Agro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/agro/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 14 May 2026 20:40:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Agro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/agro/ 32 32 Amaggi adquire 40% da FS e amplia aposta no etanol de milho e descarbonização https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/amaggi-adquire-40-da-fs-e-amplia-aposta-no-etanol-de-milho-e-descarbonizacao/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/amaggi-adquire-40-da-fs-e-amplia-aposta-no-etanol-de-milho-e-descarbonizacao/#respond Thu, 14 May 2026 20:40:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/amaggi-adquire-40-da-fs-e-amplia-aposta-no-etanol-de-milho-e-descarbonizacao/
Ilustração editorial sobre Amaggi adquire 40% da FS e amplia aposta no etanol de milho e descarbonização. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A Amaggi, uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, anunciou a aquisição de 40% do capital social da FS, produtora de etanol de milho controlada pela Summit Agricultural Group. A operação, cujo valor financeiro não foi divulgado, ainda aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para entrar em vigor.

O movimento marca uma virada estratégica da Amaggi em direção aos segmentos de bioenergia e descarbonização. São setores que ganham peso crescente diante da demanda global por combustíveis renováveis.

A transação foi detalhada em comunicado oficial das empresas e repercutiu amplamente no setor, conforme reportagem do portal UOL.

O acionista e cofundador da Amaggi, Blairo Maggi, destacou o alinhamento estratégico de longo prazo entre as duas companhias. Maggi enfatizou o compromisso com valores compartilhados e a capacidade de execução eficaz do negócio como pilares centrais da parceria.

Bruce Rastetter, fundador da Summit Agricultural Group, ressaltou as sinergias operacionais entre as empresas. Justin Kirchhoff, CEO da Summit, destacou que a FS já é reconhecida no mercado por produzir combustível de baixa intensidade de carbono.

Para Kirchhoff, a entrada da Amaggi representa um passo decisivo para elevar a companhia a novos patamares. A parceria aproveita as oportunidades de crescimento no agronegócio e a pressão global por descarbonização no transporte.

Rafael Abud, CEO da FS, afirmou que a combinação da expertise da empresa em combustíveis de baixo carbono com a estrutura logística e comercial da Amaggi fortalecerá a competitividade do negócio. Judiney Carvalho, CEO da Amaggi, revelou que a companhia vinha estudando o setor de etanol de milho há anos e que a parceria consolida seu compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável.

Os números da FS impressionam pelo volume: a empresa processa mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra, gerando 2,6 bilhões de litros de etanol e 2,2 milhões de toneladas de DDG — subproduto proteico amplamente utilizado na nutrição animal. A Amaggi, por sua vez, comercializa 24,7 milhões de toneladas de grãos e fibras globalmente, mantendo relações comerciais ativas com cerca de 5,6 mil produtores rurais.

A aquisição reforça a tendência de verticalização no agronegócio nacional, com grandes tradings buscando capturar valor ao longo de toda a cadeia produtiva, do campo ao combustível. O país, maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar e protagonista crescente no etanol de milho, consolida sua posição como referência global em bioenergia soberana.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/amaggi-adquire-40-da-fs-e-amplia-aposta-no-etanol-de-milho-e-descarbonizacao/feed/ 0
Governo federal anuncia recursos para o Pronaf Mais Leite https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/governo-federal-anuncia-recursos-para-o-pronaf-mais-leite/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/governo-federal-anuncia-recursos-para-o-pronaf-mais-leite/#respond Tue, 28 Apr 2026 00:33:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/governo-federal-anuncia-recursos-para-o-pronaf-mais-leite/ O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (27 de abril de 2026), em Andradina, no interior de São Paulo, a destinação de R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite).

O programa é uma linha de crédito especial do governo federal focado no aumento da produtividade da pecuária leiteira familiar. O objetivo é financiar o melhoramento genético, com foco na transferência de embriões, além de infraestrutura, ordenhadeiras e tanques de resfriamento, visando aumentar a produção por animal.

A previsão é a de financiar até 300 mil embriões e elevar a produção de leite por animal com potencial de 3 a 8 litros por dia para 15 a 30 litros por dia.

Devem ser beneficiados cerca de 40 mil produtores familiares que poderão utilizar o recurso para comprar matrizes de alto valor genético, sêmen, óvulos e embriões, serviços de inseminação e FIV (Fertilização in Vitro), ordenhadeiras e tanques de resfriamento, além de investir no manejo, alimentação e infraestrutura produtiva.

Para acessar o crédito, o produtor precisa ter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo, procurar os agentes financeiros Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob e Banrisul e apresentar um projeto técnico que demonstre a viabilidade do investimento.

O programa também inclui apoio da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para orientar os produtores.

Foram disponibilizadas linhas de crédito para as cooperativas da agricultura familiar com taxas de juros de 3% ao ano, e para as demais cooperativas de leite do país, por meio do Programa Renovagro, com juros de 8,5% ao ano.

“No país são 1,150 milhão de famílias que vivem da produção de leite no Brasil. Dessas, 950 mil são famílias da agricultura familiar. O leite é uma cadeia que é constituída majoritariamente nas pequenas propriedades, nos assentamentos da reforma agrária, nas propriedades da agricultura familiar. São eles que garantem a produção de leite que se transforma na diversidade de produtos que alimenta e leva nutrição”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

A ministra também anunciou a destinação de R$ 15 milhões para a construção da primeira fábrica de leite em pó de cooperados no estado de São Paulo, que também aumentará a produção e a renda para os produtores, e a disponibilização de R$ 28 milhões para a assistência técnica e extensão rural dos produtores com o objetivo de impulsionar a produção de leite.

“Além disso, no Programa Terra da Gente mais duas áreas serão desapropriadas pelo governo para o Sítio Boa Vista, em Americana, interior de São Paulo, e a Fazenda Caraúbas, em Santa Quitéria, no Ceará”, anunciou.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância da agroindústria e do cooperativismo como agregadores de valor.

“Temos que ter a agroindústria, pegar o produto da terra e fazer manufatura. Aqui ficam duas lições sobre a importância do associativismo: quando a gente sonha sozinho é só um sonho, mas quando a gente sonha junto é o início de uma nova realidade. A outra é o cooperativismo, quanto mais abelha mais mel”, disse Alckmin.

Fonte: Agência Brasil

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/governo-federal-anuncia-recursos-para-o-pronaf-mais-leite/feed/ 0
Projetos de extensão da USP em Piracicaba promovem programação especial na 5ª edição do Esalq Show https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/projetos-de-extensao-da-usp-em-piracicaba-promovem-programacao-especial-na-5a-edicao-do-esalq-show/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/projetos-de-extensao-da-usp-em-piracicaba-promovem-programacao-especial-na-5a-edicao-do-esalq-show/#respond Mon, 27 Apr 2026 06:01:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/projetos-de-extensao-da-usp-em-piracicaba-promovem-programacao-especial-na-5a-edicao-do-esalq-show/ O Esalq Show é um evento gratuito que abre as portas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba para apresentar à sociedade projetos de ensino, pesquisa e extensão, com atividades interativas, exposições e visitas ao campus.

Nos dois dias de evento, o projeto Alimentos na Esalq apresentará atividades interativas, demonstrações práticas e experiências sensoriais. Na sexta-feira, dia 29 de maio, a feira receberá os grupos escolares agendados pelo site do Esalq Show, e no sábado, 30 de maio, será aberta a grupos familiares, que poderão confirmar presença pelo site ou pessoalmente no evento. Com uma programação voltada à divulgação científica e à educação alimentar, o projeto propõe uma imersão em temas como segurança dos alimentos, microbiologia, qualidade de produtos de origem animal e vegetal, tecnologias de processamento e hábitos de consumo.

Entre os destaques, o Grupo de Extensão em Microbiologia de Água e Alimentos (GEMA) promove uma experiência visual e educativa com placas de Petri (recipiente transparente muito usado em laboratórios) contendo cultivo microbiano, além de banners com curiosidades sobre segurança dos alimentos. Uma das atividades interativas simula o interior de uma geladeira, convidando o público a testar seus conhecimentos sobre o armazenamento correto de alimentos.

Na área de microbiologia aplicada, o Laboratório de Biologia Molecular e Micotoxinas (LABMIC), por meio do Grupo de Extensão em Biologia Molecular e Micotoxinas (GEBMIC), apresenta o tema prebióticos e probióticos, com foco em produtos lácteos como kefir, iogurte e leite fermentado. A proposta é explicar as diferenças entre esses alimentos e seus benefícios à saúde, utilizando embalagens e materiais explicativos para facilitar a compreensão.

Já o Grupo de Extensão em Qualidade e Processamento de Carnes (GEQPC) aposta na interação com o público por meio de um quiz sobre carnes, apresentação de pesquisas desenvolvidas no laboratório e degustação de produtos, destacando a importância do equilíbrio entre alimentos de origem animal e vegetal na dieta. E o Grupo de Estudo e Extensão de Inovação Tecnológica e Qualidade de Pescado (GETEP) traz dinâmicas educativas com embalagens, além de atividades sobre mitos e verdades relacionados aos alimentos, complementadas por materiais digitais e folders informativos.

No campo da tecnologia de alimentos, o Laboratório Analítico de Frutas, Hortaliças e Embalagens (LAFHE) demonstra o processo de escurecimento enzimático, utilizando maçãs e limão como exemplo prático de inibição. O grupo também aborda soluções inovadoras em embalagens, como revestimentos comestíveis aplicados a frutas, como o morango.

Completando a programação, o Grupo de Extensão em Divulgação do Curso de Ciências dos Alimentos (GEDCAL) traz informações sobre o curso de Ciências dos Alimentos da Esalq, destacando sua trajetória, oportunidades profissionais e ações de extensão. O grupo também promove um quiz interativo com curiosidades sobre alimentos, estimulando o aprendizado de forma lúdica.

O Esalq Show é um evento promovido pela Esalq/USP que reúne estudantes, pesquisadores, profissionais e empresas do agronegócio. O evento se destaca por integrar ensino, pesquisa e extensão, aproximando a universidade da sociedade e do mercado. Seus objetivos são difundir conhecimento técnico e científico, promover conexão entre universidade e mercado e apresentar inovações do agronegócio, além de estimular a formação de estudantes.

5ª edição do Esalq Show
Datas: 29 e 30 de maio de 2025, das 9h às 17h
Local: campus da Esalq/USP
Endereço: Av. Pádua Dias, 11, Piracicaba, SP
Inscrições gratuitas e mais informações no site www.esalq.usp.br/esalqshow

Fonte: Jornal da USP

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/projetos-de-extensao-da-usp-em-piracicaba-promovem-programacao-especial-na-5a-edicao-do-esalq-show/feed/ 0
Sindag alerta para alta de combustíveis e impacto nos preços de alimentos https://www.ocafezinho.com/2026/04/09/sindag-alerta-para-alta-de-combustiveis-e-impacto-nos-precos-de-alimentos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/09/sindag-alerta-para-alta-de-combustiveis-e-impacto-nos-precos-de-alimentos/#respond Thu, 09 Apr 2026 13:11:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/09/sindag-alerta-para-alta-de-combustiveis-e-impacto-nos-precos-de-alimentos/ O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) divulgou uma pesquisa que aponta um aumento expressivo nos preços dos combustíveis utilizados na aviação agrícola, gerando forte pressão sobre os custos operacionais do setor e ameaçando elevar os preços dos alimentos.

De acordo com o levantamento, a gasolina de aviação (Avgas) registrou uma alta de 67,3%, enquanto o querosene de aviação (QAV) teve um aumento de 51,6%. Esses números refletem um impacto significativo no agronegócio, setor crucial para a economia nacional, com reflexos diretos na cadeia produtiva.

Intitulado “Inflação dos Combustíveis sobre a Aviação Agrícola”, o estudo detalha que o Avgas, utilizado em aeronaves com motor a pistão, foi o combustível mais afetado pela escalada de preços. O QAV, empregado em aeronaves turboélices de maior porte, também sofreu um avanço considerável.

Outros insumos energéticos, como etanol e diesel, apresentaram variações mais contidas, com altas de 6,9% e 7,7%, respectivamente. Com base nesses dados, o Sindag estima que os custos operacionais das empresas aeroagrícolas cresceram entre 14% e 40%, dependendo da região e do tipo de frota, com uma média nacional de aproximadamente 25%.

Para manter a sustentabilidade econômica das operações, o setor prevê a necessidade de reajustes superiores a 10% nos preços dos serviços prestados. Cláudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Sindag e economista responsável pela pesquisa, enfatizou que a elevação dos custos na aplicação aérea impacta diretamente os valores finais de alimentos, fibras e energia.

O estudo analisou dados de trinta empresas aeroagrícolas em diversas regiões do país, cobrindo polos estratégicos da produção agrícola nacional.

O impacto se torna ainda mais relevante ao considerar que os dez principais produtos agropecuários do país representaram mais de 40% das exportações nacionais em 2025, conforme dados do setor. A produção agrícola está concentrada em oito estados, que também abrigam 87% da frota aeroagrícola, ampliando os efeitos dessa alta de custos em toda a economia.

O Índice de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag) também reflete essa pressão, com registro de alta superior a 6,75% no início de 2026, impulsionado principalmente pelos custos energéticos, conforme apontado pelo levantamento do Sindag.

Oliveira destacou que o combustível é um fator determinante para a competitividade e a capacidade operacional das empresas do setor. O cenário atual, segundo a entidade, resulta de uma combinação de dinâmicas internacionais, como as oscilações no mercado de petróleo, e de fatores domésticos que aumentam a vulnerabilidade do setor a variações externas.

Para enfrentar essa situação, o Sindag planeja encaminhar os resultados da pesquisa ao Instituto Pensar Agro (IPA), à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a órgãos do governo federal, propondo medidas como subsídios para conter a escalada dos preços dos combustíveis.

Empresas aeroagrícolas têm buscado alternativas para mitigar os custos, revisando contratos, ajustando operações e investindo em eficiência. Há ainda um interesse crescente por fontes energéticas mais estáveis, como o etanol, que demonstrou menor volatilidade no período analisado.

Apesar dessas iniciativas, o setor mantém uma perspectiva de cautela, alertando para os riscos de um impacto mais amplo na economia caso a tendência de alta persista, conforme relatado pelo portal oficial do Sindag.

Com informações de aeromagazine.uol.com.br.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/04/09/sindag-alerta-para-alta-de-combustiveis-e-impacto-nos-precos-de-alimentos/feed/ 0
Lavouras de soja já ocupam uma “Espanha” no Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/03/13/lavouras-de-soja-ja-ocupam-uma-espanha-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/13/lavouras-de-soja-ja-ocupam-uma-espanha-no-brasil/#respond Fri, 13 Mar 2026 17:22:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227208 A área plantada de soja no Brasil já alcançou uma escala territorial difícil de assimilar. Segundo estimativa da Conab divulgada hoje, a oleaginosa ocupa cerca de 48 milhões de hectares no país — aproximadamente 480 mil quilômetros quadrados.

Para efeito de comparação: é quase o tamanho da Espanha, um dos maiores países da Europa, com cerca de 505 mil km². Também se aproxima da área do estado da Bahia e equivale a cerca de seis vezes o território de Santa Catarina. Se toda a soja brasileira fosse reunida em um único bloco contínuo, formaria um território agrícola de escala continental.

Esse número ajuda a explicar por que a soja se tornou o eixo central da agricultura brasileira — e um dos pilares da economia nacional.

A soja é, de longe, a principal cultura agrícola do Brasil. Ela ocupa mais da metade de toda a área plantada de grãos do país, que inclui cereais, leguminosas e oleaginosas.

A estimativa de produção para a safra 2025/2026 — que está sendo colhida agora — gira em torno de 173 milhões de toneladas, mantendo o Brasil na posição de maior produtor mundial. Vale uma nota sobre a nomenclatura: no Brasil, as safras são identificadas por duas datas. O primeiro ano (2025) corresponde ao plantio, realizado no segundo semestre. O segundo (2026) corresponde à colheita e à comercialização inicial, que ocorrem principalmente no primeiro semestre seguinte.

Para dimensionar melhor esse volume: a produção mundial de soja gira em torno de 427 milhões de toneladas por ano. O Brasil responde por cerca de 180 milhões (os dados do USDA são sempre um pouco diferentes dos divulgados pela Conab), seguido pelos Estados Unidos, com aproximadamente 116 milhões, e pela Argentina, com cerca de 48 milhões. Somados, EUA e Argentina produzem menos do que o Brasil sozinho.

Ao longo das últimas duas décadas, a expansão da cultura transformou o interior do país. O avanço se deu sobretudo sobre o Cerrado, consolidando novas fronteiras agrícolas em estados como Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Bahia e Maranhão. Mato Grosso, sozinho, produz mais soja do que muitos países inteiros.

Apesar da escala gigantesca da produção brasileira, o mercado da soja é global. A cadeia que liga os campos brasileiros ao restante do mundo passa por portos, navios e esmagadoras espalhadas pelo planeta.

O verdadeiro motor da demanda está do outro lado do mundo. A China importa sozinha cerca de 110 milhões de toneladas de soja por ano — algo próximo de 60% de todas as importações globais. Grande parte dessa soja não é consumida diretamente: ela é esmagada para produzir farelo, usado na ração animal, e óleo vegetal, utilizado na indústria alimentícia e na produção de biocombustíveis. Em outras palavras, a soja brasileira alimenta indiretamente boa parte do sistema mundial de produção de carne, aves e suínos.

Produtividade e custo

Outro fator que explica o avanço brasileiro é a produtividade. Hoje, o rendimento médio da soja no país está em torno de 3,6 toneladas por hectare — praticamente o mesmo nível alcançado pelos agricultores dos Estados Unidos. Isso é notável porque, historicamente, a produção de soja estava concentrada em regiões de clima temperado. A expansão para o Cerrado foi possível graças a décadas de pesquisa agrícola, especialmente conduzida pela Embrapa, que desenvolveu variedades adaptadas ao clima tropical e aos solos ácidos da região.

Mas a competitividade da soja depende de mais do que produtividade. Estudos comparativos internacionais mostram que produzir soja em regiões do Brasil pode custar cerca de US$ 337 por tonelada, enquanto em estados agrícolas tradicionais dos Estados Unidos o custo chega a US$ 448. A diferença vem principalmente do preço da terra: nos EUA, o arrendamento e o valor das propriedades agrícolas são muito mais altos. No Brasil, embora os custos logísticos sejam maiores — sobretudo transporte e infraestrutura —, o preço da terra ainda mantém a produção relativamente competitiva. Na Argentina, por sua vez, a rentabilidade depende fortemente do arrendamento e da carga tributária sobre exportações.

Projeções

Estudos internacionais sugerem que a produção global de soja deve crescer cerca de 1% ao ano, principalmente por ganhos de produtividade, e não necessariamente por expansão de área. Mesmo assim, o Brasil deve continuar ampliando sua participação no mercado global: projeções indicam que o país pode chegar a mais da metade das exportações mundiais na próxima década. A demanda chinesa tende a permanecer estável em níveis elevados, sustentando o comércio internacional. Outro fator emergente é o uso crescente do óleo de soja na produção de biocombustíveis, especialmente nos Estados Unidos.

O peso da soja nas exportações brasileiras

O comércio exterior dimensiona ainda mais o peso econômico da soja. Dados do ComexStat, sistema de estatísticas de comércio exterior do governo federal, mostram que, no acumulado de 12 meses até fevereiro de 2026, o Brasil exportou cerca de 134,7 milhões de toneladas do complexo soja, com receita aproximada de US$ 53,9 bilhões. Isso representa cerca de 15,4% de todas as exportações brasileiras no período — uma fatia impressionante para uma única cadeia produtiva.

Na comparação com o mesmo período encerrado em fevereiro do ano anterior, houve aumento de aproximadamente 11% no volume exportado e de cerca de 3,4% no valor em dólares. Já em fevereiro de 2026, as vendas externas somaram cerca de 9 milhões de toneladas e US$ 3,78 bilhões, com crescimento de 10,3% em quantidade e 16,4% em valor em relação a fevereiro de 2025.

A maior parte da receita de exportação corresponde ao grão de soja — classificado nas estatísticas comerciais como “soja, mesmo triturada”, termo da nomenclatura aduaneira —, responsável por cerca de 82,2% do total. O farelo respondeu por aproximadamente 14,8%, e o óleo, por cerca de 3,1%. Embora o Brasil também exporte derivados importantes, a força central da soja brasileira no comércio exterior continua sendo a venda do grão in natura, que abastece esmagadoras e cadeias de produção de proteína animal ao redor do mundo.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/13/lavouras-de-soja-ja-ocupam-uma-espanha-no-brasil/feed/ 0
As críticas diretas e indiretas de Lula às novas aventuras imperialistas de Trump https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/as-criticas-diretas-e-indiretas-de-lula-as-novas-aventuras-imperialistas-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/as-criticas-diretas-e-indiretas-de-lula-as-novas-aventuras-imperialistas-de-trump/#comments Thu, 05 Mar 2026 17:57:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226681 2 Comentários 🔥]]> Presidente critica militarização e cobra prioridade contra a fome

Na manhã de quarta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os trabalhos da 39ª Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento reuniu representantes de governos, diplomatas e especialistas em segurança alimentar de diversos países da região.

Logo no início do discurso, Lula desviou do roteiro tradicional de uma cerimônia diplomática. Em vez de se limitar ao protocolo, ele ampliou o tom político da fala. O presidente associou a persistência da fome no mundo ao crescimento dos conflitos internacionais e ao aumento do investimento militar das grandes potências.

Ao longo da fala, o líder brasileiro fez críticas diretas e indiretas à política externa dos Estados Unidos e ao clima de militarização que volta a ganhar força no cenário internacional. As declarações ocorreram poucas horas antes de um pronunciamento do presidente norte-americano Donald Trump, o que reforçou a leitura de que Lula buscava marcar posição.

Além disso, o presidente brasileiro abordou temas sensíveis da política global. Ele citou a situação de Cuba, criticou a corrida armamentista, questionou o funcionamento do Conselho de Segurança e apontou o desgaste da Organização das Nações Unidas.

A seguir, os principais trechos do discurso organizados por tema.


Cuba

Ao tratar das desigualdades globais e das sanções econômicas, Lula citou diretamente o caso cubano. Segundo ele, a crise enfrentada pelo país não pode ser explicada apenas por fatores internos.

“Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe construir a sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito.”

Na sequência, o presidente ampliou o argumento. Ele afirmou que, mesmo para quem critica o regime político cubano, ainda existem outros países que enfrentam situação social dramática e que poderiam receber mais atenção internacional.

“Mas vamos supor que não se cuida de Cuba por uma perseguição ideológica. Então, não vamos ajudar Cuba porque Cuba é um país comunista. Ajuda o Haiti que está do lado, que passa tanto ou mais fome do que Cuba e que está sendo dominado por gangues.”

Com isso, Lula tentou mostrar que a fome não se resolve apenas com discursos. Para ele, a questão exige decisões políticas e cooperação internacional.


Paz e gastos com armamentos

Grande parte do discurso se concentrou em um tema que o presidente considera central: a relação entre gastos militares e a persistência da fome no planeta.

Lula apresentou uma comparação que chamou atenção do público presente no Itamaraty.

“Se nós pegássemos o dinheiro que foi gasto ano passado em armamentos, em conflitos, o equivalente a 2 trilhões e 700 bilhões de dólares, e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que no planeta passam fome, daria para a gente ter distribuído 4.285 dólares para cada pessoa.”

Em seguida, o presidente criticou a corrida armamentista que voltou a ganhar força em várias regiões do mundo.

“Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos e todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drones, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros.”

Para Lula, o crescimento desse tipo de investimento revela uma inversão de prioridades. Em vez de combater a fome, muitos governos priorizam a produção de instrumentos de destruição.

“Tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimento, isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado.”

Ao mesmo tempo, o presidente defendeu a tradição pacifista da América Latina.

“Nós somos a única zona do mundo de paz, a única zona de paz no planeta Terra somos nós.”

Ele também lembrou que a Constituição brasileira rejeita o desenvolvimento de armas nucleares.

“Aqui no Brasil nós temos a opção de não possuir armas nucleares na nossa Constituição, porque há muito tempo a gente chegou à conclusão que aquele ditado que diz ‘quem quer paz se prepara para a guerra’ é para quem quer fazer guerra.”


Geopolítica

Além das críticas ao militarismo, Lula também abordou a história econômica e política da América Latina. Segundo ele, a região ainda enfrenta as consequências de séculos de exploração.

“Quando tinha ouro, levaram o nosso ouro, quando tinha prata, levaram a nossa prata, levaram o nosso suor com salário muito barato durante muito tempo.”

A partir dessa leitura histórica, o presidente defendeu maior autonomia política e econômica para os países latino-americanos.

“Quando é que nós vamos acordar para dizer que nós não queremos submissão? Nós não queremos viver de favor, nós queremos de forma soberana dar alimentação para o nosso povo.”

No mesmo contexto, Lula mencionou diretamente a postura de líderes que valorizam demonstrações de poder militar. A fala acabou sendo interpretada como uma referência ao discurso frequente de Donald Trump sobre a superioridade das forças armadas dos Estados Unidos.

“Vocês acham normal o presidente Trump, todo dia, ficar dizendo: ‘eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo’?”

Em seguida, o presidente sugeriu que os países deveriam disputar prestígio internacional em outras áreas.

“Por que ele não fala: ‘eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Eu tenho como distribuir alimento’?”


A desmoralização da ONU

Nos minutos finais do discurso, Lula voltou sua atenção ao papel da comunidade internacional. Ele afirmou que a ONU perdeu parte da credibilidade diante das guerras recentes.

“A ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua Carta da Criação em 1945.”

O presidente criticou o que considera uma postura passiva diante de conflitos prolongados.

“A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras. E não tem espaço para os senhores da paz.”

Na sequência, Lula questionou a ausência de iniciativas mais firmes para mediar guerras em andamento.

“Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esse conflito?”

Ele também citou diretamente a guerra no Leste Europeu, que se prolonga por anos sem solução diplomática clara.

“Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos, quando todo mundo já sabe o que vai dar naquela guerra?”

Ao encerrar a fala, Lula voltou ao tema que guiou todo o discurso: a fome. Para ele, a crise alimentar global não resulta da falta de recursos, mas da falta de prioridade política.

Assim, diante de diplomatas e autoridades internacionais, o presidente brasileiro tentou recolocar o debate sobre desenvolvimento e segurança alimentar no centro da agenda global.

Confira a íntegra clicando aqui ou leia completo abaixo


Pronunciamento do presidente Lula na abertura da 39ªConferência Regional da FAO para América Latina e Caribe

Transcrição do pronunciamento do presidente Lula na abertura da 39ªConferência Regional da FAO para América Latina e Caribe, em 4 de março de 2026, em Brasília/DF



Não sei se vocês perceberam. Nós estamos fazendo o encontro dos países da América Latina e do Caribe e, até agora, com exceção do diretor da FAO [diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu], só falaram brasileiros. Eu estava nem pensando em ler o meu discurso aqui para chamar vocês a atenção de uma coisa muito séria. Se nós pegássemos o dinheiro que foi gasto ano passado em armamentos, em conflitos, o equivalente a 2 trilhões e 700 bilhões de dólares e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que no planeta passam fome, daria para a gente ter distribuído 4.285 dólares para cada pessoa.

Vocês percebem que não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes do mundo. Por isso, eu quero começar essa minha fala fazendo um apelo aos nossos presidentes responsáveis pelo Conselho de Segurança como membros permanentes da ONU. São cinco, a França, a Inglaterra, a Rússia, a China e os Estados Unidos.

Se esses senhores que coordenam o Conselho de Segurança como membro permanente da ONU se preocupassem com essa questão da fome nesse instante e ao invés de ficar discutindo, como agora está se discutindo na Europa o fortalecimento do armamento dos países, investimento na defesa. Porque está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos e todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drones, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros e tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimento, isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado.

Seria apenas uma reflexão de bom senso se houvesse a convocação. São apenas cinco pessoas que poderiam fazer uma teleconferência, não precisaria ninguém correr risco para ninguém ser atacado por drone à noite, para ninguém ser vítima de uns mísseis. Poderia ser feita uma teleconferência para fazer uma discussão muito clara se o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz, se é a construção e a produção de mais armas cada vez mais sofisticadas e cada vez mais caras ou o aumento da produção, da distribuição e do aumento da renda do povo para que a gente pudesse ter a alimentação necessária.

Eu acho que é isso que tem que sair de uma mensagem, de uma conferência que envolve a América Latina, que é uma parte do mundo rica, que tem praticamente tudo aquilo que a natureza ofereceu a todos os seres humanos e que muitas vezes são explorados pelas pessoas que não são daqui para produzir parte das armas que destroem aquilo que já foi construído.

Eu quero dizer para vocês que eu fico com muita sensibilidade, emocionado, de saber que a fome mexe muito pouco com o coração dos governantes do mundo. Mexe com muitos seres humanos individualmente, mexe com as ONGs, mexe com igrejas, mas não sensibiliza muito o coração dos governantes.

Porque as pessoas que passam fome, na maioria dos países do mundo, são tratadas como se fossem invisíveis. As pessoas não as querem enxergar. Se vocês não acreditam no que eu estou falando, quando forem discutir o orçamento dos países a que vocês pertencem, vejam quanto é destinado para combater a fome e a pobreza. Porque para isso nunca tem dinheiro, porque os famintos não protestam, eles não estão organizados em sindicatos, eles estão longe muitas vezes do centro de poder, não conseguem nem fazer passeata, não conseguem fazer protesto. Então as pessoas não se preocupam.

É justo que no primeiro quarto do século XXI, a gente esteja discutindo coisas que em 1946, um brasileiro, José de Castro, já colocava isso como um dos mais graves problemas da humanidade? Não é por excesso de chuva, nem por falta de chuva, não é por excesso de sol ou por falta de sol, é por excesso de irresponsabilidade, é por excesso de falta de compromisso que a gente não consegue exterminar a fome do planeta Terra, que já tem conhecimento genético, já tem conhecimento tecnológico, já produz mais alimento do que nós deveríamos consumir e que esse alimento não chega à casa das pessoas, porque as pessoas não têm dinheiro e não têm dinheiro que tem muita concentração de renda. E, enquanto isso, as pessoas importantes do planeta que deveriam estar preocupadas com a fome estão preocupadas com guerra. Pasmem!

Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe construir a sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito. Mas vamos supor que não se cuida de Cuba por uma perseguição ideológica.

Então, não vamos ajudar Cuba porque Cuba é um país comunista. Ajuda o Haiti que está do lado, que passa tanto ou mais fome do que Cuba e que está sendo dominado por gangues. Tem tanta gente para ser ajudada, que está esperando um gesto, um gesto desse crescimento econômico de todos os países, dessa concentração de riquezas. Algumas empresas de plataforma conseguem ganhar mais dinheiro por ano do que o PIB de muitos países.

Esse dinheiro é concentrado na mão de poucos? Quando é que a gente vai resolver isso? A gente não pode tratar a questão da fome como se fosse uma questão de ONGs, como se fosse assim: se sobrar, tem. Se não sobrar, não tem.

Tem que ser tratado como uma questão de prioridade, prioridade zero. É um direito sagrado, todo mundo tem que tomar café, almoçar e jantar todo dia. E eu acho que não existem outras coisas para a gente fazer a não ser gritar ou dar exemplo.

E aqui eu quero elogiar o meu companheiro José Graziano [ex-diretor-geral da FAO], que ajudou a criar o programa Fome Zero. Porque a gente só vai acabar com a fome quando houver determinação política. Quando tirar um pouquinho de cada área do governo, tira um pouquinho do Itamaraty, tira um pouquinho das Forças Armadas, tira um pouquinho disso e coloca um pocão para os pobres.

Mudar, inclusive, o conceito de economia. Começar a ensinar novas coisas para os economistas nas universidades. Aliás, hoje não tem nem mais economista, hoje só dá palpite na televisão representante do mercado dos fundos, que nem fala o nome do fundo, fala fundo. É como alguns jornalistas aqui no Brasil, que não se preocupam mais com a verdade, ele fala segundo a fonte, segundo alguém próximo ao presidente, segundo alguém próximo a não sei quem que estava próximo e vai contando história.

Então veja uma coisa, companheiros, o Brasil deu exemplo duas vezes, é possível acabar com a fome. É possível garantir que todo mundo tenha direito a tomar café, almoçar e jantar todo dia. É plenamente possível.

Nós terminamos com a fome pela primeira vez em 2014, ainda no mandato da presidenta Dilma. E quando eu voltei a ser presidente em 2023, já tinha 33 milhões de pessoas em situação de fome outra vez. Em dois anos e meio, a FAO reconheceu outra vez que nós acabamos com a fome outra vez.

Não é a gente incentivar a chamada agricultura de subsistência, isso é coisa do feudalismo. Ninguém quer produzir só para comer, é preciso ensinar as pessoas que eles podem produzir e ganhar dinheiro produzindo, pode produzir em quantidade e com qualidade. Não é, “vou plantar minha mandioquinha para comer, vou plantar meu milhozinho para comer”, não. Plante para comer e plante para vender. E o papel do Estado é criar política de crédito para financiar. O que é que os grandes têm tanto financiamento e a gente não pode dar financiamento para os pequenos? É apenas uma decisão.

E companheiros e companheiras, ministros e ministras, embaixadores, embaixadoras, representantes da minha querida América Latina, não é justo que depois de 525 anos ou 533 anos que fomos descobertos, a gente ainda viva sendo uma das regiões mais pobres do planeta Terra e mais injusta. Quando tinha ouro, levaram o nosso ouro, quando tinha prata, levaram a nossa prata, levaram o nosso suor com salário muito barato durante muito tempo.

Quando é que nós vamos acordar para dizer que nós não queremos submissão? Nós não queremos viver de favor, nós queremos de forma soberana dar alimentação para o nosso povo e qualquer país da América Latina e do Caribe pode dar alimentação ao nosso povo.

Nós somos a única zona do mundo de paz, a única zona de paz no planeta Terra somos nós. Aqui no Brasil, nós temos a opção de não possuir armas nucleares na nossa Constituição, porque há muito tempo a gente chegou à conclusão que aquele ditado que diz “quem quer paz se prepara para a guerra” é para quem quer fazer guerra. Nós queremos paz, porque a paz é a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance.

Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres, que mataram, e crianças, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer, “vamos reconstruir Gaza”. Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para milionário passar as férias no lugar em que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram. E muitas vezes a gente fica impassível, muitas vezes a gente vai ficando impassível e se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece.

Então meus amigos e minhas amigas, eu queria que vocês refletissem junto ao governo de vocês. A fome não é por um problema de intempéries, não é porque tem excesso de frio ou excesso de calor. A fome, ela só existe porque existe uma coisa chamada excesso de irresponsabilidade naqueles que são eleitos para ter responsabilidade.

E se o Brasil conseguiu acabar com a fome duas vezes, o mundo pode acabar, por mais pobre que seja o país, pegue um pouquinho do seu orçamento e dedique. E eu faço uma conta, os economistas que estão aqui me desmintam depois, e eu tenho falado isso em todos os auditórios que eu vou.

Imagina que esse cenário aqui é uma cidade, é um país, um país chamado auditório do Itamaraty. E nesse país moram 300 pessoas, e o orçamento desse país é de um milhão de reais. Se eu destinar esse milhão de reais para uma pessoa, para dona Janja [referência à primeira dama do Brasil, Janja Lula da Silva], que foi agora agraciada com o título de Champions, vocês vejam que eu já aprendi a falar inglês, Champions. Ninguém pode falar que eu não sou um poliglota.

Então veja, se eu pego um milhão de reais e dou só para dona Janja, que foi premiada como Champions nessa luta contra a fome, o que vai acontecer com o milhão da Dona Janja? Ela vai correr, no primeiro banquinho que tiver, vai depositar um milhão dela e vai ficar gastando os juros todo mês ou todo ano. Ou seja, então você fez apenas um benefício para uma pessoa. Agora imagina se você pega esse milhão e distribui 3.333 reais para cada um dos membros dessa cidade de 300 habitantes, o que é que iria acontecer? Todo mundo iria procurar um bar e tomar uma cerveja, todo mundo iria procurar uma padaria e comprar um pão, uma loja para comprar roupa, iria pescar, comprar um peixe na peixaria do seu André de Paula [ministro da Pesca e da Agricultura].

Ou seja, você distribuiria de forma mais justa e todo mundo usufruiria do orçamento. Seria muito simples se a gente não estivesse subordinado às orientações do FMI. Se a gente não tivesse sempre subordinado às ações do mercado, porque o mercado começa dia 1º de janeiro preocupado com o déficit fiscal e termina dia 31 de janeiro preocupado com o déficit fiscal. Ou seja, para eles não existe pobre, para eles não existe problema.

Ou seja, vamos jogar nas costas do povo pobre: ele que paga o preço. E aqui no Brasil, companheiros, aqui no Brasil, nós temos muitos problemas ainda. Quando você vê esse documentário que nós mostramos aqui, quando você vê o discurso de todo mundo, sabe, é só parte da verdade, a outra verdade é que tem muitos problemas ainda.

E que vai levar décadas para resolver. Mas se a gente não começar, a gente nunca resolve. Por isso, meu querido companheiro, diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, por isso, minha querida companheira Champions Janja Lula da Silva, por isso, companheiros ministros e ministras, representantes e chefes de delegações e companheiros da imprensa, eu quero terminar agradecendo ao papel extraordinário que a FAO ainda tem como instituição da ONU.

Porque a ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua Carta da Criação em 1945. A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras.

E não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esse conflito? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos, quando todo mundo já sabe o que vai dar naquela guerra? Quem é que não sabe o que vai acontecer naquela guerra? O Putin [Vladimir, presidente da Rússia] vai ficar com o que já conquistou. O Zelensky [Volodymyr, presidente da Ucrânia] vai se contentar com o que perdeu, e vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?

Ou seja, vocês acham normal o presidente Trump, todo dia, ficar dizendo: eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo. Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Eu tenho como distribuir alimento.

Por que ele não fala? Não era muito mais simples? E soaria melhor nos nossos ouvidos? Bem, a questão da fome está ligada a isso. A questão da fome está ligada ao fato de que os pobres do mundo são invisíveis ao olhar das máquinas burocráticas e dos chefes de Estado desse mundo. Enquanto a gente não torná-los visíveis, a gente vai continuar brigando, lutando e gritando.

Muito obrigado e parabéns, companheiros.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/as-criticas-diretas-e-indiretas-de-lula-as-novas-aventuras-imperialistas-de-trump/feed/ 2
Abates de bovinos, suínos e frangos fecham 4º tri com altas anuais https://www.ocafezinho.com/2026/02/12/abates-de-bovinos-suinos-e-frangos-fecham-4o-tri-com-altas-anuais/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/12/abates-de-bovinos-suinos-e-frangos-fecham-4o-tri-com-altas-anuais/#respond Thu, 12 Feb 2026 22:08:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225839 Abates de bovinos, suínos e frangos registram altas no 4o trimestre frente ao mesmo período do ano anterior, mas quedas na comparação trimestral

No 4° trimestre de 2025 foram abatidas 10,95 milhões de cabeças de bovinos, alta de 13,1% ante mesmo período de 2024. Já na comparação com o 3º trimestre de 2025, houve redução de 2,9%.

O abate de suínos foi de 14,77 milhões de cabeças no 4° trimestre de 2025, com aumento de 2,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e redução de 6,6% em comparação ao 3° trimestre de 2025.

Em relação ao abate de frangos, foram 1,69 bilhão de cabeças, resultado 3,9% superior ao obtido no trimestre equivalente do ano anterior, mas 0,2% menor em relação ao verificado no 3º trimestre de 2025.

Os dados são os Primeiros Resultados das Pesquisas Trimestrais da Pecuária (PRIMPEC) para o 4º trimestre de 2025, divulgados hoje (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção de 2,91 milhões de toneladas de carcaças bovinas, no 4º trimestre de 2025, foi 15,0% maior do que o produzido no mesmo trimestre do ano anterior. Na comparação trimestral, a queda foi de 1,8%.

Já o peso acumulado das carcaças de suínos registrou 1,35 milhão de toneladas no 4º trimestre de 2025, aumento de 2,1% em relação ao 4º trimestre de 2024 e redução de 9,0% em comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Em relação ao abate de frangos, o peso acumulado das carcaças foi de 3,54 milhões de toneladas no 4º trimestre de 2025, com acréscimo de 4,7% em relação ao 4º trimestre de 2024 e redução de 1,6% frente ao trimestre imediatamente anterior.

Aquisição de leite tem alta nas comparações anual e trimestral

A aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) no 4º trimestre de 2025 foi de 7,34 bilhões de litros. O valor correspondeu a um acréscimo de 8,2% em comparação ao volume registrado no 4º trimestre de 2024 e um aumento de 4,8% em comparação ao obtido no trimestre imediatamente anterior.

Aquisição de couro cresce 11,8 % em relação ao 4º trimestre de 2024

Os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro – aqueles que efetuam curtimento de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano – declararam ter recebido 11,13 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no 4º trimestre de 2025. Essa quantidade representa um acréscimo de 11,8% em comparação à registrada no 4º trimestre de 2024 e uma queda de 2,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Produção de ovos de galinha registra 1,25 bilhão de dúzias

A produção de ovos de galinha foi de 1,25 bilhão de dúzias no 4º trimestre de 2025. O resultado representou um incremento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 1,5% em comparação ao 3º trimestre de 2025.

Mais sobre a pesquisa

O IBGE realiza trimestralmente as pesquisas estatísticas oficiais da conjuntura agropecuária, sendo elas a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, a Pesquisa Trimestral do Leite, a Pesquisa Trimestral do Couro e a Produção de Ovos de Galinha. A fim de atender solicitações de usuários para acesso mais rápido às informações da conjuntura agropecuária, o IBGE passou a divulgar os primeiros resultados dessas pesquisas a partir do 1º trimestre de 2018. Eles estarão disponíveis cerca de um mês antes da divulgação geral dos dados no periódico Indicadores IBGE: Estatística da Produção Pecuária. Os dados podem ser consultados no Sidra. A próxima divulgação dos resultados completos, relativos ao 4º trimestre de 2025, será no dia 18 de março.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 12/02/2026

Por Irene Gomes – Editoria Estatísticas Econômicas

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/12/abates-de-bovinos-suinos-e-frangos-fecham-4o-tri-com-altas-anuais/feed/ 0
Brasil como potência global da carne https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/brasil-como-potencia-global-da-carne/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/brasil-como-potencia-global-da-carne/#respond Mon, 09 Feb 2026 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225572 Eficiência logística transforma produção rural em soberania comercial, permitindo resposta ágil à demanda global e quebrando recordes históricos de embarques e receita em 2025


O aroma de terra molhada e pasto se mistura, à distância, com o ar salgado do oceano. Em um ciclo que se repete diariamente, caminhões frigoríficos partem de fazendas no interior do país rumo ao litoral, carregando o produto de um esforço coletivo que vai do peão ao operador portuário. Este movimento, aparentemente simples, é a engrenagem vital de uma conquista histórica: em 2025, o Brasil não apenas confirmou seu lugar como maior produtor e exportador mundial de carne bovina, mas também quebrou todos os recordes anteriores, graças a uma infraestrutura portuária que finalmente parece dialogar com a grandeza do campo.

Os números finais do ano são a prova material desse avanço. Os terminais marítimos nacionais embarcaram impressionantes 3,45 milhões de toneladas de carne bovina, um salto de 20,9% sobre 2024. Esse volume monumental gerou uma receita de 18 bilhões de dólares para o país, um crescimento robusto de 39,31% que injeta bilhões de reais na economia nacional. Por trás de cada libra exportada, no entanto, há uma história de superação de gargalos crônicos e de uma integração logística que se tornou estratégica.

A jornada da proteína brasileira começa longe do mar. Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais foram os pilares da produção recorde. Somente Mato Grosso, sozinho, exportou quase um milhão de toneladas. Contudo, esse volume colossal só se transforma em riqueza efetiva quando consegue chegar, com rapidez e qualidade, aos navios.

Neste ponto, a evolução da infraestrutura portuária mostrou seu valor. Portos públicos e terminais privados operaram em uma sintonia fina para evitar os famigerados gargalos que por décadas limitaram o potencial exportador do agronegócio. A capacidade de escoamento se tornou um verdadeiro ativo competitivo, permitindo que o Brasil atendesse com agilidade a uma demanda internacional aquecida e diversificada.

Consequentemente, a carne nacional chegou a mais de 170 nações, consolidando mercados tradicionais e abrindo novas fronteiras. A confiança de compradores exigentes, como China e União Europeia, foi mantida não apenas pela qualidade do produto, mas também pela previsibilidade e confiabilidade do escoamento. Dessa forma, o país demonstrou que pode honrar contratos em grande escala, um fator decisivo no comércio global.

A análise dos corredores de exportação revela uma dinâmica positiva de descentralização. O Porto de Santos, em São Paulo, manteve sua liderança histórica e incontestável, movimentando 1,7 milhão de toneladas. Sua infraestrutura consolidada e conexões globais seguem sendo um pilar fundamental.

Entretanto, a grande narrativa de transformação em 2025 teve nome e sobrenome: Porto de Paranaguá. O terminal paranaense se consolidou como o principal corredor de exportação de proteína animal congelada do país, registrando um crescimento meteórico de 46,5% apenas em carne bovina, com 1,2 milhão de toneladas embarcadas. Esse avanço extraordinário reduz a pressão sobre um único ponto de saída, traz resiliência à cadeia e estimula a concorrência entre regiões.

Da mesma forma, o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, cresceu 20%, firmando-se como uma terceira via estratégica. Essa multipolaridade logística é um trunfo para o país. Ela descentraliza o desenvolvimento econômico, gera empregos em diferentes regiões litorâneas e protege as exportações de eventuais crises localizadas.

A eficiência logística provou ser um escudo contra as intempéries do comércio exterior. Durante o ano, o setor enfrentou o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos, uma medida que poderia ter corroído as margens dos exportadores. No entanto, os ganhos de produtividade nos portos, com a redução de custos de armazenagem e desburocratização, ajudaram a compensar parte desses impactos.

Além disso, a agilidade nos embarques permitiu ao Brasil explorar oportunidades em novos mercados com timing preciso. Nações do mundo árabe e do Sudeste Asiático aumentaram suas compras, diversificando a pauta e diminuindo a dependência excessiva de um único bloco econômico. Essa capacidade de adaptação é fruto de um planejamento que entende a logística como política de Estado.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou essa visão integrada. Ele afirmou que o papel do governo foi “garantir que essa mercadoria não parasse no meio do caminho”. Em suas palavras, “nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”. A fala reflete uma compreensão de que infraestrutura não é fim, mas meio para o desenvolvimento soberano.

O recorde de 2025, portanto, transcende o agronegócio. Ele é um caso claro de como investimentos públicos planejados em infraestrutura crítica criam as condições para que a iniciativa privada e os trabalhadores do campo e do porto alcancem seu potencial máximo. Trata-se de um ciclo virtuoso onde o Estado, ao cumprir seu papel indutor, permite que a riqueza gerada no interior flua e se multiplique.

Portanto, a liderança global na carne bovina é um símbolo de algo maior. Ela representa a capacidade de um país periférico organizar sua produção e sua logística para competir em pé de igualdade no cenário mundial. A história se escreve não apenas nas planícies do Centro-Oeste, mas também nos píeres modernizados de Paranaguá, Santos e São Francisco do Sul. Cada contêiner embarcado com sucesso carrega, além de proteína, a prova de que soberania alimentar e soberania logística são dois lados da mesma moeda. O desafio agora é replicar esse modelo de sucesso para outras cadeias produtivas, democratizando os frutos do crescimento e firmando um projeto nacional de desenvolvimento inclusivo.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/brasil-como-potencia-global-da-carne/feed/ 0
Como os portos levaram a carne brasileira ao recorde https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/como-os-portos-levaram-a-carne-brasileira-ao-recorde/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/como-os-portos-levaram-a-carne-brasileira-ao-recorde/#respond Sun, 08 Feb 2026 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225573 Portos impulsionam exportação recorde de carne bovina e consolidam liderança do Brasil em 2025

O Brasil fechou 2025 com um feito impressionante no agronegócio. O país se firmou como o maior exportador mundial de carne bovina, deixando os Estados Unidos para trás. Esse sucesso veio acompanhado de números históricos: volumes nunca vistos e receitas que bateram recordes. No entanto, o verdadeiro motor dessa conquista muitas vezes passa despercebido. São os portos brasileiros que garantiram o escoamento eficiente dessa produção gigante.

Tudo começou no coração do país. Estados do Centro-Oeste e do Sudeste impulsionaram a oferta ao longo do ano. Mato Grosso liderou com 978,4 mil toneladas exportadas. Goiás veio em seguida, com 508,1 mil toneladas. Mato Grosso do Sul contribuiu com 450,1 mil toneladas, e Minas Gerais fechou o grupo de frente com 324,6 mil toneladas.

Produção avança no interior e exige logística ágil

Esse crescimento exigiu uma resposta imediata da cadeia logística. Os portos absorveram o fluxo intenso sem travar. Assim, o Brasil embarcou 3,45 milhões de toneladas de carne bovina em 2025. O aumento chegou a 20,9% comparado a 2024. Além disso, a receita saltou para 18 bilhões de dólares, cerca de 95 bilhões de reais. Esse valor representa um salto de 39,31% em relação ao ano anterior.

A infraestrutura portuária fez a diferença. Terminais do Sul e do Sudeste ampliaram operações e investiram em agilidade. Eles garantiram que a carne chegasse fresca e no prazo a mais de 170 países. Mercados exigentes, como China e União Europeia, continuaram comprando volumes expressivos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou o papel estratégico dessa rede. Ele afirmou que os portos deixaram de ser meros pontos de passagem. Agora, eles atuam como elos essenciais do desenvolvimento econômico.

“O agronegócio brasileiro, puxado por estados como Mato Grosso e São Paulo, mostrou sua força ao bater recordes de produção. O nosso papel foi garantir que essa mercadoria não parasse no meio do caminho. O crescimento de Paranaguá e o desempenho sólido de Santos mostram que nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”, avaliou o ministro.

Em outra ocasião, Costa Filho reforçou: “Nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”.

Essa visão valoriza o investimento público e a parceria com o setor privado. Dessa forma, o país fortalece a competitividade sem depender apenas de incentivos fiscais.

O Porto de Santos continuou no topo. O complexo paulista movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina. Isso representa um aumento de 13,3% em relação a 2024. A posição consolidada reflete décadas de investimentos e eficiência operacional.

Por outro lado, o Porto de Paranaguá, no Paraná, roubou a cena. O terminal registrou um salto impressionante de 46,5% no segmento bovino. Ao todo, embarcou 1,2 milhão de toneladas. Assim, ele se consolidou como o maior corredor de exportação de proteína animal congelada do país, incluindo bovina, suína e de frango.

Essa diversificação traz benefícios claros. O Brasil reduz a dependência de um único porto. Consequentemente, ganha resiliência contra imprevistos e baixa custos operacionais.

Outro destaque veio do Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O terminal cresceu 20% e movimentou 180 mil toneladas. Esses avanços mostram que a estratégia de múltiplas portas de saída funciona.

O ano não foi fácil no cenário global. Barreiras comerciais surgiram, como tarifas impostas pelos Estados Unidos. Elas poderiam ter freado o ritmo. No entanto, a eficiência nos portos compensou parte desses obstáculos. Agilidade nos embarques e custos controlados ajudaram a manter margens.

Além disso, o Brasil diversificou destinos. Países do mundo árabe e da Ásia ganharam peso na pauta. Essa expansão diminui riscos de concentração e fortalece a posição negociadora do país.

O sucesso de 2025 vai além dos números. Investimentos em portos e corredores logísticos criam efeitos positivos em cascata. Eles beneficiam desde o pequeno produtor até o grande exportador. Assim, geram emprego, renda e desenvolvimento regional.

O recorde da carne bovina demonstra o poder da integração. Produção forte no campo aliada a logística eficiente nos portos transforma potencial em resultados concretos. O Brasil ganha soberania econômica e protagonismo no comércio global.

Enquanto o agronegócio avança, fica claro que infraestrutura pública bem gerida impulsiona o crescimento inclusivo. Esse modelo merece continuar. Ele prova que planejamento e coordenação entregam vitórias reais para o país.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/como-os-portos-levaram-a-carne-brasileira-ao-recorde/feed/ 0
Novo capítulo na história do agronegócio https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/novo-capitulo-na-historia-do-agronegocio/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/novo-capitulo-na-historia-do-agronegocio/#respond Sat, 07 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225574 Eficiência portuária permitiu ao Brasil exportar volumes históricos de carne bovina, ampliar receitas e consolidar liderança global em um cenário internacional adverso

Enquanto o mundo enfrentava turbulências comerciais e rearranjos geopolíticos, o Brasil silenciosamente construía um marco histórico nas planícies do Centro-Oeste e nos cais dos portos. Em 2025, o país não apenas confirmou sua liderança global na exportação de carne bovina, ultrapassando definitivamente os Estados Unidos, como também registrou números que redefinem parâmetros do setor. Por trás desse feito, no entanto, esconde-se um verdadeiro herói coletivo: a infraestrutura portuária nacional, que transformou produção em soberania econômica.

Os números impressionam por sua magnitude e consistência. Ao longo do ano passado, os terminais brasileiros embarcaram 3,45 milhões de toneladas de carne bovina, um salto de 20,9% comparado a 2024. Contudo, o aspecto mais revelador reside na receita gerada: 18 bilhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 95 bilhões de reais. Esse valor representa um crescimento de 39,31% frente aos 12,8 bilhões de dólares do exercício anterior. Portanto, o Brasil não apenas exportou mais volume, mas também agregou valor significativo à sua pauta comercial, demonstrando maturidade de mercado e capacidade de negociação.

O caminho da carne bovina até os mercados internacionais começa nas fazendas do interior profundo. Mato Grosso liderou com folga as exportações estaduais, respondendo por 978,4 mil toneladas embarcadas durante o ano. Logo depois, apareceram Goiás com 508,1 mil toneladas, Mato Grosso do Sul com 450,1 mil e Minas Gerais com 324,6 mil toneladas. Juntos, esses estados formaram a espinha dorsal produtiva que abasteceu o mundo.

Entretanto, volume expressivo exigia estrutura logística à altura. Nesse momento, os portos do Sul e Sudeste assumiram protagonismo estratégico. Terminais como Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul adaptaram operações, ampliaram horários e investiram em tecnologia para absorver o fluxo crescente sem criar gargalos. Assim, a carne brasileira alcançou mais de 170 países, incluindo mercados extremamente exigentes como China e União Europeia. A capacidade de cumprir rigorosos padrões sanitários e prazos logísticos apertados consolidou a reputação do produto nacional além-fronteiras.

Portos como eixos do desenvolvimento nacional

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados de 2025 validam uma visão de longo prazo sobre infraestrutura. “O agronegócio brasileiro, puxado por estados como Mato Grosso e São Paulo, mostrou sua força ao bater recordes de produção. O nosso papel foi garantir que essa mercadoria não parasse no meio do caminho. O crescimento de Paranaguá e o desempenho sólido de Santos mostram que nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”, afirmou o ministro.

Em outra declaração, Costa Filho reforçou a mensagem de confiança na capacidade logística nacional: “Nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”. Essa postura revela uma mudança de paradigma: os portos deixaram de ser meros pontos de passagem para se tornarem verdadeiros motores de desenvolvimento regional. Ao integrar investimentos públicos e privados, o Estado criou condições para que o setor produtivo ampliasse competitividade sem depender exclusivamente de benefícios fiscais.

Diversificação logística fortalece resiliência

O Porto de Santos manteve sua posição histórica como principal porta de saída do agronegócio brasileiro. Em 2025, o complexo paulista movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, crescendo 13,3% em relação ao ano anterior. Contudo, o grande destaque ficou para o Porto de Paranaguá, no Paraná. O terminal se consolidou como o maior corredor de exportação de proteína animal congelada do país, incluindo carnes bovina, suína e de frango. Somente no segmento bovino, Paranaguá registrou aumento impressionante de 46,5%, atingindo 1,2 milhão de toneladas embarcadas.

Além disso, o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, emergiu como terceira via estratégica para o setor. O terminal registrou alta de 20% nos embarques, totalizando 180 mil toneladas movimentadas ao longo do ano. Essa diversificação geográfica traz benefícios concretos: reduz custos logísticos, diminui vulnerabilidades a eventuais interrupções e amplia a capacidade de resposta a flutuações do mercado internacional. Portanto, o Brasil construiu não apenas volume, mas também resiliência sistêmica.

Infraestrutura como escudo contra protecionismo

O ambiente comercial global em 2025 exigiu mais do que eficiência operacional. O setor enfrentou desafios significativos, incluindo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. Diante desse cenário, a agilidade nos embarques e a redução de custos portuários funcionaram como amortecedores estratégicos. Assim, o Brasil não apenas manteve seus volumes exportados, mas também ampliou receitas e conquistou novos mercados.

Países do mundo árabe e da Ásia ganharam relevância crescente como destinos estratégicos. Essa diversificação reduz a dependência de poucos compradores e fortalece a posição negociadora brasileira em acordos futuros. Sobretudo, o caso de 2025 demonstra como investimentos contínuos em infraestrutura geram efeitos distributivos positivos por toda a cadeia produtiva. Desde o pequeno pecuarista até o grande exportador, todos se beneficiam de portos eficientes e corredores logísticos integrados.

O recorde da carne bovina, portanto, transcende toneladas embarcadas ou bilhões faturados. Ele revela uma lição fundamental: quando o Estado investe estrategicamente em infraestrutura pública, cria condições para que o potencial produtivo se transforme em soberania econômica real. Nesse sentido, cada contêiner que deixou os portos brasileiros em 2025 carregava não apenas carne, mas também a possibilidade de um desenvolvimento mais justo, diversificado e soberano para toda a nação.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/novo-capitulo-na-historia-do-agronegocio/feed/ 0
Setor da soja do Brasil abandona pacto ambiental na Amazônia https://www.ocafezinho.com/2026/01/06/setor-da-soja-do-brasil-abandona-pacto-ambiental-na-amazonia/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/06/setor-da-soja-do-brasil-abandona-pacto-ambiental-na-amazonia/#respond Tue, 06 Jan 2026 11:54:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224138 Monitorado por satélite desde 2006, o acordo impedia a compra de soja de áreas desmatadas e era visto como referência global

Em um movimento que surpreendeu observadores ambientais e ameaça reverter anos de esforços contra o desmatamento, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou nesta segunda-feira (5) o fim da chamada Moratória da Soja, acordo voluntário firmado em 2006. Pelo compromisso, as empresas do setor se obrigavam a não comercializar soja proveniente de áreas da Amazônia desmatadas a partir de 2008.

As companhias representadas pela Abiove atuam nos segmentos de processamento, industrialização e comércio de soja – elos centrais da cadeia agroindustrial brasileira. Embora a entidade tenha rompido com o pacto, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmou que permanece fiel ao compromisso ambiental. O governo federal, por sua vez, havia apoiado o acordo desde sua criação, ao lado de organizações da sociedade civil.

Pressão legislativa e batalha jurídica no Mato Grosso
Nos bastidores, pressões políticas e econômicas têm moldado esse desmonte. Recentemente, entrou em vigor no Mato Grosso uma lei estadual que impede empresas signatárias de acordos ambientais voluntários – como a Moratória – de acessarem benefícios fiscais. A justificativa oficial alega que tais compromissos criam “entraves” além do que exige a legislação ambiental.

Leia também: México deve repensar relação política com EUA

Contudo, a norma está sob forte contestação. Partidos políticos entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que o Estado não pode restringir iniciativas voluntárias de proteção ambiental. Em resposta, o STF concedeu uma liminar suspendendo a lei – medida que perdeu validade em 31 de dezembro de 2025. Diante do risco iminente de retomada da norma, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao STF a prorrogação da suspensão.

Especialistas alertam para aumento do desmatamento
Enquanto a disputa jurídica avança, as consequências ambientais já preocupam cientistas. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) estima que, sem a Moratória da Soja, o desmatamento na região pode crescer até 30% até 2045. Esse cenário comprometeria diretamente as metas climáticas do Brasil, conhecidas como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), assumidas no âmbito do Acordo de Paris.

“Esse acordo foi um dos pilares do combate ao desmatamento na Amazônia nos últimos 20 anos”, afirma uma pesquisadora do Ipam, em condição de anonimato. “Seu fim representa um retrocesso não apenas ambiental, mas também ético e econômico – afinal, o agronegócio depende de estabilidade climática para prosperar.”

A reportagem procurou a Abiove para entender os motivos da decisão e saber se há planos alternativos de sustentabilidade. Até a publicação desta matéria, a entidade não havia se manifestado. Esse silêncio contrasta com a urgência do momento e com a expectativa de transparência que a sociedade exige das grandes corporações.

A saída da Abiove da Moratória da Soja não apenas fragiliza um dos mais bem-sucedidos mecanismos de governança ambiental do país, como também pode abrir caminho para que outras cadeias produtivas repitam o movimento. Enquanto isso, comunidades tradicionais, povos indígenas e defensores da floresta seguem na linha de frente – agora com menos aliados institucionais.

A luta pela Amazônia, portanto, ganha um novo e preocupante capítulo. E, desta vez, o alvo não está apenas nas motosserras, mas também nas salas de reunião de quem, até pouco tempo, se dizia comprometido com o futuro do planeta.

Com informações de Sputnik*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/06/setor-da-soja-do-brasil-abandona-pacto-ambiental-na-amazonia/feed/ 0
Feira Cícero Guedes destaca produção agroecológica no Rio https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/feira-cicero-guedes-destaca-producao-agroecologica-no-rio/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/feira-cicero-guedes-destaca-producao-agroecologica-no-rio/#respond Mon, 08 Dec 2025 16:22:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222735 A programação inclui homenagem póstuma a Eunice Paiva, debates sobre reforma agrária, alimentação saudável e defesa da natureza, além da entrega da Medalha Pedro Ernesto

A cidade do Rio de Janeiro recebe, entre os dias 8 e 10 de dezembro, a 16ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST). O evento acontece no Centro do Rio de Janeiro, no Largo da Carioca, por onde circulam, diariamente, mais de mil pessoas. A comercialização dos produtos agroecológicos começará a partir das 8h, durante todos os dias do evento. No local, o público encontrará grande diversidade de produtos in natura, como frutas, legumes e verduras sem agrotóxicos, alimentos agroindustrializados, artesanato, sementes, fitoterápicos, manifestações artísticas e da cultura popular, além da distribuição de duas mil mudas de plantas, como parte das ações da Jornada da Natureza. As mudas foram doadas pela Fiocruz (Campus Mata Atlântica), Cedae e Cooperar.

O evento, executado pela Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (Esesf), contará com a participação de 120 expositores e expositoras, vindos de assentamentos das regiões Lagos, Norte/Noroeste, Sul e Baixada Fluminense, além de cooperativas de outros estados, como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, organizadas pelo MST. A Culinária da Terra também estará presente com seis cozinhas. A edição de 2025 traz o lema “Reforma Agrária Popular: semear a terra, alimentar os povos, defender a vida”.

“As feiras estaduais têm como objetivo principal pautar a urgência do projeto de Reforma Agrária Popular como instrumento de democratização do acesso à terra e de garantia de vida digna às famílias camponesas. Também queremos aproximar o campo da cidade, apresentando toda essa produção orgânica, saudável e deliciosa para quem passar pelo Largo da Carioca nos próximos dias”, comentou Livea Cristina Rodrigues, da direção estadual do MST no Rio e coordenadora da Esesf.

A feira traz uma seleção de pratos que representam a diversidade da culinária popular e da produção agrícola das regiões. Entre as opções, estarão preparos tradicionais como cuscuz, arroz carreteiro e vaca atolada; receitas criativas à base de mandioca, incluindo bolos, caldos, escondidinhos e empadas; pratos internacionais como lasanha com banana-da-terra, empanadas e patacones; além de doces e bebidas artesanais, como rabanadas com pães veganos produzidos nos assentamentos, geleias caseiras, sucos naturais e café orgânico.

“São os agricultores familiares que produzem os alimentos que chegam todos os dias às mesas das famílias brasileiras e nós precisamos valorizar esse trabalho fundamental para a sociedade. As feiras representam a construção de um espaço de luta e de expressão da identidade camponesa e da cultura popular aqui no Rio, que se manifesta pela organização das famílias e da produção, na diversidade de alimentos saudáveis, na troca de saberes e no cuidado com a terra”, ressalta a vereadora Maíra do MST.

Reconhecimento institucional

A Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio através de lei da deputada Marina do MST. O evento do MST acontece desde 2010 na capital fluminense e oferece à população cerca de 45 toneladas de alimentos agroecológicos livres de agrotóxicos, produzidos por camponeses, agricultores urbanos e empreendedores da Economia Solidária de todo o país.

“O reconhecimento da Feira da Reforma Agrária Cícero Guedes é uma conquista para todas as famílias assentadas e acampadas, para os pequenos agricultores do campo e da cidade, e também para a própria população carioca, que tem a oportunidade de levar para casa alimentos com qualidade e história. É lindo ver esse encontro, que vai além da comida”, disse a deputada.

No âmbito do município do Rio, a feira foi declarada como de interesse cultural e social, através da Lei 5.999/15, e integra o calendário oficial da cidade, pela Lei 6.218/17, ambas do então vereador Renato Cinco (PSOL).

Homenagem póstuma a Eunice Paiva

A programação também inclui a solenidade “Defender a memória é alimentar a utopia”, que fará uma homenagem póstuma a Eunice Paiva no dia 9/12 (terça-feira), às 16h, com a entrega da Medalha Pedro Ernesto, maior honraria da Câmara Municipal do Rio. O prêmio será recebido por Chico Rubens Paiva, neto da advogada. Eunice Paiva ganhou notoriedade após o lançamento do filme “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles, que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional de 2025. Interpretada por Fernanda Torres, Eunice teve papel central na busca por informações sobre o paradeiro do marido, o deputado Rubens Paiva, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar. A viúva se tornou símbolo da luta contra o regime e foi uma das pioneiras na defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil.

Debates e seminários

A 16ª Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes também vai promover seminários e debates sobre temas da atualidade. No dia 8/12, a mesa “Reforma Agrária Popular na Atualidade – A luta por Terra e Território” discutirá os avanços, desafios e perspectivas da reforma agrária no Brasil, apresentando dados atuais sobre a questão agrária no país e os direitos das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

No dia 9/12, o seminário “Alimentação saudável e combate à fome: avanços e desafios” buscará refletir sobre o contexto atual da fome e da insegurança alimentar no Brasil, destacando elementos fundamentais para a recente conquista da saída do país do Mapa da Fome da ONU, a exemplo das ações realizadas por movimentos sociais como estratégias para enfrentar a crise alimentar no território fluminense.

No dia 10/12, o debate “Defender a vida e a natureza para a construção de uma nova sociedade” irá abordar a defesa dos bens comuns da natureza e da vida frente à lógica exploratória e destrutiva do capitalismo, que transforma territórios e recursos naturais em mercadoria. A mesa aponta alternativas sustentáveis construídas por povos tradicionais e movimentos sociais para a conservação ambiental e a justiça socioecológica.

Feira homenageia militante histórico

O evento leva o nome do militante Cícero Guedes, assassinado em 2013. Dedicado à luta pela terra no estado do Rio, ele foi um dos idealizadores da feira em Campos dos Goytacazes, onde era assentado e produzia usando técnicas agrícolas que o tornaram referência na região devido ao seu conhecimento agroecológico. Cícero foi, ainda, um importante colaborador em projetos de pesquisa e extensão da Universidade Estadual do Norte Fluminense. A Feira ganhou amplitude estadual alguns anos depois de sua criação. Após a morte do militante, recebeu o nome de Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, como forma de homenagear sua vida e luta pela Reforma Agrária.

SERVIÇO:
Evento: 16ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes
Data: 8, 9 e 10 de dezembro
Hora: das 8h às 20h
Local: Largo da Carioca – Centro do Rio

Programação Completa

Via Rio Carta*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/feira-cicero-guedes-destaca-producao-agroecologica-no-rio/feed/ 0
Brasil abre novos mercados no Japão, Singapura, Coreia do Sul, Egito e Índia https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/brasil-abre-novos-mercados-no-japao-singapura-coreia-do-sul-egito-e-india/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/brasil-abre-novos-mercados-no-japao-singapura-coreia-do-sul-egito-e-india/#respond Wed, 22 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219676 Com os anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 460 novas oportunidades desde o início de 2023. Ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores informam que 37% dos novos mercados abertos no exterior durante esse período se concentraram na Ásia

O governo brasileiro informa a abertura de mercados para a exportação de castanha-do-Brasil para o Japão, de ovos processados para Singapura, de heparina purificada suína para a Coreia do Sul, de carne de patos e outras aves e carne de coelho para o Egito e de derivados de ossos bovinos para produção de gelatina, chifres e cascos para uso industrial à Índia.

O Japão, com cerca de 124 milhões de habitantes, importou mais de US$3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, em 2024, e demanda ingredientes de alta qualidade para panificação, confeitaria e aperitivos, nicho em que a castanha-do-Brasil se destaca pelo teor de selênio. A abertura gera ganhos para produtores e processadores brasileiros, além de ampliar o leque de fornecedores para a indústria japonesa.

Já para Singapura, as autoridades sanitárias do país autorizaram a exportação de ovos processados do Brasil. O país asiático, com mais de 6 milhões de habitantes, importa mais de 90% dos alimentos que consome. Nesse contexto, o consumo do setor de hotéis e restaurantes demanda insumos padronizados, como ovos processados, que oferecem maior vida-de-prateleira e estabilidade operacional.

A Coreia do Sul autorizou a exportação de heparina purifica suína do Brasil, utilizada como insumo farmacêutico ativo em medicamentos anticoagulantes. O país, com mais de 51 milhões de habitantes, importou quase US$3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no último ano, com destaque para complexo soja, complexo sucroalcooleiro, cereais, farinhas e preparações.

Vale destacar que, de janeiro a setembro deste ano, as aberturas de mercado para o continente asiático corresponderam a 37% do acumulado de 2025.

Para o Egito, parceiro relevante do Brasil em proteínas animais, as autoridades sanitárias do país autorizaram a exportação de carne de patos e outras aves, bem como de carne de coelho. O país tem ampliado compras de aves brasileiras em diversos ciclos, em razão de reconhecimento da certificação halal e da previsibilidade do abastecimento.

Em missão do vice-presidente da República à Índia, ficou acordada a exportação de derivados de ossos bovinos, de chifres e de cascos, o que deve contribuir para a economia circular e para a agregação de valor ao complexo pecuário brasileiro. Esses subprodutos têm usos industriais múltiplos, tais como matéria-prima para gelatina, além de insumos para a indústria têxtil.

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 460 novas oportunidades desde o início de 2023.

Os resultados reforçam a estratégia de diversificação de destinos e de produtos, incluindo itens de maior valor agregado e são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Publicado originalmente pela Agência Gov em 21/10/2025

Por Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério das Relações Exteriores

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/brasil-abre-novos-mercados-no-japao-singapura-coreia-do-sul-egito-e-india/feed/ 0
Famílias produtoras rurais de Quatis (RJ) são regularizadas pelo INCRA e terão acesso a créditos do Governo Federal https://www.ocafezinho.com/2025/10/16/familias-produtoras-rurais-de-quatis-rj-sao-regularizadas-pelo-incra-e-terao-acesso-a-creditos-do-governo-federal/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/16/familias-produtoras-rurais-de-quatis-rj-sao-regularizadas-pelo-incra-e-terao-acesso-a-creditos-do-governo-federal/#respond Thu, 16 Oct 2025 22:43:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219421 Regularização garante acesso a financiamento inicial de R$ 8 mil e qualifica para obtenção de crédito rural em editais futuros

Quarenta e cinco famílias produtoras rurais tiveram sua situação fundiária regularizada nesta terça-feira (15/10) pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), no município de Quatis, no Sul Fluminense. Elas fazem parte do Assentamento Irmã Dorothy e passam, a partir de agora, a integrar formalmente o Programa Nacional de Reforma Agrária, com a assinatura dos Contratos de Concessão de Uso (CCU). A medida garante segurança jurídica sobre a área e amplia o acesso a políticas públicas voltadas à produção rural.

Entre as beneficiárias, está Ana Lucia Lopes de Carvalho, 55, que conta que, com a documentação e o apoio inicial, vai investir na plantação de mandioca para produção de farinha. “Esse sempre foi meu sonho. Agora, posso ter meus coqueiros e tocar minha vida no meu lote, esse sempre foi meu sonho”, disse.

Também foram assinados contratos de apoio inicial no valor de R$ 8 mil por família, com desconto de 90% no valor a ser restituído pelos beneficiários. A superintendente regional do INCRA Maria Lúcia de Pontes explicou que outros créditos (como fomento, fomento mulher e habitação) poderão ser disponibilizados posteriormente, a partir da apresentação de projetos em editais de fomento.

“Foi um processo realmente longo, com muitas etapas. Primeiro tinha uma ação civil pública, depois uma resistência ao edital de famílias. Isso só foi possível com a superação de entraves administrativos e jurídicos que vinham se acumulando ao longo dos anos. A partir de agora, as famílias poderão acessar outras linhas de crédito, mediante a apresentação de projetos, seguindo os critérios e prazos estabelecidos nos editais de fomento”, explicou.

O processo de seleção para as famílias beneficiadas com os lotes foi feito através de edital do Governo Federal, que analisou os pedidos de acordo com a composição familiar, a experiência com agroecologia e a moradia no local. Ao todo, a área mede 1.033 hectares, o equivalente a mais de mil campos de futebol, divididos entre lotes e áreas de preservação ambiental. Desde 2005, a área era ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que conseguiram a desapropriação do terreno em 2015.

A deputada Marina do MST (PT), dirigente nacional do movimento, acompanhou o processo de ocupação da terra desde o início. “Apesar de todos os entraves, as famílias nunca desistiram. E isso só foi possível porque o movimento organizou essas famílias e fez um trabalho de base para conscientizá-las sobre o que é garantido na nossa Constituição Federal sobre a destinação para a reforma agrária das terras que não cumpre sua função social, como era o caso dessa fazenda”, explicou a parlamentar responsável por articular o lançamento do edital junto ao INCRA.

A regularização fundiária em Quatis garante segurança jurídica, dignidade e o primeiro passo rumo à autonomia produtiva das famílias assentadas / Fotos: Fernanda Pierucci

Além das famílias que já viviam no local, o edital contemplou outros inscritos que cumpriram a pontuação necessária, dentre eles Joaquim José Alves, conhecido como Scooby. Sua história se confunde com a própria história da fazenda: ele nasceu e foi criado no local, onde sua família trabalhou por gerações.

“Minha família foi toda nascida aqui. Meus avós, meu pai… Eu também trabalhei com ele nessa fazenda. Hoje é um sonho realizado ter o meu lote. Quero plantar verdura, milho, mandioca e fazer meus queijos. É o que eu sempre quis, progredir com o que é meu”, contou.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/16/familias-produtoras-rurais-de-quatis-rj-sao-regularizadas-pelo-incra-e-terao-acesso-a-creditos-do-governo-federal/feed/ 0
China para de comprar soja dos EUA e Brasil é visto como ameaça aos agricultores norte-americanos https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/china-para-de-comprar-soja-dos-eua-e-brasil-e-visto-como-ameaca-aos-agricultores-norte-americanos/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/china-para-de-comprar-soja-dos-eua-e-brasil-e-visto-como-ameaca-aos-agricultores-norte-americanos/#respond Wed, 08 Oct 2025 21:11:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218897 A China interrompeu as importações de soja dos Estados Unidos desde maio, após impor tarifa de 20% sobre o produto em retaliação ao tarifaço de Trump, e tem favorecido países da América do Sul no mercado global. Enquanto os EUA praticamente não registraram vendas para os chineses entre junho e agosto, o Brasil bateu recordes de exportação no mesmo período, segundo a Federação de Fazendeiros (American Farm Bureau) e associações agrícolas.

O cenário é visto por produtores americanos como um sinal claro de que Brasil e Argentina estão se consolidando como “substitutos” dos EUA no fornecimento da China. A soja continua sendo um dos principais itens de exportação dos EUA, mas agora enfrenta forte concorrência sul-americana.

Para amenizar os prejuízos dos agricultores, o governo de Donald Trump planeja anunciar em breve um pacote de ajuda, estimado entre US$ 10 bilhões e US$ 14 bilhões. Enquanto isso, o setor pede urgência nas negociações com a China, visto que “os EUA não fizeram nenhuma venda da nova safra para o maior comprador mundial de soja”.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/china-para-de-comprar-soja-dos-eua-e-brasil-e-visto-como-ameaca-aos-agricultores-norte-americanos/feed/ 0
Agricultura americana afunda sob tarifas e políticas ideológicas https://www.ocafezinho.com/2025/09/27/agricultura-americana-afunda-sob-tarifas-e-politicas-ideologicas/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/27/agricultura-americana-afunda-sob-tarifas-e-politicas-ideologicas/#respond Sat, 27 Sep 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218194 Agricultores familiares veem mercados se fecharem, dívidas crescerem e geração de fazendas se perder, sob o peso da política de Trump

Enquanto os mercados financeiros celebram recordes de riqueza e o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos avança a taxas robustas, um drama silencioso se desenrola nos campos do Meio-Oeste e das Grandes Planícies. Milhares de agricultores familiares — a espinha dorsal histórica da produção agrícola norte-americana — estão à beira do colapso. A safra de soja de 2025, que deveria representar esperança e sustento, transformou-se em um símbolo de ruína econômica, frustração política e abandono institucional. E por trás dessa crise não está apenas o clima extremo ou a volatilidade dos mercados globais: está a política tarifária impulsiva, nacionalista e profundamente ideológica do governo Trump — um legado que continua a envenenar a economia rural do país.

A verdade é cruel: os produtores de soja dos EUA estão sendo sacrificados no altar do protecionismo de fachada e da retórica belicista da extrema direita americana. Enquanto políticos em Washington bradam contra “inimigos externos” e promovem guerras comerciais como se fossem batalhas patrióticas, são os agricultores — muitos deles republicanos tradicionais — que pagam o preço mais alto. Perderam seu principal mercado, a China, não por falhas de competitividade, mas por decisões políticas unilaterais que ignoraram décadas de interdependência comercial construída com esforço, diplomacia e pragmatismo.

Leia também:
Khamenei rejeita diálogo com EUA e afirma riscos ao Irã
Síria admite ‘medo de Israel’
Excesso de IA cansa equipes e atrasa resultados

Hoje, a soja norte-americana apodrece em silos porque simplesmente não há compradores. O preço despencou de US$ 12 para US$ 10 por bushel, e mesmo assim muitos produtores se recusam a vender, sabendo que cada grão comercializado representa um prejuízo direto. No Tennessee, as perdas podem chegar a US$ 110 milhões só em 2025.

No Dakota do Norte, agricultores como Mike Appert confessam: “Vamos testemunhar o que acontece quando você tem um monte de grãos e nenhum cliente”. A frase é simples, mas carrega o peso de uma geração inteira de fazendeiros que pode desaparecer — não por incompetência, mas por políticas econômicas deliberadamente hostis ao comércio justo e à cooperação internacional.

A ironia é amarga. Enquanto famílias rurais afundam em dívidas — com falências agrícolas subindo 55% em um ano —, a riqueza das famílias mais abastadas nos EUA atinge um recorde histórico de US$ 176,3 trilhões. O crescimento do PIB beneficia Wall Street, o mercado imobiliário e os detentores de capital, mas ignora por completo os que produzem o alimento que sustenta a nação.

Essa não é apenas uma crise agrícola; é um retrato vívido da desigualdade estrutural que a agenda da extrema direita alimenta: protege corporações e elites financeiras, enquanto abandona os trabalhadores do campo, os pequenos produtores e as comunidades rurais.

E pior: a ajuda governamental é insuficiente, tardia e claramente instrumentalizada. Os pagamentos de emergência do USDA são vistos pelos próprios agricultores como paliativos que não resolvem a raiz do problema. “Eles ignoraram nossas perguntas”, denuncia Chad Johnson, de Dakota do Sul. “Precisamos de ajuda agora — ou acabar com as tarifas, ou chegar a um acordo comercial.” A frustração é generalizada, e não é difícil entender por quê. Enquanto Trump e seus aliados usam a agricultura como moeda de troca em jogos geopolíticos, os produtores veem suas vidas desmoronarem. Caleb Ragland, presidente da Associação Americana de Soja, foi claro em carta ao ex-presidente: “Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente.”

Aqui reside o cerne da crítica de esquerda: a política tarifária de Trump não foi apenas econômica — foi ideológica. Baseada em uma visão ultranacionalista, xenofóbica e profundamente antidemocrática do comércio global, ela tratou países como a China não como parceiros potenciais, mas como inimigos a serem derrotados.

Ignorou-se que o comércio não é um jogo de soma zero, e que a interdependência entre nações — quando guiada por regras justas e multilaterais — pode gerar prosperidade compartilhada. Em vez disso, optou-se pela confrontação, pelo isolamento e pela ilusão de que “comprar americano” resolveria problemas estruturais da economia.

O resultado? Um setor agrícola desmantelado, jovens deixando o campo, fazendas familiares desaparecendo e uma base produtiva que sustentou gerações agora ameaçada de extinção. Mike Dobesh, de Nebraska, resume com dor: “Se não gerar fluxo de caixa agora, como conseguirei financiamento para o próximo ano?” A pergunta ecoa como um lamento coletivo — e uma acusação implícita contra uma classe política que prefere discursos inflamados a políticas concretas.

Do ponto de vista progressista, a solução não está em mais protecionismo, nem em fechar fronteiras, mas em reconstruir pontes. Em retomar negociações comerciais baseadas no respeito mútuo, em fortalecer instituições multilaterais como a OMC (mesmo com suas falhas), e em priorizar os interesses dos trabalhadores — rurais e urbanos — sobre os caprichos geopolíticos de líderes autoritários. A soberania econômica não se constrói com muros tarifários, mas com justiça social, cooperação internacional e políticas públicas que protejam os mais vulneráveis.

A crise da soja é, portanto, um microcosmo da falência moral e prática da extrema direita americana. Ela mostra que, quando a política se subordina ao nacionalismo agressivo e à lógica do confronto permanente, são sempre os de baixo que sofrem. Enquanto isso, os verdadeiros beneficiários — grandes corporações, especuladores financeiros e elites políticas — seguem intocáveis, celebrando “vitórias” que só existem nos holofotes da propaganda.

Chegou a hora de dizer basta. Basta de sacrificar agricultores em nome de uma ideologia que não os representa. Basta de tarifas que empobrecem o campo enquanto enriquecem o capital. E basta de uma política externa que confunde bravata com estratégia.

A esquerda deve levantar a voz não apenas em defesa dos direitos urbanos, mas também daqueles que, no silêncio dos campos, continuam alimentando uma nação que os esqueceu. A soberania alimentar, a justiça climática e a dignidade do trabalho rural exigem nada menos do que uma ruptura com o legado destrutivo de Trump — e com a visão de mundo que o produziu.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/27/agricultura-americana-afunda-sob-tarifas-e-politicas-ideologicas/feed/ 0
Pecuária e aquicultura batem recorde e geram R$ 132,8 bi em 2024 https://www.ocafezinho.com/2025/09/19/pecuaria-e-aquicultura-batem-recorde-e-geram-r-1328-bi-em-2024/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/19/pecuaria-e-aquicultura-batem-recorde-e-geram-r-1328-bi-em-2024/#respond Fri, 19 Sep 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217657 Valor da produção da pecuária e da aquicultura chega a R$ 132,8 bilhões em 2024, com recorde nas produções de leite, ovos de galinha e mel

O valor de produção na PPM 2024 chegou à marca de R$ 132,8 bilhões, alta de 8,8% em relação ao ano anterior. Os produtos de origem animal levantados na pesquisa (leite de vaca, ovos de galinha e de codorna, mel, casulos-do-bicho-da-seda.) atingiram R$ 121,1 bilhões, alta de 8,2% em relação a 2023, e os itens da aquicultura foram responsáveis por R$ 11,7 bilhões, aumento de 15,4%.

O efetivo bovino atingiu 238,2 milhões de cabeças em 2024, o segundo maior da série histórica iniciada em 1974, sendo superado apenas pelo total registrado em 2023. No ano, o Brasil alcançou recordes no abate de bovinos, suínos e frangos, de acordo com a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais do IBGE, bem como das exportações de carnes in natura destas espécies, segundo resultados da Secretaria de Comércio Exterior – Secex, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Em relação a variação negativa em 0,2% no efetivo de bovinos de um ano para outro, a analista da PPM, Mariana Oliveira explica: “Nesse caso, a queda de bovinos, ocorrem função do ciclo pecuário. Há alguns anos o abate de fêmeas está elevado, em função dos preços do bezerro e da arroba, que desestimularam a retenção de fêmeas para reprodução, sendo assim era esperada uma redução no rebanho.”

A Pesquisa da Pecuária Municipal 2024, divulgada hoje (18) pelo IBGE, trouxe essas e outras informações sobre os efetivos, produtos de origem animal e a aquicultura no país, que também estão disponíveis na página da pesquisa no Portal do IBGE e no Sidra.

Entre os municípios, São Félix do Xingu (Pará), segue na liderança entre os bovinos, com um rebanho estimado em 2,5 milhões de cabeças, o que representa 1,1% do total brasileiro. Na sequência, aparecem Corumbá (Mato Grosso do Sul), Porto Velho (Rondônia), Cáceres (Mato Grosso) e Marabá (Pará). Somados, esses cinco municípios respondem por 3,9% do rebanho bovino nacional, totalizando 9,2 milhões de animais.

A produção de leite atingiu novo recorde ao atingir 35,7 bilhões de litros, um aumento de 1,4% em relação ao ano anterior. Ao passo que a produção de leite subiu, o número de vacas ordenhadas decresceu. Foram contabilizadas 15,1 milhões de vacas ordenhadas, 2,8% a menos do que em 2023, sendo esse total de vacas ordenhadas o menor já registrado desde 1979.

Produção de leite cresce pelo segundo ano consecutivo

Em 2024, a produção estimada de leite de vaca foi de 35,7 bilhões de litros. O resultado corresponde a uma alta de 1,4% na produção nacional. O valor de produção do leite contabilizado em 2024 foi de R$ 87,5 bilhões, alta de 9,4% frente a 2023. O preço médio estimado pago ao produtor foi de R$ 2,45 por litro de leite, um aumento de 7,9% em comparação aos R$ 2,31 pagos no ano anterior.

“Ao longo dos anos existe uma alternância entre as regiões Sul e Sudeste na liderança entre as Grandes Regiões com a maior produção de leite no país. Atualmente, o Sudeste lidera após três anos de liderança da Região Sul”, explicou Mariana Oliveira. No Sul, a produtividade é o diferencial, a Região possui a maior produção de leite por vaca no país. O Sudeste lidera no número de vacas ordenhadas, com destaque para Minas Gerais, que é responsável por cerca de um quarto da produção nacional de leite.

O município de Castro (Paraná) liderou o ranking, mais uma vez, com 484,4 milhões de litros, alta de 6,7% em relação ao ano anterior. Carambeí (Paraná) manteve a segunda posição, com 293,1 milhões de litros, e Patos de Minas (Minas Gerais) ocupou a terceira posição, com 226,9 milhões de litros.

Impulsionado pela região Sul, quantidade de galináceos e galinhas atinge novo recorde

Estimou-se 1,6 bilhão de cabeças de galináceos no Brasil, um aumento de 1,7% em relação ao ano anterior, equivalente a 26,8 milhões de animais a mais. Em 2024, o abate de frangos também registrou novo recorde em 2024, segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, IBGE, com aumentos de 2,7% em cabeças e 2,4% em peso de carcaça. O efetivo nacional de galinhas também atingiu um recorde, com 277,5 milhões de cabeças, um aumento de 6,8%.

A Região Sul mantém sua posição como a maior detentora do efetivo desde 1983, respondendo por 47,3% do total em 2024. Essa liderança é impulsionada pela relevância dos estados sulistas, em especial o Paraná, que lidera a criação de galináceos desde 2006, e contribuiu com 28,8% do total desta edição da pesquisa. Rio Grande do Sul e Santa Catarina figuram como o terceiro e o quarto maiores efetivos, com 9,8% e 8,7%, respectivamente.

São Paulo, com o segundo maior efetivo estadual (13,0% do total nacional), e Minas Gerais, com o quinto (8,2%), juntos, contribuíram com um incremento de 14,9 milhões de cabeças em relação ao ano anterior.

Santa Maria de Jetibá (Espírito Santo), município com o maior efetivo de galináceos, registrou um aumento de mais de 2 milhões de animais em 2024. Desse incremento, 90,7% foram galinhas, o que reforça a sua liderança municipal nesse efetivo desde 2015, totalizando 14,9 milhões de galinhas em 2024. São Bento do Una (Pernambuco), Bastos (São Paulo), Toledo (Paraná) e Uberlândia (Minas Gerais) completam o ranking dos cinco maiores municípios em galináceos.

No ranking de galinhas, Bastos (São Paulo) e São Bento do Una (Pernambuco) também se destacam, invertendo posições para segundo e terceiro, respectivamente. Primavera do Leste (Mato Grosso) e Beberibe (Ceará) ocupam o quarto e quinto lugares.

Com destaque da região Nordeste, rebanho de caprinos e ovinos apresentam novos recordes na série histórica

O efetivo de caprinos aumentou 3,1% no ano de 2024, chegando a 13,3 milhões de animais, enquanto o número de ovinos aumentou 0,3%, atingindo 21,9 milhões de animais. Os dois valores são recordes históricos da pesquisa. A região Nordeste foi a principal responsável por este aumento, já que possui 96,3% do total de caprinos e 73,5% dos ovinos.

Bahia e Pernambuco respondem pelo primeiro e segundo maior efetivo, respectivamente, em ambas as criações: a Bahia é responsável por 31,6% do rebanho caprino e 23,5% do rebanho ovino do País; enquanto 25,7% e 18,0% desses efetivos, respectivamente, estão em Pernambuco.

Em nível municipal, os maiores efetivos de caprinos estão localizados em Casa Nova (Bahia), Juazeiro (Bahia), Floresta (Pernambuco), Curaçá (Bahia) e Petrolina (Pernambuco). Para ovinos, Casa Nova (Bahia) também se destaca como principal Município produtor, seguido de Juazeiro (Bahia), Dormentes (Pernambuco), Remanso (Bahia) e Afrânio (Pernambuco) – em sexto lugar vem Sant’Ana do Livramento (Rio Grande do Sul), diferenciando aqui do domínio nordestino para caprinos devido, justamente, à apontada criação de ovinos destinada à lã no Sul do País.

Produção de ovos cresce em 24 das 27 UFs e atinge novo recorde na série histórica

Com o total de 5,4 bilhões de dúzias, a produção brasileira de ovos de galinha apresentou um crescimento de 8,6% para o ano de 2024, resultando em um novo recorde para a série histórica, que estima que a produção de ovos vem aumentando ininterruptamente desde 1999. Importante mencionar que a produção de ovos levantada pela pesquisa possui tanto a finalidade consumo quanto incubação.

Os cinco principais municípios produtores foram: Santa Maria de Jetibá (Espírito Santo), Bastos (São Paulo), São Bento do Una (Pernambuco), Primavera do Leste (Mato Grosso) e Beberibe (Ceará).

Em ano recorde de abate e exportações, rebanho de suínos apresentou crescimento

Foram contabilizados 43,9 milhões de suínos nesta edição da pesquisa. No último dia de 2024 havia, no país, 1,8% de animais a mais se comparado ao ano anterior. Paralelo a isso, com um aumento de 0,6%, o total de matrizes de suínos se mostrou praticamente estável, sendo 5,0 milhões de animais contabilizados, o maior registro para este efetivo. Também foi observado um aumento de 1,2% no abate de suínos, alcançando um recorde em 2024, porém demonstrando uma desaceleração do crescimento do setor. Houve recorde ainda nas exportações de carne suína in natura.

Toledo (Paraná) manteve sua posição na liderança municipal para a criação, dentre as 5 487 municipalidades que registraram alguma criação, com 2,2% do efetivo nacional, ou 950,0 mil animais. Uberlândia (Minas Gerais) aparece em seguida, com 1,4% do total nacional, ou 623,9 mil animais, seguido de Marechal Cândido Rondon (Paraná), com 1,3% ou 576,0 mil suínos.

Impulsionada pela região Nordeste, produção de mel atinge recorde

A produção nacional de mel cresceu 4,9% em 2024, totalizando 67,3 milhões de quilos, o mais alto valor já registrado na série histórica da pesquisa, que desde 2016 apresenta crescimentos consecutivos e, desde 2018, a cada ano, alcança recordes na estimativa.

A Região Nordeste manteve o primeiro lugar entre as Grandes Regiões, com um aumento de 3,5% no seu resultado, sendo responsável em 2024 por 39,4% do total nacional. Nela destaca-se o Piauí, com 12,8% da produção nacional, seguido por Ceará, Bahia e Maranhão. O maior produtor nacional, no entanto, é o Paraná.

Os municípios com a maior produção de mel foram, em ordem, Santa Luzia do Paruá (Maranhão), Arapoti (Paraná), Santana do Cariri (Ceará), São Raimundo Nonato (Piauí) e Ortigueira (Paraná).

Produção de peixes e camarão atinge recorde

A estimativa da produção de peixes em 2024 mostrou um aumento de 10,3%, chegando a 724,9 mil toneladas, o que resultou em um valor de produção de 7,7 bilhões de reais, crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior.

O peixe mais produzido no Brasil, desde o início do levantamento da piscicultura, é a tilápia. Em 2024, sua produção correspondeu a 68,9% do total de peixes. Em relação ao ano anterior, foi um aumento de 12,8%, resultando em 499,4 mil toneladas. Quase metade desse total (47,5%) é proveniente da Região Sul, devido principalmente ao Paraná, responsável por 38,2% da produção nacional, ou 190,5 milhões de quilos.

Já a produção brasileira de camarão criado em cativeiro atingiu 146,8 mil toneladas, um crescimento de 15,2% com relação ao ano anterior. O valor de produção foi de R$ 3,1 bilhões, equivalente a um aumento de 16,3%. Essa estimativa corresponde a um recorde na série histórica da produção, que vem crescendo continuamente desde 2017.

Do total, 99,7% são provenientes da Região Nordeste, principalmente do Ceará (57,1%) e do Rio Grande do Norte (21,5%). Ambos os Estados registraram aumentos que, somados, resultam em cerca de 18,0 milhões de quilos. Os maiores produtores municipais estão concentrados nesses dois Estados, começando por Aracati (Ceará), que, com produção de 18,0 mil toneladas, é origem de 12,2% da produção nacional e 21,4% da produção estadual. Na sequência, aparecem Jaguaruana (Ceará), com 8,8% e Pendências (Rio Grande do Norte), com 6,5% da produção nacional.

Mais sobre a pesquisa

A Pesquisa da Pecuária Municipal – PPM investiga, anualmente, informações sobre os principais efetivos das espécies animais criadas e as produções de leite de vaca, ovos de galinha e de codorna, mel de abelha, lã bruta, casulos do bicho-da-seda, além da aquicultura (piscicultura, carcinicultura e malacocultura), constituindo, assim, a principal fonte de estatísticas desse segmento econômico.

Ela fornece informações sobre os efetivos da pecuária existentes no município na data de referência do levantamento, bem como a produção de origem animal, e o valor da produção durante o ano de referência. Os efetivos incluem bovinos, suínos, matrizes de suínos, galináceos, galinhas, codornas, equinos, bubalinos, caprinos e ovinos. A produção de origem animal, por sua vez, contempla a produção de leite, ovos de galinha, ovos de codorna, mel, lã bruta e casulos do bicho-da-seda; as quantidades de vacas ordenhadas e ovinos tosquiados; e a aquicultura, que engloba as produções da piscicultura, carcinicultura e malacocultura.

A periodicidade da pesquisa é anual. Sua abrangência geográfica é nacional, com resultados divulgados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Mesorregiões, Microrregiões e Municípios.

Destaques

  • O valor de produção dos principais produtos de origem animal alcançou R$ 121,1 bilhões em 2024, enquanto a aquicultura respondeu por R$ 11,7 bilhões, crescimentos de 8,2% e 15,4%, respectivamente.
  • O país contabilizou 238,2 milhões de cabeças de gado, queda de 0,2%, mas segundo maior número da série histórica, superado apenas por 2023.
  • A produção de leite atingiu 35,7 bilhões de litros, novo recorde, movimentando R$ 87,5 bilhões. Apesar disso, o número de vacas ordenhadas caiu para o menor nível desde 1979, indicando aumento da produtividade. Castro (PR) lidera entre os municípios na produção de leite.
  • O efetivo nacional de galináceos chegou a 1,6 bilhão e de galinhas a 277,5 milhões, ambos recordes. Santa Maria de Jetibá (ES) lidera em ambos os efetivos.
  • Com predominância do Nordeste, os rebanhos de caprinos e ovinos alcançaram recordes históricos em 2024: 13,3 milhões e 21,9 milhões de animais, respectivamente, com destaque para Bahia e Pernambuco. O município de Casa Nova (BA) lidera os dois efetivos.
  • O país produziu 5,4 bilhões de dúzias de ovos, alta de 8,6% em relação a 2023. Trata-se do maior volume desde o início da série histórica, em 1999. Santa Maria do Jetibá (ES) lidera entre os municípios;
  • A produção nacional de mel atingiu 67,3 milhões de quilos, maior valor já registrado, com o Nordeste respondendo por 39,4% do total. O Piauí, segundo maior produtor, atrás do Paraná,lidera a produção na Região. Santa Luzia do Paruá (MA) lidera entre os municípios;
  • A piscicultura cresceu 10,3%, somando 724,9 mil toneladas, com a tilápia representando quase 70% da produção. Já a produção de camarão atingiu 146,8 mil toneladas. Morada Nova de Minas (MG) é o município com a maior produção de peixes, enquanto Aracati (CE) lidera na produção de camarão.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 18/09/2025

Por Breno Siqueira – Editoria Estatísticas Econômicas

Arte: Helga Szpiz

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/19/pecuaria-e-aquicultura-batem-recorde-e-geram-r-1328-bi-em-2024/feed/ 0
Produção de carne suína e de frango terá volume recorde em 2026 https://www.ocafezinho.com/2025/09/18/producao-de-carne-suina-e-de-frango-tera-volume-recorde-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/18/producao-de-carne-suina-e-de-frango-tera-volume-recorde-em-2026/#respond Thu, 18 Sep 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217618 Carne bovina teve reversão do ciclo e consequente queda de produção

O Brasil projeta recorde para a produção de proteínas em 2026, segundo as Perspectivas para a Agropecuária Safra 2025/26, levantamento divulgado nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expectativa é de que o país produza um total de 32,3 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango.

Caso se confirme, o volume representa um novo recorde na série histórica da companhia, superando a atual estimativa de produção para este ano de 32,1 milhões de toneladas.

“O bom resultado é influenciado pelo aumento na produção de carne suína e de frango, que devem chegar a aproximadamente 5,8 milhões de toneladas e 15,9 milhões de toneladas, respectivamente, os maiores volumes já registrados pela estatal”, informou a Conab.

O levantamento projetou recorde também para a safra de grãos no ciclo 2025/26.

Reversão de ciclo

De acordo com a Conab, o carro chefe para esse recorde na produção de proteínas foram as carnes suína e de frango. Já a bovina, que foi recorde em 2024, com um total de 11 milhões de toneladas, teve seu período de reversão de ciclo iniciado este ano, o que resultará em leve retração, com uma produção que deverá ficar em 10,9 milhões de toneladas no ano e de 10,6 milhões de toneladas em 2026.

Reversão de ciclo é um movimento de mercado transitório entre o período de baixa e de alta nos preços, impulsionado pela quantidade de fêmeas (vacas) destinadas ao abate e de bezerros para reposição.

Tarifaço

O gerente de Fibras e Alimentos da Conab, Gabriel Correa, avalia que os efeitos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros foram menores do que o esperado.

“A gente imaginava inicialmente que [o tarifaço] poderia forçar o produto a ficar mais aqui dentro do país Na verdade, o efeito foi o contrário, uma vez que algumas das principais empresas do setor têm operação nos Estados Unidos, e puderam importar e estocar [nos EUA] altos volumes antes da tarifa entrar em vigor”, explicou o gerente.

Além disso, segundo Gabriel Correa, teve o fator China para favorecer o escoamento da proteína produzida no Brasil.

“A China, que já absorve mais da metade da nossa carne, acabou pegando boa parte dessa fatia que os Estados Unidos deixaram de importar. O resultado é que estamos há 2 ou 3 meses seguidos batendo recordes de exportação”, disse.

Frango

Com a demanda internacional e o bom ritmo do mercado interno, a expectativa é de uma boa produção de carne de frango, mesmo com o Brasil tendo registrado, no mês de maio, um caso de gripe aviária, no Rio Grande do Sul.

A expectativa da Conab é de que se mantenha a trajetória positiva das exportações em 2026, com o volume total embarcado estimado em 5,4 milhões de toneladas.

“Mesmo com a elevação nas vendas de carne de frango ao mercado internacional, a disponibilidade interna também deve registrar incremento no ano que vem, podendo chegar a 10,6 milhões de toneladas, possibilitando que a disponibilidade per capita seja estimada em 51,1 quilos por habitante, garantindo o abastecimento interno”, informou a companhia.

Cenário semelhante é observado para a carne suína.

“A produção recorde para esta proteína possibilita aumento na disponibilidade interna, projetada em 4,3 milhões de toneladas em 2026, além de uma nova alta nas exportações”, detalha o levantamento.

Segundo a Conab, o bom desempenho externo é impulsionado pela competitividade do produto brasileiro, e também favorecido pela “demanda consistente” de novos mercados asiáticos, diante da diminuição da demanda chinesa.

“Destacam-se Filipinas [que ultrapassou a China como maior comprador], Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Com isso, as vendas externas devem atingir um novo recorde, superando a marca de 1,5 milhão de toneladas, resultado da continuidade da demanda asiática”, informou a companhia.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 18/09/2025

Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Fernando Fraga

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/18/producao-de-carne-suina-e-de-frango-tera-volume-recorde-em-2026/feed/ 0
China semeia paz enquanto EUA travam disputa agrícola https://www.ocafezinho.com/2025/08/25/china-semeia-paz-enquanto-eua-travam-disputa-agricola/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/25/china-semeia-paz-enquanto-eua-travam-disputa-agricola/#comments Mon, 25 Aug 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216004 1 Comentário 🔥]]> Em Washington, Xie Feng defendeu que agricultura não seja arma política, enfatizando cooperação sino-americana e proteção de agricultores

Enquanto os motores da guerra e da especulação financeira aceleram no tabuleiro global, um discurso simples, mas profundamente revolucionário, ecoou em Washington: o da cooperação agrícola entre China e Estados Unidos. Pronunciado pelo embaixador chinês Xie Feng durante um café da manhã com representantes do agronegócio dos dois países, o pronunciamento não foi apenas diplomático — foi um ato político de resistência à lógica do conflito, da desconfiança e do imperialismo econômico. Em tempos de escalada de tensões, a China escolheu semear diálogo. E isso, para a esquerda internacional, deve ser celebrado como um passo em direção a um mundo mais justo.

Xie Feng falou com clareza: China e EUA juntos produzem quase 40% dos alimentos do mundo. Juntos, consomem um quarto da produção global. Diante de uma crise climática acelerada, fome em ascensão e sistemas agrários destruídos pelo capitalismo predatório, essa parceria não é apenas desejável — é urgente. Mais ainda: é uma questão de sobrevivência coletiva. E é aqui que a posição chinesa se diferencia com nitidez da postura belicista e intervencionista dos Estados Unidos.

Leia também:
China defende cooperação no agro com os EUA e critica politização do setor
Carta de Washington acusa França de antissemitismo
Quem assina a obra quando a mente criadora é a IA?

A China, ao defender a cooperação agrícola, reafirma um princípio fundamental: a soberania alimentar não é mercadoria, nem campo de batalha. É direito humano. E a agricultura, longe de ser um setor a ser politizado em nome de interesses geopolíticos, deve ser um espaço de colaboração entre nações. “A agricultura não deveria ser politizada e os agricultores não deveriam pagar o custo da guerra comercial”, afirmou o embaixador — uma frase que deveria estar estampada em todos os parlamentos do mundo.

É significativo que Xie tenha feito essa defesa enquanto denunciava projetos de lei nos EUA que proíbem cidadãos e empresas chinesas de adquirir terras agrícolas. Essas medidas, sob o disfarce de “segurança nacional”, são, na verdade, expressões do pânico geopolítico que domina a elite americana: o medo de um mundo multipolar, onde a China não é subordinada, mas parceira. E mais: onde o desenvolvimento não é monopolizado pelo capital ocidental.

Mas o que essas proibições revelam, além do racismo institucionalizado e da paranoia imperial? Revelam o medo de um modelo diferente — um modelo em que o Estado tem papel central na garantia da segurança alimentar, em que a modernização agrícola serve ao povo e não apenas aos grandes trusts do agronegócio. A China, que transformou sua agricultura com investimentos estatais, pesquisa pública e políticas de desenvolvimento rural, representa uma alternativa concreta ao modelo neoliberal que empobrece camponeses, destrói o meio ambiente e concentra terras nas mãos de poucos.

Enquanto isso, os EUA, com sua produção mecanizada em larga escala, dependem cada vez mais do mercado chinês — especialmente no setor da soja. E os agricultores americanos sabem disso. São eles, muitas vezes esquecidos pelas elites de Washington, que mais perdem com as guerras comerciais. Xie não apenas reconhece isso, como destaca que a cooperação “colocou mais dinheiro nos bolsos dos agricultores americanos”. É um gesto de solidariedade de classe, disfarçado de diplomacia: a China não está contra os trabalhadores do campo norte-americano, está contra a lógica que os explora.

O embaixador usou metáforas agrícolas com maestria: falou em “sementes” de cooperação, em “pragas” da politização e em ser “agricultores” da paz. Mas essas metáforas escondem uma proposta política clara: a de um mundo onde a economia serve à vida, e não ao poder. Onde a segurança nacional não é usada como desculpa para bloquear relações que ameaçam o monopólio do Ocidente. Onde a soberania de um país — como a da China — não é questionada por simplesmente ousar desenvolver-se fora do controle imperial.

A esquerda global não pode fechar os olhos para isso. Apoiar a soberania da China não é apologia a um Estado sem contradições. É reconhecer que, em um mundo unipolar violento, a ascensão de potências que desafiam o domínio americano abre espaço para alternativas. A cooperação sino-americana na agricultura pode parecer um tema técnico, mas é profundamente político: é a possibilidade de um futuro onde a alimentação, e não o armamento, seja a prioridade das relações internacionais.

Xie Feng conclamou empresas, associações e pesquisadores a serem “agricultores” de uma nova relação bilateral. Que essa metáfora inspire também os movimentos sociais, os camponeses, os trabalhadores e a esquerda de todo o mundo. Que sejamos todos agricultores da paz, da justiça e da soberania. Que plantemos, em vez de bombas, sementes de cooperação, solidariedade e emancipação.

A China, ao defender a agricultura como espaço de cooperação, está defendendo algo maior: a ideia de um mundo onde o diálogo vence o conflito, onde o bem comum supera o interesse privado, e onde a soberania de cada nação é respeitada. Para quem acredita em um futuro mais justo, esse é um caminho que merece ser trilhado — lado a lado com a China.

Com informações de Agências de Notícias*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/25/china-semeia-paz-enquanto-eua-travam-disputa-agricola/feed/ 1
China defende cooperação no agro com os EUA e critica politização do setor https://www.ocafezinho.com/2025/08/24/china-defende-cooperacao-no-agro-com-os-eua-e-critica-politizacao-do-setor/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/24/china-defende-cooperacao-no-agro-com-os-eua-e-critica-politizacao-do-setor/#comments Mon, 25 Aug 2025 01:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216009 1 Comentário 🔥]]> Em encontro com produtores de soja, Xie Feng defendeu que agricultura não seja usada como arma nas disputas comerciais entre China e Estados Unidos

O embaixador da China em Washington, Xie Feng, afirmou que Pequim e Washington têm condições de se complementar de forma estratégica no campo da agricultura e que essa área não deveria ser usada como arma em disputas políticas. A declaração ocorreu durante um café da manhã com representantes da indústria da soja dos dois países, realizado na capital norte-americana.

Segundo o diplomata, o peso das duas economias no cenário mundial torna a parceria inevitável e benéfica. “A China e os EUA, juntos, produzem quase 40% dos alimentos globais e consomem um quarto do total. A China tem vantagem comparativa em produtos agrícolas intensivos em mão de obra, enquanto os EUA se especializam em commodities agrícolas intensivas em terra por meio da produção mecanizada em larga escala”, afirmou Xie.

Leia também:
Carta de Washington acusa França de antissemitismo
Quem assina a obra quando a mente criadora é a IA?
Khamenei ergue muralha contra a rendição ao Ocidente

O evento foi organizado pelo Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos em parceria com a Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Nativos e Subprodutos Animais, reunindo associações industriais, empresas do agronegócio e especialistas acadêmicos dos dois lados.

Para o embaixador, os ganhos da aproximação vão além da balança comercial. “Os intercâmbios e a cooperação agrícola não só ofereceram mais opções para os consumidores em ambos os países, mas também colocaram mais dinheiro nos bolsos dos agricultores americanos”, destacou.

Ele acrescentou ainda que a colaboração sino-americana tem impacto global: “Eles impulsionaram a transformação e a modernização agrícola na China e nos EUA e abriram um novo caminho para garantir a segurança alimentar global”.

No entanto, Xie alertou para os riscos da crescente politização do tema. “A agricultura não deveria ser politizada e os agricultores não deveriam pagar o custo da guerra comercial”, disse, em referência às tensões comerciais entre os dois países.

O diplomata criticou diretamente projetos de lei que buscam proibir cidadãos e empresas chinesas de adquirirem terras agrícolas nos Estados Unidos. “Proibir cidadãos e empresas chinesas de comprar terras agrícolas é puramente uma manobra de manipulação política sob o pretexto da segurança nacional. É completamente infundado e visa sequestrar a cooperação agrícola entre China e EUA para atender aos interesses pessoais de alguns indivíduos”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Xie procurou demonstrar disposição para avançar no diálogo. “A China está pronta para trabalhar com os EUA para implementar os importantes entendimentos comuns dos dois líderes, fazer bom uso do mecanismo de consulta econômica e comercial, construir consenso, esclarecer mal-entendidos e fortalecer a cooperação, de modo a compartilhar conjuntamente os dividendos do desenvolvimento e retornar ao caminho certo da cooperação benéfica para todos”, disse.

Na visão do embaixador, cabe também às associações industriais e às empresas dos dois países atuar como elo de ligação, ajudando a consolidar essa parceria. “Espero que mais amigos se juntem a nós e que, juntos, sejamos ‘agricultores’ que trabalham arduamente para construir uma relação China-EUA estável, sólida e sustentável”, afirmou.

Xie usou metáforas agrícolas para reforçar seu apelo contra a interferência política no setor. “Precisamos manter as ‘pragas’ longe da cooperação agrícola bilateral e dizer um forte não a qualquer tentativa de politizar questões comerciais e econômicas em nome da segurança nacional”, disse.

Ele concluiu destacando a necessidade de ampliar o diálogo e estimular novas iniciativas: “Também precisamos semear mais ‘sementes’, trabalhar em estreita colaboração com o comércio, a indústria, os negócios e a pesquisa, e nos esforçar para alcançar mais resultados na restauração dos mecanismos de diálogo e cooperação na área agrícola”, acrescentou.

O discurso do embaixador chinês reforça a importância da agricultura como espaço de aproximação entre as duas maiores economias do mundo, mesmo em um cenário de tensões políticas e comerciais.

Com informações de Agências de Notícias*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/24/china-defende-cooperacao-no-agro-com-os-eua-e-critica-politizacao-do-setor/feed/ 1