Redação, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/carlosddi/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 16 Mar 2026 08:16:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Redação, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/carlosddi/ 32 32 Produção industrial da China cresce 6% em fevereiro https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/producao-industrial-da-china-cresce-6-em-fevereiro/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/producao-industrial-da-china-cresce-6-em-fevereiro/#respond Mon, 16 Mar 2026 08:15:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227355 A produção industrial chinesa avançou 6,3% em janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período de 2025, superando todas as previsões e marcando o melhor resultado desde setembro passado. As vendas no varejo subiram 2,8% e os investimentos em ativos fixos viraram para o positivo com alta de 1,8%. Números que chegam exatamente quando o mundo assiste a um contraste brutal: enquanto os Estados Unidos continuam a gastar bilhões em guerras, mísseis, bombas e tarifas que geram morte, inflação energética e disrupção do comércio global, a China colhe os frutos da paz e da integração produtiva.

É uma lição de estratégia civilizacional que se repete em 2026. De um lado, Washington aprofunda seu envolvimento militar no Oriente Médio e mantém uma doutrina de protecionismo agressivo que encarece energia, fragmenta cadeias de suprimentos e custa caro ao planeta inteiro. Do outro, Pequim segue apostando no comércio, na tecnologia e na estabilidade — e os dados desta segunda-feira comprovam que a aposta está funcionando.

O salto da produção industrial foi puxado principalmente pelo boom das exportações de tecnologia de inteligência artificial, que arrastou toda a cadeia manufatureira. O feriado prolongado do Ano Novo Lunar ajudou as vendas no varejo e fez o gasto total com turismo disparar quase 19%. Até os investimentos, que encolheram 3,8% ao longo de todo 2025, mostraram reação: a infraestrutura cresceu 11,4% graças a novas linhas de financiamento dos bancos.

Mas o contraste com o modelo americano não para por aí. Enquanto o Pentágono e a Casa Branca despejam recursos em conflito e barreiras comerciais que elevam o preço do petróleo e complicam o fluxo global, a China mantém um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão acumulado no ano anterior e usa essa força para amortecer choques externos.

Hao Zhou, economista-chefe da Guotai Junan International, capturou o momento com clareza: “Enquanto os riscos para o cenário aumentaram por causa das tensões geopolíticas e das disrupções no comércio e nos mercados de energia, os dados mostram que a China começou o ano com uma base de crescimento mais firme do que se imaginava.”

É verdade que desafios internos persistem. O consumo doméstico ainda patina — vendas de carros caíram 26% e o gasto por viagem doméstica recuou 0,2%. O desemprego subiu para 5,3% e o setor imobiliário continua em contração crônica. Zhaopeng Xing, da ANZ, já alerta que a demanda interna pode sofrer pressão extra em março.

Mesmo assim, o quadro geral revela resiliência. Fu Linghui, porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, reconheceu a volatilidade do petróleo causada pela guerra, mas lembrou que os suprimentos chineses estão preparados para mitigar o impacto. Zhiwei Zhang, da Pinpoint Asset Management, resume o que vem pela frente: a turbulência no Oriente Médio vai bater mais forte nos próximos meses, mas Pequim tem espaço para responder com política fiscal — e a reunião Trump-Xi no fim de março será o grande teste.

O governo chinês fixou meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026. Os números de janeiro e fevereiro mostram que o país está no caminho. Enquanto Washington paga a conta da destruição e da disrupção, Pequim continua faturando com produção, comércio e paz relativa.

A diferença de modelo está aí, clara como nunca: um lado investe em morte e tarifas; o outro, em fábricas e mercados. E os dados desta segunda-feira já entregam o primeiro veredito do ano.

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Irã tem a chave do Oriente Médio https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/ira-tem-a-chave-do-oriente-medio/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/ira-tem-a-chave-do-oriente-medio/#respond Mon, 16 Mar 2026 08:04:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227354 A guerra que se alastra pelo Golfo Pérsico recoloca uma velha realidade no centro da política internacional: quem controla o fluxo de energia controla uma parte decisiva da economia mundial. O conflito envolvendo o Irã mostra que, em um sistema energético ainda profundamente dependente do petróleo e do gás do Oriente Médio, a capacidade de interromper rotas marítimas pode se tornar uma arma geopolítica tão poderosa quanto qualquer arsenal militar.

Mais do que uma disputa militar localizada, o que está em jogo é a própria estabilidade do mercado global de energia. A crise evidencia que, mesmo sob sanções e pressão militar, Teerã continua ocupando uma posição estratégica capaz de influenciar o funcionamento da economia mundial.

Essa percepção ganhou força depois que a Saudi Aramco informou seus compradores de petróleo que ainda não sabe por qual porto realizará as exportações de abril. Em carta enviada a clientes, a empresa afirmou que os carregamentos podem sair pelo Mar Vermelho ou pelo Golfo, dependendo da evolução da guerra.

O comunicado expôs a incerteza que domina o mercado energético global. Um comprador regular de petróleo saudita chegou a comentar que talvez fosse mais simples “ligar para o Irã para saber quando a guerra termina”.

A frase resume uma percepção crescente entre executivos da indústria e analistas do setor. Embora Estados Unidos e Israel possam anunciar o fim das operações militares a qualquer momento, a normalização do fluxo de petróleo dependerá, em última instância, da posição de Teerã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado repetidamente que a guerra está próxima de uma vitória americana. Ainda assim, os prazos indicados pela Casa Branca variam de dias a semanas, refletindo a incerteza sobre o desenrolar do conflito.

Enquanto isso, o Irã respondeu aos ataques americanos e israelenses com drones e mísseis contra embarcações no Estreito de Hormuz. Na prática, a ofensiva interrompeu o fluxo de cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

Executivos do setor energético afirmam que o simples anúncio de um cessar-fogo não será suficiente para restaurar imediatamente o transporte marítimo. A retomada do tráfego dependerá de garantias concretas de segurança, algo que apenas um acordo político com o Irã poderia oferecer.

A produção e o uso de drones de baixo custo ampliaram significativamente a capacidade iraniana de interromper rotas marítimas. Mesmo após o fim dos combates, analistas alertam que Teerã ainda poderia prolongar a instabilidade com ataques limitados ou ameaças ao transporte marítimo.

Trump sugeriu que os Estados Unidos poderiam enviar escoltas militares para garantir a passagem de petroleiros pelo estreito. Washington também pediu que aliados participem da proteção naval da rota.

Especialistas, porém, afirmam que escoltas militares não seriam suficientes para normalizar o fluxo comercial. Sem um entendimento com o Irã, companhias de navegação e seguradoras dificilmente aceitariam o risco de operar na região.

Se os Estados Unidos e Israel declararem vitória em termos que o Irã considere inaceitáveis, Teerã poderá tentar demonstrar que não foi derrotado. Isso poderia ocorrer por meio de novas interrupções, utilizando minas marítimas, drones ou ataques indiretos.

A guerra já começou a atingir instalações estratégicas na região. Drones atingiram o centro de carregamento de petróleo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, poucas horas após ataques americanos contra alvos militares na ilha iraniana de Kharg.

Analistas apontam que Teerã tenta demonstrar que nenhum porto da região é totalmente seguro. A mensagem é que Washington não controla sozinho os termos da escalada militar.

Outro fator de risco é a possível participação indireta de aliados do Irã. Os houthis do Iêmen poderiam ampliar a pressão atacando o porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho.

Esse terminal representa a principal rota alternativa para exportações sauditas que evitam o Estreito de Hormuz. Um ataque ali ampliaria ainda mais o impacto do conflito sobre o mercado global de energia.

A crise também provocou um colapso na confiança nas rotas de abastecimento da região. Autoridades energéticas do Oriente Médio afirmam que a vulnerabilidade da infraestrutura ficou exposta de maneira inédita.

Mesmo que os combates cessem rapidamente, os efeitos logísticos e financeiros podem durar meses. O seguro para transporte marítimo deve subir significativamente, refletindo o aumento do risco percebido.

Os impactos já aparecem na produção e nos preços. Refinarias na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein e em Israel sofreram paralisações após os ataques, pressionando os preços do petróleo e do gás.

Analistas estimam que as cotações subiram até 60% desde o início da escalada militar. Mesmo uma resolução rápida do conflito deixaria semanas de disrupção nos mercados.

Algumas das maiores empresas globais de energia também podem demorar a retomar operações no Golfo. Esse atraso aumenta o risco de danos a reservatórios e de queda prolongada na produção.

A interrupção das rotas marítimas obrigou vários países produtores a reduzir a extração de petróleo. Sem capacidade de exportação, parte do petróleo simplesmente não pode ser escoada.

A Aramco suspendeu a produção em dois grandes campos offshore, Safaniya e Zuluf. A decisão reduziu em cerca de 20% a produção do maior produtor da OPEP.

No Iraque, segundo maior produtor do cartel, a produção caiu cerca de 70%. Nos Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da organização, a produção foi reduzida pela metade.

Analistas estimam que os cortes totais na produção do Oriente Médio já alcançam entre 7 e 10 milhões de barris por dia. Isso representa algo entre 7% e 10% da demanda mundial de petróleo.

O impacto também atingiu o mercado de gás natural. O Catar suspendeu totalmente sua produção de gás natural liquefeito, responsável por cerca de 20% da oferta global.

A empresa estatal do país informou aos clientes que cargas previstas podem não ser entregues antes de maio. O motivo, segundo fontes do setor, é simples: segurança.

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“As pessoas estão definitivamente mais burras”: Troll conta ao Washington Post como fez dinheiro enganando os eleitores de Trump https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/as-pessoas-estao-definitivamente-mais-burras-troll-conta-ao-washington-post-como-fez-dinheiro-enganando-os-eleitores-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/as-pessoas-estao-definitivamente-mais-burras-troll-conta-ao-washington-post-como-fez-dinheiro-enganando-os-eleitores-de-trump/#comments Wed, 23 Nov 2016 11:36:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60561 9 Comentários 🔥]]> Caffè Americano — Coluna de Política Internacional do Cafezinho

por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

“Papa Francisco choca o mundo ao apoiar Trump para presidente” (tradução livre)

“Wikileaks confirma: Hillary vendeu armas para o Estado Islâmico” (tradução livre)

“FBI suspeita que homem encontrado morto é responsável por vazar os e-mails de Hillary” (tradução livre)

O que estas três “notícias” acima têm em comum? Todas são falsas, pura mentira.

No entanto, isto não impediu que fossem compartilhadas por dezenas, centenas, até milhares de pessoas nas redes sociais.

Um levantamento do BuzzFeed, logo após a eleição de Donald Trump, revelou que as notícias mais compartilhadas no Facebook, nos últimos três meses da campanha presidencial dos Estados Unidos, eram todas falsas.

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“Papa Francisco choca o mundo ao apoiar Trump para presidente”: a falsa notícia mais compartilhada no Facebook às vésperas das eleições presidenciais norte-americanas (Fonte: BuzzFeed)

No mesmo levantamento, o BuzzFeed descobriu que a partir de agosto as “notícias falsas” superaram o noticiário da imprensa tradicional, em números de reações, comentários e compartilhamentos no Facebook.

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Gráfico: a partir de Agosto, os registros das páginas de “notícias falsas” superam os registros da imprensa tradicional. (Fonte: BuzzFeed)

A pesquisa concluiu que a mentira mais compartilhada no Facebook sobre a eleição dos Estados Unidos foi: “Papa Francisco choca o mundo ao apoiar Trump para presidente”, publicada por um site obscuro chamado “Ending the Fed”.

Mesmo se tratando de uma página completamente desconhecida, sem assinatura e sem expediente, podemos dizer que o artigo sobre o Papa foi um perfeito hoax, como dizem os americanos.

Páginas como o Sensacionalista ou Piauí Herald copiam a linguagem jornalística, mas o leitor sabe que as “matérias” são humorísticas.

Um hoax, pelo contrário, não tem a menor graça.

Hoax é uma gíria em inglês para embuste, falcatrua, farsa. Trata-se de uma mentira bem elaborada, cujo objetivo é enganar pessoas, inclusive os mais céticos.

Por trás de um hoax há sempre um interesse material ou financeiro.

Pode ser um vírus para roubar dados bancários, uma mentira para difamar alguém famoso, ou um viral com o objetivo de alcançar muitos cliques e ganhar dinheiro com anúncios.

A campanha presidencial norte-americana atrai um fluxo tão grande de audiência, que gerou um nicho de mercado bastante singular: trolls especializados em criar boatos.

Quanto mais absurda a notícia, melhor, pois atiça a curiosidade do público, o que se reverte em mais cliques, mais audiência e mais retorno no Google Adsense.

Um jeito razoavelmente fácil de ganhar dinheiro na internet.

Na semana após a eleição, o jornal Washington Post publicou uma entrevista com um blogueiro chamado Paul Horner, de 38 anos, nascido no Arizona.

Ele se diz escritor e humorista, mas foi responsável por dezenas de falsas notícias sobre Donald Trump e Hillary Clinton.

Basicamente ganha a vida criando hoax na internet.

Certa vez convenceu o mundo de que era o famoso artista e grafiteiro de rua britânico, Banksy.

A brincadeira rendeu nada mais, nada menos, que 4,8 milhões de visitas em sua página.

O Washington Post define Horner como um troll da mídia, mentiroso que se aproveita da ingenuidade das pessoas para ganhar dinheiro na internet.

O próprio, no entanto, afirma que faz uma comédia do absurdo, muitas vezes subversiva.

Passou a compartilhar mentiras a favor de Donald Trump e contra Hillary Clinton nos últimos quatro meses de campanha.

Ganhava cerca de US$ 10 mil dólares por mês, com anúncios do Google Adsense e aplicativos similares.

Paul Horner também é do tipo precavido. Em seus sites de “falso jornalismo” sempre havia uma nota do editor, no rodapé da página, explicando que tudo era uma simples brincadeira.

Ele ainda deixava um telefone de contato para possíveis reclamações, por isto não pode ser processado por calúnia ou difamação, afinal era uma página de humor.

Na entrevista ao Washington Post, ele diz:

“Honestamente, as pessoas estão definitivamente mais burras. Eles [eleitores republicanos] repassam qualquer coisa adiante. Ninguém mais checa a veracidade das notícias na internet”. (tradução livre)

O mais curioso é que uma parte da classe média brasileira, identificada com os partidos de centro-direita, que foi às ruas pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, reproduz o mesmo comportamento dos eleitores de Donald Trump.

O recado de Paul Horner vale muito bem para o Brasil: “as pessoas estão definitivamente mais burras, repassam qualquer coisa adiante. Ninguém mais checa a veracidade das notícias na internet”.

Uma pesquisa da USP divulgada pela BBC Brasil no dia 17 de abril – data da infame votação na Câmara de Deputados presidida por Eduardo Cunha – revelou que das cinco notícias mais compartilhadas no Facebook na semana do impeachment de Dilma Rousseff, três eram falsas.

Todas contra o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff:

  • Polícia Federal quer saber os motivos para Dilma doar R$30 bilhões a Friboi – Pensa Brasil (3º lugar no ranking geral da semana, com 90.150 compartilhamentos)
  • Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: ‘Atirar para matar’ –Diário do Brasil (4º lugar, com 65.737 compartilhamentos)
  • Lula deixa Brasília às pressas ao saber de nova fase da Lava-Jato. Seria um mandado de prisão? – Diário do Brasil (5º lugar, com 58.601 compartilhamentos)

De acordo com a pesquisa do Buzzfeed, os boatos e as falsas notícias a favor de Trump e contra Clinton, compartilhadas às vésperas da eleição, foram cruciais na decisão final de parte do eleitorado médio.

Não é à toa que o Dicionário Oxford tenha escolhido “pós-verdade” como a palavra do ano.

Cabe aqui um paralelo com o atual momento político do Brasil.

A pós-verdade que elegeu Donald Trump presidente dos Estados Unidos foi a mesma pós-verdade que derrubou a presidenta Dilma Rousseff.

Como bem definiu o deputado federal, Jean Wyllys, estamos na “era da pós-verdade”:

A notícia de que o Facebook – até que enfim – decidiu tomar medidas para limitar a circulação de notícias falsas na rede vem pouco depois de a Universidade de Oxford ter escolhido a “pós-verdade” como a palavra do ano, e das polêmicas suscitadas nos Estados Unidos como consequência da série de boatos espalhados pelas redes sociais que contribuíram para o sucesso eleitoral de Donald Trump.

Ou seja, pela primeira vez, parece que academia, políticos sérios e empresas de tecnologia se mostram realmente preocupados com a contaminação da esfera e da opinião públicas por mentiras e calúnias divulgadas na internet e nas redes sociais por criminosos da política e da religião, com o objetivo de manipular a opinião pública.

Nada disso é novidade para as famílias dos mortos por linchamentos motivados por fofocas na internet. E nada disso é novidade, tampouco, para nosso mandato, que trava uma batalha de seis anos contra o próprio Facebook para por algum freio à avalanche de mentiras e calúnias em relação a mim que corre nas redes sociais.

“Jean Wyllys apresentou um projeto de lei para mudar trechos da Bíblia”, “Jean Wyllys disse que sairia do Brasil se o impeachment fosse aprovado”, “Jean Wyllys defendeu a pedofilia”, “Jean Wyllys disse que os negros não podem ser evangélicos”, “Jean Wyllys quer implantar o ensino da religião islâmica nas escolas”, “Jean Wyllys quer obrigar as crianças a mudar de sexo”.

Cada uma dessas e outras estupidezes, inventadas por criminosos que usam as redes sociais para difamar adversários políticos, “viralizou” por meio do Facebook, que nada fazia para impedir que isso acontecesse.

Antes da vitória de Trump, o resultado do Brexit no Reino Unido, a derrota do acordo de paz na Colômbia e as vitórias de Crivella, no Rio, de Dória, em São Paulo, e do candidato do PSDB, em Belém, já mostraram o poder da “pós-verdade” (da mentira aliada ao preconceito) na política contemporânea.

Embora cada um desses resultados eleitorais tenha vários e complexos motivos, é inegável que a boataria e a “viralização” de mentiras e calúnias nas redes sociais jogaram um papel fundamental na estratégia de campanha dos vencedores e influenciaram seriamente o voto popular.

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https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/as-pessoas-estao-definitivamente-mais-burras-troll-conta-ao-washington-post-como-fez-dinheiro-enganando-os-eleitores-de-trump/feed/ 9
A auditoria da Petrobras precisa ser auditada https://www.ocafezinho.com/2016/11/18/auditoria-da-petrobras-precisa-ser-auditada/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/18/auditoria-da-petrobras-precisa-ser-auditada/#comments Fri, 18 Nov 2016 10:25:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60000 2 Comentários 🔥]]> por Cláudio Oliveira da Costa, colunista do Cafezinho

A auditoria externa tem como finalidade a comprovação da veracidade dos registros contábeis.

Trabalhando de forma independente, sem nenhum vínculo empregatício, o auditor externo concentra seu esforço no trabalho de verificação detalhada da situação patrimonial e financeira das empresas.

Este trabalho é de fundamental importância para os acionistas, os investidores e os parceiros das empresas pois é a segurança da não existência de manipulação ou fraude nos números apresentados.

Sendo assim o profissional ou a empresa de auditoria externa, tem de ser dotado de reconhecido conhecimento técnico, conforme estabelece o Conselho Federal de Contabilidade.

Na Petrobras até 2011 a auditoria externa era feita pela empresa KPMG e a partir de 2012 pela PricewaterhouseCoopers  Estas duas empresas juntamente com a Ernst&Young e a Deloitte formam o grupo chamado de “Big Four”, por serem as quatro maiores empresas multinacionais do setor.

De 2010 a 2013 a Petrobras registrou elevados lucros e teve seus balanços aprovados, sem ressalvas, pelas auditoras. Distribuiu muitos dividendos aos acionistas e participação aos empregados.

Em 2014, com o surgimento da Lava Jato, a Price exigiu modificações no balanço para assinar a auditoria. A então presidente Graça Foster chegou a informar à imprensa que o ajuste seria de R$ 88 bilhões, enquanto o mercado acreditava que o valor não deveria ultrapassar R$ 20 bilhões. Finalmente chegaram ao valor “mágico” de R$ 44 bilhões, exatamente a metade do valor inicial. Além disto registraram também o valor de R$ 6 bilhões a título de “propinas”, calculado em 3% sobre um valor de R$ 200 bilhões de contratos. Simples assim, foi feito um “impairment” total de R$ 50 bilhões

E vejam que a Price havia auditado os balanços de 2012 e 2013, sem detectar nada. Nem as famigeradas Refinarias Premium do nordeste, cujos problemas já tinham sido muitas vezes  levantados pelos próprios funcionários da Petrobras, em diversos relatórios.

Em 2015 um novo motivo foi apresentado : a correção das reservas de petróleo devido a queda no preço do barril, que gerou um “impairment” de R$ 33 bilhões. Na Petrobras 75% das receitas não tem vínculo com o preço do barril. Outras grandes petroleiras, que tem 100% de suas receitas vinculadas ao preço do barril, não fizeram este tipo de ajuste. As que fizeram foi em valores mínimos. Tudo muito estranho.

Além disso, em 2015, ativos que já tinham tido seus valores reduzidos em 2014 (Comperj, Renest, Suape etc) foram novamente desvalorizados. Tudo somado resultou em novo “impairment” de R$ 50 bilhões.

Em função disto, dos 5 membros do Conselho Fiscal da Petrobras, 2 não assinaram o balanço, que foi aprovado por maioria (3×2).

Agora em 2016, surpreendendo todos os especialistas, surge um novo “impairment”, afetando novamente os mesmos ativos (Comperj, Renest, Suape).

“Impairment” de ativos nas empresas são raros, não ocorrem com frequência. Agora, fazer “impairment” nos mesmos ativos por 3 anos consecutivos é inimaginável.

Será que a Pricewaterhouse está usando metodologias inadequadas nas suas avaliações? Como ficam os acionistas?

Ativos como da Comperj e da Usina de Quixada, tiveram seus valores recuperáveis reduzidos a 0 (zero). Ou seja, podem ser vendidos por R$ 1,00 que vão gerar lucro. Muito conveniente para a direção da Petrobras, que acaba de vender os ativos na Argentina com prejuízo.

Lembro ainda, que as “Big Four” (KPMG,Ernst,Price e Deloitte) não são santas e já estiveram envolvidas em muitas falcatruas mundo afora. Um exemplo recente é o escândalo financeiro descoberto em 2014 ao qual foi dado o nome de Luxemburgo Leaks. Com o apoio das “Big Four”, grandes empresas transacionais (384 no total) evitaram o pagamento de impostos, através de um artifício chamado elisão fiscal. O processo está em andamento e envolve empresas brasileiras.

Cláudio da Costa Oliveira é Economista aposentado da Petrobras

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Um grande engano sobre a Petrobras https://www.ocafezinho.com/2016/11/17/um-grande-engano-sobre-petrobras/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/17/um-grande-engano-sobre-petrobras/#comments Thu, 17 Nov 2016 08:28:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59904 1 Comentário 🔥]]> por Claudio da Costa Oliveira, colunista do Cafezinho

Diariamente assistindo comentaristas econômicos, é comum ouvir dizer que o preço das ações da Petrobras caíram devido a queda do preço do petróleo, e inversamente subiram em função de aumento no preço do petróleo.

Também tenho lido muitos artigos dizendo que, as recentes quedas no preço do petróleo, prejudicam a Petrobras. Nada menos verdadeiro do que isto.

Na verdade, 75 % das receitas da Petrobras vem de venda de derivados no mercado interno. Diferentemente do que ocorre em outros países , o preço no mercado interno no Brasil não tem vínculo com o preço internacional do barril.

A Petrobras não divulga, mas acredito que hoje o preço no mercado interno equivale a um preço de barril entre US$ 70 e US$ 80.

Se analisamos o balanço de 2015 da Petrobras, ano em que houve forte queda no preço do barril, vamos verificar que as receitas praticamente permaneceram estáveis em relação a 2014. Fato que a diferencia de todas as outras grandes petroleiras do mundo que , sem exceção, sofreram fortes quedas de receitas neste período

Por outro lado, a queda no preço do barril reduz o custo da Petrobras, pois diminui o pagamento de royalties e participações especiais, que são calculados com base no preço internacional do petróleo. Em 2015 a queda de gastos com participações governamentais da Petrobras, em relação a 2014, superaram R$ 11 bilhões. Além disto os derivados importados pela Petrobras caem de preços, aumentando a margem na revenda feita pela empresa.

As notas explicativas do balanço de 2015, são bem claras quando justificam o aumento no lucro bruto e na geração de caixa, com a queda no pagamento de participações governamentais e o aumento da margem nos derivados importados.

Portanto podemos dizer em alto e bom som : A QUEDA NO PREÇO INTERNACIONAL DO PETRÓLEO MELHORA OS RESULTADOS DA PETROBRAS.

Enquanto permanecer a atual estrutura de receita e custo da Petrobras estes fatos serão verdadeiros.

Infelizmente a Petrobras, apesar de registrar em suas notas explicativas,  não é totalmente transparente em relação ao assunto.

Em função disto, muitos comentaristas ficam literalmente perdidos, quando vêm o governo brasileiro , em recente reunião da OPEP, se posicionar contra o controle de produção, o que , em tese, aumentaria o preço internacional do petróleo.

O único problema da Petrobras com a queda do preço do barril é o aumento da concorrência no mercado interno. Mas isto está sendo resolvido com as recentes diminuições dos preços da gasolina e do diesel , o que provavelmente vai matar a concorrência e devolver à Petrobras 100% do mercado interno.

Cláudio da Costa Oliveira é Economista aposentado da Petrobras

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Advogados revelam na ONU o massacre midiático contra Lula https://www.ocafezinho.com/2016/11/17/advogados-revelam-na-onu-o-massacre-midiatico-contra-lula/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/17/advogados-revelam-na-onu-o-massacre-midiatico-contra-lula/#comments Thu, 17 Nov 2016 08:07:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59900 3 Comentários 🔥]]> Pesquisa entregue para ONU prova perseguição de Globo contra Lula

Dados referentes ao Jornal Nacional da Rede Globo mostram que, entre o final de dezembro de 2015 e agosto de 2016, foram ao ar praticamente 13 horas de notícias negativas sobre o ex-presidente

no Lula.com.br

A defesa do ex-presidente Lula apresentou ao juiz Sérgio Moro e à Comissão Internacional de Direitos Humanos da ONU um estudo científico sobre a cobertura da imprensa brasileira, que comprova tecnicamente — e com números impressionantes — o massacre midiático contra o ex-presidente.  

O estudo foi preparado pelo cientista político, sociólogo e mestre em Filosofia João Feres Júnior, vice-diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) – que produz o Manchetômetro,? indicador das tendências políticas da mídia brasileira.

Os dados referentes ao Jornal Nacional da Rede Globo mostram que, entre o final de dezembro de 2015 e agosto de 2016, foram ao ar praticamente 13 horas de notícias negativas sobre o ex-presidente, apenas 4 horas de noticiário considerado neutro e nem 1 segundo de notícias com viés positivo.

A parcialidade do JN em relação a Lula fica evidente pelo fato de que metade de suas reportagens não contemplou o contraditório do ex-presidente, de sua assessoria ou de seus advogados.

Uma parte dos dados referentes ao Jornal Nacional foi apresentada nesta quarta-feira (16) pela advogada Valeska Zanin Martins, numa entrevista à imprensa internacional em Genebra, sede da Comissão de Direitos Humanos da ONU, onde a defesa de Lula denuncia os abusos cometidos contra ele no Brasil.

Os dados completos do estudo do professor João Feres sobre a cobertura do Jornal Nacional estão no resumo a seguir:

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Maior do que a falta de caráter da imprensa é a cara-de-pau de sua criação https://www.ocafezinho.com/2016/11/16/maior-do-que-falta-de-carater-da-imprensa-e-cara-de-pau-de-sua-criacao/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/16/maior-do-que-falta-de-carater-da-imprensa-e-cara-de-pau-de-sua-criacao/#comments Wed, 16 Nov 2016 07:24:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59819 2 Comentários 🔥]]> por Pablo Villaça, em seu Facebook

“Como você conheceu a Marcela?” é a pergunta-síntese da desintegração ética do jornalismo brasileiro.

Primeiro, porque é absolutamente irrelevante. O cara é considerado ilegítimo por imensa parcela da população (e É); sua vida romântica não importa. Como ele é um golpista abominado pela população — até mesmo por quem não gostava de Dilma —, não dá entrevistas e, assim, esta seria uma oportunidade ímpar para que jornalistas de verdade pudessem questioná-lo sobre a gravação do “ministro” Jucá no qual este planeja o golpe; sobre os 23 milhões de caixa 2 depositados na conta do “ministro” Serra; sobre o cheque de um milhão em seu próprio nome, e assim por diante. “Ah, mas eles perguntaram sobre o cheque!”. Não, eles TOCARAM NO ASSUNTO, o que é bem diferente. Questionar é fazer perguntas complementares, apontar as provas que desmentem a resposta e, principalmente, voltar ao assunto se o entrevistado tenta desviar o foco da conversa.

Em vez disso, os “jornalistas” (haja aspas pro Brasil de hoje) preferiram fazer perguntas adolescentes que seriam bem mais apropriadas em uma matéria de Caras.

Em segundo lugar, fizeram uma pergunta cuja resposta todos sabem: ele conheceu a esposa quando tinha 60 anos e ela, filha de um amigo, era menor de idade.

O único propósito da pergunta, portanto, era o de tentar “humanizá-lo”. E quem faz isso não é jornalista, é um Relações-Públicas.

Não é à toa que, após a entrevista, Temer, o Pequeno, gravou um vídeo no qual agradeceu pela propaganda. E, sim, ele disse “propaganda”. Porque maior do que a falta de caráter de nossa imprensa é a cara-de-pau de sua criação.

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A derrota do “jornalismo de guerra” https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/derrota-do-jornalismo-de-guerra/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/derrota-do-jornalismo-de-guerra/#comments Wed, 16 Nov 2016 01:49:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59822 6 Comentários 🔥]]> por Fernando Rosa, em seu blog

“O retrocesso com Trump” – trombetou apocalipticamente o jornal O Globo em editorial sobre as eleições norte-americanas. “Mais que surpreendente – porque havia esta possibilidade —, é preocupante para o mundo a vitória de Donald Trump”, vaticinou a família Marinho. A opinião é o atestado da fragorosa derrota que sofreu toda a mídia, nacional e norte-americana.

“Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez vi na minha vida”, escreveu Miguel Esteves Cardoso, no jornal Público, de Portugal. Mais do que jornalismo, no Brasil e nos Estados Unidos, a mídia fez campanha publicitária contra Trump. Na reta final, apelou para o terror, com “queda das Bolsas” e “dos Mercados”.

Mesmo assim, o cartel midiático, bem como todo o aparato de pesquisas, viu seu poder de manipulação frustrado pelas urnas. A Globo, por exemplo, deve ter torrado os tubos para mandar William Bonner pagar mico direto de Washington. A indisfarçável frustração dos barões da imprensa ficou explícita, de forma particular, nas caras desoladas dos apresentadores da GloboNews.

Para o cartel midiático, segundo editorial de O Globo, a culpa da derrota é “o avanço de movimentos reacionários contra a globalização”. Grupos que, segundo eles, até agora estariam restritos à parte da Europa, incluindo a Rússia de Putin. Ou seja, culpam os norte-americanos e os demais povos do mundo que defendem a soberania, a economia e os empregos de seus países.

Os mesmos jornais e jornalistas que agora afirmam que a vitória de Trump ameaça a democracia apoiaram abertamente o golpe de Estado no Brasil. Mais, promovem campanhas sistemáticas contra países como a Venezuela, por exemplo, que defendem sua soberania. Ainda, aliaram-se a candidata democrata derrotada, responsável por guerras de destruição contra Nações, a exemplo do Iraque e da Líbia.

Mais do que atacar, apostaram em sufocar o debate democrático sobre temas de interesse da sociedade norte-americana. A começar pela situação de cerca de 5 milhões de trabalhadores que perderam seus empregos devido ao fechamento de 60 mil fábricas, nos últimos 15 anos. Também tentaram esconder as propostas de Trump para a saúde dos idosos, para os sem-teto e para os mais de 70 milhões de pequenos empresários.

No campo internacional, foram ainda mais longe em sua parceria com a indústria bélica, que financia guerras e grupos terroristas. Inutilmente, suprimiram da cobertura eleitoral a proposta de Trump de estabelecer uma aliança com a Russia para combater o EI. Também secundarizaram a posição de Trump de romper com a lógica belicista de sua adversária.

“Não estou competindo contra Hillary Clinton, mas contra os corruptos meios de comunicação”, denunciou o candidato republicano durante a campanha. De fato, todos os grandes veículos alinharam-se aos interesses do neoliberalismo financeiro e da indústria bélica. “Se os repugnantes e corruptos meios de comunicação cobrissem de forma honesta e não deturpassem o que digo, ganharia de Hillary por 20%”, disse Trump.

Mal terminou a campanha, juntaram-se as hostes de George Soros e suas “primaveras” fakes em ataques ao candidato recém-eleito. O machismo de Trump é um crime, mas assassinar centenas de milhares de crianças, jovens e mulheres deve ser coisa natural. Não se trata apenas de “incompreensão” do processo, mas compromisso histórico com a defesa do que tem de pior na face da Terra.

A histeria contra os movimentos anti-globalização é a impressão digital da simbiose da mídia com o capital financeiro. No Brasil, o cartel da mídia já está beirando o ridículo em sua campanha para consolidar o golpe de Estado. Na verdade, mantém sua tradição histórica de apoiar qualquer “silvério dos reis” entreguista a serviço dos interesses externos.

Com a eleição de Trump, não apenas o neoliberalismo financiador, mas também a sua mídia servil saiu enfraquecida. As mentiras diárias, os editoriais de aluguel, as capas terroristas, as campanhas contra a honra perderam valor na bolsa do “jornalismo de guerra”. Até onde der, restou agarrarem-se aos assaltantes dos orçamentos nacionais, aos cofres de Wall Street e ao rentismo explorador e sanguinário.

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Aos gringos, filé. Para a Petrobras, o osso https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/aos-gringos-file-para-petrobras-o-osso/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/aos-gringos-file-para-petrobras-o-osso/#comments Tue, 15 Nov 2016 12:14:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59753 5 Comentários 🔥]]> (Charge: Vitor Teixeira)

por Mauro Santayana, em seu blog

Entre os aspectos mais perversos da atual retirada nacional – baseada filosófica e administrativamente na diminuição do papel do Estado e das empresas públicas como instrumentos de desenvolvimento do Brasil em sua natural disputa com outros países do mesmo porte territorial e demográfico –, um dos mais abjetos é o que envolve o acelerado enfraquecimento da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima. Inclusive pelo cinismo com que tem sido levado a cabo.

A desculpa é sempre a mesma. Estariam, a ­Petrobras e o país, quebrados devido à atuação dos governos anteriores, embora a estatal estivesse, até há poucas semanas, a caminho de zerar o déficit cambial acumulado nos últimos anos; suas ações tenham se valorizado em mais de 170% neste ano, em processo iniciado quando Dilma ainda se encontrava à frente da Presidência da República; e esteja batendo sucessivos recordes de produção, especialmente no pré-sal. E o Brasil quebrado de Lula seja o mesmo país em que o BNDES tem tão pouco dinheiro que se prepara para “devolver” ?R$ 100 bilhões ao Tesouro e seja a mesmíssima nação que pagou as dívidas com o FMI e que acumulou US$ 370 bilhões em reservas internacionais, diminuindo, ao mesmo tempo, a dívida pública bruta e a líquida nos últimos 13 anos.

O cinismo é tanto que a turma que alega que faltava transparência à direção anterior da empresa é a mesma que, agora, pretende concentrar mais poder nas mãos de pequenos grupos para decidir questões estratégicas. Como o que vender, ou melhor, “doar”, dos ativos da empresa e a quem fazê-lo; a participação ou não da Petrobras como operadora neste ou naquele poço do pré-sal; o uso ou não de peças e equipamentos comprados ou encomendados no Brasil nesse ou naquele projeto; e até mesmo a fixação do preço da gasolina “seguindo a média dos preços internacionais”.

São práticas que levarão, se não houver transparência e discussões públicas, à possibilidade da eventual ocorrência de corrupção em altíssima escala. Qualquer um desses temas envolve, direta ou indiretamente, interesses que vão de multinacionais a fornecedores estrangeiros de equipamentos a donos de postos de gasolina, em uma escala que vai de bilhões de reais a dezenas de bilhões de dólares.

Nesse processo, abandona-se a lógica, evitando que a Petrobras, que, durante anos, subsidiou os consumidores brasileiros, quando a gasolina estava mais cara lá fora, seja ressarcida por isso agora, quando ela está mais barata. Adiando a recuperação da maior empresa nacional, o que é uma excelente desculpa para entregar, a toque de caixa, e a preço de banana, seus mais importantes ativos, sem consulta à sociedade brasileira, que é, em última instância, a dona do negócio.

Áreas de maior valor agregado e de maior potencial de avanço da pesquisa tecnológica e científica, como a petroquímica, o transporte e a distribuição de gás e de combustíveis, estão sendo entregues a concorrentes, deixando apenas o osso, ou a produção, para a Petrobras, dependendo do poço, quando ­isso for de interesse do “mercado”, representado pela associação que reúne, no Brasil, as petroleiras estrangeiras.

O que dá mais dinheiro? Um barril de petróleo bruto, em um momento em que os preços se encontram historicamente deprimidos, ou um barril de gasolina ou diesel, vendido diretamente ao consumidor, na bomba de combustível?

A ganância, e a possibilidade de lucro é tanta, que o anúncio demagógico da inútil queda do preço da gasolina nas refinarias saiu como um tiro pela culatra, aumentando os preços para o consumidor, em muitos estados, no lugar de diminuí-los. Ou alguém achou que os donos dos postos iriam repassar o desconto para os clientes?

A contradição dos recém-chegados é tanta que o seu discurso privatista e entreguista defende a superioridade e proeminência da iniciativa privada sobre o Estado, mas os ativos da Petrobras estão sendo entregues a estatais, leia-se, a estados estrangeiros, como a Noruega e a China, porque no mundo real, e não no da midiotização brasileira, são as empresas estatais, como as sauditas e as chinesas, que dominam o mercado mundial do petróleo, e são nações altamente estatizadas, como a China, que dominam a economia mundial e são os maiores credores da Europa e dos Estados Unidos.

Enquanto nossa maior empresa vai sendo desmontada, esquartejada, descaracterizada estrategicamente, as mentiras sobre ela vão se acumulando.

Cabe aos petroleiros processar a PricewaterhouseCoopers para que ela prove os alegados desvios de R$ 6 bilhões na companhia, que já deveriam ter sido reincorporados aos novos balanços.

Ao contrário do senso comum baseado em um discurso apressado e rasteiro, a gasolina no Brasil não está entre as mais caras do mundo. Há mais de 50 países em que ela custa mais do que aqui, incluídos grandes produtores, como a própria Noruega, a quem estamos entregando megapoços do pré-sal, quando poderíamos simplesmente estabelecer alianças entre a Petrobras e estatais estrangeiras, mantendo o controle dos poços e das reservas em nossas mãos, como deveria ter sido feito agora com a francesa Total.

A verdade é que a Petrobras não está, nem esteve, nunca, quebrada da forma que foi divulgada. O seu endividamento decorreu não de algumas dezenas de milhões de dólares efetivamente pagos por empreiteiras a bandidos como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró para que não atrapalhassem seus negócios, mas da brutal queda do preço do petróleo que a afetou e também outras companhias.

E de uma estratégia deliberada de sabotagem da credibilidade da empresa, para derrubar o governo anterior e levar as suas ações ao chão, para que grandes investidores privilegiados, como George Soros, por exemplo, e acionistas estrangeiros que nunca acreditaram em sua quebra e no catastrofismo fascista fizessem extraordinárias fortunas, em poucos meses, como aconteceu este ano, enquanto otários tupiniquins pseudoconservadores e midiotizados se desfaziam de suas ações, metendo o pau na empresa, nas redes sociais, a R$ 5, quando elas estão valendo hoje quase R$ 20.

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Cafezinho entrevista presidente da AMES-RIO: “Escola sem Partido” é uma verdadeira guilhotina, um pacote contra a educação https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/cafezinho-entrevista-presidente-da-ames-rio-escola-sem-partido-e-uma-verdadeira-guilhotina-um-pacote-contra-educacao/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/cafezinho-entrevista-presidente-da-ames-rio-escola-sem-partido-e-uma-verdadeira-guilhotina-um-pacote-contra-educacao/#comments Tue, 15 Nov 2016 11:56:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59729 2 Comentários 🔥]]> (Foto: Denise Assis)

Isabela Queiroz, presidente da AMES-RIO: “estão cortando o nosso futuro. Cortando as nossas asas”

por Denise Assis, especial para O Cafezinho

Aos 18 anos, Isabela Queiroz poderia estar, no domingo, jogando o cabelo longo e cacheado de um lado para o outro – um dos seus gestos freqüentes – na fila do cinema de um dos shoppings da cidade, esperando para ver um blockbuster. Mas este não é o seu perfil. Isabela optou por lutar por seus direitos e o dos seus pares, os estudantes. Por isto, a despeito do tempo feio e chuvoso, trocou de bom grado o programa típico das garotas da sua idade, para encontrar-se com O Cafezinho e falar sobre a defesa da educação e das ocupações organizadas nas escolas da rede do Ensino Médio, na qualidade de presidente da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas – AMES.

Com o mesmo charme com que repetiria o gesto à espera de um filme, Isabela joga os seus cachos, enquanto explica o significado desse movimento que Michel Temer disse que eles fazem, mas não sabem bem o porquê, nem para quê, e sobre o quê estão falando. Engana-se. Articulada e com um discurso bem organizado, a líder estudantil destrói a PEC 241 – (55 no Senado), a reforma do Ensino Médio e a ideia da “Escola Sem Partido”. Confiram.

– Como você entrou para a militância?

– Eu nasci e cresci em Brasília, porque a minha mãe veio morar e trabalhar aqui. Estou há uns três anos no Rio e estudava na Escola Estadual Pedro Álvares Cabral, em Copacabana. (Altura da República do Peru). No primeiro ano já não aprendia muita coisa porque não tínhamos vários professores, ficávamos a maior parte do tempo sem fazer nada e com policiais armados fazendo a segurança dentro da escola. Isto porque nós éramos os traficantes, nós éramos os marginais, o perigo (ironiza). A minha mãe decidiu que eu ia sair dessa escola, na metade do ano, e que eu iria estudar para passar em um concurso em alguma outra escola. Podia ser no Pedro II, na UFRJ, qualquer coisa. Fui procurar esta escola (onde estuda hoje, da rede FAETC), que tem técnica em Comunicação, uma das coisas que eu gosto. E a Escola Adolpho Bloch (localizada em São Cristóvão) tem tradição em movimento estudantil.

– Os seus pais trabalham em que?

– A minha mãe trabalha na Anistia Internacional e o meu pai é músico.

– Você estava falando do seu primeiro contato com o movimento estudantil…

– Sim, lá encontrei o movimento e me aproximei, porque foram as primeiras pessoas que me atraíram para conversar e ter mais afinidade. E aí foi que eu comecei a me encantar com essa história de poder mudar o mundo e poder mudar essa situação em que a gente está vivendo. A questão é que na época, foi há três anos, já encontrei os colegas falando: ‘pô isso aqui já foi muito melhor’… Mal eu percebia que era o início do desmonte da FAETEC, o que não me deixou em paz durante esses anos. Hoje eu vejo que nós não temos condições de estudar porque os nossos funcionários estão passando fome e com meses de salários atrasados. Quando ocupamos a escola eles estavam há meses sem receber, sem tíquete alimentação e transporte. Nem por isto deixavam de trabalhar porque são terceirizados e se param é justa causa, vão embora. Perdem o emprego. Esta é a situação que a gente vive na FAETEC.

– A sua luta é focada objetivamente na situação da escola, dos funcionários, dessas pessoas que estão envolvidas nesse ambiente escolar. Ao mesmo tempo, desde que você chegou, há três anos, houve uma mudança no país. Estas questões entram na pauta de vocês ou a sua preocupação é apenas com a escola e a ocupação?

– Claro que entra. A gente tem muitos embates na escola por divergências de opinião. Principalmente agora. A minha escola, é uma escola liberal, no sentido bom da palavra. Tem muita diversidade e liberdade para os LGBTS… E ao mesmo tempo, muitos pensamentos de esquerda. Embora nesse momento, em que o conservadorismo ascende, seja bastante surpreendente como isto chega até lá.  Na última eleição de grêmio nós tivemos uma chapa ampla, que era no caso a nossa, e que comportava quem quisesse chegar e lutar em favor da educação, pelo fortalecimento do grêmio, mas também lutar contra a PEC-241, pela reforma, enfim, e tudo o que é o avanço da nossa escola e da sociedade. Vemos muita gente lá renegar a política. E isto não entra na minha cabeça: negar a política para mudar a realidade. A realidade já é política.

– E como você percebe esse conservadorismo chegar lá?

-Tem muita gente lá que vota no Bolsonaro (Partido Social Cristão- PSC) na Carmem Migueles (que foi candidata a prefeita do Rio pelo Partido Novo). Ou seja, eles negam a política, mas a direita está saindo do armário. Antes de o golpe acontecer nós já vínhamos alertando: sim é golpe, não vamos deixar, mas também tinha uma galerinha que falava: ‘ não, a Dilma é horrível, fora Dilma’. Hoje em dia se consegue ver melhor o que está se passando.

– E estes grupos reavaliaram posição?

– Então, a gente está conseguindo se mobiliar para mostrar o que é a PEC – 241, a reforma do Ensino Médio, o que vai além da FAETEC. Este é um movimento que abrange todas as tendências políticas. A gente está percebendo que se você é estudante, tirando aquela parcela que se define como “neoliberal” (Isabela imposta a voz, em tom jocoso). Ou seja, os capitalistas sem capital (ri da própria ironia), todos estão percebendo que a PEC – 241 e os retrocessos pautados pelo governo Temer – que já veio tirando o “Ciências Sem Fronteiras”, que já veio tirando o FIES e as medidas de democratização do ensino, agora com a PEC- 241, com a reforma do Ensino Médio e com essa tal de “Escola sem Partido” – são uma verdadeira guilhotina, um verdadeiro pacote contra a educação. Eles estão cortando o nosso futuro. Cortando as nossas asas. E isso começou desde o momento em que eles quiseram aprovar a maioridade penal.

– Como foi esse momento, para vocês?

– Ali nós conseguimos demonstrar que a juventude não vai se calar. Houve uma grande mobilização. Houve uma caravana, até o Congresso Nacional para barrar aquela calamidade que estava sendo feita. Hoje a gente está vivendo tudo isto em grande escala.

– Na luta contra a maioridade penal, você diria que vocês passaram a enxergar além do muro da sua escola? Vocês passaram a ter uma preocupação maior com a sociedade, ou já havia esta preocupação?

– Olha, eu acho que ali nós conseguimos trazer muita gente para ver a realidade fora da escola. Eu acho que aquilo ali conseguiu acordar muita gente. Eu não sei como era antes, mas hoje em dia o estudante não tem como viver só dentro da escola.

– E como isto entra na pauta de vocês?

Nós entendemos que o Ensino Médio precisa ser reformulado, ma isto que estão tentando fazer, hoje, com a gente, é nos colocar dentro de uma caixinha, para que a gente consiga aprender só o que eles querem. O que é útil para o mercado deles. E como a gente vive na era da Comunicação, da Internet, da Globalização, da informação, não temos como viver só do que o professor fala. Enfim, a gente vê TV, a gente vê Internet, temos acesso à informação. E naquele momento (o da redução da maioridade), foi o momento que muita gente veio para o debate.

– E tinha estudantes também a favor da redução, não?

– Sim. Ali já se conseguia ver a ascensão do conservadorismo. A ascensão do “fora Dilma”.  Muitos estudantes também se tornaram a favor do “fora Dilma”, mais por uma questão midiática.

– Você atribui, então, uma forte influência da mídia na cabeça dos jovens?

– Sim, e não só dos jovens. Da sociedade toda.

-Mas você acha que o efeito foi maior nos jovens por serem mais imaturos politicamente?

A gente vive a era do acesso à informação, mas para uma parcela a informação ainda é restrita. E a Rede Globo tem um forte papel nisso. Quando o estudante, quando o trabalhador, qualquer pessoa chega em casa, a primeira coisa que ele faz é ligar a televisão. Em todas as classes sociais. Então a opinião da Globo, e não só dela, como dos demais canais, tem uma forte influência na população. Todas as emissoras de TV. A juventude em geral acessa também a informação que está no celular, que está na Internet, que tem mais pluralidade e que pode levá-lo a formular opiniões melhores, também. A partir de 2013 houve um boom na imprensa alternativa. Então acho que a opinião da grande mídia tem muita influência, sim, mas a juventude conseguiu equilibrar um pouco mais.

– Graças à Mídia alternativa?

-Não só. Às redes sociais… E neste ponto a juventude conseguiu avançar muito, graças ainda ao trabalho das entidades estudantis, como a UNE, a UBES e à UMES. Em Brasília, nós tivemos informações de que a UESDF – União dos Estudantes Secundaristas de Brasília – passava nas salas para dialogar com os estudantes e esclarecer que aquilo que estava sendo pautado lá (a redução da maioridade penal) era contra eles. Por isto tinha tantos estudantes nas galerias na votação.

– Nessa última semana o Michel Temer ironizou as ocupações dizendo que os estudantes estão lutando contra uma coisa que não leram e não conhecem. O que vocês têm a dizer sobre isto?

– Isso em relação à PEC-241, ou à reforma do Ensino?

– Às duas coisas. Mas principalmente ele disse que vocês não sabem o que é a PEC.

– Eu vi isso… O que eu acho sobre isto? Acho que nesse momento ele deveria calçar as sandálias da humildade e entender que não são somente os estudantes secundaristas e nem são só os universitários que estão ocupados. O que já não é pouca coisa. As ruas nesta semana foram inundadas, o que está acontecendo de mês em mês. Ele tem que ver que não são apenas os estudantes secundaristas. E que dentro das escolas estamos recebendo explicações sobre isto. Nesta semana a deputada federal Jandira Feghali esteve dentro do Pedro II – diga-se de passagem, ela foi atacada pelos estudantes do MBL (Movimento Brasil Livre) – coisa que está acontecendo no Brasil inteiro, por conta dessa direita raivosa. A gente sabe, sim, o que está acontecendo. E a gente entende muito bem qual é a intenção dele, tentando deslegitimar o movimento que a gente está fazendo. Tentando desqualificar o que é o senso crítico de um estudante, seja ele secundarista, seja um universitário, porque é basicamente isto que ele está fazendo, quando não reconhece a luta Afinal de contas, parece agora ele está reconhecendo, pois está falando sobre o assunto.

– Em que momento ele os criminaliza, em sua opinião?

– Quando o MEC, por uma medida totalmente arbitrária, adiou a prova do ENEM para os estudantes que fariam a prova em escolas ocupadas, como se simplesmente isso não pudesse ser dialogado. As escolas têm consciência de que os estudantes estão lutando pelo ENEM, que é uma conquista dos estudantes também… Então, assim como em Minas Gerais, e em outros estados as eleições foram realizadas nas escolas ocupadas, por também ser uma luta em prol da democracia, a nossa luta é por educação. Tivesse o MEC dialogado com os estudantes, e eles teriam aceitado que as provas fossem feitas. O Colégio Pedro II, aqui no Rio de Janeiro, já havia decidido que os estudantes tomassem esta medida.

– Como você percebe esse desprezo deles pelo diálogo?

– O MEC não procurou as unidades ocupadas. Apenas suspendeu a prova para criar um conflito, esta tensão, jogando os estudantes contra os próprios estudantes e a sociedade em geral. O que é uma das armadilhas que ele usou e já estão conhecidas. Aqui no Rio, eles entraram em contato com a Secretaria de Educação para criminalizar as ocupações, denunciando que as ocupações depredaram escolas, e eu não vi isto acontecendo.

– Como estão os professores de modo geral? Alguns a gente sabe que estão dando apoio ao movimento. Como está a situação deles?

– Olha, o MEC também, no início das ocupações, pediu para que a direção e os professores delatassem os estudantes. Então, assim, há claramente uma percepção disso. Mas eu confesso que eu não tenho elementos para avaliar. Nem sei direito das condições dos professores, mas já aconteceu do movimento dos professores ser indiciado pelo Ministério Público, como foi o caso do próprio Pedro II, por conta de faixas que os estudantes colocaram, de “Fora Temer”. Isso impede completamente a manifestação política deles.

– Na sua opinião, o movimento das ocupações está refluindo ou ganhando força?

– Eu acho que está ganhando força.

– Vocês agora ganharam um reforço das universidades?

– Bom, acho que a partir do momento que o MEC tomou essas medidas, as de criminalizar os estudantes, e de jogá-los contra os estudantes, por conta do ENEM, que é uma das principais preocupações de qualquer estudante, hoje, o número de ocupações deixou de crescer, mas eu também não acho que tenha diminuído. Acho que ele cresceu enormemente em um mês. Nós tivemos 1200 escolas ocupadas. De setembro até agora, quando começou a questão do ENEM. Algumas escolas foram desocupadas, mas em meio a isso, a UNE também ocupou várias universidades. Tem mais de 100 universidades ocupadas no Brasil. E não são só ocupações. São ocupações muito mobilizadas. Todas as federais estão ocupadas. Até a PUC, que é particular teve ocupação. Aqui só não teve na UERJ e na UEZO – (Universidade Estadual da Zona Oeste). E não estão, no momento, mas já estiveram no final do ano passado. E nós das escolas estaduais continuamos mobilizados contra a PEC- 241 e contra a mudança no Ensino Médio e a “Escola sem Partido”. Não temos condições de ocupar agora, de novo. Caso isso ocorra, o movimento não vai ter força, porque temos que correr atrás do conteúdo que não tivemos, no período da ocupação, por exemplo. Temos que recuperar o que não foi dado nesses três meses.

– Nesses três meses que tipo de balanço você faz dessa experiência para a sua vida?

– Nesse período nós fizemos muitos debates, trocamos muitas ideias, conseguimos chamar muita a atenção, principalmente com relação ao que estava acontecendo com os nossos funcionários. Nós nos colocamos no lugar deles. Limpávamos a escola, fazíamos a comida, cuidávamos da burocracia, de tudo. Teve ventilador pegando fogo na escola e a gente sem saber o que fazer, passamos muitas noites com medo. Imagina a nossa situação. Na frente da nossa escola tem a linha do trem. Do outro lado tem a Mangueira, do outro, a Quinta da Boa Vista e atrás, o presídio. E só tínhamos nós, os estudantes. Estávamos desamparados. Mas aprendemos muita coisa. Hoje, além de conseguirmos conquistar coisas que há 14 anos não se via acontecer no Rio de Janeiro, como a eleição direta para a direção, vimos avançar um processo de democratização dentro da escola. Os estudantes estão participando da eleição do grêmio. Os pais que antes nem iam às reuniões estão participando.

 – Como eles se posicionaram, com relação às ocupações?

– Alguns apoiaram, mas muitos estavam ali sabendo que os filhos estavam participando, mas sem apoiar a perda de aula. O importante de tudo isso é que hoje a gente tem conselho escolar, a associação de pais e responsáveis ativa, os professores ativos. Tudo ali agora se transformou em processo político.  A escola está efervescente. Até a direção assume outra postura. Qualquer decisão é levada para a assembleia. Democratizamos a escola.

– Você acha que isto pode ser ampliado para o país?

– Deve. As ocupações têm esse dever. Esse é o nosso principal compromisso. Porque esse foi o momento em que a democracia no país foi dilacerada e ela precisa ser recuperada. Ela precisa, inclusive, não só ser recuperada, como também reconstruída. Há uma avaliação de que os cidadãos se descolaram da noção de que tudo é político e que se ele não estiver decidindo, alguém vai decidir por ele. E durante a ocupação nós nos batíamos por isto: se você não concorda com algo, você precisa ir para a assembleia dizer, porque do contrário alguém vai decidir por você. E é assim que está acontecendo. E é assim quando a maior parte dos votos é nula ou em branco e quem ganha é o Crivella, quem ganha é o Dória, quem ganha é o “não político”, mas que também não representam aqueles que estão votando. Nós que temos a necessidade de mudar as coisas, e eles nos vêem como políticos também. Essas pessoas nos vêem como esquerdopatas. O que eles não vêem é que nós estamos voltando para os tempos obscuros que a gente já viveu. Basta lembrar todos os direitos trabalhistas que estão nos tirando, e da frase do Temer. “Não pense em crise, trabalhe”.

– Os conservadores definem vocês como “esquerdopatas”. E vocês, como se vêem?

– Como defensores da nossa educação, e do futuro do nosso país. Eu não tenho como dizer por todos os estudantes, mas se eu tivesse essa propriedade eu diria isto. Somos defensores do futuro.

Denise Assis é Jornalista

 

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https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/cafezinho-entrevista-presidente-da-ames-rio-escola-sem-partido-e-uma-verdadeira-guilhotina-um-pacote-contra-educacao/feed/ 2
Manifesto em apoio aos estudantes – Reforma do Ensino Médio quer transformar jovens em máquinas https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/manifesto-em-apoio-aos-estudantes-reforma-do-ensino-medio-quer-transformar-jovens-em-maquinas/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/15/manifesto-em-apoio-aos-estudantes-reforma-do-ensino-medio-quer-transformar-jovens-em-maquinas/#comments Tue, 15 Nov 2016 11:43:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59739 1 Comentário 🔥]]> MANIFESTO — Ação e Resistência em Apoio aos Estudantes (ARAE)

Nós, membros da sociedade civil, investidos do sentimento de indignação que nos assaltou desde o golpe perpetrado contra um governo eleito democraticamente pelo povo, como rezam os princípios da nossa Constituição Federal, em nome de um modelo neoliberal que cruel e vorazmente destrói as conquistas sociais e trabalhistas, vimos a público manifestar o nosso total apoio às ocupações organizadas pelos estudantes.

Os 21 anos de opressão (1964-1985), vividos sob uma ditadura que matou e desapareceu com centenas de estudantes perseguidos por almejarem o direito de viver em liberdade no seu próprio país, nos ensinou qual o peso da mão de um comando arbitrário. Por isto, não vamos permitir que um governo ilegítimo, que age em nome do capital estrangeiro e ignora as conquistas de 40 milhões retirados da linha da pobreza e inseridos no rol da dignidade pelo governo deposto, ironize, reprima, persiga ou desqualifique a luta dos estudantes que vislumbram o roubo do seu futuro, nitidamente contido na PEC 241 (55 no Senado).

Cientes de que a alteração do currículo do Ensino Médio é uma desavergonhada censura e a subtração do contato com ciências que humanizam e formam o espírito crítico, tão necessário em suas vidas, eles foram à luta. E com eles cerramos fileiras.

Michel Temer sabe que são esses jovens estudantes os responsáveis por abrir os atalhos do conhecimento e da construção de um país verdadeiramente democrático. Daí o cerceamento oculto na sua proposta indecente, que nem sequer foi discutida com a sociedade. E nem seria, pois é este o comportamento característico dos ditadores. Do mesmo modo, tentam impingir o modelo “Escola sem Partido”, como se fosse possível descolar estudantes do mundo à volta.

Por entender justa a luta dos nossos estudantes, por acreditar que é deles o destino desta Nação, por nos sentirmos tão atingidos quanto eles no assalto ao futuro, que só faz sentido com eles, lúcidos, críticos e organizados, lançamos hoje este manifesto, nos colocando ao inteiro dispor para lutar junto, ouvi-los e apoiá-los!

  1. Adriano Pilatti – Coordenador do Núcleo de Estudos Constitucionais da PUC-Rio
  1. Agostinho Ramalho Marques Neto – Psicanalista; Professor de Filosofia do Direito – UFMA (aposentado)
  1. Alexandre Bernardino Costa – Professor Associado da Universidade de Brasília, UnB.
  1. Alexandre Hermes Dias de Andrade Santos – advogado
  1. Ana Bursztyn Miranda – Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça/ Ocupa DOPS
  1. Beatriz Vargas Ramos – Professora Faculdade de Direito UnB.
  1. Bruno Sena Martins – Vice-Presidente do Conselho Científico do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Coordenador do Doutoramento Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal
  1. Carlos Fayal – Cirurgião-Dentista.
  1. Carol Proner – Professora UFRJ
  1. Cleide Martins Silva – Pedagoga
  1. Cristina Zappa – Fotógrafa
  1. Denise Assis – Jornalista
  1. Diego Nicolas Ferrari – Mestrado em Desenvolvimento Territorial UNESP – ENFF
  1. Eugênio José Guilherme de Aragão – professor da Faculdade de Direito da UnB e ex-Ministro da Justiça
  1. Edson Luis Baldan – Professor Direito Penal – PUC/SP
  1. Erivan da Silva Raposo – antropólogo e cientista político
  1. Evandro de Oliveira Borges – Advogado com militância em Direito Público , Graduado e Pós Graduado em Gestão Pública pela UFRN.
  1. Fabiane Lopes de Oliveira – Pedagoga, Mestre e Doutoranda em Educação, professora do curso de Pedagogia e Licenciaturas na PUCPR
  1. Fábio Leite – Professor de Direito da PUC-Rio
  1. Faní Quitéria Nascimento Rehem – professora UEFS
  1. Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça – RJ
  1. Francisco Buarque de Holanda – cantor e compositor
  1. Francisco Celso Calmon – Fórum Memória Verdade e Justiça do ES
  1. Francisco José Infante Ruiz – Profesor de Derecho Civil, Universidad Pablo de Olavide, de Sevilla, España
  1. Gisele Cittadino – Professora da PUC-Rio
  1. Gisele Silva Araújo – Professora da Unirio
  1. Isabela Queiroz – Presidente da Associação Municipal de Estudantes Secundaristas – AMES
  1. Jandira Feghali – Deputada Federal
  1. Jean-François Deluchey – Cientista Político. UFPA
  1. Jefferson Martins de Oliveira – advogado sindical
  1. Joana Giron – produtora cultural
  1. João Paulo Allain Teixeira – Universidade Federal de Pernambuco/Universidade Católica de Pernambuco
  1. João Ricardo Wanderley Dornelles – Professor da PUC – Rio; Coordenador geral do Núcleo de Direitos Humanos da PUC-Rio
  1. Job Gomes – Advogado; Professor da PUC-Rio
  1. José Carlos Moreira da Silva Filho – Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS e Ex-Conselheiro da Comissão de Anistia
  1. José Drummond Saraiva – Engenheiro
  1. Julio Francisco Caetano Ramos – Advogado/RS
  1. Leonardo Isaac Yarochewsky – Advogado e Professor da PUC-Minas
  1. Ligia Jobim – Advogada
  1. Livia Sampaio – Economista e mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas – UFBA
  1. Luis Vinicius Aragão – Advogado e Conselheiro OAB/BA
  1. Magda Barros Biavaschi – Desembargadora aposentada do TRT 4, Pesquisadora CESIT/IE/UNICAMP
  1. Manoel Messias Peixinho – Advogado; Professor da PUC-Rio
  1. Manoel Severino Moraes de Almeida – professor universitário e cientista político
  1. Manuel E. Gándara Carballido – Educador en derechos humanos; miembro del Instituto Joaquín Herrera Flores, Sevilla, España
  1. Marcia Curi Vaz Galvão – Professora da Rede Pública
  1. Marcio Tenenbaum – advogado
  1. Marcos Rocha – Professor de Direitos Humanos
  1. Maria Auxiliadora Andrade da Silva – pedagoga e educadora infantil em Frankfurt na Alemanha
  1. Maria Benevides Montenegro – Economista
  1. Maria Fernanda Bassères – médica
  1. Maria José Fariñas Dulce – Profesora de Filosofía del Derecho. Universidad Carlos III de Madrid, España
  1. Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach – Advogada SP
  1. Maria Luiza Quaresma Tonelli – Advogada
  1. Mariana de Lima e Silva – Professora de Sociologia – Faciplac – Gama – DF
  1. Marta Skinner – Professora de Economia UERJ/UFRJ
  1. Mirna Brasil Portella – Escritora
  1. Moacyr Parra Motta – Advogado; Mestre em Direito Constitucional UFMG
  1. Nasser Ahmad Allan – Advogado em Curitiba
  1. Paulo César Azevedo Ribeiro – Pesquisador e professor de História
  1. Paulo Teixeira – Advogado e Dep Federal PT/SP
  1. Pedro Cláudio Cunca Bocayuva – Professor do PPDH do NEPP-DH/UFRJ
  1. Prudente José Silveira Mello – Advogado e professor (Faculdade CESUSC)
  1. Renata Costa-Moura – coordenadora do Observatório de Direitos Humanos e Justiça Criminal / UFES
  1. Ricardo Franco Pinto – Advogado junto ao Tribunal Penal Internacional
  1. Ricardo Henrique Salles – Professor do Departamento de História, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-UNIRIO
  1. Roberto A. R. de Aguiar, Professor de Direito e ex-reitor da UnB
  1. Rogério Dultra dos Santos – Professor de Direito da Universidade Federal Fluminense
  1. Rômulo de Andrade Moreira – Professor de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade Salvador – UNIFACS
  1. Ruben Rockenbach Manente – advogado e professor da Faculdade Cesusc
  1. Sergio Graziano – advogado e professor da Universidade de Caxias do Sul
  1. Sergio Sant’Anna – Procurador Federal e Professor de Direito Constitucional da UCAM
  1. Simone Nacif – Juíza de Direito / RJ
  1. Soraya Ravenle – atriz
  1. Tarso Cabral Violin – advogado em Curitiba e professor de Direito Público da PUCPR e FAPI
  1. Tomás Ramos – advogado e militante de direitos humanos
  1. Vanda Davi Fernandes de Oliveira – advogada ambientalista
  1. Vera Vital Brasil – Psicóloga
  1. Victoria de Sulocki, Professora da Puc- Rio e advogada
  1. Vinicius Fernandes da Silva – professor do Colégio Pedro II
  1. Wadih Damous – Deputado Federal (PT)
  1. Wanja Carvalho – Procuradora Federal
  1. Wilson Ramos Filho – Professor da UFPR; Advogado
  1. Zéu Palmeira Sobrinho – professor da UFRN e juiz do trabalho
  1. Zora Motta – Arquiteta–RJ
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Alexandre Garcia admite que errou ao espalhar falso boato da mansão de Lula no Uruguai https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/alexandre-garcia-admite-que-errou-ao-espalhar-falso-boato-da-mansao-de-lula-no-uruguai/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/alexandre-garcia-admite-que-errou-ao-espalhar-falso-boato-da-mansao-de-lula-no-uruguai/#comments Mon, 14 Nov 2016 13:28:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59622 21 Comentários 🔥]]> Alexandre Garcia se retrata por ter mentido sobre mansão do Lula

Após afirmar que Lula teria uma mansão em Punta Del Este, Alexandre Garcia volta atrás e se retrata. Amigo vizinho da suposta mansão teria o alertado da incoerência

na Revista Fórum

O jornalista e apresentador da TV Globo, Alexandre Garcia, ao comentar uma reportagem da Revista IstoÉ associou o ex-presidente Lula a uma mansão em Punta Del Este.

Garcia afirmou que a Operação Lava Jato estaria investigando Lula por, supostamente, ter recebido indevidamente o imóvel de presente do empresário Alexandre Grendene Bertelle, um dos donos da rede de industrias de calçados Grandene. O empresário seria dono de uma várias mansões em Punta Del Este.

Lula processou a IstoÉ pela calúnia e ao perceber que também seria processado, Garcia foi ao ar dizendo que um amigo e vizinho da suposta mansão dada a Lula por Grandene, alertou o colega que nunca vira Lula ou Grandene no local e que o imóvel não pertencia ao ex-presidente.

Na retratação, Garcia atribui seu erro a um boato.

“Como surgiu essa história? Quando fazem viagens em Punta, aquelas casa maravilhosas […] os guias, querendo se mostrar dizem ‘olha, aquela é a casa do Collor, aquela ali é do Eduardo Cunha, aquela ali é do Juscelino, a outra é a do Lula, que ganhou de fulano’. É, não tem nada a ver com isso”.

Ou seja, Garcia admite que quando é para incriminar Lula basta um boato espalhado por guias turísticos. Já sobre José Serra, cuja delação de Marcelo Odebrechet fala de um depósito de R$ 23 milhões numa conta na Suiça, nenhum comentário.

(…)

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Folha não lê a Folha: 20 empresas participaram da reforma do Palácio da Alvorada https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/folha-nao-le-folha-20-empresas-participaram-da-reforma-do-palacio-da-alvorada/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/folha-nao-le-folha-20-empresas-participaram-da-reforma-do-palacio-da-alvorada/#comments Mon, 14 Nov 2016 13:11:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59615 2 Comentários 🔥]]> (Foto: Reprodução/ Folha)

Ao contrário do que saiu domingo (13) na Folha, não foi apenas a Odebrecht que participou da reforma do Palácio da Alvorada.

Matéria da própria Folha, do dia 07 de Abril de 2006, mostra que outras 19 empresas também participaram das obras de reforma do Palácio da Alvorada e do Palácio do Planalto. Bastava o repórter ler o próprio jornal para não cometer a gafe.

Abaixo artigo do jornalista Fernando Brito, do Tijolaço.

***

Uma ajuda à PF. Não só a Odebrecht pagou por obra no Alvorada. Foram 20 empresas, e saiu no jornal.

por Fernando Brito, no Tijolaço

O coleguinha Leandro Fortes, no Facebook, abre um caminho imenso às investigações da Polícia Federal que são, hoje, na capa da Folha, intensas para descobrir se a Odebrecht fez, de graça, a reforma das pedras que cercam a piscina do Palácio da Alvorada.

Não é só ela, tem mais 19 empresas que pagaram (ou gastaram) para recuperar o Palácio.

Transcrevo da própria  Folha, edição de 7 de abril de 2006:

A reforma do Alvorada foi bancada por um consórcio de 20 empresas, que pagaram R$ 920 mil cada uma pela obra. Elas tomaram a decisão depois de Lula ter reclamado do estado do palácio em um jantar com empresários em junho de 2004.

Elas pagaram pela obra, veja só.

E não foi pouco, porque dá R$ 1,7 milhão em dinheiro de hoje.

E como é que Lula explicou este “financiamento privado” de de obras em próprios públicos?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a reinauguração do Palácio da Alvorada ontem à noite para dizer, na frente dos empresários que pagaram a obra de R$ 18,4 milhões, que o Palácio do Planalto também precisa de reformas.

Na cerimônia, Lula reclamou dos “engraçadinhos” que criticam os custos e afirmou que só ele teve a “coragem” de levar adiante a restauração.

“Se depender de mim, tem muita coisa para ser restaurada neste país. E, se depender de mim, vocês [empresários] vão ser parceiros em outras restaurações. Se quiserem ver uma coisa é só entrarem no Palácio do Planalto. É só entrar para ver como aquilo vai precisar”, disse o presidente, improvisando”.

Que descarado!

Pede publicamente ajuda dos empresários para reformar  o “seu palácio”, como se aquilo não fosse patrimônio público.

Porque, se depender da turma da Lava Jato, são capazes de criminalizar as doações de empresários que mantêm incólume ao tempo o David de Michelangelo, para ficar na Itália que lhes serve de modelo, e nem cito Berlusconi.

Estão sangrando Lula na veia de saúde.

Achem um “corrupção plausível” e deem seus indícios, não estas histórias de que um homem que teve tanto poder durante oito anos tenha pego dois pedalinhos para si.

De pedalinho e beira de piscina, francamente, vão se expor ao ridículo, ainda que isso demore.

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Villaça: caros jornalistas, racistas não são “polêmicos”, são RACISTAS https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/villaca-caros-jornalistas-racistas-nao-sao-polemicos-sao-racistas/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/villaca-caros-jornalistas-racistas-nao-sao-polemicos-sao-racistas/#comments Mon, 14 Nov 2016 12:02:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59602 5 Comentários 🔥]]> PRECISAMOS (NÃO) FALAR SOBRE O BOLSONARO

por Pablo Villaça, em seu Facebook

Desde que Donald Trump venceu as eleições, centenas de relatos de agressões movidas por racismo, homofobia, misoginia, anti-islamismo e mesmo anti-semitismo ganharam as redes sociais – várias delas comprovadas por fotos e vídeos. Isto já era previsível; na noite do pleito, comentei no Twitter (@pablovillaca) que isto certamente ocorreria, pois o mesmo havia sido observado após o Brexit. No entanto, a intensidade e o número dos relatos surpreenderam até os mais pessimistas.

Mas como alguém como Trump pode se tornar presidente dos Estados Unidos? O objetivo deste texto não é analisar todas as razões por trás do resultado chocante, mas não custa citar algumas rapidamente:

1) Trump conseguiu, apesar de ser bilionário, se apresentar como o candidato anti-establishment;

2) Hillary Clinton não poderia ter mais cara de establishment;

3) Os eleitores de Trump se viram motivados a ir às urnas, enquanto os democratas não encontraram razão para fazer o mesmo (ver itens 1 e 2);

4) Os republicanos conseguiram implementar estratégias eficientes para suprimir o voto de certas faixas demográficas nos assim chamados “swing state” – leia-se: passaram legislação que dificultava o voto para eleitores negros e latinos;

5) Muitos eleitores de Bernie Sanders (os infames BernieBros) adotaram a estratégia do “Bernie or Bust”, ou seja: já que Sanders não conseguiu a indicação, eles preferiram ver Trump vencendo e, para isso, se abstiveram de votar ou… vide item 6;

6) Os candidatos independentes Jill Stein e Gary Johnson atraíram muitos votos que normalmente iriam para Hillary (o efeito Nader que atrapalhou Al Gore em 2000);

7) O puro machismo;

8) Os efeitos econômicos do neoliberalismo globalizado criaram uma massa de excluídos sociais; gente que passou a encarar a política como uma forma de melhorar a vida dos ricos e de oprimir a classe trabalhadora;

9) E por que os citados no item 8 votariam em um bilionário? Voltamos ao item 1: ele se apresentou como um “não-político”, uma tática que, no Brasil, contribuiu para a eleição de João Dória em São Paulo e Kalil em Belo Horizonte.

No entanto, há uma questão extremamente importante na consagração de Trump que não pode ser ignorada: se um indivíduo com um discurso de ódio tão patente quanto o do republicano conseguiu atrair milhões de votos, é absurdo pensar que todos os que nele votaram são igualmente preconceituosos e, portanto, algo deve ter ocorrido para que não se sentissem impedidos/envergonhados por adotá-lo como candidato.

A resposta: a feiura do caráter de Trump foi diluída pela cobertura da mídia, que aos poucos normalizou os absurdos que este falava em seus comícios. Pior: a cada discurso recheado de preconceito contra negros, latinos, mulheres, muçulmanos e outras minorias, Donald Trump ganhava um espaço considerável em todas as emissoras de tevê, já que seu comportamento repugnante atraía audiência. E, completando o círculo, a frequência de suas aparições na mídia normalizava seu comportamento.

E é isso que me traz a este texto: a constatação de que exatamente o mesmo processo está ocorrendo no Brasil com Jair Bolsonaro (não só com ele, mas Bolsonaro é o exemplo mais óbvio e perigoso).

Há alguns dias, por exemplo, as capas de todos os principais portais de notícias do país trouxeram um vídeo no qual o sujeito, ao ouvir um repórter perguntar se era homofóbico, respondeu: “Se eu fosse, não estaria dando essa entrevista pra você”. Uma brincadeira? Só se você considera oferecer bananas a um negro algo engraçado (ou seja: é fã de Danilo Gentili); caso contrário, é patente o preconceito embutido na fala.

E, no entanto, os portais trataram o assunto como algo trivial, até mesmo “divertido”, como se um deputado federal dizer algo assim fosse a coisa mais normal do mundo.

Já neste domingo, o UOL trazia em sua capa um post com fotos de Trump, Bolsonaro e Dória acompanhas da seguinte chamada: “Eles têm papas na língua? Teste-se e saiba se você consegue acertar o autor das frases polêmicas”.

É exatamente isto que torna o racismo “aceitável” por milhões: a normalização, o fato de ser tratado apenas como curiosidade, gerando até mesmo um leve “quiz”. Intolerância vira “controvérsia”; vomitar racismo vira “não ter papas na língua”. Assim, se há alguns anos o público ficava absolutamente horrorizado ao ouvir Bolsonaro falando barbaridades, hoje a reação de muitos passou a ser “Esse Bolsonaro…” com um tom quase de impaciência maternal, como um “Ai, ai, ele não tem jeito mesmo…”.

Com isso, acostumam-se com o inaceitável. E, de figura desprezível pelo ódio que prega, Bolsonaro vira apenas uma figura… curiosa. Um personagem em vez de um político que detém poder, influência e votos. E aí, depois de anos, quando ele se tornar um candidato à presidência com chances reais de vitória, a mesma mídia que normalizou sua imagem publicará dúzias de artigos tentando explicar como alguém como ele pode ter atraído tantos eleitores.

Exatamente como a mídia norte-americana faz agora com Trump depois de lhe dar centenas de horas de exposição e de tratá-lo simplesmente como “controverso”, “excêntrico”, “politicamente incorreto” ou “sem papas na língua”.

Caros jornalistas, racistas não são “polêmicos”; são RACISTAS. O que dizem não é “politicamente incorreto”; é DISCURSO DE ÓDIO.

E a cada vez que colocam Bolsonaro na capa de um portal, numa matéria de revista ou num telejornal, amenizando sua imagem, estão atuando como assessores de imprensa de um sujeito cuja única diferença para Donald Trump é o fato de não ter sido apresentador de TV.

Ou, considerando a irresponsabilidade com que a mídia age, é preciso completar a frase acima com uma palavra: “ainda”.

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Entendam: a queda nos preços dos combustíveis não está sendo feita para beneficiar os consumidores brasileiros https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/entendam-queda-nos-precos-dos-combustiveis-nao-esta-sendo-feita-para-beneficiar-os-consumidores-brasileiros/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/entendam-queda-nos-precos-dos-combustiveis-nao-esta-sendo-feita-para-beneficiar-os-consumidores-brasileiros/#comments Mon, 14 Nov 2016 11:26:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59597 2 Comentários 🔥]]> por Cláudio da Costa Oliveira, colunista do Cafezinho

As últimas reduções de preços de combustíveis (diesel e gasolina) feitas pela Petrobras, não tem o objetivo de “aliviar” o bolso do consumidor brasileiro, e esta conta, podem ter certeza, nós vamos pagar em futuro próximo.

Há poucos dias li um  artigo dizendo  que a Petrobras estaria cometendo “demagogia econômica”, reduzindo os preços dos combustíveis ao mesmo tempo em que registra prejuízos enormes.

Mas a situação não é esta. Depois que foi dado pelo atual governo a Pedro Parente, “o rei da cocada preta”, o poder de estabelecer como bem entender, os preços dos combustíveis no mercado brasileiro, tudo o que a atual política de preços da Petrobras está buscando, no momento, é a eliminação da concorrência interna.

A queda no preço do barril e a valorização do real frente ao dólar, viabilizaram a atuação de importadores independentes para fornecimento no mercado brasileiro, concorrendo com a Petrobras. Dentre estes importadores podemos destacar a Ipiranga e a Raizen (Shell).

Com isto a Petrobras vem perdendo fatia expressiva de mercado interno, que é onde a empresa tem suas maiores margens de lucratividade.

Não existem informações disponíveis para que se possa avaliar com precisão, qual a perda de mercado que a Petrobras vem sofrendo, pois órgãos como ANP e Receita Federal informam que não podem fornecer dados detalhados. Sendo assim temos de nos basear em dados divulgados pela própria Petrobras.

Quando da primeira redução de preços feita em setembro (2,7% no diesel e 3,2% na gasolina) a Petrobras informou que de janeiro a setembro, a perda de mercado era de 14% no diesel e 5% na gasolina.

Agora o Diretor de Refino e Gás Natural, José Celestino está informando que a perda de mercado em outubro foi de 18% no diesel e entre 6% e 7% na gasolina.

Importação de combustíveis não é coisa simples, pois exige muita logística em transporte marítimo e terrestre bem como de armazenagem. O tempo entre o embarque do produto no exterior e a efetivação da venda no mercado brasileiro é longo. Uma queda de preços, neste meio tempo, pode levar muitas importadoras independentes ao prejuízo.

Esta nova redução de preços nas refinarias, agora mais alta de 10,4% no diesel e 3,1% na gasolina, vai mostrar claramente para a Petrobras até onde é preciso ir para eliminar totalmente a concorrência. A recente valorização do dólar, causada pela eleição de Donald Trump nos EUA, também vai prejudicar os importadores independentes.

Acredito que até o final deste ano a concorrência interna estará eliminada e a Petrobras, com seu monopólio no refino, voltará a deter 100% do mercado brasileiro.

Dificilmente os importadores independentes vão pensar em se estruturar novamente para fornecer no mercado interno, pois os riscos de prejuízos são muito altos, com a liberdade que tem a Petrobras para alterar preços.

Aí então, os consumidores brasileiros vão começar a sentir a mão pesada de Pedro Parente em busca da maximização dos lucros, meta maior da nova política de preços. Pequena amostra tivemos no recente aumento do gás de cozinha (4%) onde a Petrobras não tem concorrência.

O BRASIL HOJE É GOVERNADO POR COLONIZADORES QUE SÓ PENSAM EM EXPLORAR O PAÍS E SEU POVO.

Cláudio da Costa Oliveira é Economista aposentado da Petrobras

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Vitória de Trump – Revide contra as elites https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/vitoria-de-trump-revide-contra-as-elites/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/vitoria-de-trump-revide-contra-as-elites/#respond Mon, 14 Nov 2016 10:01:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59574 (Charge: Paresh Nath/ Cagle Cartoons)

Weimar 2.0?

13/11/2016, Pepe Escobar, Facebook

Só 2017 pode dizer. Escrevo de Paris – dia sombrio, triste, tempo péssimo, com a nação rememorando os ataques de jihadistas nos boulevards, há um ano. O clima psicológico na Europa está p’rá lá de sombrio. Não consigo tirar Walter Benjamin da cabeça, um dos meus bem-amados mestres. Escreveu passagens esplêndidas sobre o modo como o fascismo converteu política, em estética. Para o fascismo, a experiência estética definitiva é a guerra.

Trump pode ser um enigma, mas não quer guerra. Mas está cercado de interesseiros. Mais uma vez: só saberemos se isso é a nova Weimar, em janeiro. Trump não quer guerra, mas o estado profundo quer. Essa, tanto quanto posso ver, será a batalha crucial do governo Trump.

por Alastair Crooke, Consortium News | Tradução: Coletivo Vila Vudu

Então, aí está: Brexit, como sugeri noutro artigo, não foi evento inexplicável, um flash na escuridão, mas manifestação de descontentamentos mais amplos e mais profundos na sociedade ocidental. Sejamos claros: não votaram em Donald Trump exclusivamente 60 milhões de norte-americanos; mais outros 13 milhões que votaram em Bernie Sanders (nas primárias) também votaram a favor de mudança estratégica – embora a partir de orientação política diferente.

Não quero aqui fazer algum tipo de necropsia das eleições nos EUA, mas tentar ver o que talvez continue oculto por trás do Brexit e dos eventos Trump – obscurecido, por hora, pela presença dominante desses eventos no palco da mídia-empresa e da política.

Primeiro, o que diz respeito a Donald Trump: Não surpreendentemente, suas fraquezas no plano pessoal e o contexto de bilionário tornaram-se foco de uma mídia hostil, que questiona se ele teria capacidade e habilidade para fazer mudança estratégica, ou não. Essa é uma questão importante, mas não leva em consideração o que realmente importa. E o que importa aqui é que há poucas – muito poucas – oportunidades para políticos eleitos desafiarem o status quo –,especialmente quando partidos ocidentais da direita abertamente conspiraram para oferecer aos eleitores o que jamais passou de variante nuançada da mesma velha agenda “progressista”, liberal e globalizada.

Em resumo, houve aí evidentemente uma ação do próprio eleitorado, tão exasperado contra a insensibilidade, a impenetrabilidade das elites, incapazes de ver a real situação de seus eleitores, que passa a querer o fim do status quo, por ação de seja qual for o aniquilador que apareça. Seja quem for: esse é o ponto.

Jamais se tratou de alguma espécie de concurso de beleza para encontrar presidente: Bernie Sanders seria presidente ideal? Ou Nigel Farage? Trump será capaz de nos oferecer uma nova era? Saber, não sabemos (mas nem por isso deve-se dar a possibilidade por inexistente). Esse traço do “Seja-quem-for” fala muito mais, isso sim, de o quanto é profunda a alienação que jaz latente na sociedade norte-americana.

Mas a mensagem que está sob risco de desaparecer, obscurecida pelo foco descomunal na descomunal personalidade de Trump, é precisamente que os “descontentes” com a democracia, com a política de “identidade” cultural, com a globalização e os sofrimentos que produz não desaparecerão. Trump pode ser bem-sucedido ou fracassar, mas o levante persistirá – sob uma forma ou outra – e muito provavelmente se espalhará para outras partes da Europa, pondo o continente em torvelinho e politicamente incapacitado.

Alienação profunda

Esse levante manifesta alienação profunda. Que ninguém espere rápida retomada do mundo liberal, se o governo Trump fracassar.

E não faz sentido algum pintar Trump como alguma espécie de marginal doido. Fato é que ele combina muito bem com uma das orientações dominantes do conservadorismo norte-americano.

É a orientação que, instintivamente, desconfia muito de esquemas grandiosos de reengenharia política ou social, preferindo tomar a natureza humana pelo que acreditam que ela seja: mais inclinada a cuidar das necessidades domésticas, não de aventuras incertas em terra estrangeira; conservadora em termos de finanças; economicamente não determinista; e com tendência a ver a família como indispensável tijolo na construção da sociedade. É um Zeitgeist que vê outros países (China e Rússia, por exemplo), como países normais, com os quais se deve falar e associar-se na luta por interesses comuns.

Que Trump seja visto como entidade estranha e bizarra, não como alguém cujo pensamento se alinha ao de Burke e do três vezes candidato a disputar a presidência Pat Buchanan (que admite relativa paternidade) – diz muito mais do sucesso desse sequestro, pelos neoconservadores, do conservadorismo norte-americano iniciado nos anos 1960s, do que reflete o espectro histórico dessa corrente intelectual.

Pode-se dizer que neoconservadores jamais foram Conservadores, no sentido em que neoliberais jamais foram Liberais, conforme a acepção tradicional desses termos. A novidade é que o presidente eleito parece ter construído um novo eleitorado Republicano, com metade do eleitorado norte-americano. E esse novo eleitorado não é constituído só de trabalhadores brancos sulistas (“red-neck“). Esse novo eleitorado é um corte sagital que atravessa classes sociais e divisões por etnias. Até corretores de Wall Street (supostamente alinhados com os Clintons) foram vistos gritando com muito entusiasmo “cadeia nela”, durante o discurso da candidata Democrata depois da derrota. E mulheres com educação universitária que votaram em Clinton foram apenas 6% a mais, do que as que votaram em Trump.

É possível que “essa eleição visava [originalmente] a facilitar o retorno triunfal do paradigma neoconservador-neoliberal, reembalado para parecer ‘novo paradigma’. Por várias razões, ficou decidido dar o papel protagonista a Hillary Clinton”, segundo a Oriental Review.

Talvez tenha acontecido assim, porque ela teria sido vista como bem posicionada para fundir as tendências liberais-intervencionistas, de um lado e, de outro lado, a base de “política de identidade cultural” clintonista. Ou talvez, simplesmente, porque seria “a vez dela” na presidência. Se foi assim, o projeto fracassou espetacularmente.

O fracasso do projeto Clinton

Por que fracassou? Um aspecto do descontentamento (como já esbocei antes) tem a vez com o descarte paulatino do modelo norte-americano de crescimento financeirizado, neoliberal, movido por dívida. Para muitos nos EUA e Europa, a realidade não tem sido de prosperidade econômica, mas de infindável ansiedade – e pela primeira vez no pós-Segunda Guerra Mundial –, com a sensação de que as próximas gerações enfrentarão vida muito mais difícil e pior, que a nossa geração. Aqui a avaliação de Naomi Klein (que não é amiga de Trump):

“Vão culpar James Comey e o FBI. Vão culpar repressão a eleitores e racismo. Vão culpar ‘Bernie ou nada’ e a misoginia. Vão culpar outros partidos e candidatos independentes. Vão culpar a mídia comercial por ter-lhes oferecido a plataforma, as mídias sociais por servir de megafone e WikiLeaks por mostrar a roupa suja.

“Mas essa explicação não considera a força mais responsável por criar o pesadelo no qual nos vemos hoje (…): o neoliberalismo financeiro. Aqui está o que todos temos de compreender: há muita dor nos EUA.

O sofrimento é geral, disseminado. Sob políticas neoliberais de desregulação, privatização, arrocho [dito “austeridade”] e interesses das empresas, o padrão de vida em nosso país declinou velozmente. Os norte-americanos perderam os empregos. Perderam aposentadorias. Perderam quase toda a rede de segurança usada para tornar essas perdas menos apavorantes. Os norte-americanos anteveem para os filhos futuro ainda pior que o precário presente.

“Ao mesmo tempo, testemunharam a ascensão da classe Davos, uma rede hiperconectada de banking e tech-bilionários, políticos eleitos perigosamente íntimos daqueles interesses e celebridades de Hollywood que dão à coisa toda ares de insuportável glamour. Sucesso é uma festa para a qual os norte-americanos não foram convidados, e eles sabem, no fundo do coração, que tanta riqueza e poder, crescendo tanto, estão conectados de algum modo, diretamente, às dívidas e à impotência das famílias, que também só crescem.

“Para quem conheceu segurança e status no nascimento – homens brancos sobretudo – as perdas são insuportáveis. Donald Trump fala diretamente a essa dor. A campanha pró-Brexit também falou a essa dor.”

Aqui se vê o processo, em gráfico:

graf1

E evidentemente nada disso aconteceu desse modo para as elites urbanas (gráfico 2):

graf2

Resistência cultural

O segundo aspecto do descontentamento atual é a opressão cultural (ou, na retórica do Partido Democrata, “política de identidade” – um dos esteios da base eleitoral clintonista). Suas raízes são complexas, e têm a ver com correntes filosóficas que emergiram da Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial, misturadas com o pensamento de trotskistas norte-americanos (os quais, naquele momento, migraram para a direita). Mas, em resumo, essa corrente de pensamento político tomou emprestado da Psicologia, então nascente como disciplina, a ideia de sanear a mente humana – chocá-la ou forçá-la a se tornar a “lousa limpa” [ing. “clean slate”tabula rasa] na qual um novo programa mental poderia se escrito pelo terapeuta psiquiátrico (ou político) respectivamente.

O objetivo político era eliminar o pensamento totalitário e a “programação” fascista das mentes, e substituí-la por uma placa de circuito pró-democracia liberal.

Na verdade, a Lei da Nacionalidade e Imigração dos EUA, de 1965, foi promovida por esse grupo intelectual precisamente para promover a noção de que conceitos como “cultura nacional” perderiam completamente o sentido como resultado do processo pelo qual tudo se diluiria em mundo de imigrantes. Nos anos 1970s e 1980s, o objetivo evoluíra para implantar a ideia de que, realmente não há nem jamais haveria política alguma na modernidade (o Fim da História, de Fukuyama), porque de algum modo toda a governança resumia-se à tecnocracia: garantir funcionamento efetivo do mercado liberal – assunto que melhor seria deixar para especialistas.

Em termos políticos, a “limpeza”, para extrair das mentes a desordem cultural herdada teria de ser alcançada pelas guerras culturais a favor do “politicamente correto”.

A luta de classes foi desacreditada, mas havia outras “vítimas” em nome das quais se faria guerra: guerra contra a discriminação por gênero, guerra contra o racismo, guerra contra a negação de direitos aos gays, guerra à guerra pela orientação sexual “correta”, guerra contra microagressões verbais, contra linguagem sexista, contra quaisquer ideais ou linguagem que perturbasse a sensação individual de “espaço seguro” – todas essas guerras foram usadas como ferramenta para apagar velhos “restos” culturais de cultura nacional herdada. Assim se abriu caminho para um mundo globalizado liderado pelos EUA.

O fator ostensivo que conectava todas essas noções de “guerras” e vítimas foi que o antônimo disso tudo resultava ou em fascismo ou em autoritarismo. O problema com isso foi que todo e qualquer trabalhador norte-americano branco que frequentasse igreja, apreciasse a vida em família e amasse o lugar onde nasceu foi convertido em fascista, racista, sexista em potencial, ou intolerante sem perdão.

Muitos norte-americanos (e europeus) comuns detestam essa guerra “cultural” que os mete na (nas palavras de Hillary Clinton) “cesta de deploráveis. Direitista? Racista, sexista, homofóbico, xenofóbico, islamofóbico, tudo”). E os atentos à própria comunidade nada significariam além de um estado “a ser sobrevoado”, na visão das elites norte-americanas costeiras.

Agora, os deploráveis ergueram-se. A linguagem salgada de Donald Trump não o prejudicou – foi ferramenta eleitoral, virava o nariz àquela ‘correção’, e às chamadas  sensibilidades dos “flocos de neve“. Trump, o ‘politicamente incorreto’ tocou no nervo mais fundo e mais sensível do ressentimento que fermenta dentro da sociedade norte-americana tradicional.

Os EUA “para sobrevoar” ressentem-se de terem sido chamados “deploráveis,” sentem muito claramente o desdém que inspiram às elites norte-americanas e europeias – e não gostam da arrogância delas, que se atrevem a sugerir que haveria um único modo racional, sensível, de fazer as coisas, e que elas – aquelas elites – seriam os especialistas e parte do grupo de Davos que diriam aos demais todos os norte-americanos qual seria o tal modo único perfeito (apesar de décadas de erros e fracassos).

Altas emoções

As emoções estão altas dos dois lados. Para ter ideia da violência e amargura que haverá na guerra cultural, ouçam aí, do movimento Avaaz ligado à organização Move On parcialmente mantida por George Soros:

“Caro Sr. Trump: Grandeza não é isso. O mundo rejeita o seu medo, a disseminação do ódio e da intolerância. Rejeitamos o apoio que o senhor dá à tortura, as conclamações para assassinar civis e todos os seus meios para encorajar a violência. Rejeitamos as ofensas a mulheres, muçulmanos, mexicanos e milhões de outros que não têm a sua cor, que não falam como o senhor ou que não se ajoelham ante o mesmo deus que o senhor. Contra o medo, escolhemos a compaixão. Ouvindo sua ignorância, escolhemos a compreensão. Como cidadãos do mundo, permanecemos unidos contra seus esforços para nos segregar.”

Para resumir, com Brexit e a vitória de Trump, testemunhamos um ponto de inflexão histórica. Como observei em meados de outubro (citando o filósofo político britânico John Gray):

“Se a tensão entre [o projeto da globalização por um lado] e o estado-nação [soberano] [por outro] foi uma das contradições do tatcherismo (…), de Bill Clinton e Tony Blair em diante, o centro-esquerda abraçou o projeto de um livre mercado global com entusiasmo tão ardente quanto a direita. Se a globalização ia contra a coesão social, a sociedade tinha de passar por uma reengenharia para tornar-se setor adjunto do mercado. Resultado foi que grande parte da população foi deixada a vegetar na estagnação ou na pobreza, muitos sem qualquer possibilidade de virem a encontrar um lugar produtivo na sociedade.”

“Se Gray está correto quando diz que economia globalizada gera convulsão social, que as pessoas logo estarão exigindo que o Estado preste atenção à situação econômica paroquial, nacional em que as maiorias vivem (não às ideias utopistas da elite centralizadora), a ideia sugere que não apenas a globalização acabou, como também acabou a centralização (nas suas muitas manifestações).”

Ora, as tendências globais não parecem estar andando na direção da ONG Avaaz. Parece, isso sim, estar no rumo de priorizar a recuperação do Estado, da soberania do Estado e do Estado engajado na busca de políticas econômicas adequadas às particulares circunstâncias do Estado, no rumo do Estado ao qual cabe a responsabilidade fundamental pelo bem-estar da comunidade como um todo.

A questão é: o que significa isso em termos geoestratégicos? Segundo, Trump pode e deseja ser o parteiro da nova era? A resposta curta é que essa nova era parece pressagiar período de volatilidade política, de volatilidade financeira e, na Europa e no Oriente Médio, cabe esperar “choque” político continuado.

É bem claro que Donald Trump não é globalista. Também é bem claro que está consciente de alguns dos perigos da atual política monetarista global. Ele já falou do Federal Reserve dos EUA como criador “de bolhas grandes e feias”, e que a crise econômica e financeira que se seguiu foi “empurrada com a barriga” [ing. “kicked down the road”] pela presidenta do Fed, Janet Yellen – e não há dúvidas de que a mesma crise lá permanece, à espera de quem assuma a presidência dos EUA, dia 20/1/2017.

Encurralado

Mas três décadas de “políticas de crescimento” financeirizadas, movidas a endividamento, deixam o presidente eleito efetivamente encurralado: a dívida global disparou; as bolhas aí estão e continuam (mantidas à tona pela intervenção coordenado do Banco Central; e desinflar bolhas é missão infame, que não se completa com gentilezas); juros zero ou negativos estão minando mais de um modelo de negócio, mas não podem ser apagados, sem mais nem menos, sem derrubar o mercado de ações; e o chamado “alívio quantitativo” – imprimir dinheiro – está comendo sistematicamente o poder de compra do consumidor, porque vai diluindo cada vez mais o mesmo recém alcançado (e frágil) poder de compra; e o redirecionamento do dinheiro, das “lojas da rua principal” para o setor financeiro – que infla o valor do patrimônio – mas não cria riqueza tangível.

EUA e Europa estão efetivamente em estado de deflação de dívida. Como aumentar as rendas de modo que produtores de bens e serviços tenham dinheiro para comprar seus produtos? A resposta de Trump é gastar em projetos de infraestrutura doméstica. Pode ajudar um pouco, mas é improvável que possa – só essa medida, erguer do fundo e manter à tona toda a economia dos EUA.

A verdade é que não há motor global óbvio de crescimento (agora que a “revolução industrial” da China está suspensa, para dizer o mínimo). Agora, todas as nações estão a procura de novos motores de crescimento. E não é fácil supor que Europa ou EUA tenham sucesso na recuperação de todos aqueles empregos perdidos para a globalização. De fato, simplesmente tentar fazer isso – a própria tentativa, ela mesma – pode precipitar mais desaceleração no comércio mundial e consequente declínio dos resultados.

Em poucas palavras, a economia global talvez viva uma curta “lua de mel”, graças a um possível jorro de indulgência fiscal dos EUA e uma concomitante injeção de vitalidade psicológica, que pode vir – pelo menos – do setor de construção civil dos EUA, que vive uma espécie de boom. Mas, tudo considerado, a própria crise econômica que o presidente eleito Trump antecipa talvez seja o único modo possível de cortar o nó górdio no qual três décadas de endividamento e dinheiro impresso, ambos em quantidades exorbitantes, nos enredaram.

E se está mesmo resolvido a navegar através da crise esperado, Donald Trump terá de saber fugir do canto das sereias das elites que só fazem repetir “NHA, NHA” (Não Há Alternativa, tudo terá de continuar como estava…) [ing. TINA, TINA(Theres Is No Alternative)].

Mas, sim, na política exterior o presidente Trump talvez pode esperar sucesso rápido (e relativamente fácil). Como quando “Nixon foi à China”, assim Trump pode ir à Rússia e à China, e começar a tratá-las como nações normais, com as quais é possível chegar a uma intersecção de interesses (como também a claras áreas de desacordo).

Seria revolucionário. Poderia mudar todo o mapa geoestratégico. E o presidente Putin continua a repetir… as portas estão abertas (pelo menos por hora). Em política, nada é para sempre.*****

*Alastair Crooke é ex-diplomata, alto funcionários da inteligência britânica e ativo na diplomacia europeia. É fundador e diretor de Conflicts Forum, que advoga a favor do engajamento político entre o Islã e o ocidente.

 

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Santayana: Lula agora virou dono do Palácio do Alvorada? https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/santayana-lula-agora-virou-dono-do-palacio-do-alvorada/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/14/santayana-lula-agora-virou-dono-do-palacio-do-alvorada/#comments Mon, 14 Nov 2016 09:30:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59570 3 Comentários 🔥]]> A cabeça do ovo e a piscina do Alvorada

por Mauro Santayana, em seu blog

Surreal e kafquiana, para dizer o mínimo, a nova investigação em curso para saber se a Odebrechet teria “beneficiado” Lula fazendo, de graça, consertos na piscina do Palácio do Alvorada.

“Beneficiado”, como? Lula, agora, virou dono do Palácio do Alvorada? Se a construtora consertou a piscina do palácio, ótimo. Ela arrumou e valorizou o patrimônio público. Nesse caso, qual foi o prejuízo para o erário?

Ou o Sr. Luis Inácio, já acusado antes — sem provas — de “roubar” crucifixos, faqueiros “fakes”, cujas fotos foram tiradas de um site de leilões dos EUA, etc, saiu com a piscina debaixo do braço, quando deixou de ser Presidente da República?

Ou mandou consertá-la para cometer outros crimes, quem sabe para fazer um “test-drive” nos emblemáticos — e caríssimos, ostentatórios — pedalinhos do sítio de Atibaia?

No afã de encontrar crimes que possam ser atribuídos ao ex-presidente da República, os responsáveis pelo “caso” tem que ter um mínimo de bom-senso e de sentido de proporção, para não passar ao mundo a impressão de que estão simplesmente forçando a barra para criar mais um de uma longa série de factoides políticos, ou simplesmente procurando, com microscópio eletrônico, pêlo em cabeça de ovo para incriminar o ex-presidente da República.

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Pareceres da “Conferência Nacional dos Bispos do Brasil” (CNBB), em temas de importância nacional, não são divulgados pela grande mídia golpista https://www.ocafezinho.com/2016/11/10/pareceres-da-confederacao-nacional-dos-bispos-do-brasil-cnbb-em-temas-de-importancia-nacional-nao-sao-divulgados-pela-grande-midia-golpista/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/10/pareceres-da-confederacao-nacional-dos-bispos-do-brasil-cnbb-em-temas-de-importancia-nacional-nao-sao-divulgados-pela-grande-midia-golpista/#comments Thu, 10 Nov 2016 06:16:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59298 8 Comentários 🔥]]> por Claudio da Costa Oliveira, colunista do Cafezinho

Há mais de um ano, na 83ª Reunião Ordinária do Conselho Permanente da CNBB (Brasília, 16/18 de junho de 2015) os bispos observavam:

“As Assembléias da CNBB sempre foram pauta para a imprensa. Nos últimos anos, porém, sua cobertura tem ficado escassa”.

“Assuntos importantes, discutidos e votados pelos bispos, não tiveram repercussão nestes portais pesquisados (Globo, Estadão etc) como, por exemplo, o texto “Pensando o Brasil”, que tratou da desigualdade social”.

Nesta mesma 83ª Reunião tópicos importantíssimos foram discutidos, sem nenhuma de divulgação, e podemos destacar:

1. POLITIZAÇÃO DO JUDICIÁRIO E CONDENAÇÃO MIDIÁTICA.

Ainda muito atual, onde a CNBB mostra preocupação: “Com a emergência da denominada “politização da justiça” quando há uma atuação seletiva de membros do Poder Judiciário, fazendo uma abstração do princípio fundamental da imparcialidade na administração da justiça”

Os bispos lembraram também: “Situação agravada quando tal atuação conta com expressivo aparato midiático para sua divulgação. Neste caminho, como há ruptura dos princípios fundamentais do regramento jurídico penal, como a “presunção da inocência” e o devido “processo legal”, outras práticas se sentem “autorizadas”: extrapolação do papel institucional de órgãos envolvidos no sistema de justiça e, mesmo, a atuação para além da jurisdição de magistrados”.

Observavam ainda: “ Instrumentos excepcionais previstos no ordenamento jurídico, construídos para enfrentar a impunidade (como a delação premiada) tornaram-se objeto de pressão sobre os acusados e de “premiação” em dinheiro (com percentuais fixados) sobre o que poderá ser retomado de recursos públicos que foram desviados. Tais práticas, realizadas com os holofotes da grande mídia brasileira, transformam réus confessos em heróis. Estabelece-se assim um rito sumário de condenação, agravando os direitos fundamentais da pessoa humana, seja ela quem for”. 

2. FAÇAMOS A REFORMA POLÍTICA ANTES QUE O POVO O FAÇA. (Vejam os detalhes no site da CNBB)

3. AJUSTE FISCAL PARA QUÊ E PARA QUEM? (Vejam os detalhes no site da CNBB)

Mais recentemente a “Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade e da Paz” (Brasília 18/19 de outubro 2016) mostra preocupação com o cenário de retrocesso dos direitos sociais no Brasil. Referindo-se à reforma trabalhista e terceirização, reforma do ensino médio, reforma da previdência social, e a PEC 241/2016 (PEC do teto) os membros da comissão afirmam: “Em sintonia com a Doutrina Social da Igreja Católica não se pode equilibrar as contas cortando os investimentos nos serviços públicos que atendem aos mais pobres de nossa nação. Não é justo que os pobres paguem esta conta, enquanto outros setores continuam lucrando com a crise”.

Ainda mais recentemente em nota (27/10) a CNBB esclarece: “ A PEC 241 é injusta e seletiva” (vejam a integra da nota no site da CNBB).

Em agosto/16 a Agência de Notícias Italiana ANSA, divulgou que o Papa Francisco havia escrito uma carta de apoio a ex-presidente Dilma Roussef. Dilma confirmou que recebeu a carta mas não quis divulgar seu conteúdo, pois era uma carta pessoal do Papa. Posteriormente o Papa informou que o Brasil atravessa um “momento difícil” e suspendeu a visita ao nosso país que estava prevista para 2017, quando o sumo pontífice virá à América do Sul, visitando diversos países.

Portanto não podemos dizer que a Igreja Católica esteja se omitindo em relação ao que ocorre no país. O que acontece é que, por interesse próprio, a mídia golpista não divulga as informações. É como se posicionamentos como os vistos acima, fossem corriqueiros por parte da CNBB, e não merecem destaque da imprensa. Infelizmente esta é a mídia que dirige a opinião pública no Brasil há muito tempo. Não são jornalistas, não são brasileiros, são colonizadores que estão aí não para colaborar com o desenvolvimento do país, mas explorar o Brasil e seu povo.

Claudio da Costa Oliveira é economista aposentado da Petrobras

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A eleição de Trump escancarou a crise do neoliberalismo https://www.ocafezinho.com/2016/11/09/eleicao-de-trump-escancarou-crise-do-neoliberalismo/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/09/eleicao-de-trump-escancarou-crise-do-neoliberalismo/#comments Thu, 10 Nov 2016 01:50:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59289 6 Comentários 🔥]]> (Charge: Adam Zyglis/ The Buffalo News)

Americanexit

por Fernando Rosa, em seu blog

As grandes placas tectônicas do capitalismo mundial moveram-se nervosamente nas últimas horas. A eleição norte-americana escancarou a crise do neoliberalismo financeiro mundial como alternativa para os Estados Unidos e para o mundo. Uma espécie de Americanexit, a vitória de Donald Trump também traduz a mais profunda divisão da sociedade na história dos Estados Unidos.

O eleitor votou com Trump pela volta do “sonho americano”, da industrialização, dos empregos no país. Na porta da Ford, em Michigan, que anunciava transferência do parque industrial para o México, ele ameaçou taxar em 35% a importação dos carros. Como disse Michael Moore, Trump foi o “mensageiro” da insatisfação do “Cinturão Industrial” e seus trabalhadores.

Hillary Clinton perdeu a eleição pela evidência de suas relações com o sistema financeiro e com a indústria bélica que, em 15 anos e cinco guerras, consumiu US$ 4,6 trilhões. Também pelos apoios ao NAFTA e ao Tratado Transpacífico e outras políticas comerciais que destruíram milhares de empregos norte-americanos. Ela foi candidata a xerife do mundo, enquanto Trump defendeu os americanos.

A vitória de Trump, ou qualquer que fosse o resultado, não significa solução à vista, mas o aprofundamento dessa divisão nacional e mundial. Diante da reação do “mundo produtivo” de Trump, o sistema financeiro reagirá ferozmente, ampliando ainda mais a crise. Resta saber se ele terá condições políticas para resistir as pressões de Wall Street, do Pentágono e da indústria bélica, e impor suas ideias.

Ao contrário de temer (sem trocadilhos) suas consequências, o resultado da eleição de Trump traz um elemento positivo para a geopolítica mundial, presente nas suas declarações de campanha. A vitória do candidato republicano indica um processo de distensão internacional, especialmente em relação ao Oriente Médio, a Europa e a Rússia. No caso do Brasil, a situação dos golpistas entreguistas que apoiaram Hillary Clinton (vejam o vídeo abaixo) tende a se complicar.

É importante destacar a derrota da estratégia de guerra imediata contra a Rússia, com sistemáticos ataques ao presidente Putin, adotada por Hillary Clinton. Mal terminou a eleição, Putin defendeu “um diálogo construtivo entre Moscou e Washington” para corresponder “aos interesses dos povos dos nossos países e de toda a comunidade internacional”. Em vários momentos, Trump afirmou, por exemplo, que não gastaria mais dinheiro com a OTAN.

Acompanhando a mídia internacional, a mídia brasileira repetiu o ritual do “jornalismo de guerra” na defesa de Hillary Clinton. Durante a campanha eleitoral, trataram de ridicularizar e/ou demonizar o candidato republicano, incluindo a divulgação de notícias falsas. Frente a iminente derrota de sua candidata, passaram ao “jornalismo de terror”, tentando intimidar o mundo com “quebradeira” das Bolsas de Valores e do “mercado” – o financeiro, claro.

A eleição nos Estados Unidos também está prestando um grande serviço ao debate político e ideológico no mundo e, em particular no Brasil. O “nacionalismo” norte-americano flagrou a contradição de boa parte da esquerda brasileira que, ao invés de apoiar uma política de defesa da Nação, preferiu render-se ao neoliberalismo e a Hillary Clinton. Se o grande Império quer defender a sua economia, onde está o “crime” em defender a Nação brasileira?

A burguesia brasileira, que já anda chorando o “pato morto”, deveria também aprender a lição dos norte-americanos. Em vez de aliar-se ao rentismo predador e meter parte de sua classe na cadeia, deveria pensar no Brasil e somar-se em um esforço comum para industrializar o país. Não bastasse os problemas já existentes, imaginem os Estados Unidos elevando a taxa de juros e repatriando as suas indústrias.

Além da distensão política, a eleição norte-americana também pode significar um avanço na afirmação de um mundo multilateral, fundamental para a América Latina e para o Brasil. Ao contrário da globalização neoliberal, temos vocação para um internacionalismo solidário, com desenvolvimento e paz. Com independência e soberania, o caminho do Brasil é integrar-se solidamente ao BRICS, ao Mercosul, ao Continente Africano e outros fóruns econômicos e sociais.

Os golpistas nativos entraram num barco furado ao trocar as relações comerciais do país pela ideologia barata dos MBLs e outros “ideólogos”. Antigos e maiores parceiros como China, Rússia e países do Mercosul foram secundarizados pelo alinhamento servil aos Estados Unidos. A ponto de tentarem criminalizar a exportação de capitais nacionais, no caso da atuação das empreiteiras nos países africanos.

É hora, portanto, de ampliar a mobilização, afastar os golpistas do comando do país, e aproveitar essa oportunidade histórica que se abriu. Para isso, é urgente a construção de um amplo movimento, como disse Lula – popular e patriótico, comprometido com industrialização, desenvolvimento da ciência e da tecnologia, com a defesa nacional, promoção do mercado interno, garantia de empregos e a democracia brasileira. Façamos o Brasil cumprir sua vocação de Grande Nação.

Atenção ao tempo 6min52seg, quando o ministro das Relações Exteriores, José Serra, declara o voto à candidata derrotada de Hillary Clinton 

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Bolsonaro ama Temer que ama Trump que não ama ninguém https://www.ocafezinho.com/2016/11/09/bolsonaro-ama-temer-que-ama-trump-que-nao-ama-ninguem/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/09/bolsonaro-ama-temer-que-ama-trump-que-nao-ama-ninguem/#comments Wed, 09 Nov 2016 20:49:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59280 31 Comentários 🔥]]> De Estocolmo — Wellington Calasans, colunista internacional do Cafezinho

Depois da humilhante derrota da velha imprensa brasileira, que na política internacional nada mais é do que uma caixa de ressonância da propaganda da CNN, com a derrota de Hillary Clinton para Donald Trump, era preciso trazer um novo ovo de serpente para chocar.

Os primeiros sinais de que a canalhice é um poço sem fim foram dados com o apoio ao assanhamento de Jair Bolsonaro. Para alguns chocadores do fascismo, a vitória de Trump seria uma boa para Bolsonaro. Só que não!

Aqui na Europa a imprensa tradicional, que também mergulhou de cabeça na piscina sem água das pesquisas de opinião pública, dava a vitória de Clinton como certa. Após o revés, esta mesma imprensa começou a “chocar ovos de serpente” em diferentes países europeus para que o público não tivesse tempo de refletir sobre o vexame que representa essa derrota do “jornalismo” em parceria com os institutos de pesquisa, quando atuam em conluio na fabricação de resultados eleitorais.

Até aqui na Suécia, Jimmy Åkesson, um fascista de quinta categoria, que surfa na xenofobia dos suecos em relação aos refugiados sírios, acredita que vai tirar proveito da chegada de Trump ao poder. Mais um enganado.

Ocorre que Trump não é Bolsonaro, que não é Marine Le Pen, que não é Jimmy Åkesson, que não é nenhum outro candidato a fascista de qualquer país.

Trump cresceu nos erros e covardia de Obama. Aproveitou cada passo em falso do ainda presidente dos EUA para despertar a verdadeira alma da maioria dos norte-americanos. Bolsonaro não é mais “a novidade” no fascismo brasileiro, pois já trabalhou e trabalha pelo e para o golpe do ilegítimo Temer.

O cenário de destruição contra o Estado Social que Temer produz diariamente tem as digitais de Bolsonaro, pois o dublê de Trump (versão tupiniquim) vota em qualquer coisa que seja apresentada pela turma do golpe. A aproximação entre Temer e Bolsonaro é mais que uma parceria, um casamento. Eles se amam e nunca irão ser separados, pois uma vez golpista, sempre golpista.

O rompimento da democracia ocorrido no Brasil é algo que já produziu a catarse dos fascistas brasileiros. Decorrente da vingança contra as sucessivas derrotas nas urnas, plantada pelo PIG e Aécio Neves, através do ódio, vimos crescer de forma intensa a criminalização de partidos progressistas, organizações que defendem interesses sociais e coletivos, jornalistas independentes, etc. Tudo isso foi construído através de concessões públicas de rádio e TV, instituições públicas, justiça e tantas outras frentes.

Muitas pessoas que foram enganadas pelo discurso do “combate à corrupção” já dão sinais de arrependimento. Por isso, no Brasil o fascismo já está posto.

Temer já faz o que Bolsonaro faria se estivesse no poder e, por isso, andam de mãos dadas no espancamento de alunos nas ocupações, na impunidade dos assassinos de negros favelados, na aprovação de pautas que massacram trabalhadores, na ausência de mulheres nos cargos relevantes, na perseguição aos homossexuais, no falso nacionalismo, na PEC que retira do povo a saúde, a educação e até a dignidade.

A imprensa perdeu o controle sobre as serpentes que criou. Nos EUA quando tentaram barrar Trump, o estrago já estava feito.

No Brasil, tentam legitimar um presidente golpista que, pela absoluta rejeição popular, precisa ser substituído por Bolsonaro, mas também é tarde. O povo percebeu que a turma do golpe é uma quadrilha fascista que tenta saquear o Estado e salvar a própria pele. De nada vai adiantar chocar novos fascistas, pois não haverá um novo Trump em cada país. Além disso, no caso do Brasil, o povo já sabe que Bolsonaro ama Temer que ama Trump que não ama ninguém.

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