Redação, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/redator/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 08 Jul 2026 23:16:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Redação, Autor em O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/autor/redator/ 32 32 Brasil já venceu o tarifaço — Parte 3: a ampliação de mercados https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-3-a-ampliacao-de-mercados/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-3-a-ampliacao-de-mercados/#respond Wed, 08 Jul 2026 21:41:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261425 Nas duas primeiras partes desta série, acompanhamos a escalada da ameaça tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil — do anúncio da tarifa de 25% (depois 50%) sobre produtos brasileiros até a longa lista de exceções que poupou café, carnes, celulose, petróleo, aeronaves da Embraer e até suco de laranja. Chegou a hora de fechar o balanço com os dados duros. E o veredito dos números é claro: o tarifaço pode ter causado dor real a setores específicos, mas o Brasil, no agregado, superou a tempestade — e saiu dela com o comércio exterior maior, mais diversificado e menos dependente de Washington do que entrou.

É a tese que sustenta esta série desde a Parte 1, e que os números confirmam sem ambiguidade: as exportações brasileiras no total cresceram. Na janela dos últimos 50 meses (dezembro/2021 a abril/2026), a exportação mensal média do Brasil saltou de US$ 19,6 bilhões para US$ 29,9 bilhões — alta de +52,7%. Em valores acumulados em 12 meses, o país passou de US$ 234,8 bilhões para US$ 358,6 bilhões exportados por ano. A corrente de comércio (exportações + importações) cresceu +46,6%, passando de US$ 446,2 bilhões para US$ 654,2 bilhões acumulados em 12 meses.

Para esta análise, compilamos 64 meses de dados oficiais de comércio exterior na API da ONU Comtrade — a base estatística das Nações Unidas — e trabalhamos com média móvel mensal de 12 meses (mm12m), mês a mês. Importante: todos os valores que aparecem a seguir são médias mensais (a média móvel dá, para cada mês, a média dos últimos 12); quando citamos o acumulado em 12 meses, isso fica explícito. A janela de observação são os últimos 50 meses.

Lembrete metodológico: corrente de comércio = exportações + importações; média móvel mensal de 12 meses, em valores correntes de US$ bilhões por mês. Sempre que aparecer “por mês”, trata-se da média móvel; quando for “acumulado 12 meses”, estará indicado.

O gráfico que conta toda a história

Antes dos números, olhe para a curva. É o resumo visual de tudo o que aconteceu com os dois maiores parceiros do Brasil:

Corrente de comércio do Brasil com China e Estados Unidos — média móvel 12 meses
Corrente de comércio do Brasil com a China (vermelho) e os Estados Unidos (azul-escuro). Média móvel mensal de 12 meses, em US$ bilhões/mês. Últimos 50 meses. Fonte: UN Comtrade / Elaboração O Cafezinho.

Há duas histórias em uma só imagem:

  • A China subiu, e subiu muito. A corrente de comércio Brasil-China saltou de cerca de US$ 8,5 bi para quase US$ 13,3 bi por mês — um avanço de +25,3% em quatro anos. Acumulado em 12 meses: de cerca de US$ 102 bi para US$ 159 bi.
  • Os Estados Unidos recuaram. Foram a única relação entre os grandes parceiros a encolher: de US$ 5,24 bi para US$ 4,79 bi por mês — uma queda de −8,6%. Acumulado em 12 meses: de US$ 62,9 bi para US$ 57,5 bi.

E note o detalhe decisivo: enquanto a curva chinesa dispara, a americana afina e cai. O abismo entre as duas só faz crescer — e é exatamente este o ponto. O tarifaço não esmagou o comércio exterior do Brasil; apenas redirecionou o seu fluxo para longe dos Estados Unidos.

A pergunta central: quanto os EUA representam hoje?

Se o tarifaço funcionasse, esperaríamos ver a importância dos Estados Unidos nas exportações brasileiras cair — e é exatamente o que os números mostram, em uma queda livre paciente e contínua. Comparemos três momentos distintos, sempre em participação sobre o total exportado pelo Brasil (média móvel mensal de 12 meses):

Parceiro Há 50 meses Há 1 ano Hoje (abr/2026) Variação
Estados Unidos 12,36% 12,34% 10,01% −2,35 p.p.
China 26,37% 26,92% 29,95% +3,58 p.p.

Os Estados Unidos perderam mais de 2,3 pontos percentuais de participação nas exportações brasileiras em quatro anos. Para ler sem rodeios: hoje, para cada US$ 1 que o Brasil vende aos Estados Unidos, vende quase US$ 3 para a China. Há 50 meses essa razão era de pouco menos de 1 para 2. A assimetria só faz crescer.

E atenção ao dado que mais importa para a tese desta série: as vendas para os Estados Unidos até cresceram em valor absoluto (+23,7%) — mas cresceram muito menos que o total exportado pelo Brasil (+52,7%). Por isso a participação americana cai. Em outras palavras, mesmo quando o bolo quase dobrou, a fatia dos EUA encolheu. O resto foi todo para outros compradores.

Quem está entrando no lugar dos EUA? Os novos mercados

Aqui está o achado que mais reforça a tese: quem está ganhando o espaço deixado pela retração americana não é apenas a China, mas uma constelação de economias emergentes da Ásia e do Oriente Médio. Vejamos país a país, com dados de exportação brasileira em média móvel mensal de 12 meses — o contraste entre “há 50 meses” e “agora” é a prova de que o Brasil está encontrando novos clientes:

Filipinas — o caso mais eloquente

Há 50 meses, as Filipinas compravam do Brasil cerca de US$ 89 milhões por mês (0,46% das exportações brasileiras; acumulado em 12 meses de US$ 1,07 bilhão). Hoje, compram US$ 211 milhões por mês (0,71% do total; acumulado em 12 meses de US$ 2,53 bilhões). É um salto de +135,7% no valor exportado. Um mercado que era residual tornou-se relevante — e o fez exatamente enquanto os Estados Unidos recuavam.

Egito — mais que dobrou

O Egito passou de US$ 137 milhões/mês há 50 meses para US$ 334 milhões/mês agora — alta de +144,1%. Em acumulado 12 meses, saiu de US$ 1,64 bilhão para US$ 4,01 bilhões. A participação nas exportações brasileiras subiu de 0,70% para 1,12%.

Iraque — multiplicou por oito

O caso mais extremo. Há 50 meses o Iraque comprava do Brasil apenas US$ 15 milhões/mês (0,08% do total; acumulado 12 meses de US$ 180 milhões). Hoje absorve US$ 116 milhões/mês (0,39% do total; acumulado 12 meses de US$ 1,39 bilhão). Uma variação de +671% — quase oito vezes mais. Um país quase invisível na pauta brasileira tornou-se comprador de mais de um bilhão de dólares por ano.

China — o gigante que cresceu ainda mais

Para comparação de escala: a China passou de US$ 5,16 bilhões/mês há 50 meses para US$ 8,95 bilhões/mês agora (+73,5%). Acumulado em 12 meses: de US$ 61,9 bilhões para US$ 107,4 bilhões exportados. Sozinha, a China absorve hoje quase 30% de tudo o que o Brasil vende ao mundo.

O padrão é inequívoco: cada vez que os Estados Unidos recuam, vários compradores no Oriente e no Sul avançam. Bangladesh, Turquia, Indonésia, Emirados Árabes e outros seguem a mesma trajetória ascendente. O Brasil está, de fato, diversificando — não apenas desviando vendas temporariamente.

A prova do crime: o que aconteceu produto a produto

Até aqui vimos o agregado. Mas a parte mais reveladora está num cruzamento por produto. A indústria dizia que o tarifaço destruiria exportações-chave. Para os produtos efetivamente ameaçados, os dados confirmam que houve queda para os EUA — mas, em vez de evaporar, a venda foi redirecionada para outros compradores. Para os produtos preservados pela lista de exceções, o comércio floresceu.

Caso 1 — Aço semiacabado (HS 7207): o alvo perfeito

O aço semiacabado foi talvez o produto mais citado como “na mira” da tarifa. Os números não mentem: as vendas para os Estados Unidos despencaram 39,2% na média móvel mensal de 12 meses (de US$ 326 milhões para US$ 198 milhões por mês). Mas veja para onde esse aço foi:

Destino do aço semiacabado Variação (50 meses)
Estados Unidos −39,2%
França +318,1%
Polônia +178,0%
Espanha +244,1%
Alemanha +92,2%
Peru +53,5%

O aço que saiu dos EUA não sumiu — mudou de porto. A Europa (França, Polônia, Espanha, Alemanha) absorveu o que Washington deixou de comprar. É o redirecionamento comercial em estado puro, capturado em dado mensal.

Caso 2 — Etanol: a vingança silenciosa

O etanol foi o epicentro simbólico da briga — os EUA reclamavam da tarifa brasileira de 18% sobre o produto americano. Pois bem: a venda de etanol do Brasil para os EUA caiu pela metade (−53,3%) na média móvel mensal de 12 meses. E quem apareceu para comprar? A Holanda, porta de entrada europeia, com alta de +32,5%.

Caso 3 — Suco de laranja e alumínio: a recompensa da isenção

Aqui a história se inverte — e isso é crucial para o argumento. O suco de laranja, preservado na lista de exceções do USTR (junto com café, carnes e celulose), não só resistiu como disparou para os EUA: +174,1% na média móvel mensal de 12 meses (de US$ 40 milhões para US$ 109 milhões por mês). O mesmo com o alumínio, que subiu +91,7% para os Estados Unidos.

Produto Status na lista Variação para os EUA
Aço semiacabado ameaçado −39,2%
Etanol ameaçado −53,3%
Suco de laranja isento +174,1%
Alumínio isento +91,7%
Café isento +16,9%

A correlação é quase cirúrgica: produtos na mira da tarifa, caíram para os EUA; produtos poupados, prosperaram. Mas — e este é o ponto central do artigo — mesmo os que caíram para os EUA encontraram outros compradores e não se perderam no caminho.

A grande síntese: o Brasil aprendeu a não depender de um só cliente

Junte todas as peças e o quadro que se forma é inequívoco:

  1. As exportações totais do Brasil cresceram 52,7% em quatro anos — passando de US$ 234,8 bi para US$ 358,6 bi acumulados em 12 meses.
  2. A corrente de comércio total cresceu 46,6% — de US$ 446,2 bi para US$ 654,2 bi acumulados em 12 meses.
  3. A relação com os EUA foi a única, entre os grandes parceiros, a encolher (−8,6% na corrente de comércio mensal).
  4. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 12,36% para 10,01% — o nível mais baixo da série analisada.
  5. Uma constelação de novos mercados emergiu — Filipinas (+135,7%), Egito (+144,1%), Iraque (+671%), Bangladesh, Turquia, Indonésia, Emirados — demonstrando diversificação real, não mero desvio temporário.
  6. Produtos efetivamente tarifados foram redirecionados (aço → Europa; etanol → Holanda), enquanto produtos poupados pela lista de exceções (suco, café, alumínio) floresceram com os EUA.

O tarifaço, portanto, não destruiu a pauta brasileira — reordenou a sua geografia. Os setores que dependerem exclusivamente do mercado americano sentiram (e ainda podem sentir) o golpe. Para o país como um todo, porém, a conclusão é a oposta: o comércio exterior é hoje maior, mais diversificado e mais resiliente do que antes da guerra tarifária.

O que vem agora

Há, é claro, riscos a vigiar. Os Estados Unidos ainda ensaiam uma “segunda lista de exceções” e novos pacotes tarifários podem mirar produtos hoje protegidos. Setores específicos — sobretudo a siderurgia e o complexo sucroalcooleiro — seguirão pressionados. Mas a lição macro dos 50 meses é clara: cada vez que uma porta se fecha no Norte, várias se abrem no Oriente e no Sul.

O Brasil não “venceu” o tarifaço no sentido de ter saído ileso — houve baixas reais em fábricas e lavouras específicas. Mas venceu no sentido que realmente importa para um país: manteve o seu comércio crescendo, diversificou parceiros e reduziu a própria vulnerabilidade. E, no jogo longo da economia, isso é o mais próximo de uma vitória que se pode obter.

 

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Lula reabre a vantagem sobre Flávio no Meio/Ideia https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/meio-ideia-julho-2026-lula-flavio/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/meio-ideia-julho-2026-lula-flavio/#respond Wed, 08 Jul 2026 21:29:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261436 A nova pesquisa Meio/Ideia de julho mostra um presidente que recuperou o fôlego na disputa de 2026. No segundo turno, Lula vence Flávio Bolsonaro por 45% a 40%, uma vantagem de cinco pontos que estava perto de sumir dois meses antes. Em abril e maio, o senador chegou a empatar e até passar tecnicamente o presidente nesse mesmo cenário, com 45,8% contra 45,5% e 45,3% contra 44,7%. Desde então recuou, e Lula reabriu a distância.

No 2º turno, Lula reabriu a vantagem sobre Flávio
No 2º turno, Lula reabriu a vantagem sobre Flávio

Na intenção espontânea, quando o eleitor responde sem lista de nomes, a liderança é ainda mais nítida. Lula tem 32,8% e Flávio, 20,3%, uma folga de mais de doze pontos que praticamente não se move desde janeiro. É o tipo de estabilidade que sustenta uma candidatura: o presidente é lembrado de imediato por um em cada três eleitores, enquanto o adversário só encosta na urna estimulada, onde marca 40,4% a 32%.

Na espontânea, Lula mantém a liderança isolada
Na espontânea, Lula mantém a liderança isolada
No 1º turno estimulado, Lula abre 8 pontos
No 1º turno estimulado, Lula abre 8 pontos

Vale traduzir esses percentuais em gente. O Brasil tem mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, segundo o TSE, e as mulheres são maioria, cerca de 84 milhões de eleitoras, ou 53% do total. O motor da vantagem de Lula está exatamente aí. Entre as mulheres, ele vence Flávio por 50,4% a 34,2% no segundo turno, dezesseis pontos de diferença, o que projetado sobre o eleitorado equivale a algo como 42 milhões de eleitoras escolhendo o presidente. Entre os homens, que são cerca de 74 milhões, o jogo se inverte e o senador lidera por 46,3% a 39,2%.

O voto feminino sustenta a vantagem de Lula
O voto feminino sustenta a vantagem de Lula

Esse dado ganha um sabor especial neste ciclo. O influenciador Paulo Figueiredo, um dos nomes da direita digital, afirmou que mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. Na mesma pesquisa em que a frase foi testada, o percentual de mulheres que concordou com ela foi zero, e três em cada quatro disseram discordar. São dezenas de milhões de eleitoras que, segundo a Meio/Ideia, sabem muito bem em quem votar, e a maioria delas vota em Lula.

A base popular reforça o alicerce. Quem ganha até um salário mínimo prefere Lula por 58,8% a 28,4%, e o Nordeste entrega 62,7% contra 24,7%. O presidente também lidera com folga entre católicos, com 55,2%, e em todas as faixas a partir dos 35 anos, incluindo 50% entre os eleitores de 45 a 59 anos e 49% entre os de 60 anos ou mais. É a coalizão histórica do petismo, intacta e ainda majoritária.

Há um ponto de atenção, e ele aparece entre os mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, Flávio vence o segundo turno por 45,7% a 33,3%, e entre os eleitores de 25 a 34 anos há um empate técnico, com 43,3% a 42%. O antibolsonarismo perdeu terreno para uma geração que se politizou nas redes, e isso é um recado que a esquerda não deveria ignorar. Convém, porém, dimensionar o alerta: os eleitores de 16 a 24 anos são cerca de 21 milhões, algo como 13% do eleitorado, a menor fatia etária, e nessa idade homens e mulheres se dividem quase meio a meio. Enquanto isso, os eleitores de 60 anos ou mais, onde Lula lidera, já são 32 milhões, e o conjunto dos maiores de 45 anos concentra perto de metade dos votos. O bolsonarismo cresce onde há menos urnas em jogo.

As outras derrotas de Lula seguem a mesma lógica de blocos consolidados. O presidente perde de forma esmagadora entre evangélicos, por 61,1% a 18,7%, no Sul, por 54,1% a 16,8%, e entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, por 47,9% a 37,6%. São territórios em que o bolsonarismo virou identidade, e não simpatia passageira, mas nenhum deles pesa tanto quanto as mulheres e o eleitorado maduro que hoje sustentam o presidente.

O que segura o adversário é o teto. A rejeição de Flávio permanece alta, e o próprio instituto trata a eleição como decidida por um governo mal avaliado, o que a torna imprevisível. A aprovação de Lula ainda está no vermelho, com 46,5% aprovando e 48,5% desaprovando o trabalho, embora entre as mulheres esse indicador se inverta para 51,7% de aprovação. O retrato de julho é favorável ao presidente, mas depende de manter mobilizados os pobres, o Nordeste e, sobretudo, as eleitoras.

Por fim, convém lembrar de onde vêm esses números. A Meio/Ideia é uma pesquisa simples e barata, feita por telefone e registrada no TSE por 27,6 mil reais, uma das mais em conta do período. A pesquisa nacional mais cara registrada nas últimas semanas foi a Quaest/Genial, que custou 433,3 mil reais, seguida pela Datafolha, com 185,7 mil. A tabela abaixo reúne os principais institutos nacionais e o que cada levantamento custou, um retrato do mercado que vai se intensificar à medida que outubro se aproxima.

Pesquisas nacionais registradas no TSE e seus custos
Pesquisas nacionais registradas no TSE e seus custos

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Brasil já venceu o “Tariflávio” (Parte 2) https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/brasil-ja-venceu-o-tariflavio-parte-2/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/brasil-ja-venceu-o-tariflavio-parte-2/#respond Tue, 07 Jul 2026 23:39:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261393 O cenário geopolítico global está passando por uma metamorfose profunda, mas a oposição conservadora brasileira parece não ter recebido o memorando. A audiência recente no Senado envolvendo política externa e comércio internacional serviu apenas para escancarar o anacronismo da extrema direita. O papel desempenhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não foi apenas ridículo; foi a encarnação de uma diplomacia colonizada.

Ao abordar a política tarifária e comercial do Brasil — um país continental e a maior potência agroambiental do mundo —, Flávio abriu mão do histórico filtro do Itamaraty. Em vez de adotar a tradicional, pragmática e apartidária lente da “política de Estado”, o senador preferiu vestir o espartilho da política partidária doméstica e de um servilismo pueril à agenda “América First” de Donald Trump. O que se viu foi a defesa de um alinhamento canino ao Norte Global, ignorando o fato de que a salvação tarifária de Trump significa, invariavelmente, o encolhimento do mercado brasileiro.

Mas enquanto o senador desfilava o seu complexo de vira-lata tarifário — o que já podemos batizar de “Tariflávio” —, os números reais da economia brasileira provavam que o Brasil já venceu essa disputa nos portos e nas planilhas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O protecionismo americano e o isolacionismo defendido por Flávio foram engolidos pelos recordes do pragmatismo Sul-Sul.

A leitura fria dos dados do Comex Stat revela a derrota absoluta da tese bolsonarista. Se olharmos para a métrica mais confiável do comércio exterior — o acumulado de 12 meses (julho de 2025 a junho de 2026) —, o país esmigalhou suas marcas históricas. A nossa corrente de comércio (a soma do que vendemos com o que compramos) ultrapassou os inéditos US$ 615 bilhões.

Isso só foi possível porque as exportações totais romperam o teto histórico, atingindo US$ 350 bilhões no período, garantindo ao Brasil o segundo maior saldo comercial positivo (superávit) da sua história, na casa dos US$ 85 bilhões. Houve um salto estupendo de quase 40% na corrente comercial se comparado à safra 2020/2021. O Brasil não se isolou, ele se expandiu de maneira voraz.

Corrente de Comércio do Brasil

O motor que esmaga a narrativa de submissão aos EUA continua rugindo alto através das commodities. O petróleo bruto consolidou-se como o campeão de faturamento, enquanto o complexo da soja compensa as oscilações de preço com volumes formidáveis de embarque.

Mas as grandes surpresas vieram das nossas raízes históricas. Tanto o café verde (grão cru) quanto o café solúvel registraram faturamentos assombrosos impulsionados pelas altas cotações internacionais. O setor de carnes faturou mais de US$ 23 bilhões no acumulado Jul/Jun, com frango e boi enchendo os contêineres que partem diariamente para a Ásia e o Oriente Médio.

Principais Exportações do Brasil

A Revolução da Alta Tecnologia e a Derrota do Norte

No entanto, o que mais humilha a diplomacia amadora e subserviente de Flávio Bolsonaro é o eixo geográfico das nossas importações tecnológicas. Enquanto os Estados Unidos travam uma “Guerra Fria” inútil sancionando e bloqueando a tecnologia oriental, o Brasil usa os dólares de seus superávits para modernizar sua matriz produtiva direto da fonte. E a fonte não fica no Texas, fica em Shenzhen e Guangzhou.

A revolução digital brasileira é indiscutivelmente asiática. Nos últimos 12 meses, importamos quase US$ 3 bilhões em smartphones, cerca de US$ 5 bilhões em computadores e quase US$ 7 bilhões em chips e semicondutores. Quase a totalidade desse hardware, vital para a economia rodar, cruza o Pacífico.

Importações Brasileiras de Alta Tecnologia

No asfalto, a mudança de paradigma é ainda mais agressiva. A importação de carros disparou impulsionada exclusivamente pelo fenômeno do carro elétrico e híbrido chinês. Montadoras como BYD e GWM invadiram o mercado. O Brasil injetou quase US$ 3 bilhões em veículos asiáticos sustentáveis, engolindo as montadoras tradicionais ocidentais. Na geração de energia, o brasileiro consumiu US$ 4 bilhões em painéis solares (majoritariamente chineses), acelerando de forma descentralizada a transição energética nas fazendas e nos tetos urbanos.

Ao tentar reduzir a grandiosidade geopolítica do Brasil às miudezas da guerra ideológica americana, Flávio Bolsonaro provou estar completamente alheio ao que acontece nos portos de Santos, Paranaguá e Suape. O Brasil pragmático, que vende aviões, carne e energia para o mundo inteiro, e compra carros elétricos e semicondutores do Oriente, não cabe nas cartilhas protecionistas do Norte Global.

O “Tariflávio” não é uma política comercial. É apenas o delírio reacionário de um país que já ficou para trás.

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A Bola nunca saiu do lugar. Então por que o Brasil perdeu o pênalti? https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-bola-nunca-saiu-do-lugar-entao-por-que-o-brasil-perdeu-o-penalti/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-bola-nunca-saiu-do-lugar-entao-por-que-o-brasil-perdeu-o-penalti/#respond Tue, 07 Jul 2026 19:49:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261386

Por Rollo — formado na universidade da arquibancada, pós-graduado em debates de bar depois do apito final e vacinado contra a turma que, antes do pênalti, diz “qualquer canto serve” e, depois que a bola não entra, explica exatamente onde ela deveria ter ido.

Existe uma cena que dura poucos segundos, mas consegue estressar um país inteiro. O árbitro aponta para a marca da cal. O estádio silencia. O goleiro dança. O atacante respira. E 220 milhões de brasileiros descobrem que têm diploma em Psicologia, Biomecânica, Física, Filosofia e Engenharia de Materiais. Todo mundo sabe como aquele pênalti deveria ter sido cobrado. Depois que ele foi perdido.

O Brasil acaba de ganhar mais um capítulo nessa coleção: contra a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, um pênalti desperdiçado entrou imediatamente para o álbum das cobranças que mudaram histórias. Como antes aconteceu com Waldemar de Brito, em 1934. Com Zico, em 1986. Com Sócrates. Com Júlio César. Com Márcio Santos, em 1994 — felizmente salvo por Romário, Branco e Dunga. Com Willian e Hulk, em 2014. Com Rodrygo e Marquinhos, em 2022. O curioso é que quase ninguém discute o principal personagem da cena. Os olhos.

Minha teoria — e assumo que é apenas uma teoria — é simples. A bola não vai fugir. Ela está parada. O goleiro, não. Então por que tanta gente insiste em olhar para o único personagem daquela história que já decidiu exatamente onde vai ficar? O único que ainda pode mentir é o goleiro. O único que ainda pode mudar de ideia é o goleiro. O único que ainda pode enganar é o goleiro. Talvez o verdadeiro duelo do pênalti não aconteça entre o pé e a luva. Aconteça entre dois pares de olhos.

É claro que especialistas em treinamento esportivo explicam que existem diferentes técnicas de cobrança: alguns jogadores escolhem o canto antes da corrida. Outros esperam o movimento do goleiro para decidir. Ambas podem funcionar quando bem executadas. Mas, como simples observador de sofá — essa instituição brasileira tão antiga quanto o radinho de pilha — continuo desconfiando de uma coisa: olhar apenas para a bola é como fazer prova conferindo somente a caneta. O problema nunca esteve na caneta. Está na pergunta. O goleiro é a pergunta. A bola é apenas a resposta.

E talvez seja justamente por isso que grandes goleiros estudem tanto o comportamento dos cobradores. Eles não observam apenas o pé. Observam o tronco. Os ombros. A velocidade da corrida. A posição da cabeça. Os olhos. Porque os olhos entregam intenções antes do corpo. E intenções, em futebol, valem campeonatos. Talvez por isso eu nunca tenha entendido aquela cena clássica do cobrador que fixa o olhar na bola durante toda a corrida. A bola continua ali, educadamente parada. Esperando. Enquanto o goleiro faz exatamente aquilo que precisa fazer: tenta convencer o atacante de que está em todos os cantos ao mesmo tempo. É quase um truque de mágica, de ilusionismo (sem precisar do Mister M). Ou um truque de política. E a plateia olha para onde mandam olhar. Enquanto o segredo acontece em outro lugar.

No fundo, o pênalti talvez seja a metáfora perfeita do Brasil. A gente passa boa parte da vida olhando para o problema errado, brigando com o efeito, ignorando a causa. Discutindo com a bola, esquecendo o goleiro. No futebol, isso custa uma Copa. Na vida, costuma custar um país inteiro. Talvez eu esteja completamente errado. Talvez treinadores, psicólogos do esporte, fisiologistas, estatísticos e campeões mundiais leiam este texto e sorriam da ingenuidade deste cronista. É. Talvez. Tudo bem. Mas deixo uma última pergunta. Se a bola jamais saiu do lugar… Por que continuamos olhando para ela?

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi. E atualmente participa da produção do Espaço de Cinema Cavídeo em Vicente de Carvalho, Rio.

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A presença militar do EUA no Golfo Pérsico https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-presenca-militar-do-eua-no-golfo-persico/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-presenca-militar-do-eua-no-golfo-persico/#respond Tue, 07 Jul 2026 19:06:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261384 Por João Claudio Platenik Pitillo

A fracassada “Operação Fúria Épica” reacendeu o debate sobre o valor estratégico das bases militares estadunidenses no Oriente Médio. Durante a guerra, o Irã atacou pelo menos 20 instalações militares estadunidenses em oito países, causando danos significativos e forçando as tropas ianques a se realocarem em hotéis e prédios de escritórios por toda a região. Teerã danificou ou destruiu pelo menos 228 estruturas e equipamentos militares, incluindo hangares, quartéis, aeronaves, depósitos de combustível e sistemas de defesa aérea. A guerra com o Irã ressaltou uma realidade simples, a expansão militar dos EUA no Oriente Médio é contraproducente.

A forte presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio é um fenômeno relativamente recente. Ela foi construída em paralelo com o aumento da relação política da Casa Branca com as monarquias do petróleo, principalmente depois da guerra contra o Iraque. Os níveis de tropas estadunidenses flutuaram ao longo das décadas, mas hoje os EUA mantêm uma média de 40.000 a 45.000 militares em bases conhecidas na Ásia Ocidental.

Os defensores de uma presença estadunidense significativa na região do Golfo Pérsico, geralmente a justificam citando dois interesses-chave de Washington: garantir o fornecimento ininterrupto de petróleo e impedir a ascensão de uma potência hegemônica regional. No entanto, nenhum desses objetivos exige uma presença militar direta dos EUA na região. Foi justamente a “Operação Fúria Épica” que desencadeou o cenário de crise petrolífera mais perigosa dos últimos tempos. Teerã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, interrompendo 20% do fornecimento global. Fazendo fracassar os objetivos primazes do EUA na região.

Mais importante ainda, essa interrupção sem precedentes foi resultado direto da decisão estadunidense de atacar o Irã. Teerã fechou o estreito como último recurso, concluindo que sua sobrevivência estava em risco. No entanto, Washington não estava disposto a arcar com os enormes custos de tentar abrir à força essa via navegável, já que seus interesses não foram diretamente afetados. O EUA partilhou o seu fracasso com o Ocidente Coletivo, transferindo para ele parte do peso de suas consequências.

Seguindo essa “lógica do petróleo”, Washington há muito acredita que o surgimento de uma potência hegemônica regional na Ásia Ocidental poderia criar uma ameaça à segurança em longo prazo. Sendo assim, os argumentos para manter uma presença militar na região baseiam-se na crença de que as tropas estadunidenses são uma força estabilizadora, dissuadindo potenciais agressores. Mas essa afirmação também se mostra falsa.

Não há nenhuma potência hegemônica na Ásia Ocidental até o momento, porque nenhum ator individual possui a influência política, econômica e militar combinada necessária para garantir tal domínio. Isso é uma realidade que independe de os EUA estarem presentes na região ou não. A região é politicamente fragmentada, economicamente dispersa e sua geopolítica dificulta a centralização. Nenhum país da região possui poder militar suficiente para superar essas barreiras e subjugar seus rivais. Assim, a hegemonia regional permanecerá fora do alcance de qualquer Estado da Ásia Central por um bom tempo.

Isso também se aplica ao Irã. A República Islâmica carece de penetração política, de riqueza econômica e da superioridade militar necessárias para hegemonizar a regional. A “Operação Fúria Épica” não alterou essa realidade. Certamente, o Irã demonstrou sua capacidade de resistir à enorme pressão, exercer influência no Estreito de Ormuz e impor custos significativos ao agressor, forçando Washington a mudar de rumo. Mas, a capacidade de resistir à coerção não é o mesmo que a capacidade de dominar a região. Teerã permanece politicamente isolada e sob o peso de restrições econômicas muito duras, impostas pelo Ocidente Coletivo.

O atual conceito militar-estratégico do EUA privilegia o uso da força militar como primeira opção, e não como última. Ao constituir uma rede de bases militares na região do Golfo Pérsico, o EUA eliminou inúmeros problemas logísticos e políticos, que poderiam complicar ou mesmo dificultar as suas ações militares. Tal coisa favorece a política estadunidense de coerção em detrimento da diplomacia. Como resultado, os Estados Unidos frequentemente iniciam ou intervêm diretamente em guerras desnecessárias por toda a Ásia Ocidental se estendendo até o Norte da África. Isso pode ser dito de praticamente todos os principais conflitos recentes na região: Níger, Nigéria, Somália, Líbia, Iêmen, Iraque, Síria, Líbano e Irã.

A extensa e antiga presença militar estadunidense na região do Golfo Pérsico arrasta Washington para conflitos que poderiam ser evitados. Isso limita a flexibilidade estratégica, muitas vezes resultando em uma reação dos Estados Unidos aos eventos à medida que surgem e se desenrolam. Os parceiros de Washington reconhecem isso e frequentemente agem de forma mais arriscada do que agiriam na ausência dos Estados Unidos, confiantes de que o EUA os protegerão das consequências. Os resultados da “Operação Fúria Épica” devem levar a uma reavaliação há muito esperada da presença militar dos EUA na Ásia Ocidental, não só pelos próprios estadunidenses, mas também por aqueles que hospedam essas bases.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

 

 

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Rogerio Dultra: O “problema” da seleção “brasileira” https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/rogerio-dultra-o-problema-da-selecao-brasileira/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/rogerio-dultra-o-problema-da-selecao-brasileira/#respond Tue, 07 Jul 2026 14:19:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261378 Por Rogério Dultra dos Santos

A impressão que dava no jogo do último domingo contra a Noruega era que ninguém sabia o que fazer quando a bola estava com o adversário. Nunca tinha visto acontecer com a seleção, a não ser, de forma menos óbvia, no primeiro tempo contra o Japão.

A Noruega colocou a seleção brasileira literalmente na roda.

Confesso. Só assisto futebol nas copas. Mas desde o 7 x 1 em 2014 a minha impressão é que a seleção brasileira sempre caía principalmente pela desorganização criminosa e interessada da CBF (os seus principais ex-dirigente presos, foragidos etc.).

Desta vez, em que pese a continuidade nefasta da tradição da cartolagem, o problema pareceu ser todinho oriundo de dentro do campo.

Os efêmeros 35% de posse de bola refletiram, para mim, uma mudança de postura mais profunda.

A seleção parece passar por algo mais radical que uma colonização cultural que lhe suga a alma e que a transforma em um epíteto de covardia e indecisão. O técnico italiano seria assim apenas um de seus sintomas.

E o problema parecer ser somente de dentro do campo é, como diria o filósofo alemão Immanuel Kant, um epifenômeno, isto é, o problema percebido por todos nos jogos desta copa é algo apenas acessório, superficial.

Então, como alcançar o “noumeno”, o problema central?

Elementos para um diagnóstico nefasto já haviam sido apontados pelo jornalista esportivo Juca Kfouri há alguns anos: o controle do patrocinador da seleção sobre a escolha de partidas e adversários em amistosos e sobre a escalação de jogadores, a partir de um contrato assinado pela própria CBF.

Em 2014 a Nike poderia indicar, por exemplo, até oito jogadores, segundo o jornalista.

O caso de Neymar, portanto, foi um episódio apenas msis evidente de que o critério da convocação dos jogadores há muito passa longe da capacidade de jogo ou da qualidade técnica.

A hegemonia de critérios negociais e econômicos e sua supremacia em relação a critérios de mérito tornou-se estrutural no futebol comandado pelos cartolas da CBF.

É. Tem tempo que a seleção se transformou em um negócio lucrativo para poucos, embora represente um patrimônio público e seja abraçada como símbolo nacional.

Mas o que a Copa de 2026 apresentou de novidade para a “nossa” seleção? Foi apenas um aprofundamento do espirito confuso que, no campo, lhe rendeu uma derrota trágica contra a Alemanha em 2014?

Ou foi a mudança de postura provocada por um treinador que sabe cantar o hino nacional mas desconhece a cultura já secular do futebol brasileiro e sul-americano?

Não creio.

A Copa acontecer nos EUA de Trump (e também no Canadá e no México), sob a benção subserviente de Gianni Infantino, Presidente da FIFA há dez anos, traz uma dimensão geopolítica ao “problema” da seleção “brasileira”.

A minha hipótese – meio óbvia – é que a seleção, e a própria CBF, se transformaram, ao passar dos anos, de um produto principal para um elo menor de uma cadeia de produtos que é organizada pelo centro de distribuição europeu (FIFA) para induzir artificialmente a necessidade de consumo e a ampliação de mercados consumidores pelo mundo.

Essa transformação do status do Brasil de produtor central para periferia de ativos do futebol mundial, mantidas as condições normativas da ausência de controle público sob a CBF (por exemplo, mas não só), pode ser irreversível.

O indício mais escandaloso é o patrocinio maciço e o envolvimento não somente da seleção, mas de praticamente todos os times brasileiros com as famigeradas Bet’s.

Mas a questão ainda precisa ser melhor estudada e aprofundada.

Por que a seleção sofreu esse deslocamento? Por que foi submetida a uma descaracterização radical de sua forma de jogar, como pentacampeã e exportadora de craques? Como se tornou tão medíocre a ponto de entrar na “rodinha” da Noruega???

Esse debate precisa ser feito, de forma séria e organizada, se se deseja que o futebol volte a ser um motivo de orgulho e não de vergonha nacional.

Achar que a culpa é apenas do técnico é apontar para o jabuti em cima da árvore. Quem é que colocou o bicho lá?

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PF mira R$ 7,6 bilhões em suspeita de lavagem no Rio — e um dos alvos é o candidato ao Senado escolhido a dedo por Flávio Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/pf-mira-r-76-bilhoes-em-suspeita-de-lavagem-no-rio-e-um-dos-alvos-e-o-candidato-ao-senado-escolhido-a-dedo-por-flavio-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/pf-mira-r-76-bilhoes-em-suspeita-de-lavagem-no-rio-e-um-dos-alvos-e-o-candidato-ao-senado-escolhido-a-dedo-por-flavio-bolsonaro/#comments Tue, 07 Jul 2026 12:27:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261375 12 Comentários 🔥]]> A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de postos de combustíveis suspeita de operar como fachada para lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Entre os alvos de mandados de busca e apreensão está Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo — e nome escolhido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para disputar uma das vagas fluminenses ao Senado em outubro.

Um esquema bilionário sob investigação há anos

A operação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, cumpre 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. O gatilho que deu escala bilionária ao caso foi um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos em estruturas empresariais ligadas ao setor de combustíveis — uma cifra que, segundo os investigadores, reforça a suspeita de que a rede de postos servia para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita.

Além de Canella, a operação também mira o delegado Marcus Amin, que comandou a Polícia Civil do Rio de Janeiro entre outubro de 2023 e setembro de 2024, durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL). Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro — sem descartar novos crimes à medida que o material apreendido for analisado. A ofensiva integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para combater organizações criminosas no Rio sob diretrizes fixadas pelo STF na ADPF das Favelas, ação que regula a atuação das forças de segurança no território fluminense.

Um vínculo que ultrapassa a esfera policial

O que eleva a temperatura política do episódio é o currículo recente de Canella. Ele foi apresentado publicamente por Flávio Bolsonaro como opção de composição de chapa para o Senado no Rio de Janeiro em 2026 — parte da estratégia do senador para fortalecer o campo bolsonarista no estado, num ano em que o próprio Flávio disputa a Presidência. A relação entre os dois já havia sido registrada em fotos e publicações nas redes sociais que circularam meses antes da operação.

O nome de Canella, aliás, não chega limpo a este episódio: reportagens anteriores da Folha de S.Paulo já haviam apontado que, à frente da prefeitura de Belford Roxo, ele nomeou dois condenados por práticas de milícia para cargos de secretário municipal — um dado que, embora não faça parte diretamente da investigação da Operação Unha e Carne, ajuda a compor o quadro de proximidade do ex-prefeito com estruturas de poder paralelo na Baixada Fluminense.

Marcus Amin, por sua vez, também tem histórico de proximidade política com Canella: ainda como deputado estadual, o ex-prefeito de Belford Roxo concedeu ao delegado a Medalha Tiradentes, a principal comenda da Assembleia Legislativa fluminense. Amin chegou à chefia da Polícia Civil em 2023 após pressão de deputados estaduais sobre o governo Castro, e deixou o cargo um ano depois para assumir função de coordenador de segurança na Alerj — então presidida por Rodrigo Bacellar (PL), hoje preso.

O que está em jogo para a pré-candidatura de Flávio

O episódio chega num momento particularmente desconfortável para o senador: às vésperas de participar, em Washington, da audiência do USTR sobre o tarifaço americano — na qual tenta se apresentar como interlocutor respeitável entre Brasil e Estados Unidos —, Flávio vê um de seus principais aliados na articulação eleitoral fluminense se tornar alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro em escala bilionária. Para uma pré-candidatura presidencial que já enfrenta desgaste por seu papel na escalada das tarifas contra o Brasil, a proximidade documentada com um nome agora sob investigação da PF adiciona mais uma frente de exposição política, num momento em que cada gesto do clã Bolsonaro já é escrutinado como parte do tabuleiro eleitoral de outubro.

Até o momento, nem a defesa de Márcio Canella nem a de Marcus Amin se pronunciaram publicamente sobre os mandados cumpridos nesta terça-feira. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

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Brasil já venceu o novo tarifaço antes dele começar https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/brasil-ja-venceu-o-novo-tarifaco-antes-dele-comecar/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/brasil-ja-venceu-o-novo-tarifaco-antes-dele-comecar/#respond Mon, 06 Jul 2026 15:43:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261365 Aos 12 meses encerrados em junho de 2026, a corrente de comércio exterior do Brasil — a soma de tudo que o país exportou e importou — alcançou US$ 634,74 bilhões, o maior valor da série histórica, alta de 6,5% sobre os 12 meses imediatamente anteriores. Em uma década, o volume de comércio do país mais que triplicou: era de US$ 181,5 bilhões em 2016-17.

Foram US$ 354,9 bilhões em exportações e US$ 279,9 bilhões em importações, resultando num superávit comercial de US$ 75,0 bilhões. É o segundo maior saldo da série jul-jun — atrás apenas dos US$ 84,5 bilhões registrados no ciclo anterior, o que significa uma queda de 11,2%. O motivo não foi fraqueza das vendas externas (que cresceram 4,3%), mas sim o salto das compras do exterior (+9,5%), reflexo de uma demanda interna aquecida.

É contra esse quadro de pujança que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Washington neste fim de semana. Ele participa nesta terça-feira (7), ao lado do USTR (Representação Comercial dos EUA) e da Comissão de Comércio Internacional americana, de audiências sobre o tarifaço de 25% que o governo Trump quer aplicar sobre praticamente todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

A ironia é que os próprios números do comércio exterior brasileiro — todos eles oficiais, do ComexStat/MDIC — mostram que o Brasil já venceu esse tarifaço antes mesmo de ele começar.

A pauta que sustenta o recorde

Cinco capítulos respondem por mais da metade de tudo o que o Brasil vende ao mundo, nos 12 meses até junho:

Produto Exportação (US$ bi)
Combustíveis minerais / petróleo 61,95
Sementes e grãos oleaginosos / soja 45,21
Minérios, escórias e cinzas 35,44
Carnes e miudezas 30,21
Açúcares e confeitaria 14,69

Desses, três são commodities que o mundo precisa comprar de alguém — soja, minério e petróleo —, e duas são produtos nos quais o Brasil é potência absoluta (carnes e açúcar). A diversidade já é, em si, uma defesa contra qualquer tarifação dirigida.

A virada do petróleo

A história mais forte destes 10 anos está escondida dentro do capítulo de combustíveis. Em 2016-17, o Brasil era deficitário em petróleo e derivados: exportava US$ 10,4 bilhões e importava US$ 11,1 bilhões, um saldo negativo de US$ 0,8 bilhão. Nos 12 meses até junho de 2026, exportou US$ 62,0 bilhões e importou US$ 32,1 bilhões — superávit de US$ 29,9 bilhões.

O pré-sal transformou a balança energética do país. Mas há um detalhe: o Brasil ainda importa US$ 10,3 bilhões em diesel (gasóleo) por ano, o item isolado mais comprado do exterior, porque seu parque de refino não acompanhou a demanda interna. Exporta-se o cru; importa-se o refinado.

Complexo soja: US$ 57,7 bilhões

A soja, principal commodity agrícola exportada, movimentou quase US$ 60 bilhões. O detalhe:

  • Soja em grão: US$ 47,3 bilhões (112,8 bilhões de kg)
  • Farelo/farinha de soja: US$ 8,5 bilhões
  • Óleo de soja: US$ 1,85 bilhão

Quase tudo em grão, in natura — o segundo maior item da pauta, atrás só do petróleo bruto.

Para onde vai tudo isso

A China segue sendo, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil. A corrente comercial entre os dois países somou US$ 174,1 bilhões nos 12 meses até junho — mais que o dobro do segundo colocado. O superávit brasileiro com Pequim foi de +US$ 28,1 bilhões.

Os Estados Unidos aparecem em segundo, com corrente de US$ 78,7 bilhões e saldo praticamente zero (−US$ 1,5 bilhão). A União Europeia, tomada como bloco, é a terceira maior parceira: corrente de US$ 100,0 bilhões e superávit brasileiro de +US$ 3,8 bilhões.

Parceiro Corrente (US$ bi) Saldo do Brasil
China 174,1 +28,1
União Europeia 100,0 +3,8
Estados Unidos 78,7 −1,5

Por que o tarifaço não assusta

É aqui que entra o ponto geopolítico central — e os dados o sustentam.

A narrativa de Washington é a de que um tarifaço de 25% (ou até 40%, conforme análise da FTI Consulting, se somado a tarifas recíprocas) “puniria” o Brasil. A realidade é que o Brasil ampliou drasticamente o leque de destinos de suas exportações na última década, reduzindo sua dependência de qualquer comprador único.

Os números são eloquentes:

  1. A China sozinha absorve quase todo o superávit comercial brasileiro (+US$ 28,1 bi). Sem a China, o saldo comercial do Brasil estaria perto do equilíbrio. É ela que compra a soja, o minério, o petróleo e, cada vez mais, a carne.
  2. A relação com os EUA já é equilibrada (saldo de −US$ 1,5 bi). Aplicar 25% sobre produtos brasileiros tende a encarecer insumos para a própria indústria americana e elevar preços ao consumidor dos EUA — não a “dobrar” o Brasil.
  3. Os produtos-prioridade do tarifaço são commodities globalmente demandadas. Soja, minério de ferro e petróleo têm compradores em fila na Ásia, no Oriente Médio e na própria Europa. Se os EUA taxarem a soja brasileira, ela simplesmente vai para a China; se taxarem o aço, ele vai para qualquer outro mercado. O Brasil consegue deslocar o que os EUA deixarem de comprar para outros compradores — exatamente o que ocorreu no tarifaço anterior, quando o agronegócio chinês migrou para o Brasil.
  4. A Holanda, porta de entrada da Europa, registrou superávit brasileiro de +US$ 9,5 bilhões. A Rússia, de quem o Brasil compra fertilizantes essenciais à própria agroexportação, movimentou US$ 13 bilhões. Há uma teia comercial ampla e resiliente.

A tese que os dados confirmam

A audiência desta terça-feira em Washington, com Flávio Bolsonaro pedindo ao USTR a suspensão da tarifa de 25%, se dá num momento em que o Brasil nunca esteve tão forte do ponto de vista comercial. Em 12 meses: recorde de corrente de comércio, segundo maior superávit da história para o período, virada do petróleo e diversificação de mercados.

A ameaça americana é, do ponto de vista estritamente comercial, quase inócua. O Brasil já ampliou seus destinos a ponto de qualquer queda na demanda dos Estados Unidos ser absorvida por outros compradores — principalmente a China, mas também o bloco europeu, o Sudeste Asiático e o Oriente Médio.

Em outras palavras: o Brasil matou, pela diversificação, o efeito de um tarifaço que ainda nem começou. O que Trump assina em 1º de agosto pode até render manchete — mas, pelos números do MDIC, o Brasil já venceu esse novo tarifaço ridículo antes mesmo de ele começar.

📊 Fontes: ComexStat/MDIC (API oficial, valores FOB, janela jul-jun, série 2016-17 a 2025-26); USTR (Section 301 Determination, 1º/06/2026); imprensa (G1, CNN Brasil, R7, Brasil de Fato).

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O estranho lobby da Folha pelo aumento nos preços do frango https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/o-estranho-lobby-da-folha-pelo-aumento-nos-precos-do-frango/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/o-estranho-lobby-da-folha-pelo-aumento-nos-precos-do-frango/#respond Mon, 06 Jul 2026 13:29:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261342 O estranho lobby da Folha pelo aumento dos preços do frango

Examinando com mais atenção a recente matéria da Folha de S.Paulo sob o título “Governo teme que veto à carne brasileira eleve preço no mercado interno”, fica evidente que se trata de um texto plantado pela indústria brasileira de carnes para pressionar o governo federal.

Tudo no texto é bizarro. A matéria não apresenta fontes claras, escorando-se na muleta do “sob reserva” atribuída a supostos integrantes do setor, o que no jornalismo político é sempre a assinatura de informações repassadas por lobistas. Além disso, o texto é demasiadamente curto, evidenciando que sua única função é divulgar uma manchete alarmista em vez de aprofundar o assunto.

A restrição da União Europeia, baseada no uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, está prevista apenas para setembro. Estamos no início de julho, o que garante à diplomacia e ao Ministério da Agricultura tempo de sobra para reverter ou contornar o embargo.

É importante fazer uma ressalva justa sobre a atitude da Europa. Ao contrário das tarifas americanas, que costumam ser surreais e sem fundamento técnico, o veto europeu tem sua razão de ser. O bloco europeu tem legitimidade em se preocupar com o uso indiscriminado de remédios e antibióticos na criação de frangos e bois.

Essa é uma preocupação, aliás, que os próprios consumidores brasileiros deveriam compartilhar, pois o excesso de medicação nos animais prejudica a saúde humana a longo prazo. Trata-se de um dilema complexo: é preciso combater os micróbios e manter a saúde dos rebanhos, mas sem que o excesso de substâncias químicas envenene o consumidor final. Portanto, o rigor europeu, neste caso específico, é compreensível.

O que não é compreensível, no entanto, é o malabarismo estatístico e econômico que a matéria da Folha faz para defender os interesses dos frigoríficos brasileiros. O texto argumenta que o possível veto geraria um impacto de 2,2 bilhões de reais e que isso seria repassado ao consumidor, encarecendo a carne nos supermercados logo antes das eleições.

Essa afirmação esbarra frontalmente na realidade dos números. Segundo os dados oficiais extraídos do sistema ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a União Europeia não é o gigante mercado comprador de carnes que o texto tenta pintar, especialmente no caso do frango. No acumulado dos últimos 12 meses até junho de 2026, a Europa inteira, somando todos os seus 27 países, comprou apenas 374,9 milhões de dólares de carne de frango do Brasil.

Para colocar isso em perspectiva, as Filipinas, um pequeno arquipélago no Pacífico, compraram no mesmo período 580,6 milhões de dólares do nosso frango. Ou seja, as Filipinas importam muito mais frango brasileiro do que o poderoso mercado europeu. A Europa responde hoje por meros 2% do total de frango que o Brasil exporta.

Como o consumo interno de frango absorve quase 80% de toda a nossa produção nacional (e apenas os 20% restantes vão para fora), a matemática é implacável: a União Europeia inteira representa irrisórios 0,4% da produção total brasileira de frango. O coração do consumo da nossa proteína aviária bate no Oriente Médio e na Ásia, com a Arábia Saudita, Japão e Emirados Árabes Unidos comprando quase 1 bilhão de dólares cada um, anualmente.

A magnitude das nossas exportações gerais e do nosso próprio consumo doméstico torna inviável que um problema pontual em um mercado com peso de apenas 2% cause qualquer abalo estrutural nos preços. Mais do que isso, a lógica econômica aponta exatamente para a direção contrária à anunciada pela matéria.

Se o Brasil deixa de exportar seu produto para a Europa e a produção interna se mantém inalterada, ocorre um aumento da oferta de carne de frango no mercado doméstico. Um excedente de produto nas prateleiras dos supermercados fatalmente força a queda do preço ao consumidor, e não a subida.

Outro fator que confirma a falta de sentido da matéria da Folha é que a inflação do frango hoje no Brasil está num dos menores níveis dos últimos anos. Segundo o IPCA-15 de junho de 2026, o preço do frango, no acumulado de 12 meses, está em -5,05%.

Enquanto no início de 2022 a variação sobre a proteína assustava os consumidores com uma alta acumulada de 17,34%, o produto iniciou desde então uma consistente trajetória de queda, reforçando o panorama de barateamento das carnes brancas. Essa retração contínua contrasta drasticamente com o cenário de crise vivenciado nos anos anteriores e representa um alívio direto no orçamento alimentar das famílias de menor renda.

O pico da deflação para o frango inteiro ocorreu em dezembro de 2023, quando a variação em 12 meses atingiu -7,43%. A partir daí, os preços seguiram estabilizados em patamares negativos, o que evidencia uma recuperação concreta do poder de compra e uma oferta abundante e bem estruturada da proteína no mercado interno.

Gráfico Inflação Frango

A indústria da carne percebe que terá de readequar processos sanitários ou absorver pequenas perdas em um de seus menores mercados. Para evitar isso, usa os grandes jornais para lançar uma ameaça velada: caso tenham qualquer contratempo lá fora, agirão em bloco para encarecer a comida dos brasileiros, transferindo um custo imaginário para a população. É, em suma, um lobby para tentar forçar o aumento dos preços sob falsos pretextos. A Europa e os seus consumidores têm toda a razão em cobrar qualidade da nossa carne, enquanto a nós, brasileiros, resta exigir que a nossa imprensa pare de atuar como relações públicas de frigoríficos.

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Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA revela contradição ao tratar de tarifaço contra o Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-eua-revela-contradicao-ao-tratar-de-tarifaco-contra-o-brasi/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-eua-revela-contradicao-ao-tratar-de-tarifaco-contra-o-brasi/#respond Mon, 06 Jul 2026 12:01:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261340 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para Washington para participar de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre um possível tarifaço contra produtos brasileiros. O movimento, que desloca a pré-campanha do terreno doméstico para o front comercial externo, expõe uma contradição incômoda: em vez de defender os interesses do país, o senador parece disposto a prestigiar uma pauta cara a aliados em Washington. Não há nada de patriótico em colocar holofotes estrangeiros acima da indústria e do emprego brasileiros.

De acordo com o roteiro divulgado, o parlamentar chegou à capital americana no sábado e será um dos expositores no segundo e último dia de debates sobre a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% a bens do Brasil. Trata-se de uma audiência pública organizada pelo USTR, órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o país. A mera presença de um senador brasileiro nesse palco, sem mandato institucional claro, já é um recado: a plateia principal não está em Brasília, mas em Washington.

O impacto potencial de uma sobretaxa dessa magnitude não é detalhe técnico. Levantamentos oficiais de comércio exterior mostram que os Estados Unidos foram, em 2023, o segundo maior destino das exportações brasileiras, compondo parcela relevante da pauta nacional. Um tarifaço de 25% contra produtos do Brasil atingiria setores-chave e cadeias produtivas integradas, com efeito dominó sobre faturamento, renda e postos de trabalho no país. A aritmética é simples: barreira lá fora, prejuízo aqui dentro.

O dano não pararia no fluxo comercial. Estatísticas do Banco Central do Brasil apontam os Estados Unidos como uma das principais origens do investimento direto no país, capital decisivo para expansão de capacidade, inovação e contratações. Ao alimentar um ambiente de hostilidade tarifária, a mensagem enviada a investidores é a pior possível: instabilidade política convertida em risco econômico. Se a conta vier, não serão os aliados de Washington a pagá-la, mas o trabalhador brasileiro.

Há ainda o ponto institucional, que não é menor. A Constituição Federal, no artigo 84, estabelece que a condução da política externa é prerrogativa do Presidente da República, com a execução diplomática a cargo do Ministério das Relações Exteriores. Não há registro público de que o Itamaraty tenha delegado a Flávio um mandato oficial para negociar ou falar em nome do Brasil numa audiência desse porte. Quando um senador atua fora desse marco, o que se vê é improviso de paradiplomacia pessoal, não defesa da soberania.

O USTR vende suas iniciativas como defesa de equilíbrio concorrencial, mas a prática é bem menos romântica: sanções comerciais seletivas têm sido usadas para pressionar países do Sul Global a alinhar agendas à conveniência de Washington. Ao se apresentar como expositor numa audiência que discute sobretaxar o Brasil, Flávio escolhe a cena em que o país é colocado no banco dos réus. Em vez de construir pontes comerciais, legitima o tribunal que mira nossa pauta exportadora.

Do ponto de vista econômico, o momento exige o oposto: previsibilidade regulatória, abertura de mercados e defesa ativa do parque produtivo nacional. Dados recentes do comércio exterior e do fluxo de investimentos mostram que relações equilibradas com os EUA interessam ao Brasil quando pautadas por respeito e simetria. Sobretaxas punitivas só ampliam a desigualdade entre países e elevam o custo de quem produz aqui, corroendo margens e desestimulando novos projetos.

Do ponto de vista político, a escolha é didática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado a importância de uma inserção internacional soberana, com diversificação de parceiros e reforço de cadeias regionais. O Itamaraty trabalha nesse eixo, com diálogo técnico e defesa firme do interesse nacional. Ao preferir a vitrine de uma audiência organizada pelo governo dos EUA, Flávio caminha na direção contrária, alimentando a narrativa de que o Brasil deve aceitar pressões unilaterais em vez de negociar de igual para igual.

No fim, a questão é menos de agenda eleitoral e mais de prioridade de país. Um senador pode usar um voo internacional para duas coisas: defender quem produz no Brasil ou posar para aliados que veem vantagem em encarecer o que exportamos. A audiência do USTR servirá como prova dos nove. O Brasil precisa de soberania comercial, não de aval político a tarifaços ditados em Washington.

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‘Até a pé nós iremos’ https://www.ocafezinho.com/2026/07/05/ate-a-pe-nos-iremos/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/05/ate-a-pe-nos-iremos/#respond Sun, 05 Jul 2026 17:56:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261332

Por Rollo — que aprendeu, ainda criança, a cantar o hino do Grêmio com o saudoso pai, o gremista “Seo” Anastácio, e só muitos anos depois descobriu que o “Até a pé nós iremos”  era menos uma metáfora futebolística do que um retrato recorrente do Brasil.

Como uma greve inspirou o hino do Grêmio, atravessou 73 anos da História eresolveu reaparecer no Rio de Janeiro durante Copa do Mundo  2026

Pouca gente sabe, mas uma das frases mais famosas do futebol brasileiro nasceu de uma greve no transporte público. Não foi num estádio. Não foi numa final. Muito menos numa reunião de marketing. Nasceu na rua. Antes de virar canto de arquibancada, identidade tricolor e arrepio coletivo, o “Até a pé nós iremos” já era vida real. Daquelas sem ônibus, sem bonde, sem aplicativo, sem ar-condicionado e sem GPS dizendo: “Seu destino está à esquerda.” Era só o cidadão, o relógio e a sola do sapato.

O autor da frase foi Lupicínio Rodrigues (1914–1974). Negro. Gaúcho. Boêmio. Um dos maiores compositores da música brasileira de todos os tempos. Especialista em transformar sofrimento em melodia muito antes de inventarem playlist para término de relacionamento. É dele “Se Acaso Você Chegasse”, que Elza Soares transformou em explosão de talento. É dele “Nervos de Aço”, que Nelson Gonçalves fez chorar e Paulinho da Viola fez eternizar outra vez. É dele “Esses Moços (Pobres Moços)”, nas vozes de Nelson, Bethânia, Gil, Caetano. É dele “Vingança”, prova de que rancor também pode virar obra-prima. É dele “Felicidade”. Em outras palavras: boa parte da trilha sonora dos amores mal resolvidos do Brasil saiu da mesma caneta que escreveu o hino do Grêmio.

É dele boa parte da trilha sonora das desilusões amorosas do século XX. Se o sofrimento pagasse direitos autorais, Lupicínio teria comprado metade de Porto Alegre. Mas o curioso é que uma de suas obras mais conhecidas não fala de amor. Fala de futebol. Fundado em 15 de setembro de 1903, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense nasceu quando um grupo de rapazes decidiu fundar um clube inspirado no futebol que começava a desembarcar no Brasil.

Mais de um século depois, tornou-se campeão brasileiro, da América, do mundo e dono de uma das torcidas mais apaixonadas do país. Em 1953, ano do cinquentenário do clube, Lupicínio escreveu aquele que se tornaria um dos maiores hinos do futebol brasileiro. A tradição gremista conta que uma greve dos bondes em Porto Alegre obrigou muitos torcedores a caminharem até o estádio. Da necessidade nasceu uma imagem poderosa. “Até a pé nós iremos.” Uma frase tão simples que virou patrimônio afetivo do futebol brasileiro. Bonita, não? Bonita no hino. Na vida real, costuma dar bolha no pé.

Agora avancemos 73 anos. Rio de Janeiro. Copa do Mundo. Brasil prestes a enfrentar a Noruega. Píer Mauá, bares, praças, casas de transmissão, telões espalhados pela cidade, rodas de samba, churrascos improvisados e milhares de torcedores tentando descobrir qual será o adversário mais difícil. A defesa norueguesa? Não. O sistema tático brasileiro? Também não. O ônibus! Enquanto o país discute escalação, o carioca faz contas para descobrir quantos quilômetros consegue andar sem pedir música no Fantástico.

A greve dos rodoviários colocou a mobilidade da cidade em modo prorrogação. Parte da frota deixou de circular, negociações seguem na Justiça do Trabalho, trabalhadores reivindicam reajuste salarial, vale-alimentação e melhores condições de trabalho, enquanto passageiros disputam cada coletivo como se fosse ingresso para a final da Copa. Resultado? O Rio resolveu homenagear Lupicínio Rodrigues sem combinar com ele. Até a pé nós iremos. Não porque somos gremistas. Porque o ônibus simplesmente não veio.

Existe uma ironia deliciosa — e cruel — nisso tudo. No estádio, andar quilômetros até o jogo vira demonstração de amor ao clube. Na segunda-feira, andar quilômetros até o trabalho vira demonstração de colesterol baixo.

No futebol, chamam de paixão. No transporte público, chamam de “plano B”. E o mais curioso é que quase todo mundo escolhe um lado errado dessa discussão. Tem quem trate o passageiro como estatística. Tem quem trate o rodoviário como vilão. Nenhum dos dois dirige essa história. O motorista não é volante com CPF. E o passageiro não é figurante da mobilidade urbana. Os dois são personagens da mesma peça. Os antagonistas quase sempre entram por outra porta.           Porque transporte público é uma das raras engrenagens da sociedade em que todos percebem sua importância exatamente no instante em que ela para. Sem ônibus não existe trabalhador. Sem trabalhador não existe comércio. Sem comércio não existe economia. Sem economia não existe arrecadação. E, curiosamente, sem ônibus também não existe torcida. Afinal, alguém precisa chegar ao estádio. Ou ao telão. Ou ao bar. Ou simplesmente em casa. A Copa apenas deixou isso mais visível.

Enquanto milhões comemoram um gol, outros milhões fazem o percurso entre o ponto de ônibus e o destino repetindo, sem perceber, o verso escrito por Lupicínio há mais de sete décadas.

A diferença é brutal. No hino do Grêmio, caminhar é um gesto de fidelidade. Na vida real, caminhar virou política pública improvisada. Talvez essa seja a maior especialidade brasileira. Transformar necessidade em romantismo. Transformar precariedade em prova de amor. Transformar improviso em tradição. No país do “jeitinho”, andar quilômetros deixa de ser falha do sistema e vira história bonita para contar depois. Como se resistência fosse infraestrutura. Como se sola de sapato substituísse planejamento urbano. Como se o cidadão fosse sempre obrigado a resolver, com as próprias pernas, aquilo que deveria ser resolvido com políticas públicas.

No fundo, Lupicínio escreveu um hino para um clube. O Brasil tratou de transformá-lo em manual de mobilidade urbana. E isso diz muito menos sobre o Grêmio do que sobre nós. Porque um país realmente desenvolvido não é aquele em que seu povo canta, emocionado, que vai a pé. É aquele em que ninguém precisa fazer disso uma rotina.

 

      Nota do autor: este artigo foi concluído antes da partida entre Brasil e Noruega, marcada para domingo, 5 de julho, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Na data de sua publicação, a greve dos rodoviários do Rio de Janeiro já havia sido temporariamente suspensa, após três dias de paralisação, por decisão da categoria em atendimento a um pedido do Tribunal Regional do Trabalho. Os ônibus voltaram a circular, mas os trabalhadores permanecem em estado de greve, e uma nova rodada de negociações entre o sindicato e as empresas está marcada para 6 de julho.

      Independentemente do placar no gramado ou do desfecho das negociações, há uma torcida que continua jogando uma partida diária, sem VAR, sem prorrogação e quase sempre sem troféu: a dos milhões de brasileiros que, antes mesmo de pensar em vencer o adversário do domingo, precisam derrotar o mais imprevisível dos campeonatos urbanos — o de simplesmente conseguir chegar ao destino. Afinal, diferente do futebol, na mobilidade urbana não basta ter raça. Também é preciso que o ônibus apareça.

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi. E atualmente participa da produção do Espaço de Cinema Cavídeo em Vicente de Carvalho, Rio.

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Flávio Bolsonaro arrega e pede aos EUA suspensão de tarifas https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/flavio-bolsonaro-arrega-e-pede-aos-eua-suspensao-de-tarifas/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/flavio-bolsonaro-arrega-e-pede-aos-eua-suspensao-de-tarifas/#respond Thu, 02 Jul 2026 20:40:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261257 Com medo da opinião pública, documento enviado pelo Senador à gestão de Donald Trump argumenta que taxação sobre produtos brasileiros pode produzir efeitos contrários

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou aos Estados Unidos um documento em que pede a suspensão da proposta de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e defende a abertura imediata de negociações bilaterais.  Segundo a CNN, no texto enviado nesta quarta-feira (1º), o parlamentar sustenta que a manutenção das taxas poderá produzir um efeito político contrário ao pretendido e beneficiar diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A manifestação ocorre em um momento de tensão comercial entre os dois países, enquanto autoridades norte-americanas analisam a possibilidade de impor uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Além dos impactos econômicos, o debate também passou a envolver disputas políticas internas, já que diferentes atores apresentam interpretações distintas sobre as consequências da medida.

No documento, Flávio afirma que a continuidade das tarifas fortaleceria o discurso do governo brasileiro e poderia influenciar o ambiente político às vésperas do processo eleitoral. Ao mesmo tempo, o senador argumenta que a decisão também produziria efeitos negativos para empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos.

Enquanto isso, o governo federal mantém sua estratégia diplomática para tentar impedir a adoção das tarifas e sustenta que a medida não atende aos critérios previstos na legislação norte-americana.

No documento encaminhado às autoridades dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro recomenda que a administração do presidente Donald Trump suspenda a proposta de aplicação das tarifas e inicie imediatamente um processo de negociação entre os dois países.

Segundo o parlamentar, essa alternativa permitiria discutir diretamente os temas afetados pela possível taxação, evitando prejuízos econômicos e reduzindo os impactos políticos que, segundo ele, poderiam surgir caso a medida fosse mantida.

Ao justificar sua posição, Flávio afirma que a adoção das tarifas produziria um resultado favorável ao governo brasileiro.

Em sua manifestação, o senador conclui:

“As tarifas propostas proporcionariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”.

A argumentação apresentada procura demonstrar que os efeitos da medida ultrapassariam o campo comercial e alcançariam também o cenário político brasileiro.

Documento associa tarifas ao cenário eleitoral

Outro ponto destacado pelo senador diz respeito ao momento em que a proposta está sendo discutida.

Segundo Flávio Bolsonaro, os Estados Unidos possuem interesse em evitar medidas econômicas de grande impacto contra uma democracia estrangeira durante o período que antecede uma eleição.

Na avaliação apresentada no documento, a aplicação das tarifas nesse contexto poderia ser interpretada como uma tentativa de interferir no processo político brasileiro.

O senador afirma que essa percepção acabaria alimentando sentimentos contrários aos Estados Unidos dentro do Brasil.

Por isso, ele sugere que qualquer eventual decisão seja adiada para depois da realização da votação.

Ao defender essa alternativa, Flávio argumenta:

“Adiar a implementação até depois da votação impede essa caracterização. Esse interesse é indiferente a qual candidato vença, incluindo a reeleição do atual presidente; ele diz respeito apenas ao momento e à percepção da ação dos EUA e reforça, com base em fundamentos inteiramente internos à política dos EUA, a disposição que a lei já permite”.

Além de defender o adiamento das tarifas, o senador afirma que a proposta acabaria favorecendo justamente aqueles que, segundo sua avaliação, deveriam ser responsabilizados.

No documento enviado ao governo norte-americano, Flávio Bolsonaro sustenta que as “tarifas propostas recompensariam justamente os infratores que deveriam punir”.

Com esse argumento, o parlamentar procura demonstrar que a medida não alcançaria os objetivos pretendidos e acabaria produzindo efeitos políticos considerados contraproducentes.

Ao mesmo tempo, ele reforça a defesa de uma solução baseada na negociação entre os dois governos.

Enquanto Flávio Bolsonaro encaminhava sua posição aos Estados Unidos, o governo brasileiro também apresentou sua defesa formal às autoridades norte-americanas.

Na quarta-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou manifestação escrita ao Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR).

O documento integra a fase final do processo que poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

A iniciativa representa a resposta oficial do governo brasileiro diante das acusações formuladas durante a investigação conduzida pelas autoridades norte-americanas.

Investigação analisa práticas comerciais brasileiras

O USTR pretende concluir até o dia 15 a investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

Esse procedimento analisa alegações de práticas consideradas desleais de comércio atribuídas ao Brasil.

Entre os temas citados na investigação aparecem o funcionamento do Pix, questões relacionadas à corrupção, desmatamento e fragilidades na proteção da propriedade intelectual.

A conclusão desse processo poderá definir se as tarifas propostas serão efetivamente aplicadas aos produtos brasileiros.

Enquanto isso, o governo brasileiro tenta convencer as autoridades norte-americanas de que a medida não encontra respaldo nos próprios critérios previstos pela legislação dos Estados Unidos.

Na manifestação enviada ao USTR, o chanceler Mauro Vieira argumenta que a aplicação das tarifas seria inadequada mesmo na hipótese de o órgão manter as conclusões preliminares da investigação.

Segundo o ministro, a própria Seção 301 determina que eventuais medidas adotadas sejam “apropriadas e viáveis” para enfrentar a prática questionada.

Na avaliação apresentada pelo governo brasileiro, a tarifa de 25% não atenderia a esse requisito.

Ao resumir esse entendimento, Mauro Vieira afirma:

“Ainda que o USTR mantenha qualquer uma das conclusões do seu parecer preliminar — o que não deveria fazer —, a punição proposta continuaria sendo inadequada. A legislação americana (Seção 301) autoriza apenas ações ‘apropriadas e viáveis’ para extinguir a prática ou política questionada. A tarifa proposta de 25% sobre produtos brasileiros, ressalvadas algumas exceções, não cumpre esse requisito”.

Além de contestar a legalidade da proposta, o ministro das Relações Exteriores também destaca possíveis consequências econômicas para os próprios Estados Unidos.

Segundo Mauro Vieira, a tarifa não resolveria os problemas apontados durante a investigação e ainda produziria efeitos negativos para empresas norte-americanas.

Em sua manifestação, o chanceler afirma:

“A medida está desconectada do objetivo real, que seria eliminar a conduta questionada, e vai impor custos pesados a empresas americanas sem resolver os problemas apontados”.

Com esse argumento, o governo brasileiro procura demonstrar que a adoção das tarifas geraria prejuízos para ambos os lados da relação comercial.

As manifestações apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo governo Lula revelam abordagens diferentes diante da possibilidade de aplicação das tarifas pelos Estados Unidos. Enquanto o senador concentra seus argumentos nos efeitos políticos e eleitorais que a medida poderia produzir no Brasil, o governo federal enfatiza aspectos jurídicos e econômicos para contestar a proposta.

Apesar das diferenças de enfoque, ambos os documentos defendem que a imposição das tarifas não representa o melhor caminho para solucionar as divergências em discussão. De um lado, Flávio Bolsonaro recomenda a suspensão da medida e a abertura imediata de negociações bilaterais. De outro, Mauro Vieira sustenta que a proposta não atende aos critérios previstos na legislação norte-americana e alerta para os prejuízos que poderá causar às empresas dos próprios Estados Unidos. Enquanto o USTR se prepara para concluir a investigação até o dia 15, as duas manifestações passam a integrar o conjunto de argumentos que antecedem uma decisão com potencial para afetar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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PGR e PF já perderam a paciência com Daniel Vorcaro; entenda https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/pgr-e-pf-ja-perderam-a-paciencia-com-daniel-vorcaro-entenda/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/pgr-e-pf-ja-perderam-a-paciencia-com-daniel-vorcaro-entenda/#comments Thu, 02 Jul 2026 19:40:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261253 Procuradoria considera que a proposta de delação do ex-banqueiro não atende aos requisitos legais e informa à defesa que não apresentará nova oferta

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu encerrar as negociações para um eventual acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi comunicada à defesa do investigado após a rejeição da segunda proposta apresentada durante as tratativas. Com isso, a Procuradoria sinalizou que não pretende retomar as conversas nas condições atuais.

Segundo informações apuradas pela CNN, a avaliação da PGR é de que a colaboração oferecida por Vorcaro não reúne os elementos mínimos exigidos para a celebração de um acordo de delação premiada. Na análise dos integrantes do órgão, a proposta apresentada ficou distante dos critérios considerados indispensáveis para que esse tipo de negociação avance.

A decisão também acompanha o entendimento já manifestado pela Polícia Federal. Os investigadores avaliaram que a última proposta não trouxe informações inéditas para as apurações, além de apresentar relatos sem comprovação suficiente e não prever mecanismos de ressarcimento dos valores que teriam sido desviados.

O encerramento das negociações representa um novo capítulo no caso e indica que, pelo menos neste momento, a Procuradoria considera inviável a construção de um acordo entre as partes.

A decisão da PGR foi comunicada diretamente à equipe de defesa de Daniel Vorcaro.

De acordo com a apuração da CNN, a Procuradoria informou que não apresentará uma nova proposta após rejeitar a segunda versão encaminhada pelo investigado.

Na prática, a manifestação encerra as negociações que vinham sendo conduzidas entre as partes e afasta, por enquanto, a possibilidade de assinatura de um acordo de colaboração premiada.

Embora o processo de negociação tenha passado por diferentes etapas, a Procuradoria concluiu que não existem elementos suficientes para justificar sua continuidade.

Assim, o entendimento atual do órgão é de que as condições necessárias para uma delação válida permanecem ausentes.

PGR aponta ausência de requisitos essenciais

A avaliação da Procuradoria baseia-se, principalmente, na análise dos critérios legais exigidos para esse tipo de acordo.

Segundo auxiliares do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Daniel Vorcaro não admitiu a prática dos crimes investigados.

Na visão da PGR, esse aspecto impede o avanço da negociação.

Isso porque a legislação prevê que o investigado precisa reconhecer sua própria participação nos delitos para que a colaboração premiada possa produzir efeitos jurídicos.

Além desse reconhecimento, o colaborador também deve fornecer informações verificáveis e relevantes para a investigação.

Outro ponto considerado indispensável consiste em apresentar elementos que contribuam efetivamente para o esclarecimento dos fatos, sem buscar afastar a responsabilidade de terceiros eventualmente envolvidos.

Na avaliação da Procuradoria, esses requisitos não apareceram na proposta apresentada pelo ex-banqueiro.

Outro aspecto destacado por integrantes da PGR envolve o compromisso de reparação dos prejuízos investigados.

Segundo pessoas próximas à condução do caso, Daniel Vorcaro também não apresentou proposta de devolução dos valores que teriam sido obtidos de forma ilícita.

Esse compromisso costuma integrar os acordos de colaboração premiada quando existem danos patrimoniais relacionados aos fatos investigados.

Na avaliação da Procuradoria, a ausência dessa previsão representa mais um fator que inviabiliza a continuidade das negociações.

Assim, o conjunto das falhas identificadas levou o órgão a concluir que a proposta não atendia aos parâmetros mínimos exigidos para um acordo.

Polícia Federal também rejeitou proposta

O entendimento adotado pela Procuradoria coincide com a posição já apresentada pela Polícia Federal durante a análise da colaboração.

Segundo a investigação, a proposta encaminhada por Daniel Vorcaro não acrescentava informações inéditas às apurações em andamento.

Além disso, os investigadores apontaram que boa parte dos relatos apresentados estava baseada em informações atribuídas a terceiros.

Na avaliação da Polícia Federal, diversos trechos continham referências classificadas como “ouvi dizer”, sem documentação ou outros elementos capazes de comprovar as afirmações.

Por esse motivo, a corporação concluiu que a colaboração oferecida possuía relevância limitada para o avanço das investigações.

Outro ponto levantado pela Polícia Federal diz respeito à recuperação dos recursos que teriam sido desviados.

Segundo a análise dos investigadores, a proposta não apresentava garantias relacionadas ao ressarcimento dos valores investigados.

Esse aspecto reforçou a avaliação de que a colaboração não oferecia benefícios suficientes para justificar a celebração do acordo.

Dessa forma, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria chegaram a conclusões semelhantes sobre a insuficiência da proposta.

A convergência entre os dois órgãos fortaleceu a decisão final da PGR de encerrar definitivamente as negociações.

Antes da manifestação definitiva da Procuradoria, Daniel Vorcaro ainda aguardava mudanças na equipe responsável pelas negociações.

Segundo a apuração da CNN, a expectativa era de que a substituição de um dos advogados pudesse destravar as conversas e abrir espaço para um novo entendimento entre as partes.

Apesar dessa tentativa, a estratégia não modificou a posição adotada pela Procuradoria.

Mesmo diante da perspectiva de uma nova condução das tratativas, a PGR informou que não pretende reabrir as negociações nas condições atualmente apresentadas.

Assim, a troca na defesa não produziu impacto suficiente para alterar a avaliação do órgão.

Decisão indica encerramento das tratativas

Com a comunicação enviada aos advogados do ex-banqueiro, a Procuradoria encerra, por enquanto, a possibilidade de construção de um acordo de colaboração premiada.

A decisão demonstra que a instituição considera esgotadas as tentativas realizadas até agora para alcançar um entendimento.

Ao mesmo tempo, a manifestação evidencia que a PGR mantém uma interpretação rigorosa sobre os critérios exigidos para esse tipo de negociação.

Segundo a avaliação do órgão, uma delação premiada exige compromisso efetivo com a apuração dos fatos, reconhecimento da própria participação nos delitos investigados, apresentação de informações comprováveis e previsão de reparação dos danos eventualmente causados.

Na ausência desses elementos, a Procuradoria concluiu que não existem fundamentos para prosseguir com as negociações.

A decisão envolvendo Daniel Vorcaro também evidencia os parâmetros utilizados pelos órgãos de investigação na análise de propostas de delação premiada.

Segundo a posição adotada pela PGR e acompanhada pela Polícia Federal, não basta apresentar relatos ou informações genéricas para viabilizar um acordo. Os investigadores entendem que a colaboração precisa oferecer elementos concretos, verificáveis e capazes de contribuir efetivamente para o avanço das apurações.

Além disso, o investigado deve reconhecer sua própria participação nos fatos investigados e assumir compromisso com a reparação dos prejuízos apontados pelas autoridades. Como esses requisitos, segundo a avaliação da Procuradoria, não foram atendidos na proposta apresentada por Daniel Vorcaro, a instituição decidiu encerrar definitivamente as negociações e informou que não pretende apresentar uma nova oferta de acordo nas condições atuais.

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Líder do governo no Senado defende texto original da PEC da escala 6×1 https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/lider-do-governo-no-senado-defende-texto-original-da-pec-da-escala-6x1/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/lider-do-governo-no-senado-defende-texto-original-da-pec-da-escala-6x1/#respond Thu, 02 Jul 2026 19:00:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261251 Líder do governo no Senado diz que proposta deve seguir texto aprovado pela Câmara e pede que debate não seja contaminado pelo calendário eleitoral

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 segue mobilizando parlamentares, representantes dos trabalhadores e integrantes do governo federal. Embora o texto ainda esteja em fase de debates no Senado, a avaliação da nova líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), é de que existe uma maioria favorável à aprovação da proposta exatamente como ela chegou da Câmara dos Deputados.

A declaração foi dada nesta quinta-feira (2) à CNN Brasil e sinaliza a posição predominante apresentada por representantes das centrais sindicais durante uma reunião realizada no Senado. Segundo a senadora, o entendimento compartilhado entre os participantes do encontro aponta para a conveniência política e estratégica de evitar alterações no texto aprovado pelos deputados.

Ao mesmo tempo, Teresa Leitão destacou que a proposta continua seguindo o cronograma de discussões previsto para uma mudança constitucional. Por isso, ela afirmou que ainda não existe uma definição sobre a data de votação da matéria.

Além da tramitação legislativa, a parlamentar também procurou afastar a possibilidade de que a discussão seja conduzida sob influência do calendário eleitoral. Segundo ela, o governo pretende tratar o tema como uma pauta de interesse público, e não como instrumento de disputa política.

As declarações ocorreram após uma reunião realizada na quarta-feira (1º), que reuniu representantes do governo federal, do Senado e das principais centrais sindicais.

Além de Teresa Leitão, participaram do encontro o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador Paulo Paim (PT-RS) e dirigentes das entidades representativas dos trabalhadores.

Durante a conversa, os participantes discutiram o estágio atual da proposta e os próximos passos da tramitação.

Apesar do avanço das conversas, o encontro terminou sem a definição de um calendário para análise da PEC. Assim, o texto permanece em fase de construção política antes de seguir para as próximas etapas do processo legislativo.

Ainda assim, segundo Teresa Leitão, o debate permitiu identificar uma posição predominante entre os representantes dos trabalhadores.

Maioria quer preservar texto aprovado pelos deputados

Ao comentar o conteúdo das discussões, a líder do governo afirmou que a percepção compartilhada pelas centrais sindicais foi bastante clara.

Segundo Teresa Leitão, “o interesse estratégico e a vontade majoritária é que a PEC seja aprovada do jeito que foi aprovada na Câmara”.

A declaração indica que, na avaliação dos participantes da reunião, modificar o texto neste momento poderia dificultar sua tramitação ou prolongar ainda mais o processo de aprovação.

Por isso, a estratégia defendida durante o encontro prioriza a manutenção da redação já aprovada pelos deputados federais.

Essa posição busca concentrar esforços na continuidade da tramitação no Senado, evitando que eventuais mudanças obriguem a proposta a retornar para uma nova análise na Câmara dos Deputados.

Embora exista uma sinalização favorável à preservação do texto, Teresa Leitão ressaltou que a PEC ainda percorre um processo normal de discussão dentro do Senado.

Segundo a parlamentar, a matéria segue cumprindo um “roteiro de debates”, etapa considerada importante antes da apreciação pelos senadores.

Esse processo inclui reuniões, conversas entre lideranças políticas e diálogo com setores diretamente envolvidos na pauta.

Dessa forma, o governo considera natural que o texto continue sendo debatido antes da definição de um calendário oficial para votação.

Ao mesmo tempo, a senadora indicou que as discussões já alcançaram um grau elevado de maturidade política.

Durante a entrevista concedida à CNN Brasil, Teresa Leitão também afirmou que a PEC ocupa posição de destaque entre as prioridades defendidas pelo governo federal.

Na avaliação da parlamentar, a proposta reúne características que a colocam à frente de outras agendas atualmente discutidas.

Segundo ela, trata-se da pauta que apresenta maior nível de debate público e maior presença nas discussões da sociedade.

A senadora resumiu essa avaliação ao afirmar:

“Vamos tratar cada um ao seu tempo. Dessas três, a que está mais avançada em debate, em presença no imaginário social, em interesse público, é a PEC do fim da jornada 6×1. Essa é a prioridade entre as três prioridades.”

A declaração reforça o entendimento de que o governo pretende concentrar esforços políticos na continuidade dessa discussão dentro do Congresso Nacional.

Teresa rejeita uso eleitoral da proposta

Outro ponto enfatizado pela líder do governo foi a necessidade de evitar que a tramitação da PEC seja associada às disputas eleitorais.

Segundo Teresa Leitão, a proposta não deve ser conduzida sob influência do chamado “calendário eleitoral”.

Ao abordar esse tema, ela defendeu que a análise da matéria siga critérios políticos e legislativos próprios, sem que o período eleitoral determine o ritmo das decisões.

A parlamentar afirmou:

“Uma das coisas que eu disse, onde repito, não vamos tratar essa PEC com esse efeito de calendário eleitoral.”

A posição apresentada busca separar a discussão sobre direitos trabalhistas das estratégias eleitorais que normalmente influenciam parte das votações no Congresso Nacional.

Embora rejeite uma condução eleitoral da proposta, Teresa Leitão reconheceu que o calendário político produz reflexos naturais sobre o funcionamento do Legislativo.

Segundo ela, esse impacto ocorre porque muitos parlamentares participam das disputas eleitorais.

Ao comentar essa realidade, a senadora observou:

“O calendário eleitoral está dado. Alguém sabe que ele impacta no calendário do Congresso? Sim, porque tem muita gente candidata.”

Assim, a parlamentar diferenciou duas situações distintas.

Por um lado, ela afirmou que o calendário influencia a rotina de votações devido à participação de parlamentares nas eleições.

Por outro, sustentou que essa circunstância não deve orientar o conteúdo das discussões nem alterar a prioridade atribuída pelo governo à PEC do fim da escala 6×1.

Apesar das manifestações favoráveis à manutenção do texto aprovado pela Câmara, a proposta ainda não possui uma data definida para votação no Senado.

A ausência desse cronograma foi confirmada após a reunião entre lideranças políticas e representantes das centrais sindicais.

Enquanto isso, o governo mantém a avaliação de que o tema continua avançando no debate público e dentro do Congresso.

As declarações de Teresa Leitão indicam que o Executivo pretende acompanhar de perto a tramitação da PEC, considerada uma das prioridades da atual gestão.

Ao mesmo tempo, o processo legislativo segue aberto às etapas previstas para uma proposta de emenda à Constituição. Dessa forma, as discussões continuam antes da definição do calendário oficial de votação. Paralelamente, o governo reforça a defesa de que o debate ocorra com foco no mérito da proposta e sem que o calendário eleitoral se torne o principal fator para orientar sua tramitação no Senado.

Com informações da CNN* 

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Google é derrotada e arcará com multa bilionária ligada ao Android https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/google-e-derrotada-e-arcara-com-multa-bilionaria-ligada-ao-android/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/google-e-derrotada-e-arcara-com-multa-bilionaria-ligada-ao-android/#respond Thu, 02 Jul 2026 18:40:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261249 Reguladores entenderam que exigências para uso do Android limitaram a concorrência e ampliaram o domínio da empresa no mercado.

O Google sofreu uma das derrotas judiciais mais importantes de sua história na Europa. O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu manter a multa de € 4,13 bilhões aplicada contra a empresa por práticas consideradas anticoncorrenciais relacionadas ao sistema operacional Android. Com isso, chega ao fim um dos principais recursos apresentados pela gigante da tecnologia contra uma das maiores sanções já impostas pelo bloco europeu.

A decisão representa um marco na política da União Europeia para limitar o poder das grandes plataformas digitais. Ao confirmar, em grande parte, o entendimento da Comissão Europeia, o tribunal reforçou a posição de Bruxelas de que empresas com enorme domínio de mercado não podem utilizar esse poder para restringir a concorrência ou dificultar a atuação de rivais.

Além do impacto financeiro, o julgamento fortalece a estratégia regulatória europeia voltada ao setor de tecnologia. Nos últimos anos, a União Europeia tem ampliado mecanismos para fiscalizar grandes empresas digitais, especialmente aquelas que concentram parcela significativa do mercado global.

Tribunal mantém entendimento sobre o Android

O recurso analisado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia foi apresentado pelo Google e por sua controladora, a Alphabet. As empresas tentavam reverter a multa aplicada originalmente pela Comissão Europeia em 2018.

Entretanto, os magistrados confirmaram a conclusão já alcançada pelo Tribunal Geral da União Europeia em 2022. Na ocasião, a instância inferior havia mantido a maior parte da decisão da Comissão, reduzindo apenas o valor da penalidade, que passou de € 4,34 bilhões para € 4,13 bilhões.

Agora, o tribunal máximo da União Europeia consolidou esse entendimento e encerrou uma das disputas mais relevantes envolvendo concorrência no mercado digital.

Segundo a decisão, o Google utilizou sua posição dominante no mercado de sistemas operacionais móveis para fortalecer, de forma considerada ilegal pelas autoridades europeias, seu mecanismo de busca.

Pré-instalação obrigatória esteve no centro da disputa

O caso gira em torno das exigências impostas pelo Google aos fabricantes de smartphones que utilizavam o Android.

De acordo com a Comissão Europeia, a empresa condicionava o acesso à loja de aplicativos Play à pré-instalação obrigatória de outros serviços da companhia, entre eles o Google Search e o navegador Chrome.

Na avaliação dos reguladores europeus, essa prática reduzia significativamente o espaço para concorrentes oferecerem alternativas aos consumidores.

O Tribunal de Justiça confirmou esse entendimento ao afirmar que a decisão da Comissão comprovou os “efeitos anticoncorrenciais das condições de pré-instalação estabelecidas pelos acordos do Android”.

Para as autoridades europeias, esse modelo contribuiu para consolidar ainda mais o domínio do Google em diferentes segmentos do mercado digital.

A confirmação da multa também simboliza uma importante vitória política para Bruxelas.

Nos últimos anos, a União Europeia passou a adotar uma postura mais rigorosa diante das maiores empresas de tecnologia do mundo. O objetivo consiste em reduzir práticas que possam limitar a concorrência, ampliar o controle sobre mercados digitais e restringir a liberdade de escolha dos consumidores.

Essa estratégia ganhou força com a criação de novas regras voltadas especificamente às plataformas digitais consideradas dominantes.

Nesse contexto, o caso envolvendo o Android tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos da política europeia de defesa da concorrência.

Ao confirmar a sanção bilionária, o Tribunal de Justiça reforça a legitimidade das medidas adotadas pela Comissão Europeia e fortalece futuras ações regulatórias contra grandes empresas do setor.

Após o julgamento, o Google manifestou discordância em relação ao entendimento adotado pelos magistrados.

A empresa afirmou que a sentença não reconheceu “nosso investimento significativo para garantir que o Android permaneça aberto, interoperável e gratuito”.

Apesar da manifestação pública da companhia, a decisão do tribunal encerra praticamente toda a disputa sobre esse processo específico.

Até a divulgação do julgamento, a Comissão Europeia ainda não havia apresentado comentários sobre o resultado.

Consumidores comemoram resultado

A Organização Europeia dos Consumidores recebeu a decisão de forma positiva.

Para a entidade, o julgamento estabelece um precedente importante para a proteção da concorrência no mercado digital.

Em nota, a organização afirmou que a decisão “envia uma mensagem muito clara: as empresas dominantes não podem usar seu poder para eliminar a concorrência e limitar as opções do consumidor”.

A declaração reforça um dos principais argumentos utilizados por defensores de regras mais rígidas para o setor tecnológico: quanto maior a concorrência, maiores tendem a ser as possibilidades de escolha para usuários e empresas.

Sob essa perspectiva, limitar práticas consideradas anticompetitivas também representa uma forma de estimular inovação e impedir que poucas plataformas concentrem influência excessiva sobre mercados estratégicos.

A multa relacionada ao Android integra um conjunto de três grandes processos movidos pela União Europeia contra o Google entre 2017 e 2019.

Somadas, essas ações reduziram em aproximadamente € 8 bilhões o valor das penalidades aplicadas pelos órgãos reguladores ao longo desse período.

O histórico demonstra que o relacionamento entre Bruxelas e a gigante da tecnologia permanece marcado por sucessivos embates envolvendo concorrência e funcionamento dos mercados digitais.

Cada um desses processos analisou aspectos distintos da atuação da empresa em diferentes segmentos da economia digital.

Embora tenha perdido a disputa relacionada ao Android, o Google obteve resultados diferentes em outros processos conduzidos na Europa.

O principal tribunal da União Europeia já confirmou anteriormente uma multa de € 2,42 bilhões aplicada por favorecer seu próprio serviço de comparação de preços em detrimento de concorrentes.

Por outro lado, a empresa conseguiu reverter outra penalidade.

Em 2024, o Tribunal Geral anulou uma multa de € 1,5 bilhão que havia sido aplicada em 2019 por supostas práticas para bloquear concorrentes no mercado de publicidade online.

Esses resultados mostram que as disputas entre o Google e os reguladores europeus seguem caminhos distintos conforme as evidências apresentadas em cada processo.

Novas investigações continuam em andamento

Mesmo com a conclusão desse julgamento, o Google continua no centro de outras investigações conduzidas pela União Europeia.

Atualmente, autoridades europeias analisam diferentes práticas da empresa com base na Lei dos Mercados Digitais, legislação criada para limitar o poder das maiores plataformas digitais.

Entre os casos em andamento está uma investigação sobre o suposto favorecimento dos próprios serviços do Google nos resultados de pesquisa.

Outro procedimento examina as regras utilizadas na Google Play para direcionar usuários entre diferentes aplicativos.

Essas investigações ainda podem resultar em novas penalidades caso as autoridades concluam que houve descumprimento das normas estabelecidas por Bruxelas.

Além dos aspectos jurídicos e econômicos, as ações da União Europeia contra grandes empresas de tecnologia passaram a integrar um debate político mais amplo.

O avanço das investigações ocorre em meio a tensões entre Bruxelas e Washington sobre a regulação das plataformas digitais.

Nesse cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou as multas aplicadas pela União Europeia contra empresas americanas e classificou essas sanções como “uma forma de tributação”.

As declarações evidenciam que o tema ultrapassa o campo da concorrência econômica. Hoje, ele também faz parte das discussões sobre soberania regulatória, equilíbrio entre mercados digitais e limites do poder exercido pelas grandes empresas de tecnologia. Enquanto a União Europeia amplia sua fiscalização sobre plataformas dominantes, os processos em andamento indicam que o debate sobre concorrência, direitos dos consumidores e concentração econômica continuará ocupando posição central nas relações entre governos e gigantes do setor tecnológico.

Com informações de Financial Times* 

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China: o que significa “Administração Integral Rigorosa do Partido”? https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/china-o-que-significa-administracao-integral-rigorosa-do-partido/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/china-o-que-significa-administracao-integral-rigorosa-do-partido/#respond Thu, 02 Jul 2026 18:27:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261259 por Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Em colaboração com o Grupo de Mídia da China

O processo rápido de desenvolvimento das forças produtivas verificado na China nas últimas décadas deve ser observado de forma mais ampla, indo além da ampliação da base material. O desenvolvimento é um processo onde o ser humano amplia sua capacidade de observar a si mesmo diante da sociedade e do mundo. É um processo contraditório, onde as oportunidades também abrem espaço para que espinhos apareçam e armadilhas sejam armadas. Logo, o processo de desenvolvimento é algo duro, difícil e onde cada passo deve ser seguido por mais observação e controle.

A economia deve servir à política, que por sua vez dirige e planifica o processo de desenvolvimento. Na China, desde a subida ao poder de Xi Jinping em 2012, toda uma gama de protocolos tem sido sistematizados no sentido de ampliar a capacidade do Partido Comunista da China (PCCh) de liderar o país neste tortuoso e duro processo de desenvolvimento. Desde então, o que se chamou de “Administração Integral Rigorosa do Partido” tem sido desenvolvida como resposta histórica aos dilemas políticos impostos pela realidade, incluindo o ciclo histórico de ascensão e queda dos partidos.

Em 2022, o presidente Xi Jinping apresentou um balanço inicial deste procedimento. De forma objetiva e clara, afirmou:

“Já se foram dez anos desde o 18º Congresso Nacional do PCCh realizado em 2012. Um dito popular assim diz: ‘Um ferreiro precisa de dez anos para fazer uma boa espada.’ Da mesma forma, o Comitê Central do Partido não poupou, nos dez anos transcorridos, os esforços para fortalecer a administração integral e rigorosa do Partido como uma das ‘quatro disposições estratégicas integrais’ e perseverar com coragem e firmeza sem precedentes em melhorar a conduta do Partido, construir um governo limpo e combater a corrupção, conseguindo refrear algumas tendências nocivas e irregularidades que existiam por muitos anos, resolver muitos problemas rebeldes que vinham de longa data sem ter sido resolvidos e eliminar perigos ocultos no seio do Partido, no Estado e nas forças armadas, mudando radicalmente a situação de indulgência, afrouxamento e debilidade na administração do Partido e achando, com sucesso, a abordagem correta de autorrenovação do Partido para evitar o ciclo histórico de ascensão e queda.” (1)

A mensagem é cristalina ao expor a necessidade de mudança radical no comportamento político diante dos desafios morais e éticos que uma força política dirigente tem ao dirigir um país que enriquece de forma contínua, ainda convivem com classes sociais e o capital, hábitos e costumes estrangeiros passam a fazer parte do horizonte nacional. A centralidade desta abordagem pode ser percebida no fato de a mesma fazer parte das “quatro estratégias fundamentais” ao lado da construção de uma sociedade moderadamente próspera, aprofundar a Reforma e a promoção do Estado de Direito.

O desenvolvimento deste conceito pode gerar um compendio teórico sintetizado na relação entre cinco pontos: 1) a contínua construção ideológica, o que significa o reforço do alinhamento político e das ideias que quadros partidários, demandando adaptação do marxismo às condições concretas da China; 2) a construção organizacional com a melhoria nos processos de seleção e formação de quadros; 3) construção institucional com o estabelecimento de regras estritas dentro da legenda; 4) estilo de trabalho, ou seja, combate à burocracia e ao formalismo e o 5) combate à corrupção ou tolerância zero para garantir a integridade dos membros.

É a síntese destes elementos que tem garantido saúde política e ideológica ao PCCh no limiar da transformação da China em uma nação rica e poderosa. Finalizamos esta análise com uma passagem de Xi Jinping sobre este conceito e como o PCCh tem respondido à altura às imposições da história:

“No mundo de hoje, nenhum outro partido político é como o Partido Comunista da China, que se dedica ao seu próprio desenvolvimento com tanta seriedade e rigor e impulsiona tão conscientemente a própria autorrenovação de maneira científica e sistemática. Essa é a nossa força distinta e a razão pela qual o nosso Partido permanece na vanguarda dos tempos. A administração rigorosa interna do Partido em todos os aspectos conta com firme apoio e endosso do povo. De acordo com uma enquete realizada pelo Birô Nacional de Estatísticas em 2022, 97,4% da população – um aumento de 22,4 pontos percentuais em comparação com 2012 – expressou satisfação com os resultados da administração interna rigorosa do Partido, da melhoria da conduta do Partido e do combate à corrupção”. (2)

Notas:

(1) Principais pontos do discurso proferido na 6ª sessão plenária da 19ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar do PCCh ocorrida a 18 de janeiro de 2022.

(2) “Reforçar a administração interna rigorosa em todos os aspectos para fortalecer o Partido na nova era”. Excerto do discurso na 2ª sessão plenária da 20ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar do PCCh ocorrida a 09 de janeiro de 2023.

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Polícia diz que piloto de avião em Pequim tinha insônia e ansiedade https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/policia-diz-que-piloto-de-aviao-em-pequim-tinha-insonia-e-ansiedade/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/policia-diz-que-piloto-de-aviao-em-pequim-tinha-insonia-e-ansiedade/#comments Thu, 02 Jul 2026 17:30:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261245 As autoridades chinesas divulgaram novos detalhes sobre o acidente aéreo que terminou com a queda de um pequeno avião contra o edifício mais alto de Pequim na semana passada. Segundo a polícia, a piloto da aeronave apresentava um “histórico de insônia crônica e ansiedade” e, além disso, fazia “repetidas referências” ao suicídio em seu diário. As informações constam da declaração oficial mais completa divulgada até agora sobre o caso, que também reacendeu questionamentos sobre a eficiência do rígido sistema de controle do espaço aéreo da capital chinesa.

O episódio provocou forte repercussão dentro e fora da China. Afinal, além da morte da piloto e dos feridos registrados no impacto, o acidente revelou vulnerabilidades em uma das áreas urbanas mais protegidas do país. Ao mesmo tempo, o caso foi cercado por intenso controle da informação. Durante vários dias, autoridades restringiram a circulação de imagens e censuraram debates sobre o acidente nas plataformas digitais.

De acordo com o comunicado divulgado pelo governo municipal de Pequim na quinta-feira, a responsável pelo voo era uma mulher divorciada de 66 anos, identificada apenas pelo sobrenome Liu. As autoridades afirmaram que ela vivia sozinha após o divórcio e enfrentava um longo histórico de insônia e ansiedade.

Além disso, a investigação policial revelou que os agentes encontraram em seu diário “referências repetidas” ao suicídio. Apesar dessa informação, o governo chinês não divulgou o nome completo da piloto.

A divulgação desses detalhes ocorreu depois de vários dias marcados por rumores sobre a identidade da pessoa que conduzia a aeronave. Enquanto isso, diferentes versões circularam nas redes sociais, muitas delas sem confirmação oficial. Em resposta, órgãos estatais ampliaram a censura sobre conteúdos relacionados ao acidente, reduzindo ainda mais a circulação de informações independentes.

Voo começou normalmente antes da mudança de rota

Segundo o relatório oficial, Liu obteve sua primeira licença de piloto em 2021. No dia do acidente, ela decolou de uma pista de pouso particular localizada no distrito de Pinggu, região onde funciona uma escola de aviação.

A aeronave envolvida era um Sunward SA60L, um avião monomotor a hélice com dois lugares e matrícula B-12PP.

Inicialmente, o voo seguia dentro da programação prevista. A piloto participava de uma formação com outras aeronaves. No entanto, durante a operação, ela deixou o grupo para realizar um voo solo.

A partir desse momento, conforme relataram as autoridades, a aeronave desviou da rota planejada. Em seguida, perdeu contato com o aeroporto. Pouco depois, o avião atingiu a Citic Tower, provocando a morte da piloto ainda no local.

Até o momento, o comunicado oficial não apresenta informações adicionais sobre as razões que levaram ao desvio da rota nem esclarece se houve tentativa de restabelecer contato antes da colisão.

O impacto aconteceu contra a Citic Tower, sede de um dos maiores conglomerados financeiros estatais da China. Além da morte da piloto, outras 13 pessoas ficaram feridas.

Segundo a atualização divulgada pela polícia, nenhum dos feridos corre risco de vida. Além disso, uma das vítimas já recebeu alta hospitalar.

Equipes de emergência foram mobilizadas logo após o acidente para atender os feridos e isolar a área. O caso rapidamente ganhou repercussão internacional devido ao local atingido e ao nível de proteção normalmente existente sobre o espaço aéreo da capital chinesa.

Falhas na segurança aérea entram no centro do debate

Embora a investigação sobre as causas do acidente continue, o episódio levantou dúvidas importantes sobre os mecanismos de controle da aviação na China.

O país mantém algumas das regras mais rígidas do mundo para o monitoramento do espaço aéreo, especialmente em Pequim, onde estão concentradas instituições do governo central e importantes empresas estatais.

Nesse contexto, especialistas e observadores passaram a questionar como uma pequena aeronave conseguiu deixar a rota prevista e alcançar uma das regiões mais sensíveis da capital sem ser impedida.

A discussão ganhou ainda mais força porque o acidente ocorreu justamente em um edifício de grande importância econômica e simbólica para o país. Assim, além da investigação sobre a trajetória da aeronave, cresce a pressão por explicações sobre possíveis falhas nos protocolos de vigilância aérea.

Na sexta-feira seguinte ao acidente, o jornal Financial Times visitou o aeródromo de onde o avião havia decolado e confirmou a trajetória inicial da aeronave.

Durante a apuração, repórteres observaram policiais realizando buscas nos escritórios da escola de aviação Eastern Pioneer. Os agentes também inspecionaram um SUV Buick preto que, posteriormente, o jornal identificou como pertencente a uma pessoa chamada Liu Junhua.

Esses fatos alimentaram novas especulações nas redes sociais, especialmente porque o nome Liu Junhua é relativamente comum na China e pode ser utilizado tanto por homens quanto por mulheres.

As especulações online também passaram a associar o nome Liu Junhua a uma funcionária da Citic.

Diante da repercussão, a Citic Wealth, subsidiária do conglomerado financeiro, publicou um vídeo mostrando Liu Junhua apresentando produtos de gestão de patrimônio. Embora a empresa não tenha feito uma declaração direta sobre os rumores, a divulgação do material foi interpretada como uma forma indireta de afastar qualquer associação entre a funcionária e a piloto envolvida no acidente.

O episódio evidencia como a ausência inicial de informações oficiais abriu espaço para versões desencontradas e desinformação nas redes sociais. Ao mesmo tempo, a resposta das autoridades, marcada por forte censura ao debate público, também gerou críticas de observadores que defendem maior transparência em casos de grande interesse público.

Com a divulgação do comunicado policial, parte das dúvidas sobre a identidade da piloto foi esclarecida. Ainda assim, permanecem questionamentos relevantes sobre o funcionamento dos mecanismos de fiscalização do espaço aéreo e sobre as circunstâncias que permitiram que a aeronave alcançasse um dos edifícios mais emblemáticos de Pequim.

Enquanto a investigação prossegue, o acidente continua repercutindo tanto pelos elementos revelados sobre a trajetória da piloto quanto pelas fragilidades expostas em um sistema de segurança considerado um dos mais rigorosos do mundo. Além disso, o controle exercido pelas autoridades sobre a circulação de informações reforça um debate recorrente sobre transparência, acesso a dados públicos e liberdade de informação na China, especialmente quando episódios de grande impacto envolvem instituições estratégicas do Estado.

Com informações de Financial Times*

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IA pode reduzir eficiência dos mercados, diz estudo https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/ia-pode-reduzir-eficiencia-dos-mercados-diz-estudo/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/ia-pode-reduzir-eficiencia-dos-mercados-diz-estudo/#respond Thu, 02 Jul 2026 17:00:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261243 Texto do Financial Times discute como a IA barateia a informação, mas também pode destruir sinais essenciais para o funcionamento da economia

A inteligência artificial promete acelerar tarefas, cortar custos e aumentar a produtividade em praticamente todos os setores da economia. Contudo, um artigo recente publicado na coluna Free Lunch, do jornal britânico Financial Times, chama atenção para um efeito colateral pouco discutido: a tecnologia também pode prejudicar o funcionamento dos mercados. Segundo o texto, a maior parte do debate público foca na capacidade da IA de substituir tarefas humanas. Poucos, entretanto, param para pensar em como ela pode transformar — para pior — a própria estrutura das trocas econômicas.

Assim, a coluna propõe um exercício diferente. Em vez de olhar apenas para ganhos de produtividade individual, ela recorre à economia da informação para entender os riscos escondidos por trás da euforia tecnológica.

Por que a economia da informação importa agora

De acordo com o autor, a IA é, antes de tudo, uma tecnologia de informação. Ela reduz drasticamente o custo de coletar, processar e produzir dados. Por isso, entender seus efeitos exige recorrer a um campo específico da economia: o que estuda situações em que compradores e vendedores não têm acesso às mesmas informações.

Esse campo, aliás, já revelou resultados curiosos no passado. Um dos exemplos mais conhecidos é o “mercado de limões”, conceito desenvolvido pelo economista George Akerlof para descrever carros usados de baixa qualidade. Nesse modelo, quando o vendedor sabe mais sobre o produto do que o comprador, o mercado tende a expulsar os bons produtos. Afinal, o comprador, temendo comprar um carro defeituoso, só aceita pagar um preço baixo. Consequentemente, apenas donos de carros ruins aceitam vender, enquanto os donos de bons carros — os “pêssegos” — desistem do negócio.

Nesse cenário específico, a IA realmente ajudaria. Um comprador munido de ferramentas inteligentes poderia inspecionar o veículo com mais precisão, reduzindo a assimetria de informação e permitindo negociações mais justas.

No entanto, o artigo argumenta que nem toda assimetria de informação funciona dessa forma. Em muitos mercados, existe um mecanismo chamado sinalização. Basicamente, quando a incerteza impede uma negociação, um dos lados busca demonstrar qualidade por meio de sinais custosos.

Um diploma universitário, por exemplo, funciona como sinal de competência para empregadores. Isso acontece porque, supostamente, apenas candidatos mais capazes conseguem concluir cursos exigentes. Da mesma forma, uma garantia comercial sinaliza confiança do vendedor na qualidade de seu produto.

Contudo, a IA pode corroer justamente esses sinais. A coluna cita como exemplo o uso crescente de modelos de linguagem por estudantes universitários. Se ferramentas de IA passam a nivelar o desempenho acadêmico de todos os alunos, os diplomas perdem força como indicador confiável de capacidade real.

Por consequência, empregadores enfrentariam mais dificuldade para identificar candidatos verdadeiramente qualificados. Ou seja, o mercado de trabalho se tornaria menos eficiente, não mais.

Excesso de informação também tem custo

Além da sinalização, o artigo destaca outro conceito central da economia: a busca custosa. Em processos de contratação, recrutamento ou até relacionamentos amorosos, as pessoas gastam tempo e esforço avaliando possíveis parceiros ou candidatos. Portanto, cada indivíduo precisa decidir quanto investir nessa busca antes de tomar uma decisão.

Segundo a teoria da busca — área que já rendeu um Prêmio Nobel de Economia —, o comportamento de uma pessoa afeta diretamente o esforço exigido das demais. Se muitos candidatos passam a usar IA para gerar currículos ou candidaturas mais sofisticadas, recrutadores precisam trabalhar ainda mais para filtrar opções relevantes.

Assim, o uso individual da IA pode parecer vantajoso a cada participante isoladamente. Entretanto, quando todos adotam a mesma estratégia, o sistema inteiro se torna mais lento e mais custoso.

Curiosamente, o autor compara esse fenômeno a uma tática contemporânea de propaganda, conhecida como “inundar a área”. Nessa estratégia, o objetivo não é convencer alguém de uma ideia específica, mas sim produzir tantas versões plausíveis de uma história que as pessoas simplesmente desistem de buscar a verdade.

Da mesma forma, quando candidaturas de emprego, perfis de namoro ou trabalhos acadêmicos ficam praticamente indistinguíveis entre si, o excesso de informação passa a prejudicar, em vez de ajudar, quem precisa tomar decisões.

Diante desse cenário, a coluna evita conclusões definitivas. Talvez a própria inteligência artificial ajude a criar novos mecanismos de confiança para substituir os sinais perdidos. Ainda assim, o texto deixa um alerta importante para formuladores de políticas públicas, empresas e universidades.

Reduzir o custo da informação não significa, automaticamente, tornar os mercados mais eficientes. Pelo contrário, ao destruir sinais tradicionais de qualidade e intensificar a competição por atenção, a IA pode gerar mais ruído do que clareza.

Portanto, antes de comemorar apenas os ganhos de produtividade prometidos pela tecnologia, sociedades e governos precisam observar com atenção redobrada como ela reorganiza — e, em alguns casos, desorganiza — o funcionamento real dos mercados.

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Sem matemática, não haveria Minecraft nem GTA; alerta CEO de games https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/sem-matematica-nao-haveria-minecraft-nem-gta-alerta-ceo-de-games/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/sem-matematica-nao-haveria-minecraft-nem-gta-alerta-ceo-de-games/#respond Thu, 02 Jul 2026 16:28:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261241 Cortes em cursos de matemática nas universidades britânicas colocam em risco uma indústria bilionária e milhares de empregos, segundo dirigente da 4J Studios

A indústria britânica de videogames vive um paradoxo curioso. Enquanto fatura bilhões de libras e emprega dezenas de milhares de pessoas, ela ainda enfrenta um certo desprezo dentro do próprio Reino Unido. Essa é a denúncia central de um artigo de opinião assinado pelo presidente da 4J Studios, desenvolvedora sediada em Dundee, na Escócia, e publicado recentemente no jornal britânico Financial Times. Segundo o executivo, os cortes orçamentários em departamentos de matemática nas universidades do país ameaçam destruir a base científica que sustenta jogos como Minecraft e Grand Theft Auto VI.

Portanto, o texto vai além de uma simples defesa corporativa. Ele conecta decisões administrativas de reitorias universitárias a um problema muito maior: o futuro da inovação tecnológica britânica.

De acordo com o autor, a UK Interactive Entertainment, entidade que representa o setor, calculou o valor da indústria de jogos em £ 8,76 bilhões apenas no ano passado. Além disso, o setor sustenta mais de 73 mil empregos diretos no Reino Unido. Ainda assim, segundo ele, essa estimativa pode até ser conservadora diante do tamanho real do mercado.

Apesar desses números expressivos, o executivo observa que a sociedade britânica ainda não compreende plenamente as competências técnicas que tornam esse sucesso possível. E é justamente essa falta de compreensão, argumenta ele, que abre caminho para decisões políticas e administrativas equivocadas.

Enquanto grandes estúdios internacionais colhem os frutos de décadas de pesquisa acadêmica, universidades públicas cortam justamente os cursos que formaram essa mão de obra especializada. A contradição, portanto, salta aos olhos: o setor privado lucra com um conhecimento que o setor público agora deixa de financiar.

O autor lembra que jogadores do mundo inteiro fizeram pré-encomendas recordes de Grand Theft Auto VI na semana passada. Trata-se, segundo ele, do lançamento de entretenimento mais aguardado da história, considerando os 13 anos de espera desde o título anterior da franquia, desenvolvido pela Rockstar em Edimburgo.

Contudo, nada disso seria possível sem matemática avançada. A própria 4J Studios, empresa do autor, ajudou a transformar Minecraft no jogo mais vendido de todos os tempos ao adaptá-lo para consoles. Segundo ele, mundos digitais realistas exigem uma combinação sofisticada de geometria, teoria de redes, dinâmica de fluidos, matrizes e cálculo vetorial.

Ou seja, por trás de cada explosão, sombra ou movimento de personagem, existe décadas de pesquisa matemática pura. Muitas dessas descobertas, aliás, surgiram muito antes da invenção dos computadores, sem qualquer intenção comercial imediata.

O caso mais emblemático citado no artigo é o da Universidade de Dundee, cidade que se autoproclama polo global de desenvolvimento de videogames. Foi ali que a própria GTA nasceu originalmente, e é justamente ali que a 4J Studios mantém sua sede.

No entanto, a universidade planeja suspender o recrutamento para o curso de matemática ainda este ano. Assim, os alunos que ingressarem em 2026 podem se tornar os últimos de uma tradição de mais de um século de ensino da disciplina na cidade.

A instituição argumenta que a matemática continuará presente no currículo, mas com “uma ênfase maior em seu papel como disciplina facilitadora, apoiando outras áreas do conhecimento”. Para o autor do artigo, essa justificativa revela, na melhor das hipóteses, falta de visão estratégica. Na pior das hipóteses, configura pura imprudência institucional.

O texto também amplia o debate para além dos videogames. Segundo o autor, a matemática sustenta setores essenciais como saúde, defesa, segurança e inovação tecnológica em geral. Tecnologias originalmente criadas para tornar jogos mais realistas, por exemplo, hoje treinam cirurgiões em simulações médicas.

Dessa forma, cortar investimentos em matemática pura não afeta apenas estúdios de games. Pelo contrário, compromete toda uma cadeia de conhecimento que alimenta diversas indústrias estratégicas do Reino Unido.

Além disso, o autor destaca que cursos de matemática custam relativamente pouco às universidades, mas geram retornos econômicos enormes ao longo do tempo. Ainda assim, essas disciplinas seguem entre as primeiras a sofrer cortes quando reitorias enfrentam pressão orçamentária.

Ao final do artigo, o dirigente da 4J Studios cobra uma resposta mais firme tanto do governo britânico quanto dos gestores universitários. Segundo ele, o Reino Unido precisa preservar um ecossistema soberano nas ciências matemáticas, sob risco de comprometer permanentemente sua histórica indústria de jogos eletrônicos.

Em outras palavras, o problema não se resolve apenas com discursos sobre inovação tecnológica. Ele exige financiamento público consistente e decisões administrativas que priorizem conhecimento de longo prazo, em vez de cortes orçamentários imediatos.

Enquanto isso, universidades como Exeter e Aberdeen também enfrentam reduções semelhantes em seus departamentos de matemática, segundo o artigo. Assim, o caso de Dundee não parece isolado, mas sim sintoma de uma tendência nacional preocupante.

Por fim, o autor deixa um alerta direto: sem investimento público sustentado em ciência básica, o Reino Unido corre o risco de perder não apenas empregos, mas também sua posição de destaque em uma das indústrias criativas mais lucrativas do mundo contemporâneo.

Matéria baseada em artigo de opinião assinado pelo presidente da 4J Studios e publicado originalmente pelo Financial Times.

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Cresce pressão social para o Senado aprovar o fim da 6 X 1 https://www.ocafezinho.com/2026/07/01/cresce-pressao-social-para-o-senado-aprovar-o-fim-da-6-x-1/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/01/cresce-pressao-social-para-o-senado-aprovar-o-fim-da-6-x-1/#respond Wed, 01 Jul 2026 23:39:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/07/01/cresce-pressao-social-para-o-senado-aprovar-o-fim-da-6-x-1/ A pressão social pelo fim da escala de trabalho 6×1 vem crescendo e ganhando força nas últimas semanas em todo o Brasil. Esse movimento contínuo da classe trabalhadora está tensionando o Senado Federal a debater e aprovar rapidamente a proposta.

Como havia sido anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a medida foi o tema de um amplo debate nesta quarta-feira. O fim do regime 6×1, sem redução de salário, já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no último mês de maio.

Minutos antes da sessão, Davi Alcolumbre recebeu diversos parlamentares e líderes de centrais sindicais. O encontro fez parte das discussões fundamentais e da fase de elaboração do calendário de votação da matéria na Casa.

Os debatedores concordaram de maneira geral com o mérito da proposta em pauta. Ao todo, 56 oradores participaram da sessão plenária conduzida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), reconhecendo que a medida representa o anseio da sociedade brasileira.

Uma parte dos presentes, no entanto, questionou aspectos como a velocidade com que a matéria entrou na pauta do Congresso Nacional em ano eleitoral. Também foram debatidos o impacto financeiro da medida para o país e possíveis alternativas como a negociação coletiva.

O senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a pluralidade do debate e o expressivo número de participantes de diversos setores da sociedade civil. Para ele, quase 40 anos após a Constituinte, o Congresso precisa cumprir sua missão e aprovar o fim da escala 6×1.

A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), reiterou que o Poder Executivo é amplamente favorável à aprovação da proposta. Ela negou que a matéria seja uma iniciativa oportunista de ano eleitoral, lembrando que o texto foi protocolado ainda em 2019.

Representantes do Executivo explicaram o apoio institucional à PEC detalhando seus incontáveis benefícios sociais e econômicos para o país. Na opinião do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o debate sobre a redução da jornada é essencialmente humano e necessário para proteger quem carrega o país nas costas.

Estimativas apresentadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostraram que a redução da jornada diminui a desigualdade de apropriação da renda. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, calculou que a mudança trabalhista deve alcançar mais de 15 milhões de pessoas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, considerou o dia histórico para o movimento sindical brasileiro. Ele ressaltou sua total certeza de que o Senado terá a mesma sensibilidade social demonstrada pela Câmara dos Deputados ao aprovar a PEC.

Representantes dos empregadores apresentaram objeções, apontando que mudanças dessa magnitude precisam considerar os efeitos sobre a produtividade. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, defendeu que a mudança seja alcançada de forma inteligente, racional e sem decisões precipitadas.

O setor rural e patronal também manifestou suas preocupações quanto à alta de custos no frete e na produção agrícola. Independentemente das objeções, o debate expôs a maturidade democrática e a urgência social da revisão da escala exploratória.

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