Ana Prestes - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ana-prestes/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 05 Oct 2023 10:45:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Ana Prestes - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ana-prestes/ 32 32 A aula de covardia e antiética da editora do Estadão https://www.ocafezinho.com/2023/10/05/a-aula-de-covardia-e-antietica-da-editora-do-estadao/ https://www.ocafezinho.com/2023/10/05/a-aula-de-covardia-e-antietica-da-editora-do-estadao/#comments Thu, 05 Oct 2023 10:41:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=166391 9 Comentários 🔥]]> O Estadão decidiu dobrar a aposta ao insistir na fake news que publicou sobre uma “interferência” do presidente Lula no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) para conceder um empréstimo de US$ 1 bilhão para a Argentina.

LEIA: A fakenews do Estadão que alimentou o esgoto da extrema-direita

Além de não ter feito uma errata, o jornal decidiu insistir numa narrativa de ataque contra o presidente Lula e até mesmo contra a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que desmentiu a notícia falsa veiculada pelo jornal. A estratégia “brilhante” do Estadão alimentou as redes de políticos da extrema-direita que usaram esse episódio para inflamar seus apoiadores.

Mas a ofensiva não parou por aí, isso porque a editora executiva do Estadão, Andreza Matais, tentou desmoralizar o secretário de comunicação do Planalto, George Marques, divulgando o valor do salário dele no antigo Twitter.

A lógica vil e moralista da editora era que o secretário não poderia desmentir a fake news do seu jornal porque recebe para trabalhar. É inacreditável que o nível da editora tenha se rebaixado tanto, causando revolta nas redes sociais. Com medo das críticas, Matais resolveu fechar sua conta no Twitter.

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Ana Prestes: Lula unifica a América do Sul https://www.ocafezinho.com/2023/06/03/ana-prestes-lula-unifica-a-america-do-sul/ https://www.ocafezinho.com/2023/06/03/ana-prestes-lula-unifica-a-america-do-sul/#comments Sat, 03 Jun 2023 13:08:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=156386 2 Comentários 🔥]]> Por Ana Prestes

No último dia 30 de maio representantes de 11 países mais o Brasil estiveram reunidos em Brasília. Sim! 11 países. Pela imprensa convencional temos a impressão de que só o presidente da Venezuela visitou o Brasil na última semana. De fato, no dia 29, véspera do encontro de presidentes, Lula recebeu o presidente Nicolás Maduro da Venezuela para uma reunião bilateral. Uma reunião que já era para ter ocorrido há mais tempo, inclusive o presidente Venezuela viria à posse do presidente Lula, caso os complicadores burocráticos criados pelo governo brasileiro anterior não tivessem impedido. 

Mas o fato concreto é que o presidente Lula conseguiu reunir em Brasília, apenas 5 meses após o início do seu mandato, 10 chefes de estado sul americanos. Somente o Peru não foi representado por sua autoridade máxima e enviou o presidente do conselho de ministros do governo de Dina Boluarte, Alberto Otárola. Vieram a Brasília Alberto Fernández, da Argentina, Luis Arce, da Bolívia, Gabriel Boric, do Chile, Gustavo Petro, da Colômbia, Guillermo Lasso, do Equador, Irfaan Ali, da Guiana, Mario Benítez, do Paraguai, prestes a deixar seu cargo, Chan Santokhi, do Suriname, Lacalle Pou e o já citado Nicolás Maduro, da Venezuela. 

Há muito tempo não ocorria uma reunião desta envergadura entre os países sul-americanos e seu acontecimento foi uma demonstração do poder de convocatória do presidente Lula e do momento de unidade da região, apesar das diferenças pontuais, entre as quais a relação de cada país com a Venezuela deu sinais de ser uma das mais evidentes, mas que não inviabiliza um olhar coletivo sobre os temas mais importantes para a região. Aliás, sobre isso, destaco três frases do discurso do presidente Lula que considero muito potentes: “Voltamos a olhar para nossa região coletivamente”, “A América do Sul deixou de ser uma referência geográfica para ser uma realidade política” e “A América do Sul voltou a ser o centro da política externa brasileira”. 

Somente o fato da reunião ter ocorrido já foi uma vitória de grandes proporções, pois o que vivemos nos últimos anos foi uma destruição dos pequenos avanços que tivemos na integração sul americana no início dos anos 2000 e um progressivo distanciamento entre os países. A última reunião deste porte foi a 4a Cúpula da Unasul, em novembro de 2010, na Guiana.

O maior e mais dramático exemplo disso foi a pandemia do novo coronavírus que impactou fortemente os nossos países e que viu nossas chancelarias e presidências muitas vezes de costas viradas para países irmãos, sem buscar soluções que pudessem beneficiar todo povo sulamericano. E, nesse caso, falo principalmente da questão humanitária e do desafio de salvar vidas, mas também da recuperação econômica pós pandemia que foi mais difícil pela desintegração. 

A desintegração desse período se manifestou na destruição da Unasul, do Conselho de Defesa Sul Americano, da IIRSA, que é a iniciativa de integração em infraestrutura criada em 2000, na primeira reunião de presidentes, do Conselho Sul Americano de Saúde e na criação de outros instrumentos que se demonstraram débeis e inconsistentes, como o Grupo de Lima e o Fórum Prosul. 

Em um momento de tantas transformações na geopolítica mundial, especialmente com o avanço da multipolarização, uma América do Sul fraca a deixa ainda mais sujeita às crises internacionais. Neste sentido, os pontos apresentados pelo presidente Lula como propostas para este novo momento da região foram muito importantes.

Ele falou sobre o fomento aos bancos da região e a criação de uma poupança visando o desenvolvimento econômico e social, com sustentabilidade ambiental; busca da independência monetária de moedas extrarregionais; desburocratização da circulação de bens; melhoria do comércio eletrônico e mecanismos de cooperação com apoio dos avanços tecnológicos; atualização dos projetos de infraestrutura, principalmente nas fronteiras; ações de combate às causas das mudanças climáticas; reativação do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde com expansão do atendimento para populações carentes e povos indígenas; fazer uma discussão sobre um mercado sul-americano de energia; criar programas de mobilidade regional na área da educação superior; retomar a cooperação da área da defesa. 

Muitas destas propostas já haviam sido ativadas na época do funcionamento da Unasul, mas então por que o presidente Lula não propôs um relançamento da Unasul?

Essa foi uma das maiores perguntas que giraram em torno da Cúpula. Penso que o presidente brasileiro quis primeiro criar uma base sólida para que todos se sintam confortáveis em um novo momento de retomada da integração. A reconstituição da UNASUL ou até mesmo um outro instrumento que leve em conta o legado da organização seria um próximo passo a se avançar rumo a solidificação do edifício sulamericano.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/09/16/notas-internacionais-por-ana-prestes-16-09-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/09/16/notas-internacionais-por-ana-prestes-16-09-2021/#comments Thu, 16 Sep 2021 15:03:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=130142 3 Comentários 🔥]]> – Ontem, 15 de setembro, completou um mês da tomada de Cabul, no Afeganistão, pelos talibãs e o anúncio da derrota americana após 20 anos de invasão e ocupação militar do país. No intervalo de um mês os olhos do mundo estavam voltados para o Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, de onde foram evacuados os norte-americanos remanescentes no país, além de cidadãos e militares de países aliados dos EUA na ocupação, como Alemanha, França e Reino Unido. Também afegãos, especialmente os que trabalharam diretamente com as forças de ocupação ou com o governo Ashraf Ghani, tentaram deixar o país. Alguns conseguiram outros não e esse ainda é um ponto de tensão com as forças ocidentais. Nesse período, o aeroporto também foi cenário de um ataque terrorista com homens-bomba promovido pelo grupo ISIS-K, um braço do ISIS na região e opositor dos talibãs, que deixou mais de 180 pessoas mortas e dezenas de feridos. Durante esse período, os talibãs também neutralizaram o último ponto de resistência ao seu domínio no país, localizado no vale do Panjshir, onde está baseada a Frente Nacional de Resistência (FNR) liderada por Ahmad Massoud, filho do comandante Ahmed Shah Massoud, assassinado pela Al-Qaeda no início dos anos 2000. Há um debate em curso sobre a participação ou não do governo do Paquistão nesta operação. Na disputa entre Índia e Paquistão, interessa ao governo indiano associar o governo paquistanês aos talibãs. No último dia 7, os talibãs anunciaram seu governo, que será liderado por Mohammad Hasan Akhund e terá como número dois Abdul Ghani Baradar, que foi o negociador com Trump em 2020 e assinou o acordo de Doha para retirada das tropas dos EUA do Afeganistão. Como ministro da Defesa estará o mulá Yaqub, filho do mulá Omar, o ministro do interior será Sirajuddin Haqqani, que possui divergências metodológicas com Baradar. Haqqani parece defender um governo mais linha dura e de ataque frontal ao ocidente, enquanto Baradar faz mais a linha de um governo negociador. Na ocasião, o líder máximo do grupo, Hibatullah Akhundzada, anunciou que o novo governo se esforçará em “fazer respeitar as normas islâmicas e a sharia no país”. Como serão as políticas do Talibã em relação às mulheres e aos direitos segue sendo um grande debate internacional. Na última segunda (13), a alta comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, fez críticas nesse sentido ao novo governo afegão. Segundo Bachelet, “contradizendo as garantias de que o Talibã manteria os direitos das mulheres, nas últimas três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da esfera pública”. Ela também se referiu ao não cumprimento da anistia prometida a ex-funcionários civis ou de forças de segurança ligados ao antigo governo e proibição a buscas em suas residências. Há denúncias de perseguições a ex-trabalhadores de empresas, órgãos da ONU e organizações não governamentais que operavam no país. Nas últimas horas o novo governo afegão anunciou ter retido cerca de 12,4 milhões de dólares em dinheiro e ouro de ex-altos funcionários do governo (Reuters e outras agências).

– As eleições na Alemanha estão cada vez mais próximas. Serão no próximo dia 26 de setembro. A aliança governista CDU/CSU, da chanceler Angela Merkel, os verdes e a social-democracia disputam a liderança nas últimas pesquisas. Embora, nos últimos dias, o candidato do Partido Social Democrata (SPD), Olaf Scholz, conte com a preferência de mais de quase um quarto dos e das eleitoras. A candidata do Partido Verde, Annalena Baerbock, que começou a corrida eleitoral muito bem posicionada nas pesquisas, deixou de ser a preferida do eleitorado por enquanto. Ela tem feito um discurso mais linha dura contra a Rússia, por exemplo. O candidato de Merkel, Armin Lschet, atual governante da Renânia do Norte-Vestfalia, apesar de ser herdeiro de uma chanceler popular mesmo após 16 anos de governo, não está em uma situação confortável na corrida em que representa a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU). Ele possuía uns 24% e hoje caiu para 20%. Interessante lembrar que Scholz fez e ainda faz parte do governo Merkel como ministro das finanças e vice-chanceler. (Fonte: Flávio Aguiar – RFI)

– A relação entre EUA e China teve um novo capítulo nos últimos dias. Até agora, desde a posse de Biden em janeiro, os dois presidentes ainda não se encontraram pessoalmente. Há uma tentativa dos EUA em promover o encontro durante a cúpula do G20 no final de outubro em Roma. No último dia 9 os dois presidentes se falaram por telefone e o tema foi que “se evite um conflito”, de acordo com os anúncios da Casa Branca à imprensa. Foi a segunda chamada telefônica entre eles. Segundo fontes da imprensa chinesa, o presidente Xi teria dito: “se China e EUA se enfrentarem, ambos países e o mundo sofrerão”. No telefonema, o presidente Biden teria proposto um encontro presencial, mas Xi, que não deixa o solo chinês já há cerca de 600 dias, não deu nenhuma sinalização para o possível encontro. Inclusive não deverá estar em Nova Iorque na próxima semana para a Assembleia Geral da ONU.

– No último dia 5 de setembro houve um golpe militar na Guiné-Conacri. Um grupo de militares liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya deteve o presidente do país, Alpha Condé (90 anos), suspendeu a Constituição, dissolveu o governo e demais instituições e fechou fronteiras terrestres e aéreas. Tanto a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) como a União Africana suspenderam o país das plataformas e tentaram intervir para a libertação do presidente Condé. Foi permitida a visita de uma comissão da CEDEAO que alegou ter encontrado o presidente em bom estado de saúde. Os presidentes do Congo e da Turquia ofereceram asilo para o presidente deposto. Hoje (16) ocorre uma cúpula da entidade sobre o golpe em Acra, Gana. Umaro Sissoco Embaló, presidente da Guiné-Bissau, tem sido um dos articuladores das iniciativas internacionais frente ao golpe. A Guiné-Conacri faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos países mais pobres do mundo.

– No Haiti, houve novidades quanto às investigações sobre o magnicídio do presidente Jovenel Moise. O primeiro-ministro do país, Ariel Henry, demitiu o promotor Bel-Ford Claude horas depois que um representante do Ministério Público solicitou a um juíz que abrisse investigação contra o premiê como réu no caso do assassinato. A alegação é de que Henry teria falado poucas horas após o crime por duas vezes ao telefone com um dos suspeitos de ter ordenado o assassinato, o ex-oficial Joseph Felix Badio (fonte: El País). Até agora, 44 pessoas estão em prisão domiciliar preventiva, inclusive 18 colombianos, implicados no caso do assassinato de Moise, inclusive há policiais que faziam a segurança do presidente entre os presos. Outra novidade é que no último sábado as principais forças políticas do país concordaram em redigir uma nova Constituição e organizar eleições ao final de 2022 para a sucessão de Moise. No intervalo até as eleições e posse do novo governo, Henry conduzirá um governo de unidade “apartidário” com membros ainda a serem nomeados. Mas a revelação dos telefonemas às 4h e 4h20 da manhã entre Henry e o possível executor do crime na madrugada do magnicídio pode colocar tudo em suspenso.

– No Peru, a vice-presidente, Dina Boluarte, informou que estão sendo coletadas assinaturas para um referendo que permita a convocação de uma nova assembleia constituinte. A atual constituição peruana está vigente há 28 anos e não prevê a instauração de uma nova Assembleia Constituinte, portanto será necessário fazer uma reforma constitucional que pode ser proposta pelo presidente, o próprio Congresso ou 0,3% dos aptos a votar no país. Recentemente 10 parlamentares do partido Peru Livre apresentaram um projeto neste sentido.

– Na Argentina, após o mal resultado do governo no PASO, que são as primárias eleitorais obrigatórias que funcionam de antessala das eleições propriamente ditas, funcionários e ministros do governo Fernandez colocaram seus cargos à disposição. Na província de Buenos Aires, onde governa Alex Kicillof, membros do governo também colocaram seus cargos à disposição. A Frente de Todos teve resultados negativos em 17 unidades territoriais – províncias, incluindo a de Buenos Aires. 

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/09/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/09/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-09-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/09/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-09-2021/#comments Tue, 14 Sep 2021 17:12:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=130070 2 Comentários 🔥]]> – O Partido Trabalhista da Noruega conquistou o maior número de representantes nas eleições da Noruega que se deram ontem (13). Foram eleitos/as os/as 169 representantes do Storting, parlamento do país, na capital Oslo. Uma coalizão liderada pelos trabalhistas tem todas as condições de formar uma larga maioria. Dois partidos aliados do Partido Conservador não cumpriram os 4% de votos da cláusula de barreira e assim impedem que a aliança centro-direita se mantenha com a maioria. Os conservadores dirigem o país desde 2013, com dois mandatos da conservadora Erna Solberg. O grande tema das eleições foi a questão do que fazer com o petróleo. O país é o maior produtor europeu. O Partido Verde, potencial aliado dos trabalhistas, propõe o cessar da exploração do petróleo. Os trabalhistas querem uma meta para iniciar a redução da indústria petrolífera a partir de 2035. Os primeiros partidos com quem Jonas Gahr Stoere, líder dos trabalhistas, vai conversar são o Partido do Centro e a Esquerda Socialista. Junto a outros partidos, a aliança de centro-esquerda pode chegar a 100 assentos, hoje possuem 81. A indústria do petróleo representa 14% do PIB norueguês, ocupa 40% de todas as exportações nacionais e emprega 160 mil pessoas (fonte: RFI). A Noruega é hoje um dos países mais ricos do mundo, graças ao petróleo e o gás do Mar do Norte. Estão pressionados pelos compromissos multilaterais de combate às alterações climáticas.

– A Argentina realizou no final de semana seu PASO – Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias – que preparam as eleições de 14 de novembro deste ano. Além do ou da presidente, neste dia se elegerão 24 novos senadores/as (são 72 no total) e 127 deputados/as (são 257 no total). O governo Fernandez e sua coalizão Frente de Todos não saíram bem no PASO. Perderam em 17 dos 24 distritos do país. Houve também muita abstenção que junto com os votos em branco e nulos somam 38,45% dos habilitados para votar. A oposição centrou sua campanha nos distritos com maior peso e na província de Buenos Aires. A ex-governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, derrotada nas eleições de 2019, alcançou os votos para concorrer pela capital em novembro. A votação foi bem apertada na província de Buenos Aires com 38% para o Juntos e 33,6% para a Frente. O Juntos por el Cambio, oposicionista, também ficou bem em Córdoba, Jujuy, Santa Cruz, Chaco e outros. Outra chapa oposicionista, La Libertad Avanza, também conseguiu projeção. Na cidade de Buenos Aires surpreendeu a votação do ultradireitista Javier Milei com 13% dos votos.

– Faleceu no sábado (11), no Peru, o líder histórico do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, aos 86 anos. Morreu no cárcere onde cumpria prisão perpétua. Guzmán era professor de filosofia quando iniciou atividades de insurgência contra o governo peruano na década de 80. Defendia uma revolução camponesa via luta armada. O Sendero Luminoso já existia desde os anos 60 quando Guzmán se integrou ao grupo. Como já era de se esperar, a morte de Guzmán impactou no governo recém empossado de Pedro Castillo. Qualquer gesto do novo presidente é utilizado pela oposição fujimorista para tentar implicá-lo como associado ao Sendero Luminoso. Frente a isso, o governo Castillo está advertindo que qualquer iniciativa de homenagens póstumas a Guzmán será considerada como apologia ao terrorismo com previsão de pena de até 4 anos de prisão. Por isso, os restos mortais do guerrilheiro estão em pauta para que se decida sobre o seu destino, quando, pela lei, essa decisão deveria caber somente à família. A esposa de Guzmán, Elena Iparraguirre, também era integrante do SL e está encarcerada. Ainda assim, cabe a ela a decisão sobre o destino do marido. Ambos foram presos em 1992.

– O Irã vai permitir que a agência nuclear da ONU faça manutenção nas câmeras de monitoramento das instalações nucleares iranianas. A informação é do chefe da AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica – Rafael Grossi. Esta aproximação faz parte das conversas que buscam o reavivamento do acordo nuclear com o Irã de 2015, abandonado pelos EUA durante a gestão Trump. A imprensa americana criticou duramente o acordo e diz que Biden está “vendido” para uma reativação do acordo nuclear com o Irã. Enquanto isso, circulam informações de um think tank americano, o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, com a mesma sigla do grupo terrorista ISIS, de que em aproximadamente um mês o Irã terá urânio enriquecido em quantidade suficiente para a produção de armas nucleares e o governo Biden está internamente pressionado para reagir. O novo presidente iraniano Ebrahim Raisi está conduzindo a política nuclear do país a um ponto em que os EUA precisarão baixar a guarda para negociar. O embaixador da Rússia na IAEA, Mikhail Ulyanov, se pronunciou ao dizer que o acordo alcançado com relação às câmeras de monitoramento é técnico mas muito importante, pois constrange as especulações sobre as atividades nucleares do país.

– Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Síria, Bashar al-Assad, se reuniram ontem (13) em Moscou. Um dos pontos do debate foi sobre o terrorismo e segundo Putin, “ainda existem bolsões de resistência por parte de terroristas que controlam certos territórios”. No entanto, nas palavras de Assad em declaração conjunta com Putin, “nossos exércitos, posso constatar, deram uma enorme contribuição para proteção de toda a humanidade desse mal (terrorismo)”. Os dois governantes ainda sublinharam que as relações comerciais e econômicas entre os dois países cresceram 250% apenas na primeira metade de 2021. (fonte: Sputknik).

– Outro encontro desta semana foi entre o presidente egípcio Abdel Fattah Sisi e o premiê israelense Naftali Bennet. Primeiro encontro deste nível entre os dois países em 10 anos. Após o encontro, Bennet disse que o Egito possui um papel significativo para a “manutenção da estabilidade de segurança na Faixa de Gaza” (qual estabilidade??? questionamento inevitável desta autora das Notas). Em maio, o Egito mediou um cessar-fogo entre Israel e o Hamas que governa Gaza.

– Ecoa internacionalmente e em especial na América Latina que enquanto o Brasil chega a 21 milhões de infectados pelo coronavírus, o presidente Bolsonaro admite não ter tomado nenhuma vacina contra o vírus. Ele ainda admitiu que já pode ter sido infectado pela segunda vez, de acordo com exames IGG. As declarações de Bolsonaro chocam o mundo poucos dias antes do presidente brasileiro abrir a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

– O Brasil também foi citado na recente reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Durante a abertura do encontro, a presidente do Conselho, Michelle Bachelet, disse estar alarmada com “os recentes ataques contra membros dos povos Yanomami e Munduruku por garimpeiros ilegais na Amazônia”, além das “tentativas de legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas e limitar a demarcação de terras indígenas”. O Brasil tem sido denunciado ao TPI – Tribunal Penal Internacional – por genocídio e crimes contra a humanidade por conta da situação dos povos indígenas. Bachelet também informou que seu escritório na ONU está preocupado com “a nova proposta de legislação antiterrorista no Brasil que inclui disposições excessivamente vagas e amplas que apresentam riscos de abusos, particularmente contra ativistas sociais e defensores dos direitos humanos”.

– Em El Salvador estão marcadas mobilizações para amanhã, 15 de setembro. Mais de 32 entidades da sociedade civil estão unificadas para protestar pela restituição do Estado de Direito no país e para defender a democracia. Pelo menos três medidas do governo de Bukele têm provocado fortes reações na população: a entrada em vigor da lei do Bitcoin, o aval à reeleição imediata e a reforma da lei da carreira jurídica. Um dos pontos de encontro para a saída da marcha será a Universidade de El Salvador, com concentração de estudantes, ambientalistas e indígenas, em outros pontos estarão as feminista, sindicalistas e outros setores que somam mais de 30.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 24/08/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/08/24/notas-internacionais-por-ana-prestes-24-08-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/08/24/notas-internacionais-por-ana-prestes-24-08-2021/#respond Tue, 24 Aug 2021 19:40:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=129096 – O presidente peruano Pedro Castillo nomeou um novo chanceler no país. O advogado e também diplomata de carreira, Oscar Maúrtua, assumirá a chancelaria. Ele já havia ocupado o cargo anteriormente no governo do presidente Alejandro Toledo (2001 – 2006). A nomeação veio três dias depois da renúncia de Héctor Béjar, que ficou apenas 19 dias no cargo. A saída precipitada de Béjar se deu após a difusão de uma entrevista dele, que é também advogado e professor de sociologia (85 anos), do ano passado em que comenta que o Sendero Luminoso foi uma criação da Agência de Inteligência dos EUA, a CIA. As declarações causaram uma crise e pressão sobre o governo Castillo por sua demissão. O novo chanceler tampouco chegou de forma pacificadora. Nas palavras de Vladimir Cerrón, líder do partido Peru Livre, pelo qual Castillo se elegeu, disse em sua conta no twitter que “o novo chanceler, Óscar Maúrtua de Romaña, não representa o sentimento do Peru Livre. Nosso partido é uma entidade inclusiva e soberana, comprometida com uma América Latina independente e unida, e rejeita qualquer ingerência ou política servil”. Todo o gabinete de Castillo ainda será validado em votação de confirmação no Congresso nos próximos dias.

– Em meio à crise da saída dos EUA do Afeganistão, a vice-presidente do país, Kamala Harris, está na Ásia. Ela está em visita à Singapura, de onde segue para o Vietnã. Sua presença na região é vista como um sinal de provocação à China, por ter na pauta os interesses desses países no Mar do Sul da China. É bom lembrar que o Mar do Sul da China, além da própria China (inclusive na sensível região de Taiwan), banha também as Filipinas, Malásia, Indonésia, Singapura, Vietnã, Camboja, Tailândia e Brunei. Parte dos acordos assinados com Singapura nessa visita incluem reforço da presença de navios de combate e aeronaves militares na região.

– Após a flagrante derrota do ocidente no Afeganistão, acontece hoje (24) uma reunião extraordinária do G7, convocada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, para discutir a crise da retirada ocidental do Afeganistão. São membros do G7, além do RU, os EUA, Itália, França, Alemanha, Japão e Canadá. A União Europeia também tem assento. A Rússia também já teve assento, quando era G8, mas foi suspensa após a crise da Crimeia com a Ucrânia. Um dos pontos mais sensíveis do encontro será sobre prazos de retirada de tropas, funcionários e colaboradores de cada um desses países do Afeganistão. Até ontem, a Casa Branca afirmava que sustentaria a meta de retirada até 31 de agosto para cumprir o acordo com o Talibã. Mas todos os demais países, em especial a Alemanha, já disseram que o prazo é impossível de ser cumprido. Correm também notícias de que o diretor da CIA, Bill Burns, teria mantido ontem reunião com o líder Talibã, segundo na hierarquia, Abdul Ghani Baradar.

– Enquanto isso, outros países europeus, como a Grécia, tentam barrar a chegada massiva de refugiados afegãos. O país chegou ao absurdo de instalar um muro de 40 km e um sistema de vigilância na fronteira com a Turquia para “aumentar a inviolabilidade de suas fronteiras”, segundo autoridades. A iniciativa foi contestada pelo presidente turco Erdogan ao dizer que as pessoas que deixam o Afeganistão constituem um “um sério desafio para todos”. Ocorre que a própria Turquia também está construindo seu muro na fronteira com o Irã com uma extensão de 243 km, dos quais 150 já estão erguidos. A Grécia é o país europeu de entrada para refugiados afegãos que passam pelo Irã, ingressam na Turquia e dali acessam a fronteira turco-grega. A caminhada entre Kandahar, no Afeganistão, e a fronteira da Turquia é de aproximadamente 25 dias. A outra via terrestre para quem busca deixar o país é a fronteira com o Paquistão. Outras vias são a Arábia Saudita e o Uzbequistão. Segundo a ACNUR, agência da ONU para refugiados, somente neste ano de 2021, 550 mil afegãos deixaram suas casas no contexto de aprofundamento da tensão com as forças de ocupação que resultaram na tomada do país pelos Talibãs no começo do atual mês de agosto.

– Enquanto o Grupo de Lima se desmancha, governo e oposição venezuelana desenvolvem importante processo de negociações com apoio da mediação do México e da Noruega. Acompanham como observadores os governos da Rússia e dos Países Baixos. Nesse mesmo esforço, o governo de Maduro quer avançar também para uma negociação com o governo Biden. Durante uma conferência de imprensa realizada há uma semana (16), o deputado Jorge Rodriguez comentou sobre um memorando de entendimento que já foi assinado entre governo e oposição no último dia 13. Segundo ele, foi resultado de seis meses de conversações com 14 reuniões entre os setores políticos. Durante esse período, foram discutidos 7 pontos da agenda de negociações. O próximo encontro está previsto para 3 de setembro. Da parte do governo venezuelano, Jorge Rodríguez é o chefe da delegação e da parte da oposição lidera Gerardo Blyde, que representa dois grupos, o do Juan Guaidó e o do Henrique Capriles.

– O Brasil é notícia na imprensa internacional desta semana pela ameaça golpista do governo Bolsonaro. Está na capa de vários portais de notícias latino-americanas hoje que os governadores brasileiros fizeram um alerta ontem (23) sobre um possível levantamento armado das polícias estaduais a favor do presidente Bolsonaro. Devido ao fato de que policiais aposentados e mesmo em atividade convocaram manifestações de apoio ao presidente para o próximo 7 de setembro e fazem apologia a uma intervenção militar na corte suprema do país (STF). Os correspondentes internacionais também citam a participação do coronel Aleksander Lacerda, comandante de sete batalhões da polícia militarizada de São Paulo nessas atividades de incitação à indisciplina e que foi destituído pelo governador Doria.

– O Chile terá oito candidatos e uma candidata ao palácio La Moneda nas próximas eleições presidenciais de novembro. São eles Sebastián Sichel (sem partido, pelo pacto Chile Vamos), José Antonio Kast (Republicanos), Yasna Provoste (DC pelo pacto Unidad Constituyente-Pl-Nuevo Trato), Marco Enríquez-Ominami (PRO), Gabriel Boric (FA pelo pacto Apruebo Dignidad), Franco Parisi (Partido de la Gente), Gino Lorenzini (Independente), Eduardo Artés (UP), Diego Ancalao (Lista del Pueblo). A seguir seguem alguns detalhes sobre cada uma dessas candidaturas. Sichel representa a “situação” e agrupa quatro partidos de direita e ultradireita (UDI, RN, Evópoli e PRI). Boric representa o polo de esquerda que participou das eleições constituintes com o pacto Apruebo Dignidad e reúne os partidos da Frente Amplio, o PC e os Verdes (FRVS). José Antonio Kast representa o Partido Republicano de direita oposicionista (foi candidato em 2017 com 7,93%). Yasna Provoste é senadora pelo Atacama, foi presidente do Senado e candidata pelos Democratas Cristãos (DC). Marco Enríquez-Ominami é candidato pelo Partido Progressista, cineasta, já foi candidato em 2009, 2013 e 2017. Franco Parisi já foi candidato em 2009 e é candidato pelo Partido de la Gente, de oposição. Diego Analao é candidato pela Lista del Pueblo, que agregou muitos independentes e surpreendeu na eleição para representantes da Convenção Constituinte. É um ativista mapuche e já participou de outros partidos como DC, IC (esquerda cidadã) e os Verdes. A Lista del Pueblo tendia a apoiar Daniel Jadue, do PC, caso esse tivesse ganhado as primárias contra Gabriel Boric. Gino Lorenzini, engenheiro e auto-denominado empreendedor, conseguiu se inscrever de última hora sob um agrupamento denominado Felices y Forrados (que pretende educar os chilenos para pouparem sic).  

– O Haiti mais uma vez agoniza após um terremoto devastador. Já se passaram 10 dias do sismo 7.2 pontos do dia 14 de agosto e o total de mortos está quantificado em 2200 pessoas. Mais de 12 mil pessoas ficaram feridas e mais de 52 mil residências totalmente destruídas e outras 77 mil danificadas. Quase 400 pessoas ainda estão desaparecidas. Muitos países enviaram ajuda com alimentos e suplementos médicos. Cubanos enviaram equipes médicas e de enfermaria. Tudo isso em um país que já vinha enfrentando uma grave crise econômica, social e política, agudizada com o recente assassinato do presidente do país, Jovenel Moise. As últimas notícias sobre as investigações do seu assassinato foram em torno dos mercenários colombianos que confessaram participação no crime. Segundo os  áudios divulgados pela emissora colombiana Caracol, eles foram contratados por políticos locais do Haiti, que prometeram protegê-los após o crime, mas não o fizeram. Foram citados os nomes da ex-juíza da suprema corte haitiana Windelle Coq-Thélot e do médico e pastor Christian Emmanuel Sanon, que tinha aspiração para se tornar presidente, como mandantes.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 20/07/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/07/20/notas-internacionais-por-ana-prestes-20-07-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/07/20/notas-internacionais-por-ana-prestes-20-07-2021/#respond Tue, 20 Jul 2021 16:48:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=127271 – Finalmente Pedro Castillo será proclamado o vencedor do segundo turno das eleições presidenciais do Peru no último 6 de junho. O Jurado Nacional Eleitoral (JNE) ontem (19) deu como improcedentes os últimos cinco recursos apresentados pela candidatura de Keiko Fujimori contra a legitimidade do pleito. Em seu primeiro pronunciamento, Castillo disse: “invoco à líder do Força Popular, a senhora Fujimori, que não coloquemos mais barreiras na travessia e não coloquemos mais obstáculos para seguir adiante com este país”. Castillo também falou que na presidência lutará contra a corrupção: “não vamos permitir que roubem um centavo do povo peruano e ratificamos nosso compromisso para fazer uma luta contra a corrupção, contra os grandes males”. “Vou reconhecer os resultados”, disse Keiko em seu pronunciamento, apesar de insistir que as eleições foram ilegítimas. Pedro Castillo e sua vice, Dina Boluarte, tomarão posse no próximo dia 28 de julho, junto aos parlamentares eleitos para a Assembleia Nacional, no mesmo dia em que o Peru comemora seus 200 anos de independência.

– O Haiti passa a ter um novo governo hoje, encabeçado por Ariel Henry, que havia sido indicado por Jovenel Moise dois dias antes do magnicídio do presidente. O atual primeiro-ministro, Claude Joseph, voltará ao cargo de ministro das Relações Exteriores. O país ficará sem presidente e a missão será convocar novas eleições. Atualmente previstas para 26 de setembro. Após a morte de Moise, Joseph chegou a se autoproclamar a maior autoridade do país e foi reconhecido como tal pela comunidade internacional. No últimos dias, no entanto, sua autoridade foi corroída pelas revelações das investigações que podem implica-lo no assassinato de Moise. O país está sem parlamento operante. O novo primeiro-ministro também assumirá a pasta de Assuntos Sociais e Trabalho, que havia ocupado por dois anos durante o governo de Michel Martelly, anterior ao governo Moise. A morte de Moise continua sob investigação. Ontem foram divulgados áudios de chamadas telefônicas em que ele pede ajuda aos oficiais da Polícia Nacional Haitiana. Um dos interrogantes do caso é porque a segurança do presidente e a polícia haitiana não o socorreu.

– O governo boliviano continua trazendo revelações das investigações sobre o golpe de 2019. Já há evidências de que representantes do governo Trump tratavam do assunto em julho de 2019, meses antes do golpe. Em reunião do dia 24 de julho de 2019, o secretário adjunto do Departamento de Estado dos EUA para o hemisfério ocidental, Kevin O’Reilly, se reuniu na Bolívia com pessoas das embaixadas do Peru, Argentina, Brasil, além de representantes da OEA e da União Europeia, para tratar da “possibilidade” de fraude nas eleições bolivianas que ainda ocorreriam em outubro daquele ano. As eleições ocorreram em 20 de outubro e nesse mesmo dia o adversário Carlos Mesa se declarou o vencedor, apesar da evidente vantagem de votos a favor de Evo. No dia 21 de outubro começaram as denúncias de fraude e no dia 24, quando 99,9% dos votos já haviam sido apurados, se sabia que Evo tinha 10% de votos a mais do que Mesa. Passados dois dias, o Palácio do Governo em La Paz foi cercado e daí até o dia 9 de novembro, quando paramilitares começaram a queimar as casas de dirigentes do MAS, muitos distúrbios foram provocados. No dia 10 de novembro Evo foi obrigado a renunciar e no dia 11 começaram os atos de violência no sul do país. Nesses mesmos dias, o embaixador da Argentina na Bolívia, Normando Álvarez, pediu à chancelaria boliviana autorização para entrar com pessoal, material e equipamentos das forças especiais de segurança argentina. Em 12 de novembro, Jeanine Añez se autoproclama presidente e começam a chegar “os materiais” da Argentina e do Equador. Entre os dias 16 e 19 de novembro ocorreram os massacres de Sacaba e Senkata. Há indícios de que a diplomacia brasileira e chilena tinham conhecimento do golpe, assim como a espanhola.

– Na África do Sul, foi retomado ontem (19) o julgamento do ex-presidente Jacob Zuma. Desde sua prisão, em 7 de julho, o país vive em um estado de tensão devido às manifestações que tomaram conta do país, em especial na região de Durban e de Johanesburgo. Zuma renunciou à presidência do país em 2018, após as denúncias de corrupção durante seu governo no país. Sua defesa tenta neste momento derrubar o chefe do Ministério Público por parcialidade. O caso Zuma gerou divisões internas no bloco governante do país. O atual presidente, do mesmo partido, ANC (Congresso Nacional Africano), Cyril Ramaphosa, acusa Zuma de incitar a população contra o governo.

– Nos últimos dias há muitas notícias na imprensa internacional sobre o software israelense Pegasus, que estaria espionando pessoas estratégicas mundo afora e que um dos filhos do presidente Bolsonaro estaria tentando trazer para o Brasil. Já há notícias de que a tal viagem de Ernesto Araújo e outros membros do governo brasileiro para saber do “spray nasal” anti-Covid pode ter tido reuniões com o governo israelense sobre o sistema espião. O software espião é vendido para governos que estariam espionando jornalistas principalmente. Calcula-se que 50 mil jornalistas, advogados, ativistas já tenham sido grampeados pelo Pegasus.

– E na mesma semana em que o caso Pegasus está na mídia, os Estados Unidos e aliados europeus e asiáticos estão acusando o Ministério de Segurança do Estado da China de fazer uso de “hackers criminosos contratados” para ações cibernéticas desestabilizadoras pelo mundo. Segundo a vice-procuradora-geral, Lisa Monaco, em reportagem da CNN, “a China continua a usar ataques cibernéticos para roubar o que outros países fazem”. A ação é parte da política norte-americana de descredenciar a China no mercado internacional de tecnologias da informação, em especial com relação a Huawei, como já comentei aqui nas Notas tantas vezes. Será que os americanos vão se levantar do mesmo modo com relação a Israel e seu Pegasus?

– Os jogos olímpicos e paralímpicos do Japão estão previstos para começar esta semana, no entanto, não param de emergir casos de infeções pelo coronavírus entre os membros das delegações nacionais que chegam ao país. Está na imprensa de hoje que Toshiro Muto, chefe do comitê organizador dos Jogos, que seriam organizados em 2020, não descarta até um cancelamento de última hora. A ver.

– O presidente sírio, Bashar al-Assad, tomou posse pela quarta vez, desde 2000, no último final de semana. O país vive ainda um estado terminal de uma guerra que foi iniciada em 2011. Calcula-se que mais de 500 mil pessoas morreram nos conflitos e milhões hoje estão fora do país após um grande êxodo. Dos que ficaram no país, muitos estão na extrema pobreza e vivem em cidades colapsadas em sua infraestrutura. Com o apoio dos governos da Rússia e do Irã, Assad conseguiu retomar o controle do país a partir de 2015.

– Já começa a ter efeito internacional o dado do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) de que mais de 8300 km2 da Amazônia legal foi desmatada entre agosto de 2020 e junho de 2021. É o número mais alto registrado em dez anos.

– O governo alemão estima perdas em torno de 2 bilhões de euros após inundações que arrasaram o oeste do país. Mais de 160 pessoas morreram. Segundo a agência de notícias alemã DW, ruas, trilhos, pontes e torres de telefonia estão destruídos na região. A Bélgica também foi bem afetada com mais de 30 mortes. Segundo Johannes Quaas, da Universidade de Leipzig, na reportagem, “esse é o novo normal…. estamos lentamente nos aproximando de um novo normal que inclui padrões diferentes de precipitações”, se referindo às chuvas torrenciais e atípicas para a época do ano.

– Será lançado hoje o foguete Blue Origin de Jeff Bezos. O próprio estará embarcado, além de outros três passageiros. Serão 11 minutos a 100 km de altitude. Todo o comando da nave será por inteligência artificial.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 19/07/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/07/19/notas-internacionais-por-ana-prestes-19-07-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/07/19/notas-internacionais-por-ana-prestes-19-07-2021/#comments Mon, 19 Jul 2021 14:50:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=127209 1 Comentário 🔥]]> – O Chile passou ontem (18) por primárias presidenciais. Como funcionam? Não é um processo obrigatório, os partidos optam por realizar primárias internas ou em coalizões. Para tanto inscrevem suas candidaturas no Serviço Eleitoral (Servel) do país que faz todo o trâmite burocrático. A eleição ocorre em caráter nacional e no 20º domingo anterior à data da eleição para Presidente. Cada partido ou aliança de partidos informa ao Servel quem poderá votar nas suas primárias e há cinco opções: só os filiados ao partido (no caso de primária interna a um único partido); filiados e eleitores em geral que não tenham filiação partidária (primária partidária interna); apenas filiados aos partidos que integram a coalizão; filiados aos partidos da coalizão e eleitores sem filiação partidária; todos os eleitores aptos a votar. No caso das primárias de 2021, duas coalizões colocaram seus pré-candidatos para passarem por um escrutínio eleitoral com ampla votação da cidadania, a coalizão de direita Chile Vamos e a coalizão de esquerda Apruebo Dignidad. Nos meses que antecederam as primárias, as pesquisas de intenções de votos davam a dianteira para o comunista Daniel Jadue, filiado ao Partido Comunista do Chile, seguido por Joaquín Lavín, da UDI – Unión Democrata Independiente, partido conservador de direita do oficialismo. As pesquisas voltadas para as primárias especificamente também apontavam os dois como favoritos em suas respectivas coalizões. Porém a votação levou a outro resultado. Pelo Chile Vamos, foi eleito Sebastian Sichel e pelo Apruebo Dignidad foi eleito Gabriel Boric. O bloco Apruebo Dignidad angariou mais de 1,7 milhão de votos, sendo 60% para Boric e 40% para Jadue. Já o Chile Vamos conquistou 1,3 milhão de votos, sendo 49% para Sichel, 31% para Lavín e quase 10% para Mario Desbordes do Renovación Nacional e mais 9% para Ignacio Briones do Evópoli. Em seu discurso de vitória, Boric disse que se o Chile foi o berço do neoliberalismo, será também sua tumba. Disse também que trabalhará incansavelmente com Jadue pela vitória do Apruebo Dignidad nas eleições de novembro. Boric é proveniente da militância autonomista no movimento estudantil, da região de Magalhães e está em seu segundo mandato como deputado nacional. Está filiado ao partido Convergência Social fundado em 2018 pelos autonomistas. Em sua campanha nas primárias destacou muito a perspectiva de gênero e as preocupações com o meio ambiente. Fala muito em uma paz social construída com justiça social. Defendeu a ampliação dos direitos coletivos dos trabalhadores. Apesar de ser um candidato da esquerda, Boric atraiu um voto anti-comunista e anti-Jadue. As regiões mais ricas do país em Santiago oriental votaram massivamente por Boric. Ele acabou se tornando uma “saída do meio” para chilenas e chilenos que querem mudanças, mas temem um comunista no poder. Já o candidato da direita será Sebastián Sichel, que já foi do partido Democrata Cristão, do Ciudadanos e agora se identifica como Independente. É advogado de formação e trabalhou nos governos de Bachellet e Piñera, nos ministérios da economia, turismo e desenvolvimento social. Nunca ganhou uma eleição para nenhum cargo e se autodeclara porta-voz da centro-direita.

– Uma reportagem da TV colombiana Caracol do último dia 15 aponta o atual primeiro-ministro e presidente do Haiti, Claude Joseph, como um dos possíveis mandantes do assassinato do presidente Jovenel Moise no último dia 7 de julho. Dois dias antes de falecer, Moise havia nomeado Ariel Henry para substituir Joseph como primeiro-ministro e montar um novo gabinete. O objetivo do crime seria sequestrar Moise para Joseph assumir a presidência. Para tanto, desde novembro de 2020, teriam planejado o crime e contratado colombianos que trabalham como agentes privados de segurança. Pela reportagem, 200 agentes foram contratados, mas não todos teriam sido mobilizados para a missão. A matéria é controversa ao falar em sequestro, mas diz que 7 dos contratados sabiam que Moise deveria ser assassinado. Os colombianos presos e interrogados pelo FBI relataram proteção da polícia haitiana durante os meses em que viveram no Haiti ante do crime, também segundo matéria da TV Caracol ver: shorturl.at/jmyN4

– Após suas investidas no final de semana de 11 de julho para transformar problemas internos de Cuba, como a justa insatisfação popular com a escassez energética, provocada em grande medida pelas condicionantes do bloqueio econômico, em um golpe contra o governo de Díaz-Canel, o governo dos EUA tenta novas medidas desestabilizadoras. Biden voltou a falar na Casa Branca em envio de vacinas contra Covid para Cuba, desde que administradas por agências internacionais, que não permitiriam “confisco da vacina por autoridades cubanas”, assim como falou em “restaurar o acesso à internet” que supostamente teria sido cortado pelo governo cubano. Os pronunciamentos tentam desviar a atenção do fato de que Cuba possui suas próprias vacinas, mas justamente o governo dos EUA inviabiliza acesso a seringas e outros insumos básicos para o desenvolvimento da vacinação. Assim como a rede de internet é afetada justamente por conta das limitações e restrições comerciais impostas pelo embargo econômico. Biden ainda não falou em revogar nenhuma das mais de 250 medidas restritivas à Cuba da Era Trump.

– A África do Sul atravessou uma semana com muitos protestos e distúrbios de rua. Os protestos começaram no dia 8 de julho, logo após o ex-presidente Jacob Zuma se entregar à Justiça para começar a cumprir uma pena de 15 meses de prisão por desacato à corte do país. Ele enfrenta um inquérito por denúncias de corrupção no período de seu mandato presidencial (2009 – 2018). Muitos protestos deixaram inscritas as palavras “Free Zuma” nas paredes e muros das cidades, em especial em Durban, onde foram mais massivas. Protestos foram grandes também em Joanesburgo e Kwazulu-Natal, de maioria zulu. Há estimativas de mais de 200 pessoas mortas e mais de 2500 foram presas. Muitos centros comerciais foram invadidos, saqueados e depredados. A África do Sul é o país africano mais afetado pela pandemia e enfrenta uma crise econômica e social profunda, com desabastecimento de combustíveis e alimentos. A taxa de desemprego no país está em torno dos 30%. O presidente do país, Cyril Ramaphosa, admite que o país está em grave crise e que houve demora para dar resposta aos protestos mais violentos. Muitas mortes foram causadas por civis e seguranças privadas no confronto com os manifestantes. Parte do governo acusa os partidários e apoiadores de Zuma pela onda de violentos protestos.

– No próximo mês de agosto completa-se um ano da trágica explosão no porto de Beirute, no Líbano. Desde então, o país está sem um governo em pleno funcionamento, após a renúncia de Hassan Diab. O primeiro-ministro interino, Saad Hariri, acaba de desistir de mais uma tentativa de formar governo, após oito meses de negociações e recusa do presidente do país Michel Aoun da proposta apresentada. Importante lembrar que no Líbano o governo é  formado por cotas, presidente cristão maronita, primeiro-ministro muçulmano sunita e presidente do parlamento muçulmano xiita. Esse modelo vem desde os anos 1940, com a independência do país. Para elegerem seus representantes, os libaneses também votam em listas relacionadas à sua comunidade religiosa. O presidente Aoun alega que Hariri foi intransigente na última negociação que tiveram para a distribuição de ministérios. O Líbano sofre hoje de escassez de combustível, remédios, alimentos e produtos básicos, além de cortes de energia. Essa crise vem desde 2019 com aumento dos impostos em geral e perpetuação de esquemas de corrupção entre as oligarquias políticas religiosas.

– Segue em alta a queda de braço entre Viktor Orban, primeiro ministro húngaro, e a União Europeia em relação às políticas homofóbicas do governo da Hungria. Na última sexta (16), a Comissão Europeia anunciou a abertura de uma investigação por considerar que as políticas de Orban de proibir difusão de conteúdo LGBTI em ambientes onde há menores de idade viola a Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia em pontos como os da liberdade de expressão e direito à não discriminação. Outro procedimento semelhante foi aberto com relação à Polônia, por criar “zonas livres de ideologia LGBTI” em vários municípios do país.

– A chinesa Xiaomi se tornou a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, ultrapassando a Apple. A Samsung continua na liderança, com 19% do mercado. Xiaomi teve participação de 17% e a Apple de 14% no segundo trimestre de 2021 (Li no Meio).

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 23/06/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/06/23/notas-internacionais-por-ana-prestes-23-06-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/06/23/notas-internacionais-por-ana-prestes-23-06-2021/#respond Wed, 23 Jun 2021 16:13:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=125847 A República Islâmica do Irã passou por eleições presidenciais na sexta-feira, 18. O chefe do Judiciário do país desde 2019, Ebrahim Raisi, venceu a eleição no primeiro turno com 61,95% dos votos. O cargo de presidente é o segundo em importância no país, abaixo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que apoiou a eleição de Raisi. A participação da população nas urnas foi de 48,8%, a menor desde a instauração da República Islâmica, em 1979, segundo a imprensa que cobriu o pleito. Em 2017 Hassam Rouhani foi eleito com participação de 73% dos iranianos. Os governos dos EUA e de Israel reagiram em tom bastante crítico à vitória de Raisi. Sua posse ocorrerá em agosto e um dos primeiros desafios do novo presidente é quanto à reativação do acordo nuclear de 2015, que reunia os EUA (na época governados por Obama), França, Rússia, Reino Unido, China e União Europeia. O acordo foi abandonado durante a gestão Trump e uma série de sanções econômicas foi imposta ao Irã por supostos descumprimentos do acordo. Segundo o ministro iraniano Namdar Zaganeh, na imprensa, as sanções já causaram um prejuízo de mais de 100 bilhões de dólares ao país nos últimos três anos. Neste momento, acaba de ocorrer a sexta rodada de negociações para uma repactuação, ainda sem consenso. As conversas começaram em abril deste ano. O novo presidente eleito já disse que não pretende se reunir com Joe Biden, mas disse querer melhorar relações com as monarquias do golfo Pérsico. Isso foi dito em sua primeira conferência de imprensa após eleito. Tais monarquias acusam o Irã de causar instabilidade no Líbano, Síria, Iraque, Bahrein e Iêmen. Quando, na verdade, são essas monarquias do golfo, com a ação determinante dos EUA, que sustentam guerras como a do Iêmen.

– Houve eleições também na França, mas regionais, no domingo, 20. Em 13 regiões houve a eleição de 1º. turno e o partido Os Republicanos, de direita, foi o primeiro colocado em sete das 13 regiões. Em outras cinco regiões o Partido Socialista ficou em primeiro. O partido A República em Marcha, de Macron, não ficou em primeiro lugar em nenhuma região. O partido de Marine Le Pen, Reagrupamento Nacional, ficou em primeiro lugar em apenas uma região, apesar de ter ido para o segundo turno em várias. A abstenção foi alta, de 66,1%. Entre os eleitores de 18 a 24 anos a abstenção foi de 87%.

– Na Hungria, o governo já vinha sendo criticado por ter adotado emendas à legislação que proíbem o que eles consideram como “promoção da homossexualidade junto a menores”. Como protesto, a prefeitura de Munique tinha a intenção de iluminar com as cores do arco-íris, símbolo da luta LGBT, o estádio onde a seleção alemã enfrentará hoje (23) a seleção húngara pela Eurocopa, mas a UEFA proibiu e gerou o maior rebuliço contra a UEFA na Europa. A candidata do Partido Verde alemão à chancelaria do país, para substituir Merkel, Annalena Baerbock fez um chamado à população do país que exibisse bandeiras com as cores do arco-íris no dia do jogo. O ministro das relações exteriores da Hungria agradeceu o “bom senso” da UEFA e disse que a iniciativa seria uma “provocação política contra Budapeste”. Os organizadores da marcha LGBT de Munique estão planejando distribuir 11 mil bandeiras para os espectadores do jogo e a prefeitura da cidade também disse que vai decorar vários edifícios com as cores do arco-íris.

– No Peru, a demora do resultado oficial da eleição provoca tensão e já há indícios de que um golpe pode ser armado pelo fujimorismo ao não reconhecer a eleição de Pedro Castillo. A contagem dos votos já saiu das mãos da ONPE – Oficina Nacional de Procesos Electorales – e agora está nas mãos do JNE – Jurado Nacional de Elecciones – que julga os recursos apresentados pelas chapas concorrentes e demais denúncias provenientes das mesas eleitorais e postos de votação. São as chamadas “actas observadas”. Os jurados começam hoje (23) a se reunir em plenário de forma pública e transmitida pelas redes sociais para julgar os recursos. Os jurados estão denunciando assédio e ameaças. A CIDH se pronunciou sobre estas ameaças, sobre a insegurança para o trabalho de jornalistas que cobrem as eleições e sobre o racismo e a descriminação de que tem sido vítimas eleitores indígenas e população mais pobre da área rural. No dia de ontem (22) a candidatura de Keiko também entrou com um pedido judicial que impõe à ONPE a entrega das listas com a relação de pessoas que votaram no segundo turno com informações pessoais e assinatura. Além disso, pode-se dizer que o fujimorismo tenta criar um clima de golpe no país com os quase mil recursos impugnatórios, liminar para apresentação das listas de eleitores, a carta dos militares da reserva que convocam a hierarquia militar pelo não reconhecimento da eleição de Castillo, o assédio e ameaças sobre as autoridades eleitorais, a insubordinação policial na região de Junín, a pressão sobre o presidente Sagasti, a pressão via imprensa e os atos de rua.

– A Assembleia Geral da ONU – AGNU – vota hoje pela 29ª vez uma resolução reprovando o bloqueio imposto pelos EUA a Cuba desde 1962. Por 28 vezes a resolução foi aprovada por ampla maioria. Há uma expectativa sobre como votará o Brasil. Por 27 vezes votou pela resolução, mas em 2019 o governo Bolsonaro alinhado ao governo Trump votou contra, junto com EUA e Israel. Apenas três países contrários. Com as mudanças no governo dos EUA, com a eleição de Biden e também mudanças no Itamaraty, com a queda de Araújo, pode ser que o Brasil se abstenha.

– O governo da China anunciou esta semana que já ultrapassou 1 bilhão de doses de vacinas aplicadas contra o coronavírus no país. Isso corresponde a mais de um terço de todas as doses já aplicadas no mundo. Além disso, está exportando vacinas para mais de 80 países, com o Brasil incluído. Para se ter uma ideia da enormidade dos números, os chineses estão vacinado quase 15 milhões de pessoas a cada dez dias (infos do Nexo Jornal). Enquanto isso, em todo o continente africano menos de 2% da população já recebeu a vacina, cerca de 40 milhões de pessoas. Esta semana o secretário geral da OMS, Tedros Adhanom, disse que estão em curso negociações para um consórcio de empresas e instituições para estabelecer um centro de transferência de tecnologia na África do Sul. Já a América Latina concentra o maior número de vítimas do coronavírus do mundo. A região possui 8% da população mundial e um quarto de todas as mortes por Covid. O Brasil desponta com meio milhão de mortos. Mesmo países que no começo da pandemia eram exemplo de gestão da crise para o mundo, como Argentina, Paraguai e Uruguai, hoje estão ao lado de Brasil, Peru e Colômbia em termos de perdas humanas. (com infos do Nexo Jornal, BBC e OMS)

– Uma notícia da semana passada, mas que não havia comentado ainda nas Notas em detalhe foi a cúpula entre Biden e Putin em Genebra. Foram quatro horas de encontro a portas fechadas. Ambos os governantes qualificaram o encontro como “positivo”, apesar disso, não houve conferência de imprensa conjunta. Fizeram suas apreciações em separado. Os pontos de maior discrepância do encontro parecem ter sido o momento em que Biden pautou o que os americanos consideram como falta de liberdade política por parte dos opositores na Rússia, em especial com relação a Alexei Navalny, e o tema da Ucrânia, em que Putin não aceita fazer concessões e desocupar militarmente as fronteiras com o país. Em outros temas sensíveis como armas nucleares e cyberataques parece que foi possível ao menos ter algum diálogo, com delineamento de novos acordos e formação de grupos de trabalho em conjunto sobre os temas. Após o encontro, ambos governos retornaram com seus correspondentes embaixadores para os postos diplomáticos nas capitais Moscou e Washington. Biden foi bastante criticado por republicanos e parte da imprensa americana por não ter “falado mais grosso” com Putin. Já o presidente russo fez apontamentos com tom de ironia para a imprensa russa de que “Biden não é lento ou senil” como a imprensa apregoa.

– Nos EUA, está em vias de ser lançado, na próxima semana, o livro “Nightmare scenario: Inside the Trump administration´s response to the pandemic that changed history” ou “Cenário de pesadelo: por dentro da resposta do governo Trump à pandemia que mudou a história”, fruto de 180 entrevistas realizadas por dois jornalistas do Washington Post, Yasmeen Abutaleb e Damian Paletta.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/06/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/06/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-06-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/06/14/notas-internacionais-por-ana-prestes-14-06-2021/#comments Mon, 14 Jun 2021 14:16:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=125380 1 Comentário 🔥]]> – O Brasil volta a ter assento não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A eleição se deu na 75ª Assembleia Geral da ONU e o Brasil recebeu 181 votos. Esta é a 11ª vez que o Brasil ocupa esse posto. Historicamente nossa diplomacia luta por uma reforma do Conselho de Segurança e um assento permanente. Esse é o único órgão da ONU que pode adotar decisões que se tornam obrigatórias para todos os 193 Estados-membros, inclusive com autorização para intervenções militares. Sua composição é de 15 membros, sendo 5 permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e 10 não permanentes (mandatos de 2 anos).

– No Peru, a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) ainda não pronunciou a eleição de Pedro Castillo como presidente eleito do país. Segundo um anúncio do órgão eleitoral, na última sexta (11), 100% das atas já haviam sido processadas, mas contabilizadas 99,5%. Atas processadas são aquelas que já tiveram seus votos computados, digitados e verificados, mas ainda não contabilizadas. A diferença entre os dois candidatos está em 60.398 votos. Enquanto isso, a campanha de Keiko Fujimori luta para impor um processo por fraude eleitoral. Um grupo de 60 Júris Eleitorais Especiais vai fazer a análise das reclamações e emitir uma decisão de primeira instância, que pode ser revista e confirmada pelo Júri Nacional Eleitoral. A campanha de Castillo também apresentou demanda de impugnação de algumas atas. Já os observadores eleitorais internacionais não sinalizaram para nenhum indício de fraude eleitoral no processo. A batalha se dá também no cenário internacional, enquanto os presidentes da Argentina e Bolívia cumprimentaram Castillo por sua vitória, 17 ex-presidentes latino-americanos pediram atenção às denúncias de Keiko. Mas ela também enfrenta de modo concomitante outra batalha com a justiça, depois que um procurador pediu sua prisão preventiva por romper normas às quais está submetida por se encontrar em liberdade condicional.

– Em uma clara disputa com a China, sobre qual o país lidera os esforços para acabar com a pandemia do novo coronavírus, em sua visita à Europa, Biden anunciou a doação de 500 milhões de doses da vacina Pfizer para cerca de 100 países mais pobres do mundo. Até agora a China tem sido a maior exportadora de imunizantes e IFA para o conjunto dos países do mundo. Biden esteve na Europa para participar do G7, de uma cúpula da OTAN (ocorre hoje), bilaterais com EU e uma reunião com o presidente Vladimir Putin (ainda por ocorrer na quarta em Genebra). Todos os encontros tiveram claras sinalizações anti-China. Biden tentou posicionar o G7 em uma rota de colisão contra a China, apontando para um plano que rivaliza com o projeto Cinturão e Rota lançado em 2013 por Xi Jinping e que abrangem mais de 100 países. Entre esses países está a Itália, por exemplo, que após a reunião do G7 já anunciou que revisará sua participação na cooperação em infraestrutura com o país asiático. A ofensiva estadunidense é feita com base nos instrumentos de sempre, colocaram na declaração final do G7 denúncias sobre violação de direitos humanos em Xinjiang, uma petição pela autonomia de Hong Kong, reforço à solidariedade a Taiwan e exigência de mais investigações sobre as origens do novo coronavírus. A declaração já é vista como a mais dura dos países ricos do ocidente contra a China em 30 anos, desde os eventos na Praça Tiananmen. A chancelaria chinesa reagiu chamando o grupo de manipulador e dizendo que um pequeno grupo de países não pode ditar as políticas globais. Segundo as autoridades chinesas, as declarações são feitas com base em “mentiras, rumores e acusações infundadas”. No editorial do Diário do Povo, jornal do PCChina, aparece o trecho: “muitas das principais potencias seguem dominadas por uma mentalidade imperial obsoleta depois de anos tratando de humilhar a China. Agora tudo mudou. Somos mais fortes e mostraremos competência. Mas não toleraremos as interferências em nossos assuntos internos”. Biden dá um passo a mais na ofensiva contra a China em relação ao que Trump vinha fazendo via guerra comercial. Biden quer unir EUA e Europa em uma disputa com uma defesa ideológica da ordem liberal.

– Esta reunião do G7 foi a primeira presencial em quase 2 anos. O anfitrião da vez, o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, declarou o aquecimento global como prioridade da cúpula. Ao final do ano, o Reino Unido vai sediar a COP26 em Glasgow. Outro tema do encontro foi o enfrentamento da pandemia, com a promessa de esforços para prevenir futuras crises sanitárias dessa magnitude e de doar 1 bilhão de vacinas contra a covid-19 para os países mais pobres, a partir do próximo mês de agosto. Não houve muito avanço na questão da quebra de patentes, ficou uma declaração genérica de “importância da propriedade intelectual” e “impacto positivo do licenciamento voluntário e transferência de tecnologia” em alguns casos. Os cálculos são de que o mundo precisa de 11 bilhões de doses de vacinas e não de 1 bilhão e ainda sem quebra de patentes. Foi discutido também um plano que citei em Nota acima que rivaliza com o projeto Cinturão e Rota da China e que está sendo chamado de “Reconstruindo o mundo para melhor”. Houve ainda a formalização de um pedido do grupo para a OMS para um estudo sobre as “origens da covid-19”. Houve ainda um chamado à Rússia para que coloque fim em suas “atividades desestabilizadoras”. E ainda um projeto para tentar colocar 40 milhões de meninas em escolas ao redor do mundo em um projeto chamado Parceria Global para a Educação.

– Em Israel, terminou a era Benjamin Netanyahu. Será a primeira vez em 12 anos que o país não terá sua participação no governo. O novo primeiro ministro agora é Naftali Bennett, líder do partido religioso de extrema direita Yamina, após decisão do parlamento israelense do domingo (13). Para destronar Netanyahu por 1 voto foi feita uma aliança de oito partidos, possibilitando que 60 dos 119 deputados presentes votassem por Bennett, que deve ficar no cargo até agosto de 2023, sendo substituído nos dois anos seguintes por Yair Lapid, líder do segundo maior partido israelense e considerado de centro, Yesh Atid. Apesar da muito comemorada queda de Netanyahu mundo afora, inclusive por setores da esquerda e apoiadores da causa palestina, há baixa expectativa sobre reais mudanças na condução da política israelense. Bennet construiu uma carreira com base no racismo e no ultranacionalismo, como membro da ala religiosa-sionista de seu partido. Em 2014 incitou o massacre contra os palestinos e foi seu o estímulo para que o exército israelense exterminasse cidadãos palestinos na operação “Margem Protetora”, inclusive com a morte de mães palestinas para que não gerassem filhos palestinos. Avigdor Lieberman, o partido Israel é Nosso Lar será o ministro das Finanças, de política neoliberal sem dúvida, a líder trabalhista Merav Michaeli será ministra dos Tranpsportes e o líder do Meretz, Nitzan Horowitz ministro da Saúde. O ministro da defesa será Benny Gantz, ex-comandante do Exército e que tentou revezar o cargo de primeiro ministro com Netanyahu. Outras distribuições de cargos e revezamentos podem ser lidos no artigo da Moara Crivelente: encurtador.com.br/ghxM7

– Na Colômbia, terminou a visita da delegação da CIDH, seguem os protestos e o impasse nas negociações com o governo Duque. Em Cali, que virou epicentro dos confrontos entre manifestantes e governo foi inaugurado neste final de semana um monumento gigante que é um braço erguido com uma mão segurando um letreiro escrito “Resistência”. Pode se ver as imagens do monumento aqui: encurtador.com.br/bfqH5

– No Chile, ontem (13) houve segundo turno para a eleição de governadores regionais. Um cargo novo na estrutura governamental chilena que não é federativa. Somente 19,5% dos aptos a votar compareceram às urnas. Regiões como Antofagasta e Atacama tiveram 12% de participação, já para o governo da Região Metropolitana de Santiago foram 25,6%. Em três regiões a eleição foi decidida no primeiro turno: Valparaíso, Aysén e Magallanes. Das 13 regiões onde houve disputa para o segundo turno, 5 ficaram com candidatos independentes de partido, 4 ficaram com o PDC (democracia cristã – centro), 3 com o PS (partido socialista – centro) e uma com o Comunes (esquerda). Na eleição mais disputada, pela RM de Santiago, ganhou Claudio Orrego (PDC), da chapa Unidad Constituyente, com 52,6% contra Karina Oliva (Comunes), da chapa Frente Amplio, com 48,3%. A chapa governista Chile Vamos só venceu uma eleição, em La Araucanía.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 08/06/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/06/08/notas-internacionais-por-ana-prestes-08-06-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/06/08/notas-internacionais-por-ana-prestes-08-06-2021/#respond Tue, 08 Jun 2021 18:33:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=125093 – Ainda não há uma definição oficial da eleição presidencial peruana. Após as eleições de segundo turno ocorridas no domingo, 06 de junho, as autoridades eleitorais peruanas seguem apurando os votos. No próprio domingo o “conteo rápido” feito pelo Ipsos Perú/América TV apontou como ganhador Pedro Castillo com 50,2% contra Keiko Fujimori com 49,8%. Neste momento, a Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) informa que 97,78% das atas já foram apuradas, dando 50,20% de votos para Castillo e 49,79% para Fujimori. Faltam 0,81% das atas nacionais e 35,81% das atas vindas do exterior. O “conteo rápido” que está bastante conhecido na América Latina nos países que não usam urna eletrônica, por encurtar a projeção de um possível vencedor, se realiza da seguinte forma: o instituto de pesquisa colhe uma amostra do escrutínio de mesas de votação escolhidas aleatoriamente e fazem uma projeção, uma hipótese do resultado final, com margem de erro de +/- 1%. É diferente da boca de urna que coleta a declaração de voto das pessoas ao saírem dos postos de votação. Na noite de ontem, segunda (7), o candidato e professor Pedro Castillo fez um pronunciamento à nação, do balcão da sede do partido Peru Libre em Cajamarca. Em suas palavras ele disse: “esperemos os dados oficiais da ONPE e então vamos nos pronunciar neste momento. Calma, irmãos, tranquilidade (…) Deixemos que se faça a vontade do povo nesse dia de festa democrática e se mantenha a calma e a tranquilidade”. Enquanto isso, Keiko Fujimori deu uma entrevista coletiva e disse que “há uma clara intenção de boicotar a vontade popular” expressada nas urnas no último domingo e pediu que a cidadania avise de irregularidades que tenha presenciado.

– Outro país que passou por eleições no final de semana foi o México. São conhecidas como eleições intermediárias de mandato e sua marca foi um tom plebiscitário entre o obradorismo e sua oposição, articulada em uma aliança entre o PRI (centro), o PAN (direita) e o PRD (centro-esquerda) chamada “Vá Por Má”. Apesar de a base Obrador ter continuado como maioria, foi desidratada. O Morena, partido do presidente, elegeu 197 parlamentares, 59 a menos da atual legislatura. O PT, da base aliada, elegeu 38 parlamentares, 8 a menos. Já o Partido Verde Ecologista (PVEM) aumentou sua bancada em 33 cadeiras e elegeu 44. Da coalizão oposicionista, o PAN elegeu 111, 34 a mais, o PRI elegeu 69, 21 a mais e o PRD 17, 5 a mais. O Movimento Ciudadano, que é um partido que se identifica como social democrata e tenta se posicionar como terceira via, ficou com 24 cadeiras, uma a menos. Deste modo, o presidente Obrador terá maioria simples, mas não mais a maioria qualificada que tinha antes, com mais de 333 assentos. Do outro lado, estará um bloco oposicionista com a possibilidade de fazer entre 181 e 213 votos. Três partidos não fizeram os 3% da cláusula de barreira, Redes Sociales Progresistas, Fuerza por México e Encuentro Solidario. Além de eleições parlamentares, o país também realizou eleições nos 32 estados do país. Foram muitos cargos renovados (19 mil): governadores, chefia de governo da Cidade do México, congressos locais, ajuntamentos, juntas municipais e prefeituras. Pelos limites desse espaço das Notas, destaco duas coisas, a vitória da coalizão Vá por México na maioria das “alcaldias” (administrações municipais) na Cidade do México, pois foi uma derrota importante para o Morena, e por outro lado o Morena fez a maioria de 11 governadores (Baja California, Baja California Sul, Sonora, Sinaloa, Nayarit, Colima, Michoacán, Guerrero, Tlaxcala, Campeche e Zacatecas) entre os 15 eleitos, o PAN ficou com dois governos (Chihuahua e Qurétaro), o PVE (San Luís Potosí) com um e o MC com outro (Nuevo León).

– Na Colômbia, neste momento realiza-se a visita de uma delegação da Câmara Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Serão visitadas as cidades de Bogotá, Cali, Popayán e Tuluá. A delegação fará uma apuração sobre as denúncias de violação dos direitos humanos durante a repressão do governo Duque aos protestos que ocorrem no país desde o dia 28 de abril quando começou um “Paro Nacional” que acabou se desdobrando em um “estalido social”, uma insurgência popular provocada por um acúmulo de demandas populares ignoradas por sucessivos governos do país. Quem preside a missão é Antonia Urrejola, presidente da CIDH e ficará até o dia 10 no país. O desafio será conseguir ouvir as vítimas de violação e os familiares dos mortos, pois o governo tenta evitar esses encontros a todo custo. Segundo as organizações não governamentais Temblores, Indepaz e PAIIS (programa de ação pela igualdade e a inclusão social), em um documento de 23 páginas entregue à CIDH, desde o dia 28 de abril até o dia 31 de maio foram registrados 3789 casos de violência policial, que vão desde violência verbal, a agressão física, prisões arbitrárias e injustiçadas, violência sexual e de gênero, lesões oculares e faciais, uso de armas de fogo contra civis e assassinatos. Eles identificaram 9 práticas das forças de segurança que violam os direitos humanos: uso de armas de fogo contra manifestantes; uso de armas para dispersar protestos; disparos com a arma Venom em zonas residenciais (um disparador rápido que fica em cima de tanques da polícia); uso de gases lacrimogêneos dentro de domicílios; policiais com placas de identificação ocultadas; uso de tortura e ilegalidades para liberar presos; agressões sexuais; lesões oculares; desaparecimentos forçados.

– O secretário do Departamento de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse em uma audiência no Congresso americano em Washington que está fazendo consultas com aliados e outros países para ter uma “abordagem comum” em um possível boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing 2022, marcados para iniciar em fevereiro do próximo ano, por “preocupações com direitos humanos”. Em maio, a presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, já havia proposto um “boicote diplomático” ao evento. Na época, o porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, respondeu dizendo que a China já afirmou várias vezes que a politização do esporte vai contra a Carta Olímpica e os interesses dos atletas em todo o mundo. Disse também que os EUA usam essas práticas de diversionismo para usar a causa dos direitos humanos para desviar a atenção de seus próprios e atuais crimes contra os direitos humanos, além de tentar conter o desenvolvimento da China.  A Missão de Observadores da União Interamericana de Organismos Eleitorais (UNIORE) se pronunciou dizendo que a eleição foi “organizada de maneira correta e com êxitos de acordo com os padrões nacionais e internacionais”.

– No Haiti, o governo anunciou um adiamento por tempo indeterminado do referendo constitucional que estava previsto para ocorrer no último dia 27 de junho. A alegação é de falta de controle sanitário ocasionada pela pandemia do novo coronavírus. Por trás disso, ocorre uma forte pressão social e críticas ao processo por sua unilateralidade. Há ameaças concretas de destruição dos materiais eleitorais como parte da revolta popular contra o governo Jovenel Moise que segundo a oposição tenta se esconder atrás desse referendo para aplacar a tensão no país. Moise governa desde 2020 com um parlamento e um judiciário esfacelados e quer uma nova constituição para legitimar medidas autoritárias e aumento do próprio poder. Com o texto a ser votado, o país voltaria a um regime presidencialista, podendo eliminar o Senado e outras medidas da mesma natureza.

– A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, fez uma visita ontem (7) à Guatemala e faz hoje ao México. Na Guatemala, ela se reuniu com o presidente Alejandro Giammattei e o centro das reuniões foi em torno da migração de cidadãos centro-americanos para os EUA. A missão de Harris foi claramente a de tentar deter as ondas de migrações que são massivas e sistemáticas nos últimos anos, como várias vezes comentei aqui nas Notas. Outro tema muito tratado foi o da corrupção com a criação de um grupo de trabalho conjunto entre o governo da Guatemala e o Departamento de Estado dos EUA para apurar casos de corrupção que tenham nexo entre os dois países e a região centroamericana. Foram anunciados também valores que chegarão como apoio por parte da USAID, de 40 mi de dólares para “empoderamento de mulheres jovens”, 7,5 mi de dólares para o setor privado “apoiar empreendedores e inovadores”. Outros valores foram anunciados para áreas específicas. Harris fez ainda um apelo para que cidadãs e cidadãos da Guatemala não façam o percurso pelo México para entrar nos EUA. Ela disse: “não venham, não venham. Os EUA seguirão fazendo cumprir suas leis e vamos assegurar nossa fronteira. Há métodos legais pelos quais se pode migrar.” Na prática, a visita demonstra algo que Trump também fez, no sentido de instalar um verdadeiro preposto ou “avanço de fronteira” dos EUA na Guatemala, com financiamento do governo de plantão, para tentar criar uma barreira aos centroamericanos que seguem migrando para o norte em busca de melhores oportunidades de vida, fugindo do desemprego e da violência. De lá, ela voou para o México onde foi recebida no aeroporto pelo chanceler Marcelo Ebrard e mais tarde se reuniu com o presidente López Obrador.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 31/05/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/05/31/notas-internacionais-por-ana-prestes-31-05-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/05/31/notas-internacionais-por-ana-prestes-31-05-2021/#respond Mon, 31 May 2021 17:57:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=124785 – Peruanas e peruanos vão às urnas no próximo domingo 6 de junho para decidir quem será o novo ou nova presidente do país. Concorrem: Pedro Castillo, candidato pelo partido Perú Libre e Keiko Fujimori, pelo partido Fuerza Popular. Ontem (30) ocorreu o único debate da campanha de segundo turno que durou quase dois meses, considerando que as eleições de primeiro turno se deram no dia 11 de abril. Assim que terminou o primeiro turno, as primeiras pesquisas de opinião davam 20% de vantagem de Castillo sobre Fujimori. Passados dois meses de intensa campanha contra o candidato da esquerda, Castillo, a diferença diminuiu e alguns institutos falam de empate técnico. São vários os institutos com pesquisas, escolhi a pesquisa do Ipsos para partilhar aqui os divulgados por eles em 28 de maio: Castillo aparece com 52,6% e Keiko Fujimori com 47,4%. Se forem considerados apenas os votos válidos, Castillo fica com 45% e Keiko com 40,7%, votos brancos e nulos ficariam com 14,3%. De fato, o que se sabe é que 15% da população ainda estaria indecisa sobre quem votar. A candidata Keiko Fujimori é filha do ditador Alberto Fujimori e sobre ela pesam uma série de denúncias de corrupção. No começo da campanha ela não podia viajar pelo país por estar em restrição de liberdade imposta pela justiça, justamente pelos julgamentos que enfrenta. Apesar do fujimorismo ter se isolado muito no último período com grandes perdas no parlamento e na opinião pública em geral, ele foi reativado pela direita peruana justamente no intento de barrar a chegada de Pedro Castillo à presidência. Já Castillo é um sindicalista da área da educação rural, tendo se projetado nacionalmente em 2017 durante a Greve Nacional da Educação. Ele participa do partido Perú Libre, que se identifica como marxista-leninista-mariateguista e foi fundado por um médico, Vladimir Cerrón, um médico neurocirurgião e que é o governador da região peruana de Junín. Uma das formas de tentar desestabilizar a campanha de Castillo, operada pela direita e pelo governo, via forças armadas, foi atribuir a ele relação com um atentado ocorrido na região de Vraem no dia 23 de maio, com a morte de 16 pessoas, incluindo menores. Ao lado dos corpos foram encontrados folhetos pedindo boicote à eleição. Nas eleições de 2011 e 2016, houve atentados semelhantes no exato dia da véspera da eleição. Voltando um pouco ao tema do debate de ontem, os pontos de maior destaque ficaram por conta das diferenças de perspectivas em torno da pandemia, gestão da saúde, gestão da educação, investimento externo, tecnologia e concepção geral de estado. Claramente uma aposta de Keiko em mais neoliberalismo e de Castillo no desenvolvimento sustentável e centralidade do papel do Estado. A polêmica que mais ganhou as redes foi quando Keiko acusou Castillo de não citar as mulheres em seus discursos e Castillo revidou dizendo que ela devia desculpas ao país pelas mulheres esterilizadas ao longo do mandato presidencial de seu pai, Alberto Fujimori. Castillo também fez menções às torturas sofridas pela mãe de Keiko com a anuência dela, para se referir ao tema das mulheres. O debate pode ser visto na íntegra neste link:

– Na Colômbia, na última semana completou-se um mês dos protestos iniciados em 28 de abril com a convocatória de um Paro Nacional. Importante ressaltar que não são lutas que vêm desse mês apenas, mas um histórico de tensão entre movimentos populares e o governo Duque, assim que esse tomou o poder e em perspectiva maior das últimas décadas de neoliberalismo e incapacidade do Estado de implementar os Acordos de Paz. Os protestos se agudizaram em 21 de novembro de 2019. Depois em setembro de 2020, quando 14 pessoas foram mortas em Bogotá pela polícia e agora em abril de 2021. O que está ocorrendo agora é um “estalido social”, como se chamam os movimentos que ultrapassam as pautas reivindicatórias pontuais. Uma demonstração de cansaço frente ao modelo neoliberal. E na Colômbia há o agravante da violência promovida pelo Estado. Passado esse um mês, a discordância entre governo, movimentos e ongs sobre o número de mortos, desaparecidos, presos, mulheres sexualmente violentadas é gritante. Governo e polícia falam em 17 civis e 2 policiais mortos, 9 casos em verificação, 129 pessoas desaparecidas. Uma das organizações que tem feito esse acompanhamento se chama Temblores e reporta 43 homicídios certos e outros 34 em verificação se tem relação com os protestos e 3405 atos de violência policial. Outra organização é o Indepaz que fala em 65 mortos, sendo 45 pelas forças de segurança do exército, 358 desaparecidos, 47 pessoas com lesões oculares, 27 vítimas de agressão sexual. Outra organização, a Unión por la libertad, fala em 59 mortos, 346 desaparecidos, 87 vítimas de violência de gênero, 51 pessoas com lesões oculares. Tal discrepância demonstra um total descontrole do país, através de uma política agressiva e violenta do governo Duque contra os manifestantes. Chegou a haver um pré-acordo entre governo e comitê dos manifestantes no dia 24 de maio, para pactuar segurança nas manifestações, para daí sim começar algum tipo de negociação de pautas, mas mesmo esse acordo caiu por terra no último final de semana. Ontem, domingo (30), haveria uma oitava rodada de conversas, mas o governo fez “ajustes” nos pré-acordos, tirando seu compromisso de desmilitarização e não uso de força militar contra os protestos, autonomia das autoridades locais na relação com os manifestantes, não uso de armas de fogo, excepcionalidade e limites para intervenção da Esmad (força de segurança especial), abertura de um debate sobre reforma da Polícia, aplicar instrumentos do acordo de paz para avançar na solução do conflito, condenação da violação de direitos humanos e estigmatização dos protestos, formação de uma comissão para acompanhar os acordos e outros. O governo alega que não é possível avançar nas negociações se não houver levantamento dos bloqueios de vias, um dos mais potentes instrumentos do movimento. O governo quer negociar sem paralisações e bloqueios, o que obviamente não é aceitável por parte de quem protesta. Outra denúncia que a oposição a Duque tem feito é quanto ao decreto 575/2021 que dá ao governo o direito de se apoiar em uma “assistência militar” para desbloquear vias e conter protestos. Na verdade é uma ainda maior militarização do país. Desde o começo das manifestações, a cidade de Cali tem sido a região mais tensa. A cidade de mais de 2 milhões de habitantes tem sido palco de ataques e assassinatos das forças de segurança governamentais e dos paramilitares. Ontem (30), a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se pronunciou pedindo que sejam levantados dados sobre violação aos direitos humanos em Cali e rápida punição dos responsáveis.

– Vai acontecer no próximo dia 12 de junho o primeiro encontro presencial entre Biden e Putin, desde a posse do democrata em janeiro. Nos últimos dias houve anúncios por parte do governo dos EUA de que serão levantados temas de direitos humanos na reunião. A reação pública da chancelaria do governo russo foi de que os americanos receberão “mensagens desagradáveis”, sobre o episódio de 6 de janeiro no Capitólio, caso não haja clareza e compromisso sobre a pauta. Sabe-se que uma reunião de chefes de Estado de alto nível é muito bem preparada e com antecedência. Na prática, a reunião é para a foto oficial de coisas já decididas entre as partes, portanto, se há trocas de farpas através de anúncios públicos e entrevistas à imprensa é porque as coisas não estão tão azeitadas.

– A Alemanha reconheceu formalmente as atrocidades cometidas durante a colonização da Namíbia. A colonização ocorreu entre 1884 e 1915. Durante esse período, foi promovido um verdadeiro genocídio do povo do país africano, em especial do povo Herero e do povo Nama por terem se revoltado contra a colonização em 1904 o primeiro e, na sequencia, em 1905 o segundo. Perto de 100 mil pessoas foram mortas. Muitas ossadas dessas pessoas foram enviadas para a Alemanha na época para experimentos científicos que embasaram teses racistas de superioridade da raça branca. Junto ao pedido de desculpas, o chanceler alemão Heiko Maas informou que será pago à Namíbia um valor de 1,1 bilhão de euros para ajudar no desenvolvimento e reconstrução do país. No entanto, esse valor será distribuído em contribuições ao longo dos próximos 30 anos. Segundo o porta-voz do presidente da Namíbia, em entrevista à France-Press, Alfredo Hengari, “a aceitação por parte da Alemanha de que um genocídio foi cometido é um primeiro passo na direção correta. É a base da segunda etapa, que consiste em pedir desculpas e prever uma reparação”. 

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Não são 30 pesos, são 30 anos – o que está acontecendo no Chile (por Ana Prestes) https://www.ocafezinho.com/2021/05/23/nao-sao-30-pesos-sao-30-anos-o-que-esta-acontecendo-no-chile-por-ana-prestes/ https://www.ocafezinho.com/2021/05/23/nao-sao-30-pesos-sao-30-anos-o-que-esta-acontecendo-no-chile-por-ana-prestes/#comments Sun, 23 May 2021 20:45:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=124490 2 Comentários 🔥]]> Em outubro de 2019, quando milhões de pessoas foram às ruas no Chile, uma das palavras de ordem que mais se ouvia enquanto os manifestantes pulavam indo ao ar e voltando com força estremecendo o solo chileno era: “no son 30 pesos, son 30 años”. Uma referência ao aumento de 30 pesos da tarifa do metrô que foi o estopim para o “estalido social”, como eles chamam, e os 30 anos de implantação do que entrou para a história como o modelo chileno de neoliberalismo. O Chile possui pouco mais de 18 milhões de habitantes, cerca de 8% da população brasileira. Naquele dia 25 de outubro de 2019, em que decididamente a Praça Itália se transformou na Praça Dignidade, a presença de mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas de Santiago equivale ao que seria no Brasil algo como 15 milhões de pessoas ocupando as ruas de Brasília.

A Constituição pinochetista de 1980 funciona como uma espécie de elo que liga o Chile atual ao passado ditatorial pós-derrubada de Salvador Allende. Mas desde sua publicação, não foi uma Constituição que dialogou apenas com o passado golpista, mas principalmente com o futuro neoliberal que projetava. A carta funcionou de lastro para o neoliberalismo sistemático dos últimos 30 anos, entoados nos cânticos dos manifestantes de 2019. Em um trabalho espetacular de compilação dos efeitos dessas três décadas sobre o país, Giorgio Boccardo e outros pesquisadores mostram como o conjunto das políticas de privatização dos serviços públicos de saúde, educação, aposentadorias, gestão da água e reformas laborais impactou nas condições de vida e na democracia chilena[1].

Por muito tempo se ouviu que o Chile foi o único país latino-americano que “deu certo”, fruto de um “casamento feliz” entre neoliberalismo e democracia. Mas não demorou muito para esse casamento ir pelos ares e o mundo conhecer a verdadeira tensão que estava latente sob o assoalho desse edifício. Bastou o presidente Piñera anunciar um aumento em 30 pesos (20 centavos de Reais) na tarifa do metrô de Santiago para que uma grande onda de protestos engolisse todo o país e fizesse o mundo voltar os olhos para a “longa pétala de mar, vinho e neve”, como o poeta Neruda[2] descrevia sua pátria. Era o estalido social. Não eram 30 pesos, eram 30 anos. E isso se demonstrou também pela violenta reação do Estado e suas forças de segurança. Pelo massacre dos carabineros em diversos pontos das manifestações, os mais de 11 mil detidos e mais de 2500 presos, muitos dos quais ainda seguem no cárcere e as mais de 300 pessoas com lesões oculares ou completamente cegas pelos disparos e ataques da repressão.

Na segunda quinzena de novembro de 2019, três institutos de pesquisa (Activa, Criteria e Cadem) davam entre 82% e 85% a taxa de desaprovação ao governo de Sebastián Piñera por chilenas e chilenos. Dali em diante o país vive uma crescente de mudanças que podem ter impacto em todo o sistema político e social. A começar pela redação de uma nova Carta Magna, fruto justamente da pressão que se fez sobre a institucionalidade como porta de saída para o estado de paralisia a que chegou o país, porque as pessoas simplesmente não deixavam as ruas, mesmo sob violência e prisões arbitrárias. O pacto firmado em 15 de novembro, chamado Acordo Pela Paz e Uma Nova Constituição, foi a face mais evidente do nocaute sofrido pelo governo de plantão na governabilidade do país. Uma série de partidos e movimentos, com mais destaque para o Partido Comunista, não assinaram o Pacto justamente por ter sido um arranjo feito a portas fechadas em gabinetes e com normas pré-fixadas, sem a participação da cidadania. No fundo, a realização de uma nova Constituição já estava dada e a não assinatura do pacto por alguns era a demonstração de que seu regramento (como a norma dos 2/3) não seria imposto pelos mesmos que governam o Chile há décadas, mas seria disputado nas urnas, o que de fato se deu, e nas primeiras decisões das e dos constituintes, o que ainda se dará nas próximas semanas. A mensagem mais forte e que ainda ecoa: não tentem mais tomar decisões sem o povo.

Ao iniciar o ano de 2020 já estavam dados os preparativos para o “plebiscito de entrada” de abril, nome que ganhou a primeira consulta pública pela convocação ou não de uma Assembleia/Convenção constituinte e se formato, híbrido (com parlamentares já eleitos) ou exclusivo (com 100% de constituintes eleitos pelo povo). A pandemia do novo coronavírus condicionou a mudança de data para outubro do mesmo ano e com a participação de 50,95% das pessoas aptas a votarem, venceu por ampla maioria de 78,28% a opção “Apruebo” contra os 21,72% da opção “Rechazo”. Para o tipo de convenção, venceu por 79% a opção “Convención constitucional” contra 21% obtido pela opção “Convención mixta”. Um ano após os protestos de 2019 e com todos os desafios provocados por uma pandemia global, a cidadania chilena reagiu contra o estigma que se tentava impor pelas forças conservadoras de que “o vírus calou o Chile” ao comparecer à consulta plebiscitária e não deixar margens de dúvida ao seu resultado.

Começava então uma nova batalha pela composição da Convenção, que pela primeira vez na história do Chile criará uma Constituição de forma democrática e com participação popular. Novamente as condições sanitárias impostas pela pandemia e a incapacidade do governo Piñera de garantir um enfrentamento digno à situação de caos na saúde pública e de desamparo econômico-social dos chilenos, as eleições previstas para abril de 2021 precisaram ser adiadas e terminaram por serem realizadas nos últimos dias 15 e 16 de maio. Uma retumbante vitória dos setores populares e da esquerda chilena ficou evidente já nas primeiras horas de apuração das urnas, onde foram depositados votos não apenas para constituintes, mas também prefeitos, vereadores e ineditamente governadores regionais. Vejamos nas próximas linhas alguns resultados que sobressaem especificamente para a eleição de constituintes.

De partida, dois fatores já diferenciam enormemente esse processo constituinte que sai das urnas de qualquer outro latino-americano e mundial, a paridade na conformação da convenção, entre homens e mulheres e a reserva de 17 dos 155 assentos para representantes dos povos indígenas. Serão 81 mulheres e 74 homens as e os redatores do novo texto. A incapacidade da direita pinochetista neoliberal agrupada na lista “Vamos por Chile” de alcançar 1/3 das cadeiras também é um fator importante e que diz muito sobre o descrédito que assombra os que se achavam até bem pouco os donos do destino do país. Eles ficaram com 37 vagas. Na sequência as listas “Apruebo Dignidad” (partidária), com 28 assentos e a “Lista del Pueblo” (independente), com 27, somam os 55 representantes que já são dados como o bloco mais consolidado da esquerda. A lista com partidos de centro, “Apruebo” conquistou 25 cadeiras e a lista de independentes “Nueva Constitucion” ficou com 11. Os demais são os 17 dos povos indígenas e mais 10 eleitos de modo independente com pautas específicas ligadas ao meio ambiente, luta LGBTQ+, setores da igreja e lideranças sociais. Todos serão empossados no próximo mês de junho e iniciarão um trabalho de redação que durará de 9 a 12 meses, ao fim do qual será submetido a um novo plebiscito popular, desta vez de ratificação, até 60 dias após o fim da última sessão.

Qual Chile será regido pela nova Constituição? Em um processo extremamente interessante e de grande movimentação a convenção constituinte trabalhará ao mesmo tempo em que o país elegerá um novo governo nacional. Poucos dias após a votação dos dias 15 e 16 venceu o prazo para a inscrição das primárias presidenciais. Não comentei aqui os resultados eleitorais para governos locais e regionais, fica para um próximo texto, mas o resultado não foi muito diferente do que se espelhou na composição da convenção. Com crescimento dos setores da esquerda, estagnação do centro e perdas importantes da direita. Deixo para reflexão o fato de que já a caminho da inscrição para realizarem primárias conjuntas, o Partido Comunista (Daniel Jadue), a Frente Ampla (Gabriel Boric) e o Partido Socialista (Paula Narváez), esse último tentou carregar consigo o PPD (do ex-presidente Ricardo Lagos) e o pacto social democrata Nuevo Trato, o que não foi aceito por comunistas e frenteamplistas. Mesmo para quem não domina todos os arranjos aliancistas e denominações partidárias chilenas (prometo escrever a respeito) o importante é compreender o impasse pedagógico em que se encontram as forças de centro que carregam o pesado fardo neoliberal ao mesmo tempo em que tentam marchar ao lado daqueles que sempre estiveram nas trincheiras antineoliberais. Afinal, não são 30 pesos, são 30 anos.         


[1] Ver livro em https://www.researchgate.net/publication/342453155

[2] Poema Cuándo de Chile: https://www.neruda.uchile.cl/obra/obrauvasyelviento6.html

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 18/05/2021 https://www.ocafezinho.com/2021/05/18/notas-internacionais-por-ana-prestes-18-05-2021/ https://www.ocafezinho.com/2021/05/18/notas-internacionais-por-ana-prestes-18-05-2021/#respond Tue, 18 May 2021 13:31:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=124288 – A Faixa de Gaza segue sendo impiedosamente bombardeada. Na noite de ontem (17) o relatório do Ministério da Saúde palestino atestava 212 mortos, sendo 61 crianças, 36 mulheres e 16 idosos. Há quase 1500 feridos, incluindo também crianças, mulheres e idosos. Mais de 100 edifícios da faixa de Gaza foram atacados, vários derrubados e mais de 3500 residências destruídas. Em um dos edifícios derrubados, funcionavam os escritórios de mais de 20 órgãos de imprensa, entre eles a Aljazeera e a Associated Press, prejudicando por óbvio a divulgação de informações sobre o que está ocorrendo em Gaza. Até mesmo as equipes de emergência estão tendo dificuldades de transitar com ambulâncias pelas ruas dado o nível de destruição da infraestrutura palestina. Para hoje, 18 de maio, o partido nacionalista Al Fatah, do presidente Mahmud Abbas, está convocando uma greve geral de todos os palestinos residentes nos territórios ocupados de Jerusalém oriental e da Cisjordânia. Árabes israelenses também estão sendo chamados a se juntar. A tentativa de mediação de uma mediação entre palestinos e israelenses dos egípcios não apresentou nenhum resultado até agora. Segundo fontes palestinas, o que se propõe é um cessar fogo sem compromissos da parte israelense de não atacar palestinos em Jerusalém e lugares sagrados e isso não seria aceitável. Há também um enviado da ONU, Tor Wennesland, que está na região em conversações com autoridades palestinas, israelenses e egípcias. Os israelenses dizem que não houve contatos para cessar fogo e que a “operação” continuará. Sabe-se que Blinken, secretário de Estado dos EUA, também tem mantido conversas com o governo egípcio. O governo Biden dos EUA, se negou ontem (17) pela terceira vez em uma semana a referendar a declaração do Conselho de Segurança da ONU sobre o que chamam de “conflito israelense-palestino”. O texto foi escrito por representantes da China, Tunísia e Noruega e pede “o fim da violência e o respeito ao Direito Internacional Humanitário, incluindo a proteção de civis, especialmente crianças”. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU informou que quase 40 mil palestinos já abandonaram suas casas nesta semana de ataques. Os israelenses justificam que seus ataques são respostas aos mais de 3 mil projéteis lançados pelo Hamas contra Israel. A maioria dos foguetes foram interceptados pelos escudo antimísseis Domo de Ferro. As informações são de que 10 israelenses desde o dia 10 quando iniciaram as agressões contra os palestinos em Jerusalém oriental. Da última vez em que Israel atacou a Faixa de Gaza, em 2014, os ataques duraram 51 dias, deixando 2251 mortos do lado palestino e 74 em Israel, a maioria soldados. Ao custo da vida de muitos palestinos, ficou clara na última semana a decisão de líderes internacionais, como Biden e Merkel de tentar isolar os ataques israelenses como algo específico contra o Hamas. Tanto EUA, como Alemanha, tem argumentado que “Israel tem o direito de se defender dos ataques do Hamas”. Essa é linha que resolveram adotar enquanto não param de morrer famílias palestinas inteiras em Gaza.

– Na Colômbia, o governo Duque faz negociações durante o dia e mata pela noite, é o que dizem várias lideranças políticas, como o Senador Gustavo Petro em sua conta no twitter. De fato, após a imprensa internacional ter divulgado os passos dados na mesa de negociações entre governo e oposição no domingo (16) e na segunda (17), ontem circularam muitas imagens da militarização das rodovias em várias localidades como Yumbo, Boaventura, Antioquia, Cali e outras. Nas cenas percebe-se forte presença de militares, com tanques de guerra e armamento pesado, presença da polícia especial Esmad e paramilitares em cenas de violência contra civis. Em Yumbo houve a explosão de um posto de distribuição de gasolina, 29 pessoas feridas e pelo menos 3 mortas. A ofensiva se deu após uma ordem do presidente Duque, dada na noite de ontem (17) para que todas as vias do país fossem desbloqueadas. Novas manifestações estão sendo convocadas pelo Comitê Paro Nacional para amanhã, 19 de maio. Da mesa de negociações, o governo saiu com uma proposta para subsídio de 25% do valor de um salário mínimo para jovens entre 18 e 28 anos que sejam contratados. O salário mínimo na Colômbia é perto de 1300 reais. Curiosamente o nome do plano para os jovens é Plano de Choque. Mas na realidade o choque não é de investimentos nos jovens, pois na sequência do anúncio, Duque deu a ordem de acabar indiscriminadamente com todas as barricadas no país e os efeitos tem sido de mais violência e mortes como se viu durante a madrugada.

– Chilenas e chilenos já sabem quem serão (as e os) 155 representantes do povo responsáveis por escrever uma proposta de novo texto constitucional. De antemão, algumas características marcam a eleição, alta abstenção (40% compareceram para votar), muitos votos direcionados para candidates independentes (sem partido), novidade da paridade de gênero na composição da assembleia. A enorme pressão popular que emergiu nos protestos de 2019 foi o motor da vitória dos partidos e dos movimentos de esquerda na eleição e seguirá tendo grande papel nos trabalhos da Constituinte, pois nenhum bloco formou uma maioria de 2/3. A ultradireita e a direita neoliberal mais arraigada (Vamos por Chile) ficaram com 37 assentos, os partidos da esquerda (Apruebo Dignidad) conquistaram 28 e o centro (Apruebo) ficou com 25. Entre os independentes, dois grupos se destacaram, a Lista del Pueblo (lideranças populares antineoliberais sem partido), com 24 vagas, e a Nueva Constitución (católicos progressistas), com 11. Os povos indígenas terão 17 representantes escolhidos entre suas comunidades (Mapuches, Quechuas, Aimaras e outros).  Os demais 13 representantes são independentes, majoritariamente ligados às pautas de transformações defendidas nas manifestações desde 2019, aos temas ambientais, lideranças religiosas e comunitárias. Olhando para a composição da Assembleia fica forte a impressão de que o bloco Apruebo e seus partidos centristas poderão ser o fiel da balança para a formação dos 2/3 necessários para a aprovação das mudanças, mas também há ainda muitos questionamentos sobre a composição da enorme bancada dos independentes e como se comportará.

– Mas o Chile também elegeu prefeitos, vereadores e governadores. E nessas eleições também houve derrotas importantes dos candidatos apoiados pelo governo Piñera. Dentro da grande Santiago, pelo menos em duas comunas foram eleitos comunistas, o candidato presidencial Daniel Jadue, que foi reeleito na Recoleta e Irací Hassler em Santiago. O partido Revolução Democrática, da Frente Amplio, também conquistou comunas importantes, como Viña del Mar, com a candidata Macarena Ripamonti. Para os 16 governos regionais, esta é a primeira vez em que a cidadania chilena elege as pessoas que ocuparão esses cargos, antes indicados pelo presidente, visto que o Chile é um Estado unitário e não uma Federação como o Brasil. Dos 16 cargos disputados, em 3 a eleição foi concluída domingo (16) e outros 13 vão para o segundo turno. As três regiões que já tem governadores eleitos são Valparaíso (Frente Ampla), Aysén (Partido Socialista) e Magallanes (Independente). Uma eleição que promete ser emocionante no segundo turno em 13 de junho é a da Região Metropolitana de Santiago em que concorrem Karina Olivo do Comunes e Claudio Orrego da Democracia Cristã.

– O diretor da OMS, Tedros Adhanom, disse que “o mundo vive apartheid de vacinas”. Segundo ele, países de alta renda respondem por 15% da população mundial e tem 45% das vacinas, enquanto os países de média e baixa renda somam quase metade da população mundial e possuem hoje 17% das vacinas. No continente africano, por exemplo, chegaram menos de 2% de todas as doses de imunizantes já fabricadas. Para piorar a situação, muitas matérias-primas e equipamentos para produzir as vacinas estão em falta. Isso poderia ser resolvido, segundo especialistas, com mais pressão sobre a indústria farmacêutica para cooperar mais com outras empresas, sem condicionantes e segredos. Por isso é tão importante a abertura das patentes e a transferência de tecnologia, para que mais fábricas possam produzir os imunizantes. Até agora não existe um consenso entre os países dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio) para que isso seja feito.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 13/05/21 https://www.ocafezinho.com/2021/05/13/notas-internacionais-por-ana-prestes-13-05-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/05/13/notas-internacionais-por-ana-prestes-13-05-21/#comments Thu, 13 May 2021 17:10:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=124101 4 Comentários 🔥]]> – A agressão israelense contra palestinos continua sendo uma grande preocupação em todo o mundo. Ontem (12) houve reunião do Conselho de Segurança da ONU, mas a delegação dos EUA bloqueou a aprovação de uma resolução que pedia o fim das hostilidades.  As investidas do governo Netanyahu começaram no final de semana com o impedimento aos árabes de Jerusalém oriental de realizarem as atividades de celebração do dia de Al-Quds (Jerusalém) que marca o fim do Ramadã na esplanada das mesquitas, nas proximidades da mesquita de Al-Aqsa, e o desalojamento forçado de famílias palestinas do bairro Sheikh Jarrah. Houve reação dos palestinos na Faixa de Gaza, comandados pelo Hamas, com disparos de foguetes em direção ao lado israelense. O Hamas já havia se pronunciado ao dizer que “não há linha vermelha se Al-Aqsa for violada”. Há notícias de 7 israelenses mortos e 80 feridos. A contra-ofensiva israelense foi com bombardeios que já deixaram 84 mortos, sendo 17 crianças, e 480 feridos, segundo dados do Ministério da Saúde da Palestina divulgados pela Aljazeera. Um prédio de 13 andares foi derrubado por bombas lançadas dos aviões israelenses sobre a Faixa de Gaza. Várias companhias aéreas dos EUA e da Europa interromperam seus voos para Tel Aviv. O governo israelense, comandado por Benjamin Netanyahu insiste que Jerusalém seja reconhecida apenas como a capital do Estado judaico e isso tem trazido reações por parte de árabes não palestinos residentes em Jerusalém. Neste momento Gaza está absolutamente cercada e bloqueada e é iminente o esgotamento de alimentos e combustível. Uma delegação do governo do Egito teve conversações com a direção do Hamas e neste momento está em Israel na tentativa de mediação de um cessar-fogo. O chanceler do Egito, Sameh Shoukry, e o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, já se pronunciaram pedindo que Israel pare com os ataques a Gaza. Lavrov também propôs uma reunião entre EUA, União Europeia, Rússia e Nações Unidas para uma mediação. A Palestina teria eleições no próximo dia 22 de maio, como já comentamos aqui nas Notas, mas provavelmente serão adiadas. *Foto: Abbas Momani/AFP.

– Novas marchas ocorreram ontem (12) na Colômbia, convocadas pelo comitê nacional da paralisação. A convocação foi feita após o fracasso das negociações com o governo Duque na última segunda (10), que contou com a presença de representantes da ONU e da Igreja Católica. Segundo um dirigente sindical que participou da reunião, o governo não cedeu em nenhum pedido de desmilitarização dos pontos de protestos. A situação ficou ainda mais tensa com a comoção que tomou o país em torno da confirmação da morte de Lucas Villa Vásquez, de 37 anos, também na última segunda-feira (10). Lucas havia recebido oito disparos durante uma manifestação do dia 5 de maio em Pereira, no estado de Risaralda. A Esmad, que é uma força policial específica “anti-distúrbios” da Polícia Nacional colombiana, voltou a reprimir violentamente os protestos na Praça Bolívar em Bogotá, capital do país. Mobilizações ocorreram também em Medellín, Cali, Bucaramanga, Barranquilla, Pereira, Yopal, Cartagena, Neiva, Putumayo e outras cidades espalhadas pelo país. Os protestos pedem renda básica de um salário mínimo para as famílias mais vulneráveis à pandemia, retirada do projeto de Lei da Saúde, defesa da produção nacional e fim da repressão às manifestações. Não há consenso sobre o número de mortes fruto dos ataques do governo às manifestações desde 28 de abril. O governo, através de sua ouvidoria de direitos humanos, admite 26 mortes, a organização Human Rights Watch fala em 38 óbitos e o Instituto Indepaz relata que 47 pessoas foram assassinadas.

– O presidente da Argentina, Alberto Fernández, terminou uma viagem à Europa para buscar apoios ao seu governo no processo de negociação das dívidas que seu país herdou após a passagem do governo Macri com o FMI (US $45 bilhões) e o Clube de Paris (US $2,4 bilhões). Ele passou por Lisboa, onde recebeu apoio do governo português. Esteve na Espanha, onde se reuniu com o rei Felipe VI e com o premiê Pedro Sánchez, de quem também recebeu apoio. Inclusive, Sánchez deve fazer uma visita pessoal à Argentina nos dias 8 e 9 de junho. Depois da Espanha, Fernández foi a Paris, onde se reuniu com Macron e a Roma, onde foi recebido pelo governo e pelo Papa Francisco. Por onde passou, Fernández também pediu apoio para a quebra das patentes das vacinas contra o coronavírus como forma de combater a pandemia de modo mais eficiente.

– Nos EUA, durante o último final de semana, um ataque de hackers interditou o maior oleoduto do país, que transporta mais de 2,5 milhões de barris de óleo por dia, e roubou mais de 100 GB de informações. Diante da situação, foi necessária a declaração de estado de emergência em 17 Estados da costa leste. A emergência permite o transporte de combustíveis por via rodoviária sem restrições de horários. Enquanto a empresa controladora do oleoduto, Colonial, tenta reabrir suas operações, o governo Biden tem se concentrado em encontrar os responsáveis pelo ataque e a Rússia já foi citada. Ontem (11) a embaixada da Rússia nos EUA se pronunciou e negou qualquer participação no ataque virtual.

– Ontem (12) a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o PL 3729/2004 que praticamente extingue o licenciamento ambiental no Brasil. A aprovação já ressoou pelo mundo e pode prejudicar ainda mais a imagem que se tem do país no exterior como um “pária ambiental”. Se virar lei, o projeto pode impactar muito nas negociações já frágeis do Acordo Mercosul-União Europeia. Na prática, o projeto cria uma situação de insegurança jurídica, pois deixará de haver um parâmetro nacional para as legislações estaduais nos 27 Estados da federação.

– Embora o COI faça cara de paisagem, as autoridades médicas do Japão estão cada vez mais contundentes na linha de rejeição à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Um grande sindicato médico escreveu ao governo japonês, segundo divulgação da imprensa: “nós nos opomos com força à disputa dos Jogos de Tóquio em um momento em que as pessoas em todo o mundo lutam contra o novo coronavírus”. Os médicos consideram “impossível disputar os Jogos de forma segura durante a pandemia”. O maior temor é quanto às novas variantes que podem chegar ao país junto com os atletas e suas equipes. Faltam 10 semanas para a abertura dos Jogos.

– O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se pronunciou sobre as investidas de Juan Guaidó dos últimos dias de demonstrar busca de diálogo com o governo. Nas palavras de Maduro, “se ele quer (Guaidó) se incorporar aos diálogos que já estão em curso, desenvolvendo-se em todos os temas, bem vindo e que se incorpore aos diálogos que já existem”. A tentativa de diálogo se dá no âmbito da convocação de eleições pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano. Serão reuniões regionais e municipais conjuntas, para eleger 23 governadores, 335 prefeitos, assim como deputados regionais e vereadores para compor as Câmaras legislativas.  

– O Chile se prepara para ir às urnas no final de semana. Para além dos 155 representantes que vão compor a nova Assembleia Constituinte, serão eleitos prefeitos, vereadores e pela primeira vez governadores regionais. Esse cargo de governador substituirá os “intendentes” que eram nomeados pelo presidente da República. Serão eleitos 16 governadores que serão a principal autoridade nas 16 regiões do país por um mandato de 4 anos, podendo ser reeleitos apenas uma vez. O segundo turno, para as regiões e municípios que não definirem a eleição no primeiro turno será no dia 13 de junho. Apesar da eleição direta para governador, o governo central manterá a indicação de um “delegado do governo” para cada região. Quanto aos constituintes, esta será a primeira vez em todo o mundo que se realiza uma eleição em que tanto as chapas como os eleitos terão paridade de gênero. Se dois homens forem os mais votados, a lista correrá até a mulher com mais votos. 

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 10/05/21 https://www.ocafezinho.com/2021/05/10/notas-internacionais-por-ana-prestes-10-05-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/05/10/notas-internacionais-por-ana-prestes-10-05-21/#comments Mon, 10 May 2021 16:09:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=123956 5 Comentários 🔥]]> – Ao final desta semana, nos dias 15 e 16 de maio, a população chilena vai às urnas* para eleger seus representantes em uma histórica Assembleia Constituinte a ser composta por 155 cidadãs e cidadãos. Se inscreveram 1191 candidatos, sendo 603 mulheres e 588 homens. Destes, 62% não é filiado a nenhum partido. Metade da assembleia obrigatoriamente será ocupada por mulheres. Foram reservadas 17 cadeiras para serem ocupadas somente por representantes dos povos indígenas chilenos (mapuche, aimara, rapa nui, quechua, atacameño, diaguita, cola… e outros). O processo de redação de uma nova Constituição é fruto das manifestações do segundo semestre de 2019 que tomaram as ruas do Chile. Um ano após os protestos, em outubro de 2020, se realizou uma Consulta Popular em que venceu o “Aprovo” para a realização de uma nova Carta Magna. Os constituintes terão um ano para escrever o documento. Após a eleição de 16 de maio, em 30 dias os eleitos serão proclamados como constituintes e o presidente Piñera convocará uma sessão inaugural que provavelmente será na segunda quinzena de junho. Cada artigo da proposta terá que ser aprovado por 2/3 dos constituintes. Tudo se dará em um país convulsionado, com um presidente, Sebastián Piñera, que tem uma rejeição de 90% da população, é investigado por atos de lesa humanidade com a violência repressiva aos protestos que deixou centenas de pessoas cegas, além de mortos, feridos e presos políticos. O local de trabalho de debates e redação será no Palácio Pereira, em Santiago. Cada constituinte vai receber um salário mensal de 2,5 milhões de pesos chilenos (3500 dólares). Uma vez escrita a proposta, será realizado um referendo popular para sua aprovação. Quando a nova Constituição for promulgada o Chile já terá passado por eleição presidencial, que será realizada em 21 de novembro deste ano com segundo turno previsto para 19 de dezembro. O novo (ou nova) presidente será empossado (a) em março de 2022. *Além dos constituintes, os chilenos também vão eleger governadores, prefeitos e vereadores dos municípios nos dias 15 e 16.

– Ontem, 9 de maio, foi dia de celebração da vitória do exército soviético sobre os nazistas na segunda guerra mundial. Seguindo a tradição, houve uma parada militar na Praça Vermelha em Moscou. Estiveram presentes no desfile 12 mil pessoas, 190 veículos militares e 76 aeronaves entre helicópteros e aviões. O presidente Vladimir Putin aproveitou o evento para enviar algumas mensagens para a comunidade internacional e mais especificamente para o governo Biden, quando criticou a emergência de uma “russofobia” e os “planos agressivos que estão sendo gestados contra a Rússia”. Entre outras coisas, Putin disse que hoje há “tentativas de reescrever a história” e que foi “o povo soviético que alcançou a façanha” de derrotar a Alemanha nazista. Segundo ele, as Forças Armadas da Rússia são “herdeiras dos soldados da vitória”. A União Soviética perdeu pelo menos 20 milhões de pessoas no conflito com os alemães nazistas.

– Hoje é o 12º dia de protestos e mobilizações na Colômbia desde o início da jornada popular de lutas contra a reforma tributária de 28 de abril. Desde então, segundo a Defensoria Pública da Colômbia, 548 manifestantes estão desaparecidos e 405 pessoas foram feridas (sendo 364 manifestantes). O número de mortos, segundo o Indepaz, está em 47, sendo pelo menos 39 claramente por violência policial. Quase mil pessoas teriam sido detidas arbitrariamente, há relatos ainda de 12 casos de violência sexual e quase 30 pessoas que perderam a visão. Mesmo assim, nas últimas horas o presidente Ivan Duque solicitou o “uso mais eficaz” da força pública na cidade de Cali, um dos epicentros dos protestos, enquanto o ex-presidente Álvaro Uribe pediu ocupação militar da cidade. Na última madrugada homens armados dentro de veículos abriram fogo contra uma minga indígena (marcha) enquanto entrava em Cali. Há notícias de pelo menos 10 indígenas feridos neste ataque. O ex-presidente do país, Juan Manuel Santos, se colocou à disposição para mediar o diálogo entre o Comitê da Paralisação Nacional e o governo Duque. Ainda não se sabe se ele estará presente em uma reunião marcada para hoje (10), em que também estarão representantes da ONU e da Conferência Episcopal. Ontem o Papa Francisco mencionou a situação da Colômbia como uma de suas preocupações.

– A Índia está vivendo a passagem de uma onda devastadora de infecções pelo coronavírus. O país, que chegou a ter 9 mil casos de infecções pelo novo coronavírus em fevereiro, passou a ter 366 mil casos dia (dados do fim de semana). O primeiro-ministro Narendra Modi está sendo duramente criticado e a situação está ganhando implicações políticas. Na capital Delhi falta madeira para as cremações, os hospitais estão lotados e falta oxigênio. Somente 2% da população está vacinada com as duas doses completas. Houve um triunfalismo do governo indiano entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021 de que o vírus já havia sido derrotado. Em consequência houve liberação de festivais, jogos de críquete acompanhados por centenas de milhares de pessoas e atividades das campanhas eleitorais de abril. O próprio Modi esteve em um comício do seu partido em que ele mesmo disse nunca ter visto tantas pessoas juntas em uma atividade política. A Índia possui uma variante do vírus que preocupa particularmente, por sua alta transmissibilidade, é a B.1.617.

– Cuba vai começar nos próximos dias a imunizar sua população contra o coronavírus com duas vacinas produzidas nacionalmente. Ao todo, Cuba tem 5 projetos de vacinas nacionais em desenvolvimento. As vacinas que serão usadas agora de modo experimental são a Abdala e a Soberana 2 e serão aplicadas em Havana, Santiago de Cuba e Matanzas. Segundo o ministro da saúde José Ángel Portal o objetivo é vacinar 22% da população em junho e chegar aos 70% em agosto.

– A vitória da direita nas eleições para a Assembleia de Madri, na Espanha, na semana passada, foi um alerta de preocupação para a esquerda europeia. Isabel Díaz Ayuso, do PP, foi reeleita para a Presidência da Comunidade de Madri, que é a grande região metropolitana de Madri. A coalizão de extrema direita conseguiu 77 cadeiras, sendo 64 para o Partido Popular (PP) e 13 para o Vox (franquista e ultraconservador). A coligação de esquerda ficou com 59 cadeiras, divididas entre PSOE, Mais Madri e Podemos. A campanha de Ayuso teve um forte tom anticomunista e anti-medidas restritivas como lockdown e distanciamento social em relação à pandemia. A campanha também foi marcada por violência política e ameaças de morte contra lideranças da esquerda, como Pablo Iglesias, que chegou a receber balas de fuzil pelo correio com ameaças à vida de seus familiares. Reyes Moroto, liderança do PSOE e ministra do turismo no país, recebeu um envelope com uma faca manchada de sangue. Pablo Iglesias, que era vice-primeiro ministro do país e renunciou para concorrer contra Isabel, abandonou a política institucional tão logo foi anunciado o resultado das eleições madrilenas.

– Nos últimos dias aumentou muito a tensão em Jerusalém oriental com ataques aos palestinos residentes na cidade sagrada. Os conflitos se deram na região onde está localizada a mesquita de Al-Aqsa e pelo menos 205 palestinos foram feridos. As forças de segurança israelenses estão tentando desalojar 28 famílias palestinas do bairro de Shej Jarrah.

– O Conselho Supremo Eleitoral (CSE) da Nicarágua convocou eleições gerais no país para o próximo dia 7 de novembro. Os registros das alianças eleitorais podem se dar até o dia 12 de maio e as inscrições das chapas serão entre 28 de julho e 2 de agosto. Não demorou muito para EUA e OEA manifestarem sua contrariedade. O porta-voz do Departamento de Estado do governo americano, Ned Price, se pronunciou no twitter: “os EUA e a comunidade internacional estão alarmados com a decisão do governo Ortega de ignorar o apelo do povo nicaraguense por reformas eleitorais significativas. Apoiar a democracia significa realizar eleições livres e justas”. A OEA, em declaração da Secretaria Geral publicada em 6 de maio, criticou a composição do tribunal eleitoral por “consolidar a concentração de poder da FSLN”. 

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 29/04/21 https://www.ocafezinho.com/2021/04/29/notas-internacionais-por-ana-prestes-29-04-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/04/29/notas-internacionais-por-ana-prestes-29-04-21/#comments Thu, 29 Apr 2021 19:26:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=123515 1 Comentário 🔥]]> – O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo (Peru Libre) disparou nas pesquisas de intenção de voto. Pelo menos quatro institutos de pesquisa coincidem no apontamento de uma ampla vantagem do candidato. Pelo Instituto de Estudos Peruanos (IEP), Castillo obteve 41,5% das intenções contra 21,5% de Keiko Fujimori. A pesquisa anterior, da Ipsos, estava apontando 42 de Pedro contra 31 de Keiko. As empresas de pesquisa Datum e CPI, apontam 41 contra 26 e 35,5 contra 23,1, respectivamente, sempre com Castillo na dianteira. Keiko possui um alto índice de rejeição, na casa dos 55%, o que se explica pelo regime autoritário e a corrupção do governo de seu pai, Alberto Fujimori e também pelos processos que ela enfrenta na justiça por lavagem de dinheiro e ocultação de fundos em suas campanhas à presidência em 2011 e 2016. A campanha de Keiko e seus apoiadores estão apostando em uma campanha anticomunista para derrotar Castillo, nas ruas das maiores cidades do Peru aparecem cartazes com os dizeres: “Pensa no seu futuro. Não ao comunismo” ou “O comunismo gera miséria e pobreza”. A campanha detratora diz que Castillo fará um governo autoritário, fechará o Congresso, terminará com a liberdade de imprensa e se perpetuará no poder (tudo que o fujimorismo fez). Keiko já recebeu apoio público do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e do renomado escritor defensor do neoliberalismo Mario Vargas Llosa. Entre os que se candidataram no primeiro turno, a candidata de esquerda Verónika Mendoza (7,8% dos votos) expressou seu apoio a Castillo, embora questione sua postura com relação às políticas de gênero e casamento igualitário. Já o então candidato da extrema direita Rafael López Aliaga (11,7%) declarou apoio a Keiko e disse que se ganhar, Pedro Castillo “sairá morto do Palácio do Governo”.

– Novo chanceler brasileiro, Carlos França, ontem (28) trabalhou como bombeiro junto à Embaixada da China no Brasil, após ataques do ministro Paulo Guedes ao país asiático, dizendo que a China teria criado o novo coronavírus e que suas vacinas eram ineficazes. O Embaixador da China, Yang Wanming, publicou em suas redes que teve uma conversa telefônica com o chanceler e que ambos concordaram em “reforçar ainda mais a confiança política mútua num ambiente sadio e amigável, implementar os consensos entre os chanceleres e continuar a nossa parceria de vacinas”. Para quem não viu a fala de Guedes, eis um trecho: “o chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva que a do americano. O americano tem cem anos de investimento em pesquisa. Então os caras falam: ‘Qual é o vírus? É esse? Tá bom’. Decodifica, tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras”. A fala foi feita em uma reunião do Conselho de Saúde Suplementar. Ao saber da fala, o Embaixador da China se manifestou assim: “até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e dos insumos ao Brasil, que respondem por 95% do total recebido pelo Brasil. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil”. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e desde 2012 os dois países têm uma relação qualificada como “Parceria Estratégica Global”.

– O governo do Uruguai apresentou esta semana aos parceiros do Mercosul uma proposta de flexibilização das negociações do bloco e permissão para que os países integrantes façam acordos comerciais unilaterais com terceiros. Consta no texto proposto que os países integrantes poderão iniciar negociações “seja de maneira coletiva, seja de maneira individual”. A proposta foi avaliada no Conselho do Mercado Comum, em reunião extraordinária presidida pela Argentina na última segunda (26). Participaram da reunião os ministros do exterior e da economia de todos os países integrantes, além dos presidentes da Argentina e do Uruguai. Atualmente, os países do Mercosul realizam negociações de forma conjunta, sempre com base em decisões consensuais entre os integrantes. Os uruguaios têm batido na tecla de que “se todos não estão de acordo, o Mercosul não avança”. O que estamos planejando tem por objetivo lidar diretamente com esse ponto: aqueles que não desejam avançar, por qualquer que seja o motivo, devem permitir que os demais parceiros avancem”. Essas foram as palavras do presidente do Uruguai, Lacalle Pou. Ele também disse que o Mercosul não pode ser um “lastro” que impeça o avanço de seu país, ao que Alberto Fernández, presidente argentino, respondeu que se a Argentina é considerada um lastro, “eles que apanhem outro barco”. Também houve farpas entre o ministro da economia brasileiro Paulo Guedes e o da Argentina Martín Guzmán. Em apoio à proposta do Uruguai, Guedes disse que a “mão invisível do mercado” iria ajudar a reativar as economias, ao que Guzmán revidou dizendo que “a mão é invisível porque não existe”. Guzmán acrescentou que o aumento das exportações e o crescimento econômico “deve ser inclusivo, deve vir acompanhado de equidade na distribuição dos benefícios”.  A reunião não chegou a nenhum acordo e o tema será novamente debatido em reunião presidencial do bloco em maio.

– Uma proposta de reforma tributária na Colômbia tem gerado mobilizações em todo o país. Na quarta (28) foi convocada uma greve nacional com paralisações em vários setores produtivos. O “Paro Nacional” foi convocado por amplos setores organizados entre trabalhadores, mulheres, estudantes e indígenas, apesar das restrições impostas pela pandemia e teve uma adesão bastante grande. Os protestos das últimas horas tem recebido forte e violenta repressão por parte das forças policiais em várias cidades colombianas. A reforma tributária taxa salários a partir de 2.5 milhões de pesos (500 dólares), assim como as pensões a partir de 4,8 milhões de pesos (1300 dólares), amplia o imposto IVA para 19% em vários produtos da cesta básica, combustíveis, insumos agrícolas e serviços públicos. Aprofunda a mercantilização da saúde, abona empresários da agroindústria, mineração e exploração de petróleo. É uma reforma que atingirá principalmente a classe média e baixa do país, tendo efeito direto no consumo das famílias.

– O presidente dos EUA, Joe Biden, fez ontem (28) seu primeiro pronunciamento no Congresso após sua posse. Um dia antes de completar 100 dias de seu governo. Em seu discurso ele disse que “herdou uma nação em crise”, com a pior pandemia do século, a maior crise econômica desde 1929 e o pior ataque à democracia com a invasão do Capitólio em 6 de janeiro. Os principais pontos que ele quis destacar foram o apelo para que as pessoas se vacinem, o investimento na ciência, a indicação de que a economia verde gerará empregos, pedido para que os consumidores priorizem produtos “made in USA”, cobrou a China quanto aos compromissos no combate às mudanças climáticas, disse que manterá presença militar na região indo-pacífica, mandou mensagem para a Rússia de que podem vir mais retaliações, citou o caso George Floyd e pediu às polícias que “reconstruam relação” com o povo, acenou com esforço para acabar com a “epidemia armada” interna e prometeu reforma no sistema migratório.

– Segundo o Data Influye, do Chile, em pesquisa anunciada ontem (28) o candidato do Partido Comunista do Chile, Daniel Jadue, aparece em primeiro lugar como opção de votos dos chilenos com 16,8% das intenções. Ele é seguido pela candidata Pamela Jiles, com 15,5% e em terceiro vem o candidato Joaquín Lavín (UDI) com 9,8%. Dos entrevistados, 13,8% disseram não saber ainda em quem votar. Por outro lado, a aprovação ao governo de Sebastián Piñera está em 7%, segundo a mesma pesquisa, a taxa de desaprovação é de 81%.

– O último passo do Brexit foi cumprido. O Parlamento Europeu aprovou por maioria o Acordo de Comércio e Cooperação que regula a relação pós-Brexit com o Reino Unido. Segundo o anúncio do presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, o acordo foi aprovado por 660 votos a favor, 5 contrários e 32 abstenções, em votação secreta realizada na terça (27).

– O aumento dramático do número de contaminados pelo coronavírus na Índia fez com que o primeiro-ministro Narendra Modi telefonasse esta semana para uma série de líderes mundiais para pedir socorro. O governo americano foi um dos primeiros a acenar com ajuda.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 20/04/21 https://www.ocafezinho.com/2021/04/20/notas-internacionais-por-ana-prestes-20-04-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/04/20/notas-internacionais-por-ana-prestes-20-04-21/#comments Tue, 20 Apr 2021 14:57:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=123173 1 Comentário 🔥]]> – Vai acontecer essa semana, nos dias 22 e 23, a Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo governo Joe Biden, dos EUA. Foram convidados 40 líderes internacionais. O encontro será uma espécie de pré-Cop 26, que ocorrerá na Escócia em novembro. O objetivo é debater as metas para alcançar a neutralidade de carbono. O Secretário John Kerry, designado para cuidar da agenda ambiental e climática do novo governo norte-americano foi pessoalmente a vários países convidados para a cúpula, inclusive à China. No sábado (17) foi publicada uma nota sobre o encontro entre Kerry e Xie Zhenhua, sua contraparte chinesa. No documento os dois países se comprometem a “cooperar bilateralmente e com outros países para enfrentar a crise do clima”. Antes da chegada de Kerry, a chancelaria chinesa havia sido bem dura ao se referir à saída dos EUA do Acordo de Paris (assinado em 2015) com Trump (2016-2020) e ao dizer que os americanos não podem voltar quatro anos depois dando as cartas sobre o tema. “É como a volta de um estudante que faltava às aulas” disse o porta-voz da chancelaria chinesa. A cooperação ou não entre EUA, Europa e China é também um dos pontos de interrogação do encontro, assim como da posição de países em desenvolvimento como Brasil, Índia e África do Sul.

– O Brasil já foi uma liderança internacional no tema ambiental, tendo organizado a ECO 92 e desde lá sempre crescendo em influência, mas hoje, presidido por Bolsonaro, as posições brasileiras são encaradas com desconfiança e rechaço pela comunidade internacional. Afinal, Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente têm sido negligentes e colecionam recordes em desmatamento, queimadas e contenção do papel dos órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio. Nos dias que antecedem a cúpula, foram publicados dados de que o desmatamento da Amazônia no mês de março de 2021 foi o maior em 10 anos. Os dados são do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e apontam que 810 km² no mês, um aumento de 216% em relação ao mesmo período do ano anterior.

– O presidente Bolsonaro não escondeu o contentamento com a vitória e disse que pretende ir à posse do presidente eleito do Equador, Guillermo Lasso, em 24 de maio. Em uma mensagem no twitter, Bolsonaro disse que a vitória de Lasso reforça “nossa luta em defesa da democracia e da liberdade na região”. Na mesma mensagem ele diz que pretende ir à posse. O presidente brasileiro participou da posse de Lacalle Pou, no Uruguai, mas não compareceu à posse de Alberto Fernández, na Argentina, e tampouco de Luis Arce, na Bolívia. Ele não vai à posse de presidentes eleitos com projetos de esquerda. Enquanto isso, a primeira viagem de Lasso como presidente eleito foi ontem pela noite para a Colômbia onde se reunirá com o presidente Ivan Duque, fazendo a felicidade dos EUA.

– A Rússia já anunciou as retaliações às sanções impostas pelos EUA na semana passada, dia 15. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que “a obsessão com sanções de nossos contrapartes americanos segue inaceitável”. O porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, também se pronunciou sobre as retaliações americanas ao dizer que elas “constituem política de força bruta e ‘bullying hegemônico’”. Serão banidos de entrar na Rússia oito pessoas que ocupam ou já ocuparam altos cargos na administração americana. Serão expulsos dez diplomatas. Há outras sanções americanas no plano econômico, como impeditivos de transações com títulos do tesouro russo e negociações entre empresas russas e americanas. As sanções e retaliações ocorrem em um momento de tensão entre os dois países em torno da questão ucraniana. Cerca de 80 mil soldados russos estão posicionados na fronteira com a Ucrânia e parte do Mar Negro foi fechado para navios de guerra estrangeiros, depois das ameaças feitas pelo governo de Kiev. Segundo o Ministério da Defesa russo, a passagem de navios estrangeiros militares ou estatais fica suspensa até 31 de outubro. Para o governo da Ucrânia, a medida viola leis internacionais sobre o trânsito marítimo.

– O primeiro ministro japonês, Yoshihide Suga, é o primeiro a fazer uma visita à Casa Branca desde a posse de Joe Biden em janeiro deste ano. O ponto central do encontro foi a China. Em março os americanos já haviam retomado as conversas no âmbito do Quarteto (EUA, Austrália, Japão e Índia), também para tratar da relação com a China na região asiática. Em sua declaração durante o encontro, Biden disse que os EUA e o Japão estão “comprometidos em trabalhar juntos para enfrentar os desafios vindos da China em temas como os mares do Leste da China e do Sul da China, assim como a Coreia do Norte, para garantir um futuro de uma região Indo-Pacífica livre e aberta”. Taiwan, Hong Kong e Xinjiang também estiveram na pauta, como já era esperado. O premiê japonês ainda pediu o apoio de Biden para levar a cabo a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio mesmo em meio à pandemia.

– Na Alemanha, seguem os debates sobre a sucessão de Merkel, que está há 16 anos no poder. As eleições serão no dia 26 de setembro deste ano, de modo indireto e dentro do Bundestag (parlamento alemão). Esta semana, a CDU (União Democrata Cristã) reafirmou que apoia o presidente do partido e também governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, para ser o candidato a chanceler federal do país pela chapa CDU-CSU. Ele disputou a preferência com Markus Soder, presidente da CSU (União Social Cristã) e governador da Baviera. A rivalidade foi acirrada pois apesar de Laschet ser o mais próximo à Merkel e presidente do maior dos dois partidos, Soder vinha pontuado bem nas pesquisas de intenções de votos da população. O Partido Verde também já anunciou que sua candidata será Annalena Baerbock. Pesquisas recentes mostram que os verdes contam com 23% das intenções de voto, enquanto o SPD (Partido Social Democrata) conta com 18% e o Die Linke (A Esquerda) conta com 9%. Juntos, Verdes, SPD e Die Linke, podem formar um bloco que ameaça a aliança CDU-CSU. Já o FDP (Partido Liberal Democrático) pontua em 9%. Há um ano a CDU contava com uma aprovação de 40% da população, mas o fracasso na contenção da pandemia tem gerado muitas críticas da população e hoje pontuam entre 25% e 29%. Enquanto isso, o partido da extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha), que conta com 11% das intenções de voto, segue combatendo as medidas do governo Merkel com relação à pandemia e defendendo o DEXIT (o Brexit da Alemanha).

– As eleições no Peru seguem chamando atenção de todo o mundo, pela surpresa de um segundo turno formado por candidatos tão antagônicos como Pedro Castillo (Peru Libre) e Keiko Fujimori (Fuerza Popular). No último domingo (18), uma pesquisa da América TV com o Ipsos Peru apontou uma liderança de Castillo nas intenções de voto, pontuando com 42% contra 31% de Keiko. Declaradamente um candidato de esquerda, o professor Castillo vem recebendo fortes ataques da direita, que apelam para os eleitores mais conservadores naquele discurso bem conhecido aqui no Brasil de que o Peru seria transformado em uma Cuba ou uma Venezuela. Enquanto isso, a candidata de direita, Keiko, tenta autorização da justiça para poder viajar pelo país para fazer campanha, uma vez em que ela está sob liberdade condicional devido aos inúmeros processos de investigação sobre corrupção aos quais responde. É bom lembrar que 70% não votou em nenhum dos dois candidatos no 1º turno, o que aponta um segundo turno ainda muito incerto.

– Os EUA já passaram a marca dos 50% da população adulta vacinada contra Covid-19. As informações estão na imprensa e são do CDC (Centro de Controle de Doenças) do país. Mais de 30% dessas pessoas já tomaram as duas doses da vacina. Observando a curva de infecções pelo coronavírus na população norte-americana fica evidente o efeito da vacina. Se em 8 de janeiro o país chegou a ter 300 mil novos casos em 24h, ontem, 18 de abril, foram registrados 40 mil novos casos.

– Em Cuba, foi concluído o 8º Congresso do Partido Comunista Cubano e Raúl Castro foi substituído por Miguel Díaz-Canel como Primeiro Secretário do coletivo partidário em um claro movimento de mudança geracional de liderança política com continuidade do projeto revolucionário. Simbolicamente, o congresso terminou no mesmo dia (19 de abril) em que se deu a vitória na Batalha de Girón, após tentativa de invasão militar norte-americana na Baía dos Porcos, há exatos 60 anos.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 12/04/21 https://www.ocafezinho.com/2021/04/12/notas-internacionais-por-ana-prestes-12-04-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/04/12/notas-internacionais-por-ana-prestes-12-04-21/#comments Mon, 12 Apr 2021 17:46:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=122913 1 Comentário 🔥]]> – O domingo (11) foi de eleições no Peru. Uma eleição que era extremamente imprevisível, com 18 candidatos concorrendo, teve um resultado de primeiro turno surpreendente. O candidato Pedro Castillo, professor e sindicalista, do Partido Político Nacional Peru Livre,  obteve a maior votação, com 16%. Seguido de três candidatos com pouco mais de 10%: Hernando de Soto (Avança País), Keiko Fujimori (Força Popular), Jonhy Lescano (Ação Popular) e Rafael López Aliaga (Renovação Popular). Veronika Mendoza (Juntos por Peru) pontua com 8,8%. Aquele que apontou por um tempo como primeiro colocado nas pesquisas, o jogador de futebol George Forsyth (Vitória Nacional) está com 6,4%. Esses ainda são dados preliminares da Ipsos Perú para a América Televisión. Pedro Castillo tem 51 anos e ganhou notoriedade no país ao encabeçar uma prolongada greve nacional do magistério em 2017 e ao longo da campanha nunca pontuou entre os prováveis mais votados nas pesquisas. Uma de suas propostas é trocar a atual Constituição do país convocando uma Assembleia Constituinte. Ele se posicionou nas eleições contra o recorte de gênero no currículo escolar e disse que em um eventual governo seu não se legalizaria o aborto, o casamento homoafetivo e a eutanásia. Pautas polêmicas no país. Propõe ainda 10% do PIB para saúde e educação. As últimas pesquisas apontavam para uma liderança de Lescano. O segundo turno será em 6 de junho e o novo presidente assume em 28 de julho. Os peruanos também votaram ontem (11) para renovar o Congresso, que é unicameral e possui 130 cadeiras. A tendência é de que a votação para o parlamento tenha sido fragmentada e atomizada tal como a presidencial. O Peru vive uma crise institucional prolongada, sendo que dos dez presidentes que o país teve desde os anos 80, sete foram presos nos últimos anos envolvidos em escândalos de corrupção.

– Domingo eleitoral também no Equador. O candidato da direita, Guilherme Lasso, do movimento Criando Oportunidades (CREO), em aliança com o Partido Social Cristão (PSC), venceu o segundo turno das eleições presidenciais com 52,5% dos votos contra 47,50 de Arauz. Havia muita expectativa em torno da candidatura do economista Andrés Arauz, que pontuava na dianteira nas pesquisas durante quase todo o período de campanha do segundo turno que durou dois meses. Nos dias que antecederam o domingo eleitoral (11) as pesquisas já apontavam perda de fôlego de Arauz e subida de Lasso. De todo modo, as pesquisas de boca de urna davam vitória apertada para Arauz. A Cedatos chegou a dar 53,2% a 46,7%. Lasso terá problemas Lasso é um homem de 65 anos, historicamente vinculado ao setor financeiro, em especial ao Banco de Guayaquil, tendo sido ministro da economia do governo de Jamil Mahuad (1998-2000). Esta é a terceira vez que ele concorre à presidência do Equador (2013, 2017, 2021). Nas eleições anteriores ele ficou em segundo lugar. Um dos fatores que impactou muito no resultado eleitoral foi o fracionamento do movimento indígena. A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) decidiu em seu conselho ampliado, no dia 10 de março, pelo voto nulo. No entanto, uma parte das nacionalidades amazônicas divergiram e foram acompanhadas do presidente da Conaie, Jaime Vargas, na declaração de apoio a Arauz. Vargas chegou a dizer em um encontro no dia 3 de abril, em Sucumbíos, que “suas propostas (de Arauz) têm o respaldo absoluto do movimento indígena”. No dia 4 de abril veio a reação do conselho dirigente da Conaie ao dizer que ia “impulsionar o voto nulo” e que “não cai em jogo eleitoral”. A apuração está apontando para um milhão e seiscentos mil votos nulos. O universo de votantes é de 13 milhões. (Com infos de resumenlatinoamericano.org)

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 25/02/21 https://www.ocafezinho.com/2021/02/25/notas-internacionais-por-ana-prestes-25-02-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/02/25/notas-internacionais-por-ana-prestes-25-02-21/#respond Thu, 25 Feb 2021 18:04:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=121065 Uma pesquisa realizada nos EUA com 2596 cidadãos, pelo Pew Research Center, entre 1º e 7 de fevereiro, e comentada em artigo de Rafael Balago na FSP, mostra que 75% dos americanos esperam que a política externa de Biden seja capaz de promover a proteção dos empregos nacionais. Junto com emprego, as maiores preocupações dos americanos em relação à política externa são o terrorismo e as doenças contagiosas, ambos preocupam 71% dos americanos. O controle da proliferação de armas de destruição em massa foi citado por 64%. A pesquisa fez ainda uma estratificação entre as pessoas que se identificam com republicanos ou democratas. Aqueles que se identificam como republicanos se preocupam mais com a proteção ao emprego (85%) e terrorismo (81%). Já os que se identificam como democratas se preocupam mais com controle de doenças contagiosas (80%) e mudanças climáticas (70%). Mais infos: https://tinyurl.com/8cbxn3sj

Ainda sobre o artigo de Balago na FSP, ele nos lembra que, sob Trump, o desemprego nos EUA chegou a ficar em 3,5% antes da pandemia. Menor índice em meio século. Depois da pandemia, no entanto, foi para 14,7%, maior índice desde a grande depressão causada pela crise de 1929. Em janeiro deste ano (2021) o índice ficou em 6,3%, ou seja, 10,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho.

Os EUA querem voltar pra valer para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o chefe do departamento de Estado, Antony Blinken, os americanos vão abandonar a política da “cadeira vazia” de Trump. Eles vão concorrer a um assento para o mandato de 2022-2024. Trump havia abandonado o conselho em 2018. Em seu discurso, no entanto, Blinken não deixou de dar uma alfinetada no CDH dizendo que o órgão dá uma “atenção desproporcional a Israel”. Criticou ainda a Rússia pelo tratamento dado aos opositores de Putin, com citação nominal a Navalny e a China por “atrocidades” cometidas em Xinjiang e Hong Kong. O CDH tem 47 membros plenos, eleitos pela maioria dos Estados da AGNU (assembleia geral da ONU) para um mandato de três anos. Os demais países não eleitos ficam como observadores. Hoje os EUA têm status de observadores nesta 46ª sessão do CDH que começou segunda (22).

Por falar na 46ª sessão do CDH, o Brasil participa através do ministro Ernesto Araújo e da ministra Damares Alves. A ministra falou do projeto “Abrace o Marajó” que deverá cuidar da Amazônia e da população que vive no bioma amazônico. Ela também pintou um quadro de ficção sobre o enfrentamento do governo brasileiro à pandemia. Segundo ela, “o governo brasileiro apresentou planos de contingência, estruturados nos eixo saúde, proteção social e proteção econômica” e que o governo garantiu a vacinação de profissionais de saúde, idosos e povos indígenas. A fala de Araújo tentou ser protocolar: “trabalharmos para uma ordem internacional que honre os padrões estabelecidos na Declaração Universal…”, mas na prática foi absurda, com sua bandeira da Ordem de Cristo ao fundo, disse que as populações estão sacrificando suas liberdades em troca de saúde. Em sua coluna, Jamil Chade, comenta que cerca de 60 organizações brasileiras fizeram uma carta afirmando que a fala do governo brasileiro no CDH não representa a realidade, pois a verdade é que o próprio governo patrocina graves e persistentes violações dos direitos humanos na condução das políticas frente à pandemia no país. Coluna de J. Chade: shorturl.at/yKR23

O governo da Venezuela declarou Isabel Brilhante, Embaixadora da União Europeia no país, persona non grata. Deu 72 horas para que ela deixe o país. A decisão veio após o bloco apresentar novas sanções contra 19 funcionários, incluindo Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Remigio Ceballos, militar de alta patente. As sanções incluem a proibição de viagens para os países do bloco e o congelamento de bens.

Em Israel, um estudo realizado com 1,2 milhão de pessoas confirma que a vacinação massiva tem potencial de deter a pandemia. Os israelenses estão usando a vacina Pfizer/Biontech. Este é o primeiro grande estudo em condições de vacinação em massa com a vacina Pfizer e foi publicado ontem (24) na New England Journal of Medicine. O uso das duas doses do imunizante reduziu os casos sintomáticos de covid-19 em 94% em todas as faixas etárias. A vacinação começou em Israel em 19 de dezembro e até hoje, dos mais de 9 milhões de habitantes, metade já recebeu a primeira dose e um terço as duas doses. Transformando o país em um laboratório de estudo do “mundo real”. Mais infos: https://tinyurl.com/2cxyxz2b

Mas por falar em Israel e vacina, circulam informações de que procurado por vários países para obtenção de vacinas, o premiê Benjamin Netanyahu estaria condicionando doações ao reconhecimento de Jerusalém como capital do país. A denúncia foi feita pelo jornalista Sami Boukhelifa, correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em Israel.

Quando olhamos para o mapa de evolução da vacinação pelo mundo, a situação dos países da União Europeia chama atenção. Na média dos países, apenas 6% da população foi vacinada com a primeira dose dos imunizantes. Resultado bastante distante do Reino Unido, por exemplo. A pressão está tão forte que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que representa os 27 países membros, foi obrigada a admitir falhas em recente entrevista. Segundo ela: “demoramos para autorizar, fomos muito otimistas quanto à capacidade de produção e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria realmente entregue”. Os três fabricantes contratados fizeram cortes nas quantidades vendidas: Pfizer, Astrazeneca e Moderna. Boatos sobre a ineficácia das vacinas e exigências para a população, como na França em que se requer consulta médica para tomar a vacina, também tem colaborado pela estagnação do processo. Mais infos: shorturl.at/loxAL

Já na América Latina, o Chile lidera a corrida da vacinação com 14% da população já vacinada. O país foi o primeiro a iniciar a vacinação na região e em 21 dias mais de 3 milhões de pessoas já haviam recebido pelo menos a primeira dose, segundo o Our World in Data. O país possui 19 milhões de habitantes e pretende ter 5 milhões de vacinados até o fim de março e 15 milhões até o fim de julho. Eles estão usando as vacinas da Sinovac, Astrazeneca, Pfizer e Johnson & Johnson. Você pode acessar o mapa de vacinação no site do Opera Mundi: shorturl.at/nsGZ0

O primeiro país a receber um lote de vacinas do fundo Covax será Gana, localizado na África Ocidental. O país deve receber 600 mil doses da vacina AstraZeneca, fabricada pelo Instituto Serum, da Índia. O mesmo instituto vai fabricar o primeiro bilhão de doses do fundo. Foi o primeiro passo daquele que pode ser o maior empreendimento de fornecimento e distribuição de vacinas da história do planeta. Só em 2021, cerca de 2 bilhões de vacinas podem ser distribuídas. A OMS tem sistematicamente denunciando que países ricos estão minando o sistema Covax ao abordarem diretamente os fabricantes para obterem mais doses.

Uma situação que não comentei por aqui, mas está se desenrolando desde o final de semana passado é o da desestabilização política na Armênia. Poucos meses após o conflito com Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh, que comentei bastante aqui nas Notas, Forças Armadas e governo armênio estão em confronto. O comando do Estado-Maior pediu a renúncia do premiê Nikol Pashinyan alegando “incapacidade de tomar decisões adequadas”. O premiê está denunciando tentativa de golpe, destituiu o chefe do Estado-Maior e está convocando a população para protestar nas ruas. Pashinyan sofre pressão desde o confronto com o Azerbaijão, com mediação de um cessar-fogo pela Rússia, em que aceitou a conquista de áreas de Nagorno-Karabakh por azeris, além da retirada de tropas armênias da região. O cessar-fogo é visto pelos militares como humilhação nacional.

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Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 22/02/21 https://www.ocafezinho.com/2021/02/22/notas-internacionais-por-ana-prestes-22-02-21/ https://www.ocafezinho.com/2021/02/22/notas-internacionais-por-ana-prestes-22-02-21/#comments Mon, 22 Feb 2021 14:48:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=120884 1 Comentário 🔥]]> – O final de semana foi agitado na Argentina com a demissão do Ministro da Saúde, Ginés González García, na sexta (19), a pedido do presidente Alberto Fernández, após ter sido descoberto um esquema de desvio de vacinas contra Covid19. O jornal Página 12 trouxe as seguintes aspas de Fernández: “Ginés foi um grande ministro. E, além disso, o adoro. Mas o que ele fez é imperdoável. (…) Eu não tolero coisas assim. Não faço coisas assim. Dirijo meu próprio carro. Quando eu não era funcionário público e me ofereceram para ir à sala VIP sem fila, eu recusei. Como presidente não posso consentir que esses privilégios sejam concedidos”. Pessoas que não faziam parte dos grupos prioritários que estão sendo vacinados, profissionais de saúde e maiores de 70, e que têm relações próximas ao Ministro foram vacinadas. No sábado assumiu o ministério, como substituta, a médica Carla Vizzotti que já trabalhava na pasta na secretaria de acesso à Saúde. Ela foi uma das principais articuladoras para trazer a vacina russa Sputnik V para a Argentina. A imprensa argentina está chamando o caso de “Vacinação VIP”. As pessoas teriam sido vacinadas na própria sede do ministério.

– Por falar em vacina russa, a Rússia acaba de registrar sua terceira vacina contra a Covid19. Foi o anúncio do primeiro-ministro Mikhail Mishustin no sábado (20). Segundo ele, as doses da terceira vacina já estarão disponíveis em março, embora os testes de fase 3 ainda não tenham sido realizados. A notícia foi muito comemorada pelo governo russo, pois a Rússia é hoje o único país que possui três vacinas praticamente prontas. O nome da nova vacina será Kovivak. As outras duas são a Sputnik V e a EpiVacCorona. A diferença da última vacina anunciada é que ela usa a tecnologia tradicional do vírus inativado (partes do próprio vírus Sars-CoV-2 morto), enquanto as outras usam vetores de adenovírus (vetor viral não-replicante de adenovírus de chimpanzé com gene do Sars-CoV-2 inserido), mesma tecnologia da vacina da Oxford/AstraZeneca. A vacina russa Sputnik V, que a princípio foi vista com desconfiança pela comunidade internacional, melhorou sua imagem ao ser validada pela revista científica The Lancet e já está sendo aplicada na Argentina, na Bolívia e na Venezuela por aqui na América Latina.

– Ainda no tema das vacinas russas, o precioso imunizante está se transformando em instrumento de ação geopolítica não somente na América Latina, mas em cenários mais complexos também. Foi muito comentado no final de semana o vazamento da informação sobre uma cláusula secreta de um acordo envolvendo a Rússia, a Síria e Israel para troca de prisioneiros. Segundo esta cláusula, como parte da troca para trazer de volta seus cidadãos que estão presos na Síria, Israel compraria milhares de doses da Sputnik V e doaria para a Síria.

– E por falar em Israel, o país passará por nova eleição daqui justamente um mês, no dia 23 de março. Justamente em um momento em que Netanyahu é réu em três processos na justiça, o Tribunal Penal Internacional tem acolhido denúncias contra seu governo e ele ainda tem recebido forte pressão internacional por não estender seu programa de vacinação para a população palestina na Cisjordânia e Gaza. Esta já é a quarta eleição em apenas dois anos. Os prognósticos eleitorais não são nada animadores, dado que pode haver ainda maior recrudescimento da direita sionista comandada por Netanyahu e que alimenta os colonos fundamentalistas.

– Em seu discurso anual no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que realiza sua 46ª reunião, o Secretário Geral da organização, António Guterres, citou apenas um país: Mianmar. O país vive protestos intensos e muita repressão há semanas, já relatados aqui nestas Notas, desde que o exército do país deu um golpe e impediu a posse em 1º de fevereiro do governo liderado pela Sra. Aung San Suu Kyi (agora presa) reeleita em novembro do ano passado. Mesmo os militares dizendo que as pessoas que vão aos protestos se “arriscam a morrer”, as manifestações tem sido gigantescas. Guterres também citou uma outra chaga do país que é a limpeza étnica da população rohingya.

– Um comboio das Nações Unidas foi atacado na República Democrática do Congo e matou o Embaixador da Itália no país, Lucca Attanasio. Foi um ataque a tiros em Goma, na face leste do país, próximo à fronteira com a Ruanda. O comboio fazia um monitoramento do Programa Mundial de Alimentos. Além do Embaixador, mais duas pessoas teriam morrido no ataque. A região é área de disputa por controle de riquezas naturais.

– O final de semana foi também de intensas manifestações em Barcelona, capital da Catalunha, na Espanha, após a prisão, no decorrer da semana, do rapper Pablo Hasél. Nas ramblas (avenidas para trânsito de pedestres) barricadas foram formadas por manifestantes para se defenderem da polícia. O rapper foi preso e condenado a nove meses de prisão por tweets em que ataca a monarquia e a polícia. O governo espanhol está dividido sobre os protestos, de um lado o PSOE de Pedro Sánchez condena e do outro o Podemos de Pablo Iglésias apoia os manifestantes.

– Por falar na Catalunha, a região passou por eleições no último dia 14 de fevereiro. Houve grande abstenção com mais de 50% da população não indo votar. No entanto, dos que foram votar, mais de 50% votou em uma pauta pró-independentista. O Partido Socialista foi o mais votado com 23% dos votos. Em seguida veio a Esquerda Republicana com 21,31% e o Juntos pela Catalunha (de Carles Puigdemont) com 20,04%. Uma surpresa foi o Vox ter alcançado 11 cadeiras no parlamento e a queda do Ciudadanos de 36 cadeiras para 6. O PP também foi mal com 3 cadeiras conquistadas. Apesar da votação do PSOE, as siglas separatistas devem formar governo, a ERC (esquerda republicana) junto com o JxCAT (juntos por Catalunha) e a CUP (unidade popular) somam 74 parlamentares de uma assembleia com 135 assentos. Esses partidos são os mesmos que patrocinaram o plebiscito separatista de 2017 que obteve 98% de votos pela independência da região. Para quem não conhece essa história, o governo não reconheceu o plebiscito e seus principais articuladores foram presos, o presidente regional de então, Puigdemont continua foragido em Bruxelas, na Bélgica.

– Vai ocorrer amanhã (23) uma cúpula de líderes mundiais do Conselho de Segurança da ONU para tratar das “implicações da mudança climática para a paz mundial”. A reunião será por videoconferência e foi convocada por Boris Johnson, premiê do Reino Unido, que ocupa a presidência rotativa do Conselho. Estão previstos os discursos de John Kerry, responsável pelo tema no governo Biden, do presidente francês E. Macron, do ministro chinês das relações exteriores Wang Yi e dos primeiros ministros da Irlanda, Vietnam e Noruega, entre outros. A reunião debaterá os aspectos de segurança mundial frente à mudança climática. Há uma polêmica hoje instalada se o tema ambiental deveria ser foco de reuniões do Conselho de Segurança da ONU.

– Finalmente o Conselho Nacional Eleitoral – CNE – do Equador anunciou ontem (21) o resultado oficial das eleições presidenciais de 7 de fevereiro, apontando que Andrés Arauz disputará o segundo turno em 11 de abril com Guilherme Lasso. Arauz teve 32,72% dos votos e Lasso 19,74% segundo o órgão eleitoral. Uma marcha indígena está se dirigindo à capital do país, Quito, para protestar contra o resultado que o candidato Yaku Pérez alega ser fraudulento.

– Outra notícia muito comentada no final de semana foi a chegada do robô Perseverance à superfície de Marte. Trata-se de uma sonda produzida pela NASA e que viajou 480 milhões de quilômetros, ao longo de 8 meses e teve pouso bem sucedido, após ter entrado em Marte a uma velocidade de 20 mil km/h. Uma grande frustração se deu, no entanto, por conta da má qualidade das primeiras imagens enviadas pós-pouso. Mas logo a NASA conseguiu publicar imagens melhores. O objetivo da sonda é identificar sinais de vidas passadas no planeta, como vestígios químicos de vida nas rochas com restos de compostos orgânicos (carbono) ou comunidades microbianas fossilizadas (Infos: G1 Mundo).

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