeto de escrutínio no ano passado devido à compatibilidade de um chip que ela encomendou da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) com um processador da Huawei Technologies. A Huawei está na Lista de Entidades desde 2019.

A lista atualizada inclui também a PowerAIR, uma empresa pouco conhecida com sede em Cingapura. A TSMC cortou laços comerciais com a PowerAIR após análises de cliente indicarem uma possível violação dos controles de exportação dos EUA, segundo informações do South China Morning Post.

Até o momento, a Sophgo não respondeu aos pedidos de comentário, e tentativas de contato com a PowerAIR não foram bem-sucedidas, dado que a empresa não possui website oficial, número de telefone ou endereço de e-mail publicamente disponíveis.

A inclusão dessas empresas na lista negra destaca as crescentes tensões comerciais e de segurança entre os Estados Unidos e a China, num contexto de rigorosas políticas de controle de exportações implementadas por Washington.

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Guerra dos chips! Concorrente chinesa da Nvidia prevê lucro recorde no primeiro semestre https://www.ocafezinho.com/2025/01/15/guerra-dos-chips-concorrente-chinesa-da-nvidia-preve-lucro-recorde-no-primeiro-semestre/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/15/guerra-dos-chips-concorrente-chinesa-da-nvidia-preve-lucro-recorde-no-primeiro-semestre/#respond Wed, 15 Jan 2025 14:17:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200528 A Cambricon Technologies, uma das principais empresas de inteligência artificial (IA) da China, anunciou expectativas de registrar seu primeiro lucro trimestral. Essa notícia chega após um aumento impressionante de mais de 470% nas ações da empresa nos últimos 12 meses.

A previsão levantou expectativas entre os investidores de que a Cambricon poderia competir diretamente com a americana Nvidia no mercado chinês, especialmente diante dos esforços de Pequim para alcançar autossuficiência tecnológica.

De acordo com um comunicado divulgado na terça-feira, a Cambricon, que possui uma capitalização de mercado de aproximadamente 300 bilhões de yuans (US$ 41 bilhões), espera que seu prejuízo anual de 2024 se reduza para um valor entre 396 milhões de yuans e 484 milhões de yuans.

Isso implica que, no último trimestre, a empresa teve lucros líquidos variando de 240 milhões de yuans a 328 milhões de yuans, uma reviravolta significativa após um prejuízo de 724 milhões de yuans nos primeiros nove meses do ano. Este resultado marca o primeiro trimestre lucrativo para a Cambricon.

Além disso, a empresa, com sede em Pequim, projetou um aumento de quase 70% em suas receitas anuais, alcançando 1,2 bilhão de yuans. No fechamento do mercado em Xangai na quarta-feira, as ações da Cambricon estavam cotadas a 695,96 yuans, um salto notável dos 120,80 yuans do ano anterior.

Fundada em 2016 e listada no Star Market de Xangai, uma plataforma ao estilo Nasdaq, desde julho de 2020, a Cambricon é vista como uma das maiores apostas da China para o desenvolvimento de unidades de processamento gráfico próprias.

Esse movimento ganha ainda mais relevância à medida que os Estados Unidos intensificam as restrições à exportação de tecnologias avançadas de IA, incluindo produtos da Nvidia.

A estratégia da Cambricon de capitalizar sobre a necessidade de autossuficiência tecnológica nacional reflete um momento crucial tanto para a empresa quanto para a indústria de tecnologia chinesa.

Com informações da SCMP

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TSMC recebe sinal verde para produção de chips de 2nm nos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/01/13/tsmc-recebe-sinal-verde-para-producao-de-chips-de-2nm-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/13/tsmc-recebe-sinal-verde-para-producao-de-chips-de-2nm-nos-eua/#respond Tue, 14 Jan 2025 00:40:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200410 A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), líder global na produção de semicondutores, pode ter recebido autorização do governo de Taiwan para expandir sua fabricação de chips de 2 nanômetros para os Estados Unidos, segundo informações do ministro de assuntos econômicos de Taiwan, J. W. Kuo.

A TSMC planeja manter Taiwan como o núcleo central de sua produção de wafers de 2 nm, com as instalações de Baoshan e Kaohsiung servindo como os principais centros de fabricação. Contudo, declarações recentes do ministro Kuo sugerem uma possível flexibilização nas políticas que tradicionalmente restringem a produção de tecnologia avançada fora do território taiwanês.

Durante uma entrevista à UDN, Kuo destacou os altos custos associados à instalação de fábricas avançadas no exterior, estimando que a TSMC poderia investir até US$ 30 bilhões para estabelecer a produção de chips de 2 nm na América. Apesar dos desafios financeiros, a mudança de política poderia permitir que a TSMC atenda melhor à demanda global, especialmente de grandes clientes como Apple, Qualcomm e MediaTek.

Atualmente, a TSMC já iniciou a produção experimental em Baoshan, com metas de produção que refletem um aumento significativo na capacidade. A empresa tem seis fábricas localizadas em Baoshan e Kaohsiung, com planos de expansão se a demanda por chips de 2 nm superar as expectativas atuais. Projeções indicam que a demanda por tecnologias de 2nm é superior à de chips de 3nm.

A expansão potencial para os EUA, especificamente para uma planta no Arizona, poderia não apenas aumentar a capacidade de produção da TSMC, mas também acelerar a entrega de semicondutores no mercado americano, fortalecendo a cadeia de suprimentos local e contribuindo para a soberania tecnológica dos EUA.

Esta decisão da TSMC, agora aparentemente apoiada pelo governo taiwanês, marca um possível ponto de inflexão na estratégia global de fabricação de semicondutores, realçando a importância crescente da cooperação internacional na indústria tecnológica.

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China desenvolve primeiro ‘chip de cérebro humano’ do mundo https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/china-desenvolve-primeiro-chip-de-cerebro-humano-do-mundo/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/china-desenvolve-primeiro-chip-de-cerebro-humano-do-mundo/#respond Thu, 24 Oct 2024 00:26:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195757 Cientistas das Universidades de Tianjin e de Ciência e Tecnologia do Sul, na China, desenvolveram um novo sistema de interface cérebro-máquina de código aberto, denominado “cérebro em chip”.

O sistema, conforme reportado pelo Science and Technology Daily, permite que um robô execute tarefas como evitar obstáculos, rastrear e agarrar objetos através de controle mental.

Este sistema inovador emprega um cérebro artificial cultivado in vitro, que os pesquisadores descrevem como um órgão capaz de interagir com informações externas através de processos de codificação, decodificação e feedback de estímulos. A interação é facilitada por chips de eletrodos que conectam o cérebro artificial ao ambiente externo.

A equipe de pesquisa da Universidade de Tianjin, que lidera o projeto, já solicitou 15 patentes de invenção na China, relacionadas à tecnologia cérebro em chip, e tem outras patentes sob revisão nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Futuramente, os pesquisadores pretendem expandir suas investigações para áreas como comunicação inteligente e migração de dados, visando aprimorar e promover as aplicações práticas desta tecnologia.

Além disso, os cientistas publicaram um estudo na revista internacional Brain, especializada em neurociência, que detalha os avanços na criação de bases inteligentes para o cultivo do cérebro artificial.

Esses avanços são cruciais para o desenvolvimento de uma unidade central de processamento (CPU) eficaz para entidades inteligentes, o que é fundamental para o progresso desta inovação.

Os desafios ainda são significativos, especialmente no que tange à maturidade e ao suprimento de nutrientes do órgão semelhante ao cérebro.

No entanto, a pesquisa avança na esperança de que esta tecnologia possa, no futuro, impulsionar o desenvolvimento de áreas como a inteligência híbrida, uma fronteira emergente nas interfaces entre cérebros e máquinas.

Com informações do Global Times

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EUA planejam proibir tecnologia chinesa em veículos com internet e autônomos https://www.ocafezinho.com/2024/09/24/eua-planejam-proibir-tecnologia-chinesa-em-veiculos-com-internet-e-autonomos/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/24/eua-planejam-proibir-tecnologia-chinesa-em-veiculos-com-internet-e-autonomos/#respond Tue, 24 Sep 2024 07:22:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=192977 O Departamento de Comércio dos Estados Unidos deve anunciar na segunda-feira uma proposta de proibição de software e hardware chineses em veículos conectados e autônomos operando nas estradas do país, citando preocupações de segurança nacional.

Segundo fontes da Reuters, a decisão visa prevenir riscos associados à coleta de dados por empresas chinesas e a possibilidade de manipulação estrangeira em sistemas de navegação e veículos conectados à internet.

A nova regulamentação proposta incluirá a proibição de importação e venda de veículos da China que integrem comunicações críticas, ou software ou hardware de sistemas de direção automatizados.

As fontes, que pediram anonimato devido à falta de divulgação pública da medida, indicam um aumento significativo nas restrições dos Estados Unidos ao acesso de produtos chineses no setor automotivo.

Este movimento segue uma série de medidas restritivas do governo Biden, incluindo o aumento substancial das tarifas sobre as importações chinesas na última semana, que impôs um imposto de 100% sobre veículos elétricos, além de elevações nas tarifas de baterias e minerais essenciais.

Com informações da Reuters

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China avança no desenvolvimento de chips de 8 nanômetros e desafia os EUA https://www.ocafezinho.com/2024/09/19/china-avanca-no-desenvolvimento-de-chips-de-8-nanometros-e-desafia-os-eua/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/19/china-avanca-no-desenvolvimento-de-chips-de-8-nanometros-e-desafia-os-eua/#respond Fri, 20 Sep 2024 00:24:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=192702 O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) anunciou o desenvolvimento de uma máquina de litografia ultravioleta profunda (DUV), capaz de fabricar chips de 8 nanômetros e abaixo. A tecnologia faz parte de um esforço para sua aplicação mais ampla no setor industrial.

Em 9 de setembro, o MIIT divulgou o “Catálogo Orientador para a Promoção e Aplicação de Equipamentos Técnicos Principais (Edição 2024)” em seu site oficial.

O documento sugere que governos locais coordenem políticas de apoio nas áreas de indústria, finanças e tecnologia, destacando a importância dos equipamentos técnicos para a segurança nacional.

O MIIT definiu que os principais equipamentos técnicos são aqueles que trazem avanços significativos no país e possuem direitos de propriedade intelectual, mas ainda não têm grande desempenho de mercado.

Entre os itens listados, destaca-se a máquina de litografia DUV, com especificações técnicas como diâmetro de wafer de 300mm, comprimento de onda de 248nm, resolução de até 65nm e precisão de sobreposição de 8nm.

O desenvolvimento dessa máquina foi realizado por empresas líderes de semicondutores, como a Advanced Micro-Fabrication Equipment Inc. (AMEC) e a Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE), além de instituições de pesquisa como o Instituto de Microeletrônica da Academia Chinesa de Ciências.

Nos últimos dias, os Estados Unidos e a Holanda anunciaram restrições mais rígidas na exportação de máquinas de litografia para a China. Equipamentos como os modelos DUV 1970i e 1980i da empresa ASML serão afetados por essas medidas, conforme relatado pela Reuters.

Segundo a Central News Agency, caso a China consiga fabricar internamente as máquinas DUV para chips de 8 nanômetros, poderá reduzir a dependência das tecnologias da ASML. Até o momento, não houve confirmação oficial desse avanço por parte do governo chinês ou dos fabricantes.

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Cientistas chineses criam chip ‘ultrarrápido’ que pode acelerar a guerra tecnológica global https://www.ocafezinho.com/2024/07/30/cientistas-chineses-criam-chip-ultrarrapido-que-pode-acelerar-a-guerra-tecnologica-global/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/30/cientistas-chineses-criam-chip-ultrarrapido-que-pode-acelerar-a-guerra-tecnologica-global/#respond Tue, 30 Jul 2024 14:44:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=189350 Cientistas chineses criaram um conversor analógico-digital (ADC) ultrarrápido para aplicações militares, que pode reduzir o tempo de resposta de receptores de guerra eletrônica de nanossegundos para picossegundos, afirmou a equipe de pesquisadores.

O novo dispositivo, desenvolvido pela Universidade de Ciência Eletrônica e Tecnologia da China (UESTC), promete aumentar a velocidade de detecção e resposta a sinais de radar em 91,46%, proporcionando uma vantagem estratégica significativa para os militares chineses.

Liderada pelo Professor Ning Ning, a pesquisa foi realizada na UESTC, em Chengdu, com apoio do China Electronics Technology Group.

Os ADCs desempenham um papel crucial na guerra eletrônica, convertendo ondas eletromagnéticas analógicas em sinais digitais que podem ser analisados por computadores para ações táticas.

Os ADCs tradicionais enfrentam desafios de alta demanda de energia e geração de calor. A nova tecnologia desenvolvida pela equipe de Ning se inspira em monitores de eletroencefalograma (EEG), que utilizam ADCs acionados por eventos para economizar energia.

Este novo ADC inteligente pode analisar sinais analógicos antes da conversão, iniciando o processo apenas quando um sinal de radar é detectado, economizando mais de 30% de energia.

A tecnologia é baseada em um processo de 28 nanômetros, tornando-a econômica e viável para produção em massa.

Nos últimos anos, a China aumentou significativamente sua capacidade de fabricação de chips, exportando quase 260 bilhões de chips de processo maduro no primeiro semestre deste ano.

Com o suporte de tecnologias avançadas, os militares chineses têm expandido suas capacidades ofensivas. Recentemente, um destróier chinês Tipo 055 bloqueou um grupo de ataque de porta-aviões dos EUA no Mar da China Meridional.

Além disso, navios de guerra chineses operaram perto do Alasca e bombardeiros H-6K realizaram operações conjuntas com aeronaves russas.

O rápido avanço das capacidades de guerra eletrônica da China é impulsionado pelo crescimento da indústria de telecomunicações do país.

A Huawei, principal colaboradora da UESTC, registrou um crescimento de 145,5% no lucro no ano passado, mesmo sob sanções dos EUA, devido a avanços em microchips e tecnologias de ponta.

A Huawei é um dos principais empregadores de graduados da UESTC, onde cerca de 1,6 milhão de estudantes se formam anualmente em engenharia de telecomunicações, mais do que em qualquer outra área.

Com informações do SCMP

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Leilão do pré-sal bate recorde de empresas inscritas https://www.ocafezinho.com/2024/07/18/leilao-do-pre-sal-bate-recorde-de-empresas-inscritas/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/18/leilao-do-pre-sal-bate-recorde-de-empresas-inscritas/#respond Thu, 18 Jul 2024 18:06:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=188585 A Pré-Sal Petróleo (PPSA), que representa a União nos contratos de partilha de produção do pré-sal, anunciou a habilitação de um recorde de 10 empresas para o 4º leilão de petróleo da União, marcado para 31 de julho.

Com isso, a estimativa de arrecadação foi ajustada para R$ 15 bilhões, um aumento de R$ 2 bilhões em relação à previsão inicial.

O leilão ocorrerá na sede da B3, em São Paulo, onde serão ofertados 37,5 milhões de barris de petróleo, um volume maior que os 33 milhões inicialmente previstos.

Esse acréscimo se deve ao aumento do volume estimado para ser comercializado, referente à produção da União nos campos de Búzios e Mero, localizados na Bacia de Santos e reconhecidos como o segundo e terceiro maiores campos produtores de petróleo do país.

Os lotes a serem leiloados incluem três de Mero, sendo dois com 12 milhões de barris cada e um com 11 milhões, além de um lote de Búzios com 2,5 milhões de barris.

Entre as empresas habilitadas estão gigantes do setor como Petrobras, Refinaria de Mataripe, CNOOC Petroleum Brasil, ExxonMobil Exploração Brasil, Equinor Brasil Energia, Galp Energia Brasil, PetroChina International (Brazil) Trading, PRIO Comercializadora, Shell Trading Brasil e TotalEnergies EP Brasil.

Tabita Loureiro, diretora técnica da PPSA e presidente interina da estatal, destacou o significado deste marco.

“Só o número inédito de empresas habilitadas já demonstra um interesse maior do mercado e esperamos competição nos lotes”, disse em comunicado. O recorde anterior foi no 3º leilão, realizado em novembro de 2021, que teve seis empresas habilitadas e três participantes ativos.

Com informações da Reuters

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Empresa chinesa de tecnologia diz que encontrou ‘fórmula’ para superar a Nvidia https://www.ocafezinho.com/2024/06/10/empresa-chinesa-de-tecnologia-diz-que-encontrou-formula-para-superar-a-nvidia/ https://www.ocafezinho.com/2024/06/10/empresa-chinesa-de-tecnologia-diz-que-encontrou-formula-para-superar-a-nvidia/#respond Mon, 10 Jun 2024 14:05:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=185016 Uma empresa de design de unidades de processamento gráfico (GPUs), Moore Threads Technology, com sede em Pequim, está ganhando destaque após ser adicionada à lista negra comercial dos EUA no final de 2023.

A empresa foi fundada por um ex-executivo da Nvidia e está sendo vista como uma alternativa viável às marcas estrangeiras no mercado de tecnologia de consumo chinês.

Recentemente, a Moore Threads expandiu a lista de jogos suportados por sua GPU MTT S80 para 130 títulos, um aumento significativo desde o seu lançamento no final de 2022.

Jogadores online têm comparado o MTT S80 ao GeForce RTX 3060 da Nvidia, notando que, apesar de uma lacuna de desempenho em jogos AAA, a GPU se mostra competitiva em jogos populares mais antigos como League of Legends e World of Warcraft.

Eliot Yang Bingshi, um jogador de 23 anos da província de Sichuan, destacou que a GPU é adequada para quem busca economizar, com o MTT S80 sendo oferecido a um preço cerca de 40% inferior ao RTX 3060 no site JD.com.

Apesar dos benchmarks online indicarem que o S80 fica atrás das placas Nvidia lançadas há oito anos, a Moore Threads anunciou a expansão dos títulos de videogame suportados com um vídeo promocional na Bilibili, uma plataforma de streaming popular entre jogadores chineses.

A empresa ainda não divulgou números de vendas para a GPU, mas agradeceu aos jogadores chineses pelo apoio, referindo-se à Moore Threads como a “única esperança na indústria de placas gráficas” do país.

Com a Nvidia enfrentando restrições de exportação que afetam sua capacidade de vender GPUs avançadas na China, especialmente as utilizadas em aplicações de inteligência artificial (IA), empresas nacionais como a Huawei e agora a Moore Threads estão capitalizando essa oportunidade para crescer no mercado local.

Além disso, Moore Threads anunciou recentemente a implantação de seu sistema de computação KUAE AI, equipado com mais de 1.000 placas GPU, que será usado para operar Yuren, um grande modelo de linguagem de sete bilhões de parâmetros.

A startup, fundada em 2020 por Jams Zhang Jianzhong, ex-vice-presidente global e gerente geral da Nvidia na China, tem ambições de se tornar uma “pequena Nvidia” com seus avanços no desenvolvimento de GPU na China.

Com informações da SCMP

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Huawei lança novo chip de IA que promete tirar o domínio da Nvidia https://www.ocafezinho.com/2024/06/06/huawei-lanca-novo-chip-de-ia-que-promete-tirar-o-dominio-da-nvidia/ https://www.ocafezinho.com/2024/06/06/huawei-lanca-novo-chip-de-ia-que-promete-tirar-o-dominio-da-nvidia/#respond Thu, 06 Jun 2024 15:01:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=184717 A Huawei Technologies está intensificando a competição no mercado de chips de inteligência artificial (IA), alegando que seu chip Ascend 910B de IA se iguala ou até supera o A100 da Nvidia em alguns testes.

Wang Tao, diretor operacional do ecossistema Ascend e Kunpeng da Huawei, revelou na Conferência Mundial de Semicondutores em Nanjing que o Ascend 910B alcança 80% da eficiência do A100 no treinamento de grandes modelos de linguagem e pode exceder seu desempenho em 20% em outras avaliações.

Wang enfatizou a pequena diferença no poder de computação entre o Ascend 910B e o Nvidia A100 durante o processo de treinamento de modelos de IA.

Seus comentários sublinham o papel estratégico da Huawei em aprimorar a auto-suficiência tecnológica da China, especialmente à medida que as restrições de exportação dos EUA limitam a capacidade da Nvidia de enviar GPUs avançadas para a China.

Introduzida em 2019, pouco depois de a Huawei ser colocada em uma lista negra comercial dos EUA, a série de chips Ascend faz parte da estratégia mais ampla de IA da empresa.

Esta estratégia inclui o desenvolvimento de um ecossistema abrangente de software e hardware proprietários para atender clientes domésticos privados de tecnologia estrangeira.

Segundo Zhang Dixuan, chefe do negócio de computação Ascend da Huawei, o ecossistema conta com 40 parceiros de hardware, 1.600 parceiros de software e 2.900 soluções de aplicativos de IA.

Apesar dos desafios impostos pelas sanções dos EUA, que impactaram o progresso tecnológico da China em semicondutores e IA, a Huawei continuou avançando.

A empresa não revelou os fornecedores dos chips avançados de sua série de smartphones Mate 60, que se especula serem fabricados pela fundição líder da China, Semiconductor Manufacturing International Corp, sob sanções dos EUA.

Enquanto a Nvidia continua sendo um grande jogador no mercado de chips de IA da China, a Huawei está ganhando terreno. No primeiro semestre do ano passado, a Nvidia representava 90% das vendas de chips de IA na China, com a Huawei capturando 6% do mercado.

No entanto, as restrições de exportação dos EUA sobre a Nvidia aumentaram a competição, com o CEO da Nvidia, Jensen Huang, notando a rivalidade intensificada na China.

Os chips Ascend da Huawei estão se tornando cada vez mais populares em várias indústrias na China, utilizados em caixas de IA que combinam chips de IA com algoritmos específicos da indústria e modelos de IA pré-treinados.

Empresas como Tencent Holdings, Baidu e iFlyTek estão entre aquelas que utilizam os chips Ascend 910B. A Huawei também opera clusters de computadores com chips Ascend em 19 cidades da China e planeja expandir para as principais capitais provinciais em breve.

Com informações da SCMP

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