Brics - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/brics/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 04 Apr 2026 18:31:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Brics - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/brics/ 32 32 Comércio entre BRICS supera US$ 1 trilhão e redefine eixo econômico global https://www.ocafezinho.com/2026/04/04/comercio-entre-brics-supera-us-1-trilhao-e-redefine-eixo-economico-global/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/04/comercio-entre-brics-supera-us-1-trilhao-e-redefine-eixo-economico-global/#respond Sat, 04 Apr 2026 18:31:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=230131 O comércio entre países do BRICS ultrapassou US$ 1 trilhão. O número confirma uma mudança estrutural no fluxo econômico global.

O dado, divulgado pela rede TV BRICS, mostra que as trocas internas do bloco atingiram um novo patamar em 2025. O volume consolida o grupo como um dos principais polos comerciais do mundo.

Esse crescimento não é isolado. Ele reflete uma tendência contínua de aumento das trocas entre economias emergentes, com menor dependência de mercados tradicionais.

Hoje, o BRICS já responde por cerca de 24% do comércio global e quase 40% do PIB mundial. A escala coloca o bloco no centro das decisões econômicas internacionais.

A expansão recente do grupo amplia ainda mais esse peso. Novos membros como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes reforçam cadeias produtivas estratégicas, especialmente em energia.

O crescimento do comércio interno também está ligado à mudança de rotas e parceiros. Países do bloco passaram a priorizar trocas diretas entre si, reduzindo intermediários.

A China segue como principal motor desse movimento. O país concentra grande parte das exportações industriais e atua como hub logístico e financeiro.

Ao mesmo tempo, Rússia e Índia ampliam participação em setores como energia, alimentos e tecnologia. Isso diversifica a base comercial do bloco.

Outro fator é o uso crescente de moedas locais nas transações. A prática reduz custos cambiais e diminui a exposição ao dólar.

Segundo dados oficiais do comércio exterior, os países do BRICS já representam cerca de 26% das exportações globais, com fluxo superior a US$ 5,7 trilhões.

Esse volume ajuda a explicar o avanço das trocas internas. Quanto maior a produção e o comércio global do bloco, maior a capacidade de integração entre seus membros.

Para o Brasil, o impacto é direto. A China já é o principal parceiro comercial do país, e outros membros do BRICS ganham relevância crescente.

Em 2024, mais de 500 milhões de toneladas de cargas brasileiras foram movimentadas em comércio com países do bloco.

Isso afeta portos, logística e infraestrutura nacional. A demanda por exportações pressiona investimentos em transporte e escoamento de produção.

Além disso, a intensificação do comércio dentro do BRICS pode reduzir custos e ampliar mercados para produtos brasileiros, especialmente commodities e alimentos.

No plano geopolítico, o dado de US$ 1 trilhão indica mais do que crescimento econômico. Mostra a consolidação de um eixo comercial alternativo ao tradicional circuito EUA-Europa.

O movimento é gradual, mas consistente. O centro do comércio global passa a incluir, cada vez mais, o Sul Global.

Para o Brasil, a oportunidade é clara. Integrar-se a esse fluxo não é apenas estratégia comercial, mas posicionamento em um novo desenho da economia mundial.

Comércio entre BRICS supera US$ 1 trilhão e redefine eixo econômico global

O comércio entre países do BRICS ultrapassou US$ 1 trilhão. O número confirma uma mudança estrutural no fluxo econômico global.

O dado, divulgado pela rede TV BRICS, mostra que as trocas internas do bloco atingiram um novo patamar em 2025. O volume consolida o grupo como um dos principais polos comerciais do mundo.

Esse crescimento não é isolado. Ele reflete uma tendência contínua de aumento das trocas entre economias emergentes, com menor dependência de mercados tradicionais.

Hoje, o BRICS já responde por cerca de 24% do comércio global e quase 40% do PIB mundial. A escala coloca o bloco no centro das decisões econômicas internacionais.

A expansão recente do grupo amplia ainda mais esse peso. Novos membros como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes reforçam cadeias produtivas estratégicas, especialmente em energia.

O crescimento do comércio interno também está ligado à mudança de rotas e parceiros. Países do bloco passaram a priorizar trocas diretas entre si, reduzindo intermediários.

A China segue como principal motor desse movimento. O país concentra grande parte das exportações industriais e atua como hub logístico e financeiro.

Ao mesmo tempo, Rússia e Índia ampliam participação em setores como energia, alimentos e tecnologia. Isso diversifica a base comercial do bloco.

Outro fator é o uso crescente de moedas locais nas transações. A prática reduz custos cambiais e diminui a exposição ao dólar.

Segundo dados oficiais do comércio exterior, os países do BRICS já representam cerca de 26% das exportações globais, com fluxo superior a US$ 5,7 trilhões.

Esse volume ajuda a explicar o avanço das trocas internas. Quanto maior a produção e o comércio global do bloco, maior a capacidade de integração entre seus membros.

Para o Brasil, o impacto é direto. A China já é o principal parceiro comercial do país, e outros membros do BRICS ganham relevância crescente.

Em 2024, mais de 500 milhões de toneladas de cargas brasileiras foram movimentadas em comércio com países do bloco.

Isso afeta portos, logística e infraestrutura nacional. A demanda por exportações pressiona investimentos em transporte e escoamento de produção.

Além disso, a intensificação do comércio dentro do BRICS pode reduzir custos e ampliar mercados para produtos brasileiros, especialmente commodities e alimentos.

No plano geopolítico, o dado de US$ 1 trilhão indica mais do que crescimento econômico. Mostra a consolidação de um eixo comercial alternativo ao tradicional circuito EUA-Europa.

O movimento é gradual, mas consistente. O centro do comércio global passa a incluir, cada vez mais, o Sul Global.

Para o Brasil, a oportunidade é clara. Integrar-se a esse fluxo não é apenas estratégia comercial, mas posicionamento em um novo desenho da economia mundial.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/04/04/comercio-entre-brics-supera-us-1-trilhao-e-redefine-eixo-economico-global/feed/ 0
Ciência do BRICS avança: Rússia descobre moléculas marinhas que podem revolucionar a proteção do coração https://www.ocafezinho.com/2026/03/29/ciencia-do-brics-avanca-russia-descobre-moleculas-marinhas-que-podem-revolucionar-a-protecao-do-coracao/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/29/ciencia-do-brics-avanca-russia-descobre-moleculas-marinhas-que-podem-revolucionar-a-protecao-do-coracao/#respond Mon, 30 Mar 2026 00:06:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229423 Um novo estudo conduzido por cientistas russos coloca o bloco dos BRICS mais uma vez na linha de frente da ciência global — desta vez, com potencial impacto direto na medicina cardiovascular. Pesquisadores identificaram moléculas presentes em estrelas-do-mar capazes de proteger células do coração contra danos graves.

De acordo com a rede internacional TV BRICS, os testes laboratoriais mostraram que uma dessas substâncias foi capaz de proteger células cardíacas contra a falta de oxigênio, uma das principais causas de lesões durante infartos.

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos

O avanço é significativo porque atua justamente em um dos pontos mais críticos da medicina: o dano celular causado por isquemia — quando o fluxo de sangue e oxigênio é interrompido.

Na prática, isso significa que essas moléculas podem, no futuro:

reduzir os danos causados por infartos

aumentar a sobrevivência de tecidos cardíacos

abrir caminho para novos medicamentos mais eficazes

Ainda em fase inicial, a pesquisa indica um potencial terapêutico que pode transformar o tratamento de doenças cardiovasculares, que seguem entre as principais causas de morte no mundo.

Ciência marinha como fronteira estratégica

O estudo reforça uma tendência cada vez mais evidente: os oceanos se tornaram uma das principais fronteiras da inovação científica.

As estrelas-do-mar, por exemplo, possuem compostos bioativos únicos, desenvolvidos ao longo de milhões de anos de evolução, capazes de resistir a ambientes extremos e gerar respostas biológicas complexas.

É justamente esse tipo de biodiversidade que países como Rússia, China e outros membros do BRICS vêm explorando com mais intensidade — não apenas como curiosidade científica, mas como ativo estratégico.

BRICS aceleram corrida científica global

O avanço russo não acontece isoladamente.

Nos últimos anos, países do BRICS têm ampliado investimentos em ciência, tecnologia e inovação com foco em autonomia e protagonismo global. A descoberta reforça a capacidade do bloco de produzir conhecimento de ponta sem depender dos centros tradicionais do Ocidente.

Enquanto os Estados Unidos historicamente lideraram áreas como farmacologia e biotecnologia, o crescimento científico do BRICS começa a redesenhar esse mapa.

Um novo eixo de inovação

A descoberta das moléculas marinhas com potencial cardioprotetor é mais do que um avanço científico — é um sinal político e estratégico.

Mostra que a ciência de ponta já não está concentrada em um único eixo global.

E, sobretudo, indica que o futuro da inovação pode vir de onde antes poucos olhavam: dos laboratórios conectados ao Sul Global e às potências emergentes.

Se confirmados em testes clínicos, os resultados dessa pesquisa não apenas salvarão vidas — também consolidarão o BRICS como protagonista na ciência do século XXI.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/29/ciencia-do-brics-avanca-russia-descobre-moleculas-marinhas-que-podem-revolucionar-a-protecao-do-coracao/feed/ 0
Guerra no Irã expõe racha no Brics expandido https://www.ocafezinho.com/2026/03/06/guerra-no-ira-expoe-racha-no-brics-expandido/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/06/guerra-no-ira-expoe-racha-no-brics-expandido/#comments Fri, 06 Mar 2026 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226725 1 Comentário 🔥]]> Dividido e com diferentes interesses em jogo, países do bloco não conseguem emitir posição conjunta sobre o conflito. Falta de unidade contrasta com resposta ao conflito de 2025.

A ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação subsequente do regime de Teerã contra países do Golfo expuseram um racha interno no Brics, que não só deixou de emitir uma declaração conjunta até o momento como mostrou posicionamentos públicos divergentes entre seus membros.

Atualmente, o Brics é formado por dez países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. A Arábia Saudita costuma ser listada como membro, mas ainda não oficializou seu ingresso.

Enquanto países como Brasil, Rússia e China emitiram notas condenado a ofensiva conjunta de Israel e os EUA contra o Irã, outros membros, como Emirados Árabes Unidos e Índia se concentraram em condenar as retaliações do Irã. A África do Sul, por sua vez, tentou se equilibrar manifestando preocupação com a escalada do conflito.

A falta de coesão e de um posicionamento conjunto contrasta com a reação conjunta observada em junho de 2025, na guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã e que também contou com participação dos EUA.

À época, quando a presidência era ocupada pelo Brasil, os dez países do bloco divulgaram uma nota conjunta classificando os ataques israelenses como uma “violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”. O mesmo texto também pedia a abertura de “canais de diálogo” com o objetivo de “desescalar a situação e resolver suas divergências por meios pacíficos”.

O conflito de 2026 tem diferenças com a guerra de 12 dias do ano passado. Há oito meses, o Irã também retaliou a ofensiva israelense, mas suas ações militares não atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita como ocorreu desta vez.

Oficialmente, o Irã afirma que só tem mirado bases dos EUA em países do Oriente Médio. “Não estamos atacando nossos vizinhos nos países do Golfo Pérsico, estamos atacando a presença dos EUA nesses países”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi. No entanto, foram registrados danos em alvos sem relação direta com os militares dos EUA, como aeroportos civis, refinarias e até prédios de luxo.

Em resposta, a Arábia Saudita advertiu que “se reserva ao direito” de reagir ao que chamou de “ataque covarde do Irã”. Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram descartar ação militar contra o Irã e apelaram para que as Nações Unidas busquem uma solução para o conflito.

Para especialistas, a estratégia do Irã de levar o conflito a monarquias do Golfo visa pressionar esses países a cobrarem os EUA por um cessar-fogo. Além da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, mísseis e drones do Irã também atingiram alvos no Bahrein, Catar, Omã, Jordânia, Síria, Iraque e Kuwait.

Emirados Árabes Unidos sofreram danos provocados pelo Irã | Reuters

Racha pós-expansão

Em 2001, o economista Jim O’Neill cunhou o termo Bric para identificar Brasil, Rússia, Índia e China como economias que cresciam rapidamente e que tinham potencial para se tornar potências econômicas globais até 2050.

Apesar das diferenças em ideologias políticas e estruturas sociais, os formuladores de políticas dos quatro países passaram a trabalhar juntos, inicialmente por meio de conversas informais.

Com a consolidação das negociações, a primeira cúpula dos países foi realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009. Um ano depois, a África do Sul foi convidada a juntar-se ao bloco emergente, acrescentando o “S” ao acrônimo Brics.

Entre 2023 e 2025, o bloco passou por uma grande expansão, ganhando seis novos membros: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. (Os sauditas foram convidados, mas passaram a evitar oficializar a entrada após seus aliados dos EUA começarem ameaçar com tarifas países que se alinharem ao bloco.)

À época, a expansão foi em grande resultado de pressão da China, enquanto o Brasil tentou resistir por temor de perder protagonismo no grupo. Após a expansão, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, também afirmou que o grupo “não poderia se expandir indefinidamente”, sob o risco de perder “coesão”.

Em abril de 2025, um encontro do Brics que reuniu ministros do Exterior dos países do bloco já havia terminado sem a divulgação de comunicado conjunto, mas posteriormente, em julho, na reunião de líderes, os membros chegaram a um consenso em temas como reforma das Nações Unidas e solução de dois Estados para os territórios palestinos e Israel, resultando numa declaração oficial.

Posições divergentes sobre o atual conflito

No momento, a presidência rotativa do Brics é ocupada pela Índia, que mantém relações estreitas com os Estados Unidos e Israel. Entre diplomatas brasileiros, não há expectativa que os indianos convoquem uma reunião para articular um posicionamento comum em relação ao atual conflito.

Entre os quatro membros fundadores do Brics, a posição indiana é a que mais tem contrastado. O premiê indiano, Narendra Modi, evitou comentar num primeiro momento o ataque israelense que matou o “líder supremo” do Irã, Ali Khamenei, preferindo condenar publicamente a retaliação iraniana que provocou danos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, além de denunciar o que chamou de “violação da soberania e da integridade territorial” do Kuwait, Catar e Omã. Nenhuma declaração semelhante em relação ao Irã foi divulgada pelo premiê.

No último domingo (01/03), Modi também relatou que teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse ter transmitido “preocupações da Índia” e reiterado “a necessidade de um rápido fim das hostilidades”. Modi também não relatou ter contatado qualquer autoridade iraniana. A posição de Modi provocou críticas de membros da oposição indiana.

Brasil tentou resistir à expansão que ampliou grupo para dez membros | Li Xueren/Xinhua/picture alliance

Já a Rússia e a China foram explícitas em se posicionar contra a ação israelo-americana contra o Irã.

Poucas horas depois de as bombas israelenses e americanas começarem a atingir Teerã, o representante da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, classificou o ataque como um “ato não provocado de agressão armada contra um Estado-membro soberano e independente da ONU”.

Em nota, o governo russo também chamou a ação dos EUA e Israel de “irresponsável”, “premeditado” que viola “os princípios e normas fundamentais do direito internacional”. A Rússia é um dos poucos aliados do regime de Teerã e nos últimos anos dependeu dos iranianos para o fornecimento de drones militares para uso na frente de guerra ucraniana.

A China, compradora petróleo iraniano, por sua vez, se expressou em termos semelhantes aos da Rússia, com uma porta-voz afirmando que “os ataques dos EUA e de Israel não foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU e violam o direito internacional”.

No entanto, nem Moscou nem Pequim emitiram sinais de que pretendem ir além das condenações verbais contra as ações de Israel e EUA, sinalizando que não vão correr para socorrer os iranianos.

A África do Sul, que tem relações hostis com Israel e paralelamente tenta encontrar algum equilíbrio com os EUA de Donald Trump, divulgou uma posição mais genérica. Por um lado, em nota, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou em relação à ofensiva israelo-americana que “a autodefesa antecipada não é permitida pelo direito internacional”, mas se concentrou em argumentar que “o confronto militar nunca trouxe uma paz sustentável” e pedir uma solução diplomática. A declaração não menciona os países envolvidos e em geral usa linguagem menos direta que a China e Rússia.

Brasil e membros restantes

Entre os membros originais do Brics, o Brasil foi a única democracia que divulgou uma condenação explícita contra a ofensiva de EUA e Israel, mencionando diretamente os dois países.

“O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, afirmou o Itamaraty, em nota divulgada no último sábado (28/02).

Na segunda-feira, foi a vez de o Itamaraty divulgar uma nova nota, condenando a retaliação do Irã contra países do Golfo. “O Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. O Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.”

Entre os outros membros novatos do Brics, a Indonésia usou linguagem genérica em seu posicionamento, “lamentando o fracasso nas negociações entre os EUA e o Irã” e apelando para que as partes priorizem a diplomacia. O país também se ofereceu como mediador.

A Etiópia, por sua vez, se mantém discreta, e expressou publicamente solidariedade ao Kuwait, alvo de retaliação do Irã. Aliado dos EUA, mas receoso do aumento da força de Israel no Oriente Médio, o Egito evitou comentar a ofensiva inicial dos israelo-americana, preferindo instar o Irã a parar de lançar ataques a alvos em países do Golfo e pedir que todos os lados demonstrem contenção.

Publicado originalmente pelo DW em 06/03/2026

Por Jean-Philip Struck

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/06/guerra-no-ira-expoe-racha-no-brics-expandido/feed/ 1
BRICS avança com seu próprio ‘Pix’ e já disponibiliza aplicativo para pagamentos https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/brics-avanca-com-seu-proprio-pix-e-ja-disponibiliza-aplicativo-para-pagamentos/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/brics-avanca-com-seu-proprio-pix-e-ja-disponibiliza-aplicativo-para-pagamentos/#respond Fri, 27 Feb 2026 01:00:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226385 Os países que integram o bloco econômico BRICS avançaram na implementação de um sistema próprio de pagamentos internacionais. Batizada de BRICS Pay, a plataforma digital foi desenvolvida no âmbito do Conselho Empresarial do grupo e promete funcionar como uma espécie de “Pix internacional”, permitindo transações rápidas entre os países membros sem a necessidade de intermediação por redes tradicionais dominadas por moedas como o dólar.

O aplicativo do BRICS Pay já está disponível para download na loja Google Play e pode ser utilizado por pessoas físicas em viagens turísticas ou de negócios, além de empresas que realizam transações comerciais entre os países do bloco. A proposta é simplificar pagamentos transfronteiriços, com liquidação direta em moedas locais.

Plataforma descentralizada e foco em moedas locais

Segundo o Conselho Empresarial do BRICS, o sistema foi concebido com base em princípios de interoperabilidade, soberania financeira e inclusão. A plataforma conecta sistemas de pagamento nacionais e instituições financeiras dos países do chamado BRICS+, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.

A tecnologia utilizada é baseada em blockchain, com capacidade declarada de processar até 20 mil transações por segundo. A arquitetura descentralizada busca permitir pagamentos diretos entre usuários e empresas, sem depender de uma única rede internacional.

A principal inovação está na possibilidade de realizar transações comerciais em moedas locais, como real, yuan e rúpia, evitando a conversão obrigatória para o dólar. O objetivo é reduzir custos cambiais, ampliar a autonomia financeira dos países do bloco e fortalecer o comércio interno.

Apesar disso, a criação de uma moeda única para o grupo ainda enfrenta obstáculos técnicos e políticos, e não integra a etapa atual do projeto.

Referência brasileira

O modelo do BRICS Pay foi inspirado no Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020. O sucesso da experiência brasileira, que movimentou R$ 35,4 trilhões em 2025, serviu como referência para o desenvolvimento de um mecanismo adaptado ao comércio internacional.

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do BRICS sediada em Xangai, Dilma Rousseff, tem coordenado iniciativas de integração financeira entre os países membros desde 2023. Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela foi reconduzida para um segundo mandato à frente da instituição.

O NDB também financia projetos em áreas como infraestrutura, transição energética e combate a doenças negligenciadas. No campo climático, os países do bloco assumiram compromissos voltados à redução de impactos ambientais e incentivo a energias renováveis.

Aplicações práticas

De acordo com o Conselho do BRICS, o sistema permite que usuários utilizem cartões e contas já existentes para efetuar pagamentos em qualquer país do bloco, seja para despesas cotidianas em viagens ou para transações empresariais de maior porte.

A promessa é oferecer uma alternativa às redes tradicionais de pagamentos internacionais, com liquidação mais rápida, rastreabilidade e custos reduzidos. O discurso institucional destaca a eliminação de intermediários e maior previsibilidade nas operações.

Especialistas avaliam que a adoção do BRICS Pay dependerá da integração efetiva entre bancos centrais, sistemas regulatórios nacionais e instituições financeiras privadas. A interoperabilidade entre diferentes legislações e padrões tecnológicos é considerada um dos principais desafios.

Expansão do bloco e integração financeira

Com a ampliação do BRICS para incluir novos membros e países associados, o grupo passou a representar parcela significativa da população mundial e do Produto Interno Bruto global. A criação de uma infraestrutura própria de pagamentos é vista como parte da estratégia de fortalecer a cooperação econômica entre os integrantes.

Ainda em fase inicial de implementação, o BRICS Pay será testado gradualmente em diferentes mercados. O desempenho operacional, o volume de adesão de usuários e a integração com sistemas bancários locais serão fatores determinantes para avaliar o impacto do novo mecanismo no comércio internacional entre os países do bloco.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/brics-avanca-com-seu-proprio-pix-e-ja-disponibiliza-aplicativo-para-pagamentos/feed/ 0
Milei surpreende e quer colocar Argentina no BRICS https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/milei-surpreende-e-quer-colocar-argentina-no-brics/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/milei-surpreende-e-quer-colocar-argentina-no-brics/#respond Thu, 22 Jan 2026 01:15:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224866 O bloco dos BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, voltou ao centro das discussões geopolíticas e comerciais na América do Sul. Criado para ampliar a cooperação entre grandes economias emergentes, o grupo ganhou relevância global ao se consolidar como um polo alternativo de articulação política, financeira e comercial fora do eixo tradicional liderado por Estados Unidos e União Europeia.

O Brasil, membro fundador dos BRICS, tem desempenhado papel central nas articulações do grupo desde sua criação. Além de atuar internamente no fortalecimento do bloco, o país passou a defender, nos últimos anos, uma maior aproximação entre os BRICS e parceiros regionais estratégicos, especialmente no âmbito do Mercosul.

Nesse contexto, Argentina, Paraguai e Uruguai sinalizaram disposição para se aproximar dos BRICS. A manifestação ocorreu durante discussões recentes no Mercosul sobre novas estratégias comerciais e a ampliação de acordos internacionais. Os três países, que integram o bloco sul-americano ao lado do Brasil, indicaram abertura para iniciar negociações que possam, no futuro, resultar em algum tipo de cooperação estruturada com o grupo de economias emergentes.

A sinalização foi confirmada por lideranças do Mercosul, que destacaram a necessidade de diversificar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais. Segundo representantes do bloco, o cenário internacional marcado por instabilidade econômica, tensões geopolíticas e mudanças nas cadeias globais de produção exige uma postura mais ativa e pragmática dos países sul-americanos.

Interesse econômico e estratégico

Argentina, Paraguai e Uruguai veem nos BRICS uma oportunidade para ampliar exportações, atrair investimentos e fortalecer sua posição no comércio internacional. Setores como agronegócio, energia, mineração e infraestrutura aparecem entre os principais interessados em uma eventual aproximação, dado o perfil complementar das economias envolvidas.

China e Índia, por exemplo, são grandes importadores de alimentos e commodities agrícolas, enquanto Rússia e África do Sul mantêm interesse em parcerias energéticas e em projetos de infraestrutura. Para os países do Mercosul, o acesso mais estruturado a esses mercados pode representar ganhos relevantes em escala, previsibilidade comercial e diversificação de destinos de exportação.

Além do aspecto econômico, há também um componente político. A aproximação com os BRICS pode ampliar o peso diplomático dos países sul-americanos em fóruns internacionais, oferecendo maior margem de manobra em negociações multilaterais e reduzindo a dependência de decisões tomadas por economias centrais.

Mercosul mais ativo no cenário global

O movimento ocorre após avanços importantes do Mercosul em negociações internacionais. Um dos principais exemplos é o acordo firmado com a União Europeia, considerado histórico após mais de duas décadas de tratativas. Embora o acordo ainda enfrente etapas de ratificação e resistência em alguns países europeus, ele marcou uma mudança de postura do bloco sul-americano, que passou a se posicionar de forma mais ativa no comércio global.

Com esse avanço, o Mercosul busca ampliar seu leque de parcerias, explorando tanto acordos tradicionais quanto novas formas de cooperação com economias emergentes. A possível aproximação com os BRICS se insere nessa estratégia de diversificação e adaptação a um ambiente internacional mais fragmentado.

Especialistas ressaltam, no entanto, que qualquer avanço concreto dependerá de negociações técnicas complexas. Ainda não há um modelo definido para essa aproximação, que pode variar desde acordos comerciais específicos até mecanismos de cooperação financeira, tecnológica ou de investimentos.

Benefícios potenciais e desafios

Analistas avaliam que a aproximação entre Mercosul e BRICS pode trazer benefícios como maior acesso a grandes mercados emergentes, aumento da demanda por produtos sul-americanos e estímulo a investimentos em infraestrutura e logística. Países como Argentina, Paraguai e Uruguai poderiam ganhar competitividade e reduzir vulnerabilidades externas ao diversificar parceiros comerciais.

Outro ponto destacado é a possibilidade de integração a iniciativas financeiras dos BRICS, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O acesso a essas linhas de crédito poderia ampliar a capacidade de investimento dos países do Mercosul em áreas estratégicas.

Por outro lado, há desafios. Diferenças regulatórias, interesses comerciais distintos e eventuais pressões de parceiros tradicionais podem dificultar o avanço das negociações. Além disso, a própria heterogeneidade dos BRICS, que reúne economias com modelos políticos e econômicos diversos, exige cautela na construção de acordos.

Próximos passos

Por ora, a sinalização de Argentina, Paraguai e Uruguai representa um movimento político inicial, sem compromissos formais. As discussões devem avançar no âmbito técnico do Mercosul e em diálogos diplomáticos conduzidos principalmente pelo Brasil, que atua como elo natural entre os dois blocos.

Em um cenário global marcado por incertezas, a ampliação de alianças aparece como uma estratégia para fortalecer a posição dos países sul-americanos. A eventual aproximação com os BRICS, se concretizada, pode redesenhar parte da inserção internacional do Mercosul e abrir um novo capítulo nas relações entre América do Sul e as principais economias emergentes do mundo.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/milei-surpreende-e-quer-colocar-argentina-no-brics/feed/ 0
‘Estilo Bitcoin’: BC da Índia propõe integrar moedas do BRICS para reduzir uso do dólar https://www.ocafezinho.com/2026/01/20/estilo-bitcoin-bc-da-india-propoe-integrar-moedas-do-brics-para-reduzir-uso-do-dolar/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/20/estilo-bitcoin-bc-da-india-propoe-integrar-moedas-do-brics-para-reduzir-uso-do-dolar/#respond Tue, 20 Jan 2026 11:59:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224750 O Banco Central da Índia apresentou ao governo indiano uma proposta para que os países do Brics conectem suas moedas digitais oficiais, conhecidas como moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), com o objetivo de facilitar o comércio transfronteiriço e os pagamentos ligados ao turismo. A iniciativa, segundo fontes ouvidas pela Reuters, pode reduzir a dependência do dólar em transações internacionais em um contexto de aumento das tensões geopolíticas e de debates sobre alternativas ao sistema financeiro dominado pelos Estados Unidos.

De acordo com duas fontes com conhecimento direto do assunto, o banco central indiano recomendou que a proposta de interligação das CBDCs seja incluída formalmente na agenda da cúpula do Brics prevista para 2026, que será sediada pela Índia. As fontes pediram anonimato por não estarem autorizadas a se manifestar publicamente sobre o tema. Caso a recomendação seja aceita, será a primeira vez que o bloco discutirá de forma estruturada a criação de um mecanismo conjunto para vincular moedas digitais soberanas.

O Brics reúne atualmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de países recentemente incorporados ao grupo. Embora o bloco tenha ampliado sua relevância política e econômica nos últimos anos, especialmente entre países do chamado Sul Global, a coordenação financeira ainda ocorre de forma fragmentada, baseada sobretudo em acordos bilaterais e sistemas nacionais de pagamento.

Segundo as fontes, a proposta indiana prevê que as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países-membros possam ser conectadas por meio de uma infraestrutura comum, permitindo liquidações diretas em transações comerciais e pagamentos relacionados a viagens e turismo. O objetivo seria reduzir custos, acelerar operações e diminuir a necessidade de conversão para moedas de terceiros, especialmente o dólar.

A iniciativa se apoia em uma declaração aprovada em 2025 durante a cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, na qual os países defenderam o aumento da interoperabilidade entre seus sistemas de pagamento. Na ocasião, os líderes do bloco afirmaram que tornar as transações internacionais mais eficientes é uma prioridade estratégica, diante das mudanças no cenário econômico global e da crescente politização de instrumentos financeiros.

Apesar do avanço do debate, nenhum dos países do Brics lançou até o momento uma moeda digital de banco central plenamente operacional em larga escala. Ainda assim, os cinco principais membros do grupo mantêm projetos-piloto em diferentes estágios de desenvolvimento. A China é considerada a mais avançada, com testes amplos do yuan digital em diversas cidades, enquanto Índia, Brasil, Rússia e África do Sul também conduzem experimentos voltados tanto ao varejo quanto ao atacado.

A proposta indiana surge em um ambiente de crescente discussão sobre a redução da dependência do dólar no comércio internacional. Nos últimos anos, sanções financeiras, congelamento de ativos e restrições a sistemas de pagamento tradicionais reforçaram, entre diversos países, a percepção de que a arquitetura financeira global pode ser usada como instrumento de pressão política. Nesse contexto, mecanismos alternativos de liquidação e pagamento passaram a ganhar espaço nas agendas de fóruns multilaterais.

Autoridades dos Estados Unidos têm reagido com cautela, e em alguns casos com críticas diretas, a iniciativas que buscam contornar o papel central do dólar. O presidente norte-americano, Donald Trump, já classificou publicamente o Brics como uma aliança “antiamericana” e ameaçou impor tarifas a países do bloco caso avancem em medidas que, na avaliação de Washington, enfraqueçam a posição do dólar como principal moeda de reserva e de comércio global.

Segundo as fontes, a proposta indiana de vinculação das CBDCs pode gerar irritação em Washington justamente por tocar em um dos pilares da influência econômica dos Estados Unidos. Ainda assim, defensores da iniciativa argumentam que o foco estaria na eficiência operacional e na redução de custos, e não em um movimento coordenado para substituir o dólar no curto prazo.

Procurados pela Reuters, o Banco Central da Índia, o Banco Central do Brasil e o governo indiano não responderam aos pedidos de comentário. O Banco do Povo da China informou que não tinha informações a compartilhar sobre o tema. Já os bancos centrais da África do Sul e da Rússia preferiram não se manifestar.

Especialistas em sistemas de pagamento observam que a integração de moedas digitais soberanas envolve desafios técnicos, regulatórios e políticos significativos. Entre eles estão a definição de padrões comuns de segurança cibernética, regras de governança, mecanismos de liquidação e compatibilidade com legislações nacionais sobre câmbio, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção de dados.

Ainda assim, analistas avaliam que o debate sobre a interoperabilidade de CBDCs tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que mais países avancem do estágio experimental para aplicações práticas. No caso do Brics, a proposta indiana pode funcionar como um teste de coordenação financeira mais profunda dentro do bloco, ao mesmo tempo em que sinaliza a disposição de seus membros em explorar alternativas ao sistema financeiro tradicional.

A inclusão formal do tema na agenda da cúpula de 2026 dependerá da decisão política dos governos do Brics. Até lá, discussões técnicas devem continuar em grupos de trabalho e fóruns especializados, enquanto o tema permanece no centro das atenções de mercados, governos e organismos internacionais atentos às transformações em curso no sistema monetário global.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/20/estilo-bitcoin-bc-da-india-propoe-integrar-moedas-do-brics-para-reduzir-uso-do-dolar/feed/ 0
BRICS testa moeda lastreada em ouro ‘fora do Swift’ e que ameaça hegemonia do dólar https://www.ocafezinho.com/2026/01/18/brics-testa-moeda-lastreada-em-ouro-fora-do-swift-e-que-ameaca-hegemonia-do-dolar/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/18/brics-testa-moeda-lastreada-em-ouro-fora-do-swift-e-que-ameaca-hegemonia-do-dolar/#respond Mon, 19 Jan 2026 01:55:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224698 O debate sobre a redução da dependência do dólar no comércio internacional ganhou novo impulso no âmbito do BRICS, bloco que reúne Brasil, China, Rússia, Índia, África do Sul e países recentemente incorporados. As discussões envolvem propostas de sistemas de pagamento alternativos, críticas ao modelo do petrodólar e análises sobre o papel do ouro, do yuan e de tecnologias como blockchain, em um contexto de queda da participação da moeda norte-americana nas reservas globais.

As avaliações foram apresentadas pelo jornalista Pepe Escobar em artigo publicado no portal Brasil 247, no qual analisa o atual cenário financeiro internacional como um movimento estrutural que desafia a hegemonia do dólar. Segundo o autor, o processo não se limita a ajustes técnicos, mas reflete mudanças geopolíticas e econômicas em curso, impulsionadas por tensões entre grandes potências e pelo uso de instrumentos financeiros como ferramenta de pressão política.

De acordo com Escobar, o petrodólar constitui um dos pilares centrais da ordem econômica liderada pelos Estados Unidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial. Nesse modelo, o comércio internacional de energia é majoritariamente precificado em dólares, o que sustenta a demanda global pela moeda e por títulos do Tesouro norte-americano, permitindo a manutenção de déficits elevados. Conforme o articulista, tentativas de romper esse circuito historicamente resultaram em sanções, congelamento de ativos ou exclusão de sistemas de pagamento dominantes.

Segundo o jornalista, esse arranjo enfrenta atualmente limitações crescentes. A combinação de gastos militares elevados e a necessidade de manter o controle do sistema financeiro internacional impõe custos cada vez mais difíceis de sustentar. Escobar cita propostas de orçamentos trilionários para a área de defesa nos Estados Unidos como exemplo da pressão exercida sobre a própria estabilidade do sistema.

Um ponto de inflexão citado no artigo é o congelamento de reservas russas no exterior após o início da guerra na Ucrânia. Para Escobar, a exclusão da Rússia do sistema SWIFT evidenciou para diversos países que reservas denominadas em dólar podem se tornar vulneráveis em cenários de tensão geopolítica. A reação, segundo ele, incluiu o aumento da compra de ouro por bancos centrais, a ampliação de acordos bilaterais em moedas locais e o interesse crescente por sistemas de pagamento alternativos.

No texto, o jornalista afirma que o objetivo dessas iniciativas não seria substituir abruptamente a ordem vigente, mas criar caminhos paralelos capazes de reduzir riscos. Nesse contexto, o BRICS aparece como um espaço de coordenação dessas propostas, especialmente entre países do chamado Sul Global. Escobar descreve o bloco como um “laboratório” de testes financeiros, no qual diferentes modelos são avaliados para viabilizar o comércio internacional sem a intermediação do dólar.

Entre as propostas mencionadas está a criação de uma unidade de conta não soberana, baseada em blockchain, conhecida como Unidade. Segundo Escobar, o instrumento não teria caráter de moeda tradicional, mas funcionaria como mecanismo de liquidação comercial, inspirado em modelos como os Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional, porém restrito ao ecossistema do BRICS. A Unidade poderia ser lastreada em uma cesta de commodities ou moedas, com o objetivo de reduzir a influência de um único país.

O artigo também cita o mBridge, projeto de moeda digital compartilhada entre bancos centrais, liderado por instituições asiáticas, que teria inspirado o chamado BRICS Bridge. Conforme a análise, o objetivo é permitir transações diretas entre moedas nacionais, sem a necessidade de conversão prévia em dólares. Outro eixo mencionado é o BRICS Pay, descrito como uma infraestrutura de pagamentos voltada inicialmente para transações de menor valor, como turismo e operações cotidianas, embora ainda existam desafios para sua aplicação em grandes volumes financeiros.

Escobar argumenta que o contexto atual favorece essas iniciativas. Segundo ele, a participação do dólar nas reservas cambiais globais teria caído para menos de 40%, o menor nível em pelo menos duas décadas. O ouro, de acordo com a análise, teria superado moedas como euro, iene e libra esterlina quando consideradas em conjunto. Para o jornalista, esses dados reforçam a percepção de que o sistema financeiro internacional perdeu neutralidade e passou a ser visto como instrumento de pressão política.

O texto também recorre às análises do economista Michael Hudson, que defende a ampliação do uso do yuan e do sistema chinês de pagamentos internacionais, o CIPS, como caminhos de menor resistência. Segundo Escobar, o CIPS já opera em mais de uma centena de países, o que lhe confere alcance prático. Hudson, no entanto, avalia que uma nova instituição internacional, inspirada no Bancor proposto por John Maynard Keynes em 1944, poderia oferecer maior equilíbrio no longo prazo.

Outra proposta citada é a do economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento. De acordo com Escobar, Batista Jr. defende a criação de uma nova moeda internacional restrita a transações externas, lastreada em uma cesta ponderada das moedas dos países participantes, com pesos definidos pelo PIB em paridade de poder de compra. O autor observa que o peso da economia chinesa seria determinante para a credibilidade do arranjo.

Por fim, Escobar destaca que os próprios defensores dessas alternativas reconhecem o risco de retaliações por parte do Ocidente, incluindo sanções e pressões diplomáticas. Ainda assim, segundo o jornalista, o custo de não agir tende a aumentar à medida que a ordem financeira atual se torna mais instável. O BRICS, conclui o texto, chega às próximas cúpulas anuais diante de um cenário que pode representar uma inflexão no sistema financeiro internacional, dependendo da capacidade de coordenação política e econômica entre seus membros.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/18/brics-testa-moeda-lastreada-em-ouro-fora-do-swift-e-que-ameaca-hegemonia-do-dolar/feed/ 0
Rio sedia 1ª Cúpula Popular do Brics para debater Sul Global https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/rio-sedia-1a-cupula-popular-do-brics-para-debater-sul-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/rio-sedia-1a-cupula-popular-do-brics-para-debater-sul-global/#respond Mon, 01 Dec 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222280 Cooperação econômica e multilateralismo estão entre temas principais

Começou nesta segunda-feira (1º) no Armazém da Utopia, no centro do Rio de Janeiro, a 1ª Cúpula Popular do Brics, evento criado para integrar movimentos sociais ao bloco, composto por 11 países do mercado emergente. O objetivo é articular a participação da sociedade civil na elaboração de propostas voltadas à cooperação do Sul Global.

Durante o encontro serão debatidos temas como a cooperação econômica e o multilateralismo, a construção da multipolaridade, a reconfiguração da geopolítica mundial, os desafios da governança global, o próprio papel do Brics e a redução da dependência dos países emergentes ao dólar americano nas transações internacionais e formação de reservas financeiras.

Público acompanha a abertura da Cúpula Popular do Brics. | Tomaz Silva/Agência Brasil

O Conselho Civil Popular do Brics foi criado em 2024 na Cúpula do Brics de Kazan, na Rússia, para promover o diálogo entre atores da sociedade civil e governos dos países do grupo.

“O conselho é um marco na consolidação da participação da sociedade organizada nas discussões do bloco e visa dar voz aos movimentos populares, estudantes, professores e ONGs nas pautas estratégicas do agrupamento”, diz a organização.

Este é o último grande evento realizado pelo BRICS com o Brasil na presidência do bloco, antes da Índia assumir a posição no ano que vem.

Em vídeo enviado para a abertura do evento, a ex-presidenta do Brasil e presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, Dilma Rousseff, disse que a primeira cúpula consagra a participação da sociedade civil organizada na construção da cooperação do Sul Global.

“Pela primeira vez, os povos dos países do Brics dispõem de um canal permanente de diálogo com os governos e as instâncias decisórias do agrupamento”, afirmou Dilma.

João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra (MST) e do Conselho Civil dos Brics no Brasil, disse que a cúpula vai formalizar o conselho civil de como deve funcionar de forma permanente para entregar um modus operandi para o novo mandato na Índia no ano que vem.

“Os governos sabem que, sem a mobilização da sociedade civil, para alguns temas não tem como resolver, como a defesa da natureza, a construção de moradia popular. Vamos analisar temas da geopolítica mundial, mas também vamos nos dedicar a temas que a sociedade civil pode ajudar a resolver”, disse Stedile.

Os países membros do bloco são líderes na produção de grãos, carnes, fertilizantes e fibras, respondendo por cerca de 70% da produção agrícola global. “Além disso, concentram mais da metade da agricultura familiar do planeta, o que gera aproximadamente 80% do valor da produção global de alimentos. Essa posição estratégica confere ao bloco uma responsabilidade ainda maior na construção de sistemas alimentares sustentáveis e equitativos, pautas que o Conselho Popular do Brics busca integrar nas discussões”, dizem os organizadores.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 01/12/2025

Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Maria Claudia

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/rio-sedia-1a-cupula-popular-do-brics-para-debater-sul-global/feed/ 0
Malásia anuncia disposição para entrar no BRICS “a qualquer momento”, diz primeiro-ministro https://www.ocafezinho.com/2025/10/28/malasia-anuncia-disposicao-para-entrar-no-brics-a-qualquer-momento-diz-primeiro-ministro/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/28/malasia-anuncia-disposicao-para-entrar-no-brics-a-qualquer-momento-diz-primeiro-ministro/#respond Tue, 28 Oct 2025 14:20:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219991 O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, declarou nesta segunda-feira (27) que o país está pronto para ingressar no BRICS “a qualquer momento”, reforçando o interesse de Kuala Lumpur em aproximar-se do bloco liderado por economias emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A afirmação foi feita durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e divulgada pela agência Sputnik.

“Sim, é claro que queremos ingressar [no BRICS]… Se eles aceitarem amanhã, podemos entrar amanhã”, disse o premiê malaio à margem do encontro da ASEAN.


A fala representa a manifestação mais direta do governo da Malásia sobre o tema e sinaliza o avanço das tratativas diplomáticas com os países do grupo, em um momento de expansão acelerada do BRICS e de reposicionamento geopolítico na Ásia.

BRICS amplia alcance global

O BRICS foi fundado em 2006, inicialmente como uma coalizão entre Brasil, Rússia, Índia e China, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre grandes economias emergentes. A África do Sul foi incorporada em 2010, completando a sigla.

Desde então, o grupo vem buscando aumentar sua influência econômica e política global, oferecendo uma alternativa às instituições financeiras dominadas pelo Ocidente, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Nos últimos anos, a expansão do BRICS tornou-se uma prioridade das nações fundadoras. Em 2024, o bloco recebeu Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos como novos membros. No ano seguinte, em 2025, a Indonésia tornou-se membro pleno — movimento considerado um marco estratégico para a presença do grupo no Sudeste Asiático.

Países parceiros e nova arquitetura internacional

A ampliação do BRICS reflete o interesse crescente de países em desenvolvimento em diversificar alianças econômicas e financeiras. Segundo o anúncio feito durante a cúpula do grupo em 2025, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Malásia, Uganda e Uzbequistão foram reconhecidos como “estados parceiros oficiais”, categoria que antecede a adesão plena.

A partir de 1º de janeiro de 2026, esses países passaram a integrar fóruns técnicos e reuniões de trabalho do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) — instituição financeira criada pelo BRICS e sediada em Xangai. A categoria de “parceiro oficial” permite a participação em projetos de infraestrutura, financiamento sustentável e comércio intra-bloco, mas ainda sem direito a voto nas decisões centrais.

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela agência Sputnik, a Malásia vem mantendo “conversas preliminares” com o comitê de expansão do BRICS desde meados de 2024, especialmente após o ingresso da Indonésia. Kuala Lumpur tem enfatizado seu papel estratégico como hub logístico e financeiro da Ásia-Pacífico e pretende alinhar-se a novas oportunidades de investimento e cooperação tecnológica.

Prioridade estratégica de Kuala Lumpur

O premiê Anwar Ibrahim tem defendido uma agenda de política externa independente, que busca equilibrar as relações entre o Ocidente e potências emergentes. Nos últimos meses, a Malásia estreitou laços com China, Índia e Arábia Saudita, ao mesmo tempo em que manteve cooperação econômica com Estados Unidos e União Europeia.

Para analistas da região, a eventual adesão ao BRICS representaria um reposicionamento geopolítico significativo. Em entrevista à imprensa local, o ministro malaio do Comércio Internacional e Indústria, Zafrul Abdul Aziz, afirmou que a entrada no bloco “abriria novas portas de financiamento e comércio” em áreas como energia limpa, tecnologia e infraestrutura.

“O BRICS representa uma rede de oportunidades que pode reduzir a dependência de estruturas financeiras tradicionais e permitir uma inserção mais equilibrada do Sul Global na economia mundial”, disse Zafrul.

Impactos econômicos e diplomáticos

A entrada da Malásia fortaleceria a presença do BRICS na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), onde o bloco já conta com a Indonésia como membro pleno e Tailândia e Vietnã como observadores. Segundo especialistas, a adesão de Kuala Lumpur ampliaria a influência diplomática do grupo na região, consolidando um eixo de cooperação entre a Ásia e o Sul Global.

A Malásia tem uma das economias mais diversificadas do Sudeste Asiático, com destaque para o setor eletrônico, petroquímico e de exportação de gás natural liquefeito (GNL). O país é considerado um parceiro estratégico em iniciativas de transição energética e digitalização industrial, áreas em que o Novo Banco de Desenvolvimento pretende ampliar investimentos.

Fontes próximas ao Ministério das Finanças malaio informaram que o país estuda aderir a acordos de compensação comercial em moedas locais, mecanismo defendido pelo BRICS para reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais.

Expansão contínua e futuro do bloco

O movimento de expansão do BRICS ocorre em um contexto de tensões geopolíticas globais e de mudanças no sistema financeiro internacional. A consolidação de novos membros e parceiros reflete o esforço do grupo para ampliar sua capacidade de influência e promover uma ordem multipolar baseada na cooperação entre países emergentes.

Atualmente, o BRICS representa cerca de 45% da população mundial e 33% do PIB global, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). A adesão da Malásia, caso confirmada, ampliaria o peso econômico do bloco e reforçaria sua presença no eixo Ásia-Pacífico, considerado estratégico para o comércio global.

“Estamos prontos para entrar a qualquer momento”, reiterou Anwar Ibrahim. “Acreditamos que o BRICS é um fórum importante para fortalecer o Sul Global e para equilibrar o poder nas relações econômicas internacionais.”

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/28/malasia-anuncia-disposicao-para-entrar-no-brics-a-qualquer-momento-diz-primeiro-ministro/feed/ 0
Brics lança seu próprio Pix, desafia hegemonia do dólar e remodela sistema financeiro global https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/brics-lanca-seu-proprio-pix-desafia-hegemonia-do-dolar-e-remodelar-sistema-financeiro-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/brics-lanca-seu-proprio-pix-desafia-hegemonia-do-dolar-e-remodelar-sistema-financeiro-global/#respond Mon, 13 Oct 2025 21:27:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219223 A proposta de criação de uma moeda comum entre os países do Brics — hoje capformado por 11 membros — pode representar uma mudança estrutural no sistema financeiro internacional, reduzindo a dependência global do dólar e alterando o equilíbrio de poder econômico nas próximas décadas. A avaliação é do alemão Frank-Jürgen Richter, ex-diretor do Fórum Econômico Mundial (FEM), que participou do encontro global do Horasis, realizado em São Paulo.

Em entrevista, Richter afirmou que o projeto só se tornará viável se China e Índia conseguirem superar suas divergências geopolíticas e econômicas. “Se isso acontecer, em quatro ou cinco anos, será um grande choque para a economia americana”, declarou.

Disputa monetária e condições políticas

Para o economista, a adoção de uma unidade de conta compartilhada entre os países do Brics não deve ocorrer rapidamente. A consolidação da ideia depende, antes de tudo, de um entendimento político entre Pequim e Nova Délhi, as duas maiores economias emergentes do grupo e rivais em disputas fronteiriças e estratégicas.

Richter destacou que, mesmo após uma aproximação diplomática, seria necessário um longo processo técnico e político de harmonização de regras fiscais, cambiais e monetárias. “Não é da noite para o dia, mas, superado o impasse, o impacto seria sentido em poucos anos, com potencial de reprecificar contratos internacionais e reservas e reordenar fluxos financeiros globais”, explicou.

A discussão sobre a moeda comum ganhou novo fôlego após a ampliação do Brics, que agora inclui Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A diversidade econômica dos novos membros amplia o alcance potencial do projeto, mas também eleva a complexidade da integração. As diferenças em políticas fiscais, regimes cambiais e níveis de endividamento tornam a coordenação entre os países um desafio considerável.

Efeitos sobre o dólar e reações dos EUA

Richter avaliou que uma moeda do Brics, associada ao aumento das transações internacionais fora do dólar, atingiria interesses estratégicos dos Estados Unidos. O dólar é hoje a principal moeda de reserva global e a unidade padrão de precificação de petróleo e commodities.

O ex-diretor do FEM lembrou que o ex-presidente Donald Trump já demonstrou preocupação com o avanço do Brics nesse campo. Em janeiro, Trump ameaçou tarifar em até 100% os países do bloco que busquem alternativas ao dólar, intensificando o discurso protecionista em meio às tensões comerciais com a China.

Na visão de Richter, a perda de relevância do dólar poderia aumentar o custo de financiamento dos EUA, que dependem fortemente da emissão de títulos públicos para sustentar seus déficits. “Uma parcela significativa da força do dólar decorre da confiança e da liquidez dos mercados americanos. Essa vantagem pode ser parcialmente erodida se grandes economias criarem um sistema alternativo de liquidação e reservas”, afirmou.

China e Índia: o eixo decisivo

Apesar do entusiasmo de países como Rússia, Irã e Brasil, especialistas apontam que a convergência entre China e Índia será o fator determinante para o avanço da moeda comum. As duas potências têm interesses estratégicos distintos, mas compartilham uma interdependência comercial crescente.

Sem um acordo de governança que defina pesos e contrapesos entre os dois países, a proposta tende a permanecer no campo das declarações políticas e dos estudos exploratórios. Além disso, um sistema monetário conjunto exigiria regras claras sobre emissão, lastro, política monetária e partilha de riscos, bem como uma infraestrutura robusta de pagamentos internacionais.

Modelos possíveis incluem desde uma moeda escritural, usada apenas para compensações entre bancos centrais e comerciais, até uma união monetária parcial, o que exigiria um nível de integração fiscal ainda distante da realidade atual do bloco.

Resistências internas no Brasil e foco em integração comercial

No Brasil, a proposta enfrenta resistência entre empresários e formuladores de política econômica. Integrantes do Conselho Empresarial do BRICS+ afirmam que o debate é recorrente, mas raramente figura como prioridade oficial.

Para o empresariado brasileiro, o foco deve estar em aumentar o uso de moedas locais em transações bilaterais e em fortalecer o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — o banco do bloco — como alternativa de financiamento multilateral.

Críticos da moeda comum alertam para riscos de contágio financeiro, assimetrias de poder entre os membros e volatilidade cambial, argumentando que uma união monetária sem mecanismos de estabilização poderia expor países menores a crises. “A moeda comum só faria sentido com instrumentos sólidos de compensação e partilha de perdas, algo distante do atual estágio de cooperação”, avalia um representante do setor financeiro.

“Pix do Brics”: integração digital antes da moeda

Enquanto o projeto da moeda única permanece como um objetivo de longo prazo, os países do bloco avançam em um sistema digital de pagamentos chamado Brics Pay. A iniciativa busca interoperabilidade entre plataformas nacionais, como o Pix brasileiro, o SPFS russo e sistemas de liquidação asiáticos, oferecendo uma alternativa parcial ao Swift.

O Brics Pay não seria uma nova moeda, mas uma plataforma digital de liquidação financeira, permitindo transações transfronteiriças com menor custo e menor dependência do dólar. Testes e protótipos vêm sendo conduzidos sob liderança russa, com participação dos demais membros, mas ainda não há cronograma definido para implementação total.

Segundo analistas, esse avanço incremental pode gerar resultados práticos mais rápidos, estimulando o comércio entre os países sem exigir as concessões políticas necessárias para uma união monetária.

Horasis e o debate sobre o futuro financeiro global

Frank-Jürgen Richter esteve em São Paulo para o décimo encontro global do Horasis, organização que fundou após deixar o FEM. O evento, realizado em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), reuniu pesquisadores, empresários e autoridades internacionais para discutir tendências de longo prazo da economia e da geopolítica.

Em painéis sobre finanças globais, o tema da moeda do Brics voltou ao centro do debate. Participantes destacaram que a criação de mecanismos regionais de pagamento e crédito é uma resposta à crescente fragmentação econômica mundial e à escalada de barreiras comerciais.

“O dólar americano é a principal moeda, a moeda de reserva mundial. Os principais contratos de petróleo e outras commodities são firmados em dólar”, afirmou Richter. Para ele, uma eventual moeda do Brics “tocaria diretamente em uma das âncoras do comércio global”.

Próximos passos e janela de tempo

No curto prazo, a agenda do Brics deve continuar concentrada em integração de sistemas de pagamento, uso de moedas locais e fortalecimento do NDB. A moeda comum deve permanecer em fase de estudos, enquanto os países buscam estruturas técnicas que preservem a estabilidade financeira e respeitem as realidades macroeconômicas de cada membro.

Ainda assim, a aceleração de medidas tarifárias e o aumento dos controles de exportação entre grandes economias podem estimular novas iniciativas regionais de desdolarização parcial.

Richter estima uma janela de quatro a cinco anos para que uma eventual coordenação entre China e Índia provoque mudanças perceptíveis no papel do dólar, caso o projeto avance. “Se a cooperação se consolidar, bancos, governos e empresas terão de se adaptar a uma transição acelerada no sistema financeiro global”, afirmou.

A questão central, segundo especialistas, é até onde os países do Brics estão dispostos a ir — da ambição política à infraestrutura viável — sem comprometer a segurança macroeconômica e a soberania financeira de cada membro do bloco.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/brics-lanca-seu-proprio-pix-desafia-hegemonia-do-dolar-e-remodelar-sistema-financeiro-global/feed/ 0
Aos Líderes do BRICS, Lula defende união contra o unilateralismo https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/#respond Tue, 09 Sep 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217049 Em cúpula virtual, convocou líderes do agrupamento para a defesa da cooperação e de um “multilateralismo revigorado”, pela reforma da governança global e um novo modelo de desenvolvimento sustentável

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira, 8/9, a união dos países do BRICS como contraponto à “crescente instabilidade internacional” e ao que classificou como estratégia de “dividir para conquistar” do unilateralismo. Em discurso durante Reunião Virtual de Líderes do agrupamento, convocada por iniciativa brasileira, Lula afirmou que o grupo, que representa 40% do PIB global, tem “legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral”.

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para a conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, criticou o presidente brasileiro. Lula também convidou os países membros do BRICS a chegarem “unidos” na 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano, prevista para acontecer em Camarões, na África equatorial.

O encontro virtual, ocorreu dois meses após a Cúpula do Rio de Janeiro, realizada no início de julho, frente ao contexto de acirramento de tensões geopolíticas e comerciais globais. Em declaração final, os líderes reafirmaram o compromisso do grupo com a preservação e o fortalecimento do multilateralismo, bem como com a reforma das instituições de governança internacional.

COP30: liderança do Sul Global é fundamental

O presidente dedicou parte significativa de seu discurso à agenda ambiental, posicionando a COP30, que será realizada em Belém no próximo ano, como “o momento da verdade e da ciência”. Lula defendeu que os países em desenvolvimento, os mais impactados pela crise do clima, devem liderar a proposição de um novo paradigma de desenvolvimento.

Lula fez um convite formal aos parceiros do BRICS para considerar a criação de um Conselho de Mudança do Clima na ONU, com o objetivo de centralizar e fortalecer a governança climática global, hoje fragmentada em diversos fóruns e mecanismos. “Precisamos de uma governança climática mais forte, capaz de exercer supervisão efetiva”, disse.

Como proposta concreta, o presidente brasileiro destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, idealizado para remunerar países e comunidades pela preservação de biomas essenciais ao equilíbrio do planeta. Lula argumentou que é possível utilizar receitas dos combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica, sublinhando que o caminho para evitar uma nova Guerra Fria passa por essa cooperação do Sul Global em favor de um modelo de crescimento distinto, harmonizando desenvolvimento e preservação ambiental.

Multilateralismo revigorado

O presidente encerrou seu discurso enfatizando a importância da 80ª Assembleia Geral da ONU, em duas semanas, como oportunidade para o BRICS “falar com uma só voz em defesa de um multilateralismo revigorado”. Ele defendeu a ampliação do Conselho de Segurança com novos membros permanentes e não permanentes da América Latina, África e Ásia. “O unilateralismo jamais conduzirá à realização dos propósitos de paz, justiça e prosperidade que nossos antecessores delinearam em 1945”, concluiu. “O BRICS já é o novo nome da defesa do multilateralismo”.

Acesse o discurso na íntegra.

Publicado originalmente pelo BRICS Brasil em 08/09/2025

Por Redação do BRICS Brasil

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/feed/ 0
Ações de Trump para debilitar Brics podem resultar no oposto https://www.ocafezinho.com/2025/08/27/acoes-de-trump-para-debilitar-brics-podem-resultar-no-oposto/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/27/acoes-de-trump-para-debilitar-brics-podem-resultar-no-oposto/#respond Wed, 27 Aug 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216255 Tarifas punitivas da Casa Branca a países do grupo superam às aplicadas ao resto do mundo. Em resposta, eles se articulam para ampliar seu comércio e reduzir dependência do dólar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, é acusado de estar, de forma inadvertida, contribuindo para aproximar os países do Brics, ao impor tarifas de importação particularmente mais altas contra eles. É o que acaba de acontecer com a Índia, que nesta quarta-feira (27/08) viu as taxas de importação americanas contra seus produtos subir para 50% – metade da alíquota é uma punição pelo país comprar petróleo russo.

O Brasil também está sujeito a uma tarifa geral de importação de 50%, como forma de pressionar o país a anular o julgamento sobre tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump. Apesar de diversos produtos brasileiros terem entrado numa lista de exceções, o país está sujeito a uma das maiores alíquotas do mundo no tarifaço da Casa Branca.

A China, maior membro do Brics, ainda corre o risco de enfrentar uma tarifa de 145% se não conseguir chegar a um acordo com os EUA, e a África do Sul recebeu uma tarifa de 30%. Mesmo membros mais novos, incorporados na recente expansão do grupo, como o Egito, podem ver suas tarifas aumentarem devido à sua participação no Brics.

Desde o início do seu atual mandato, Trump alertou várias vezes sobre aplicar punições adicionais contra qualquer nação que se alinhe com o que ele chama de “políticas antiamericanas” – uma referência direta ao crescente desafio que o Brics representa ao domínio global dos EUA.

Trump deu ao Brics “incentivo comum”

Ajay Srivastava, ex-servidor do órgão de comércio externo do Índia (ITdS, na sigla em inglês), acredita que os países do Brics se sentem “pouco intimidados” por serem alvo de penalidades adicionais por parte de Trump. Ele disse à DW que as tarifas “dão ao Brics um incentivo comum para reduzir sua dependência dos EUA, mesmo que suas agendas divirjam”.

Segundo uma reportagem do jornal alemão FAZ, Trump fez quatro ligações telefônicas nas últimas semanas para tentar falar com o premiê da Índia, Narendra Modi, que ignorou todas as chamadas.

As tarifas punitivas da Casa Branca criaram uma queixa comum entre os membros do Brics, que agora estão expandindo acordos comerciais bilaterais em moedas nacionais para reduzir a dependência do dólar americano. Os bancos centrais do Brics também aumentaram as compras de ouro, o que também sinaliza o desejo de dar menos peso ao dólar em suas reservas.

No início de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que iria buscar uma resposta conjunta do Brics ao tarifaço de Trump.

Trump ameaçou punir países que se alinhem ao que ele chama de “políticas antiamericanas”, em referência a iniciativas do Brics para reduzir dependência do dólar | Jonathan Ernst/REUTERS

Após Trump declarar que “o Brics está morto”, um pesquisador acusou o presidente dos EUA de “negligência estratégica”, argumentando que o republicano transformou uma coalizão de países com objetivos muito diferentes em um bloco mais unificado.

Em um artigo recente para o jornal Washington Post, Max Boot, membro sênior do think tank Council on Foreign Relations, disse que Trump estava “diminuindo o poder dos EUA ao unir de forma perversa amigos da América com nossos inimigos” – uma referência à forma como Brasil, África do Sul e Índia estão se alinhando mais estreitamente com China e Rússia.

Modi vai à China pela primeira vez em sete anos

Uma demonstração adicional da crescente solidariedade entre os membros do Brics será exibida em uma reunião de cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (SCO) em Tianjin, no norte da China, a partir deste domingo.

O presidente chinês, Xi Jinping, receberá seus homólogos indiano e russo, Narendra Modi e Vladimir Putin, além de líderes de cerca de 20 outros países do Sul Global. Esta será a primeira vez que Modi pisará em solo chinês em sete anos.

Antes da cúpula, o Kremlin vem pressionando para que China, Rússia e Índia realizem suas primeiras negociações trilaterais em seis anos, uma iniciativa que fortaleceria o núcleo da aliança do Brics. Moscou acredita que o reatamento do diálogo de alto nível entre os três maiores países do grupo poderia ajudar a acalmar tensões de longa data, especialmente entre a Índia e a China, e apresentar um contrapeso mais coeso ao Ocidente.

Putin quer promover uma cúpula trilateral entre Rússia, China e Índia | Alexander Shcherbak/TASS/ dpa/picture alliance

Nova Délhi recalibra abordagem sobre Pequim

A significativa tarifa aplicada por Trump levou Nova Délhi a fortalecer os laços econômicos com a China, retomando voos diretos, flexibilizando as restrições de visto e aumentando as discussões comerciais.

Os dois países também tiveram conversas para tentar resolver disputas de longa data ao longo de sua fronteira de fato de quase 3.500 quilômetros.

Durante uma visita à Índia na semana passada, o ministro do Exterior da China, Wang Yi, concordou em aumentar o fornecimento de minerais de terras raras aos indianos. A China controla mais de 85% do processamento global de terras raras, e a Índia precisa desses minerais para desenvolver produtos para a transição energética, veículos elétricos e tecnologias de defesa.

Mas, apesar de se apoiarem mutuamente para sediarem as cúpulas do Brics em 2026 e 2027, há várias razões para ceticismo sobre uma melhora significativa nas relações sino-indianas, dadas as suspeitas de Nova Délhi sobre as ambições da China na Ásia.

Shilan Shah, economista-chefe adjunto de mercados emergentes da consultoria Capital Economics, sediada em Londres, citou as relações estreitas da China com o principal inimigo da Índia, o Paquistão, e a construção de uma barragem hidrelétrica chinesa no planalto tibetano, o que causou inquietação em Nova Délhi.

Em um artigo, Shah também observou que “o influxo de importações chinesas baratas” estava “prejudicando os esforços da Índia para fortalecer sua indústria doméstica”.

Além da desconfiança da Índia sobre a China, seus laços de longa data com Washington podem prejudicar a ambição de fazer o Brics avançar. A Índia depende fortemente do mercado e da tecnologia americanos, e exportou 77,5 bilhões de dólares (R$ 433 bilhões) para os EUA em 2024, contra exportações muito menores para a Rússia e a China.

Outros países do Brics reforçam laços com China

O Brasil também tentou impulsionar o comércio bilateral com a China, seu maior parceiro comercial, durante uma ligação telefônica no início do mês entre Xi e Lula. A China compra 26% das exportações do Brasil – o dobro do que os Estados Unidos.

A presença muito simbólica de Xi ao lado de Putin no desfile do Dia da Vitória da Rússia, em maio, ressaltou o aprofundamento do alinhamento estratégico entre Moscou e Pequim. Mais de 90% do comércio bilateral entre a Rússia e a China agora é realizado em yuan e rublos, de acordo com o Kremlin.

A África do Sul também permanece firme em seus compromissos com o Brics, sinalizando sua intenção de traçar seu próprio caminho apesar da pressão de Trump.

“O governo sul-africano não está disposto a reverter nenhum de seus compromissos com o Brics, especialmente sobre reforma da governança global, tecnologia, agricultura, intercâmbios acadêmicos e comércio bilateral”, disse Sanusha Naidu, pesquisadora sênior do Instituto para o Diálogo Global, com sede na África do Sul, à DW.

Ambições divergentes dentro do Brics

Recém-expandido de cinco para dez membros – com a Arábia Saudita ainda indecisa sobre a adesão –, o Brics está se tornando cada vez mais fragmentado, devido a interesses nacionais divergentes, o que pode limitar suas ambições. Ele também está se tornando mais autoritário.

Srivastava, que fundou a Iniciativa de Pesquisa Comercial Global, com sede em Nova Délhi, disse que o Brics “tem menos a ver com unidade perfeita e mais com cooperação pragmática em comércio, finanças e cadeias de abastecimento”.

Embora o comércio entre os países do Brics tenha crescido mais rapidamente do que o comércio entre o Brics e os países do G7, grande parte dele é de petróleo e gás. E o comércio intra-Brics está sujeito a mais barreiras do que as existentes entre os países do Ocidente, segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG).

O BCG identificou sinais futuros de que a cooperação comercial do Brics estava aumentando, incluindo uma reversão de medidas antidumping e outras restrições comerciais, movimentos em direção a um acordo de livre comércio em todo o Brics, apoio unânime à reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e mais investimentos estrangeiros entre os países do bloco.

Comércio intra-Brics deve crescer mais

Embora essas ambições possam não se concretizar imediatamente, Mihaela Papa, diretora de pesquisa do Center for International Studies do MIT, em Cambridge, nos EUA, projeta que o comércio intra-Brics ficará mais relevante.

“Podemos esperar maior apoio político para novas iniciativas comerciais, campanhas ‘Compre Brics’ e projetos como a bolsa de grãos do Brics e a expansão dos mecanismos de liquidação em moeda local”, disse Papa à DW.

Uma proposta apoiada pela Rússia para uma moeda única do Brics para desafiar o dólar permanece em compasso de espera, sugerindo um futuro moldado menos por sistemas financeiros concorrentes e mais por uma colcha de retalhos de redes sobrepostas.

Srivastava prevê que o dólar seguirá “dominante por anos, mas os sistemas paralelos de liquidação em yuan, rupia e rublo crescerão”. Isso não destronará o dólar, disse ele à DW, “mas irá minar gradualmente seu monopólio”.

Publicado originalmente pelo DW em 27/08/2025

Por Nik Martin

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/27/acoes-de-trump-para-debilitar-brics-podem-resultar-no-oposto/feed/ 0
Xi diz que China e Brasil podem dar exemplo de unidade e autossuficiência no Sul Global https://www.ocafezinho.com/2025/08/22/xi-diz-que-china-e-brasil-podem-dar-exemplo-de-unidade-e-autossuficiencia-no-sul-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/22/xi-diz-que-china-e-brasil-podem-dar-exemplo-de-unidade-e-autossuficiencia-no-sul-global/#respond Fri, 22 Aug 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215879 O presidente chinês, Xi Jinping, disse que a China está pronta para trabalhar com o Brasil para dar um exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do Sul Global e, juntos, construir um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.

Xi fez os comentários durante conversas telefônicas com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Os laços China-Brasil estão no seu melhor momento na história, com a construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado e o alinhamento das estratégias de desenvolvimento dos dois países tendo um bom começo e progredindo suavemente, disse Xi.

O lado chinês está pronto para trabalhar com o Brasil para aproveitar oportunidades, fortalecer a coordenação e gerar resultados de cooperação mais benéficos para ambas as partes, acrescentou.

Xi também disse que a China apoia o povo brasileiro na defesa de sua soberania nacional e apoia o Brasil na salvaguarda de seus direitos e interesses legítimos, instando todos os países a se unirem na luta resoluta contra o unilateralismo e o protecionismo.

Observando que o mecanismo do BRICS é uma plataforma fundamental para a construção de consenso no Sul Global, Xi parabenizou o Brasil por sediar com sucesso a recente Cúpula do BRICS.

Xi pediu aos países do Sul Global que salvaguardem conjuntamente a justiça e a equidade internacionais, defendam as normas básicas que regem as relações internacionais e protejam os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento.

China e Brasil devem continuar a enfrentar os desafios globais, garantir o sucesso da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas na cidade brasileira de Belém e promover o papel do grupo “Amigos da Paz” na facilitação da solução política da crise na Ucrânia, disse ele.

Por sua vez, Lula disse que o Brasil atribui grande importância às suas relações com a China e espera fortalecer a cooperação com a China, aprofundar o alinhamento estratégico e promover maior desenvolvimento dos laços bilaterais.

Ele informou Xi sobre a situação recente dos laços do Brasil com os Estados Unidos, bem como sobre a posição inabalável do Brasil em proteger sua própria soberania.

Lula elogiou os esforços da China para defender o multilateralismo e salvaguardar as regras de livre comércio, bem como seu papel responsável nos assuntos internacionais.

O lado brasileiro, disse ele, está pronto para aprimorar a comunicação e a coordenação com a China em mecanismos multilaterais como o BRICS, opor-se a práticas unilaterais de intimidação e salvaguardar os interesses comuns de todos os países.

Publicado originalmente pelo Xinhua

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/22/xi-diz-que-china-e-brasil-podem-dar-exemplo-de-unidade-e-autossuficiencia-no-sul-global/feed/ 0
Brasil e Índia também estudam integrar Pix e UPI em rede de pagamentos sem dólar https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/brasil-e-india-tambem-estudam-integrar-pix-e-upi-em-rede-de-pagamentos-sem-dolar/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/brasil-e-india-tambem-estudam-integrar-pix-e-upi-em-rede-de-pagamentos-sem-dolar/#respond Sun, 17 Aug 2025 12:10:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215429 O Brasil e a Índia discutem a possibilidade de interligar seus sistemas de pagamento instantâneo — Pix e Unified Payments Interface (UPI) — para permitir transações diretas em moedas locais, sem necessidade de conversão para o dólar. A iniciativa, revelada em 12 de agosto pelo portal Coingeek, representa mais um passo na agenda de desdolarização promovida no âmbito do BRICS.

Pix e UPI: gigantes digitais no centro da proposta

O Pix, criado em 2020 pelo Banco Central, já conta com mais de 160 milhões de usuários e bilhões de transações mensais.

O UPI, lançado na Índia em 2016, movimenta volumes diários que superam o PIB de muitos países, consolidando-se como um dos sistemas mais avançados do mundo.


Ambos oferecem transferências instantâneas e gratuitas, disponíveis 24 horas por dia. A ideia é que usuários no Brasil possam enviar valores em reais e os recebedores na Índia recebam diretamente em rúpias — e vice-versa — sem passar pelo dólar como intermediário.

Conversas bilaterais e apoio político

Fontes diplomáticas confirmam que autoridades financeiras dos dois países discutem a integração e que o projeto já recebeu apoio político e técnico.

O modelo inicial pode ser lançado em caráter piloto, com foco em:

remessas de familiares,

compras online,

pagamentos de serviços.


Numa fase seguinte, empresas exportadoras e importadoras poderiam utilizar o sistema para reduzir custos e acelerar liquidações comerciais.

Potencial impacto no comércio Brasil–Índia

O intercâmbio entre os países movimenta cerca de US$ 15 bilhões anuais.

O Brasil exporta principalmente petróleo, óleo de soja e açúcar.

A Índia envia ao Brasil medicamentos, fertilizantes e bens industriais.


Com o Pix–UPI, os fluxos comerciais poderiam ganhar agilidade e previsibilidade, além de diminuir exposição cambial e custos bancários.

Especialistas avaliam que a medida fortalece a autonomia financeira e pode incentivar novas empresas a explorar a rota bilateral.

O papel do BRICS e a disputa com o dólar

A integração se insere em uma estratégia mais ampla do BRICS para reduzir a dependência da moeda americana. O bloco já discute:

uso ampliado de moedas locais,

plataformas de liquidação próprias,

moedas digitais emitidas por bancos centrais.


Para os EUA, movimentos dessa natureza sinalizam a formação de redes alternativas de liquidação comercial, que podem enfraquecer o papel estratégico do dólar, ainda que não representem uma ameaça imediata.

Desafios técnicos e regulatórios

Apesar da compatibilidade tecnológica entre Pix e UPI, o projeto enfrenta obstáculos:

harmonização regulatória, especialmente em compliance e prevenção à lavagem de dinheiro;

definição de modelos de câmbio estáveis;

governança sobre operação, auditoria e segurança do sistema conjunto.


Peso simbólico

Mesmo com impacto inicial limitado, a integração teria forte valor simbólico. Mostraria que é possível avançar em soluções práticas para a desdolarização por meio de acordos bilaterais, sem esperar por reformas estruturais no sistema financeiro global.

A parceria também reforça o papel da tecnologia como instrumento diplomático, combinando inovação doméstica com estratégias de autonomia econômica para países emergentes.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/brasil-e-india-tambem-estudam-integrar-pix-e-upi-em-rede-de-pagamentos-sem-dolar/feed/ 0
Rússia prepara sistema de pagamentos lastreado em ouro no BRICS e provoca alerta máximo nos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/russia-prepara-sistema-de-pagamentos-lastreado-em-ouro-no-brics-e-provoca-alerta-maximo-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/russia-prepara-sistema-de-pagamentos-lastreado-em-ouro-no-brics-e-provoca-alerta-maximo-nos-eua/#comments Sat, 16 Aug 2025 16:53:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215424 2 Comentários 🔥]]> A Rússia voltou a colocar em pauta a criação de um sistema global de liquidação baseado em ouro no âmbito do BRICS, em um movimento que desafia a hegemonia do dólar e intensifica a disputa geopolítica com os Estados Unidos.

A proposta foi apresentada por autoridades ligadas ao Kremlin como alternativa aos mecanismos financeiros dominados pelo Ocidente, como o SWIFT, e como resposta direta às sanções econômicas impostas desde 2022.

Moscou busca “blindagem” contra sanções

Segundo o economista Sergey Glazyev, da União Econômica da Eurásia, o plano prevê um “BRICS Pay” lastreado em ouro, no qual as transações seriam protegidas contra volatilidade cambial e bloqueios políticos.

O mecanismo seria operado por meio de uma moeda digital multilateral, emitida por um banco de compensação do bloco. Cada unidade teria um valor fixo em ouro físico, armazenado de forma descentralizada pelos países participantes.

“O ouro é a única moeda internacional que não pode ser controlada por governos estrangeiros. É uma forma de proteger o comércio contra interferências externas”, afirmou Glazyev.

Por que os EUA estão preocupados

Atualmente, cerca de 58% das reservas globais estão em dólar, e mais de 80% das transações cambiais envolvem a moeda americana.

Um sistema paralelo lastreado em ouro poderia não substituir o dólar de imediato, mas abrir fissuras na sua dominância. Para Washington, isso significaria perda de poder de pressão diplomática e maior espaço para países sancionados, como Rússia e Irã, além de aliados estratégicos como a China.

Obstáculos ao projeto

Especialistas apontam desafios significativos:

Coordenação política entre os países do BRICS, que possuem interesses divergentes.

Volume de ouro: juntos, os membros do bloco detêm cerca de 6.500 toneladas, insuficientes para sustentar um sistema trilionário.

Resistência de países-chave: o Brasil mantém laços estreitos com EUA e União Europeia, enquanto a Índia equilibra relações estratégicas com Washington.


Impacto potencial no Brasil

Para o Brasil, aderir ao modelo poderia reduzir custos de exportação e a dependência do dólar, beneficiando principalmente o comércio com Ásia e África.

Por outro lado, especialistas alertam para riscos:

Ajustes profundos na política cambial e no controle de capitais.

Possível pressão diplomática americana, com impactos sobre investimentos e acordos comerciais.


Histórico do ouro nas finanças globais

Até 1971, o dólar era atrelado ao ouro pelo acordo de Bretton Woods. Desde então, sua força deriva da confiança no governo americano e no peso da economia dos EUA.

Nos últimos anos, Rússia e China ampliaram suas reservas de ouro como parte de uma estratégia de desdolarização. Em 2023, Moscou já havia sugerido formalmente a criação de uma moeda comum lastreada em ouro e ativos estratégicos para a União Econômica da Eurásia.

Caminhos futuros

Um sistema desse tipo, caso avance, poderia marcar o início de uma nova arquitetura financeira internacional. Ele não substituiria de imediato a moeda americana, mas abriria um canal paralelo, reduzindo a eficácia das sanções dos EUA e estimulando o uso de tecnologias como blockchain e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

Apesar dos obstáculos, a ideia de um sistema blindado contra interferências políticas pode atrair países emergentes e impulsionar um processo gradual de fragmentação da ordem financeira global.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/russia-prepara-sistema-de-pagamentos-lastreado-em-ouro-no-brics-e-provoca-alerta-maximo-nos-eua/feed/ 2
Dólar desaba após BRICS anunciar seu próprio ‘PIX’ https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/dolar-desaba-apos-brics-anunciar-seu-proprio-pix/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/dolar-desaba-apos-brics-anunciar-seu-proprio-pix/#respond Thu, 14 Aug 2025 22:31:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215325 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta terça-feira, 12, a discussão sobre a criação de uma nova moeda do BRICS voltada ao comércio entre os países do bloco. Em entrevista concedida em São Paulo, Lula afirmou que a proposta busca reduzir a dependência do dólar e ampliar alternativas de integração econômica.

Contexto da proposta

Na cúpula do BRICS realizada em julho, no Rio de Janeiro, o presidente já havia defendido operações comerciais entre os membros sem a intermediação da moeda norte-americana. Segundo Lula, a nova moeda não teria o objetivo de substituir o dólar em escala global, mas de funcionar como alternativa nas transações internas do grupo.

O presidente lembrou ainda do acordo firmado em 2004 com a Argentina, que permitia liquidações em reais e pesos, como exemplo de que experiências similares já foram testadas. Para ele, mudanças desse tipo enfrentam resistência inicial, mas podem alterar a dinâmica do comércio internacional no longo prazo.

Repercussão internacional e críticas

A proposta ganhou destaque após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o BRICS de tentar “destruir” o dólar. O republicano chegou a ameaçar aplicar tarifa de 10% sobre produtos vindos dos países do bloco.

O comentário de Trump ocorreu em meio à desvalorização da moeda americana, que encerrou o dia cotada a R$ 5,3870 — o menor patamar desde junho de 2024. Analistas avaliam que medidas unilaterais desse tipo podem intensificar o movimento de busca por alternativas cambiais dentro do BRICS.

Economistas, contudo, alertam para os obstáculos. A criação de uma moeda comum exigiria integração financeira, estabilidade macroeconômica e confiança entre os países. Além disso, experiências como a do euro indicam que processos desse porte demandam anos de negociação e ajustes profundos de soberania monetária.

Viabilidade e próximos passos

De acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão, o projeto precisaria de acordos multilaterais claros e parâmetros de governança definidos, como critérios de emissão, lastro e regras de utilização.

Lula declarou estar aberto ao diálogo e afirmou que pretende ouvir propostas concretas de outros líderes na próxima reunião do bloco. A expectativa é que o tema seja incluído de forma oficial nas negociações futuras.

Conclusão

A defesa de Lula sobre a criação de uma moeda do BRICS insere-se no debate mais amplo sobre alternativas à hegemonia do dólar no comércio internacional. Embora a proposta tenha forte apelo político, sua viabilidade depende de negociações complexas e de um alinhamento profundo entre os países-membros.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/dolar-desaba-apos-brics-anunciar-seu-proprio-pix/feed/ 0
“Unilateralismo imperial X multilateralismo democrático: duas visões antagônicas de governança planetária https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/#respond Mon, 28 Jul 2025 16:39:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213836 O autoritarismo se reinventa com feição democrática, mas a lógica imperial segue moldando guerras, tratados e destruição planetária

A sociedade humana permanentemente se reedifica, ora se aproximando, ora se distanciando, de formas de convivência coletivas, porque somos “seres sociais”, ora com mais autoritarismo, ora com mais democracia.

São espasmos civilizatórios, construídos ou destruídos pelo desdobramento das histórias das contradições movidas pelos interesses humanos: individuais, religiosos, políticos, econômicos, etc.

Para além dos originais e primitivos clãs, com o crescimento populacional, o espalhamento sobre o planeta e o desenvolvimento das forças produtivas, se constituem novos agrupamentos, as classes sociais, como ensina K. Marx. Estas passam a dar forma à organização da vida humana sobre a Terra em diversos modos de produção que marcaram o tempo histórico, todos com uma característica comum: uma classe dominando a outra, nos diversos planos da vida, como o da política, o da economia, etc.

Ao longo do tempo o poder político sobre as diversas formações sociais tomou a feição de império, do imperador, do indivíduo que comanda com mão de ferro, ungido por um grupo de poder, calçado por interesses econômicos, mas também político e militar. Ao longo do tempo mudou de feição, mas usarei o termo genericamente para tratar de poder autoritário, vis a vis poder democrático.

Nas contradições da vida humana novos atores surgiram ao longo dos tempos incomodando os “donos do poder” (como ensina R. Faoro) de então. E isto gera reações, vide a história. O império romano não acabou sem reação e guerra. O império mongol, idem. O império bizantino, idem. O império otomano, idem. O império português, idem. O império espanhol, idem. O império francês, idem. O império inglês, idem. O império japonês, idem. O império alemão, idem. O império belga, idem. As guerras de libertação nacional foram expressão das lutas emancipatórias destes impérios, muitos travestidos em “democracias” ocidentais com o tempo. E suas formações mais recentes também: o império nazista, idem; o império soviético, idem. Estes impérios marcaram tempos históricos de modos de produção diversos, com classes diversas, se confundindo com elas, certamente as “de cima”.

Contemporaneamente, os países, inclusive o Brasil, criaram ou fortaleceram organizações planetárias como desdobramento do Acordo de Bretton Woods, após a 2ª Grande Guerra. Impulso civilizatório, primórdios de um Estado planetário, para além do Império de um ou outro.

A ONU, expressão política, o FMI, expressão econômico-financeira, o GATT/OMC, expressão comercial, são as instituições para-Estado planetário em gestação, verdadeira concertação que constituiu um novo pacto civilizatório desdobrado da maior guerra já existente que conheceu a arma nuclear, a que pode acabar com a espécie homo sapiens e a vida como a conhecemos.

Surgiram, também, a OTAN e o Pacto de Varsóvia, alianças militares, como expressões da nova polarização pós 2ª Guerra Mundial, a “guerra fria”.

Vieram a seguir o G7 e o G20, com o ocaso da “guerra fria”. “Estados-maiores” dos Estados. E, mais recentemente, surgiu o BRICS, sem nos esquecermos dos pactos regionais (MERCOSUL, por exemplo), expressões do terceiromundismo ou, no novo conceito terminológico: “Sul-sul”.

Agora, os EUA, agindo como Império, com visão hegemonista de poder, num retrocesso civilizatório, saem de órgãos planetários que não dominam; enfraquecem outros que se autonomizam; atacam outros que os desafiam, tudo para tentar uma sobrevida como poder de Império, agindo como se fossem o Estado dos Estados. Algo que deveria ser papel da ONU, embrião de um governo planetário. Mas, num duplo movimento de pinça, de linha militar, atacam também os países individualmente.

É da natureza dos que hegemonizam reagirem aos que querem emancipação, autonomia e independência. A questão crucial é que o conflito comercial é um ponto de partida. Sabemos como começa, não sabemos como termina. A história tem muitos exemplos de tragédias civilizatórias (vide acima o declínio dos Impérios, tornados guerra e morticínio).

Concomitantemente à política de tarifas americana, o atual governo daquele país aprovou o maior orçamento de defesa de muitos anos: US$1 trilhao. Argumento: enfrentar o colosso chinês (país do BRICS) que já aponta a constituição de uma marinha militar maior que a americana, para dar um exemplo. A “prática é o critério da verdade”: quem tem 700 bases militares espalhadas pelo planeta são os EUA, que invadem países ao longo de mais de 200 anos de história.

Guerra comercial muitas vezes vira guerra militar. Todos os impérios que mencionei fizeram a guerra comercial como, por exemplo, no chamado período mercantilista do modo de produção feudalista em transição para o capitalismo, que era uma característica determinante. Mas o fizeram também antes, desde os gregos, fenícios, etc.

“É a economia, estupido” (como ensina J. Carville), seus interesses de acumulação de capital, que molda o comportamento histórico das classes dominantes, nos diversos modos de produção, seus Estados, e de sua espécie autoritária: os impérios. Os EUA reagem atualmente ao crescimento do BRICS e da China, em particular. Mas a Índia, que foi o maior PIB da história no século XIX, pode voltar a se-lo. Em sua área de influência histórica, a América Latina, lembremos que “Os EUA jamais permitirão o surgimento de um Japão ao sul do Rio Grande”(como ensina H. Kissinger).

Estes impérios de outrora expandiram pelo planeta e se apossaram de territórios, tornados colônias, com comércio, pilhagem e guerra, inclusive o hoje Brasil, que foi colônia portuguesa por séculos, e fizeram a guerra militar, a continuação da política, como ensina von Clausewitz, para garantir seus interesses ao sul do planeta.

Os impérios mudaram de feição, retrocederam às sedes, mas dominam de outras formas, indo sempre à guerra se for preciso. O inglês/britânico, remanescente do império de colônias, ainda se auto rotula como “O império que nunca dorme”, por ter afiliados da Inglaterra à Austrália, hoje Estados de Direito Democrático, nova feição.

A guerra da Ucrânia polarizou a OTAN contra a Rússia, país do BRICS. O massacre de Gaza, verdadeiro genocidio, tem a complacência americana. Meses depois Israel e EUA atacam o Iran que é um país do BRICS. Não houve reação militar porque este bloco não é militar. É um bloco que se articula num acordo de cooperação.

O G7 pode existir; o G20 pode existir; não são blocos militares; mas o BRICS não pode? Para a América os EUA queriam a ALCA. A reação engendrou o surgimento do MERCOSUL. A hegemonia não aceita emancipação. Há séculos a humanidade convive com estas posições de poder; subleva; se autonomiza; e surgem novos atores que querem impor sua vontade de emancipação. Exemplo da história? O gladiador Espartacus, que liderou uma revolta de escravos contra o Império Romano, Estado do modo de produção escravista, como ensina K. Marx.

Qual o grande diferencial atual: a guerra nuclear. A capacidade de “over killing” (“sobre matar”), ou seja , de destruir a Terra é maior que 1. Isto significa que os arsenais nucleares existentes podem destruir a Terra várias vezes; insanidade total, pois bastaria uma vez.

É deste planeta, pequena bola azul no Universo, nossa Gaia, que estamos falando. É da visão hegemonista autoritária do Império de todo tipo que estamos falando. É da visão de que um outro mundo é possível, sob a égide do multilateralismo democrático para todos, que estamos falando.

Brasil, lute por sua autonomia e independência ante o Império, qualquer deles.

Vamos adiante, lutando!

Rodrigo Botelho Campos – economista

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/feed/ 0
Trump ameaça BRICS e diz que grupo ‘acabará rapidamente’ se crescer https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/trump-ameaca-brics-e-diz-que-grupo-acabara-rapidamente-se-crescer/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/trump-ameaca-brics-e-diz-que-grupo-acabara-rapidamente-se-crescer/#respond Mon, 21 Jul 2025 12:51:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213282 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 19, que está disposto a adotar medidas econômicas contra os países que integram o grupo BRICS, caso o bloco avance em sua consolidação como força geopolítica e econômica. Em discurso, Trump afirmou que o grupo seria alvo de fortes retaliações e que seu eventual fortalecimento não se sustentaria por muito tempo.

“Quando ouvi sobre esse grupo do Brics, seis países, basicamente, eu os ataquei com muita, muita força. E se algum dia eles realmente se formarem de modo significativo, isso acabará muito rapidamente”, declarou o presidente norte-americano, sem citar diretamente os nomes dos países que fazem parte da aliança.

As declarações foram feitas em meio a tensões crescentes entre os Estados Unidos e países que buscam ampliar mecanismos de cooperação econômica fora da órbita do dólar. O BRICS, formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou a incluir recentemente outros países em um esforço para aumentar sua relevância internacional e reduzir a dependência de moedas ocidentais.

O grupo tem se articulado para criar alternativas ao sistema financeiro liderado por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Além disso, seus membros têm discutido a utilização de moedas locais no comércio bilateral e a possibilidade de fortalecer o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), fundado em 2015.

As declarações de Trump ocorrem em um momento em que o BRICS tem ampliado sua visibilidade. A última cúpula do grupo, realizada no Rio de Janeiro, tratou de temas como a desdolarização de parte das transações internacionais, a inclusão de novos países e a formação de uma infraestrutura alternativa para o financiamento de projetos.

Durante sua fala, Trump também reiterou o compromisso com a manutenção do dólar como principal moeda de reserva internacional. O presidente indicou que o governo norte-americano não apoiará a criação de uma moeda digital emitida por um banco central nos Estados Unidos.

“Estou comprometido com a preservação do status global do dólar como moeda de reserva”, afirmou. “Nunca permitirei a criação de uma moeda digital de banco central nos Estados Unidos”, completou o presidente, reforçando sua posição contrária a iniciativas que envolvam emissões digitais centralizadas.

A posição do governo norte-americano ocorre no contexto de discussões em diversos países sobre moedas digitais emitidas por bancos centrais, conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies). Na China, por exemplo, o yuan digital está em fase avançada de testes. O Banco Central Europeu também avalia a criação do euro digital. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tem conduzido estudos exploratórios, mas ainda não definiu uma posição final.

O crescimento do BRICS e a defesa por parte de seus membros de uma ordem econômica multipolar têm sido observados de perto por Washington. Analistas avaliam que as declarações de Trump refletem uma preocupação com o avanço de iniciativas que buscam contestar a hegemonia do dólar e o sistema financeiro global liderado pelos Estados Unidos.

Embora não tenha detalhado quais medidas poderiam ser adotadas contra os países do BRICS, Trump sugeriu que tarifas comerciais seriam uma das ferramentas preferidas. Em seu primeiro mandato, o atual presidente já utilizou tarifas como instrumento de pressão contra parceiros comerciais, incluindo a China e países da América Latina.

A retórica de Trump sobre o BRICS contrasta com as posições de países que integram o grupo, que têm defendido a criação de uma estrutura de governança financeira mais equilibrada, com maior participação de economias emergentes. A ideia central do bloco é oferecer alternativas em áreas como financiamento de infraestrutura, comércio, ciência e tecnologia.

Apesar das críticas norte-americanas, o BRICS tem avançado na construção de uma agenda comum. Entre os temas mais debatidos nas últimas reuniões estão a ampliação do bloco com a inclusão de novos membros estratégicos e o fortalecimento de mecanismos de cooperação inter-regional.

Os próximos meses devem ser marcados por novos movimentos diplomáticos em torno do BRICS, incluindo visitas de Estado, acordos bilaterais e iniciativas conjuntas em fóruns internacionais. Os desdobramentos das declarações de Trump também deverão ser monitorados pelos governos envolvidos e por investidores atentos às relações comerciais globais.

O impacto de uma possível imposição de tarifas dependerá do alcance e da escala das medidas anunciadas. Até o momento, os países do BRICS não responderam oficialmente às declarações do presidente dos Estados Unidos.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/trump-ameaca-brics-e-diz-que-grupo-acabara-rapidamente-se-crescer/feed/ 0
Estadão sugere saída do Brasil do BRICS e defende submissão aos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/estadao-sugere-saida-do-brasil-do-brics-e-defende-submissao-aos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/estadao-sugere-saida-do-brasil-do-brics-e-defende-submissao-aos-eua/#comments Mon, 21 Jul 2025 12:13:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213277 3 Comentários 🔥]]> O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta segunda-feira, 21, um editorial em que defende que o Brasil deixe o BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Intitulado “Brasil paga a conta da imprudência de Lula”, o texto argumenta que a atual política externa adotada pelo governo federal estaria gerando impactos negativos ao país, especialmente após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

No editorial, o jornal afirma: “Sairá cara a decisão de Lula de alinhar o Brasil à China e à Rússia a pretexto de fortalecer o Brics contra os EUA de Trump”. O texto associa a política externa brasileira a um suposto “alinhamento imprudente” com os dois países, ignorando o peso geopolítico do bloco, que representa mais de 40% da população mundial.

O editorial critica diretamente a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e considera a participação brasileira no BRICS como um movimento de risco para o cenário econômico e diplomático. “A única forma de poupar o Brasil dos efeitos deletérios dessa decisão seria abandonar esse bloco, que se presta unicamente aos projetos chineses e russos, sem qualquer ganho concreto e de longo prazo para o País”, diz o jornal.

A publicação não menciona, no entanto, a recente cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, evento que contou com presença de representantes de dezenas de países e tratou de pautas como o financiamento de infraestrutura, uso de moedas locais no comércio internacional e a reforma das instituições financeiras multilaterais.

O Estadão também não cita os efeitos diretos da tarifa imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump, que iniciou seu segundo mandato em 2025 com medidas econômicas voltadas à proteção do mercado interno. A nova taxa de 50% sobre produtos brasileiros foi anunciada em meio a um contexto de tensão diplomática e comercial com países que compõem o BRICS.

No editorial, o jornal relaciona a política externa do governo Lula ao aumento da pressão internacional exercida pelos EUA. Segundo o texto, a atuação brasileira estaria sendo mal interpretada por aliados tradicionais do Ocidente e poderia comprometer relações comerciais estratégicas. A crítica do jornal é feita sem abordar as medidas adotadas por Washington para conter investigações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mencionadas brevemente como “irresponsabilidade de Jair Bolsonaro” sem aprofundar o tema.

Ao longo do editorial, o Estadão caracteriza o BRICS como uma plataforma a serviço dos interesses chineses e russos. O jornal escreve: “O Brics se presta exclusivamente a projetar o poder da China em contraste com os EUA e o Ocidente”. E acrescenta: “O apoio à Rússia funciona como um respaldo ao imperialismo de Vladimir Putin”.

A publicação também não traz referência às recentes iniciativas do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do BRICS, nem às tratativas para ampliar o bloco com novos países membros. O editorial não analisa os acordos de cooperação firmados nos últimos encontros multilaterais nem os posicionamentos conjuntos relacionados à paz internacional, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.

A posição do jornal contrasta com a atual política externa brasileira, que tem buscado ampliar o diálogo com diferentes blocos econômicos e investir em uma diplomacia multilateral. O Brasil tem reforçado, nas últimas cúpulas internacionais, a necessidade de diversificação de parcerias comerciais e fortalecimento de laços com países do Sul Global.

Durante a cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, o governo federal destacou a importância de um sistema internacional baseado em múltiplos centros de poder e na cooperação entre países em desenvolvimento. Os representantes presentes trataram de temas como financiamento de infraestrutura, meio ambiente, uso de moedas locais em transações comerciais e inclusão de novos integrantes ao grupo.

O editorial também não aborda os dados sobre o crescimento das trocas comerciais entre países do BRICS nem os estudos sobre os impactos positivos para os países membros em termos de investimentos, cooperação tecnológica e fortalecimento de cadeias produtivas regionais.

A defesa da saída brasileira do BRICS, feita pelo Estadão, reacende o debate sobre o papel do Brasil no cenário global. O país tem buscado equilibrar sua atuação entre diferentes polos de poder e ampliar sua inserção internacional com base em múltiplas alianças. O posicionamento do jornal, no entanto, aponta para uma linha de ação focada na retomada do alinhamento automático com os Estados Unidos.

Ao afirmar que “o Brics não oferece qualquer ganho concreto e de longo prazo para o País”, o editorial apresenta uma avaliação crítica da estratégia adotada pelo governo atual, mas não apresenta comparações com os efeitos de políticas externas anteriores, nem alternativas detalhadas para o fortalecimento da economia e da posição internacional brasileira.

A publicação se insere em um contexto geopolítico de realinhamento de forças, em que países do Sul Global buscam ampliar sua representação em fóruns internacionais. A postura adotada pelo Brasil nos últimos anos tem priorizado a ampliação de canais diplomáticos, fortalecimento da soberania nacional e diversificação das relações exteriores.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/21/estadao-sugere-saida-do-brasil-do-brics-e-defende-submissao-aos-eua/feed/ 3
As ameaças patéticas da OTAN aos gigantes dos Brics https://www.ocafezinho.com/2025/07/16/as-ameacas-pateticas-da-otan-aos-gigantes-dos-brics/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/16/as-ameacas-pateticas-da-otan-aos-gigantes-dos-brics/#respond Wed, 16 Jul 2025 16:07:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213003 Chefe da aliança militar instou as três nações do Brics a pressionarem o presidente russo, Vladimir Putin, pelo fim da guerra na Ucrânia – ou arriscarem tarifas comerciais ainda mais pesadas dos EUA.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, pediu ao Brasil, à China e à Índia que pressionem a Rússia pelo fim da guerra na Ucrânia, ameaçando as três nações que integram o grupo do Brics com a imposição de sanções por parte dos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou recentemente que imporia “tarifas muito severas” contra a Rússia se nenhum acordo fosse alcançado para encerrar a guerra na Ucrânia em 50 dias. Ele também ameaçou impor tarifa secundária de 100% a países que comprem exportações russas – algo que poderia atingir diretamente países do Brics.

Em reunião com senadores nos EUA, Rutte disse ter certeza de que esses países, especialmente a China, seriam “muito úteis” para pressionar a Rússia.

“Meu incentivo a esses três países, em particular, é que, se você mora em Pequim, ou em Delhi, ou é o presidente do Brasil, talvez queira dar uma olhada nisso, porque isso poderá lhe atingir com muita força”, disse Rutte a jornalistas nesta terça-feira (15/07).

“Então, por favor, liguem para [o presidente russo] Vladimir Putin e digam a ele que ele precisa levar as negociações de paz a sério, porque, caso contrário, isso vai impactar o Brasil, a Índia e a China de forma massiva”, acrescentou Rutte.

Por que Brasil, Índia e China?

As três nações respondem pela grande maioria do comércio de energia de Moscou. Além disso, são os países centrais do Brics, o grupo das nações em desenvolvimento, juntamente com a África do Sul.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também já havia prometido tarifas mais altas para os países do Brics que se alinhassem aos planos do bloco de desafiar a hegemonia dos EUA.

Mesmo antes do anúncio de Trump sobre as tarifas secundárias no início desta semana, os parlamentares americanos vinham trabalhando em um projeto de lei bipartidário visando a imposição de sanções ainda mais duras. A legislação busca uma tarifa de 500% sobre produtos importados de países que continuam comprando petróleo, gás, urânio e outras exportações russas.

Brics evitou condenar Moscou pela guerra

Na declaração final da cúpula do Brics, realizada no inicio do mês no Rio de Janeiro, os países-membros do grupo voltaram a pedir uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas e repudiaram ataques que atingiram pontes ferroviárias da Rússia em junho deste ano, sem, no entanto, mencionar a Ucrânia, que estaria por trás da agressão. Foi a primeira vez que o bloco citou uma ação militar contra Moscou em uma declaração.

O documento foi o primeiro assinado pela nova formação do bloco, que no último ano acatou a adesão de cinco novos países. O grupo atualmente é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

A expansão do Brics aumentou o peso diplomático do grupo, que busca representar os países em desenvolvimento do Sul Global e reforçar pedidos por reformas em instituições globais.

Rutte e Trump anunciaram acordo para a venda de armas dos EUA aos países da Otan em apoio à Ucrânia | Nathan Howard/REUTERS

Em discurso durante a cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva traçou um paralelo com os países em desenvolvimento que resistiram a se alinhar a qualquer um dos polos da ordem mundial durante a Guerra Fria.

“O Brics é o herdeiro do Movimento dos Não Alinhados”, afirmou Lula. “Com o multilateralismo sob ataque, nossa autonomia está novamente em xeque”, afirmou.

Os países do Brics representam mais da metade da população mundial e 40% de sua produção econômica, observou Lula em comentários a líderes empresariais, alertando contra o protecionismo.

Europa planeja envio “massivo” de armas a Kiev

Rutte e Trump anunciaram nesta segunda-feira um acordo para a venda de armas dos EUA aos países da Otan. O representante da aliança militar afirmou que os membros repassarão parte desses armamentos à Ucrânia, marcando a retomada da ajuda dos Estados Unidos a Kiev.

Entre as entregas prometidas, estão sistemas antimísseis Patriot, o dispositivo de defesa mais avançado que o Ocidente já enviou à Ucrânia. Cada unidade custa cerca de 3 milhões de euros (R$ 19,5 milhões) – a serem pagos pela União Europeia (UE), segundo o presidente americano.

Nesta terça-feira, Rutte disse que a Europa encontraria o dinheiro para garantir que a Ucrânia estivesse na melhor posição possível nas negociações de paz. Ele afirmou que, sob o acordo com Trump, os EUA agora forneceriam “maciçamente” armas à Ucrânia, “não apenas defesa aérea, também mísseis e munição paga pelos europeus”.

Questionado se mísseis de longo alcance para a Ucrânia estavam em discussão, Rutte disse que a ajuda “é tanto defensiva quanto ofensiva”. “Portanto, há todos os tipos de armas, mas não discutimos em detalhes ontem com o presidente. Isso está sendo trabalhado agora pelo Pentágono e pelo Comandante Supremo dos Aliados na Europa, juntamente com os ucranianos.”

Publicado originalmente pelo DW em 16/07/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/16/as-ameacas-pateticas-da-otan-aos-gigantes-dos-brics/feed/ 0