Victor Lages, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/lagesvictor/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 13 Jun 2019 14:00:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Victor Lages, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/lagesvictor/ 32 32 CINE FOLHETIM FÊNIX #17 https://www.ocafezinho.com/2019/06/13/cine-folhetim-fenix-17/ https://www.ocafezinho.com/2019/06/13/cine-folhetim-fenix-17/#comments Thu, 13 Jun 2019 13:57:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95800 1 Comentário 🔥]]>

Queridos parceiros e espectadores,

É doce amar! Seja amando seu/sua parceira, seu pet, suas plantas ou nosso cinema, essa newsletter está a pureza e a elegância de um mês inteiro dedicado aos namorados eternos do Brasil e do mundo. Antes de mais nada, diz aí: já aproveitou o fantástico cupom de 50% off na assinatura do Clube Wine? Não perde tempo, pois os vinhos do Clube Wine são o glamour líquido descendo pela garganta. E nada melhor com vinho do que umas trufas de chocolate que trazemos a receita aqui na nossa News. Além disso, quer colocar um filminho clássico para assistir? Pois hoje celebramos os 67 anos de lançamento de CANTANDO NA CHUVA. Ou prefere tomar um vinho para ler um livro? Pois trazemos uma lista com as 5 melhores trilhas sonoras do cinema para se concentrar na leitura, além de louvar a literatura lançando o trailer do filme turco A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS, que será lançado no próximo dia 04 de julho nos cinemas do Brasil, e louvar a arte argentina com a quinta semana de A GRANDE DAMA DO CINEMA. Olha, vinho combina com tudo, inclusive para ler nossa newsletter!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

Segue promoção do Clube Wine!

O amor não para na nossa newsletter e a Fênix Filmes e o Wine.com.br se uniram para homenagear os apaixonados pela sétima arte. Nessa semana, o Wine.com.br está oferecendo um desconto para a assinatura do Clube Wine. Basta escrever o cupom AGRANDEDAMAEWINE na assinatura de um plano mensal do Clube Wine e você ganha 50% de desconto nos dois primeiros meses para assinar o clube. Então, clica no link abaixo e utiliza esse cupom maravilhoso para saborear com sua paixão nesse final de semana!

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A GRANDE DAMA DO CINEMA na quinta semana!!

Cinco semanas de sucesso absoluto e mais de 20 mil espectadores no Brasil! Não é todo filme que alcança tal patamar no nosso país, por isso vamos honrar a fabulosa obra-prima do diretor vencedor do Oscar Juan José Campanella, que segue nos horários e locais das sessões que estão logo aqui embaixo:

Lançado trailer nacional de A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS

A Fênix  Filmes  divulga hoje o novo trailer de A Árvore dos Frutos Selvagens, de Nuri Bilge Ceylan, diretor várias vezes premiado em Cannes. Drama sobre conflito de gerações, o filme narra a relação entre um jovem escritor e seu pai. A obra, que participou da seleção oficial do Festival de Cannes 2018 e da Perspectiva Internacional da 42ª Mostra SP, chega aos cinemas dia 04 de Julho de 2019 e seu trailer pode ser assistido no link logo aqui embaixo:

Confira a homenagem a Edgard Navarro na 14º CineOP

Na última semana, nosso grande cineasta baiano Edgard Navarro recebeu uma das maiores honrarias de sua carreira: subiu ao palco do Cine Vila Rica para receber a homenagem da 14ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto – das mãos do ex-ministro, atual secretário de cultura de Belo Horizonte, e seu amigo de longa data, Juca Ferreira. Entre discursos, mesas, debates, seminários e apresentações de seus filmes, como o clássico Super Outro (1989) e o recente Abaixo a Gravidade (que será distribuído pela Fênix Filmes no próximo mês), a onipresença do veterano do cinema marginal é o grande destaque desta edição do evento, contaminando com a subversão escatológica, provocadora e iconoclasta de sua filmografia a pompa sisuda de um festival voltado para a discussão do patrimônio e da preservação audiovisual. Além disso, é com grande orgulho que divulgamos essa entrevista do brilhante cineasta Edgard Navarro feita pelo A Tarde:

http://atarde.uol.com.br/cinema/noticias/2065566-edgard-navarro-a-gente-esta-vivendo-um-momento-no-pais-de-retrocesso?fbclid=IwAR1LPoWeLRMey7N1Y2Avia1pUKBG7G3wt5KliPKSj2nhpLz_uQrtnjIzZEU

As 5 melhores trilhas sonoras do cinema para se concentrar

Já fizeram vários estudos mostrando como as trilhas sonoras (de cinema, de videogames, …) ajudam bastante na concentração. E dizemos mais: estudar escutando composições instrumentais dos filmes é algo que incrementa bastante nas horas de foco e ativação da mente. Por isso, hoje trazemos as 5 melhores trilhas sonoras do cinema para se concentrar. Começando pelo frescor leve futurista de ELA; depois passamos pelos acordões harmônicos de O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN; seguimos pelas baladinhas russas poderosas de O GRANDE HOTEL BUDAPESTE; se estiver pegando no sono, você pode ser surpreendido pelas variações rítmicas de TRON:LEGACY e, no fim, jogar-se inesperadamente pela perfeição atmosférica-cibernética de foco que a trilha de A REDE SOCIAL pode lhe oferecer. Escolha qualquer uma e cai de cabeça nesses livros que quer/precisa ler, pois todas são escolhas perfeitas para compor momentos de concentração.

Você conhece Luciana Arrighi, a única brasileira a ganhar um Oscar?

Já se passaram 20 anos, mas o Brasil nunca aceitou a derrota de Fernanda Montenegro em CENTRAL DO BRASIL no Oscar para Gwyneth Paltrow por SHAKESPEARE APAIXONADO. Logo depois, perdemos todas as indicações de CIDADE DE DEUS para o terceiro filme d’O SENHOR DOS ANÉIS. Mas uma surpresa que pouquíssimas pessoas sabem é que o Brasil tem, sim, um Oscar (ou parte dele, por assim dizer). Em 1993, Luciana Arrighi venceu na categoria de Melhor Direção de Arte por RETORNO A HOWARDS END, drama clássico com Anthony Hopkins. A decoradora nasceu no Rio de Janeiro, mas por ter um pai diplomata italiano e uma mãe australiana, foi criada em vários lugares do mundo. Ela não é cidadã brasileira, mas já afirmou em entrevistas que “o Oscar que eu ganhei é um pouco brasileiro. Eu tenho certeza de que o Brasil me deu um brilho a mais”. Então, para um país que está sem Oscar até hoje, essa já é uma vitória a ser considerada.

67 anos de CANTANDO NA CHUVA

É uma cena tão clássica no cinema quanto qualquer outra, mas Gene Kelly dançando com seu guarda-chuva e agarrado a um poste de luz merece todos os louvores. E nesse dia 13 de junho, há 67 anos, CANTANDO NA CHUVA era um sucesso absoluto nas salas de cinema dos Estados Unidos, além de ser considerado instantaneamente o melhor musical hollywoodiano de todos os tempos. Dirigido por Stanley Donen, o filme trazia um popular astro do cinema mudo que precisa se acostumar à nova vida do cinema sonoro e se apaixona por uma aspirante a atriz. E a partir daí é história que ficou eternizada… sapateados acrobáticos, cenas de dança mirabolantes, um sentimento de alegria autêntica e uma chuva que marca corações cinéfilos há quase sete décadas.

Trufas de chocolate de CHOCOLATE

Amar é doce e esse mês de junho está a pura doçura nessa newsletter. Por isso, trazemos hoje uma receita para as almas chocólatras que nos seguem. Você se encantou com Juliette Binoche moendo o cacau para preparar suas famosas trufas de chocolate no filme CHOCOLATE? Pois hoje ensinaremos a receita dessa peculiaridade adocicada.

Vamos precisar de:

200 gramas de chocolate meio amargo derretido / meia xícara de creme de leite fresco / 2 colheres (de chá) de conhaque / cacau em pó para polvilhar

Então, let’s go! Vamos colocar o chocolate derretido na tigela da batedeira e depois juntar o creme de leite e misturar. Após retirar do banho-maria, é só bater na batedeira, adicionando em seguida o conhaque. O segredo é continuar batendo até que o creme de chocolate não escorra mais das pás da batedeira, quando você levantá-las. Em uma superfície, vamos polvilhar cacau e, nessa área, deixar cair o creme sobre o cacau polvilhado (a preferência é usar uma colher) repetindo essa opção até acabar o creme de chocolate. Pode peneirar mais cacau sobre as trufas, mas você vai precisar de duas espátulas para colocá-las em outra forma. Depois é só levar para gelar por umas 2 horas (ou um pouco mais) e servir para o seu amor. Olha, queremos ver fotos, então nos segue nas nossas redes sociais nos links logo abaixo e manda a foto das suas trufas de chocolate pra gente!

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TRAILER NACIONAL DE “A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS” – 04 DE JULHO NOS CINEMAS https://www.ocafezinho.com/2019/06/12/trailer-nacional-de-a-arvore-dos-frutos-selvagens-04-de-julho-nos-cinemas/ https://www.ocafezinho.com/2019/06/12/trailer-nacional-de-a-arvore-dos-frutos-selvagens-04-de-julho-nos-cinemas/#respond Wed, 12 Jun 2019 21:46:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95783 No dia 04 de julho, chega aos cinemas A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS, novo filme do diretor vencedor da Palma de Ouro Nuri Bilge Ceylan. O longa mostra Sinan, jovem apaixonado por literatura e que sonha em ser escritor. Ao retornar à aldeia onde nasceu, entra em embates com seu pai (que afunda a família em dívidas por conta de apostas em jogos), com sua mãe e sua irmã, com seu amor da infância e com seus amigos. O filme foi o representante da Turquia no Oscar 2019, além de ter sido indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2018 e apresentado na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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CINE FOLHETIM FÊNIX #16 https://www.ocafezinho.com/2019/06/06/cine-folhetim-fenix-16/ https://www.ocafezinho.com/2019/06/06/cine-folhetim-fenix-16/#respond Thu, 06 Jun 2019 14:30:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95531

Queridos parceiros e espectadores,

Junho chegou e deixamos um questionamento logo de cara para vocês: o que você procura no cinema? Seja o que for, tentaremos responder. Se sua resposta for uma celebração entre o amor, a comida e os filmes, estamos aqui com a receita de Espaguete ao Sugo que Julia Roberts degusta em COMER, REZAR, AMAR, numa nova série gastronômica-cinematográfica. Já se quiser uma obra atemporal que questiona a própria realidade da vida, oferecemos a comemoração de 21 anos de O SHOW DE TRUMAN. Preferindo uma lista de cinema, trazemos 5 filmes com elencos impecáveis! É tributo a um grande diretor brasileiro? Lembramos da homenagem ao cineasta baiano Edgard Navarro na 14ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. É filme que está fazendo muito sucesso no Brasil, passando de 16 mil espectadores em duas semanas? Temos A GRANDE DAMA DO CINEMA, do diretor vencedor do Oscar Juan José Campanella, chegando para a quarta semana seguida de estouros de bilheteria! Então, depois de ler a newsletter, chega pra gente e diz: o que você procura no cinema?

Abraço e bons filmes,

Fênix.

A GRANDE DAMA DO CINEMA na quarta semana!!


A GRANDE DAMA DO CINEMA está sem freio! Chega hoje à sua quarta semana quebrando recordes de bilheteria e conquistando mais de 19 mil corações cinéfilos, agora em sete cidades do Brasil. Para conferir os horários e locais das sessões, é só olhar aqui embaixo:

REMAKES n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho, trazemos uma discussão sobre os remakes em Hollywood, aquelas refilmagens de filmes clássicos e antigos com contextualizações atuais, destacando um estudo sobre os fracassos dos remakes e uma lista de bons motivos que justifiquem esses filmes. Confira aqui embaixo no link:

Edgard Navarro é homenageado na 14º CineOP

O cineasta baiano Edgard Navarro é o homenageado na 14ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, de 05 a 10 de junho, na cidade histórica mineira! No ano em que o diretor completa 70 anos, seu filme mais paradigmático, SUPEROUTRO, atinge a marca de três décadas desde o lançamento e seu mais recente trabalho, ABAIXO A GRAVIDADE, ganha o circuito comercial. O momento é ideal para celebrar a liberdade e a iconoclastia de um artista como Navarro. Além disso, nesta edição, 75 profissionais do audiovisual, acadêmicos, pesquisadores, historiadores, críticos de cinema e convidados internacionais estarão no centro dos 26 debates, diálogos da preservação e educação, estudos de caso, apresentações de projetos educativos, workshop internacional com o propósito de gerar reflexões, troca de experiências, conhecimento, intercâmbio, cooperação entre os participantes.

Está vindo o 5º Cinefoot Extraordinário

De 12 a 24 de junho, no CCBB do Rio de Janeiro, ocorrerá uma mostra especial: em homenagem à Copa América (principal competição sul-americana de futebol), serão exibidos filmes produzidos pelos países que participam do campeonato este ano. Portanto, obras do Brasil, Bolívia, Venezuela, Peru, Argentina, Colômbia, Paraguai, Chile, Uruguai, Equador, Japão e Qatar (essas duas últimas convidadas) entrarão em campo para unir o esporte e o cinema!

Os 5 melhores filmes com um elenco perfeito

Tão mais fácil do que criar um filme incrível com um elenco impecável é fazer esse mesmo filme fracassar. Artistas famosos e consagrados podem ser um fracasso total, como PARA MAIORES (que tinha Hugh Jackman, Kate Winslet, Richard Gere, Emma Stone e outros…), ou um sucesso absoluto, como CLUBE DE COMPRAS DALLAS (contando com os astros em ascensão Matthew McCounaughey, Jennifer Garner e Jared Leto). Na lista abaixo, estão filmes em que os atores interpretaram como um grupo unificado, apoiando-se com as atuações e seguindo a mesma missão de seguir o fluxo da história:

  1. Grand Hotel (1932)
  2. Deu a Louca no Mundo (1963)
  3. 12 Homens e Uma Sentença (1957)
  4. Magnolia (1999)
  5. Nashville (1975)

O que o público procura no cinema?

Desde que o cinema surgiu, estudiosos se questionam o que os espectadores procuram nos filmes quando vão para as salas de cinema. Bem sabemos que não é apenas um ingresso que é comprado ali na bilheteria; é mais um valor simbólico para uma viagem para vários mundos e histórias que nos tocam de formas diferentes, pois, como nós da Fênix sempre dizemos, “filmes libertam a cabeça”. Pois bem, o IDHEC (Institut des Hautes Études Cinématographiques) divulgou seu estudo sobre os motivos que levam as pessoas ao cinema e o resultado não poderia ser mais satisfatório. Mais de 60% responderam que assistem aos filmes no escurinho para ter aquela sensação de descanso, de distração do mundo lá fora, para esquecer dos problemas da vida; cerca de 20% vão pelo hábito de ir ao cinema, como uma necessidade de seguir aquela rotina de se deslocar a um espaço de exibição, sendo atraídos pela sala escura e reclusa; uns 15% vão para satisfazerem-se pelo simples contentamento artístico, de se sentir em contato com a arte pura; e, por fim, pelo prazer cinematográfico, de ver o que nenhuma outra arte pode lhe proporcionar. Acontece que o cinema, pela sua excepcional fascinação enquanto espetáculo, sempre vai despertar nas pessoas a necessidade do sonho e da aventura, trazendo paz, naturalidade e prazer.

21 anos de O SHOW DE TRUMAN

O que era ficção está virando realidade e com a comemoração de 21 anos de lançamento de O SHOW DE TRUMAN percebemos que essa obra-prima está mais atual do que nunca e segue sendo uma das melhores e mais significativas personagens que Jim Carrey já compôs. Acompanhando Truman, um homem que nasceu e cresceu sendo o protagonista de um reality show que transmite 24h por dia de sua rotina sem seu conhecimento, o filme parte da premissa de questionar a própria realidade do que estamos vendo e dos limites entre criador e criatura que causam certo desconforto. E esse desconforto vem por diversas metáforas que a obra dá margem: é uma alegoria religiosa, é um paralelo com a liberdade individual comandada por terceiros, é uma reflexão sobre nossa própria natureza enquanto espectadores de reality show e é uma fábula sobre a realidade. O fato é que O SHOW DE TRUMAN segue, após 21 anos, mais contemporâneo do que se esperava, ainda mais quando vemos ascender as redes sociais e a exposição voluntária da vida privada dos bloggers, youtubers e influencers que estão aí na vida real.

Espaguete ao sugo de COMER, REZAR, AMAR

Junho é o mês do amor. Por isso, nas próximas semanas, vamos homenagear filmes românticos que tenham receitas especiais para apimentar qualquer coração apaixonado. Começando nossa jornada gastronômica-cinematográfica, vamos desembarcar na famosa cena do espaguete de COMER, REZAR, AMAR, em que Julia Roberts se delicia de um prato tipicamente italiano ao som de uma ópera de Mozart. Pois vamos lá! Precisaremos de:

1 pacote de 500g de massa espaguete; 1 cebola picada; 4 dentes de alho amassados; 1 xícara de folhas de manjericão; 3 latas de tomate pelado; sal, pimenta e azeite de oliva a gosto.

Em uma panela média, vamos refogar a cebola e o alho, acrescentando depois o tomate pelado. Daí é temperar o molho com sal e pimenta, levando para ferver em fogo baixo só até os tomates desmancharem. Vamos acrescentar metade do manjericão. Agora, em uma panela grande, é só colocar a massa em água fervente e temperar com sal a gosto. O segredo é retirar um minuto antes do tempo escrito na embalagem e reservar uma xícara da água do cozimento antes de colocar a massa para escorrer. Por fim, basta acrescentar a massa na panela do molho e colocar aquela xícara de água reservada, só pra finalizar o cozimento. Aí vem a melhor parte: o empratamento! O ideal é servir com o restante das folhas de manjericão e dar aquele toque final com um fio de azeite de oliva por cima. PRONTO! Quem aí vai se arriscar num prato romântico nesse final de semana e até no dia dos namorados?

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Remake bom é remake de respeito e melhor que o original https://www.ocafezinho.com/2019/06/05/remake-bom-e-remake-de-respeito-e-melhor-que-o-original/ https://www.ocafezinho.com/2019/06/05/remake-bom-e-remake-de-respeito-e-melhor-que-o-original/#comments Wed, 05 Jun 2019 15:55:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95513 1 Comentário 🔥]]> Victor Lages, pela Fênix Filmes

“Hollywood está sem ideias”. Essa frase é sempre repetida nas rodas de conversa entre críticos, especialistas de cinema e cinéfilos, em clima de descontentamento com a quantidade de remakes que o cinema hollywoodiano faz. A fim de esclarecimento, remake é quando o estúdio pega um filme, um programa de televisão ou algo que já foi feito e grava uma nova versão, às vezes atualizada, de uma história antiga; por exemplo, NASCE UMA ESTRELA recebeu roupagem diferencial pela quarta vez ano passado, agora com a cantora Lady Gaga como protagonista.

As quatro versões de NASCE UMA ESTRELA (1937, 1954, 1976, 2018)

Mas por que Hollywood dá tanta atenção para esses remakes? Seria falta de ideias originais no cinema? Não. Naturalmente, todo ano são escritos milhares de roteiros com bastante criatividade e narrativas inovadoras, mas acaba sendo arriscado confiar milhões de dólares em projetos que podem não ter o devido retorno. Nos remakes, existe a vantagem do marketing natural, o que é algo relativamente mais barato: há um conceito já embutido e conhecido do público, há a questão da nostalgia atrelada às histórias antigas que são adaptadas para o contexto atual e o próprio público se sente à vontade para apostar seu tempo e seu dinheiro numa zona de conforto de já saber o que está indo assistir nas salas de exibição.

O problema é quando esses remakes acabam saindo ruins: BEN-HUR foi um fracasso de crítica e de bilheteria e PSICOSE é considerado um desrespeito ao clássico de Hitchcock. E não é só de olho que dizemos isso. Um estudo recente do Rotten Tomatoes, realizado em janeiro desse ano, analisou mais de 400 filmes produzidos de 1978 para cá, comparando as notas dadas pela crítica aos remakes e aos originais.

Refilmagens de PSICOSE e BEN-HUR

Vamos mostrar o macrocosmo para depois fecharmos ao micro. Numa pontuação média, os remakes conseguem apenas 47% de aprovação, enquanto os filmes originais alcançam de 81% ao topo de aprovação. Daí tiramos várias derrapadas de clássicos hollywoodianos que foram rearranjados agora no século XXI: CONAN, O BÁRBARO; ROBOCOP (pelo diretor brasileiro José Padilha); O VINGADOR DO FUTURO; PLANETA DOS MACACOS (pelo cineasta Tim Burton); OLDBOY; O DIA EM QUE A TERRA PAROU e segue assim uma lista infinita…

Remakes de ROBOCOP, O VINGADOR DO FUTURO, PLANETA DOS MACACOS e OLDBOY

Mas existem certas exceções nessa receita fácil de dinheiro, aqueles 10% que a pesquisa identificou das refilmagens que conseguiram atingir uma nota mais alta que a dos filmes originais. Entram aí ONZE HOMENS E UM SEGREDO (adaptado do longa de 1960 estrelado por Frank Sinatra); BRAVURA INDÔMITA (trazida em 2010 pelos Irmãos Coen); MOGLI: O MENINO LOBO (que apresentou uma tecnologia de ponta na versão live-action da Disney); SCARFACE (com um Al Pacino inspirador); OS INFILTRADOS (que finalmente deu o Oscar para o Scorsese); POR UM PUNHADO DE DÓLARES (clássico do Sergio Leone adaptado de YOJIMBO, outro clássico de Kurosawa) e infelizmente essa lista já não segue tão infinita assim…

Remakes de SCARFACE, ONZE HOMENS E UM SEGREDO, MOGLI e BRAVURA INDÔMITA

O fato é que o portal Medium, para tentar apaziguar as tensões entre quem gosta e quem odeia os remakes, decidiu preparar uma lista com alguns motivos que justificassem a necessidade de uma refilmagem e aqui vai de brinde ainda um exemplo para cada motivo:

  1. Se o filme for muito velho, é mais perdoável a urgência em atualizá-lo (como as quatro versões de NASCE UMA ESTRELA);
  2. Se for para corrigir erros de filmes ruins, os remakes podem ser úteis (A MOSCA de 1986, que supera o de 1958);
  3. Se for para beneficiar os estúdios trazendo de volta um clássico que foi estouro de bilheteria na época do lançamento (podemos facilmente citar KARATE KID);
  4. Se for para colocar atores contemporâneos e, digamos, mais comercializáveis (ONZE HOMENS E UM SEGREDO é uma boa);
  5. Se for uma adaptação de um filme estrangeiro, pois é praticamente anti-americano ler legenda de uma obra em outra língua (DEIXE-ME ENTRAR, que traduziu o cult sueco de vampiros);
  6. Se os efeitos especiais perderam a validade e os remakes alcançaram uma capacidade técnica próxima à perfeição (como foi o último KING KONG lançado em 2005);
  7. Se é para dar um visual mais moderno ao preto e branco (tal qual o já citado SCARFACE ou o NOSFERATU do Werner Herzog);
  8. Se for para consertar racismo e sexismo de filmes antigos, refazendo o desconforto que “fazia sentido” naquele tempo (podemos até citar aqui o novo ALADDIN);
  9. Se for para lançar um olhar contemporâneo sobre o original, mudando o sexo das personagens, por exemplo (como o recente CAÇA-FANTASMAS, com protagonismo feminino);
  10. Por fim, se o filme original estiver muito vinculado ao momento em que foi lançado (fechamos a lista com o maravilhoso A GRANDE DAMA DO CINEMA, do diretor vencedor do Oscar Juan José Campanella, que refilmou um clássico argentino rechaçado nos anos 70 pela ditadura no país).

Independente da subjetividade, ainda é uma questão de ponto de vista quanto à necessidade de um remake; o consenso é que o dinheiro sempre pauta as decisões dos estúdios, que correm atrás de certas memórias afetivas para trazer de volta algumas histórias que deveriam só ficar no passado mesmo.

Comparações entre:
A MOSCA (1958, 1986)
DEIXA-ME ENTRAR (sueco em 2008, norte-americano em 2010)
A GRANDE DAMA DO CINEMA (2019) e LOS MUCHACHOS DE ANTES NON USABAN ARSÉNICOS (1976)
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https://www.ocafezinho.com/2019/06/05/remake-bom-e-remake-de-respeito-e-melhor-que-o-original/feed/ 1
CINE FOLHETIM FÊNIX #15 https://www.ocafezinho.com/2019/05/30/cine-folhetim-fenix-15/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/30/cine-folhetim-fenix-15/#respond Thu, 30 May 2019 21:23:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95340

Queridos parceiros e espectadores,

“Maio já está no final e o que somos nós afinal?”. É com essa cantiga nacional que abrimos essa newsletter e lançamos essa pergunta. O que fomos nós nesse mês de maio? Incrivelmente felizes. Demos seguimento à BORRASCA nas salas e lançamos um dos maiores filmes do ano: A GRANDE DAMA DO CINEMA. Fomos para Cannes e, além de assistirmos a obras impecáveis, ainda desfilamos no tapete vermelho com O TRAIDOR. Falamos de moda por semanas e encerramos esse quadro enaltecendo a figurinista vencedora de 8 Oscars, Edith Head; celebramos vários aniversários de filmes e hoje comemoramos 40 anos de ALIEN; respondemos à várias questões cinematográficas e hoje trazemos os 5 melhores filmes para estudar a linguagem audiovisual. “Maio já está no final e o que somos nós afinal?”. Somos, apenas, apaixonados pelo nosso cinema que nos liberta a cabeça.

Abraço e bons filmes,

Fênix.

A GRANDE DAMA DO CINEMA segue pela terceira semana no Brasil!!

25 salas em 11 cidades! A GRANDE DAMA DO CINEMA não para por nada, nada mesmo! E a sensação da Fênix é de puro dever cumprido, mas uma longa jornada ainda. Atingimos mais de 13 mil espectadores nessas duas últimas semanas, contando a história de Mara Ordaz, diva da era de ouro que quer vender sua mansão e voltar ao estrelato. Ainda não viu? Pois acompanha os horários e locais das sessões que estão logo aqui embaixo:

O sucesso de O TRAIDOR em Cannes

Há uma semana desfilamos no tapete vermelho do Festival de Cannes com O TRAIDOR, enaltecido pela crítica como “um verdadeiro filme de máfia”. Velho conhecido do festival, essa foi a décima vez que o diretor italiano Marco Bellocchio concorria ao prêmio principal e, mesmo sem ganhar em 2019, o sentimento foi de imensa satisfação, graças a essas críticas de jornais especializados:

Variety: “O que mais surpreende no drama de Marco Bellocchio é o quão direto é. Havia expectativas de que o diretor entregasse um drama teatral ao estilo de “Vincere”, mas apesar de alguns floreios operísticos seu mais recente filme tem os elementos teatrais incorporados de um jeito tão histriônico que é melhor reproduzi-los da forma mais direta possível”.

The Hollywood Reporter: “Trata-se de uma produção muito bonita, com um vasto elenco e locais na Sicília, Roma, Brasil e Estados Unidos, que devem ser fortes atrativos para o público fora da Itália. “Seu ator mais valioso é Pierfrancesco Favino. Ele carrega com intensidade o seu retrato de Tommaso Buscetta, uma figura chave para a máfia, que decidiu testemunhar diante do juiz Falcone e comparecer a um julgamento contra a máfia que durou de 1986 a 1992”.

The Guardian: “O filme é representado e dirigido em todo o momento com confiança e força”.

Está chegando o Festival Varilux de Cinema Francês

Entre os dias 06 e 19 de junho, o cinema francês chega em mais de 80 cidades do Brasil com sucessos contemporâneos para todas as idades. Serão 16 produções inéditas e um filme clássico (CYRANO, de Jean-Paul Rappeneau), variando entre ação, drama, comédia e filmes históricos. Entre os destaques, estão a animação ASTERIX E O SEGREDO DA POÇÃO MÁGICA e o polêmico GRAÇAS A DEUS, de François Ozon, que foi reconhecido no último Festival de Veneza. Em breve, apresentaremos a programação em primeira mão aqui na newsletter!

Quais são os 5 melhores filmes para estudar a linguagem do cinema?

O cinema é uma das artes mais importantes do último século, servindo para contar histórias, criar experiências e moldar gerações mais do que as demais artes, até porque os filmes são uma mistura de música, pintura, dança, desenho… e é disso que se constitui a linguagem cinematográfica: a combinação perfeita entre fotografia, design de som, produção, luz, posição de câmera, direção e atuação. Os cinco filmes abaixo personificam o poder imenso e tecnológico em um altíssimo nível de comunicação que oferece aos espectadores a melhor maneira de estudar a linguagem do cinema:

  1. A paixão de Joanna D’Arc (1928)
  2. 2001: Uma odisseia no espaço (1968)
  3. O homem com uma câmera (1929)
  4. Cidadão Kane (1941)
  5. Um corpo que cai (1958)

Quer conhecer o resto da lista? Clica no link aqui abaixo:

40 anos de ALIEN: O OITAVO PASSAGEIRO

“No espaço, ninguém pode ouvir você gritar”. Foi com essa frase simples no pôster que os espectadores tiveram contato com uma das maiores (quiçá, a maior) ficção científica da história do cinema. Dirigido por Ridley Scott (que nos trouxe também GLADIADOR, FALCÃO NEGRO EM PERIGO e BLADE RUNNER), hoje ALIEN completa 40 anos mantendo-se atual e influenciando a cultura pop de diversas maneiras. A época de lançamento foi importantíssima para entendermos o impacto que esse filme foi em 1979: era o auge da Guerra Fria, com acirramento de embates culturais, sociais, econômicos e tecnológicos entre os russos e os norte-americanos; por isso, quando o diretor trouxe um inimigo que vem do espaço para destruir os terráqueos, está ali uma metáfora do poder bélico estadunidense, o único capaz de aniquilar o vilão extraterrestre. Protagonizado pela então atriz de teatro Sigourney Weaver, ALIEN traz uma sobrevivente de um ataque alienígena que se infiltra em uma nave espacial para mostrar a força feminina. Impecável e perfeita, a obra é um legítimo filme de terror obrigatório para todo e qualquer cinéfilo.

Edith Head

Maio foi o mês da moda na nossa newsletter e acreditamos que não há melhor forma de encerrar esses gloriosos dias se não falando da maior e mais premiada figurinista de Hollywood: Edith Head, ganhadora de 8 Oscars ao longo de 400 filmes em 50 anos de carreira. SABRINA, A MALVADA, A PRINCESA E O PLEBEU, BONEQUINHA DE LUXO, … todos os figurinos dessas obras-primas ganharam o traço de Edith, sendo a queridinha de muitos diretores (incluindo Hitchcock), devido à sua inventividade e atenção extrema aos detalhes de cada peça que criava. Vestia de Grace Kelly a Bette Davis, de Elizabeth Taylor a Sophia Loren, de Paul Newman a John Wayne, sempre escondendo os defeitos e acentuando as qualidades dos corpos de que usava seus desenhos. Edith trabalhou até o ano de sua morte, em 1981, deixando sua marca registrada eternamente como uma lenda da era de ouro do cinema americano, sendo ainda inspiração para a criação da personagem Edna Moda, da animação OS INCRÍVEIS.

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https://www.ocafezinho.com/2019/05/30/cine-folhetim-fenix-15/feed/ 0
CINE FOLHETIM FÊNIX #14 https://www.ocafezinho.com/2019/05/24/cine-folhetim-fenix-14/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/24/cine-folhetim-fenix-14/#respond Fri, 24 May 2019 15:50:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95091

Cine Folhetim Fênix 23/05/2019

Queridos parceiros e espectadores,

Vamos juntos enaltecer o brilho e o glamour pelo cinema! E essa newsletter está recheada disso.

Temos um apanhado geral sobre o Festival de Cannes 2019? Sim!

Temos estreia de filme do Marco Bellocchio em Cannes? SÌ!!

Temos enaltecimento dos 50 anos do clássico dramático PERDIDOS NA NOITE? Claro!

Temos dica de moda em um romance futurista? Certamente!

Temos uma listinha especial dos 5 filmes mais sensuais da história? Temos, com muito prazer.

E filmes incríveis seguindo nas salas brasileiras, como A GRANDE DAMA DO CINEMA, BORRASCA e VISAGES VILLAGES? Com certeza, prezados!

Temos amor pelos filmes e isso nos move eternamente? Ora, somos 100% apaixonados por esse mundo!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

A GRANDE DAMA DO CINEMA segue nas salas do Brasil!!

Expandindo e conquistando o Brasil todo! Agora em 11 cidades, 29 salas ao todo, a história de Mara Ordaz buscando o retorno ao estrelato está em Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Recife, Florianópolis, Maceió e Teresina. Além disso, é com imenso prazer que anunciamos que… A GRANDE DAMA DO CINEMA passou de 6000 espectadores em apenas 4 dias! Por isso, corre lá que esse filme é imperdível, pois os horários e locais das sessões estão logo aqui embaixo:

O TRAIDOR chega hoje em Cannes!

O clima é de pura ansiedade! Hoje é a grande exibição no Festival de Cannes de O TRAIDOR, novo filme do cineasta italiano Marco Bellocchio, uma coprodução entre Itália, Brasil, Alemanha e França. Baseado na história real de Tommaso Buscetta, o longa conta a trajetória do mafioso, o primeiro do alto escalão a se transformar em informante no caso do Maxi-Processo contra a Cosa Nostra. Quando Buscetta muda para o Brasil, começa uma guerra de poder entre os clãs mafiosos, liderada pelo clã da cidade de Corleone. Durante essa guerra interna Buscetta (Pierfrancesco Favino) é preso e deportado para a Itália. Incomodado com o rumo que a máfia tomou, distanciando-se dos seus princípios originais, ele faz um acordo com o governo italiano para denunciar seus antigos comparsas numa delação premiada. O filme é uma produção IBC Movie, Kavac Film em coprodução com Rai Cinema (Itália), Gullane em coprodução com Telecine (Brasil), Match Factory Productions (Alemanha) e AD Vitam (França). Produzido por Giuseppe Chaschetto, Simone Gattoni, Fabiano Gullane, Caio Gullane, Michael Weber, Viola Fügen, e Alexandra Henochsberg, tem distribuição no Brasil pela Fenix Filmes e Pandora Filmes.

BORRASCA chega à sua quarta semana nos cinemas!

Pela quarta semana seguida, BORRASCA segue o itinerante, agora para a cidade de Vitória, em duas sessões exclusivas e únicas! Portanto, tenta não perder, pois a oportunidade será rara!

VISAGES VILLAGES volta aos cinemas!

Estava com saudades de Agnès Varda? Pois o pessoal de São Paulo terá mais duas chances de conferir o lindo documentário indicado ao Oscar VISAGES VILLAGES.

BELLOCCHIO n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho, desdobramos o cinema de MARCO BELLOCCHIO, diretor da segunda fase do neorrealismo italiano, contemporâneo de Bernardo Bertolucci, antigo apaixonado pela agitação provocativa e agora analista psicológico da consciência crítica italiana e atual concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2019.

https://www.ocafezinho.com/2019/05/23/tudo-e-politico-no-cinema-de-marco-bellocchio/

O que já aconteceu no Festival de Cannes 2019?

Hoje completam 10 dias de Festival de Cannes e, olha, esse ano está mais que incrível!

Já no primeiro dia, o júri se reuniu no tapete vermelho para se apresentar ao público e dar início ao Festival. O cineasta Alejandro G. Iñarritu (diretor de BABEL, BIRDMAN e O REGRESSO e primeiro latino-americano a presidir o júri de Cannes) foi ovacionado em seu discurso de abertura, que terminou lindamente com “o único juiz capaz de julgar um filme é o tempo”.

OS MORTOS NÃO MORREM, comédia de zumbi, abriu a mostra e teve uma recepção agridoce, sem ser um sucesso, mas também sem fracassar. No dia seguinte, o brasileiro BACURAU chegou surpreendendo e LES MISERÁBLES apresentou uma Paris retratada pela injustiça social, pelas alegrias e desesperos que estão nas ruas da cidade.

O terceiro dia trouxe o cantor Elton John ao majestoso tapete vermelho, para apresentar o filme que conta sua história: ROCKETMAN, que talvez agradará mais aos que não conhecem tanto a carreira do músico do que os verdadeiramente fãs. Além disso, tivemos Mati Diop, primeira diretora negra a concorrer à Palma de Ouro, prêmio principal do Festival, apresentando ATLANTICS, e Ken Loach, vencedor de duas Palmas nos anos anteriores, trouxe uma crônica cruel do cotidiano e da pobreza na Inglaterra, podendo ser o primeiro diretor a ter uma tríplice vitória no pódio!

O dia 4 mostrou que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar está com tudo, trabalhando novamente com Penélope Cruz e Antonio Banderas, ainda que contando a história de sua própria vida: DOR E GLÓRIA pode ir até mais longe e chegar ao Oscar! No entanto, LITTLE JOE foi o primeiro fracasso do festival nesse ano, sendo um filme de terror independente que falta audácia e entusiasmo.

Um filme romeno e um chinês vieram no dia 5, ambos retratando a violência à sua forma: THE WHISTLERS e THE WILD GOOSE LAKE. No sexto dia, tivemos um diretor muito importante se apresentando pela terceira vez na Riviera Francesa: Terrence Malick, que já ganhou por A ÁRVORE DA VIDA, mostrou A HIDDEN LIFE, um filme que reflete sobre Deus, a existência, a vida e a morte. Por último, PORTRAIT OF A LADY ON FIRE mostrou a diretora Céline Sciamma no melhor filme de sua carreira, podendo ter quase certeza de que esse filme vai sair com algum prêmio nesse ano!

O dia 7 trouxe a vencedora de dois prêmios de Melhor Atriz em Cannes em mais um trabalho elogiado: Isabelle Huppert, atuando no filme de Ira Sachs, FRANKIE. Já LE JEUNE AHMED, dos vencedores de duas Palmas de Ouro os irmãos Dardenne, não logrou tanto sucesso, longe de ser um dos piores que já fizeram mas nem arranha a superfície dos melhores.

No oitavo dia, vieram burburinhos de Oscar e um retorno brilhante! Bong Joon-ho voltou ao Festival de Cannes com PARASITE, um thriller obscuro e engraçado e que parece ter sido um acerto muito bom do júri!  Tarantino veio forte com ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD, que foi enaltecido pela química entre Brad Pitt e Leonardo DiCaprio, inclusive destacando o talento de Margot Robbie. E ontem o canadense Xavier Dolan levou MATTHIAS ET MAXINE e mostra seu amadurecimento enquanto diretor, mas ainda não apresenta o melhor trabalho de sua carreira. Já Arnaud Desplachin decepciona com ROUBAIX, UNE LUMIÈRE, um filme que recebeu críticas de médias para ruins!

Quais são os 5 filmes mais sensuais do cinema?

Não é difícil fazer filmes que explorem relacionamentos românticos e que mostrem a conexão entre duas pessoas. Mas mostrar o lado humano dentro dos cosmos eróticos e sensuais dos amores é outro assunto, já que não é só mostrar cenas de sexo para retratar a sensualidade dos personagens. Por isso, há aqui uma lista que apresenta belíssimos exemplos de filmes que abordam as vertentes interiores e exteriores do amor. Quais desses você já viu?

  1. Perdas e danos (1992), de Louis Malle
  2. Carne trêmula (1997), de Pedro Almodóvar
  3. Nenette e Boni (1996), de Claire Denis
  4. Me chame pelo seu nome (2017), de Luca Guadagnino
  5. Amor à flor da pele (2000), de Kar-Wai Wong

Todas essas são lindas obras de filmes sensuais, mas no link abaixo trazemos mais alguns exemplos para você conferir:

http://www.tasteofcinema.com/2019/the-10-most-sensual-movies-of-all-time-2/

50 anos de PERDIDOS NA NOITE

Um caipira meio cowboy sai de sua cidade natal rumo à Nova York a fim de prostituir-se para senhoras ricas, que se une a um malandro gigolô e forma com ele uma amizade bonita e trágica. Respectivamente, Jon Voight e Dustin Hoffman brilham em seus papéis nesse clássico dos anos 60, dirigido por John Schlesinger e vencedor de 3 Oscar, incluindo Melhor Filme. Apesar da trama controversa, não se engane: não é uma história sobre sexo, mas sim um mergulho na escória das cidades grandes, na pobreza e na solidão que colocam duas pessoas marginalizadas juntos enquanto sobreviventes desse mundo que suga ingenuidades e características inofensivas. Viver não é tarefa fácil e PERDIDOS NA NOITE mostra como é dura a jornada de uma pessoa que precisa endurecer à força, na marra, com destreza e com tristeza.

Óculos “tartaruga” de ELA

Cinema é a entrada na alma por meio da visão. Por isso, não é difícil colocar os óculos em cenas de filmes e pô-los como apetrecho de prestígio para os personagens que os usam. E há vários pares e modelos que ficaram muito famosos devido à sua utilização no cinema, como os óculos de Tom Cruise em TOP GUN ou de Meryl Streep em O DIABO VESTE PRADA. Hoje, celebraremos um par que não tem muito destaque nas listas, mas que merece louvor: as lentes que Joaquin Phoenix usa em ELA, a história de amor entre um solitário homem e um sistema operacional de computador, que mostra como um relacionamento contemporâneo pode ser extremamente configurável. Os óculos modelo tartaruga fizeram muito sucesso no rosto de artistas consagrados, como Madonna, Lady Gaga, Yves Saint-Laurent e Audrey Hepburn, mas aqui no filme eles realçam o carisma do protagonista, com toques de retrô-futurista que estão presentes ao longo de toda a narrativa. Então, quer se apaixonar por alguém nesse final de semana? Puxa os óculos tartaruga da gaveta e abra seu coração para os elogios (desde que sejam verdadeiros e respeitosos!).

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Tudo é político no cinema de Marco Bellocchio https://www.ocafezinho.com/2019/05/23/tudo-e-politico-no-cinema-de-marco-bellocchio/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/23/tudo-e-politico-no-cinema-de-marco-bellocchio/#respond Thu, 23 May 2019 20:34:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95058 Victor Lages, pela Fênix Filmes

“Tudo é político! Somos seres políticos independente do nosso engajamento ou não. Meus filmes não devem ser vistos como defesa política. Dentro da história dos personagens têm as questões políticas”, afirmou, certa vez, o cineasta Marco Bellocchio. Diretor da segunda fase do neorrealismo italiano (movimento cinematográfico-cultural caracterizado por histórias sobre a classe trabalhadora/política na Itália pós-Segunda Guerra Mundial, sendo um contraponto à estética fascista); contemporâneo de Bernardo Bertolucci; antigo apaixonado pela agitação provocativa e agora analista psicológico da consciência crítica italiana; 79 anos, sendo 54 de carreira; 50 filmes; atual concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2019. São muitos os atributos de Bellocchio, assim como são muito profundas suas obras, as quais destacamos seis que mostram a artéria fundamental do seu cinema: a história, a vida, a política de seu país.

DE PUNHOS CERRADOS (1965), relançado pela Fênix Filmes no Brasil

Ele tinha apenas 25 anos quando criou seu primeiro filme, gravado sem experiência e sem recursos em sua própria casa, mas foi o suficiente para chocar e encantar os críticos do mundo inteiro. Ao trazer a história de um jovem epiléptico que odeia sua família e sonha com a morte de sua mãe cega, Bellocchio mostrou sua raiva juvenil e colocou em sua trama a proposta de abordar a “família disfuncional” enquanto pano de fundo que viraria o símbolo do cinema italiano. O interessante é ver como um pretenso diretor utilizou as possibilidades infinitas do audiovisual para mostrar aos jovens cineastas que só é preciso uma câmera para fazer um filme. “Estava esse roteiro e projeto de filme no qual queria destruir minha família. Por outro lado, precisava pedir dinheiro a meus pais para fazê-lo”, disse em entrevista. E, com essa obra, Roma nunca mais foi a mesma, sendo criado um movimento, um gênero, uma marca de um criador a partir de então, pois não bastava que os italianos fossem angustiados e infelizes; era preciso que eles fossem loucos varridos. Mas, com o tempo, a raiva deu espaço para a sabedoria, assim como suas inclinações esquerdistas dos anos 70 abriram margem para a dor alheia, o sentimento supremo de identificação com a compaixão, que levaram Bellocchio ao século XXI, para falar sobre eventos complicados da história da Itália.

BOM DIA, NOITE (2003)

O filme completou recentemente 15 anos de lançamento, mas a trama se passa na década sessentista, quando Aldo Moro, o líder da Democracia Cristã, foi sequestrado e morto pelo grupo extremista Brigada Vermelha. Mas, como já destacou, depura os elementos políticos o suficiente para enriquecer as histórias que tratam de pessoas; por isso, BOM DIA, NOITE recria o cativeiro de Moro pelo olhar e pela psicologia dos membros que o raptaram, mudando, assim, o foco da ação e evolução seu estilo narrativo.

VENCER (2009)

O mesmo acontece com VENCER, que volta à primeira metade do século do século XX para acompanhar a história real de Ida Dalser, amante de Benito Mussolini, conhecido ditador italiano. Aqui, a proposta do diretor não foi apenas narrar essa personalidade, mas questionar a lenda que o ditador era, partindo da ótica de uma mulher indomável, que não tinha medo de se opor a Mussolini num país dominada pelo tirano. O bonito é ver os pontos de convergência, como o próprio cineasta destaca: “fizeram uma comparação entre Ida e a Itália. Uma Itália encarcerada, ferida, humilhada, violentada”.

A BELA QUE DORME (2012)

Seguindo o estilo bellocchiano, o homem teve, mais uma vez, a audácia de provocar a Igreja e o Estado ao discutir a eutanásia. Aqui, o luto, a dor e a desesperança são contados a partir das vidas entranhadas ao redor de Eluana Englaro, jovem que só pôde ser livrada do coma após 17 anos internada. Dessa vez, focando na mídia, no Parlamento Italiano e na família da moça como seres gravitantes na trama, apresentando uma narrativa tão psicanalista, quanto pessimista que poderiam pertencer a várias “belas adormecidas” mundo afora.

SANGUE DO MEU SANGUE (2015), distribuído pela Fênix Filmes

Criticando igualmente a Igreja e a Itália, Bellocchio reuniu tradicionalismo e inovação para falar sobre Federico, um homem que é confundido com seu irmão gêmeo padre e é seduzido pela freira Benedetta, que acaba condenada a ser murada viva. Apesar de já termos visto isso em O CRIME DO PADRE AMARO e O NOME DA ROSA, o diretor consegue pegar uma história de padres livrando a instituição para demonizar uma relação de amor e culpa da mulher e dar uma estética belíssima de crítica ao moralismo doentio da religião e à sinistra aliança dos poderes mundanos.

O TRAIDOR (2019), coprodução entre Itália, Brasil, Alemanha e França, que será distribuído no Brasil pela Fênix Filmes e Pandora Filmes

Baseado na história real de Tommaso Buscetta, o longa conta a trajetória do mafioso, o primeiro do alto escalão a se transformar em informante no caso do Maxi-Processo contra a Cosa Nostra. Mas não se confunda. Esse é um filme legitimamente de Marco Bellocchio, que está concorrendo à Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano. Por isso mesmo, aqui, o que temos é uma investigação antropológica sobre a traição como um rito, como disse: “Não é o mafioso que me interessa. É o sujeito por trás dos crimes. Quero que O TRAIDOR seja um filme sobre escolhas e também um filme sobre as pessoas que pagam o preço pelas decisões que tomamos”.

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CINE FOLHETIM FÊNIX #13 https://www.ocafezinho.com/2019/05/16/cine-folhetim-fenix-13/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/16/cine-folhetim-fenix-13/#respond Thu, 16 May 2019 21:04:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94768

Queridos parceiros e espectadores,

Chegou, meus queridos! Enfim, está aqui, nas salas, no Brasil, na América Latina inteira: A GRANDE DAMA DO CINEMA! Perdoa até termos falado tanto desse filme nas últimas semanas, mas precisamos dizer: a espera e a ansiedade vale MESMO a pena!

Chegou, meus queridos! O Festival de Cannes desembarcou, pela 72ª vez, na Riviera Francesa e trazemos muitas notícias, direto de lá, sobre o maior evento cinematográfico do mundo!

Também chegou, caros cinéfilos e apreciadores da sétima arte, a mostra japonesa no CCBB de São Paulo, a nova revista Cahiers du Cinéma, os 33 anos de TOP GUN e o enaltecimento da boina clássica de BONNIE E CLYDE. Por fim, chegou, para nossa felicidade, a terceira semana consecutiva de BORRASCA nas salas de exibição, a contagem de quantos Oscars os latinos já ganharam, a última parte da série sobre a vida e obra de Campanella e a lista dos melhores filmes que já venceram a Palma de Ouro.

Chegou o meio de maio e não poderíamos amar mais o cinema!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

A GRANDE DAMA DO CINEMA estreia no Brasil!!!

Finalmente, está entre nós e em 23 salas! A GRANDE DAMA DO CINEMA, novo filme do diretor argentino vencedor do Oscar Juan José Campanella, chegou às salas de cinema do Brasil e, segundo as críticas que já saíram, promete fazer espectadores do país inteiro chorarem de rir! Trazendo um elenco estelar e um roteiro ácido com alfinetadas ao mundo cinematográfico, a história traz uma antiga diva da era de ouro que mora em uma mansão com um ator, um diretor e um roteiristas das antigas e sua paz é abalada com a chegada de dois jovens empresários que querem expulsá-la do local. Os horários e locais das sessões estão logo aqui embaixo:

BORRASCA segue firme nos cinemas!

Pela terceira semana consecutiva, o drama teatral de Francisco Garcia segue nos cinemas brasileiros emocionando e fazendo refletir sobre amizade, traição e morte. Os horários e locais das sessões estão logo aqui embaixo:

CIDADECINEMAHORÁRIO
SantosEspaço de Cinema – CineARTE16h
Balneário CamboriúCinerambcDias 17 e 19, às 18h05

CAMPANELLA n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho, trazemos a quarta e última parte da história do cineasta Juan José Campanella! Trazendo a animação UM TIME SHOW DE BOLA, as inclinações políticas do diretor e o lançamento do seu novo filme, A GRANDE DAMA DO CINEMA, acompanhe o final da nossa saga pela vida e obra de Campanella no link logo abaixo:

Começa o Festival de Cannes!

Na última terça-feira (14), começou a 72ª edição do Festival Internacional de Cinema, o maior evento do audiovisual mundial! Até o dia 25 de maio, centenas de filmes inéditos e super aguardados serão exibidos, como os novos longas de Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar, Terrence Malick, Jim Jarmusch e os irmãos Jean-Luc e Pierre Dardenne. Além disso, 5 filmes brasileiros têm destaque em posições importantes da competição: O TRAIDOR (foto), coprodução entre Itália, França, Alemanha e Brasil, dirigido por Marco Bellocchio e que investiga a história real de um dos maiores mafiosos italianos, será distribuído em breve pela Fênix Filmes e Pandora Filmes no Brasil; BACURAU, nova obra de Kleber Mendonça Filho, em companhia de Juliano Dornelles, que conta com Sônia Braga no elenco; A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Karim Aïnouz, drama que explora a condição das mulheres brasileiras nos anos 40 e 50; SEM SEU SANGUE, primeiro longa de Alice Furtado sobre um relacionamento entre uma jovem solitária e um garoto hemofílico; e INDIANARA, documentário dirigido por Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, sobre uma ativista transexual que luta pelos direitos das minorias. Até o lançamento dessa newsletter, já acompanhamos o filme de estreia (THE DEAD DON’T DIE, comédia de zumbi de Jim Jarmusch), LES MISÉRABLES (drama francês de Ladj Ly), BACURAU (citado acima), ATLANTIQUE (longa senegalês da diretora Mati Diop) e SORRY WE MISSED YOU (longa britânico do vencedor de duas Palmas de Ouro Ken Loach).

Mostra “Japão – Drama e Humor” no CCBB – SP

De 15 a 27 de maio, o Centro Cultural Banco do Brasil irá receber a mostra “Japão – Drama e Humor”, que contará com filmes que abordam a diversidade do cinema japonês. Apresentando a cultura e a tradição local, a seleção traz obras de drama, romance e comédia ambientados em diferentes épocas. Entre os títulos, está TODO DIA É DIA DE FÉRIAS (1994), BOTEQUIM MAL-ASSOMBRADO (1996), EM BUSCA DO ARCO-ÍRIS (1996), TRÊS PARA A ESTRADA (2007) e UM CONTO SOBRE A CULINÁRIA SAMURAI (2013).

Os 5 melhores vencedores da Palma de Ouro

Alguns dos melhores filmes de todos os tempos costumam ser muito reconhecidos em premiações, como o Oscar ou o Festival de Berlim. Mas, para incontáveis cineastas e cinéfilos ao redor do mundo, é a Palma de Ouro (prêmio principal do Festival de Cannes) que traz obras que merecem aclamação. Por isso, nessa semana, o site de cinema IndieWire fez um ranking de todos os 71 filmes que ganharam a Palma desde a criação dessa honraria. Em último lugar, está o documentário norte-americano FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO, de Michael Moore; já os cinco primeiro lugares vão para:

  1. Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)
  2. Viridiana, de Luis Buñuel (1961)
  3. A DOCE VIDA, de Federico Fellini (1960)
  4. O LEOPARDO, de Luchino Visconti (1963)
  5. Taxi Driver, de Martin Scorsese (1976)

Quem quiser conhecer a lista inteira, o link está aqui embaixo e vale a pena:

https://www.indiewire.com/2019/05/cannes-film-festival-palme-d-or-winners-movies-ranked-1202132111/

Cahiers du Cinéma de maio!

Criada em 1951 por críticos e escritores de cinema que queriam expressar suas ideias e se tornar diretores, a revista francesa Cahiers du Cinéma chega à sua 755ª edição marcando presença no Festival de Cannes, evento mais comentado desse mês. Para começar, há resenhas críticas sobre três obras que concorrem à Palma de Ouro: DOLOR Y GLORIA, de Pedro Almodóvar; PARASITE, de Bong Joon-ho; e SIBYL, de Justine Triet. Além disso, há 32 páginas com homenagens à falecida diretora Agnès Varda! A revista está imperdível e pode ser lida parcialmente no link abaixo:

https://www.cahiersducinema.com/produit/mai-2019-n755/

Quantos Oscars a América Latina já ganhou?

Desde que a categoria de Melhor Filme Estrangeiro foi criada em 1957, 62 prêmios foram entregues para filmes que não são falados em inglês e muitos viraram clássicos do cinema: NOITES DE CABÍRIA, de Fellini; MEU TIO, de Jacques Tati; CINEMA PARADISO, de Giuseppe Tornatore; e AMOR, de Michael Haneke. Mas quantos Oscars a América Latina ganhou nessa categoria? Nesse ano de 2019, chegamos ao total de quatro prêmios: com a vitória de ROMA, de Alfonso Cuarón, o filme mexicano entrou na seleta lista que conta ainda com A HISTÓRIA OFICIAL, de Luís Puenzo, O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, de Juan José Campanella, (ambos da Argentina) e UMA MULHER FANTÁSTICA, de Sebastián Lelio, vindo do Chile. No entanto, isso representa apenas 5% do total de filmes premiados, já que o continente europeu domina essa categoria: com 47 conquistas, o Velho Continente abocanhou 76% dos prêmios, tendo a hegemonia da Itália (14) e França (12).

33 anos de TOP GUN: ASES INDOMÁVEIS

“Take my breath away…”. Quem viveu os anos 80, já escuta essa música com a imagem de um avião planando e Tom Cruise usando os clássicos óculos estilo aviador feitos exclusivamente para TOP GUN: ASES INDOMÁVEIS, dirigido por Tony Scott, e que hoje comemora 33 anos de lançamento! Ao pegar um astro em ascensão e casar com uma narrativa que junta romance com ação frenética, Tony transformou o filme em duas horas de diversão simples que marcou uma década inteira, já que a obra virou memória afetiva de praticamente uma geração inteira. Na trama, Tom Cruise interpreta Maverick, um piloto destemido que consegue uma vaga numa academia de pilotos para aprimorar suas habilidades aéreas; lá, ele enfrenta resistência dos outros pilotos, confronta-se com o passado de seu pai na aeronáutica e engata um romance com uma instrutora da academia mais velha. A propósito, você sabia que o Pentágono trabalhou em conjunto com a produção do filme, interferindo ainda no roteiro para que o exército e a marinha não acabassem tendo repercussão negativa?

Beret de BONNIE E CLYDE: UMA RAJADA DE BALAS

Em 1967, o diretor Arthur Penn trazia a história de Bonnie Parker, uma garçonete entediada que se apaixona por um vigarista e, juntos, saem pelos Estados Unidos espalhando uma onda de crime e violência. O filme ganhou dois Oscars, recebeu mais 8 indicações e virou uma das obras mais importantes para a criação de uma “nova Hollywood” que nos apresentou Coppola, George Lucas, Spielberg, Scorsese etc. Porém, uma das maiores conquistas de BONNIE E CLYDE está relacionado à moda. Para contextualizar, a peça que a atriz Faye Dunaway usa na cabeça é um beret, uma espécie de boina que virou símbolo da França desde o século XVII; há uma polêmica em relação à sua criação, pois dizem que ela é originária do País Basco, tradicional numa região que atualmente está dividida entre França e Espanha. No entanto, ela foi popularizada graças aos franceses e à atriz, que cravou-o para sempre na moda e no cinema; para mostrar a rebeldia de sua personagem, Faye adotou certa diversidade de cores para seus chapéus e o beret estava sempre presente no seu vestuário. Curiosamente, a peça marcou presença forte entre as meninas durante a revolta estudantil de maio de 1968, virando uma vestimenta eternamente associada à rebeldia e às mulheres de pulso firme.

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Era uma vez… o cineasta Juan José Campanella – Parte 4 https://www.ocafezinho.com/2019/05/15/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-4/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/15/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-4/#comments Wed, 15 May 2019 15:56:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94760 2 Comentários 🔥]]> Victor Lages, pela Fênix Filmes

Era uma vez um futebol e um cinema e o final da saga de Campanella (pelo menos aqui no Cafezinho). Depois de vermos o cineasta largando o curso de engenharia para estudar audiovisual em Nova York após assistir clássicos de Frank Capra e Bob Fosse, lançar suas primeiras obras, voltar para a Argentina, juntar-se ao ator Ricardo Darín, ser indicado ao Oscar por O FILHO DA NOIVA e vencer na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 2010 por O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, hoje, na última parte da série, acompanharemos sua empreitada no futebol e no cinema metalinguístico.

Campanella no lançamento de UM TIME SHOW DE BOLA

No dia seguinte em que venceu a estatueta dourada da Academia de artes e Ciências Cinematográficas, Juan José Campanella começou a trabalhar no seu próximo lançamento, enveredando por um caminho que não tinha explorado até então: UM TIME SHOW DE BOLA (METEGOL, no original), uma animação em 3D sobre Amadeo, jovem dono de um café que possui uma mesa de pebolim que logo será destruído e vê os jogadores de metal da mesa ganharem vida para salvarem seu empreendimento.

No entanto, o enfoque proposto pelo diretor é mais profundo do que o aparentado pela superfície. “Não acho que o filme seja sobre futebol. Dizer que UM TIME SHOW DE BOLA é um filme sobre futebol é a mesma coisa de dizer que CASABLANCA é sobre a guerra! Aliás, eu nem gosto de futebol e não torço para nenhum time. O futebol e o pebolim aqui são temas paralelos a questões maiores, porque, para mim, o que importa é tratar dos valores humanos. Questões como amizade, trabalho em equipe e a superação dos valores pessoais são o foco do filme”, afirmou em uma entrevista feita no Brasil no lançamento do desenho.

Cena de UM TIME SHOW DE BOLA

Não foi um sucesso absoluto, mas também passou longe de ser um fracasso. Mesmo com a produção custando 20 milhões de dólares, conseguiu bom retorno do público, alcançando em torno de 2 milhões de ingressos vendidos apenas na Argentina. Mas o bonito de ver nesse filme foi a parceria entre a nação portenha e a brasileira, já que um dos animadores é daqui (o Michel Alencar) e foi ideia sua de usar a camisa verde e amarela para o uniforme dos jogadores de totó. “Quando eu e os argentinos da equipe vimos pensamos “não!!!”. Mas ele disse que o padrão da camisa não lembrava a camisa da seleção brasileira. E não lembra mesmo, são só as cores”, afirmou na época.

E trabalhar com 3D não foi uma tarefa fácil também. Durando cinco anos para produzir tudo, em um desenho animado só é possível ver uma cena inteira e finalizado após dois anos de trabalho intensivo nessa cena específica. E o resultado é incrível, desde a sensacional abertura que remete à 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick, à sequência final de um jogo de futebol que traz a mesma fluidez e grandiosidade que àquela já clássico plano-sequência de O SEGREDO DOS SEUS OLHOS. O fato é que, depois de descansar um pouco, Campanella foi aos Estados Unidos gravar umas séries e se dedicar a um roteiro que vinha escrevendo e revisando e reescrevendo desde os anos 90.

Cena de A GRANDE DAMA DO CINEMA

Amanhã, dia 16 de maio, estreia A GRANDE DAMA DO CINEMA, nono longa-metragem que traz Graciela Borges (uma espécie de Fernanda Montenegro/Meryl Streep portenha) como uma diva da era de ouro cinematográfica que vive em uma mansão com seu marido (um ator fracassado), um diretor das antigas e um roteirista aposentado e pode ver seu mundo desmoronar com a chegada de dois jovens corretores de imóveis.

Graciela Borges em A GRANDE DAMA DO CINEMA

O filme é um remake de LOS MUCHACHOS DE ANTES NO USABAN ARSÉNICO, de José Martínez Suárez, lançado em 1976 e posteriormente virando cult para o público argentino. Mas o processo de preparar uma regravação foi tão trabalhosa quanto sua produção anterior: “O primeiro tratamento do roteiro é de 1997 e fui amadurecendo e mudando até chegar a esta forma em que os personagens recordam os anos 60, 70, algo que encaixou perfeitamente com agora”, afirmou sobre essa atualização e sobre o estudo nas comédias subversivas que remetem à filmografia de Frank Capra, seu ídolo.

Mas, para trazer a história de volta à vida, era preciso um elenco tão espetacular quanto o diretor, quanto a própria narrativa. Sua ideia era que os quatro atores principais (Graciela Borges, Oscar Martínez, Marcus Mundstock e Luis Brandoni) tenham sido, mesmo, glórias do cinema antigo e que trouxessem ao público reconhecimento imediato com aqueles personagens que retratavam.

Oscar Martínez, Luis Brandoni e Marcus Mudstock em A GRANDE DAMA DO CINEMA

Além do desejo de refazer um filme que admira, Campanella também acredita que existe em A GRANDE DAMA DO CINEMA certos elementos comuns com outros longas seus. “A velhice é um tema que está em todas as minhas películas: O FILHO DA NOIVA, CLUBE DA LUTA, O SEGREDO DOS SEUS OLHOS… Me interessa a redefinição da velhice como um estado da alma e do corpo. É possível ser velho aos 28 anos e jovem aos 80. O corpo vai por outro viés. Me refiro que o que se passa na cabeça é o que define a pessoa”, defende. E isso é fato, como vemos no filme, de que não podemos duvidar da capacidade dos mais velhos, pois eles sempre nos surpreenderão com sua experiência.

E é isto! Campanella nos traz sempre, em seus filmes, as fraquezas, dúvidas, alegrias e outros sentimentos de homens comuns confrontados com o drama, o suspense, o humor e o romantismo. Acontecendo sempre de forma cíclica, o cotidiano e situações corriqueiras se esbarrando com o passado são características típicas de suas obras, como ele próprio disse em entrevista: “Meus filmes têm isso, personagens que querem seguir adiante e precisam voltar ao passado para resolver algumas situações”. E pode ter certeza de que isso tudo está em A GRANDE DAMA DO CINEMA, o retorno triunfal de um dos maiores cineastas contemporâneos latinos, quiçá do mundo.

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Entrevista exclusiva com o cineasta Edgard Navarro https://www.ocafezinho.com/2019/05/10/entrevista-exclusiva-com-o-cineasta-edgard-navarro/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/10/entrevista-exclusiva-com-o-cineasta-edgard-navarro/#comments Fri, 10 May 2019 17:40:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94580 1 Comentário 🔥]]> Nessa semana, saiu a lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema com os 100 melhores curtas-metragem brasileiros da história do cinema. Com grande felicidade, o diretor baiano comemorou por dois curtas seus estarem na lista oficial: SUPEROUTRO e O REI DO CAGAÇO. E, no dia 20 de junho, sai seu novo filme: ABAIXO A GRAVIDADE! Ao encerrar o 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e vencendo os prêmios de Melhor Filme, Direção de Arte e Ator Coadjuvante para Ramon Vane no 12º Fest Aruanda, a obra é um grito de vitória, de alerta, de socorro. A história acompanha Bené (Everaldo Pontes), um velho sábio que leva uma vida pacata no interior da Bahia e tem sua vida transformada ao descobrir uma doença aparentemente terminal e conhecer a jovem Letícia (Rita Carelli), que o convence a sentir o caos da cidade grande, onde esbarra com vários personagens peculiares. No meio disso, um asteroide se aproxima da Terra e pode desregular a ordem da gravidade na região da Baía de Todos-os-Santos. No meio disso e enquanto não chega a estreia do filme, vamos acompanhar a entrevista exclusiva do Cafezinho com Edgard Navarro:

Cafezinho: Onde o filme ABAIXO A GRAVIDADE se encaixa na sua filmografia e no cenário do cinema nacional?

Edgard Navarro: ABAIXO A GRAVIDADE é um filme da maturidade, quando os arroubos da juventude cedem lugar à reflexão, o remanso sucede a cachoeira… Enquanto o SUPEROUTRO anuncia um salto temerário sobre o abismo, Bené enfrenta suas crises existenciais com admirável temperança… Eu quisera ter conseguido muito mais equilíbrio do que de fato consegui na vida, bem assim na condução do processo de realização desse último filme… Mas o resultado final terminou sendo satisfatório; o filme responde a minhas demandas filosóficas e estéticas, além de atender a outras mazelas que começam a me acometer nessa quadra da vida. Com relação a minha filmografia, direi que cantei essa pedra desde o primeiro filme que realizei; minha solidão e agonia desde sempre estiveram presentes, mesmo nos momentos em que cheguei a acreditar no canto da sereia do sucesso… E quanto ao cinema nacional, creio que sempre fui e serei um bicho esquisito, um patinho feio, ícaro-pégaso inconcluso, às vezes desesperado; às vezes acho que fui até mais longe do que pensava ser possível; embora no íntimo ainda guarde uma certeza inútil do muito que sempre quis: eu nunca quis pouco, embora “parecesse ser modesto, juro que eu não presto, eu sou muito louco…” etc.

Rita Carelli em ABAIXO A GRAVIDADE


C: O filme é uma série de contrapontos e dicotomias. Fé e racionalidade, meio rural e cidade grande, as personagens duplas de Rita Carelli e até o próprio título. Afinal, você quis buscar um equilíbrio na narrativa ou expor realmente essas desarmonias?

EN: Ambas as coisas. A grande lição do universo é justamente essa: buscar o equilíbrio no paroxismo da crise, o silêncio em meio à balburdia e o repouso no movimento vertiginoso, por exemplo, dos astros, em sua aparentemente eterna dança em demanda do espaço infinito… essas grandezas são autocontraditórias, complementares, fazendo parte de um enigma que parece insolúvel, imposto pelas limitações de tempo e de espaço a que estamos sujeitos… ou seja, a vida é curta para tanto mistério… Acho que ao expor essas desarmonias eu estava me aproximando intuitivamente de uma verdade libertadora/dilaceradora que sempre me acenou do fundo de meu ser.


C: Sendo um filme sobre deslocamentos e transcendências, o que você próprio traz de sua vida pessoal para esse filme, no sentido de o que Edgard Navarro precisou deslocar e transcender para chegar no resultado da obra?

EN: Cascas de nós mesmos temos que deixar pra trás, se quisermos crescer ao longo desse efêmero fenômeno chamado vida; muitos de meus desejos, desenganos, frustrações, dores, desamparos, tive que me esforçar pra transformar em luz… E nesse momento tenho a sensação de que estou me repetindo… mas é como se tudo isso fosse necessário… e por alguma razão que não consigo penetrar… De qualquer maneira, entretanto, me resta como consolo a certeza de que as muitas cabeçadas e burrices que cometi me trouxeram, a duras penas, certa sabedoria, mesmo que precária; e que todos os descaminhos percorridos me ensinaram a caminhar esse caminho que é o meu, o único que me serve; o que trago de mais precioso talvez seja esse aprendizado constante que se faz com o sermos assumidamente errantes, até quando cedemos à tentação arrogante de nos proclamarmos donos da verdade… Pulsando entre o super homem e um verme filho-da-puta qualquer. Nesse sentido Bené traz muito de minha própria condição miserável diante do medo da velhice, dos sintomas e das doenças que me afetam e me ameaçam…

Everaldo Pontes em ABAIXO A GRAVIDADE


C: As questões do passado são bem recorrentes nos seus filmes. EU ME LEMBRO é uma busca nostálgica e ABAIXO A GRAVIDADE tem saudosismo. O que o passado representa para você e o que você carrega de seus filmes anteriores para criar esse novo?

EN: Uma vez no ginásio o psicólogo me mandou desenhar uma árvore; tratava-se de um teste de personalidade, acho; o curioso é que desenhei a árvore sem me deter muito no tronco, galhos, folhas; fiz como se a terra ao redor dela fosse transparente, como se se pudesse ver as raízes, e me detive nas raízes… o religioso (era um colégio de padres) me disse que eu era muito preso ao passado… isso me acorreu ao espírito agora… talvez eu seja mesmo vítima de um passado em que os grandes traumas ocorreram… me lembro que optei por ignorar aquele mundo (que era sórdido) e apostei todas as minhas fichas na inocência, na poesia, no amor (quase sempre idealizado)… como era de se esperar, dei com os burros n’água; me lembro de ter ouvido muitas vezes essa frase: “se feche!” pronunciada num tom de ameaça e com evidente desprezo; dirigida a mim ou a outros circunstantes que aparentassem certa falta de malícia, certa singeleza, ou bomocismo… O fato é que continuo desse mesmo lado do mundo; pior pra mim e meus iguais, pois hoje mentalidades estão migrando, a delicadeza e a sensibilidade passa a ser tratada como coisa de tolos e de fracos… ou coisa pior.

Cena de ABAIXO A GRAVIDADE


C: O que você poderia definir como características típicas de um genuíno cinema “navarriano”? A esculhambação, talvez, como você constantemente fala em entrevistas?

EN: Acho que uma mistura radical de elementos opostos, tipo aspirar a alturas celestiais enquanto chafurda na lama… Acho que tenho sido um misturador de tintas fortes, criador de contrastes berrantes, talvez na crença/esperança de que o escândalo produzido nos espíritos de homens medianos sejam a única forma de deslocá-los (literalmente: tirá-los da loca); possa o choque assim produzido acordá-lo pra uma vida plena a que todos estaríamos destinados; daí uma certa compulsão minha de acordar a humanidade dessa suposta letargia malfazeja. Mas começo a achar que isso é uma tara minha, algo como uma ilusão que acalento como remédio contra a mediocridade a que todos estaríamos condenados… um sonho bonito, apenas. Será?


C: Você foi um artista e um estudante no meio da ditadura militar e estamos na iminência de uma possível nova repressão. Você acha que o cinema deveria ter uma contribuição mais forte no debate sobre a política nacional? Como seu cinema esbarra na nossa política brasileira?

EN: Os tempos atuais são desanimadores em nosso país e no mundo; como disse antes, influenciada por uma onda nefasta de machismo as mentalidades migram pra condenar a delicadeza e a sensibilidade como sendo coisa de tolos e fracos… a roda do tempo está dando um retrocesso de 50 anos e voltamos a ser ameaçados pelos dobermanns com violência e brutalidade; o cinema pode, sim (e deve) contribuir no sentido de uma crítica inteligente e tenaz da política imoral e da estupidez vigente… os artistas são portadores de uma luz poderosa, capaz de reacender a esperança e outros valores e virtudes; “basta ser sincero e desejar profundo e você será capaz de sacudir o mundo, vá: tente outra vez!”


C: Por fim, é possível pensar em um progresso no cinema nacional e no cinema da Bahia, apesar das diversas intempéries que a cultura vem sofrendo?

EN: Sim, sempre é possível acreditar em saídas para as crises, existe mesmo uma corrente que acredita que na crise o gênio humano se reinventa e produz coisas maravilhosas… ou seja, a crise produz seu próprio antídoto. A vocação primordial do ser humano é em demanda da luz e da alegria, do prazer, da felicidade, da paz, harmonia, do amor… enfim. Mais uma vez Chico cabe como uma luva: “apesar de você amanhã há de ser outro dia”.

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CINE FOLHETIM FÊNIX #12 https://www.ocafezinho.com/2019/05/09/cine-folhetim-fenix-12/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/09/cine-folhetim-fenix-12/#respond Thu, 09 May 2019 16:57:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94518

Queridos parceiros e espectadores,

Está chegando e já chegou! A GRANDE DAMA DO CINEMA vem dobrando a esquina, enquanto BORRASCA arrasa na primeira semana! Além disso, trazemos celebrações diversas do cinema nas linhas abaixo: são as joias de O GRANDE GATSBY, são os 95 anos do clássico da comédia muda SHERLOCK JR., são Edgard Navarro e Jorge Furtado sendo reconhecidos pelos seus curta-metragens, são dois grandes diretores franceses encerrando Cannes e é O PRÓPRIO CANNES CHEGANDO SEMANA QUE VEM, junto com a grande dama. Apesar das intempéries, esse ainda é um ótimo momento para vivermos o cinema!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

5 motivos para assistir A GRANDE DAMA DO CINEMA no dia 16 de maio

  1. O filme é o retorno triunfal de um dos maiores cineastas argentinos: o vencedor do Oscar Juan José Campanella, cujo último lançamento foi a animação UM TIME SHOW DE BOLA, há seis anos;
  2. Essa é a consagração de Graciela Borges, reconhecida pela revista francesa Vogue como “a maior atriz do cinema argentino”, contando com mais de 70 atuações em seus mais de 60 anos de carreira. Ela é tipo uma Fernanda Montenegro ou Meryl Streep da Argentina;
  3. Essa é a segunda parceria entre Campanella e os atores Nicolás Francella e Luis Brandoni, que trabalharam juntos anteriormente na série EL HOMBRE DE TU VIDA. Além disso, lembra do parceiro de tela de Ricardo Darín em O SEGREDOS DOS SEUS OLHOS? Aquele é Guillermo Francella, pai de Nicolás. Não esperamos menos do que talento de pai e filho nesse novo filme;
  4. O filme entrou na lista do La Nacion, um dos portais de notícia mais importantes da Argentina, como o filme mais aguardado de 2019 e já está recebendo crítica valiosíssimas que enaltecem o trabalho da direção e do elenco inteiro;
  5. A estatueta dourada que Mara Ordaz, personagem de Graciela Borges, ostenta em A GRANDE DAMA DO CINEMA é a mesma estatueta do Oscar que Campanella ganhou por O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, em 2010.

BORRASCA continua em cartaz!

Repetindo o sucesso da última semana, BORRASCA segue firme nos cinemas de oito cidades. Os horários e locais das sessões estão logo aqui embaixo:

CAMPANELLA n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho trazemos a terceira parte da história do cineasta Juan José Campanella! Focando em CLUBE DA LUA, terceira parceria do diretor com Ricardo Darín, e no sucesso que mudou a Argentina após o lançamento de O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, o artigo pode (e deve) ser lido no link que estava logo aqui embaixo:

Ilha das Flores é eleito o melhor curta-metragem brasileiro da história

O HOMEM QUE COPIAVA, SANEAMENTO BÁSICO – O FILME, O MERCADO DE NOTÍCIAS… com esses e mais filmes, o gaúcho Jorge Furtado é visto como um dos maiores expoentes do cinema brasileiro; e, nessa semana, seu documentário ILHA DAS FLORES foi eleito, pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, como o melhor curta-metragem brasileiro da história do cinema. Vencendo o Urso de Prata no 40º Festival de Berlim, hoje o filme comemora 30 anos de lançamento que segue a coleta de lixo de Porto Alegre, virando consequentemente símbolo de denúncia ao sistema de descarte. Em sétimo e em trigésimo lugar, na lista, ficaram SUPEROUTRO e O REI DO CAGAÇO, ambos de Edgard Navarro, cineasta baiano cujo novo longa-metragem, ABAIXO A GRAVIDADE, será distribuído pela Fênix Filmes a partir do dia 20 de junho, nos cinemas.

THE SPECIALS encerrará o Festival de Cannes

Faltando menos de uma semana para começar o maior festival de cinema do mundo, Cannes finalmente divulgou o filme que encerrará a mostra, no dia 25 de maio: THE SPECIALS (no original, HORS NORMES). Comédia dramática dirigida por Éric Toledano e Olivier Nakache, dupla responsável pelo sucesso INTOCÁVEIS, a trama gira em torno de dois educadores especializados em cuidar de jovens autistas na França.

Por que Hollywood produz tanto remake de filmes?

“Hollywood está sem ideias”. Essa frase é sempre repetida nas rodas de conversa entre críticos, especialistas de cinema e cinéfilos, em clima de descontentamento com a quantidade de remakes que o cinema hollywoodiano faz. A fim de esclarecimento, remake é quando o estúdio pega um filme, um programa de televisão ou algo que já foi feito e grava uma nova versão, às vezes atualizada, de uma história antiga; por exemplo, NASCE UMA ESTRELA recebeu roupagem diferencial pela quarta vez ano passado, agora com a cantora Lady Gaga como protagonista. Mas por que Hollywood dá tanta atenção para esses remakes? Seria falta de ideias originais no cinema? Não. Naturalmente, todo ano são escritos milhares de roteiros com bastante criatividade e narrativas inovadoras, mas acaba sendo arriscado confiar milhões de dólares em projetos que podem não ter o devido retorno. Nos remakes, existe a vantagem do marketing natural, o que é algo relativamente mais barato: há um conceito já embutido e conhecido do público, há a questão da nostalgia atrelada às histórias antigas que são adaptadas para o contexto atual e o próprio público se sente à vontade para apostar seu tempo e seu dinheiro numa zona de conforto de já saber o que está indo assistir nas salas de exibição. O problema é quando esses remakes acabam saindo ruins, como visto na foto acima: BEN-HUR foi um fracasso de crítica e de bilheteria e PSICOSE é considerado um desrespeito ao clássico de Hitchcock. Por isso, o portal Medium escreveu uma lista com alguns motivos para tentar justificar a necessidade de um remake: 1. Se ajudar a atualizar uma história muito velha / 2. Se for para corrigir os erros dos filmes originais, como questões sexistas ou racistas / 3. Para refazer uma bilheteria alta / 4. Recriar a narrativa com um elenco mais comercializável / 5. Se é uma adaptação local de um filme estrangeiro / 6. Se os efeitos especiais estão ultrapassados pelo avanço da tecnologia, tal qual KING KONG / 7. Para dar um visual mais moderno ao “preto e branco”, como foi feito com SCARFACE. Então, mesmo que esse assunto seja bem subjetivo, ainda é uma questão de ponto de vista quanto à necessidade de um remake; o consenso é que o dinheiro sempre pauta as decisões dos estúdios.

95 anos de SHERLOCK JR.

Há uma rixa entre os fãs de Charlie Chaplin e de Buster Keaton: o primeiro é muito mais famoso, mas o outro também conquistou uma legião que segue-o fielmente. O fato é que ambos são mestres do cinema mudo, mas exatamente hoje o que completa 95 de lançamento é o clássico atuado e dirigido por Buster Keaton. Sendo eleita pela American Film Institute como uma das 100 melhores comédias de todos os tempos, SHERLOCK JR. conta a história de um projecionista de cinema que se apaixona por uma moça enquanto estuda para ser detetive e, para resolver um roubo em que foi incriminado, pega no sono, entra no mundo dos filmes e se torna o segundo maior detetive do mundo. O filme tem apenas 45 minutos de duração, mas a narrativa mistura riso com inteligência e um rigor técnico que praticamente não existe mais ultimamente, além de ser uma adorável obra metalinguística da era muda do cinema. Se existe um filme que merece ser comemorado nesse dia 09 de maio, é SHERLOCK JR.!

As jóias de O GRANDE GATSBY

O filme tinha Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire no elenco, mas quem brilhou mesmo no remake de O GRANDE GATSBY, lançado em 2013, foram as joias que fizeram a mistura entre cinema e moda explodir de uma forma quase nunca vista. A figurinista e designer de arte Catherine Martin ganhou 2 Oscars em cada uma dessas categorias ao trazer para o terceiro milênio o glamour dos anos 20, inspirando-se na Art Déco, movimento artístico dessa época que juntava estilos modernistas com habilidade fina e materiais ricos para atribuir luxo e exuberância às peças. O curiosidade de sua criação é que todas os adornos usados no filme, tanto pelas atrizes, quanto pelos atores, foram produzidos pela Tiffany, maior empresa do ramo de comércio de joias, e essa informação só foi divulgada poucos dias antes da estreia do filme na abertura do Festival de Cannes de 2013. Custando entre 1800 e 4700 reais, os colares, brincos e anéis exuberavam diamantes lapidados e pérolas melindrosas que nunca saíram de moda, portanto se inspira nas joias de O GRANDE GATSBY e sinta o glamour do Art Déco dos anos 20!

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Era uma vez… o cineasta Juan José Campanella – Parte 3 https://www.ocafezinho.com/2019/05/08/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-3/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/08/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-3/#comments Wed, 08 May 2019 19:10:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94512 2 Comentários 🔥]]> Victor Lages, pela Fênix Filmes

Era uma vez uma lua e os olhos. Mas antes, nos textos anteriores, tivemos a infância, os primeiros filmes, o início da parceria com Ricardo Darín e a primeira indicação do diretor e roteirista Juan José Campanella e, nesta terceira parte da série sobre o cineasta, exploramos mais duas facetas suas: a da saudade e a do suspense.

Cena de CLUBE DA LUA

Se O FILHO DA NOIVA trazia um drama emotivo com pano de fundo político, CLUBE DA LUA, lançado em maio de 2004, era um filme político com cara de drama. Retratando a triste realidade de um centro cultural e esportivo de Buenos Aires, o clube Luna de Avellaneda, o filme traz o espaço como protagonista para mostrar seu passado glorioso com mais de oito mil pessoas até o início do século XXI com pouco mais de trezentos associados.

Darín interpreta aqui Román, um diretor do clube que é agraciado com um título de sócio vitalício por ter nascido durante uma festa nos bons tempos do local. Tendo um carinho imenso pelo lugar, Román tenta uma ressurreição do Clube da Lua, enquanto luta para superar suas crises financeiras, amorosas e familiares. Ou seja, mais uma vez, Campanella foca em pessoas normais, em seus problemas cotidianos, em meio à vivências sociais na Argentina contemporânea.

Cena de CLUBE DA LUA

Como ressaltou, certa vez em entrevista, para o diretor: “Existe um painel político muito complexo hoje no meu país. Tão complexo que não me deixa alternativas quando penso em possíveis líderes políticos que temos para escolher. Meus primeiros longas exibidos no Brasil, como O filho da noiva, incorporavam análises sobre a crise econômica porque estavam sintonizados com o momento histórico do meu país, na virada dos anos 1990 para os 2000. O segredo de seus olhos tinha uma observação clara sobre a tensão democrática porque era baseado num livro, “La pregunta de sus ojos”, de Eduardo Sacheri, que foi o roteirista. Respeitei a visão de Sacheri com a preocupação única de mostrar que o totalitarismo pode aparecer mesmo durante uma gestão democrática, sem militares no poder”.

Cena de O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

Em O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, é retratada a vida de Benjamin Espósito (também Darín), um oficial de justiça aposentado, que quer apenas escrever um romance sobre um crime real que vivenciara décadas antes, o roteiro entra numa pegada noir e cheia de camadas e reviravoltas. Indo e voltando no tempo, esse thriller é construído também com personagens profundos e cativantes, como Pablo, fiel assistente de Benjamin, e Irene, paixão do oficial nunca confessada. Mas, se pudéssemos escolher uma única cena para enaltecer aqui, seria a clássica do estádio de futebol. De imensa plasticidade técnica e impecável direção, a cena toda segue num plano-sequência (algo até orgástico para os cinéfilos) que se passa durante uma comemoração de um gol e uma perseguição intensa.

A propósito, esse momento não entraria inicialmente no filme. Quando Campanella e o escritor Eduardo Sacheri estavam a redigir o roteiro, o segundo achava inverossímil que um foragido da polícia fosse a um estádio lotado só para ver seu time do coração jogar. Mas, como explica o personagem Pablo, “o sujeito pode mudar de cara, de família, de namorada, de Deus. Mas há uma coisa que não pode mudar: de paixão”. Pois em 2017, oito anos depois do lançamento do filme, mais de 217 foragidos foram localizados nos estádios de futebol a partir de um sistema da polícia; a maioria sabia que estava sendo procurado, mas não podiam deixar de ver o jogo do seu time do coração.

Pois bem. Se com O FILHO DA NOIVA, Campanella já criava uma série de espectadores fieis em seu país natal, foi com O SEGREDO DOS SEUS OLHOS que ele acarretou uma legião ao redor do mundo inteiro. A Argentina toda vibrou quando, em 07 de março de 2010, os diretores Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino anunciaram o título do filme como vencedor da categoria Melhor Filme Estrangeiro na 82ª cerimônia do Oscar. Colocado instantaneamente como um dos melhores filmes do século XXI, a obra atraiu a atenção, com muitos atributos positivos, para o cinema que estava sendo feito nos últimos anos ali, sendo considerado um dos melhores da América Latina. A HISTÓRIA OFICIAL, de Luis Puenzo, ganhara o Oscar em 1985 e virava o maior marco do cinema local, e Campanella conseguiu resgatar, 15 anos depois, a boa fama do audiovisual portenho.

A Argentina e seu cinema mudaram com O SEGREDO DOS SEUS OLHOS. Mas e o próprio diretor? Questionado sobre o que havia de diferente na sua vida após sua vitória no Oscar, apenas disse: “O que muda é que tenho sentido mais responsabilidade. Nos quatro filmes que fiz anteriormente, falei de muitos temas. E tudo o que fazia parecia que eu já havia tocado essa música. Agora tenho um novo tema na minha vida que é a sensação de mortalidade, coisa que eu não tinha com 40 anos”.

Campanella ganhando o Oscar em 2010

Em 2013, lançou uma animação e, na próxima semana, chega sua primeira comédia propriamente assumida: A GRANDE DAMA DO CINEMA. Mas isso é assunto para a última parte dessa série de textos sobre o grande cineasta argentino Juan José Campanella!

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Trailer oficial de ABAIXO A GRAVIDADE – Em junho nos cinemas! https://www.ocafezinho.com/2019/05/03/trailer-oficial-de-abaixo-a-gravidade-em-junho-nos-cinemas/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/03/trailer-oficial-de-abaixo-a-gravidade-em-junho-nos-cinemas/#respond Fri, 03 May 2019 16:33:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94386 Está no ar o trailer oficial de ABAIXO A GRAVIDADE, terceiro longa do diretor baiano Edgard Navarro, que acompanha a trajetória de Bené (Everaldo Pontes), um velho sábio e curandeiro que vive uma vida pacata no Capão, na Chapada Diamantina, onde conhece Letícia, jovem grávida por quem se apaixona. Algum tempo depois do parto (que ele mesmo faz) a moça volta para Salvador e ele a segue com o pretexto de cuidar da própria saúde. Na capital, Bené se divide entre Letícia e sua irmã bipolar, Malu, ambas interpretadas por Rita Carelli, ao mesmo tempo em que se depara com vários personagens, entre eles Maisselfe (Bertrand Duarte), um classe-média em crise; o irascível Galego (Ramon Vane) e o sonhador Mierre (Fabio Vidal), enquanto um asteroide denominado Laetitia se aproxima da terra e poderá provocar a perda momentânea de gravidade na região da Baía de Todos-os-Santos.
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Trailer oficial de A GRANDE DAMA DO CINEMA – 16 DE MAIO NOS CINEMAS! https://www.ocafezinho.com/2019/05/03/trailer-oficial-de-a-grande-dama-do-cinema/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/03/trailer-oficial-de-a-grande-dama-do-cinema/#respond Fri, 03 May 2019 16:25:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94383 Com enorme satisfação e felicidade, presenteamos-vos com esse belíssimo trailer oficial de A GRANDE DAMA DO CINEMA, do cineasta Juan José Campanella, que chega em maio aos cinemas da América Latina, incluindo o Brasil! O nono longa-metragem do diretor argentino conta a história de uma antiga estrela do cinema que firma uma amizade improvável com um ator nos últimos anos de vida, um roteirista frustrado e um diretor das antigas para preservar o universo lúdico que criaram dentro de uma mansão clássica utilizada nos seus filmes da era de ouro; no entanto, dois jovens chegam ao local querendo comprar o espaço e podem colocar tudo a perder, mas os artistas não entregarão seu legado sem antes tomar algumas medidas drásticas.
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CINE FOLHETIM FÊNIX #11 https://www.ocafezinho.com/2019/05/02/cine-folhetim-fenix-11/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/02/cine-folhetim-fenix-11/#respond Thu, 02 May 2019 18:07:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94351

Queridos parceiros e espectadores,

Maio começou ontem, mas já traz aqui, no seu segundo dia, uma newsletter tão cheia de informações e novidades que até parece fim de mês! Para começar, trazemos o pôster nacional e o trailer oficial de… A GRANDE DAMA DO CINEMA! Sim, caros cinéfilos, Juan José Campanella (que ganhou o Oscar por O SEGREDO DOS SEUS OLHOS) está de volta e com tudo nessa comédia sobre o mundo perverso dos filmes! Além disso, anunciamos que BORRASCA está no meio de nós! Se você quer assistir a um drama em que os diálogos e as atuações reinam, confia na gente e vai assisti-lo! Além disso, celebramos 43 anos de lançamento do clássico jornalístico TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE e as armações atemporais em formato de coração dos óculos de LOLITA, sem falar na divulgação do Júri Oficial do Festival de Cannes e em colocarmos à mesa a explicação do que é o Prêmio Framboesa de Ouro, dado para os piores filmes do ano. Humor, drama, arrepio, óculos, Cannes, amor, tudo está aqui, nas linhas abaixo feitas por quem ama cinema e para quem ama assisti-lo!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

BORRASCA estreia hoje!!!

Para quem estava ansioso para a chegada de BORRASCA, pode sossegar o coração: ele está no meio de nós! Estrelado por Mário Bortolotto e Eldo Mendes, o filme conta a história de dois amigos: um escritor amargurado e um piloto de helicópteros, respectivamente, que conversam, em uma noite fria e chuvosa, logo após a morte de um terceiro amigo. Exibido no 13º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, BORRASCA tem direção de Francisco Garcia, com produção da Kinoosfera Filmes e Desvio Filmes, e está sendo lançado pela Fênix Distribuidora hoje mesmo. Os horários e locais das sessões estão logo aqui embaixo:

CIDADECINEMASALAHORÁRIO
Rio de JaneiroEspaço Itaú BotafogoSALA 220h30
São PauloEspaço Itaú de Cinema – AugustaSALA 416h20h
Belo HorizonteCine Belas ArtesSALA 318h
CuritibaEspaço Itaú de CinemaSALA 219h40
Porto AlegreEspaço Itaú de CinemaSALA 819h20
BrasíliaEspaço Itaú de CinemaSALA 621h50
SalvadorEspaço Itaú de CinemaSALA 417H10
SantosEspaço Itaú de CinemaSALA 319h20
Balnerário CamboriúCinemaramb Arthouse20h
PalmasCine Cultura21h30

10 motivos para assistir BORRASCA

  1. O filme é adaptado da peça de teatro homônima, escrita por Mário Bortolotto, ator, diretor, dramaturgo, escritor e compositor. Escrevendo para o teatro desde 1981, em 2000 ele recebeu um prêmio pelo conjunto da obra e o Prêmio Shell de Melhor Autor;
  2. É dirigido por Francisco Garcia, que já ganhou prêmios nacionais e internacionais pelos seus curtas-metragens em 35mm: DESEQUILÍBRIO, NANOILUSÃO e A CAUDA DO DINOSSAURO;
  3. Seu longa-metragem CORES foi selecionado para mais de 25 importantes festivais nacionais e internacionais, como 60º San Sebastian Film Festival, Festin Lisboa 2014, entre outros. O filme também foi lançado comercialmente nos cinemas e em DVD no Japão e França;
  4. BORRASCA já ganhou prêmios de melhor ator nos festivais Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira 2016 e em CinePE 2017;
  5. A dupla que atua no filme é a mesma da peça de teatro: Mario Bortolotto e Francisco Eldo Mendes. Ou seja, já dá para esperar uma química maravilhosa entre eles que já vem de anos;
  6. O filme foi todo gravado em duas noites, de modo a trazer tanto a exaustão aos personagens, quanto a remeter a ideia de tempo entre os protagonistas;
  7. As gravações foram feitas em um único cômodo, sendo realmente uma narrativa toda construída a partir de diálogos afiados e atuações arrepiantes;
  8. O filme tem inspirações nos longas DEUS DA CARNIFICINA, de Roman Polanski, e EXPRESSO DO POR-DO-SOL, de Tommy Lee Jones, reconhecidas obras teatrais que também foram adaptadas ao cinema e que conquistaram públicos do mundo inteiro;
  9. BORRASCA é produzido pela KINOOSFERA FILMES, que já atingiu mais de 30 países no circuito comercial de salas de cinema, televisão e VOD com a produção de 5 longas e 16 curtas;
  10. A fala icônica do diretor Francisco Garcia: “Sempre propus construir uma filmografia pelo desejo de realizar um filme que me movia naquele momento, e isso vou continuar fazendo. Acredito na pluralidade e diferenças nos tipos de filmes e temas para a cinematografia de um país. Essa é riqueza do cinema nacional. Riqueza de olhar e de sentimento”.

Divulgado pôster nacional e trailer oficial de A GRANDE DAMA DO CINEMA

Com enorme satisfação e felicidade, presenteamos-vos com esse belíssimo pôster nacional de A GRANDE DAMA DO CINEMA, do cineasta Juan José Campanella, que chega em maio aos cinemas da América Latina, incluindo o Brasil! O nono longa-metragem do diretor argentino conta a história de uma antiga estrela do cinema que firma uma amizade improvável com um ator nos últimos anos de vida, um roteirista frustrado e um diretor das antigas para preservar o universo lúdico que criaram dentro de uma mansão clássica utilizada nos seus filmes da era de ouro; no entanto, dois jovens chegam ao local querendo comprar o espaço e podem colocar tudo a perder, mas os artistas não entregarão seu legado sem antes tomar algumas medidas drásticas.

Além disso, trazemos ainda no link abaixo o trailer oficial divulgado essa semana:

Lançado trailer oficial de ABAIXO A GRAVIDADE

Está no ar o trailer oficial de ABAIXO A GRAVIDADE, terceiro longa do diretor baiano Edgard Navarro, que acompanha a trajetória de Bené (Everaldo Pontes), um velho sábio e curandeiro que vive uma vida pacata no Capão, na Chapada Diamantina, onde conhece Letícia, jovem grávida por quem se apaixona. Algum tempo depois do parto (que ele mesmo faz) a moça volta para Salvador e ele a segue com o pretexto de cuidar da própria saúde. Na capital, Bené se divide entre Letícia e sua irmã bipolar, Malu, ambas interpretadas por Rita Carelli, ao mesmo tempo em que se depara com vários personagens, entre eles Maisselfe (Bertrand Duarte), um classe-média em crise; o irascível Galego (Ramon Vane) e o sonhador Mierre (Fabio Vidal), enquanto um asteroide denominado Laetitia se aproxima da terra e poderá provocar a perda momentânea de gravidade na região da Baía de Todos-os-Santos.

Quem quiser assistir a esse trailer que está de arrepiar, o link está bem aqui embaixo:

Começa a parceria entre Fênix e Ui! Gafas

Cinema é aquele arrepio nos olhos. Cinema é a pupila acesa dizendo “obrigado por esses sentimentos”. Cinema é a entrada na alma por meio da visão. Cinema é a ponte entre os olhos e o coração. Se cinema é tudo isso, então não é difícil entender porque Ui! Gafas, a ótica online mais queridinha do Brasil, e a Fênix Filmes estão se juntando para que maio seja o mês mais especial do seu ano.

Por isso, nos próximos 31 dias, a Ui! Gafas e a Fênix serão movidas pelo mais puro amor ao cinema, a fim de nos colocarmos dentro de um dos maiores eventos cinematográficos do Brasil: O Festival de Brasília! Além disso, em 2019 realizaremos um grande feito na 72ª edição do Festival de Cannes: uma websérie que revelará o dia-a-dia do evento! As personalidades, os estilos, as expressões culturais, tudo daquele entorno será revelado para nossos espectadores! Mais do que uma websérie, o projeto será uma experiência única para desvendar o cotidiano frenético de filmes, tapete vermelho, celebridades, decisões, festas e reuniões. O grande público terá, em primeira mão, a possibilidade de matar a curiosidade do que ocorre no grandioso e encantador Festival de Cannes visto por vários ângulos e por várias lentes! Fiquem de olhos bem abertos para o que virá!

CAMPANELLA n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho trazemos a segunda parte da história do cineasta Juan José Campanella! Nessa sequência, acompanhamos o começo da parceria do diretor com o ator Ricardo Darín, seu percurso pelas séries de tevê e sua primeira indicação ao Oscar por O FILHO DA NOIVA (foto). Acompanha essa caminhada dele que segue com essa Parte 2 no link abaixo:

Anunciado Júri Oficial do Festival de Cannes 2019

O Festival de Cinema de Cannes anunciou, na última segunda-feira, o júri completo da 72ª edição do evento. Há algumas semanas, já haviam divulgado que a equipe seria presidida pelo cineasta mexicano Alejandro Gonzales Iñarritu. Agora, juntam-se a ele a atriz Elle Fanning, a atriz e diretora Maimouna N’Diaye de Burkina Faso, o diretor americano Kelly Reichardt, a cineasta italiana Alice Rohrwacher, o autor francês Enki Bilal, o cineasta francês Robin Campillo, o diretor Yorgos Lanthimos da Grécia e o polonês Paweł Pawlikowski. A torcida da Fênix é que o longa italiano com co-produção brasileira O TRAIDOR, de Marco Bellocchio, saia o grande vencedor dessa edição!

Você conhece o prêmio Framboesa de Ouro?

Oscar? Cannes? Sempre ficamos empolgados com esse período de festivais e premiações. Mas e se existisse um prêmio que “celebrasse” os piores filmes de cada ano? Pois bem, existe! Criado em 1980 pelo crítico de cinema John Wilson, o Framboesa de Ouro é uma espécie de anti-Oscar, funcionando como uma provocação ao famoso prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Ao todo, compõem o júri 657 membros, entre jornalistas, cinéfilos e internautas, que se divertem escolhendo anualmente os piores atores, filmes e demais atributos audiovisuais. O engraçado também é ficar de olho nas categorias inusitadas, como Pior Dupla em Tela, Pior Remake e Prêmio de Redenção, para aqueles artistas que conseguem dar a volta por cima em suas carreiras. Agora em 2019, o filme HOLMES & WATSON “venceu” 4 categorias: Pior Filme, Pior Ator Coadjuvante (John C. Reilly), Pior Diretor (Etan Cohen) e Pior Remake. Mas um fato interessante aqui é que poucos atores costumam aparecer para receber seu prêmio, exceto Sandra Bullock que, em 2010, compareceu para ser prestigiada como Pior Atriz por MALUCA PAIXÃO e no dia seguinte ganhou o Oscar de Melhor Atriz por UM SONHO POSSÍVEL!

43 anos de TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE

Uma aula de jornalismo! Esse filme, dirigido por Alan J. Pakula, comemora 43 anos de seu lançamento exatamente hoje, mas continua contemporâneo como nunca, mesmo depois de tanto tempo. Estrelado por Dustin Hoffman e Robert Redford, TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE pode ser considerado um manual para qualquer jornalista que queira aprender sobre seu ofício, já que o filme explora o trabalho real de investigação de dois jovens repórteres do Washington Post que descobriram o escândalo de Watergate: em 1972, enquanto buscava a reeleição, o então presidente Richard Nixon mandou invadirem a sede do Partido Democrata, roubar algum dinheiro e instalar escutas telefônicas, o que acabou levando à sua renúncia após a divulgação das informações sigilosas. Em uma dinâmica intensa, o filme pode ser considerado uma obra eterna, trazendo um suspense político que é obrigatório não só aos estudantes de Comunicação Social, mas para todos que amam uma maravilha cinematográfica.

Óculos de LOLITA

Apesar de ser uma obra problemática e de dúbia interpretação, em 1962 o diretor Stanley Kubrick adaptou o clássico de Vladimir Nabokov para os cinemas: LOLITA estreava há 57 anos e marcava época com o par de óculos que a protagonista usava. Apesar de o filme ser cercado por detalhes no figurino que davam um estilo mais sexy à personagem, foram os óculos em formato de coração que ficaram eternizados nessa obra. Ainda hoje, o par continua mantendo o status de brincalhão com atrevimento e tons de sensualidade e, recentemente, as lentes voltaram ao auge, sendo bastante usadas por fashionistas, instagramers e cantoras como Lana Del Rey e Katy Perry, sem falar no revival que a loja francesa Yves Saint Laurent deu para a armação. Então, se você tem guardado esse modelo em casa, tira da gaveta e vai para a praia com ele nesse final de semana!

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Era uma vez… o cineasta Juan José Campanella – Parte 2 https://www.ocafezinho.com/2019/05/02/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-2/ https://www.ocafezinho.com/2019/05/02/era-uma-vez-o-cineasta-juan-jose-campanella-parte-2/#respond Thu, 02 May 2019 16:23:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94346 Victor Lages, pela Fênix Filmes

Era uma vez um amor, uma chuva e o mesmo diretor que falamos semana passada e seguimos explorando sua cinematografia nessa segunda parte da série sobre como Juan José Campanella é fundamental para o cinema argentino. No texto anterior, contamos sobre sua infância em Buenos Aires, a mudança de curso para estudar o mundo dos filmes e suas primeiras obras. Hoje, traremos o início de sua parceria com o brilhante ator Ricardo Darín e sua primeira indicação ao Oscar.

O ano era 1999. O segundo milênio estava acabando, Brasil ganhava de 4 a 2 da Argentina nos amistosos da Copa, o presidente argentino Carlos Menem assumia e passaria só um ano no posto, falecia o jornalista Adolf Bioy Casares e Campanella lançava seu quarto longa-metragem, o primeiro legitimamente nacional. Chegava aos cinemas, em 16 de setembro, O MESMO AMOR, A MESMA CHUVA.

Cena de O MESMO AMOR, A MESMA CHUVA

O filme era uma crônica que registrava o tradicional do modo de fazer do diretor: pessoas comuns que viviam pequenos dramas em meio à grandes transformações que aconteciam no país. Darín interpretava um escritor que sobrevivia como autor de contos românticos para uma revista e Soledad Vilamil era uma aspirante a pintora, ambos vivendo e se apaixonando pelas décadas de 70, 80 e 90, enquanto enfrentavam a Guerra das Malvinas e a busca pela redemocratização.

O que víamos nesse filme era uma gratificante experiência para o cinema argentino, cuja linguagem se fundava nas relações humanas e esse foi um dos motivos que fizeram o cineasta repensar sua carreira internacional. Em entrevista anos depois, disse que “depois de 14 anos morando nos Estados Unidos, comecei a sentir muita falta da Argentina e voltei em 1997. Aqui, me encontrei com Fernando Castets e o ator Eduardo Blanco, de quem sou amigo há muitos anos. Foi quando fizemos O MESMO AMOR, A MESMA CHUVA. Ao terminarmos o filme, no começo de 1999, percebi que queria ficar”. E o cinema só podia agradecer por isso, já que a obra venceu 8 prêmios da Associação de Críticos Argentinos e ainda foi indicado ao Kikito de Ouro no Festival de Gramado, sendo ainda exibido em Moscou e Oslo.

Campanella começou, então, a enveredar pelo mundo das séries de televisão, o que serviu para ir amadurecendo seu senso crítico e estético, mesmo que de forma diferenciada. Dirigiu três temporadas de STRANGERS WITH CANDY, comédia satírica que apostava no surreal para contar a história de uma ex-prostituta e ex-viciada que decidia retornar ao ensino médio aos 46 anos de idade; produziu a minissérie argentina de drama CULPABLES, que recebeu o prêmio Martín Fierro, um dos mais importantes do meio audiovisual do país; e retornou rapidamente à Nova York, cidade que ganhou seu coração, para dirigir um episódio especial de LEI E ORDEM, conceituadíssima série que já passa de 190 episódios.

Cena de STRANGERS WITH CANDY

Questionado, certa vez, sobre essa relação entre ser um diretor de cinema e ser um diretor de televisão, Juan José respondeu: “Eu não faço distinção. Os movimentos da câmera são muito diferentes, mas trabalhar com os atores é o mesmo modelo e a análise do roteiro é a mesma. Nos filmes, você pode permitir mais silêncio do que na tevê. A televisão é mais como os filmes “no rádio”, há muito medo de ter dois minutos sem palavras”.

E eis que chega 2001. O milênio tinha virado e todos sobrevivemos ao bug que ameaçou o mundo inteiro. Esse era o ano internacional da mobilização contra o racismo, discriminação racial, xenofobia e todas as formas de intolerância. É criada a maior fusão da mídia da história, George W. Bush toma possa da presidência nos Estados Unidos e Campanella lança seu maior filme de sucesso até então.

O FILHO DA NOIVA revivia a parceria entre o cineasta e Ricardo Darín, alcançando mais de 600 mil dólares de bilheteria só para os americanos a partir do maior questionamento que a narrativa levanta na cabeça dos espectadores: se vivemos num ritmo alucinante nesse milênio que chegou, até que ponto podemos lidar com essa velocidade sem deixarmos de lado o que realmente importa?

Cena de O FILHO DA NOIVA

Darín encarna, aqui, um homem de 42 anos, separado, pai de uma menina e que administra um restaurante construído por seus pais, agora idosos. Além da rotina frenética do estabelecimento, o personagem ainda precisa lidar com sua namorada, tentar ter uma boa relação com sua ex-esposa e sua filha e cuidar de sua mãe, que está enfrentando um Alzheimer, e de seu pai, que precisa de sua ajuda com essa doença.

Para o crítico Rodrigo Pereira, “recheado de grandiosas atuações, um ótimo roteiro e diversos momentos emocionantes (misturado de algumas cenas cômicas), O FILHO DA NOIVA é uma obra tocante e muito bem idealizada que expõe com maestria todos os problemas que podemos adquirir ao nos preocuparmos em excesso com trabalho e esquecermos de viver e nos importar com o que e com quem realmente importa”. Não por menos foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, perdendo para TERRA DE NINGUÉM, da Bósnia.

Mas Campanella mal sabia que, até o final da década, ainda ganharia seu prêmio especial… o que só será falado na próxima semana, quando traremos mais dois longas com a dobradinha Juan José-Ricardo e ainda a entrada do diretor no mundo das animações! Hasta luego!

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CINE FOLHETIM FÊNIX #10 https://www.ocafezinho.com/2019/04/29/cine-folhetim-fenix-10/ https://www.ocafezinho.com/2019/04/29/cine-folhetim-fenix-10/#respond Mon, 29 Apr 2019 13:41:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94204 Cine Folhetim Fênix 26/04/2019

Queridos parceiros e espectadores,

Hoje é sexta e isso quer dizer o que? Dia de cinema! Melhor ainda: dia de falar sobre cinema na mesa de bar, na saída da sala de exibição, nas conversas de whatsapp, na reunião com amigos, no jantar de família ou até sozinho (porque não?). Quer ser o centro das atenções em todos esses espaços? Pois chega falando sobre o vestido verde de cetim de DESEJO E REPARAÇÃO que foi eleito a peça vestuária mais bonita do cinema. Ou então sobre os 40 anos de lançamento de MANHATTAN, obra mais lírica de Woody Allen. Huuum, que tal então explicar qual é a diferença entre edição e mixagem de som? Daí para fechar com dignidade os papos, manda as novidades dos próximos filmes da Fênix: BORRASCA e A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS. Pronto! Lendo essa newsletter, você vai fazer muito sucesso nesse final de semana. De rien!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

Marcada pré-estreia de BORRASCA

Está marcada, para o próximo dia 30 de abril (terça-feira), a pré-estreia aberta do novo filme de Francisco Garcia: BORRASCA. Com sessão seguida de coquetel, a exibição será no CINEARTE PETROBRÁS, na Avenida Paulista, 2073, Conjunto Nacional. Serão só 300 lugares e a entrada é franca! Estrelado por Mário Bortolotto e Eldo Mendes, o longa-metragem conta a história de dois amigos: um escritor amargurado e um piloto de helicópteros que conversam em uma noite fria e chuvosa, logo após a morte de um terceiro amigo. Exibido no 13º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, BORRASCA tem produção da Desvio Filmes e Kinoosfera Filmes e será lançado pela Fênix Distribuidora no dia 02 de Maio nos cinemas.

Adiada estreia de A ÁRVORE DOS FRUTOS SELVAGENS

O belíssimo drama de Nuri Bilge Ceylan terá sua estreia adiada para o dia 06 de junho! Co-produção da Turquia, França, Alemanha, Bulgária, Bósnia, Katar e Suécia, o filme, repleto de filosofia, religião, política e dilemas morais, conta a história de Sinan, um aspirante a escritor que retorna à sua aldeia natal, após sua formatura na universidade, com a esperança de juntar o dinheiro que precisa para publicar o seu primeiro livro.

CAMPANELLA n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho trazemos a primeira parte da história do cineasta Juan José Campanella! Nesse início da série, contamos sobre seu nascimento e infância até sua mudança de curso e os primeiros passos no cinema. Acompanha essa caminhada dele que começa com essa Parte 1 no link abaixo:

Exibição de vencedores da Palma de Ouro na Casa do Saber Rio

O cineclube da Casa do Saber Rio, localizado no Shopping Leblon, oferece com frequência aos cinéfilos cariocas a oportunidade de assistirem a filmes clássicos e contemporâneos seguidos por debates conduzidos pelo curador e crítico de cinema Filippo Pitanga. De abril a junho, o tema da edição é “A Palma de Ouro da Casa do Saber Rio”, trazendo filmes que venceram o tão cobiçado prêmio do Festival de Cannes. Seguem abaixo os dias e horários das sessões dessa edição:

29 de abril, das 15h às 19h: O PAGADOR DE PROMESSAS, de Anselmo Duarte

27 de maio, das 15h às 19h: O PIANO, de Jane Campion

24 de junho, das 15h às 19h: ADEUS, MINHA CONCUBINA, de Chen Kaige

Você sabe a diferença entre edição de som e mixagem de som?

Todo ano, no Oscar, tem aquelas categorias que algumas pessoas acabam ignorando, mas que são de imensa relevância para o cinema. Duas delas são as entregues para os profissionais de som, fundamentais para que você, espectador, se sinta dentro do filme e, por isso, é tão importante que ambas as funções sejam diferenciadas e explicadas.

A edição de som é resultado do trabalho da equipe que vai lá no set de filmagem munido de microfones, cabos, lapelas e booms (aqueles microfones compridos); durante a gravação, eles posicionam esses aparelhos para que o som seja captado da melhor forma possível, dos diálogos dos atores aos ruídos de fundo, como também os barulhos de explosões, os estampidos de tiros etc.

Já os mixadores de som são os profissionais que, durante a pós-produção, adicionam mais sons às cenas prontas, finalizando-as: adicionam outros sons necessários (como um soco), potencializam os que já existem (como as explosões de bombas) e sincronizam a trilha sonora com a imagem perfeitamente.

Nesse ano, o grande vencedor das duas categorias foi o filme BOHEMIAN RHAPSODY, longa que conta a história de ascensão do cantor Freddie Mercury. A obra ganhou por misturar as vozes do ator com a do músico, encaixando os dois tons, bem como inserindo capturas de áudio dos shows originais da banda Queen, fazendo com que o público ache que são partes inéditas.

40 anos de MANHATTAN

Refletindo sobre a vida, o amor por uma cidade e a constante procura por alguém, MANHATTAN completa 40 anos de lançamento. Sendo o primeiro filme em preto e branco de Woody Allen, o longa acaba sendo um dos mais líricos do autor, representando Nova York em todas as suas nuances, bem como parte das muitas facetas humanas que nela habitam ou que por ela passam. Sendo um homem recém-divorciado que tem seus segredos do casamento revelados em um livro escrito pela ex-esposa, Isaac (Allen) começa um relacionamento ilegal com uma garota de 17 anos. Com isso, o diretor e roteirista que tem 55 filmes em seu currículo, lançando quase um por ano, transforma em audiovisual praticamente uma carta de amor à cidade e aos seus habitantes, colocando em imagens as três coisas mais almejadas por todos nós: ser feliz, amar e ser amado, olhando para esses anseios e lamentando pela falta de cada um deles.

O vestido verde de DESEJO E REPARAÇÃO

Em 2008, esse vestido longo verde de cetim do filme DESEJO E REPARAÇÃO, que coube perfeitamente na atriz Keira Knightley, foi eleito a roupa mais bonita do cinema, realizada pela revista britânica InStyle; a peça desbancou o clássico Givenchy de BONEQUINHA DE LUXO (que já divulgamos aqui) e o vestido branco de Marilyn Monroe no longa O PECADO MORA AO LADO. Não por menos. Mesmo com 12 anos que o filme foi lançado, algumas das coisas que o público mais lembra de DESEJO E REPARAÇÃO é da performance da jovem Saoirse Ronan e do figurino desenhado pela vencedora do Oscar Jaqueline Durran. O vestido contempla tanto elementos da época (a Londres dos anos 30), quanto é inconfundivelmente moderno, na composição do tom particular de verde; há também uma mística em torno da peça, apropriada para esse filme mergulhado na neblina da memória e na ambiguidade que o final do filme nos delicia. Réplicas do vestido foram vendidas por valores absurdos, como 30 mil dólares, devido à fragilidade do tecido, que acaba causando mais êxtase à peça. Segundo a figurinista, em entrevista, “o diretor [Joe Wright] deu algumas instruções: o vestido deveria ter movimento na bainha e ser decotado, para expor também as joias, além de ter as costas nuas, ser leve por ser usado em um dia muito quente de verão e que deveria ser verde, mas sem especificidade do tom”. De fato, a peça é icônica, mas não foi dessa vez que Durran ganhou o Oscar; perdera em 2008 para ELIZABETH: A ERA DE OURO, mas ganhou em 2013 por ANNA KARENINA, que contam também com a atriz Keira Knightley e o diretor Joe Wright. Tem algum vestido ou roupa verde em casa? Se inspira em DESEJO E REPARAÇÃO e sai nas ruas deslumbrante assim!

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Era uma vez… o cineasta Juan José Campanella – Parte 1 https://www.ocafezinho.com/2019/04/26/era-uma-vez-o-genio-cineasta-juan-jose-campanella-parte-1/ https://www.ocafezinho.com/2019/04/26/era-uma-vez-o-genio-cineasta-juan-jose-campanella-parte-1/#respond Fri, 26 Apr 2019 14:46:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=94189 Victor Lages, pela Fênix Filmes

Era uma vez um domingo invernal de Buenos Aires, 19 de julho de 1959. Nascia ali, filho caçula de uma das gerações de descendentes ibero-imigrantes que se estabeleceram na Argentina há séculos, Juan José Campanella, um nome a ser lembrado, um homem que viraria um dos maiores diretores da América Latina. Em algumas décadas, ele iria vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, trabalhar com o ator Ricardo Darín, dirigir animação em 3D, ser homenageado no Festival de Gramado, ganhar dois Emmy (o Oscar das séries de tevê), sair vitorioso 5 vezes no Festival de Cinema de Havana e ser aclamado por ser um dos principais cineastas a impulsionar o audiovisual argentino ao ponto de ser considerado o mais importante da América do Sul.

Mas, em 1959, ainda era apenas o filho de Luísa, dona de casa que morava ao lado dos Estúdios San Miguel e fugia do lar todo dia para ver as filmagens no mundo do cinema. Também era filho de Delfor, um bem-sucedido engenheiro que valorizava a razão e o intelecto. Na infância, seu lazer era dividido entre idas semanais às matines dos cinemas locais, brincar com os vizinhos e ler histórias em quadrinhos. E, numa dessas idas ao cinema, aos quatro anos de idade, assistiu TULIPA NEGRA, de Christian-Jaque. Por não entender as legendas, ia criando a própria história na cabeça baseado no que via. E foi aí que os olhos de Campanella ganharam um novo horizonte, que ainda demoraria a ser explorado.

Com 18 anos, seguiu a carreira do pai e iniciou a faculdade de Engenharia Eletrônica na Universidade de Buenos Aires, mas não durou. Ao tentar relembrar o ano de 1977, não consegue definir se foi o musical de Bob Fosse O SHOW DEVE CONTINUAR ou o drama natalino A FELICIDADE NÃO SE COMPRA, de Frank Capra, que o fez largar o curso, comprar uma câmera Super 8, um livro de instruções para operar a máquina e fazer seu primeiro filme. Ambas as obras deram um tremendo choque em sua vida, já que, segundo ele, “os longas têm a ver com sacrificar coisas aparentemente importante em função de uma escolha de vida”. Com isso, criava PRIORIDAD NACIONAL, um curta sobre um rapaz (interpretado pelo próprio Juan José) que desertava de seu local de origem. Meio autobiográfico, o próprio diretor admitiu, certa vez, que não entendia nada de cinema, filmou tudo ao contrário, perdeu o filme e decidiu começar a ter aulas de direção audiovisual à noite.

O show deve continuar & A felicidade não se compra

Animado com tudo o que estava aprendendo, fez amizade com Fernando Castets e, juntos, se aventuraram a escrever e dirigir VICTORIA 392, também em Super 8. O filme era uma sátira da época, sobre uns jovens de 20 anos que se metiam em enrascadas. Os anos 80 chegaram e começou a pegar aulas no Instituto de Arte Cinematográfica de Avellaneda, lugar de trocas, experiências e discussões acaloradas sobre cinema hollywoodiano, artistas, cinema de arte, Nouvelle Vague e… como essas novas mentes poderiam mudar a Argentina.

Cena de THE BOY WHO CRIED BITCH

Mudou-se para Nova York para seguir seus estudos em cinema e confessou que foi amor à primeira vista pela cidade. A estadia americana deu-lhe pés firmes nesse universo diferente do latino. Foi conhecendo técnicas e equipamentos de ponta e, após cinco anos de curso, apresentou como trabalho final o curta O CONTORCIONISTA, em 1988, baseado em histórias em quadrinhos de autores argentinos. Ainda tentou voltar para Buenos Aires, mas foi rejeitado por cada contato que ainda tinha e, depois de seis meses de frustrações, regressou sem vontade para os Estados Unidos. Começou os anos 90 e se encontrou com seu colega Alan Taylor, que lhe apresentou o mundo dos séries de tevê; convidou-o para dirigir os filmes THE BOY WHO CRIED BITCH e LOVE WALKED IN e o seriado LIFESTORIES, experiências que serviram para galgar um caminho que ainda iria trazer as flores que ele almejava. Foi então que conheceu Ricardo Darín e…

O resto da história? Fica para a próxima semana, na parte 2 de 3 da jornada de Juan José Campanella pelos encantos do mundo, desde sua primeira câmera Super 8 até o lançamento de seu novo filme A GRANDE DAMA DO CINEMA, passando pelo segundo Oscar que Argentina ganhava na sua história oficial.

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CINE FOLHETIM FÊNIX #09 https://www.ocafezinho.com/2019/04/18/cine-folhetim-fenix-09/ https://www.ocafezinho.com/2019/04/18/cine-folhetim-fenix-09/#respond Thu, 18 Apr 2019 20:39:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=93942

Queridos parceiros e espectadores,

E é com imensa alegria e profundo orgulho que abrimos a newsletter anunciando que a Fênix estará no Festival de Cannes 2019!! O TRAIDOR, novo filme do cineasta italiano Marco Bellocchio, é uma coprodução entre Itália, Brasil, Alemanha e França e será distribuído no Brasil pela Fênix e Pandora Filmes. Estamos tão felizes que, aqui na news, trazemos ainda o pôster oficial de Cannes, em homenagem à Agnès Varda, e várias curiosidades sobre a cobiçadíssima estátua da Palma de Ouro. Além disso, não temos palavras para descrever nosso estado de graça pleno com a vitória de CINE MARROCOS no festival É Tudo Verdade, documentário que a Fênix lançará, ainda este ano, nas salas de cinema do Brasil. E exaltamos outro filme nosso ainda: BORRASCA, de Francisco Garcia, é o tema central da nossa coluna semanal n’O Cafezinho. Por fim, anunciamos uma mostra de cinema documental alemão no Instituto Moreira Salles, celebramos os 51 anos do clássico de ficção científica 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO e exaltamos o figurino lindíssimo e clássico do filme MARIA ANTONIETA. Tudo para entrarmos nesse feriado com um sorriso imenso no rosto e filmes incríveis nas asas da Fênix!

Abraço e bons filmes,

Fênix.

 

O TRAIDOR entra na Competição oficial de Cannes

Coprodução entre Itália, Brasil, Alemanha e França, O TRAIDOR, do diretor italiano Marco Bellocchio, foi selecionado para a 72ª edição do Festival de Cannes, que acontece de 14 a 25 de maio na cidade francesa, no qual será exibido na Competição Oficial concorrendo à Palma de Ouro. O TRAIDOR é baseado na história real de Tommaso Buscetta (Pierfrancesco Favino) e conta a trajetória do mafioso, o primeiro do alto escalão a se transformar em informante no caso do Maxi-Processo contra a Cosa Nostra. Quando Buscetta se muda para o Brasil, começa uma guerra de poder entre os clãs mafiosos, liderada pelo clã da cidade de Corleone. Durante essa guerra interna, Buscetta é preso e deportado para a Itália. Incomodado com o rumo que a máfia tomou, distanciando-se dos seus princípios originais, ele faz um acordo com o governo italiano para denunciar seus antigos comparsas numa delação premiada. Rodado na Itália, Alemanha e no Brasil, O TRAIDOR é uma produção IBC Movie, Kavac Film em coprodução com Rai Cinema (Itália), Gullane em coprodução com Telecine (Brasil), Match Factory Productions (Alemanha) e AD Vitam (França). Produzido por Giuseppe Chaschetto, Simone Gattoni, Fabiano Gullane, Caio Gullane, Michael Weber, Viola Fügen, e Alexandra Henochsberg, tem distribuição no Brasil pela Fenix Filmes e Pandora Filmes.

Além disso, aqui está a lista completa dos filmes que concorrem à Palma de Ouro:

Dolor y Gloria (Pedro Almodovar)
O Traidor (Marco Bellocchio)
The Wild Goose Lake (Diao Yinan)
Parasite (Bong Joon-ho)
Young Ahmed (Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne)
Oh Mercy! (Arnaud Desplechin)
Atlantique (Mati Diop)
Matt & Max (Xavier Dolan)
Little Joe (Jessica Hausner)
Sorry We Missed You (Ken Loach)
Les Miserables (Ladj Ly)
A Hidden Life (Terrence Malick)
Bacurau (Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles)
The Whistlers (Corneliu Porumboiu)
Frankie (Ira Sachs)
Portrait of a Lady on Fire (Céline Sciamma)
It Must Be Heaven (Elia Suleiman)
Siby (Justine Triet)

 

CINE MARROCOS vence É Tudo Verdade

O belíssimo CINE MARROCOS, de Ricardo Calil, foi o grande vencedor do Festival É Tudo Verdade de 2019, o mais importante do gênero documental no Brasil. O filme traz uma visão humanista e criativa sobre a ocupação do antigo cinema de luxo de São Paulo por um grupo de pessoas em situação de rua. Com essa vitória, o filme está automaticamente qualificado para concorrer a uma vaga no Oscar do ano que vem na categoria de Melhor Longa Documental, representando o país. Além disso, a Fênix Filmes anuncia que, ainda este ano, o filme estreará nas salas de cinema!

 

BORRASCA n’O Cafezinho

No texto da coluna semanal da Fênix n’O Cafezinho trazemos entrevistas exclusivas com os três nomes que criam a nova obra-prima do cinema nacional: Francisco Garcia (diretor), Mario Bortolotto (ator, roteirista e co-compositor) e Francisco Eldo Mendes (ator), mestres e criaturas de BORRASCA, que chega às salas de cinema no dia 02 de maio e o link está logo aqui embaixo:

https://www.ocafezinho.com/2019/04/17/borrasca-amigos-traicao-chuva-e-entrevistas-exclusivas/

 

Sessão e debate de documentário alemão no IMS

No próximo dia 27 de abril, será exibido, no Instituto Moreira Salles (no Rio de Janeiro), o documentário do artista alemão Harun Farocki IMAGENS DO MUNDO E INSCRIÇÃO DA GUERRA. Considerado um filme-ensaio sobre o uso de imagens operacionais em processos produtivos, operações militares e mecanismos de controle, Farocki se debruça num conjunto de fotografias de Auschwitz tiradas por aviões de bombardeio norte-americanos em 1944; com isso, o cineasta reflete sobre o papel do olho como intermediário entre o ser humano e o mundo. A sessão será realizada às 15h, tendo em seguida um debate ministrado por Tadeu Capistrano, professor e doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além disso, segue no IMS, até 30 de junho, uma exposição sobre o Farocki que reúne filmes e videoinstalações, realizados entre 1969 e 2014, que discutem o papel das imagens (fotografias, criptogramas, jogos eletrônicos e realidade virtual) e das formas de produção de imagens em conflitos sociais e bélicos.

 

Divulgado pôster oficial de Cannes 2019

Agnès Varda é a grande homenageada no pôster oficial da 72ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes. A imagem, de autoria da jovem francesa Flore Maquin, de apenas 28 anos, foi extraída do primeiro filme feito por Varda, LA POINTE COURTE, filmado em 1954 num vilarejo de pescadores na França. “Agnès sob a luz do sul” é a descrição oficial do cartaz. Segundo o comunicado oficial do Festival, “Vanguardista porém popular, íntima porém universal, os filmes dela guiaram o caminho. Deste modo, erguida sobre a pirâmide, vigiando a praia de Cannes, jovem e eterna, Agnès Varda será a luz guia inspiradora da 72ª edição do festival”.

 

Você conhece a história da estátua Palma de Ouro?

O primeiro filme a vencer a Palma de Ouro, prêmio de maior prestígio do Festival de Cannes, foi MARTY, de Delbert Mann em 1955. De lá para cá, outros 71 filmes saíram vencedores nessa categoria principal, com diretores notáveis sendo reconhecidos, como Fellini, Visconti, Coppola, Buñuel, Kurosawa, Campion, Haneke e Scorsese. Mas o que você sabe sobre a própria estátua da Palma de Ouro? Como visto na foto acima, o prêmio tem o formato de uma folha de palmeira; suas 19 folhas, que parecem estar em movimento, são confeccionadas manualmente com ouro de 18 quilates. A ideia das folhas vem em referência ao escudo da cidade de Cannes e suas árvores tradicionais, como também às palmas honorárias da antiguidade. Originalmente, a joia foi desenhada pela parisiense Lucienne Lazon e o desenho inicial trazia uma pequena mão que sustentava a palma e há boatos de que o pedestal era obra do poeta e diretor Jean Cocteau; com o tempo, a estátua foi evoluindo até assumir a forma atual de esmeralda, avaliada anualmente no valor de 20 mil euros, segundo o fabricante suíço que a produz. No último ano, quem levantou a Palma foi o japonês Hirozaku Koreeda pelo drama ASSUNTO DE FAMÍLIA; quem será que vai sair vencedor neste ano de 2019?

 

51 anos de 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO

Cinquenta e um anos atrás, o épico de Stanley Kubrick chegava em Washington e em Nova York e, logo depois, ganhava um Oscar honorário por seus efeitos especiais pioneiros, considerados como um “salto quântico” na capacidade tecnológica do cinema. Um marco na ficção científica, 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO é adorado incondicionalmente por uma legião de fãs que contornam a narrativa lenta e o final lisérgico, e que o colocam no patamar de grande obra que reflete como nós, os seres humanos, nos comportaríamos no imenso espaço silencioso e introspectivo. O consenso absoluto é que a direção audaciosa de Kubrick nos transporta para um outro universo a partir do som (ou a falta dele) e a música impecável e marcante, criando, assim, um filme eterno e mais que importante para a história do cinema (e, porque não, do mundo inteiro?).

 

O doce figurino de MARIA ANTONIETA

Milena Canonero é uma das figurinistas mais prósperas de Hollywood. Vencedora de 4 Oscars (entre eles, CARRUAGENS DE FOGO e O GRANDE HOTEL BUDAPESTE), hoje falaremos sobre o figurino mais famoso criado por ela: o do filme de Sofia Coppola, MARIA ANTONIETA, sobre a exuberante rainha da França no século XVIII que era ícone feminino histórico e fashionista lembrada até hoje. A atriz Kirsten Dunst assumiu o papel principal e deu uma persona de mulher rica que gostava de festas, luxo, romance, roupas, joias e sapatos. Canonero conseguiu retratar todo o requinte da época, com vestidos volumosos, chapéus e acessórios pomposos, além das famosas perucas que proporcionavam aqueles penteados grandes e chamativos, bem no estilo do rococó. O maior trunfo desse figurino foi retratar, a partir de uma vasta paleta de cores, as etapas da vida da personagem: enquanto jovem, há a predominância de cores frias, como o azul, para mostrar a inocência de Antonieta; já na fase adulta, entram as cores mais vistosas, principalmente o rosa, para representar as festas da rainha, além de luvas e sapatos bem enfeitados, tendo ainda o figurino assemelhado com os doces e bolinhos que Maria amava; e na última fase, à beira da Revolução Francesa, o preto assume o protagonismo das roupas, deixando a extravagância de lado. Funcionando como um personagem para dentro do próprio filme, Canonero criou uma obra-prima em forma de figurino, que enche os olhos do espectador de cores e representando aspectos históricos e emocionais de MARIA ANTONIETA.

 

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BORRASCA: amigos, traição, chuva e entrevistas exclusivas https://www.ocafezinho.com/2019/04/17/borrasca-amigos-traicao-chuva-e-entrevistas-exclusivas/ https://www.ocafezinho.com/2019/04/17/borrasca-amigos-traicao-chuva-e-entrevistas-exclusivas/#respond Wed, 17 Apr 2019 12:58:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=93839

Uma garrafa de uísque. Três amigos. Um apartamento. Uma traição. Uma chuva. Esse é o mote que guia BORRASCA, novo filme de Francisco Garcia (CORES e A CAUDA DO DINOSSAURO) que chega aos cinemas no dia 02 de maio e promete causar mais estrondos do que o temporal que abre a história. Com Mario Bortolotto (dramaturgo que criou a obra teatral homônimo o qual o filme foi gerado) e Francisco Eldo Mendes (que também atua na peça em parceria com Mario há anos), no próximo mês, espectadores brasileiros embarcarão em conflitos de personagens avançando ao acaso, ao sabor de seus sentimentos, e num filme com tons de Polanski e John Cassavetes. Com muito prazer, acompanhem agora entrevistas exclusivas com esses três nomes do audiovisual e do teatro nacional que prometem tratar o bom cinema como um terremoto e a linguagem como a recriação dos passos do homem.

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Francisco Garcia, Diretor

 

Cafezinho: Quais são os desafios de adaptar uma peça de teatro e ainda dirigir o roteirista do filme?

Francisco: Os desafios foram inúmeros. Primeiro, como rodei o filme em praticamente duas madrugadas de maneira 100% independente, numa espécie de “ação entre amigos” que colaboraram comigo no processo de realização, sabia que não tinha muita margem para erros. Assim, optei por ter os atores que fizeram a peça e a partir daí ensaiamos continuamente por alguns dias dentro da locação para chegar no jogo cênico desejado e podermos efetivamente ter propriedade para possíveis improvisos no momento da filmagem que teria que ser muito rápida.

Sobre dirigir o Marião, foi um prazer imenso por toda a parceria estabelecida e suas qualidades como ator, que são inúmeras. Já tinha dirigido ele anteriormente e tenho outros trabalhos de adaptação de seus textos. Então foi tudo muito natural.  Sua única exigência era não modificarmos o texto para não descaracterizar a obra original. E durante o processo de ensaios e filmagem, o texto falou por si de uma maneira muito fluída e consegui cumprir minha palavra.

C: O que você traz para BORRASCA de cada filme que você fez?

F: Dos filmes que dirigi anteriormente, sinceramente, nada! Todos tiveram propostas e modelos de produção muito diferentes. Em Borrasca, quis experimentar uma linguagem e uma forma, mais fluída, com equipe reduzida, dentro de uma única locação e de rápida produção para não ficar dependente de financiamentos. Optei por um estilo de filmagem muito particular que é o que denominamos “filmar por eixo”, que consiste em dividirmos o roteiro em blocos e rodamos cada um deles em longos planos com a câmera em diferentes eixos da locação. Nunca tinha ouvido falar neste tipo de rodagem, e posso dizer que gostei do estilo. Inclusive, acabei repetindo em outros projetos como no longa Uma Pilha de Pratos na Cozinha, também uma adaptação da peça do mesmo autor, em fase de finalização. Neste filme, trago sim muita influência daquilo que aprendi no processo criativo do Borrasca.

C: BORRASCA ganhou prêmios e participou de diversos festivais. Para você, como os festivais são importantes para um filme?

F: O filme foi ganhador de dois Prêmios de Melhor Ator para Bortolotto: um no Festival português de Santa Maria da Feira, onde ele concorria com grandes nomes da atuação como Matheus Nachtergaele, e outro em um dos festivais mais tradicionais do país, o CinePE. Estes prêmios, tem bastante significado para mim, pois são resultado e certeza que deu certo o exercício de fazer um filme onde a proposta é não fetichizar em técnicas, efeitos e locações, e sim ter o ator como o principal vértice de toda uma estrutura de linguagem.

C: Onde BORRASCA se encaixa no cenário de cinema brasileiro?

F: Ótima pergunta! Na verdade, tenho pensado há algum tempo sobre o assunto, e realmente cada vez mais acho que Borrasca não se encaixa no cenário atual do cinema brasileiro onde temas sobre minorias e ativismo têm tido maior destaque.

Nos dias de hoje, e vejo boas razões para isso, acredito que o público possa pensar que a temática do filme está fora do nosso tempo, num momento histórico onde conflitos e questões existenciais masculinas não têm tido muito espaço. Ao mesmo tempo acho o tema do filme universal, atemporal, e portanto contemporâneo, trazendo algo a mais de estranho para um cenário atual já tão potente.

Enfatizo que sou admirador de inúmeros tipos e de distintos gêneros de cinema, mas isso não significa que preciso me enquadrar a eles. Sempre propus construir uma filmografia pelo desejo de realizar um filme que me movia naquele momento, e isso vou continuar fazendo. Acredito na pluralidade e diferenças nos tipos de filmes e temas para a cinematografia de um país. Essa é riqueza do cinema nacional. Riqueza de olhar e de sentimento.

C: O que você levará do processo de produção de BORRASCA para sua carreira cinematográfica?

F: Não sei exatamente. O próximo filme que estou finalizando, por exemplo, tem uma proposta formal e um modelo de produção completamente distinto do Borrasca. Sendo assim, o tempo e meus próximos projetos falarão por si. Só sei que hoje, com o filme finalizado e distribuído, apesar de ter um olhar bastante crítico sobre a obra, fico bastante satisfeito com o resultado sabendo que seu modelo de produção foi completamente fora dos padrões tradicionais de realização.

 

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Mario Bortolotto, ator, roteirista e co-compositor

Cafezinho: O que BORRASCA representa para você, enquanto ator e roteirista e trabalhando ainda na trilha sonora?

Mario: A oportunidade de ter um trabalho feito em coletivo e que eu consiga assinar embaixo, já que houve total respeito de ambas as partes. Houve um respeito da direção em relação ao texto e a nossa interpretação (já que o Eldo Mendes também já havia feito a peça e trabalha há muito tempo comigo) e em contrapartida total respeito da nossa parte em relação ao trabalho de direção do Francisco. Acho que a trilha apenas completa essa fidelidade ao universo retratado.

C: Qual é o ponto de convergência entre as jornadas pessoais de Mário Bortolotto e seu personagem?

M: Não há exatamente pontos de convergência. Como em toda obra minha, há detalhes pessoais da minha vida que estão nos personagens, tanto no meu quanto no outro personagem. Isso sempre acontece. O público não precisa saber exatamente o que pode ser real e o que é ficção. Mas o personagem mesmo é bem diferente de mim. Mas ambos somos escritores. Talvez seja o maior ponto de convergência.

C: Existe diferença entre o roteiro da peça BORRASCA e o filme BORRASCA? Algo se perdeu e/ou algo foi acrescentado?

M: Pouca coisa. Há um pouco mais de humor na peça. O filme opta por um mergulho maior no drama sem muitas concessões.

C: Você ganhou prêmios pela sua atuação em alguns festivais. Na sua opinião, como BORRASCA cresceu com essas premiações?

M: Acho que prêmio sempre ajuda a prestarem mais atenção no filme tipo “vamos ver qual é” e porque esse filme ganhou tal prêmio e se foi justo ou não. Ajuda a atiçar a curiosidade.

 

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Francisco Eldo Mendes, ator

Cafezinho: Onde seu personagem esbarra na sua vida pessoal? O que você trouxe de suas vivências para esse papel? 

Francisco Eldo: O personagem esbarra na minha vida pessoal quando reflete sobre a falta de estrutura familiar. Da falta que faz não ter uma boa estrutura familiar. Além da falta que faz os amigos que se foram. Eu criei uma construção de “gênese” na relação entre os personagens do Diego e Enzo, baseado na história real da perda do amigo Paulo de Tharso, que é, inclusive, homenageado no filme.

C: Como é estar atuando ao lado do escritor da peça e do roteiro?

FE: Ter feito esse longa com o Mário foi uma das melhores coisa que aconteceu na minha carreira. Primeiro porque acho o Mário um dos melhores dramaturgos da sua geração, além de um grande ator. Como ele é muito exigente e já tinha me dirigido na peça homônima, foi grande o desafio em ambas as oportunidades. Ele não deixa o ator pular uma vírgula do seu texto que seja. Ao mesmo tempo é um grande parceiro em cena. Me passa segurança. Um grande aprendizado. Uma honra.

C: Enquanto ator, é mais simples ou mais complicado gravar tudo em um só ambiente e em apenas duas madrugadas?

FE: Filmar no mesmo ambiente me ajuda. Fico mais concentrado. Agora ter feito em duas noturnas de 15 horas foi muito difícil. O desgaste foi extremo. Lembro que às 4:00hs da manhã da segunda noite olhei pro Mário e falei que não estava aguentando mais. Ele olhou pra mim, trincou o pulso e disse: tem que aguentar. Aí tirei forças não sei de onde e consegui…

C: O que você leva de BORRASCA para sua experiência como ator?

FE: Levo do Borrasca a experiência de ter feito um filme que gosto muito, uma cumplicidade no diálogo com o Mário, antigo parceiro de cena, além da relação com Francisco e toda a equipe que foi muito generosa e paciente. Só tenho a agradecer.

 

https://www.youtube.com/watch?v=Cgqg4i-M4KU

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