Cafezinho Econômico - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/cafezinho-economico/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 05 Jan 2026 18:25:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Cafezinho Econômico - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/cafezinho-economico/ 32 32 Caso Maduro transforma corte americana em arena geopolítica https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/caso-maduro-transforma-corte-americana-em-arena-geopolitica/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/caso-maduro-transforma-corte-americana-em-arena-geopolitica/#respond Fri, 09 Jan 2026 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224057 Primeira audiência de Maduro em Nova York ultrapassa o campo jurídico e reabre o debate sobre intervenção, soberania e limites da jurisdição global

Nova York já viu de tudo. No entanto, poucas cenas carregaram tanto simbolismo quanto a de Nicolás Maduro cruzando as portas de um tribunal federal. Na manhã desta segunda-feira (5), o ex-presidente venezuelano sentou-se no banco dos réus em solo norte-americano. O gesto, por si só, já redesenha fronteiras invisíveis entre Justiça, política e força internacional.

Não se trata apenas de um processo criminal. Trata-se, sobretudo, de um capítulo ruidoso das disputas geopolíticas no continente. Para alguns, é a aplicação rigorosa da lei. Para outros, é mais um episódio de intervenção direta nos assuntos internos da América Latina. O fato é que ninguém ficou indiferente.

A audiência ocorreu sob um esquema de segurança incomum até para os padrões de Nova York. Cada detalhe refletia a gravidade das acusações de narcoterrorismo atribuídas a Maduro. Ainda assim, o venezuelano manteve postura firme e olhar atento diante do juiz Alvin Hellerstein.

Desde o início, Maduro questionou a legitimidade da própria prisão. Ele relembrou que sua detenção ocorreu após uma operação militar controversa dos Estados Unidos em Caracas. Para ele, não houve cooperação internacional. Houve força.

Enquanto a promotoria apresentou o caso como combate ao crime organizado transnacional, críticos enxergaram algo maior. Para esses setores, o julgamento simboliza a tentativa de submeter lideranças incômodas ao crivo de tribunais estrangeiros.

Leia também: Os EUA no centro de uma controvérsia diplomática histórica

Ao ser convidado a se identificar formalmente, Maduro transformou o protocolo em declaração política. Com voz controlada, reafirmou a própria legitimidade e descreveu sua retirada da Venezuela como resultado de coerção externa.

Questionado sobre o suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas, respondeu sem rodeios. “Não sou culpado”, afirmou. Em seguida, reforçou sua narrativa pessoal e política: “Sou um homem decente. Continuo sendo o presidente do meu país”.

Essas palavras não ficaram restritas às paredes do tribunal. Elas ecoaram entre apoiadores que veem o processo como perseguição política. Para esse grupo, Washington tenta criminalizar projetos políticos que desafiam sua influência histórica na região.

Direitos explicados tarde demais

Um dos momentos mais delicados da audiência surgiu quando o juiz detalhou os direitos básicos garantidos ao réu. Hellerstein explicou que Maduro pode contar com defesa paga pelo tribunal e que existe, ainda que remotamente, a possibilidade de liberdade provisória.

A reação surpreendeu. Maduro afirmou desconhecer essas garantias até aquele instante. “Eu não tinha conhecimento desses direitos, Vossa Excelência me informou sobre eles agora”, declarou.

A fala levantou questionamentos imediatos. Como foi conduzida a prisão? Houve respeito aos direitos fundamentais desde o primeiro momento? Juristas progressistas apontam riscos graves quando um ex-chefe de Estado relata desconhecimento de garantias básicas.

Enquanto a acusação insiste nos crimes, cresce o debate fora do tribunal. Movimentos sociais e especialistas alertam para o precedente aberto ao julgar um líder estrangeiro sob leis internas de outro país. O tema da soberania voltou ao centro da discussão.

Para esses críticos, o processo extrapola o campo jurídico. Ele se insere numa estratégia maior de pressão e isolamento político. Por outro lado, o governo dos EUA sustenta que atua dentro da legalidade para desmontar uma rede criminosa internacional.

Entre essas versões, a verdade disputa espaço com interesses globais.

Narcoterrorismo: crime ou narrativa?

O indiciamento contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores, é extenso e carregado de simbolismo. As acusações incluem conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e uso de armamento pesado. Segundo os autos, Maduro teria liderado um esquema aliado a grupos guerrilheiros.

A defesa rebate com veemência. Argumenta que as provas servem para justificar uma mudança de regime por vias judiciais. Sustenta que o termo “narcoterrorismo” funciona como rótulo político, útil para desumanizar adversários e legitimar intervenções.

Enquanto isso, Maduro permanece detido. As próximas audiências ainda não têm data marcada. O futuro do caso segue indefinido.

O julgamento de Maduro não se resume à culpa ou inocência. Ele expõe, de forma crua, como tribunais podem virar arenas de disputa global. No fim, a pergunta que persiste não é apenas jurídica. É política: quem julga quem quando o poder atravessa fronteiras?

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Xi Jinping:”Nós continuamos a receber o mundo de braços abertos” https://www.ocafezinho.com/2026/01/02/xi-jinpingnos-continuamos-a-receber-o-mundo-de-bracos-abertos/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/02/xi-jinpingnos-continuamos-a-receber-o-mundo-de-bracos-abertos/#respond Fri, 02 Jan 2026 20:13:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223795

O presidente da República Popular da China, Xi Jinping fez seu tradicional pronunciamento de ano novo expondo, com visão de conjunto, os grandes feitos no ano de 2025, assim como os desafios do país ao ano vindouro.

Destacou com ênfase o término do 14º Plano Quinquenal. O país passou por um verdadeiro salto nos últimos cinco anos. Segundo Xi Jinping:

“Nos últimos cinco anos, trabalhamos arduamente e avançamos com coragem e perseverança. Ao ultrapassar inúmeras dificuldades e desafios, alcançamos as metas e concluímos as tarefas, dando passos firmes na nova jornada da modernização chinesa. A nossa economia tem ultrapassado há anos novos marcos e pode chegar a 140 trilhões de yuans ainda neste ano, conforme estimativas. As forças da economia, da ciência-tecnologia e da defesa nacional, bem como o poderio nacional, avançaram a um novo patamar.”

Na verdade, os últimos cinco anos marcaram um completo reposicionamento econômico, político e social da China no mundo. O país demonstrou a superioridade de seu sistema político e social ao conseguir enfrentar o bloqueio tecnológico imposto pelos Estados Unidos e aferir a primeira posição em grande parte das tecnologias de vanguarda, como aquelas relacionadas à formas novas, limpas e renováveis de energia. Está prestes a alcançar autossuficiência tecnológica nos setores de infraestruturas de semicondutores e Inteligência Artificial. Os feitos chineses neste 14º Plano Quinquenal são impressionantes sob qualquer ângulo de observação.

Os avanços sociais, sob a síntese de uma crescente estabilidade social do país foram assinalados. Interessante notar que a apresentação de Xi Jinping coloca ênfase na unidade do país, suas comemorações padronizadas entre as diferentes etnias e regiões do país. Na verdade, quanto mais o desenvolvimento chinês alcança as regiões mais longínquas da nação e mais e mais pessoas vão tendo acesso aos frutos do desenvolvimento, maior é a estabilidade social e a capacidade de a China mostrar ao mundo as virtudes do socialismo. As virtudes do socialismo devem ser contrastados com o que vemos hoje fora da China: um mundo instável, onde aumenta a concentração de renda e riqueza e países como os Estados Unidos são cada vez mais parecidos com máquinas de gerar caos, desigualdades internas, racismo e ideologias intolerantes. 

Sob nosso ponto de vista, vale destacar a crescente importância chinesa como polo de estabilidade em um mundo cada vez mais instável e perigoso. Nas palavras de Xi Jinping: 

“Nós continuamos a receber o mundo de braços abertos. Foram realizadas com sucesso a cúpula de Tianjin da Organização de Cooperação de Shanghai e a Cúpula Global de Mulheres. O Porto de Livre Comércio de Hainan iniciou oficialmente as operações alfandegárias especiais. Para lidar melhor com as mudanças climáticas, nosso país anunciou o novo pacote de Contribuição Nacionalmente Determinada. Após a formulação das três iniciativas globais sobre desenvolvimento, segurança e civilização, apresentei a Iniciativa de Governança Global, com o objetivo de promover um sistema de governança global mais justo e equitativo. O mundo de hoje vivencia mudanças e turbulências entrelaçadas, e algumas regiões ainda padecem com conflitos. A China sempre esteve do lado correto da história e segue disposta a promover, juntamente com todos os países, a paz e o desenvolvimento do mundo, impulsionando a construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.” 

Vale concentração maior neste ponto. A China tem buscado oferecer iniciativas fundamentais para a reinvenção da governança global. A República Popular da China tem se mantido como uma voz serena a ser ouvida pelos diferentes povos do mundo no sentido de busca de soluções mediadas a conflitos complexos. Cada iniciativa chinesa refere-se a questões concretas de nosso tempo. Desde as questões envolvendo as dificuldades dos países em alcançarem desenvolvimento e prosperidade até a entrega de uma forma de governança mais justa e equilibrada. Se os Estados Unidos promovem bloqueios e sanções, a China abre seu mercado para os produtos dos países mais pobres do mundo. Se os Estados Unidos promovem bullyings de todo o tipo, os chineses, com sua produção em massa de equipamentos para mitigar as ações da crise climática, tem sido fator de redução rápida nos preços de placas fotovoltaicas que hoje começam a habitar o horizonte do Sul Global.

A partir das palavras de Xi Jinping, podemos dizer, sem nenhuma dúvida, e tomando como ponto de partida as realizações chinesas e seu impacto internacional, que a China é o país mais responsável do mundo. O país mantem-se de portas abertas enquanto o Ocidente se fecha em si mesmos e não encontram saídas e soluções para uma crise existencial que parece sem fim.

por Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Escrito em colaboração com o Grupo de Mídia da China

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Gigante brasileira expande produção de terras raras para competir com a China https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/gigante-brasileira-expande-producao-de-terras-raras-para-competir-com-a-china/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/gigante-brasileira-expande-producao-de-terras-raras-para-competir-com-a-china/#respond Thu, 02 Jan 2025 23:46:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199785 Em resposta ao crescente atrito comercial entre os Estados Unidos e a China, a mineradora brasileira Serra Verde anunciou planos de aumentar significativamente sua produção de metais de terras raras, conforme reportado pelo Bloomberg.

A empresa, que iniciou sua produção comercial no estado de Goiás há aproximadamente um ano, visa atingir uma produção anual de 5.000 toneladas de óxido de terras raras até 2026, conforme afirmou o diretor de operações Ricardo Grossi em entrevista à Bloomberg News.

Este aumento na produção está alinhado com os planos de expansão da capacidade da mineradora, que também explora parcerias estratégicas com outras empresas e países para avançar na produção e processamento desses metais vitais.

Grossi destacou a possibilidade de Serra Verde se estabelecer como um fornecedor alternativo para o Ocidente, especialmente diante de possíveis novos controles de exportação por parte da China.

A China mantém uma posição dominante no mercado de terras raras, controlando cerca de 70% da extração mundial e 90% das capacidades de refino.

Estes elementos são cruciais para a fabricação de ímãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e equipamentos militares.

O domínio chinês sobre esses recursos levou os Estados Unidos e seus aliados a buscar fontes alternativas para reduzir a dependência.

Com o apoio de investidores como Denham Capital e Vision Blue Resources do Reino Unido, a Serra Verde recebeu um investimento significativo de US$ 150 milhões em outubro, com negociações em andamento para uma nova rodada de financiamento.

Além disso, a empresa explora a possibilidade de expandir suas operações no Brasil, o que poderia dobrar sua produção antes de 2030.

Este esforço é reconhecido internacionalmente através da participação da Serra Verde na Minerals Security Partnership, uma iniciativa que envolve 14 países, incluindo os EUA e a União Europeia, focada em acelerar o desenvolvimento de cadeias de suprimento sustentáveis e seguras para minerais essenciais.

Embora o mercado de terras raras tenha enfrentado desafios devido ao excesso de oferta, a demanda continua a crescer, com a Serra Verde projetando um aumento anual de 8,5% até 2035.

Este crescimento é visto como um impulso potencial para o balanço patrimonial da empresa, com a Ásia sendo atualmente o principal mercado para seus produtos.

A expansão planejada pela Serra Verde não apenas fortalece sua posição no mercado global, mas também contribui para a diversificação das fontes de terras raras essenciais ao redor do mundo.

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Governo Lula turbina o agro e produção de grãos pode bater novo recorde em 2024 https://www.ocafezinho.com/2024/10/15/governo-lula-turbina-o-agro-e-producao-de-graos-pode-bater-novo-recorde-em-2024/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/15/governo-lula-turbina-o-agro-e-producao-de-graos-pode-bater-novo-recorde-em-2024/#comments Tue, 15 Oct 2024 14:21:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195021 2 Comentários 🔥]]> A primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de grãos 2024/2025 projeta uma produção recorde de 322,47 milhões de toneladas.

O volume representa um aumento de 8,3% em relação à safra anterior, com a expectativa de colher 24,62 milhões de toneladas a mais do que o ciclo de 2023/2024. Caso a previsão se confirme até o fim do ano agrícola, será um novo recorde na série histórica do setor.

A área plantada também deve crescer, com a Conab estimando uma expansão de 1,9% em comparação à safra anterior, totalizando 81,34 milhões de hectares destinados ao cultivo de grãos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 15, durante o anúncio do 1º Levantamento da Safra de Grãos 2024/2025.

Arroz lidera crescimento na área plantada

Entre as culturas, o arroz se destaca com uma previsão de crescimento de 9,9% na área semeada em todo o Brasil. As regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam os maiores incrementos, com aumentos de 33,5% e 16,9%, respectivamente.

No Mato Grosso, o crescimento previsto é de 39,3%, com mais de 133 mil hectares destinados ao cultivo do grão. Goiás e Minas Gerais também registram altas expressivas, com elevações de 24% e 25,1% na área plantada, respectivamente.

A região Sul, maior produtora de arroz no país, deve destinar cerca de 1,16 milhão de hectares ao cultivo, o que reforça a expectativa de uma produção nacional de 12 milhões de toneladas.

Este volume recuperaria os níveis obtidos na safra de 2017/2018, colocando o Brasil entre as maiores safras de arroz de sua história, segundo a Conab.

Crescimento no plantio de feijão e soja

O feijão, outro importante grão cultivado no país, também deve apresentar um leve aumento na área plantada, que passará de 2,86 milhões de hectares na safra anterior para 2,88 milhões na atual temporada.

A maior alta é esperada na primeira safra da leguminosa, com um aumento de 2,3%, alcançando 881,3 mil hectares e uma produção de 947,3 mil toneladas. A produção total de feijão, somando as três safras, é projetada em 3,26 milhões de toneladas, uma elevação de 0,5% em relação ao ciclo anterior.

Para a soja, o Brasil também deve registrar uma maior área destinada ao cultivo, com um aumento de 2,8% em comparação ao ciclo anterior.

Apesar desse crescimento, a Conab observa que o percentual de incremento da área plantada de soja é um dos menores desde o ciclo 2009/2010, devido ao atraso nas chuvas, especialmente na região Centro-Oeste. Ainda assim, a produção de soja está estimada em 166,05 milhões de toneladas.

Perspectivas para o milho e outras culturas

A produção de milho, por sua vez, deve ter um crescimento de 3,5%, com uma colheita estimada em 119,74 milhões de toneladas. A área plantada de milho se manterá em torno de 21 milhões de hectares. No entanto, a Conab projeta uma redução de 1,1% na produção da primeira safra do cereal, que deve ocupar 3,76 milhões de hectares e produzir 22,72 milhões de toneladas.

O algodão também deve apresentar crescimento na área plantada, com um aumento de 2,9%, totalizando 2 milhões de hectares. A produção de pluma está estimada em 3,67 milhões de toneladas.

Condições climáticas afetam produção de trigo

As culturas de inverno, especialmente o trigo, não devem atingir a expectativa inicial de produção de 12 milhões de toneladas devido às condições climáticas desfavoráveis.

No Paraná, principal produtor de trigo no Brasil, estiagens, falta de frio adequado e geadas em agosto afetaram a produção, que foi reduzida para 8,26 milhões de toneladas. Em contrapartida, os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina registram um cenário mais positivo.

Mercado e exportações

Com a expectativa de aumento na produção de arroz, os preços internos do produto devem seguir em tendência de queda, embora ainda mantendo rentabilidade para os produtores.

A alta na produção também deve impulsionar as exportações de arroz, que podem alcançar 2 milhões de toneladas, além de elevar os estoques finais da safra 2024/2025 para 840 mil toneladas.

Para o milho, as atenções se voltam para a safra de verão na América Latina, onde Brasil e Argentina devem reduzir a área destinada ao cereal. A menor oferta de milho na região pode contribuir para uma recuperação dos preços no mercado internacional.

No ciclo 2024/2025, as exportações de milho do Brasil estão projetadas em 34 milhões de toneladas, enquanto a demanda interna permanecerá forte, impulsionada pelo mercado de proteína animal e pela produção de etanol.

No caso da soja, as exportações para 2025 estão estimadas em 105,54 milhões de toneladas, refletindo o aumento na produção e a demanda global, especialmente da China. Os estoques finais de soja estão projetados em 4,16 milhões de toneladas.

Os preços do trigo no mercado interno, por sua vez, seguem em alta devido aos problemas climáticos no Paraná e em outras regiões produtoras globais. Conflitos geopolíticos também têm influenciado a valorização do cereal.

Análise

A safra de grãos 2024/2025 apresenta perspectivas de crescimento em diversas culturas, reforçando o protagonismo do Brasil no cenário agrícola mundial. As expectativas de exportação e o impacto das condições climáticas serão fatores decisivos no comportamento dos preços e no desempenho do mercado nos próximos meses.

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Guerra no Mar Vermelho atinge em cheio o comércio global de café; Brasil se torna beneficiado https://www.ocafezinho.com/2024/01/19/guerra-no-mar-vermelho-atinge-em-cheio-o-comercio-global-de-cafe-brasil-se-torna-beneficiado/ https://www.ocafezinho.com/2024/01/19/guerra-no-mar-vermelho-atinge-em-cheio-o-comercio-global-de-cafe-brasil-se-torna-beneficiado/#respond Fri, 19 Jan 2024 13:52:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=173504 A medida que as tensões continuam a escalar no Mar Vermelho, repercussões significativas estão sendo sentidas no comércio global de café. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, essas tensões estão causando atrasos nas viagens marítimas, afetando diretamente o comércio do produto.

A situação atual tem levado compradores a recusar remessas do Vietnã, o maior produtor de café do país. Em busca de alternativas, muitos estão se voltando para o Brasil.

A preferência pelo Brasil ocorre pelo fato de que as rotas de navios do Vietnã para a Europa passam pelo Mar Vermelho, uma via essencial para a exportação de café vietnamita.

Esse não é um cenário inédito. Em 2021, um incidente similar ocorreu quando um navio bloqueou o Canal de Suez, causando perturbações significativas no comércio de café robusta. A necessidade de redirecionar navios resulta em um aumento nos custos de transporte de commodities, incluindo o café.

Os contratos futuros do café robusta tiveram um aumento de mais de 30% neste mês, devido a essas interrupções comerciais.

Esse aumento surge após um ano de escassez de grãos de café em 2023, quando os preços subiram 60% por conta de condições climáticas adversas no Vietnã. O país asiático é responsável por 40% da produção global de café robusta, conforme dados da Nescafé.

A Organização Internacional do Café registrou que os preços do robusta atingiram o maior nível em 25 anos em dezembro, com uma média de US$ 1,35 por libra. Além disso, houve um aumento de 122% nos custos de transporte marítimo desde o início de dezembro, conforme o Drewry World Container Index.

No mercado de café, exportadores vietnamitas enfrentam um aumento exorbitante nas taxas de frete, que em alguns casos dispararam para quase US$ 4.000 por contêiner.

Com o aumento das tensões, teme-se que a instabilidade marítima possa desencadear uma nova onda de inflação, remetendo aos desafios de abastecimento vivenciados durante a pandemia.

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2 milhões de nomes foram limpos em 5 dias graças ao Desenrola https://www.ocafezinho.com/2023/07/22/2-milhoes-de-nomes-foram-limpos-em-5-dias-gracas-ao-desenrola/ https://www.ocafezinho.com/2023/07/22/2-milhoes-de-nomes-foram-limpos-em-5-dias-gracas-ao-desenrola/#respond Sat, 22 Jul 2023 20:43:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=161405

Neste sábado (22), a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgou o balanço preliminar que mostra os resultados dos cinco primeiros dias do Desenrola Brasil, programa do governo de renegociação de dívidas. Segundo a instituição, a iniciativa teve uma adesão considerada “expressiva” da população e 2 milhões de brasileiros, que tinha dívidas de até R$100, já estão com o nome limpo. 

A Febraban declarou seu apoio ao programa do governo federal e celebrou o sucesso inicial do projeto: “Idealizado pelo Governo Federal e com o apoio da Febraban, o Programa Desenrola Brasil tem como principal objetivo reintroduzir pessoas com restrição de crédito na economia, permitindo melhores condições de renegociação de suas dívidas”. 

O programa teve início na segunda-feira (17), e através dele o governo oferece incentivo aos bancos que aumentarem suas ofertas de crédito. É válido para quem foi incluído no cadastro de devedores de 1º de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2022. Os interessados em participar e que estejam incluídos nesse grupo podem aderir até 31 de dezembro deste ano. 


 
 

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Parabéns Lava Jato! Americanos passam a responder por 80% das importações brasileiras de diesel https://www.ocafezinho.com/2018/02/09/parabens-lava-jato-americanos-passam-responder-por-80-das-importacoes-brasileiras-de-diesel/ https://www.ocafezinho.com/2018/02/09/parabens-lava-jato-americanos-passam-responder-por-80-das-importacoes-brasileiras-de-diesel/#comments Fri, 09 Feb 2018 18:28:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=83288 77 Comentários 🔥]]> Se alguém quiser uma razão concreta para os Estados Unidos terem interferido na política brasileira, sobretudo através da influência sobre as operações judiciais que derrubaram a indústria nacional de óleo e gás, os números compilados pelo Cafezinho, com exclusividade, podem ser bastante úteis.

O óleo diesel, como já dissemos em outros posts, é o principal produto importado pelo Brasil. Há uma razão histórica para isso. O Brasil concentrou toda infra-estrutura de escoamento de sua produção em caminhões movidos a diesel. Foi uma opção economicamente equivocada, especialmente quando consideramos o tipo de produto exportado pelo país: produtos extremamente pesados, como minérios, soja, café, que exigem grande quantidade de conteineres para serem embarcados.

Atualmente, todavia, os esforços para implementar ferrovias são sabotados pelos próprios latifundiários, porque estes se tornaram donos das frotas de caminhões.

Segundo o sistema Alice, gerido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que monitora mensalmente os dados do comércio exterior, o Brasil importou mais de R$ 20 bilhões em óleo diesel nos últimos 12 meses até janeiro de 2018. Em dólar, este valor foi de US$ 6,09 bilhões, o que correspondeu a um aumento de 92% sobre o ano anterior.

Considerando todos os produtos, as importações brasileiras cresceram cerca de 10% nos 12 meses até janeiro, totalizando US$ 153 bilhões.

O óleo diesel teve uma participação, portanto, de 4% sobre todos os produtos importados pelo Brasil.

Em quantidade, a importação brasileira de oleo diesel nos últimos 12 meses totalizou 11,7 milhões de toneladas, um recorde histórico; deste total, os EUA forneceram 79% em 2017/18.

O brutal aumento da importação brasileira de óleo diesel apenas se explica pela decisão entreguista do governo Temer, sob pressão da Lava Jato, de paralisar a produção de nossas próprias refinarias. A bem da verdade, a paralisia do parque nacional de refino já vinha acontecendo desde 2014, com o início da operação Lava Jato, cujas ações, disseminando-se por todos os órgãos de controle, pareciam ter como objetivo exatamente esse: paralisar, suspender ou cancelar todos os projetos nacionais de ampliação da nossa capacidade de refino de petróleo.

O país fornecedor que mais se beneficiou, de longe, desse aumento da demanda brasileira por óleo diesel (e derivados de petróleo em geral) foi, naturalmente, os Estados Unidos.

Simultaneamente ao aumento da importação brasileira de óleo diesel, as refinarias norte-americanas começaram a aumentar, muito rapidamente, as suas vendas para o Brasil, ampliando seu market share.

A participação das refinarias norte-americanas na importação brasileira de oleo diesel passa de 42% há dois anos, antes do golpe, para quase 80%, nos últimos 12 meses.

As exportações norte-americanas de óleo diesel para o Brasil totalizaram 9,29 milhões de toneladas, nos últimos 12 meses, e geraram, para os EUA, quase US$ 5 bilhões, um aumento (em valor) de 101% sobre o ano anterior.

Sempre é bom lembrar que o juiz Sergio Moro, em 2015, rodava o país fazendo palestras em que dizia que os projetos de construção de refinaria no Brasil não eram uma boa ideia. Moro votava um ódio particular à Abreu e Lima, cuja construção a Lava Jato não conseguiu evitar, porque já estava adiantada quando a operação começou. A Lava Jato conseguiu apenas atrasar o máximo que pode o início de sua operacionalização. Em suas palestras, Moro dizia que delatores da Lava Jato lhe haviam dito que, segundo se comentava nos corredores da Petrobras, a Abreu e Lima “não se pagava”.

Bem, em cinco anos, o Brasil importou quase US$ 30 bilhões apenas em óleo diesel. Se somarmos o que gastamos na importação de gasolina, nafta, ureia e outros derivados de petróleo, esse número pode triplicar para US$ 90 bilhões, o que dava para construir uma dúzia de Abreus e Lima.

Somente as refinarias norte-americanas, e considerando somente a exportação de óleo diesel, ganharam cerca de 50 bilhões de reais do Brasil, nos últimos cinco anos.

Vale a pena financiar um golpe, não?

 

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Bolhas, bitcoin e geopolítica, por Bruno Galvão dos Santos https://www.ocafezinho.com/2017/12/20/bolhas-bitcoin-e-geopolitica-por-bruno-galvao-dos-santos/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/20/bolhas-bitcoin-e-geopolitica-por-bruno-galvao-dos-santos/#comments Wed, 20 Dec 2017 18:38:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=82402 4 Comentários 🔥]]> Bolhas, bitcoin e a geopolítica do quantitative easing

Por Bruno Galvão dos Santos*, colunista do Cafezinho

Todo mundo tem falado da febre do bitcoin. Também pudera ele é o maior fenômeno de enriquecimento já visto. Ele já chegou a valer menos do que US$ 1 há poucos anos e atualmente seu valor já superou US$ 20 mil. Do nada os detentores do bitcoin possuem hoje cerca de US$ 300 bilhões, ou R$ 1 bilhão de reais. Em termos de comparação, esse valor é superior ao valor de mercado somado de três gigantes e tradicionais empresas dos EUA: Ford (US$ 50 bilhões); GM (US$ 58 bilhões) e GE (US$ 154 bilhões). Garotos bem jovens sem nenhum esforço conseguiram o sonhado por muitos yuppies ficar multimilionário antes de 30 anos de idade, detendo apenas um punhado de bitcoins. Já no início deste ano, o bitcoin era visto como uma bolha prestes a estourar. Mas, desde, então, o bitcoin valorizou inacreditáveis 1751%!

Diferente da grande maioria dos outros ativos financeiros – de ações e títulos a imóveis –, o bitcoin não gera fluxo de caixa ou juros. Paradoxamente, essa é a grande força da especulativa da valorização do bitcoin. Dessa forma, não há um preço justo para o bitcoin, pode ser 1 centavo ou 1 milhão. Por exemplo, considerando uma taxa de desconto real de 0,5% ao mês, o valor justo de um imóvel seria de 200 vezes o preço do aluguel. Numa bolha especulativa de imóvel, podem-se argumentar diversas coisas para justificar um acentuado aumento do valor do imóvel: i) a taxa de desconto real de 0,5% ao mês, o que significaria 6% ao ano, é muito elevada; ii) a escassez de terrenos nas áreas urbanas provocará um inevitável e forte aumento do valor do preço do aluguel. Com essas crenças os preços dos imóveis podem valer 500 ou até mil vezes o valor do aluguel atual. De fato, os preços dos imóveis no Brasil multiplicaram em média 3 a 4 vezes em poucos anos. Com muitos imóveis tendo uma valorização bem acima dessa média.

Contudo, com os preços dos imóveis “lastreados” na expectativa de fluxo de caixa do futuro descontado pela taxa de juros esperada, há um limite razoavelmente rígido para a especulação dos ativos. O mesmo ocorre com as ações, cujo preço seria determinado pela expectativa de recebimento dos dividendos no futuro. Da mesma forma que os imóveis, as ações podem sofrer uma onda especulativa com a expectativa de redução dos juros ou de forte aumento dos lucros e dividendos da empresa. Em empresas de setores tradicionais, já consolidados, o volume de capital e o histórico de lucro da empresa tendem a ser um preditor razoável de fluxo de caixa futuro.

Por outro lado, empresas de setores novos, tanto o capital quanto o lucro atual não oferecem uma base para estimativa de lucros futuros. Por exemplo, os casos de empresas, como Google e Facebook, que começaram com relativamente pouco capital, têm lucro de dezenas de bilhões de dólares anuais. A grande dificuldade de criar uma base objetiva para estimar lucros das novas empresas de tecnologia torna a atual explosão do preço do bitcoin comparável com a bolha das empresas de internet no começo dos anos 2000. Empresas da chamada “nova economia” prometiam lucros enormes, muito maiores do que o valor de seu capital ou do lucro presente. A grande maioria delas mostrou-se uma miragem. Contudo, as mais bem sucedidas renderam lucros fantásticos aos seus primeiros investidores.

Outro fator em comum entre a atual valorização do bitcoin e a bolha da internet é que ambos foram períodos de forte valorização de ativos financeiros tradicionais. Desde a criação do Bitcoin, o índice Dow Jones triplicou. Valorização parecida teve o índice do Dow Jones antes da bolha da internet. Naquele período, o motivo da valorização das ações de empresas tradicionais dos EUA foi o forte crescimento da economia dos EUA. Enquanto a valorização atual pode ser explicada principalmente pelo que pode ser denominado de “políticas monetárias competitivas”, os bancos centrais mantem políticas super-expansionistas para impedir a valorização de suas moedas.

O FED, o banco central dos EUA, inovou inicialmente com o quantitative easing, política de compras de títulos públicos de longo prazo com o objetivo de reduzir diretamente a taxa de juros de longo prazo da economia. Isso contrariava e continua contrariando os manuais de macroeconomia, que postulam que os bancos centrais atuam na taxa de juros, indiretamente, por meio de determinação da taxa de juros de curto prazo.

Embora recomendado por economistas heterodoxos, desde os anos 30, como Michael Kalecki, o quantitative easing era algo tão “ousado” pelos economistas atuais que não era nem previsto pelos economistas tradicionais, nem para condenar. Até um dia antes do FED iniciar essa política, simplesmente consideravam que o quantitative easing sequer existia como hipótese.

Herdando o conservadorismo do Bundesbank, o Banco Central Europeu (BCE), até então, pecava sempre pelo excesso de cautela. Contudo, a forte crise da periferia da Zona Euro não deixava muitas alternativas ao BCE. Em 2012, a desintegração da Zona Euro parecia iminente. Era importante para os euroburocratas castigar a Grécia, mas não a tão ponto que ela decidisse por sair da Zona Euro, para fingir rigor enquanto salvavam heterodoxamente bancos e outros países europeus. Era preciso que a Grécia e seu povo fosse o bode expiatório para expiar os pecados de toda Europa e os pecadores fossem salvos pelas políticas keynesianas frouxas que eles no mesmo momento negavam aos gregos. Um povo foi sacrificado para manter-se as aparências de austeridade neoliberal enquanto os culpados se esbaldavam com dinheiro fácil para cobrir as apostas insanas dos bancos feitas antes da Grande Crise de 2008.

Para isso, desde então, o BCE adotou com grande discrição importantes inovações heterodoxas em sua política, quantitative easing, a compra de centenas de bilhões de euros de títulos privados e a máxima aberração para os economistas neoliberais: a taxa de juros negativa.

Além disso, essa política tem um efeito: i) aumentar bastante a competitividade da economia europeia, ao elevar a cotação da moeda dos EUA e da China em comparação ao euro em cerca de 30%; ii) fazer com que credores passassem a pagar um pedágio (juros negativos) para poder emprestar para governos europeus, notadamente a Alemanha.

O Japão como bom aluno aprendeu rápido com os europeus. O país, que sofre há três décadas os efeitos da superapreciação da sua moeda, elegeu em 2012 um primeiro-ministro disposto a fazer quantitative easing bem mais forte que o do Fed e com isso provocar desvalorização de sua taxa de câmbio, ajudando a aumentar a competitividade, as exportações e a inflação do país.

O Banco Central suíço adotou o nível de taxa de juros mais negativo já registrado de modo a minimizar as pressões para a valorização de sua moeda. Outros bancos centrais do continente europeu, como o da Dinamarca e da Suécia, também têm adotado taxas de juros negativas. Alias, o Banco Central sueco tem sido claro que, apesar da taxa de inflação e de crescimento elevadas, manteria as taxas de juros negativas até o BCE mudar sua política. Há uma completa interligação das políticas dos bancos centrais; todos temendo aumentar a taxa de juros antes dos outros, para desespero dos rentistas europeus.

Essas três políticas dos bancos centrais – quantitative easing, taxa de juros nominais negativas e compras em grande quantidade de títulos privados – só poderiam estimular as mais loucas bolhas especulativas, pois acabaram com a rentabilidade de investimentos tradicionais já arriscados como títulos de longo prazo e ações. Com essas taxas de juros incrivelmente baixas, todos os gatos são pardos e até investimentos lunáticos parecem atraentes.

A explosão dos preços do bitcoin e de outras criptomoedas deve ser entendida no contexto de busca desesperada de investidores por algo que pareça rentável. Tal como ocorreu com o subprime, a bolha da internet e outras bolhas, essa caça por rendimentos elevados em criptomoedas certamente não resultará em um final feliz. E quanto mais tempo demorar pela correção maior será a queda. Não dá para saber quando será, mas certamente não passará do momento em que os juros americanos voltarem a subir, o que pode demorar alguns anos, se o Trump conseguir valer o discurso super protecionista e pró Guerra Econômica que ele fez esta semana. Enquanto prevalecer a Guerra Econômica, os juros continuarão baixíssimos e a maioria das bolhas continuará inflando, o que pode ser um alento para os imprudentes entusiastas do enriquecimento fácil que apostam na bitcoin próxima ao número mágico dos 100 mil dólares. Nas atuais circunstâncias geopolíticas, podemos dizer que isso realmente não é impossível, pois o precipício dos ativos ainda parece que não está perto, mas podemos garantir que quando chegar, a queda será realmente catastrófica para os eufóricos…

Dicas de investimento da semana

O cenário não mudou. Mantemos as recomendações da semana passada.

E não recomendamos a compra de Bitcoins. É a bolha mais evidente das políticas de quantitive easing, que ainda devem durar alguns anos na Europa e Japão. Algumas bolhas não devem durar tanto.

* Doutor em economia.

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https://www.ocafezinho.com/2017/12/20/bolhas-bitcoin-e-geopolitica-por-bruno-galvao-dos-santos/feed/ 4
Por que taxas de juros em países desenvolvidos desafiam dogmas neoliberais? https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/por-que-taxas-de-juros-em-paises-desenvolvidos-desafiam-dogmas-neoliberais/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/por-que-taxas-de-juros-em-paises-desenvolvidos-desafiam-dogmas-neoliberais/#comments Tue, 12 Dec 2017 18:52:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=82088 19 Comentários 🔥]]> (Estocolmo, Suécia)

O Cafezinho tem a honra de anunciar o seu mais novo colunista, o economista Bruno Santos, que se propôs a escrever uma coluna semanal sobre economia e investimentos, sempre trazendo boas dicas sobre como e onde investir o seu dinheiro.

No texto de hoje, Santos explica que algumas regras neoliberais, apesar de populares nas economias desenvolvidas, não são aplicadas nestes países.

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Banco Central Sueco: um exemplo para o Brasil

Por Bruno Santos, doutor em economia pela UFRJ, colunista do Cafezinho

É notável o contraste entre o conservadorismo cego do Banco Central do Brasil e a ousadia em defender os interesses nacionais do Banco Central Sueco.

As duas principais variáveis que um Banco Central tradicionalmente olha para definir sua taxa de juros são inflação e taxa de crescimento econômico.

A inflação da Suécia está entre as maiores dos países desenvolvidos. Desde o início do ano, ela tem ficado próximo da meta de 2%, tendo superado a meta em três meses seguidos. A taxa de crescimento econômico da Suécia está entre as mais elevadas dos países desenvolvidos, superando EUA, Japão, seus vizinhos nórdicos e as principais economias da Europa.

Nos últimos 3 anos, a taxa média do crescimento do PIB da Suécia foi de 3,5% a.a. Deve-se ressaltar que a Suécia já é um país muito rico e de baixo crescimento populacional, o que faz com que não seja necessário rápido crescimento econômico para a superação do atraso.

Gráfico 1
Taxa crescimento de médio anual do PIB dos últimos três anos

Fonte: FMI.

Apesar do crescimento econômico acelerado e da inflação em ascensão, o Banco Central da Suécia mantem inalterada as taxas de juros nominais negativas em -0,5%. Isso significa que os credores pagam para emprestar dinheiro para o governo. No final do empréstimo, o credor terá menos dinheiro do que ele emprestou.

As taxas de juros nominais negativas são muito estranhas tanto para leigos quanto economistas. Por que um investidor emprestaria para ter menos dinheiro do que emprestou? Ou seja, além de perder para a inflação o devedor ainda retém mais um tanto do valor principal depois do dinheiro ficar parado com ele por um ano.

Os economistas ensinaram por séculos que isso era algo impossível de acontecer, pois, pela teoria, o credor iria preferir manter o dinheiro em caixa a emprestar caso isso ocorresse.

Os neoliberais, que são aproximadamente 90% dos economistas, fingem que os juros negativos não existem. Como são muito preocupados com o lucro dos bancos, e em “estimular a poupança com juros compensadores”, eles defendem inclusive que os juros não podem jamais ficar abaixo da inflação, que na Suécia é de 2%.

Só que metade da Europa tem juros nominais negativos, ou seja, é melhor guardar dinheiro no colchão do que aplicar em títulos públicos. Mas mesmo assim, os investidores compram montanhas de títulos públicos já previamente sabendo que perderão um bom dinheiro com isso. Os neoliberais fingem que isso não está acontecendo, os keynesianos não entendem também, porque Keynes dizia que seria quase impossível a taxa de juros ficar por muito tempo abaixo de 2% ao ano.

Não há uma teoria formada ainda, mas tem uma explicação. Para grandes investidores é inviável manter todo seu dinheiro no colchão. Quem tem 1 bilhão de coroas suecas vai guardar o dinheiro onde? Como vai custar a segurança privada para guardar todo esse dinheiro? Muito caro e perigoso, não é? Para quem quer manter ativos denominados em coroas suecas, terá que aceitar ter que pagar para por o dinheiro no banco ou em títulos públicos, ou construir um Fort Knox e ter um exército privado só para manter esse dinheiro. O governo da Suécia, Suíça e diversos outros países europeus e o Japão estão se aproveitando disso para impor uma taxa de juros negativa sobre seus credores em benefício de seus povos. Imagina se o governo brasileiro que paga taxas de juros extorsivas para os bancos souber disso…

Essa política de meta de taxa de juros nominais negativa faz parte de um conjunto de inovações recentes e radicais da política monetária, que os Bancos Centrais dos países ricos fizeram para lidar com o baixo crescimento econômico após a crise internacional de 2008. Depois que deu certo, parece que gostaram da ideia de não pagar mais juros em títulos de curto prazo.

Aliás, pagar juros parece que está saindo da moda, as cripto moedas não pagam juros e estão com uma demanda tão alta que seus preços não param de subir. Esse vai ser o tema do próximo artigo, “A bolha do bitcoin e as políticas monetárias competitivas”.

Voltando ao assunto do artigo de hoje: por que o Banco Central da Suécia mantêm uma política que deveria valer para apenas casos excepcionais de profunda depressão e deflação, em um momento em que a economia sueca vive um período de forte aquecimento econômico, com uma inflação considerada elevada para os padrões dos países desenvolvidos?

Em primeiro lugar, porque, ao contrário do Brasil, para o Banco Central Sueco, os interesses nacionais do país são muito mais importantes do que seguir dogmas econômicos, recomendações dos manuais de macroeconomia, ou o interesse dos rentistas.

Corretamente, o Banco Central Sueco teme que a aproximação de uma taxa de juros nominais próxima de zero pode provocar uma forte valorização da sua moeda com consequências negativas para a competitividade da economia e para as suas exportações. Só economistas neoliberais do Brasil acham que devem proteger os investidores estrangeiros antes de proteger sua economia e seus empregos.

Guia de investimento da semana

Estratégia de curto prazo
Com a forte liderança do Lula nas pesquisas, provavelmente, no ano que vem, deve acontecer especulação e manipulação financeira parecida com a da eleição do Lula em 2002 e com o governo Dilma antes do impeachment. Nessa perspectiva, é bom manter os investimentos em títulos públicos pós fixados – Tesouro Selic (LFT) – ou na poupança mesmo para ter dinheiro para aproveitar a liquidação de ativos com preços extremamente baixos no ano que vem. Nos últimos 30 anos, os melhores períodos para investir em títulos públicos de longo prazo e em ações foram após a extrema especulação contra o Lula em 2002 e contra a Dilma em 2015 e em 2016. O melhor momento para investir em ativos arriscados será logo após a eleição de Lula. Agora é hora de ativos sem riscos.

Estratégia de longo prazo
Abstraindo as turbulências eleitorais, para investimentos de longo prazo, vale a pena a compra de títulos públicos de longo prazo indexados à inflação para aproveitar a irracionalidade das altíssimas taxas de juros reais de longo prazo do Brasil. Se, no futuro, surgir um Banco Central minimamente honesto ou racional, ou seja, que entenda que não há motivo para que a taxa de juros brasileira seja tão maior que a internacional, os títulos de longo prazo aumentarão substancialmente.

O título público preferido dessa análise é Tesouro IPCA + 2045 (NTNB Princ.), que é o título cujo preço mais irá subir, quando a taxa de juros real do Brasil se aproximar do padrão internacional. Talvez no início da próxima década.

Dica:

A não ser que você tenha pouco dinheiro para investir, vale a pena abrir uma conta em uma corretora que não cobra corretagem ou que tenha baixo custo de corretagem para a compra e a venda de títulos públicos.

No link abaixo, você poderá ver quais são as corretoras que não têm custo de corretagem. Você verá que os maiores custos de corretagem são de bancos, que exploram a praticidade de compra para os clientes e o medo irracional deles de realizarem essas negociações por meio de corretoras. Em relação ao medo, o investidor não precisa temer isso, pois, ao comprar títulos públicos por essas corretoras credenciadas, o investidor não tem qualquer risco, mesmo se a sua corretora quebrar. Acho que uma boa comparação é com a compra do seu apartamento. Se você comprou um apartamento por uma corretora de imóvel, esse imóvel continuará sendo seu mesmo se essa corretora quebrar.

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas

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Golpe promove reconcentração brutal de renda https://www.ocafezinho.com/2017/09/12/golpe-promove-reconcentracao-brutal-de-renda/ https://www.ocafezinho.com/2017/09/12/golpe-promove-reconcentracao-brutal-de-renda/#comments Tue, 12 Sep 2017 14:36:53 +0000 https://ocafezinho.com/?p=78695 2 Comentários 🔥]]> A nossa tese se confirmou.

O modesto crescimento do consumo das famílias, detectado pelo IBGE e festejado pelo governo federal como grande vitória, porque evitou maiores queda no PIB, foi na verdade o resultado de um processo abrupto e brutal de reconcentração de renda.

A renda das famílias mais ricas, que ganham mais de 17 mil reais ao mês cresceram 10% enquanto a das classes D e E caíram 3%.

O Valor (leia-se Globo) dá a notícia como se fosse a coisa mais normal do mundo.

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Investimentos estrangeiros concentram-se na privatização do transporte, água e eletricidade https://www.ocafezinho.com/2017/08/30/investimentos-estrangeiros-concentram-se-na-privatizacao-do-transporte-agua-e-eletricidade/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/30/investimentos-estrangeiros-concentram-se-na-privatizacao-do-transporte-agua-e-eletricidade/#comments Wed, 30 Aug 2017 20:50:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=78056 6 Comentários 🔥]]> O Brasil no mercado das almas

A Folha publica hoje uma reportagem sobre empresas brasileiras, vendendo às pressas seus mais valiosos ativos, por causa da Lava Jato. Tudo é visto como positivo, inclusive a virada nos investimentos. Antes, o capital internacional vinha, em sua maioria, para a indústria. Hoje, vem para o setor de serviços públicos: eletricidade, transporte, tratamento de água.

“Os serviços captaram 66% desse total, bem acima do atraído pela indústria (28%) e pelo agronegócio (6%).Há apenas dois anos, quando os ingressos estrangeiros no setor produtivo estavam no mesmo nível, a indústria ficou com a maior parte desses recursos (60%), e os serviços captaram apenas 30%”, diz a matéria.

Um outro trecho da matéria mais desinforma do que informa:

“Por país, o ranking do Banco Central mostra que os EUA responderam por 27% das transações ocorridas até julho, seguido por um grupo curioso que reúne Países Baixos, Ilhas Virgens Britânicas e Luxemburgo”.

A matéria não informa as mudanças nessas participações sobre o ano anterior. A observação sobre um “grupo curioso” dos Países Baixos, Ilhas Virgens e Luxemburgo não me parece muito informativa. Um dos entrevistados pela matéria diz uma coisa igualmente “curiosa”:

Andrade diz que esses países se encontram no topo da lista porque oferecem, legalmente, benefícios fiscais para que empresas transitem por eles. São lugares de passagem, mas acabam entrando no levantamento do BC como a origem dos recursos.

O tal Andrade usou palavras delicadas para se referir a paraísos fiscais, onde se concentra o grosso do dinheiro sujo no mundo, que ali encontra maneiras de ser “lavado”.

O “feirão” Brasil, então, será uma ótima oportunidade para que esses recursos, hoje em risco por causa do aumento do cerco internacional à lavagem de dinheiro, sejam legalizados.

Não creio, porém, que será muito vantajoso para o Brasil ser comprado por grupos internacionais especializados em lavagem de dinheiro.

O Cafezinho foi atrás dos números.

Como se vê, os EUA elevaram em 165% o volume de investimentos no Brasil, fazendo sua participação, que era de 13,7% em 2016, saltar para 27% em 2017.

França e Itália também elevaram seus investimentos no país.

Abaixo, a tabela mostra que setores, especificamente, estão atraindo o interesse dos investidores.

O grosso é o setor de serviços, que respondeu por 66% dos investimentos. Mas o setor de serviços é amplo: inclue tecnologia, entretenimento, etc. Mas nada disso interessou aos estrangeiros.

O interesse deles se concentrou no serviço público de transporte, eletricidade e água. 53% dos investimentos estrangeiros em serviços foram destinados para esses três setores.

São áreas onde há monopólio (ou seja, não há concorrência) e, com um pouco de lobby, pode-se elevar as tarifas até o limite do suportável pelo povo sem produzir revolta popular.

É uma situação fortemente favorável à corrupção, porque teremos setores privados, desesperados por lucro, tomando conta de serviços essenciais cujos preços são determinados pelo setor público.

 

 

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É o petróleo, estúpido! https://www.ocafezinho.com/2017/08/14/o-oleo-diesel-e-o-golpe-multinacionais-americanas-ja-controlam-quase-90-da-importacao-brasileira-de-oleo-diesel/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/14/o-oleo-diesel-e-o-golpe-multinacionais-americanas-ja-controlam-quase-90-da-importacao-brasileira-de-oleo-diesel/#comments Tue, 15 Aug 2017 01:58:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77377 16 Comentários 🔥]]> Hoje eu me deparei com um texto no blog do Nassif, assinado pelos economistas Leonardo Guerra e Günther Borgh, comentando a tal “conta petróleo”, que teria ficado positiva nos primeiros sete meses do ano. Fui pesquisar melhor o assunto e vi que essa conta-petróleo é um dado que a imprensa brasileira vem divulgando sem oferecer mais detalhes ao público e sem pedi-lo também ao governo.

No sistema Alice, o banco de dados oficial do Ministério da Indústria e Comércio Exterior, aberto e público, não encontrei nenhum superávit.

Ao contrário, no item 27, que inclui todos os itens de combustíveis minerais (petróleo, derivados, gás), há um pequeno déficit de 53 milhões de dólares. O déficit caiu muito sobre o ano anterior, mas ainda é um déficit.

No item plásticos, por sua vez, há déficit de mais de 1 bilhão de dólares.

Se alguém me informar onde posso encontrar mais detalhes sobre a tal conta-petróleo, ficarei grato.

Enquanto isso, vamos analisar outras coisas.

Analisando os dados de comércio exterior, achei coisas muito interessantes. É uma pena que a imprensa brasileira seja tão ruim. Sua obsessão eterna por conspirações judiciais, agenda única no Brasil desde 2006, não ajuda muito a criar uma atmosfera de interesse por debates, artes e negócios.

Os brasileiros talvez ficassem contentes em ser informados sobre a sua própria economia, ao invés de serem marionetes de golpes de Estado.

Além disso, tal “conta-petróleo” é uma simplificação. É mais interessante saber quais países exportaram petróleo e derivados ao Brasil, quais importaram nosso petróleo, quais derivados exatamente a gente comercializa, etc, informações que a imprensa brasileira, por preguiça pura, sonega a seus leitores.

O Cafezinho tentará suprir essa lacuna.

O principal derivado de petróleo importado pelo Brasil é o óleo diesel. Na verdade, é o produto que mais pesa, de longe, em nossa balança comercial.

Nos primeiros sete meses de 2017, o Brasil importou 2,8 bilhões de dólares em óleo diesel.

Já na exportação, o Brasil obteve uma performance formidável nos últimos sete meses: exportou 10,76 bilhões de dólares em óleo bruto de petróleo, um aumento de 117,9% sobre o ano anterior.

Qual o país que mais elevou suas compras de petróleo brasileiro? Os Estados Unidos. O Tio Sam importou 1,6 bilhão de dólares de petróleo bruto brasileiro, nos sete primeiros meses do ano, 181% a mais que no ano anterior. Em volume, as importações norte-americanas do petróleo bruto nacional cresceram 94%, um aumento maior que o registrado pelas importações chinesas.

Os EUA estão aumentando suas compras de nosso petróleo bruto, o qual refinam, industrializam e nos revendem a preços muito mais elevados.

O petróleo bruto tornou-se o terceiro item da nossa pauta de exportação, depois da soja e da carne.

Entretanto, os Estados Unidos não iriam deixar que o Brasil invadisse impunemente aquele que ainda é o seu principal negócio: o petróleo.

Ainda mais agora, que eles voltaram a ser os maiores exportadores mundiais de derivados  e precisam de mercados em expansão. Foi isso que a Lava Jato, em primeiro lugar, e o governo Temer, em segundo, ofereceram aos americanos: um grande mercado cativo para as multinacionais ganharem dinheiro com a venda de derivados, em especial o óleo diesel, cujo mercado os próprios americanos construíram no Brasil, ao orientarem nossa política de infra-estrutura, durante o regime militar, para que desinstalássemos nossas ferrovias e vinculássemos todo o nosso sistema de transportes ao uso de caminhões de carga.

 

 

Na tabela abaixo, eu listei os principais produtos norte-americanos exportados para o Brasil. A maior parte deles são derivados de petróleo.

Em primeiro lugar, está o Óleo Diesel, principal combustível usado no transporte de cargas no país. Também é um dos principais combustíveis usados nas chamadas Usinas Termoelétricas…

E agora a principal surpresa: o óleo diesel, nos últimos anos, tinha participação em torno de 7% nas exportações dos EUA para o Brasil.

Em 2017, porém, essa participação pula para 16,5%.

O óleo diesel exportado para o Brasil é o principal produto da ExxonMobil e Chevron, multinacionais norte-americanas que já tinham forte influência no governo Obama e que, na administração Trump, ocupam os principais cargos do Executivo.

Elas são as principais ganhadoras do novo cenário político e econômico do Brasil pós-Lava Jato e pós-golpe.

As exportações de óleo diesel dos EUA para o Brasil experimentam um crescimento muito forte a partir de março de 2016. No acumulado de sete meses de janeiro a julho, bateram um recorde histórico para o período: US$ 2,4 bilhões.

Os EUA estão controlando as importações brasileiras de óleo diesel de uma maneira impressionante. Segundo dados oficiais, este valor representou 86% de todas as importações brasileiras de óleo diesel (gráfico no alto do post). E isso ao mesmo tempo que o governo brasileiro determina que as refinarias nacionais tenham o seu índice mais baixo de produção de derivados.

 

 

 

Seguem outras curiosidades que encontrei no banco de dados de comércio exterior do governo.

China e EUA foram responsáveis por 36% das exportações brasileiras, em valor, e por 51,7% delas, em quantidade.

Apenas a China respondeu por 47% das exportações brasileiras, em quantidade. Isso acontece porque a China importa os nossos produtos mais pesados, como soja, ferro e petróleo.

Outro dado impressionante é que o trio soja, ferro e petróleo respondeu por 79% do volume exportado pelo Brasil em jan/jul de 2017.

 

Observe que o aumento do volume das exportações foi extremamente concentrado no trio soja-ferro-petróleo. Os outros produtos, somados, registraram queda de 10% na exportação deste ano.

 

 

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https://www.ocafezinho.com/2017/08/14/o-oleo-diesel-e-o-golpe-multinacionais-americanas-ja-controlam-quase-90-da-importacao-brasileira-de-oleo-diesel/feed/ 16
“Recuo” do governo sobre impostos é a volta dos que não foram https://www.ocafezinho.com/2017/08/09/recuo-do-governo-sobre-impostos-e-a-volta-dos-que-nao-foram/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/09/recuo-do-governo-sobre-impostos-e-a-volta-dos-que-nao-foram/#comments Wed, 09 Aug 2017 12:32:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77088 32 Comentários 🔥]]> [A análise abaixo é uma versão ampliada do Cafezinho Spoiler de hoje, nossa newsletter diária enviada por email e/ou whatsapp. Para assinar, clique aqui. Por enquanto é grátis.]

A manchete do Globo de hoje é o exemplo do exercício ficcional que se tornou o jornalismo brasileiro. O governo “recuou” de uma decisão que não havia tomado, sobre elevação das alíquotas do imposto de renda.

Com isso, a mídia produz um factoide político que ajuda o governo. Na falta de notícias boas, inventa-se uma notícia ruim que depois é “cancelada”. A questão dos impostos, porém, não é debatida. Os jornais colhem alguns lugares comuns da boca de lideranças políticas, empresariais e sindicais, e o assunto é enterrado.

A imprensa nacional mantém o cidadão brasileiro absolutamente desinformado sobre o que acontece no resto do mundo. É evidente que um governo sem legitimidade não pode elevar impostos – esse é o problema central.

Mas é preciso mostrar ao brasileiro como fazem outras nações. Ora, não se admite sequer que se façam estudos sobre a questão tributária no país? Como assim? A questão tributária, que deveria ser o assunto mais debatido pela população, é deliberadamente abafada pela imprensa que se diz “livre” e “independente”.

É melhor mesmo iniciar outra etapa da Lava Jato…

Hoje em dia, as informações são fáceis de obter. Basta consultar o Google. É o tipo de informação que vale a pena ver no Wikipédia, por exemplo: um ranking internacional, por país, do imposto de renda, com colunas para alíquotas máximas.

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_tax_rates

Aí você verá que os países mais ricos do mundo, como Inglaterra, EUA, Suécia, Alemanha, França, Canadá, Áustria, tem alíquotas máximas bastante elevadas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a alíquota máxima é de 53% da renda do indivíduo, na soma dos impostos federais e locais. Considerando apenas os impostos federais, a alíquota máxima nos EUA é de 40%.

Na Inglaterra, a alíquota máxima é de 62% em alguns casos, porém o nível mais comum é de 45% para pessoas com rendimento anual superior a 150 mil libras.

No Japão, a alíquota máxima é de 50% e a taxa sobre o consumo é fixada em 8%.

No Brasil, a alíquota máxima é de 27,5%. É uma das mais baixas do mundo. O consumo, por outro lado, tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, de 17% a 25%. É a maneira que os ricos do Brasil encontraram de transferir a carga para o lombo dos mais pobres.

Entretanto, como pode o governo vir agora falar em elevação de tributos, se ele acaba de conceder isenção e perdão tributárias de dezenas de bilhões de reais para latifundiários?

Há ainda a questão dos impostos que incidem sobre lucros e dividendos das empresas. Esse é outro assunto proibido na imprensa brasileira.

O Banco Mundial oferece um banco de dados bastante completo sobre carga tributária média nos principais países, incluindo num só cálculo todos os tipos de impostos e tributos aplicados a renda, lucros e ganhos de capital.

Segundo essa metodologia do Banco Mundial, os países mais ricos do mundo, EUA à frente, registram as mais altas cargas tributárias.

O percentual médio de tributos pagos sobre renda, lucros e ganhos de capital, nos EUA, vem crescendo substancialmente desde 2009, e já estão em 54,6%, um nível que só é superado, no mundo, pela Austrália.

O gráfico mostra que os problemas fiscais do Brasil estão relacionados com a contínua queda da carga desde o mesmo ano de 2009. Ou seja, enquanto os EUA iniciaram um movimento de recuperação fiscal, elevando os tributos, o Brasil foi na direção contrária.

Entretanto, um movimento de recuperação fiscal no Brasil só teria sentido se houvesse um debate sério, transparente, plural, sobre a questão tributária. Para isso, precisaríamos de uma imprensa democrática, o que não temos. A nossa imprensa serve para omitir, mentir, esconder dados, de maneira a impedir que os brasileiros consigam debater as questões fundamentais da democracia com um mínimo de autoconfiança.

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Carne perde participação nas exportações brasileiras https://www.ocafezinho.com/2017/08/06/carne-perde-participacao-nas-exportacoes-brasileiras/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/06/carne-perde-participacao-nas-exportacoes-brasileiras/#comments Sun, 06 Aug 2017 11:09:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76954 2 Comentários 🔥]]> [maxbutton id=”1″ ]

A Operação Carne Fraca, iniciativa irresponsável dos mesmos núcleos jurídicos da Lava Jato curitibana, planejada provavelmente como mais um ataque contra o governo Dilma (veio à tôna quando Dilma já fora derrubada pelo golpe, então acabou sendo usada para outros fins, mas sempre com objetivo de desestabilizar o país), produziu um efeito dramático sobre as exportações brasileiras de carne nos últimos quatro meses.

As exportações de alguns tipos de carne, como as de peru, sofreram queda de mais de 40%, de abril a julho deste ano, na comparação com igual período de 2016.

No conjunto das exportações brasileiras, as carnes perderam posição: saíram de um firme terceiro lugar, que vinham ocupando nos últimos anos, atrás apenas de soja e minérios, para o sexto lugar no ranking. Em 2016, respondiam por 6,68% das exportações brasileiras. Este ano, por apenas 5,9%.

Entretanto, há uma diferença fundamental entre a soja, minérios e carnes: o valor agregado. Enquanto nossos minérios são exportados por um valor médio de 53 dólares a tonelada, nossas carnes são vendidas lá fora por mais de 2 mil dólares a tonelada.

O alto valor agregado da carne é o que a torna um produto de maior concorrência no mercado internacional.

No total dos últimos 4 meses, as exportações brasileiras de carne caíram 8,5% em quantidade. É uma queda substancial, sobretudo considerando que nosso principal concorrente, os EUA, vem aumentando rapidamente suas exportações.

Segundo a Federação Estadunidense de Exportadores de Carne (USMef), as exportações de carne bovina dos EUA cresceram fortemente nos últimos anos. Na verdade, os EUA voltaram a ficar em primeiro lugar no ranking mundial de exportação de carne bovina desde alguns anos.

Em 2016, segundo o Comtrade, banco de dados da ONU, os EUA exportaram o equivalente a US$ 14 bilhões em carnes de todos os os tipos, o que representou 14% do total global, enquanto as vendas brasileiras geraram US$ 12,65 bilhões, ou 12,5% do total.

Brasil e EUA disputam diretamente o mercado de carne. Ambos buscam os mesmos mercados. Qualquer mercado perdido pela carne brasileira é imediatamente conquistado pela carne dos EUA.

 

Quando olhamos apenas para o mercado de carne bovina, vê-se que os EUA aumentaram suas exportações, de 2007 a 2016, em 142% em receita e 54% em quantidade, enquanto o Brasil, no mesmo período, registrou aumento de receita de 32% e queda de quantidade de 19%.

Observe que, no ano de 2014, Brasil e EUA registraram números recordes de receita de exportação de carne bovina.

Ambos se beneficiaram do consumo per capita de carne bovina na China, que se multiplicou por quatro vezes dos anos 90 (quando era menos de 1 kg)  até os dias atuais (perto de 4 kg). Até 2025, segundo projeções da OECD, o chinês está consumindo um pouco mais de 4,5 kg de carne per capita.

Entretanto, o ritmo de crescimento do consumo chinês de carne caiu brutalmente a partir dos primeiros anos do novo milênio, chegando mesmo a cair em 2003. Em 2013, há um aumento pontual do consumo per capita chinês, o que explica o aumento das exportações de Brasil e EUA. Nos anos seguintes, as taxas voltam a cair e as projeções são de que permaneçam baixas até 2025.

 

 

 

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EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel https://www.ocafezinho.com/2017/07/18/eua-assumem-controle-de-83-da-importacao-brasileira-de-oleo-diesel/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/18/eua-assumem-controle-de-83-da-importacao-brasileira-de-oleo-diesel/#comments Wed, 19 Jul 2017 02:24:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76001 168 Comentários 🔥]]> Em agosto de 2015, o juiz Sergio Moro estava em plena campanha em favor do golpe. Dava palestras onde quer que lhe chamassem e suas decisões seguiam uma agenda estritamente conectada às forças de oposição que conspiravam para derrubar o governo Dilma.

No dia 31 daquele mês, Moro proferiu uma palestra com o tema “Corrupção sistêmica: as lições da operação Mãos Limpas”, num evento organizado pela editora Abril, em São Paulo.

O juiz responsável pela operação Lava Jato, então no auge de sua popularidade, explicava aos executivos que se dispuseram a pagar R$ 1.800 por um ingresso, o que, na sua opinião, eram investimentos não baseados em razões de “ordem econômica e racional”.

Como exemplo, ele cita a refinaria Abreu e Lima, lembrando que o custo inicial da obra, estimado em 2 bilhões de dólares, passara para 18 bilhões de dólares.

Moro conta que alguns “colaboradores” capturados pela Lava Jato lhe disseram que a obra jamais se pagaria.

Trajando seu tradicional terno preto, com uma expressão aflita no rosto, o juiz de Curitiba conclui que tudo isso “leva a uma natural suspeição: será que o fator de recebimento de propina não foi o agente motivador dessas decisões de investimento mal sucedidas?”

Neste mesmo evento, ele admitiu que a operação Lava Jato poderia causar transtornos a economia. Mas ele acreditava que, no longo prazo, o enfrentamento da corrupção sistêmica traria ganhos “às empresas” e “a economia”. Ele faz uma pausa e completa: “e a todos, de uma forma geral”.

Qualquer pessoa que estude um pouco o universo de refinarias, sabe que o escândalo em torno do custo da Abreu e Lima fez parte do processo de manipulação da opinião pública. O custo passou de 2 bilhões para 18 bilhões porque o projeto mudou completamente. Para começar, o custo inicial foi estimado em 2005, antes do descobrimento do pré-sal. O custo posterior refere-se a um projeto completamente diferente, após a descoberta pré-sal. Ninguém contou isso a Sergio Moro?

Se você fizer uma pesquisa na internet sobre o custo de se construir uma refinaria, verá que ele, naturalmente, é calculado de acordo com a sua capacidade de produção.

Uma reportagem publicada apenas uma semana depois da palestra de Moro, num jornal do Canadá, comentava que uma refinaria em Alberta, com capacidade para processar 50 mil barris por dia, teria um custo de construção de 8,5 bilhões de dólares.

A Abreu Lima deverá (ou deveria, antes do golpe) ter capacidade de processar, quando todas suas unidades estiverem em pleno funcionamento, 230 mil barris por dia. Ou seja, quatro vezes mais do que a refinaria canadense. Logo, deveria custar mais de US$ 24 bilhões.

Outra reportagem, publicada num jornal indiano, em julho do ano passado, fala que uma refinaria a ser construída na costa oeste do país, deverá custar mais de US$ 30 bilhões. Ela terá capacidade, segundo os planos das estatais responsáveis pelo projeto, de processar mais de 600 mil barris por dia. O custo é apenas uma estimativa, porque o governo ainda nem adquiriu as terras onde a refinaria será construída. O projeto é que a refinaria fique pronta em cinco ou seis anos a partir da aquisição das terras. Torçamos para que a obra não atrase, não custe muito mais do que o orçamento inicial, mas, sobretudo, que não apareça nenhum juiz indiano doido, megalomaníaco, que pretenda acabar com a corrupção na Índia através da destruição de sua indústria de petróleo.

O excelentíssimo Sergio Moro deveria se informar melhor. A Abreu e Lima, assim como qualquer outra refinaria que viesse a ser construída no Brasil, não devem ser vistas apenas em função de seu custo de construção.

O Brasil, ainda hoje, é altamente deficitário em óleo diesel, gasolina e derivados. Essa é uma das consequências do golpe de 1964. Moro não deve conhecer história. Se tivesse tido a curiosidade de ler alguns livros, saberia que o golpe de 64 foi patrocinado pelos americanos com o objetivo de assumir o controle sobre algumas orientações básicas da nossa política econômica. Era necessário, por exemplo, que a nossa estrutura de transporte fosse inteiramente baseada em rodovias. Como não tínhamos petróleo, muito menos refinarias importantes, teríamos que importar grandes quantidades de óleo diesel dos principais países exportadores, em especial os Estados Unidos.

Outra coisa que o senhor Moro parece não entender: o preço do diesel, principal combustível de nossa frota de caminhões, é um componente determinante na composição dos preços de produtos alimentícios vendidos no mercado interno brasileiro.  Ter refinarias significaria ampliar o controle nacional sobre o preço dos nossos próprios alimentos, o que nos ajudaria a enfrentar a inflação e a planejar melhor a nossa economia.

Não é com juros altos que se combate a inflação, e sim com preços estáveis da energia e melhora da infra-estrutura logística do país.

O plano de termos um conjunto de refinarias, condizentes com o nosso tamanho, é um sonho vinculado ao projeto de país soberano, com indústrias fortes. Mas talvez isso seja informação demais para um juiz provinciano.

Sergio Moro também não conhece os números da balança comercial brasileira. Como só lê Veja e Globo, ficou achando que a Abreu e Lima era desperdício de dinheiro público, e que a decisão de construí-la nasceu apenas em função da propina a ser dada ao Paulo Roberto Costa…

Neste post, vamos tentar oferecer, gratuitamente, ao juiz Sergio Moro, algumas informações importantes sobre seu país, e de quebra revelar alguns fatos intrigantes que aconteceram desde o impeachment.

O Brasil importou, no acumulado dos últimos seis anos, o equivalente a 37 bilhões de dólares em óleo diesel. Ou seja, só com o que gastamos na importação de óleo diesel durante metade da era Lula/Dilma, poderíamos construir mais de duas refinarias Abreu e Lima.

Desde muito tempo, o óleo diesel figura em primeiro lugar no ranking das nossas importações. É o produto, em suma, que mais importamos. E isso a despeito de termos nos tornado, nos últimos anos, autossuficientes em petróleo.

Todos os números usados neste post são de fontes oficiais, devidamente indicadas nos gráficos e tabelas.

Na tabela acima, observe que o Brasil gastou, nos últimos 12 meses, US$ 4 bilhões com a importação de óleo diesel, um aumento de 71% sobre o ano anterior.

Enquanto isso, por conta da decisão da Petrobrás de paralisar suas refinarias, tanto aquelas já em funcionamento quanto a construção de novas unidades, a nossa produção nacional de derivados caiu violentamente este ano, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), atualizados até maio deste ano. O acumulado de janeiro a maio de 2017 é um dos menores da série histórica.

 

 

O país que mais se beneficiou desta queda na produção nacional de derivados foram os Estados Unidos, cujas exportações de óleo diesel para o Brasil cresceram 177% sobre o ano anterior.

O fato curioso é que os EUA não apenas aumentaram brutalmente a exportação de diesel para o Brasil. Eles assumiram o controle de nossa importação. E há muito tempo isso não acontecia.  Em 2013, os EUA ficaram com 33% das importações brasileiras de óleo diesel. Nos anos seguintes, a participação americana oscilou entre 40% e 50%.

Nos últimos 12 meses terminados em junho, porém, os EUA assumiram hegemonia absoluta da importação brasileira de óleo diesel, com mais de 83% do mercado!

E quem controla o diesel, controla o transporte de mercadorias no Brasil.

Agora entendo porque os americanos dão tantos prêmios para Sergio Moro.

A Índia, grande exportadora mundial de óleo diesel, foi varrida do mercado brasileiro. Nos 12 meses até junho de 2016, o Brasil havia importado quase 700 milhões de dólares de diesel indiano, o que correspondia a 30% do total das importações brasileiras. Nos seis primeiros meses de 2017, o Brasil ainda não importou um mísero barril da Índia.

Curioso, entrei no departamento de estatísticas de comércio exterior do governo indiano, e descobri que não houve nenhum problema com as exportações do diesel daquele país. Ao contrário, as exportações de óleo diesel da India em 2016/17 totalizaram mais de 12 bilhões de dólares, um crescimento de 5% sobre o ano anterior. Quase todos os países que costumam importar diesel da Índia aumentaram suas compras, menos Brasil e… Arábia Saudita.

A Suíça também aumentou muito suas exportações de diesel para o Brasil. Mesmo aumentando, sua participação ficou em apenas 5%.

A gente tem uma ideia sofisticada dos EUA, mas o principal produto que ele exporta para o Brasil é óleo diesel! Com isso, o Tio Sam voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking das nossas importações gerais, ultrapassando a China.

Alemanha, França, Coréia do Sul, Itália, Reino Unido, todos esses países perderam participação no mercado brasileiro.

Os EUA, ao contrário, cresceram.

Numa edição anterior do Cafezinho Econômico, eu mostrei como os EUA assumiram uma hegemonia fortíssima nos números de investimento direto no Brasil, o que mostra que são eles que estão aumentando participação acionária em nossas empresas, ampliando o controle sobre nossa economia.

Diante desses números, volto a acreditar que a compra da refinaria de Pasadena havia sido um negócio de cunho estratégico. Pena que nem Dilma ou Graça Foster fizeram esforço para convencer a opinião pública.

Se um historiador quiser entender quem ganhou com o golpe de 2016 no Brasil, a leitura desse Cafezinho Econômico talvez lhe ajude um pouco.

 

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Prejuízo causado pela Carne Fraca pode chegar a R$ 7 bilhões só este ano https://www.ocafezinho.com/2017/07/06/prejuizo-causado-pela-carne-fraca-mais-uma-operacao-desastrada-da-republica-de-curitiba-pode-chegar-r-7-bilhoes-so-este-ano/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/06/prejuizo-causado-pela-carne-fraca-mais-uma-operacao-desastrada-da-republica-de-curitiba-pode-chegar-r-7-bilhoes-so-este-ano/#comments Thu, 06 Jul 2017 21:25:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=75339 11 Comentários 🔥]]> Cafezinho Econômico – coluna semanal de Miguel do Rosário

Espera-se que o melancólico fim da força-tarefa da Lava Jato e o brutal asfixiamento financeiro da Polícia Federal, promovido pelo governo Temer, não seja motivo para esquecermos as consequências trágicas, para a economia, para o emprego, para o futuro do nosso país, da insanidade golpista que dominou a instituição, sobretudo as dependências do Paraná.

A desastrada operação Carne Fraca, lançada com grande estardalhaço pela Polícia Federal daquele estado, a um custo imenso para o erário público, e que, ao cabo, não trouxe uma mísera evidência de que havia qualquer problema consistente na qualidade das carnes nacionais, teve um efeito terrível sobre a exportação do produto nos últimos três meses.

Anunciada no dia 17 de março, a Carne Fraca detonou, imediatamente, um efeito em cascata de vetos à carne brasileira nos principais mercados do mundo. Decidimos usar os dados acumulados dos três meses de abril a junho, e compará-los ao mesmo período do ano anterior.

A quantidade de carne exportada pelo Brasil de abril a junho deste ano caiu 14% em relação ao ano passado. Foram 232 mil toneladas de carne que deixaram de ser exportadas. Se consideramos o preço médio da exportação nesse período, de 2,2 mil dólares por tonelada, o Brasil pode ter perdido mais de 520 milhões de dólares em divisas, em apenas três meses, o que daria quase 2 bilhões de reais. É muito mais do que a Polícia Federal precisa, por exemplo, para voltar a emitir passaportes, pagar a gasolina dos agentes rodoviários e voltar a fazer grandes operações.

Se multiplicarmos essa diferença, em toneladas, por quatro, para termos uma ideia de quanto podemos perder num ano, chegamos a um possível prejuízo de mais de 2 bilhões de reais, o que daria mais de 7 bilhões de reais, em apenas um ano.

Se os efeitos da Carne Fraca se fizerem se sentir por alguns anos, o que é provável, então estamos diante de uma verdadeira tragédia financeira.

O articulista conversou com alguns advogados experientes, que conhecem a cabeça dos setores curitibanos da Polícia Federal, e a nossa conclusão é que a Carne Fraca foi pensada para ser uma segunda Lava Jato. Foi uma operação para derrubar Dilma Rousseff.

O delegado responsável pela Carne Fraca, Maurício Moscardi Grillo, é um coxinha de quatro costados e não me surpreenderia se ele tivesse pensado que o filho de Lula tivesse, de fato, participação na Friboi.

Afinal, a pesquisa da USB numa das manifestações coxinhas em São Paulo não identificou que mais de 70% dos entrevistados acreditavam na história de que Lulinha era sócio da Friboi? Por que Moscardi, que postava fotos de Aécio Neves nas redes sociais, e xingava Dilma, Lula e o PT, não acreditaria?

Moscardi protagonizou uma polêmica mais recente, ao dar entrevista à Veja dizendo que a prisão de Lula era uma questão de “timing” político.

 

A Dilma caiu antes, a Lava Jato produziu uma crise econômica de proporções catastróficas e a operação Carne Fraca perdeu completamente o timing político. Virou um mico. Não antes, porém, de causar um estrago ciclópico nas exportações brasileiras de carnes e estar levando a JBS, a maior empresa do mundo no setor de carnes, a tentar, com desespero e urgência, desvencilhar-se de seus ativos, vendendo-os a preços abaixo do mercado. Além, é claro, de promover demissões em massa.

Tudo isso, naturalmente, está causando uma enorme crise no capital de giro nos frigoríficos nacionais, porque o consumo doméstico de carne também está caindo, em função da depressão econômica e do desemprego. De maneira que a Carne Fraca produziu uma tempestade perfeita para o setor de carnes.

A China, que no ano passado era o maior comprador de carnes brasileiras, reduziu suas compras em quase 40%.

Arábia Saudita, outro importante importador de carne brasileira, comprou quase 30% menos este ano.

Quando olhamos a coluna da variação na tabela abaixo, constatamos a extensão da tragédia: quase todos os países reduziram fortemente suas compras do Brasil.

As exportações brasileiras para os mercados mais nobres, que pagam os melhores preços por nossa carne, despencaram.

As vendas para Holanda, por exemplo, caíram 25%. Para a Alemanha, caíram 22%. Para o Reino Unido, a queda de 40%!

 

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Cafezinho Econômico: No pós-golpe, EUA e… Ilhas Virgens Britânicas assumem o controle da economia nacional https://www.ocafezinho.com/2017/06/28/cafezinho-economico-no-pos-golpe-eua-e-ilhas-virgens-britanicas-assumem-o-controle-da-economia-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/28/cafezinho-economico-no-pos-golpe-eua-e-ilhas-virgens-britanicas-assumem-o-controle-da-economia-nacional/#comments Wed, 28 Jun 2017 20:15:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=74931 20 Comentários 🔥]]> Cafezinho Econômico – Edição n.2 – 28/06/2017

Follow the money.

A edição de hoje será bem sucinta, porque as imagens falam por si e o blogueiro perdeu horas demais editando tabelas e gráficos e ficou sem tempo para fazer longas análises.

Entrei no site do Banco Central e baixei as tabelas atualizadas sobre investimento direto externo no Brasil.

O governo passou a manhã soltando fogos com o aumento do investimento. A mídia chapa-branca idem.

Eu fui analisar os números com calma e descobri algumas coisas interessantes.

O aumento do investimento direto no Brasil veio quase que exclusivamente dos Estados Unidos e das Ilhas Virgens Britânicas.

Se tirarmos esses dois países, os investimentos diretos no Brasil teriam caído mais de 30%.

Os últimos acontecimentos no país fizeram os EUA aumentarem brutalmente a sua participação na economia brasileira.

Na média mensal dos quatro anos de 2013 a 2016, os EUA respondiam por 14% dos investimentos no Brasil. Na média mensal de 2017, esse número saltou para 30,5%.

As Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal, e que ficou bastante famosa no Brasil por causa da sonegação da Globo, que se deu justamente lá, elevaram em 1093% os seus aportes no Brasil, na comparação de 2017 com a média dos anos anteriores.

Sozinhas, as Ilhas Virgens Britânicas tiveram uma participação de 17% nos investimentos diretos no Brasil em 2017; na média dos quatro anos anteriores, sua média era de 1,6%.

Por que o súbito interesse dessa potência geopolítica e industrial, as Ilhas Virgens Britânicas, num país como o Brasil?

EUA e Ilhas Virgens Britânicas, somados, responderam por quase metade de todos os investimentos diretos no Brasil!

Em outros termos, dois países, EUA e um paraíso fiscal praticamente assumiram o controle da economia brasileira!

Não é preciso dizer como isso é estranho. E ao mesmo tempo como isso confirma diversas teorias de que houve intervenção norte-americana no processo de desestabilização política que o Brasil vem sofrendo desde 2013.

Confira os gráficos abaixo. Voltamos em seguida.

Outra coisa que a gente deve prestar atenção são os setores para onde vieram os investimentos diretos.

Foram para a indústria? Não. Os investimentos na indústria brasileira caíram 22% em 2017.

Foram para a agricultura ou pecuária? Não. Os investimentos no agronegócio brasileiro caíram 65% em 2017.

Todo o aumento dos investimentos se deu no setor de serviços, com uma concentração muito grande em três itens: eletricidade, transporte e distribuição de água. Esses três setores responderam, sozinhos, por quase 60% dos investimentos diretos no país.

Não por coincidência, são setores onde o governo detêm o poder de elevar as tarifas públicas. Ou seja, o governo Temer está, claramente, vendendo serviços públicos para empresas estrangeiras.

Enquanto isso, investimetnos diretos em coisas como pesquisa científica, obras de infra-estrutura, serviços de tecnologia de informação, telecomunicações, máquinas e equipamentos, equipamentos de informática, sofrem queda brutal.

Olhem a tabela abaixo!

 

 

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A Lava Jato e a destruição do ecossistema tecnoindustrial do país https://www.ocafezinho.com/2017/06/19/lava-jato-e-destruicao-do-ecossistema-tecnoindustrial-do-pais/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/19/lava-jato-e-destruicao-do-ecossistema-tecnoindustrial-do-pais/#comments Mon, 19 Jun 2017 22:25:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=74478 20 Comentários 🔥]]> (Pelo jeito, o pessoal de Curitiba e seus apoiadores jamais leram Galbraith)

Cafezinho Econômico – Edição Número 1 – 19/06/2017

“O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora”, dizia Pascal.

Quando pensamos no suicídio econômico e político do Brasil, iniciado a partir da deflagração da Lava Jato, deveríamos parodiar o pensador francês e afirmar que a cretinice eterna de uma imprensa infinitamente desonesta nos aterroriza.

Bem vindo à primeira edição do Cafezinho Econômico, nosso boletim semanal sobre economia. Será um boletim econômico diferente, com bastante pegada política e alguma discussão teórica, porque é preciso fugir dos horríveis clichês e vícios da imprensa econômica tradicional.

O gráfico abaixo, que preparamos com base nos últimos números do IBGE para o PIB trimestral, mostra claramente que o declínio da Formação Bruta de Capital Fixo (ou seja, dos investimentos no Brasil, privados e públicos) teve início exatamente com a Operação Lava Jato, a saber, a partir do primeiro trimestre de 2014.  Até então, os investimentos vinham apresentando uma taxa de crescimento constante, coincidindo inclusive com a forte aprovação ao governo Dilma.

É preciso reler John Kenneth Galbraith, o professor de economia em Harvard e prolífico autor de alguns clássicos sobre economia industrial que se tornou conselheiro de Kennedy, para entendermos o grau de insanidade e estupidez que tomou conta do país ao apoiar uma operação tão profundamente nociva como a Lava Jato.

Em O Novo Estado Industrial, publicado em 1967, Galbraith explica que as sociedades avançadas, industriais, consolidaram uma “tecnoestrutura”, uma espécie de ecossistema econômico formado fundamentalmente por suas empresas.

O autor critica uma série de falsidades, vendidas ao “senso comum”, sobre o funcionamento das economias avançadas. Uma das mais idiotas, segundo Galbraith, é a depreciação que se faz ao conceito de “planejamento” após o advento da guerra fria. Economistas liberais ocidentais passaram a propagar a incrível – por ser tão óbvia – mentira de que os países capitalistas não planejavam a sua economia, em contraposição à planificação excessiva dos Estados socialistas.

Ora, diz Galbraith, as economias industriais modernas dos países capitalistas são caracterizadas justamente por um forte planejamento, tanto por parte de seus governos, como por parte de suas grandes empresas, e há uma relação direta entre o grau de complexidade tecnológica e a necessidade de se fazer planejamentos de longo prazo.

Se um país pretende viver apenas da exportação agrícola, a necessidade de planejamento, naturalmente, é bem menor, porque há uma relação mais direta entre a agricultura e o mercado que se autorregula. Curiosamente, todavia, os países ricos exercem um subsídio fortíssimo sobre suas agriculturas, de maneira que, nas poucas atividades que eles poderiam deixar ao sabor do mercado, eles não o fazem.

Quanto às atividades industriais, estas são fortemente planejadas por razões óbvias: requerem uma grande quantidade de capital investido.

Para se construir grandes instalações e levar adiante projetos de infra-estrutura, é preciso um longo tempo para formar mão-de-obra, estabelecer canais de fornecimento de produtos especializados, construir redes de relações comerciais e trocas tecnológicas profundamente complexas.

E daí fica evidente a insanidade da Lava Jato.

Galbraith lembra que as organizações empresariais, ao menos nas economias modernas, tornaram-se os fundamentos do que ele chama de tecnoestrutura: à diferença do que pensa o vulgo, as organizações refletem um trabalho coletivo, reunindo milhares de talentos individuais, que precisam desenvolver uma grande diversidade de técnicas comerciais, científicas, interpessoais, publicitárias.

O sucesso de uma grande empresa, ao contrário do que vende a cultura de massa, não é fruto do brilhantismo de um ou mais indivíduos geniais, e sim o trabalho de um grupo, que tem valor como grupo e não como ajuntamento de indivíduos isolados.

Os procuradores e demais operadores da Lava Jato, incluindo o juiz Sergio Moro, tem uma visão incrivelmente medieval do que seja uma grande organização empresarial moderna. Grupos como a Odebrecht nascem do trabalho coletivo e histórico de milhares de brasileiros, gerações e governos. Quando uma empresa ocupa um lugar estratégico na tecnoestrutura de um país, é preciso compreender que se trata de um agente que possui um patrimônio coletivo que deve ser preservado.

A corrupção encontrada por processos de investigação viciados fazem a deliberada confusão entre o problema moral, que está na cultura, nas relações políticas da sociedade, em alguns indíviduos, e evidentemente não pode ser combatida pela destruição da tecnoestrutura do pais.

Não é fácil criar uma grande organização. Atrair os melhores engenheiros, administradores e executivos, de maneira geral, não se dá apenas, explica Galbraith, pela questão pecuniária. Os profissionais são atraídos também pelos desafios oferecidos por aquela companhia. Além disso, as grandes empresas industriais de um país –  e há uma série de setores onde a necessidade de capital intensivo só permite a existência de grandes empresas – costumam atrelar seus objetivos de crescimento empresarial às metas de crescimento econômico do país como um todo.  A empresa se beneficia do crescimento econômico do país.

Galbraith lembra ainda de outra mentira muito comum (que os nossos neoliberais adoram explorar), que consiste em omitir, em especial para a opinião pública dos países do terceiro mundo, o grau de participação dos governos na economia das nações industriais. Nos EUA do final dos anos 60, observa o autor, os serviços dos governos locais, estaduais e federal respondiam por 1/4 de toda a atividade econômica do país, uma taxa maior do que em países socialistas da época, como Noruega e Suécia.

O juiz Sergio Moro, quando recebeu bolsas diversas do governo americano para estudar a melhor maneira de combater a lavagem de dinheiro, certamente não aprendeu (porque isso não interessava aos EUA) que existe também, como em tudo, uma geopolítica da lavagem de dinheiro.  Nenhum Estado pode combater a lavagem de dinheiro em seu país sem considerar o método mais eficiente para fazê-lo, segundo um critério político que considere os interesses econômicos e sociais do país.

Destruir quatro milhões de empregos certamente não ajuda em nada a combater a corrupção.

Isso é tão evidente que volto a parodiar Pascal: o silêncio em torno dessa obviedade me apavora.

Segundo o Wikipédia, a Lava Jato, apesar de ser deflagrada em março de 2014, começou a investigar a Petrobrás em julho de 2013, ou seja, justamente no mês em que as grandes manifestações de junho daquele ano foram sequestradas pela narrativa da mídia corporativa, e se registrou a mais espetacular inversão química da atmosfera política nacional: de um dia para outro, o governo Dilma, que gozava de taxas altíssimas de aprovação popular, condizentes com a estabilidade econômica e o dinamismo do mercado de trabalho, passou a ser fortemente hostilizado pelas ruas e pela imprensa.

A Lava Jato se pretende o centro de uma revolução ética e moral. Ora, neste sentido, é uma revolução às avessas, porque a ética é invertida. A ética mais importante para o Estado, e para os servidores desse Estado, é a segurança econômica e social do país. É importante inclusive para a sobrevivência dos próprios servidores, pois sem economia e sem Estado, não será possível pagar os salários do funcionalismo público.

A infra-estrutura de uma nação com mais de 200 milhões de habitantes jamais poderia ser posta em risco por causa de alguns corruptos.

Quando eu falo em Lava Jato, não me refiro apenas à turma de Curitiba, mas a todo o sistema que a estimulou, desde os tribunais superiores, passando pela mídia, até as organizações internacionais (think tanks, universidades e mídias dos EUA) que passaram a blindar a operação.

A Operação Carne Fraca, por sua vez, é uma das muitas filhas da Lava Jato. Foi concebida, assim como sua matriz, para subsidiar um golpe, para derrubar o governo. Para isso, não deu nenhuma importância à segurança econômica do país.

As exportações brasileiras de carne, nos últimos dois meses (abril e maio), caíram 17% em volume sobre o mesmo período do ano anterior. Essa queda pode ter representado a perda de aproximadamente 500 milhões de dólares, quase 2 bilhões de reais, em apenas dois meses.

As compras da China de carne brasileira caíram mais de 40% em dois meses.

Eu finalizo a coluna de hoje com um pensamento de Pascal que pode nos servir de guia:

O homem não é mais que uma rosa, a mais frágil da natureza, mas é uma rosa pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para a esmagar; um vapor, uma gota d’água é suficiente para lhe matar. Mas quando o universo o esmagar, ainda assim o homem será mais nobre que aquele que o mata, pois que ele sabe que morre, ao passo que o universo não sabe de nada. Toda a nossa dignidade consiste então no pensamento. Trabalhemos então para pensar da melhor forma possível: eis o princípio de toda moral.

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