Ceará - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ceara/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 30 Jun 2026 08:11:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Ceará - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ceara/ 32 32 Camilo diz que Ciro faz política com “agressão, ódio e desrespeito” https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/camilo-diz-que-ciro-faz-politica-com-agressao-odio-e-desrespeito/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/camilo-diz-que-ciro-faz-politica-com-agressao-odio-e-desrespeito/#comments Fri, 26 Jun 2026 10:34:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260758 12 Comentários 🔥]]> “A forma que ele tem feito política é a forma que eu não acredito. É da agressão, do ódio, do desrespeito à população.”

Camilo Santana resolveu reagir. O senador petista, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, avisou que não deixará mais sem resposta os ataques sistemáticos de Ciro Gomes, de quem é alvo diário há mais de três anos.

O recado veio no programa Sem Pressa, da UrbNews, na última quinta-feira, 25 de junho. Ciro hoje é pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará e costura uma aliança com setores do bolsonarismo no estado.

Na dinâmica do programa, o apresentador perguntou se Camilo atenderia uma ligação de Ciro.

“Eu não atenderia.”

Em seguida, explicou:

“Há mais de três anos, ele todo dia resolve falar mal de mim. O meu estilo é o seguinte, se mexer com a minha honra, ele vai responder na justiça.”

Camilo afirmou que não pretende entrar no “jogo” de Ciro, mas deixou claro que vê no ex-governador uma forma deteriorada de fazer política.

“O meu debate será, vamos comparar. Vamos saber o que quem fez, quem tá fazendo, quem são os governos que entregam.”

A acusação de que Ciro faz política pela agressão tem lastro judicial. Em maio, a Justiça Eleitoral do Ceará o condenou por violência política de gênero contra Janaína Farias, do PT, hoje prefeita de Crateús, por chamá-la de cortesã e assessora para assuntos de cama quando ela assumiu o Senado como suplente de Camilo.

A pena de um ano e quatro meses foi convertida em indenização, e Ciro recorre. Em sua defesa, ele admitiu as falas e disse que o alvo real era Camilo, o que apenas confirma o método descrito pelo senador.

A entrevista foi ao ar no momento em que Ciro tenta reorganizar sua candidatura ao governo do Ceará em aliança com lideranças bolsonaristas.

A própria Veja registrou que Michelle Bolsonaro voltou a atacar Ciro após ele comparar Lula e Bolsonaro e negar apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência.

Camilo também foi duro ao tratar da mudança de lado do grupo de Ciro no Ceará.

“Quem mudou de lado não fomos nós. Eu sempre fui do lado do Lula, sempre fui do lado do Cid, que está do nosso lado. Eles que mudaram. Foram para o lado do Bolsonaro.”

Para ilustrar, o senador lembrou que Roberto Cláudio sempre foi opositor de Capitão Wagner e de André Fernandes, e que hoje todos se elogiam. O próprio Ciro atacava André Fernandes nas redes, e agora aparece ao lado dele.

A frase atinge o centro da contradição atual de Ciro.

Depois de passar anos atacando Jair Bolsonaro e seus aliados, o ex-governador agora tenta construir uma frente eleitoral com forças que representam o bolsonarismo no Ceará.

Camilo fez questão de separar adversário de oportunista. Disse respeitar quem é de direita e mantém a coerência, e reservar a crítica ao vai e vem por conveniência, em que alguém se diz de esquerda quando o governo é de esquerda e muda de lado quando muda o vento.

Camilo insistiu nesse ponto.

“Então quem mudou de lado não fomos nós, quem mudou de lado foram eles, que se aliaram com todos aqueles que eles criticaram a vida toda do bolsonarismo aqui no Ceará, hoje estão juntos. Em nome de que?”

A pergunta é politicamente devastadora porque coloca Ciro diante de sua própria trajetória recente.

O ex-governador tenta se apresentar como independente da polarização nacional, mas sua chapa no Ceará depende de alianças com o campo bolsonarista.

Em maio, Ciro chegou a dizer que Capitão Wagner e Alcides Fernandes teriam, no Senado, a tarefa de “colocar um freio nesse lado apodrecido do Supremo Tribunal Federal”.

Na entrevista, Camilo também atacou o legado de Bolsonaro no Ceará.

“Me diga uma ação, uma obra do governo Bolsonaro no estado do Ceará nos quatro anos que ele foi presidente. Não quero duas, quero só uma. Você não vai encontrar.”

O senador lembrou a postura de Bolsonaro na pandemia.

“Nós tínhamos, infelizmente, um presidente que era anti-vacina, que brincava com a vida das pessoas.”

Camilo foi ainda mais forte:

“Ao contrário, vai encontrar apenas um grupo que negava a vacina, que debochava das pessoas morrendo, que fazia brincadeira das pessoas morrendo, dizendo que era uma gripezinha, dizendo que quem tomasse vacina virava jacaré.”

Ao defender Lula, Camilo adotou o tom oposto.

“É impressionante a visão que ele tem de colocar o Estado a serviço das pessoas.”

O senador afirmou que vai dedicar suas energias à reeleição de Lula e de Elmano de Freitas.

“O que eu quero agora, e eu vou me dedicar muito, é a reeleição do presidente Lula por acreditar que é um grande presidente, que olha para as pessoas. O Brasil não pode ser entregue ao retrocesso.”

Sobre Elmano, Camilo ressaltou a dimensão humana da gestão.

“Porque governar é cuidar das pessoas. É importante fazer a obra, a estrada, mas é cuidar das pessoas.”

A defesa do governo estadual veio acompanhada de números.

Camilo afirmou que todos os indicadores do Ceará melhoraram nos últimos anos.

“Na educação, na saúde, na segurança, no emprego. Menor taxa de desemprego da história do Ceará. O estado é equilibrado.”

Os dados econômicos ajudam a desmontar a narrativa de Ciro de que o Ceará estaria quebrado.

Segundo o Ipece, com dados do IBGE, o PIB do Ceará cresceu 6,49% em 2024, contra 3,40% do Brasil.

Na indústria, o Ceará também teve desempenho superior à média nacional. O IBGE registrou crescimento de 6,9% da produção industrial cearense em 2024, contra 3,1% no Brasil.

Em 2025, o Ipece informou que o PIB cearense cresceu 2,87%, também acima do resultado nacional, de 2,3%.

Ou seja, Ciro tenta construir uma imagem de colapso que não combina com os indicadores oficiais.

Camilo ainda defendeu a gestão de Evandro Leitão, justamente o prefeito de Fortaleza que Ciro acusou de receber dinheiro do PCC. Citou o fim da taxa do lixo e a reabertura da Santa Casa de Misericórdia, com 240 leitos, como entregas concretas da nova administração.

Na segurança pública, Camilo reconheceu a gravidade do problema, mas rejeitou a pose salvacionista.

“Agora, todo ano querem usar esse tema como se eu sou xerifão e vou resolver o problema. Como se eu fosse o grande salvador da pátria, mentindo muitas vezes para a população.”

A frase também serve como resposta indireta à entrevista de Ciro à Veja, na qual o ex-governador prometeu procurar Estados Unidos, Israel e Mossad para sua política de segurança.

O senador também virou o tema contra os próprios adversários. Perguntou qual contribuição Ciro e seu grupo, todos com passagem pelo Parlamento, deram à segurança do estado, e contrapôs os números do atual governo.

Segundo Camilo, maio foi o mês de maior queda de crimes contra a vida na história do Ceará, com redução de 48% no estado, 73% em Fortaleza e 84% na região metropolitana.

Camilo defendeu integração nacional, Polícia Federal, Receita Federal, inteligência e coordenação entre os estados.

“Ninguém sozinho vai conseguir. Ninguém sozinho, estado nenhum sozinho vai conseguir resolver esse problema sozinho. É preciso ter uma coordenação nacional para poder enfrentar isso.”

Ao comentar eventual cooperação dos Estados Unidos, Camilo inverteu o argumento.

“E se os Estados Unidos quiserem ajudar? Não tem problema nenhum apoiar. Ele precisa começar a ajudar prendendo os nossos grandes chefes de organização criminal que estão morando lá.”

 

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“É muita hipocrisia de críticas que não se sustentam”, diz Chagas Vieira sobre Ciro Gomes https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/e-muita-hipocrisia-de-criticas-que-nao-se-sustentam-diz-chagas-vieira-sobre-ciro-gomes/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/e-muita-hipocrisia-de-criticas-que-nao-se-sustentam-diz-chagas-vieira-sobre-ciro-gomes/#comments Fri, 26 Jun 2026 01:50:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260733 12 Comentários 🔥]]> “É muita hipocrisia de críticas que não se sustentam. Os fatos se sobrepõem a esse tipo de discurso que, a meu ver, é apenas politiqueiro.” Foi dessa forma que Chagas Vieira respondeu às críticas da oposição à economia cearense durante entrevista ao podcast Caráter, do Jornal Estado. Ao longo da conversa, o ex-chefe da Casa Civil e coordenador da pré-campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas alternou ataques a Ciro Gomes e outros adversários com uma defesa detalhada do desempenho econômico do Ceará, destacando indicadores de emprego, crescimento industrial, grandes obras de infraestrutura e investimentos em tecnologia.

Ao comentar os dados da indústria, Chagas argumentou que o desempenho mais moderado registrado em 2026 precisa ser analisado em perspectiva. “Ano passado, a indústria do Ceará foi a que mais cresceu no Brasil, com mais de 10%”, afirmou.

Segundo ele, o crescimento mais modesto deste ano ocorreu sobre uma base já bastante elevada. “Esse crescimento deste ano foi em cima de um outro crescimento. Crescer em cima de um crescimento é diferente.”

Na avaliação do ex-secretário, o Ceará vive um novo ciclo de industrialização. “A indústria do Ceará tem crescido de forma muito organizada”, afirmou, acrescentando que esse processo também se reflete na geração de empregos.

“O governador que mais gerou empregos na história do Ceará chama-se Elmano de Freitas. São mais de 170 mil empregos gerados no Ceará ao longo desse período.”

Foi a partir desses números que Chagas rebateu diretamente as críticas feitas por Ciro Gomes. “O candidato Ciro se coloca aí dizendo que a situação da economia está ruim. No tempo dele foi por 40 mil, agora são 170 mil.”

Como exemplo desse novo ciclo industrial, ele destacou o Polo Automotivo de Horizonte, onde a GM passou a fabricar o primeiro veículo elétrico produzido pela montadora na América Latina. Segundo Chagas, por se tratar de uma planta multimarcas, a capacidade poderá chegar a 80 mil veículos por ano.

Ao defender o empreendimento, Chagas lembrou que ele foi instalado na área ocupada anteriormente pela fábrica da Troller, montadora de veículos utilitários pertencente à Ford, encerrada em 2021 durante o governo Jair Bolsonaro. “A mesma turma que hoje está acusando o Ceará de estar perdendo emprego é a turma que fechou a fábrica da Troller.”

Segundo ele, a política industrial do Estado também aposta na descentralização dos investimentos. Chagas afirmou que o polo calçadista cearense já é o maior do país e citou a expansão das operações da Grendene para municípios do interior como exemplo da estratégia de levar empregos para além da Região Metropolitana de Fortaleza. “Quanto mais se instalam longe de Fortaleza, longe da Região Metropolitana, mais benefícios têm”, afirmou ao explicar a política estadual de incentivos fiscais.

Outro eixo da entrevista foi a defesa dos investimentos em infraestrutura logística. Segundo Chagas, a Ferrovia Transnordestina já deixou de ser uma promessa e representa uma transformação estrutural da economia cearense, com previsão de conclusão em 2027. Ele destacou a construção do porto seco em Quixeramobim como um dos projetos destinados a impulsionar o desenvolvimento do Sertão Central.

Para ilustrar o impacto da ferrovia, fez uma comparação. “Uma viagem de um trem da Transnordestina equivale a 340 carretas em fila.”

Na avaliação do ex-secretário, o Ceará também se prepara para disputar espaço na economia de alta tecnologia. Ele apontou o hidrogênio verde como uma aposta de médio e longo prazos, com plantas em instalação e protocolos já assinados, e classificou o Estado como protagonista nesse setor.

Questionado sobre adversários que consideram o projeto inviável pelo custo, Chagas rebateu. Lembrou que o Porto do Pecém tem o Porto de Roterdã como sócio, com cerca de 30% de participação, e que os holandeses já investem em armazenagem de amônia em Roterdã antecipando o futuro do hidrogênio. “O engraçado dessa oposição é que ela só critica, mas não apresenta uma solução.”

No campo da infraestrutura digital, ele citou a instalação da Luz Data Center e, principalmente, do data center do TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. “O Data Center do TikTok não é promessa, não é conversa, é realidade.”

Segundo Chagas, será o primeiro centro de processamento de dados da ByteDance, empresa chinesa controladora do TikTok, em toda a América Latina, e maior do que todos os data centers já existentes no país somados. “Não existe um data center deles na América Latina. O primeiro vai ser no Ceará.”

Ele também rebateu críticas sobre o eventual consumo de energia e água pelo empreendimento. Segundo Chagas, o Ceará é excedente na produção de energia e o projeto contará com geração própria a partir de fontes renováveis, eólica e solar. Já o sistema de refrigeração empregará tecnologia de recirculação de água, com consumo diário equivalente ao de uma vila de cerca de 40 casas.

Na avaliação dele, o investimento poderá atrair um conjunto de empresas de tecnologia para o Estado. “A partir desse data center vai se criar aqui todo um ecossistema digital.”

Ao comentar o cenário internacional, Chagas afirmou que o avanço tecnológico da China abre novas oportunidades para o Ceará. “Os Estados Unidos estão tremendo com o crescimento da China.”

Segundo ele, diante da crise nas relações com os Estados Unidos e do tarifaço de Donald Trump, o Brasil passou a investir mais na parceria com a China. Isso favorece a atração de investimentos para o Estado em infraestrutura digital, energia limpa e indústria.

Durante a entrevista, Chagas também comparou o atual ciclo político iniciado nos governos de Cid Gomes, Camilo Santana, Izolda Cela e Elmano de Freitas com o projeto representado por Ciro Gomes. “Este projeto aqui levou hospitais para o interior de todo o estado. O outro projeto, representado por Ciro, nunca construiu um hospital regional.”

Na educação, fez comparação semelhante. “Este projeto aqui está universalizando o tempo integral, e o projeto representado por Ciro nunca fez escola de tempo integral.”

As críticas atingiram também o deputado federal Mauro Benevides Filho. Questionado sobre a declaração de Mauro de que, até 4 de julho, cerca de 30 prefeitos estariam apoiando uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, Chagas respondeu de forma contundente.

“Nem vou comentar. Não merece crédito o que ele disse.”

Em seguida, acusou o parlamentar de ter rompido politicamente após não obter espaço na chapa majoritária. “O cara que estava com a gente num dia dizendo: ‘governador, você é o melhor governador do mundo’. Pediu uma vaga na majoritária, no Senado, e não foi dado a ele. Ficou com raiva e meia hora depois estava do outro lado.”

“Depois está esculhambando a economia do Estado. Não merece nem crédito.”

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Exclusivo Cunhãs! Izolda revela bastidores da ruptura com Ciro em 2022 e critica duramente alianças dele em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/exclusivo-cunhas-izolda-revela-bastidores-da-ruptura-com-ciro-em-2022-e-critica-duramente-aliancas-dele-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/exclusivo-cunhas-izolda-revela-bastidores-da-ruptura-com-ciro-em-2022-e-critica-duramente-aliancas-dele-em-2026/#comments Thu, 25 Jun 2026 16:25:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260689 12 Comentários 🔥]]> “Muito esquisito.” Foi assim que a ex-governadora do Ceará Izolda Cela definiu as novas alianças de Ciro Gomes com bolsonaristas na tentativa do ex-ministro de voltar ao governo do estado, agora pelo PSDB. Para Izolda, a coerência de Ciro “foi para o espaço”.

A ex-governadora se referia ao palanque que Ciro vem construindo com o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, indicado como vice, o pré-candidato ao Senado Capitão Wagner e o PL cearense, comandado pelo deputado federal André Fernandes. É a reorganização da oposição que o ex-ministro tenta montar contra o governo Elmano de Freitas.

A declaração foi feita ao podcast As Cunhãs, comandado pelas jornalistas Camila Fernandes, Inês Aparecida e Hébely Rebouças, um dos melhores espaços de análise política do Ceará. Na entrevista, Izolda falou sobre 2022, sobre o rompimento entre Ciro e o senador Cid Gomes, e sobre a decisão do PDT de barrar sua candidatura à reeleição.

As entrevistadoras reconstruíram uma das crises mais profundas da política cearense recente. Em 2022, Camilo Santana deixou o governo para disputar o Senado, Izolda assumiu o Palácio da Abolição e passou a ser vista como o nome natural para manter unido o campo governista.

Mas a solução mais lógica foi atropelada. Em julho daquele ano, o PDT escolheu Roberto Cláudio por 55 votos a 29 no diretório estadual, abrindo uma fratura que rompeu a aliança com o PT e separou politicamente os irmãos Ciro e Cid Gomes.

Na entrevista, Izolda confirmou que sua candidatura não surgiu de improviso. “Na verdade, eu fui indicada para ser a candidata ao governo. Isso antes do Camilo sair”, afirmou.

Segundo ela, havia um entendimento entre as principais lideranças do projeto, especialmente Cid, Camilo e Ciro. “Isso chegou a ser combinado entre eles”, disse a ex-governadora.

Izolda contou que Ciro já demonstrava preferência por Roberto Cláudio, mas teria aceitado o encaminhamento pelo nome dela em uma rodada anterior. Cid, naquele momento, sugeriu que Camilo anunciasse logo a candidatura de Izolda antes de deixar o governo.

A reação atribuída a Ciro é uma das frases centrais da entrevista. Ele teria perguntado “para que isso?”, argumentando que Izolda assumiria o governo sob pressão excessiva caso já fosse apresentada como candidata.

Izolda lembra ainda outra frase daquele momento: “Vocês não confiam, não?” Na versão dela, o acordo ficou acertado ali, mas a rodada seguinte mudou tudo.

“Logo na sequência, na última rodada de conversa, aí já estressou”, relatou. Foi quando, segundo a ex-governadora, apareceram os sinais claros de rompimento: “realmente não aceitar o meu nome” e “colocar o nome do Roberto Cláudio”.

Mesmo ao narrar a própria exclusão, Izolda evita atacar Cid Gomes. Ela disse compreender o recolhimento do senador naquele momento, porque o rompimento com Ciro teve peso político, familiar e afetivo.

“Eu entendi perfeitamente aquele momento do Cid”, afirmou. Para Izolda, ele atravessava “um dos momentos mais difíceis” da vida, ao romper politicamente com um irmão que sempre fora referência.

“O líder tem coração”, disse. “O líder tem que elaborar seus lutos, suas perdas.”

A ex-governadora contou que, quando Cid voltou a conversar, deu a ela a mesma versão que Camilo já havia apresentado. Para Izolda, isso confirmou que o acordo pela sua candidatura existia e fora, na prática, desfeito.

Questionada sobre a tese de que Ciro não confiava nela para sustentar seu palanque presidencial no Ceará, Izolda reagiu com surpresa. “Muito me admira isso”, afirmou.

Ela lembrou que sua formação política e administrativa veio de Sobral, sob liderança de Cid Gomes, e que sua ida para a chapa de Camilo em 2014 também nasceu desse campo. Também afirmou que a questão do palanque de Ciro estava assegurada: “Na eleição passada, eu votei no Ciro”.

A contradição fica mais nítida em outra fala que ela atribui ao próprio Ciro. Em entrevista, ele teria dito que, se tivesse que tirar uma carta do bolso para escolher um candidato, ninguém seria melhor do que Izolda. “Como assim?”, reagiu a ex-governadora, sem esconder a estranheza diante do cinismo de quem ajudou a barrá-la.

Izolda não quis gastar energia com especulações sobre todos os motivos da manobra, mas deixou um diagnóstico duro. “O que eu vi foi uma obstinação ali para que o nome fosse o do Roberto”, afirmou.

Ao tratar da dimensão de gênero, a ex-governadora foi cuidadosa, mas firme. Ela disse que prefere não se colocar no lugar de vítima, mas reconheceu que o fato de ser mulher facilitou sua exclusão da disputa.

“O fato de eu ser mulher favorece isso? Facilita? Com certeza”, afirmou. Na leitura que emerge da entrevista, a crise expôs uma estrutura política que ainda lida melhor com homens batendo mesa do que com mulheres discretas, técnicas e leais ao próprio projeto.

A disputa interna também foi marcada pelo uso político de pesquisas. Izolda disse que seu nome ainda era pouco conhecido pelo conjunto do eleitorado, mas que os números melhoravam à medida que ela se tornava mais conhecida.

“À medida que o meu nome saía um pouco mais da bolha, a aprovação e a manifestação favorável aumentavam”, afirmou. Ela citou movimentos estranhos, como a antecipação repentina de uma pesquisa prevista para dias depois, numa tentativa de legitimar uma decisão que já parecia tomada.

Na entrevista, Izolda também respondeu às críticas que Ciro fez ao seu governo. Segundo ela, o ex-ministro chegou a dizer que ela “não mexeu em nada” e “não fez nada”, numa tentativa de desqualificar sua passagem pelo Palácio da Abolição.

A explicação de Izolda é objetiva. Ela assumiu no último ano de uma gestão de oito anos, em pleno período eleitoral, com restrições legais de publicidade, inaugurações e movimentações administrativas. Além disso, lembrou que os estados enfrentaram forte pressão orçamentária causada pelas medidas do governo Bolsonaro sobre ICMS, combustíveis e energia.

“Longe de eu querer fazer algum tipo de pirotecnia para aparecer minha marca”, disse. “Eu queria fazer o serviço.”

O resultado político da escolha de Roberto Cláudio foi desastroso para Ciro e para o PDT. Elmano de Freitas venceu no primeiro turno, enquanto Roberto Cláudio terminou em terceiro lugar, inclusive em Fortaleza, cidade que havia governado por dois mandatos.

O trecho mais duro da entrevista, porém, mira o Ciro atual. Izolda disse lamentar a escolha do ex-ministro de construir uma aliança com figuras ligadas ao bolsonarismo.

“É muito pesado. É muito esquisito mesmo”, afirmou. “Você busca algum tipo de coerência, foi para o espaço.”

A crítica recai especialmente sobre Capitão Wagner. Izolda lembrou os motins de parte da Polícia Militar no Ceará e o episódio em que Cid Gomes foi baleado em Sobral, caso que marcou a política cearense.

Ela foi enfática ao classificar aquela crise. Tirando a Covid, disse que, em termos de crises de gestão, aquela foi “de longe” a mais dura.

Para Izolda, a aliança de Ciro não é um apoio lateral ou circunstancial. “Não é alguém que está no campo de apoio, não. É a construção do palanque”, afirmou.

Esse palanque inclui hoje o PL, o deputado federal André Fernandes e o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André, indicado pelo partido como pré-candidato ao Senado. Alcides é um nome do bolsonarismo cearense, de perfil conservador, e aparece como uma das apostas da frente que Ciro tenta montar contra o governo Elmano.

Na direção oposta, Izolda declarou simpatia pela defesa do nome de Cid Gomes para o Senado. Ela disse não saber qual será a decisão final dele, mas afirmou acompanhar “aqueles que defendem” sua presença na chapa majoritária.

Para Izolda, a eleição de Cid teria importância não apenas para a composição local, mas para a representação do Ceará no Senado. “Nós precisamos de gente boa nesses espaços”, disse. “Confiável, confiável.”

O comentário ganha peso porque o Senado eleito em 2026 terá papel central na República brasileira. Será uma Casa decisiva para a relação com o Judiciário, para a agenda social e para a resistência institucional diante da reorganização da extrema direita.

Izolda também falou sobre Luísa Cela, sua filha, ex-secretária da Cultura do Ceará e pré-candidata a deputada federal pelo PT. Ela disse que não pretende ficar “assistindo de camarote” e que vai participar da campanha para defender o projeto político que considera importante.

“A gente tem lutado muito para livrar o Ceará dessa presença bolsonarista”, afirmou. Sobre Luísa, disse falar como mãe, mas “com bastante conhecimento de causa”.

“Sou admiradora da Luísa”, declarou. Para Izolda, a filha é “forte, decidida, dedicada” e tem “coração e mente” voltados para a defesa de causas públicas.

“É uma representatividade feminina e confiável”, afirmou. A fala recoloca Izolda no centro da memória política do Ceará sem que ela precise gritar, teatralizar ou se colocar como vítima.

O pano de fundo agora é uma eleição estadual cada vez mais apertada. Pesquisa AtlasIntel/Focus divulgada em 15 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais, mostra Ciro Gomes com 45,8% e Elmano de Freitas com 44,8% no primeiro turno, tecnicamente empatados. Em eventual segundo turno, Ciro aparece com 53,2%, contra 44,9% de Elmano.

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Ciro Gomes fecha as portas para Flávio Bolsonaro no Ceará: “Não está em discussão” https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/ciro-gomes-fecha-as-portas-para-flavio-bolsonaro-no-ceara-nao-esta-em-discussao/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/ciro-gomes-fecha-as-portas-para-flavio-bolsonaro-no-ceara-nao-esta-em-discussao/#comments Fri, 19 Jun 2026 14:21:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259613 13 Comentários 🔥]]> A liderança de Ciro Gomes nas pesquisas para o Governo do Ceará ocorre em meio a uma sinalização política que pode frustrar o bolsonarismo. Apesar das conversas envolvendo uma possível aproximação regional com setores do PL, o ex-governador deixou claro que não pretende embarcar no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

Em entrevista à revista Veja, Ciro foi categórico ao afastar qualquer possibilidade de apoio ao senador:

“Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão.”

A declaração desmonta especulações de que uma eventual aliança eleitoral no Ceará poderia se transformar em apoio ao bolsonarismo na disputa presidencial de 2026.

Ciro também declarou que as conversas em curso tratam exclusivamente da realidade política cearense e não representam convergência nacional com o grupo de Jair Bolsonaro.

“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional. A questão básica é se é possível que a gente, com as nossas divergências nacionais, se acerte para um projeto de emancipar o Ceará da tragédia que o PT hoje representa em segurança pública, desenvolvimento, saúde. Aparentemente, está sendo viável.”

A fala deixa evidente que Ciro pretende separar a disputa estadual da corrida presidencial. Ao mesmo tempo em que busca ampliar sua base política para enfrentar o governador Elmano de Freitas, o ex-ministro fecha as portas para qualquer alinhamento com o projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

 

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Colapso catastrófico ou vitória redentora? O futuro de Ciro Gomes nas eleições do Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/colapso-catastrofico-ou-vitoria-redentora-o-futuro-de-ciro-gomes-nas-eleicoes-do-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/colapso-catastrofico-ou-vitoria-redentora-o-futuro-de-ciro-gomes-nas-eleicoes-do-ceara/#comments Thu, 04 Jun 2026 22:43:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=256444 14 Comentários 🔥]]> Não dá para entender a eleição do Ceará sem olhar para dois números, a aprovação de Lula e a aprovação do governador Elmano de Freitas.

Lula tem 62% de aprovação no estado, contra 34% que desaprovam. Entre as mulheres chega a 65%, e entre os eleitores com mais de 60 anos vai a 74%.

A força aparece em todas as faixas de renda e cresce na base. Quem ganha até um salário mínimo aprova o presidente em 67%.

A única fratura clara é religiosa. Entre católicos a aprovação é de 71% e cai para 38% entre evangélicos.

Aprovação de Lula no Ceará

Essa aprovação já é voto. No primeiro turno Lula tem 60% das intenções contra 21% de Flávio Bolsonaro, e no segundo turno vence por 61% a 28% no estado.

Segundo turno para presidente no Ceará

O segundo número decisivo é a aprovação de Elmano, de 57% contra 34%. Entre mulheres sobe para 60% e entre os maiores de 60 anos chega a 73%.

O eleitorado de Elmano é o mesmo de Lula, mais pobre, mais feminino e mais velho. Ele tem 60% de aprovação entre quem ganha até um salário e só cai para 49% acima de dois salários.

Aprovação do governador Elmano de Freitas

Essa aprovação ainda não virou intenção de voto por inteiro, mas em eleição majoritária ela converge. Quem aprova um governo tende a votar nele, ainda mais com um presidente tão forte no estado.

Os cruzamentos confirmam o vínculo. Entre quem já declara voto em Elmano, Lula é aprovado por 87%, enquanto entre os eleitores de Ciro a avaliação de Lula racha em 50% a 47%.

Por que o espontâneo engana

O voto espontâneo parece favorável a Ciro, mas esconde a disputa real. Ele tem 18% e Elmano 14%, com 59% que ainda não sabem em quem votar.

A diferença vem da renda. Entre quem ganha mais de dois salários Ciro tem 30% e Elmano 19%, mas entre quem ganha até um salário Ciro cai para 12% e quase empata com os 10% de Elmano.

É nessa faixa que estão os indecisos. Entre os mais pobres, 67% não sabem em quem votar, contra 40% no topo da pirâmide de renda.

Esse indeciso de baixa renda é o mesmo eleitor que aprova Lula e vota em Lula. Na hora de decidir, ele tende a ir para Elmano.

O interesse pela eleição reforça o ponto. Entre os mais pobres, 45% dizem ter pouco ou nenhum interesse hoje, e esse eleitor entra na disputa mais tarde.

Ciro surfa num recall que vai acabar

A vantagem de Ciro na estimulada, 44% contra 33%, vive de memória. O eleitor cearense ainda não percebeu que o Ciro de hoje não é o aliado de Lula e de Cid Gomes do passado.

Segundo turno para governador do Ceará

O Ciro de 2026 caminha com Flávio Bolsonaro e com Capitão Wagner. Quando o eleitor descobrir isso, a tendência é migrar para Elmano.

Por isso ele se esconde. Circula em ambientes controlados, fala só de segurança e foge dos temas que o expõem.

Ciro não fala de Trump, não fala de Flávio e não fala do tarifaço, que ameaça produtos cearenses. Até Caiado e Zema reclamam da tarifa, mesmo jogando a culpa em Lula, mas Ciro fica calado.

Ele chegou a gravar um vídeo passando pano na decisão dos Estados Unidos de tratar facções como terroristas. O problema não é uma invasão improvável, é o flanco aberto para chantagear empresas, governos e a própria classe política brasileira.

O bolsonarismo usa Ciro como bobo da corte, um espantalho de esquerda para bater em Lula. Quando não precisar mais, vai cuspi-lo, porque exige fidelidade canina ao que há de mais reacionário.

Nesse caminho ele leva aliados junto, como Mauro Filho e Roberto Cláudio. E a persona agressiva que construiu desde 2022 afasta justamente as mulheres e os moderados, que decidem o voto mais perto da eleição.

A eleição não está decidida. A estimulada mostra Ciro na frente, mas o voto das mulheres, dos mais pobres, a terceira idade, os indecisos e a aprovação de Lula e Elmano, contam outra história.

A disputa real está no cidadão, especialmente de baixa renda, eleitor de Lula, que ainda não entrou ainda no clima eleitoral. Quando a campanha vai nacionalizar, a vantagem de Ciro tende a minguar, e Elmano pode repetir a performance que obteve em 2022.

Baixe aqui a íntegra da pesquisa Ipsos / Ipec.

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Ciro abre 11 pontos sobre Elmano e segue como favorito ao Governo do Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/ciro-abre-11-pontos-sobre-elmano-e-segue-como-favorito-ao-governo-do-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/ciro-abre-11-pontos-sobre-elmano-e-segue-como-favorito-ao-governo-do-ceara/#respond Thu, 04 Jun 2026 01:57:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=256044 A nova pesquisa Ipsos-Ipec mostra Ciro Gomes na liderança isolada da disputa pelo Governo do Ceará em 2026.

No primeiro turno, o ex-governador aparece com 44% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas, uma vantagem de 11 pontos percentuais, muito acima da margem de erro de 3 pontos.

Os demais candidatos aparecem bem atrás. Eduardo Girão tem 4%, enquanto os demais nomes testados registram apenas 1% cada.

A vantagem de Ciro também se mantém em um eventual segundo turno. O pedetista alcança 49%, contra 41% de Elmano, abrindo uma diferença de 8 pontos percentuais.

Os números colocam Ciro como o principal nome da disputa neste momento e mostram que o ex-governador mantém forte capital político no Ceará mesmo após anos afastado das eleições estaduais.

A pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 800 eleitores entre os dias 28 de maio e 1º de junho em todas as regiões do estado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Com 44% no primeiro turno e 49% no segundo, Ciro começa a corrida de 2026 em posição de destaque na disputa pelo Palácio da Abolição.

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Ciro se lança candidato ao governo do Ceará lambendo as botas do bolsonarismo https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/ciro-se-lanca-candidato-ao-governo-do-ceara-lambendo-as-botas-do-bolsonarismo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/ciro-se-lanca-candidato-ao-governo-do-ceara-lambendo-as-botas-do-bolsonarismo/#comments Tue, 19 May 2026 07:10:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=248982 23 Comentários 🔥]]> “Meu irmão, você tá querendo ser preso? Vai começar aqui? O cara tá fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele.”

Ciro Gomes apontou o dedo para um apoiador na plateia e mandou prendê-lo. Estava no meio do discurso de lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará, no sábado, 16 de maio, em Fortaleza.

O apoiador estava apenas fazendo um C com a mão, gesto que a campanha de Ciro em 2022 havia tentado viralizar como resposta ao “L” dos eleitores de Lula. Depois de alguns segundos de perplexidade, em que as pessoas sorriam e pareciam acreditar tratar-se de uma espécie de brincadeira, percebeu-se que Ciro estava falando sério.

Então sua própria mulher lhe cochichou algo ao ouvido, depois lhe deu um tapinha nas costas, com olhar do tipo “que isso, meu amor, menos”.

Houve em seguida algumas risadas nervosas no palco. Todos tentaram disfarçar o constrangimento.

Possivelmente para justificar o surto meio louco meio autoritário como excesso de zelo contra o crime, Ciro subiu ainda mais a voz e gritou. “Comando Vermelho, olha isso aqui, vai pra cadeia! Vai pra cadeia!”

O caso seria apenas ridículo se não fosse perigoso, pois a cena poderia ter facilmente descambado para uma agressão física a uma pessoa inocente.

O ex-governador apareceu rodeado pela nata da ultradireita cearense. No palco estavam André Fernandes, deputado federal e presidente do PL no Ceará, e o pai dele, pastor Alcides Fernandes, indicado pelo PL para o Senado na chapa.

Junto deles, Capitão Wagner, do União Brasil, escolhido como o outro candidato a senador, além do vereador ultrarracionário Inspetor Alberto, do PL.

Em 2020, Inspetor Alberto havia sido processado por Ciro, que pedia R$ 50 mil de indenização após ser chamado em vídeos públicos de “drogueiro”, “chorão” e “homem do nariz nervoso”. Em fevereiro deste ano, Ciro retirou os processos. Agora é seu aliado.

O discurso foi agressivo e monotemático, concentrado quase exclusivamente em segurança pública. Aparentemente, Ciro quer se autopromover como o Bukele cearense.

Para não deixar dúvidas sobre seu compromisso com o ideário bolsonarista, declarou que seus dois candidatos ao Senado teriam apenas duas tarefas: endurecer as leis e “colocar um freio nesse lado apodrecido do Supremo Tribunal Federal”.

“Não é mais possível o Brasil ficar calado, amedrontado, diante de tanto abuso que está acontecendo lá.”

Na coletiva de imprensa subsequente ao evento, Ciro foi questionado sobre os áudios em que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar filme sobre Jair Bolsonaro. A reação de Ciro foi atacar a jornalista que fez a pergunta, insinuando que ela fazia “jogo do PT”.

Na verdade, porém, não se trata de um Ciro muito diferente do de 2022. Só que, na eleição presidencial, ainda tentava disfarçar o namoro com a ultradireita golpista. Hoje desfila a seu lado com orgulhoso, enquanto manda prender seus próprios apoiadores.

Em 2022, embora tentasse se vender como terceira via de centro, ele já havia descambado para uma postura emocional extremamente agressiva, reacionária e antidemocrática, agredindo jornalistas e pessoas comuns que ousassem questioná-lo sobre suas opções.

Por fim, passou a atacar os próprios apoiadores históricos. Acusou Caetano Veloso, que havia anunciado voto em Lula, de ter mudado de posição por interesse financeiro.

Gregório Duvivier, humorista do Porta dos Fundos e hoje um dos apresentadores do podcast Calma Urgente, ao lado de Alessandra Orofino e Bruno Torturra, também foi atacado publicamente, assim como tantos outros artistas que se manifestavam em favor de Lula.

A diferença é que agora Ciro abandonou a fachada de terceira via, de alternativa à polarização, e mergulhou de cabeça no bolsonarismo mais doentio, violento e corrupto.

Quem te viu, quem te vê.

Assista aos dois vídeos abaixo.

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Ciro lidera isolado no Ceará e amplia vantagem no 2º turno, diz nova pesquisa https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/ceara-ciro-lidera-isolado-no-ceara-e-amplia-vantagem-no-2o-turno-diz-nova-pesquisa/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/ceara-ciro-lidera-isolado-no-ceara-e-amplia-vantagem-no-2o-turno-diz-nova-pesquisa/#respond Mon, 06 Apr 2026 20:48:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=231005 Pesquisa aponta Ciro Gomes com 55,7% no segundo turno no Ceará

O levantamento do instituto Futura Inteligência/Apex mostra um cenário de vantagem consolidada para o ex-governador. Em eventual segundo turno, Ciro aparece com 55,7% contra 39,3% de Elmano de Freitas.

A diferença é de mais de 16 pontos percentuais. Trata-se de uma margem fora da zona de empate técnico, indicando liderança clara no momento da pesquisa.

O dado ganha peso pelo contexto. A sondagem foi realizada entre 30 de março e 1º de abril, com 1.000 entrevistas em 139 municípios cearenses e margem de erro de 3,1 pontos.

No primeiro turno, o cenário também favorece Ciro. Ele aparece com 48,2%, enquanto Elmano registra 38,4%, consolidando vantagem já na largada da disputa.

O ponto mais relevante está no perfil do eleitor. A pesquisa identifica um eleitorado compartilhado entre lulismo e cirismo, com cerca de 30% migrando entre os dois campos.

Isso indica um comportamento menos ideológico e mais pragmático. O voto não está totalmente consolidado, o que mantém espaço para mudanças ao longo da campanha.

Mesmo assim, a vantagem numérica de Ciro no segundo turno sugere maior capacidade de agregação fora do núcleo duro de eleitores.

Outro dado importante é a rejeição. Elmano aparece com 35,6%, enquanto Ciro tem 20,3%, o que amplia a margem do ex-ministro na fase decisiva.

A aprovação do atual governador, no entanto, segue relevante. Elmano tem 56,2% de aprovação, o que mostra que a disputa ainda não está encerrada.

O cenário permanece condicionado a fatores políticos maiores. O apoio do presidente Lula ao candidato do PT é tratado como variável decisiva.

Além disso, a possível entrada de Camilo Santana no jogo pode alterar o equilíbrio. O ex-ministro é visto como nome com forte densidade eleitoral.

Para o Ceará, a disputa tende a ser uma das mais relevantes do país. O estado concentra peso político no Nordeste e influência nacional.

Para o Brasil, o resultado tem implicação direta. A eleição no Ceará funciona como termômetro da relação entre lulismo e forças dissidentes dentro do próprio campo progressista.

No plano mais amplo, o dado reforça um cenário de fragmentação política. Lideranças regionais voltam a ganhar protagonismo diante de um sistema menos centralizado.

A vantagem de 55,7% coloca Ciro em posição competitiva. Mas o alto nível de eleitor indeciso indica que o jogo ainda está aberto.

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Ruptura histórica no PT do Ceará: Luizianne deixa partido após 37 anos https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/ruptura-historica-no-pt-do-ceara-luizianne-deixa-partido-apos-37-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/ruptura-historica-no-pt-do-ceara-luizianne-deixa-partido-apos-37-anos/#respond Thu, 02 Apr 2026 15:42:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229846 A saída da deputada federal Luizianne Lins do PT, após 37 anos de militância, marca um dos momentos mais delicados da esquerda cearense nos últimos anos — e reposiciona o tabuleiro político às vésperas das eleições.

A ex-prefeita trocou o PT pela Rede Sustentabilidade e com chances concretas de lançar uma candidatura ao Senado.

Saída não é surpresa — é acúmulo de desgaste

Embora a ruptura tenha peso histórico, ela não surge do nada.

A própria Luizianne já vinha sinalizando insatisfação com os rumos do PT no Ceará. Em declarações anteriores, a deputada admitiu incômodo com a condução interna e chegou a afirmar que a situação “só piorou” nos últimos anos .

Entre os principais pontos de tensão estão:

o distanciamento político do governador Elmano de Freitas

a relação fria com o ministro Camilo Santana

disputas internas por espaço e protagonismo

Esse conjunto de fatores acabou empurrando uma das principais lideranças históricas do PT cearense para fora do partido.

Movimento reposiciona a esquerda no estado

A ida para a Rede — partido que integra a federação com o PSOL — não é apenas uma troca de sigla. É uma mudança estratégica.

Luizianne passa a ocupar um novo espaço político, fora da estrutura majoritária do PT, podendo:

disputar o Senado com mais autonomia

dialogar com setores críticos ao governo estadual

reorganizar uma base própria no campo progressista

Impacto direto no governo Elmano

A saída atinge diretamente o ambiente político do governo estadual.

Mesmo sendo um governo apoiado por uma ampla coalizão, a ruptura revela um problema estrutural: falta de coesão interna no campo governista.

E isso ocorre em um momento sensível, em que pesquisas já indicam dificuldades de competitividade do atual grupo no Ceará.

A perda de uma liderança com o peso eleitoral e simbólico de Luizianne tende a:

fragmentar ainda mais a base

abrir espaço para novas candidaturas

e ampliar o campo de disputa dentro da própria esquerda

Entre lealdade histórica e reposicionamento político

A decisão carrega um forte componente simbólico.

Luizianne não é apenas mais uma parlamentar: foi prefeita de Fortaleza, dirigente partidária e uma das figuras centrais na construção do PT no estado.

Por isso, sua saída tem efeito duplo:

político, ao alterar alianças

e simbólico, ao sinalizar desgaste dentro do próprio projeto

Reconfiguração à vista

O movimento também indica algo maior: a esquerda cearense entra em uma fase de reorganização.

Com Luizianne fora do PT, o cenário tende a ficar mais fragmentado, com múltiplos polos disputando espaço dentro do mesmo campo ideológico.

Ao mesmo tempo, abre-se uma nova dinâmica eleitoral — mais competitiva, mais imprevisível e menos controlada pelas estruturas tradicionais.

Um alerta político — não um rompimento definitivo de projeto

Apesar da ruptura, o episódio não significa necessariamente uma ruptura com o campo progressista.

Ao contrário: trata-se de uma disputa interna por espaço, identidade e protagonismo.

Para o governo Elmano, o recado é claro:

manter alianças amplas não é suficiente se não houver unidade política real.

E para o eleitor, o cenário aponta para uma eleição mais aberta —
com novos atores, novas estratégias e uma disputa muito mais intensa dentro da própria esquerda.

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No Ceará, Lula confunde a reação de Luizianne com o destempero de Ciro https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/no-ceara-lula-confunde-a-reacao-de-luizianne-com-o-destempero-de-ciro/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/no-ceara-lula-confunde-a-reacao-de-luizianne-com-o-destempero-de-ciro/#respond Thu, 02 Apr 2026 14:43:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229835 Por Sara Goes

Ao comentar a situação de Luizianne Lins, Lula inverte o sentido do conflito político no estado, tratando como excesso a resposta de quem reage a um método histórico de imposição de força associado a Ciro Gomes

Hoje é 1º de abril, e eu gostaria de poder tratar como pegadinha o que ouvi do presidente Lula antes de ele seguir para a Vila União, onde foi visitar as obras do ITA. Em entrevista à jornalista Bianca Saraiva, ele disse que Luizianne Lins “tem tudo no partido que ela quis” e que “tem gente que acha que tem o direito de ser tudo a toda hora”, acrescentando que é preciso fazer “sacrifício” para garantir alianças.

Eu queria poder fingir que entendi errado. Que foi uma frase mal encaixada, que o contexto corrigiria o sentido. Não corrige. O que está acontecendo no Ceará não cabe nessa explicação.

Em 2024, o método de escolha da candidatura em Fortaleza foi alterado. As prévias deram lugar a um encontro de delegados, e a candidatura de Luizianne foi retirada minutos antes da votação. Vieram depois denúncias de pressão interna, questionamentos sobre o processo e, no PED de 2025, a derrota organizada do campo político ao qual ela pertence, acompanhada de acusações de interferência. Não é um episódio isolado. É uma sequência coerente.

Ao mesmo tempo, o partido abriu espaço para novas filiações e reorganizou suas posições de modo a reduzir o peso de lideranças que ajudaram a construir o próprio PT no estado. O efeito disso não é abstrato. Ele aparece agora, encadeado, sem precisar de explicação adicional. Luizianne passou a negociar sua saída, Larissa Gaspar buscou diálogo fora do partido para viabilizar sua reeleição, Liliane Araújo deixou a sigla e tentou se reposicionar, e Deodato Ramalho, filiado desde 1987, formalizou sua desfiliação junto com a saída de um cargo público. Nada disso combina com a ideia de alguém que quer “ser tudo”. Combina com um ambiente que deixou de ser reconhecido como espaço de disputa legítima.

Há, no entanto, um ponto concreto que não pode ser diluído em abstração. A insatisfação de Luizianne não nasce apenas de um ambiente hostil, mas de uma disputa objetiva: a exclusão de seu nome da construção da candidatura ao Senado em 2026. E aqui o problema se torna ainda mais evidente, porque não se trata de uma pretensão frágil. Luizianne aparece com cerca de 26,9% das intenções de voto em pesquisas recentes, à frente de outros nomes do próprio campo governista. Não é alguém reivindicando espaço sem lastro. É alguém competitivo sendo politicamente contornada.

Ao mesmo tempo, a trajetória de Luizianne segue sendo reconhecida fora desse circuito interno. A homenagem recebida na Assembleia Legislativa do Ceará, no contexto do pacto contra o feminicídio, expõe essa contradição com nitidez: o reconhecimento público convive com o isolamento político dentro do próprio partido.

É nesse ponto que a fala de Lula faz doer. Quando ele fala em sacrifício, parte do pressuposto de que existe um acordo coletivo sendo preservado, um pacto mínimo que organiza a disputa interna. No Ceará, o que está em questão é o contrário. Não é o sacrifício que está sendo recusado, é o próprio terreno onde esse sacrifício faria sentido.

O que se consolidou não é apenas uma reorganização interna do partido, mas a incidência de um método político que não nasce no PT. Um método que atravessa a história recente do estado e que tem nos Ferreira Gomes, especialmente em Ciro Gomes, sua expressão mais acabada. Um modo de operar que transita entre campos, recompõe alianças e reorganiza forças para manter centralidade. Esse método não atua só por fora. Ele se infiltra, reconfigura o interior dos partidos e passa a redefinir as regras da disputa. O camilismo, nesse sentido, não é origem, mas atualização dessa lógica dentro do PT.

O efeito é direto. A política deixa de se organizar por projetos e passa a operar por rearranjos, em que esquerda, centro e direita viram posições circunstanciais dentro de um mesmo movimento de poder. É aí que a ideia de sacrifício perde sentido. Sacrifício pressupõe acordo. O que está em curso é uma recomposição que desloca, esvazia ou absorve quem não se encaixa.

Por isso a reação não nasce de quem se recusa a ceder espaço. Nasce quando o espaço deixa de ser reconhecido como legítimo, quando a disputa deixa de ser aberta e passa a ser administrada.

É nesse ponto que a leitura de Lula se inverte. Não é o excesso de quem reage que explica o conflito. É o próprio processo que torna a reação inevitável.

E há algo mais que não pode ser tratado como detalhe. A violência que o PT do Ceará sofre de “forças destemperadas” talvez seja maior do que a pressão que Lula enfrenta na construção de alianças nacionais. Aqui não se trata de negociar com adversários para governar, mas de lidar com um processo interno que vem repelindo quem construiu o partido e abrindo espaço para quem não tem vínculo com essa trajetória.

Quando Lula afirma que Luizianne Lins “teve tudo o que quis”, sua trajetória é tratada como concessão. Isso apaga justamente o que há de mais estruturante nela: o fato de que esse lugar foi construído em condições adversas, com base social, enfrentamento e permanência quando era mais difícil sustentar o próprio nome do partido.

Luizianne foi prefeita de Fortaleza por dois mandatos, entre 2005 e 2012, e realizou uma gestão que, à época, foi criticada por estar de costas para a orla e de frente para a periferia, reorganizando prioridades e produzindo tecnologias de políticas sociais comparáveis apenas a experiências como a de Luiza Erundina em São Paulo, entre 1989 e 1992; esse projeto foi sustentado justamente a partir de 2005, no auge do “Escândalo do Mensalão”, quando o PT enfrentava um cerco político e midiático intenso, o que, no Ceará, se traduziu em isolamento institucional, pressão constante e enfrentamento direto, inclusive dentro do próprio partido e diante das forças organizadas em torno dos Ferreira Gomes.

Nada disso foi feito em ambiente de conforto. Ao contrário. Foi um processo marcado por enfrentamento direto à imprensa local, resistência dentro do próprio partido e tensão permanente com o campo político organizado em torno dos Ferreira Gomes. Um percurso solitário em muitos momentos, sustentado mais por base social do que por proteção institucional. Esse tipo de trajetória não se explica por concessão e sim por luta.

E esta luta que desaparece quando Lula reduz a história à ideia de alguém que “teve tudo o que quis”. Porque o que está ali é alguém que seguiu sendo pressionada, isolada e enfrentada, inclusive quando seria mais fácil sair. Ao ignorar esse percurso, Lula não apenas simplifica. Ele transforma uma das trajetórias mais consistentes de lealdade e enfrentamento dentro do PT em uma caricatura de insatisfação individual.

Eu gostaria que fosse apenas uma frase mal colocada, um excesso de simplificação, algo que o tempo corrigisse sozinho. Mas não parece ser o caso. Há uma máxima antiga que ajuda a ler melhor esse momento: a política ama a traição e odeia o traidor.

E talvez seja exatamente isso que esteja em jogo. Porque Luizianne Lins não é o exemplo de quem quis tudo e não aceitou limites. É, ao contrário, um dos maiores exemplos de fidelidade partidária no Ceará. Permaneceu, sustentou, enfrentou e continuou, inclusive quando foi sendo sistematicamente diminuída e, ao contrário do que se afirma, nunca teve tudo o que quis.

É essa permanência que passa a incomodar, porque expõe, por contraste, o tipo de rearranjo que vem sendo feito. Não se trata de quem quer ser tudo, mas de quem, mesmo aceitando não ser, segue sendo tratado como excesso apenas por existir com densidade política própria.

Se Lula erra, não é por desconhecimento. É por leitura. E o que ainda resta entender é por que essa leitura insiste em enquadrar como problema justamente quem, até aqui, foi a expressão mais evidente de lealdade ao partido.

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Lula sobe o tom contra Ciro, mas reconhece peso do ex-ministro no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/lula-sobe-o-tom-contra-ciro-mas-reconhece-peso-do-ex-ministro-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/lula-sobe-o-tom-contra-ciro-mas-reconhece-peso-do-ex-ministro-no-ceara/#respond Wed, 01 Apr 2026 16:53:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229735 O clima político no Ceará ganhou novos contornos após declarações do presidente Lula sobre o ex-ministro Ciro Gomes

Em entrevista a TV Cidade, o presidente Lula classificou o neotucano como “destemperado” e criticou seu comportamento na política, ao mesmo tempo em que admitiu que o ex-governador ainda tem relevância no cenário nacional.

Lula afirmou:

“O Ciro é muito destemperado. […] acha que pode falar tudo”

E foi além ao dizer que o ex-ministro se vê como uma espécie de referência acima das próprias siglas:

“O partido para mim é uma referência, o Ciro acha que a referência é ele”

Crítica política com recado eleitoral claro

As falas não vieram por acaso. Lula comentou diretamente o cenário eleitoral no Ceará — hoje um dos mais competitivos do país — e fez questão de defender o governador Elmano de Freitas, afirmando que ele “tem condições de ser reeleito”.

Ao mesmo tempo, o presidente não ignorou o peso de Ciro, reconhecendo que o ex-ministro ainda pode “prestar bons serviços” ao país.

Ou seja, há crítica — mas também reconhecimento.

Pesquisas mostram disputa real

Os números reforçam por que o tema entrou na fala presidencial.

  • Em levantamento da Paraná Pesquisas:
    • Ciro Gomes: 46,6%
    • Elmano: 33,9%
  • Já na Real Time Big Data:
    • Elmano: 42%
    • Ciro: 39%

Atlas confirma disputa apertada — com leve vantagem de Ciro

A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 1, mostra um cenário de empate técnico, mas com um detalhe importante:
Ciro Gomes aparece numericamente à frente.

Os dados indicam:

  • Ciro Gomes: entre 42% e 46%
  • Elmano de Freitas: entre 39% e 42%

Dentro da margem de erro, há empate. Mas, politicamente, o recado é claro:
Ciro mantém liderança no voto direto.

Temperamento vs. capital político

A crítica de Lula toca em um ponto histórico da trajetória de Ciro Gomes.

Conhecido por declarações duras e estilo direto, o ex-governador construiu uma imagem de político combativo — algo que, ao mesmo tempo, impulsiona sua visibilidade e gera resistência.

Na prática, Lula tenta explorar esse traço como fragilidade eleitoral, enquanto Ciro segue capitalizando sua presença forte e seu recall no Ceará.

Disputa no Ceará vira símbolo de 2026

O embate entre Lula e Ciro vai além de uma troca de críticas pessoais.

Ele reflete:

  • a disputa por hegemonia no campo progressista
  • a dificuldade do governo em consolidar lideranças regionais
  • e o peso de figuras políticas com trajetória própria

Elmano depende do Planalto — e de si mesmo

Apesar do apoio de Lula, o cenário mostra que a reeleição de Elmano não está garantida.

O governador conta com:

  • estrutura de governo
  • apoio federal
  • e base política ampla

Mas enfrenta um adversário com:

  • forte memória eleitoral
  • identidade própria
  • e liderança consolidada no estado

Um recado indireto do próprio Lula

Ao criticar Ciro, Lula também envia um sinal interno:

o PT sabe que a eleição no Ceará não será fácil
e que apenas alianças não bastam para garantir vitória

No fim, o presidente pode até criticar o estilo do adversário —
mas os números mostram que ignorá-lo não é uma opção.

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Ceará em disputa real: AtlasIntel mostra empate técnico, mas Ciro lidera nos números e pressiona Elmano https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/ceara-em-disputa-real-atlasintel-mostra-empate-tecnico-mas-ciro-lidera-nos-numeros-e-pressiona-elmano/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/ceara-em-disputa-real-atlasintel-mostra-empate-tecnico-mas-ciro-lidera-nos-numeros-e-pressiona-elmano/#respond Wed, 01 Apr 2026 15:08:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229732 A nova pesquisa AtlasIntel sobre a corrida ao Governo do Ceará mostra um cenáriode empate técnico, mas com um detalhe político relevante — Ciro Gomes aparece numericamente à frente de Elmano de Freitas. Em eleição, isso não é apenas estatística, é sinal de tendência.

Números do 1º turno: equilíbrio com leve vantagem de Ciro

No principal cenário de primeiro turno, os dados mostram uma disputa apertada, mas com inclinação:

  • Ciro Gomes: cerca de 42% a 46%
  • Elmano de Freitas: entre 39% e 42%

A variação dentro da margem de erro configura empate técnico, mas a leitura política é outra: Ciro lidera no voto direto, enquanto Elmano ainda não conseguiu converter o peso do cargo em vantagem clara.

Esse ponto é central. Governadores em exercício, em regra, partem na frente. Quando isso não acontece, o sinal é de desgaste ou dificuldade de conexão com o eleitorado.

2º turno: disputa sem virada governista

No cenário de segundo turno, a pesquisa mostra vantagem para Ciro:

  • Elmano: cerca de 42,1%
  • Ciro: cerca de 50,1%

Aqui, o dado mais importante não é quem está numericamente à frente — é o fato de não haver descolamento.

Ou seja, mesmo com toda a estrutura de governo, Elmano não abre vantagem consistente em um confronto direto. Isso reforça a percepção de uma disputa altamente competitiva.

Espontânea revela fragilidade estrutural

Na pesquisa espontânea, onde o eleitor responde sem lista de nomes, surge um dado ainda mais revelador:

  • Indecisos ultrapassam 50%

Esse número mostra que o eleitorado ainda está em formação — mas também revela algo mais profundo: baixa cristalização de voto para quem governa.

Em outras palavras, Elmano ainda não conseguiu ocupar plenamente o imaginário popular como candidato natural à reeleição.

Comparação com outras pesquisas reforça tendência

Quando cruzamos os dados da AtlasIntel com levantamentos recentes, o padrão se repete:

  • Ciro aparece com vantagem numérica no primeiro turno
  • Elmano oscila na casa dos 30% a 40%, sem crescimento consistente
  • No segundo turno, Ciro mantém favoritismo

Esse comportamento indica estabilidade do favoritismo de Ciro e dificuldade do governo em ampliar sua base.

Onde cada um é forte

A leitura mais detalhada dos cenários revela perfis distintos:

Ciro Gomes:

  • Forte entre eleitores de renda média e escolaridade maior
  • Desempenho sólido entre homens e faixas produtivas
  • Mantém recall elevado em todo o estado

Elmano de Freitas:

  • Mais competitivo entre mulheres
  • Presença relevante em eleitores de menor renda
  • Base vinculada a políticas públicas e programas sociais

Esse recorte mostra que a disputa não é apenas numérica — é também social.

O problema central de Elmano: não liderar sendo governo

O dado mais sensível da pesquisa é político, não estatístico:

Elmano é governador, mas não lidera com folga.

Isso quebra a lógica tradicional da reeleição. Sem vantagem clara, o cenário passa a ser de risco, porque:

  • o adversário tem recall consolidado
  • o eleitor ainda está indeciso
  • e a disputa tende a polarizar

Ciro joga com memória, Elmano precisa construir narrativa

Ciro Gomes entra na disputa com um ativo decisivo: memória eleitoral forte e identidade política clara.

Já Elmano enfrenta outro desafio: precisa se afirmar como liderança própria, e não apenas como continuidade de um grupo político.

Sem isso, a tendência é que o eleitor enxergue a eleição como escolha entre um nome já conhecido e um governo ainda em consolidação.

Cenário aberto, mas com sinal de alerta

A AtlasIntel não define vencedor — mas aponta direção:

  • há empate técnico
  • há equilíbrio no segundo turno
  • mas há vantagem numérica recorrente de Ciro

Para Elmano, o recado é direto:
não basta estar no poder, é preciso liderar politicamente a disputa.

O que vem pela frente

Com alto índice de indecisos e margens apertadas, a eleição no Ceará deve ser uma das mais disputadas do país.

Mas, neste momento, o quadro é claro:

  • Ciro Gomes dita o ritmo da corrida
  • Elmano segue competitivo
  • e o eleitor ainda está decidindo

A diferença, agora, não será apenas de números —
será de narrativa, identidade e capacidade de convencer quem ainda não escolheu.

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Ciro sobe, Elmano desce; A nova pesquisa que assusta o governo no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/ciro-sobe-elmano-desce-a-nova-pesquisa-que-assusta-o-governo-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/ciro-sobe-elmano-desce-a-nova-pesquisa-que-assusta-o-governo-no-ceara/#respond Wed, 01 Apr 2026 13:31:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229724 A nova rodada de pesquisa mostra um cenário eleitoral que combina duas forças distintas no Ceará: de um lado, o favoritismo consolidado de Ciro Gomes (PSDB); do outro, sinais de desgaste do governador Elmano de Freitas (PT), que, mesmo no exercício do cargo, perdeu fôlego recente na disputa.

No principal cenário estimulado, Ciro aparece com 46,6% das intenções de voto, enquanto Elmano soma 33,9% . A diferença é significativa e reforça o peso político do ex-ministro, que mantém forte recall eleitoral no estado.

Mas o dado que mais chama atenção está na tendência: Elmano caiu de 35,3% em março para 33,9% em abril, uma retração de 1,4 ponto percentual . Em um cenário pré-eleitoral, essa oscilação negativa, ainda que dentro da margem, acende um sinal claro de alerta para o governo. Os dados são do Instituto Paraná Pesquisas.

Ciro mantém hegemonia — e cresce em segmentos-chave

Ciro Gomes não apenas lidera: ele domina diferentes recortes do eleitorado.

Entre homens, chega a 53,2%, contra 29,3% de Elmano. Já entre eleitores com ensino médio, mantém 50%, ampliando vantagem sobre o atual governador .

Nos recortes por idade, o neotucano também mostra consistência:

  • 50% entre 25 e 34 anos
  • 50% entre 35 e 44 anos
  • 47,6% entre 45 e 59 anos

Ou seja, Ciro não depende de um único nicho: sua liderança é transversal.

Elmano resiste, mas depende da máquina e da base social

Apesar da queda recente, Elmano ainda apresenta pontos de sustentação importantes.

Entre mulheres, por exemplo, ele chega a 38%, reduzindo a distância para Ciro (40,6%) . Já entre eleitores com menor escolaridade, também aparece competitivo:

  • 38,1% no ensino fundamental, contra 40,4% de Ciro

Outro dado relevante: entre pessoas com 60 anos ou mais, há praticamente um empate técnico:

  • Ciro: 41,5%
  • Elmano: 41,1%

Isso mostra que o governador ainda mantém base social relevante — especialmente entre eleitores mais dependentes de políticas públicas.

Cenário direto amplia vantagem de Ciro

Quando a disputa é simplificada, o favoritismo de Ciro fica ainda mais evidente.

No cenário direto entre os dois, ele aparece com 53,3%, contra 36,4% de Elmano .

Aqui, além da vantagem mais ampla, o dado mais preocupante para o governo é a trajetória:

  • Elmano tinha 38,1% em março
  • Agora caiu para 36,4% em abril

Ou seja, novamente uma queda de cerca de 1,7 ponto, reforçando a tendência de perda de competitividade.

Recall político pesa — mas eleição ainda está em aberto

Os números deixam claro que Ciro Gomes entra na disputa com um ativo difícil de ser ignorado: memória eleitoral consolidada e forte presença histórica no Ceará.

Já Elmano enfrenta o desafio clássico de quem está no poder: transformar gestão em voto.

E esse é o ponto central do momento político.

Mesmo com apoio de lideranças fortes e estrutura administrativa, o governador ainda não conseguiu converter plenamente o exercício do cargo em crescimento consistente nas pesquisas.

Governo precisa reagir — mas ainda há caminho

A pesquisa mostra um cenário desafiador, mas não definitivo.

Elmano segue com um patamar relevante, acima de 30%, e com presença competitiva em segmentos importantes do eleitorado. Isso indica que há base para reação.

Por outro lado, os números também deixam um recado claro: apenas a sustentação política e alianças não garantem reeleição.

Será necessário:

  • fortalecer identidade própria
  • comunicar melhor as ações do governo
  • e reconectar com o eleitorado de forma mais direta

Disputa tende a se intensificar

Com mais de um ano até a eleição, o cenário ainda pode mudar. Mas, neste momento, a fotografia é objetiva:

  • Ciro Gomes lidera com folga e consistência
  • Elmano perde terreno recente, mesmo no poder

A eleição no Ceará segue aberta —
mas, hoje, quem dita o ritmo da disputa é Ciro.

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Lula volta a insinuar Camilo candidato em meio ao favoritismo de Ciro no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/03/31/lula-volta-a-insinuar-camilo-candidato-em-meio-ao-favoritismo-de-ciro-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/31/lula-volta-a-insinuar-camilo-candidato-em-meio-ao-favoritismo-de-ciro-no-ceara/#respond Tue, 31 Mar 2026 14:35:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229595 A declaração do presidente Lula sobre uma possível candidatura de Camilo Santana ao governo do Ceará não é apenas um movimento político — é um sinal claro de preocupação dentro do PT com o cenário eleitoral no estado.

Lula sinalizou que Camilo está deixando o MEC para disputar eleições, afirmando que o ex-governador pode ser candidato “a não sei o quê”, abrindo caminho para uma eventual entrada direta do agora ex-ministro na corrida pelo Palácio da Abolição.

A fala, embora informal, carrega um peso político evidente.

Datafolha escancara problema para o PT no Ceará

Os números mais recentes confirmam o motivo da movimentação.

Levantamento do Datafolha, divulgado pelo O Povo, mostra que Ciro Gomes lidera com folga a disputa no Ceará, com 47% das intenções de voto, contra 32% do atual governador Elmano de Freitas.

A diferença de 15 pontos percentuais não é pequena — é estrutural.

E piora no segundo turno:

  • Ciro Gomes: 56%
  • Elmano de Freitas: 37%

Ou seja, um cenário de ampla vantagem que consolida Ciro como favorito no estado.

Elmano não empolga — e o PT sabe disso

Os números ajudam a explicar a mudança de postura do próprio Lula.

Elmano, apesar de estar no cargo e contar com apoio institucional, ainda não conseguiu construir uma liderança própria. Sua candidatura aparece dependente de padrinhos políticos — especialmente Lula e Camilo.

E isso tem custo eleitoral.

A pesquisa mostra que o atual governador não consegue ampliar sua base e enfrenta dificuldades até mesmo em consolidar o voto governista.

Camilo vira plano real, não mais hipótese

É nesse contexto que Camilo Santana volta ao centro do jogo.

Ex-governador com alta aprovação e forte recall eleitoral, ele aparece como o único nome dentro do campo governista capaz de reorganizar a disputa.

A possibilidade de sua candidatura, antes tratada como remota, passa a ser concreta — e até necessária diante do cenário.

A fala de Lula, portanto, não é improviso.

É estratégia.

Ciro lidera isolado e impõe ritmo da eleição

Enquanto o governo ainda busca um caminho, Ciro Gomes avança com consistência.

Lidera no primeiro turno, amplia vantagem no segundo e mantém um nível de competitividade que não depende de rearranjos internos.

Na prática, ele já ocupa o espaço de protagonista da eleição.

O recado das urnas antes da campanha

O cenário atual deixa pouco espaço para dúvidas:

  • o governo não consolidou seu candidato
  • o principal adversário lidera com folga
  • e o eleitor já começa a definir preferências

A possível entrada de Camilo Santana surge como tentativa de virar esse jogo — antes que seja tarde.

Disputa aberta, mas com tendência clara

A eleição no Ceará ainda não está decidida, mas os números indicam uma direção.

Se nada mudar, o favoritismo de Ciro tende a se consolidar.

Por isso, a movimentação de Lula ganha ainda mais peso.

No fim, a fala do presidente não é apenas uma declaração política.

É o reconhecimento de um problema:

o PT, hoje, não tem competitividade suficiente no Ceará — e pode precisar mudar seu candidato para continuar na disputa.

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Federação UB-PP abandona Elmano e adere a grupo de Ciro Gomes no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/03/27/federacao-ub-pp-abandona-elmano-e-adere-a-grupo-de-ciro-gomes-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/27/federacao-ub-pp-abandona-elmano-e-adere-a-grupo-de-ciro-gomes-no-ceara/#respond Fri, 27 Mar 2026 23:23:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229235 A definição da federação União Progressista no Ceará mudou o rumo da disputa estadual — e deixou um recado político difícil de ignorar. Com a nomeação de Capitão Wagner para comandar o bloco, o grupo bateu o martelo: vai atuar na oposição ao governo Elmano e apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao Palácio da Abolição.

A decisão encerra meses de disputa interna e articulações intensas. Até então, havia uma tentativa clara do governo Elmano de atrair oficialmente União Brasil e PP para a base. Mas o desfecho foi outro — e simbólico: a federação, que reúne uma das maiores estruturas políticas do país, optou por caminhar no sentido oposto.

Em coletiva, Wagner foi direto ao sinalizar o posicionamento:

“A federação terá compromisso com a oposição, como sempre foi”

Na prática, o movimento reorganiza o tabuleiro eleitoral.

A União Progressista não é um ator pequeno. Trata-se de uma superfederação, com forte presença nacional, grande fatia do fundo eleitoral e amplo tempo de TV — elementos que pesam diretamente em uma campanha estadual.

E agora, esse capital político passa a orbitar em torno da oposição.

O impacto é imediato: a decisão fortalece o campo que articula a candidatura de Ciro Gomes, que já aparece com desempenho consistente nas pesquisas e, até aqui, surge como o nome mais competitivo na disputa pelo governo do Ceará.

Do outro lado, o efeito também é claro.

A perda da federação representa mais do que uma derrota pontual. É um sinal de que a base do governador Elmano enfrenta dificuldades para se consolidar politicamente. Mesmo com apoio institucional e alianças amplas, o projeto de reeleição ainda não conseguiu atrair todos os atores estratégicos — e agora vê um bloco relevante migrar para a oposição.

A ironia é inevitável.

Um governo com base ampla, articulação nacional e presença institucional relevante ainda não consegue segurar aliados-chave — enquanto a oposição se organiza com mais clareza em torno de um nome.

No fim, a decisão da federação não apenas define lados.

Ela aponta uma tendência:
**o jogo está aberto, mas o vento político começa a soprar com mais força na direção da oposição — e, principalmente, de Ciro Gomes.**

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Lula admite Camilo candidato em meio ao favoritismo de Ciro Gomes no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/lula-admite-camilo-candidato-em-meio-ao-favoritismo-de-ciro-gomes-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/lula-admite-camilo-candidato-em-meio-ao-favoritismo-de-ciro-gomes-no-ceara/#respond Fri, 27 Mar 2026 00:48:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229023 A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de o ministro da Educação, Camilo Santana, entrar na disputa pelo Governo do Ceará trouxe mais do que uma sinalização política — escancarou um cenário de incerteza dentro do próprio grupo governista.

Lula afirmou que Camilo pode ser acionado como candidato “se precisar”, deixando claro que o desenho eleitoral no estado ainda está em aberto. Em tom direto, o presidente afirmou:

“O Camilo será candidato se precisar.”,  disse durante agenda em São Carlos (SP).

A fala não surge por acaso.

Ela aparece em meio a um contexto onde o atual governador, Elmano de Freitas, ainda não conseguiu se firmar nas pesquisas como liderança dominante. Mesmo com base ampla, apoio institucional e presença do governo, os números seguem mostrando dificuldade de consolidação eleitoral — um cenário que já havia sido apontado em levantamentos anteriores.

Na prática, a possibilidade de Camilo voltar ao jogo funciona como um plano B.

E isso, por si só, já diz muito.

Camilo Santana, ex-governador e atual ministro, tem histórico eleitoral consolidado e forte recall no estado. Sua eventual entrada não seria apenas uma alternativa — seria uma tentativa de reorganizar a disputa diante de um cenário que ainda não empolga dentro do próprio campo governista.

Enquanto isso, do outro lado, o quadro é mais estável.

Ciro Gomes tem aparecido de forma consistente na liderança das pesquisas recentes, mantendo vantagem tanto em cenários de primeiro turno quanto em simulações diretas. Esse desempenho contínuo reforça a percepção de que, até o momento, entra como o nome mais competitivo na disputa pelo Palácio da Abolição.

E é exatamente esse contraste que pressiona o governo.

De um lado, uma candidatura que ainda depende fortemente de estrutura, apoios e articulação política. Do outro, um adversário que já chega com identidade consolidada e presença eleitoral clara.

A ironia da situação é inevitável.

Um governo com base ampla, apoio nacional e articulação robusta ainda discute quem deve ser o candidato mais competitivo — enquanto o adversário já ocupa esse espaço com naturalidade.

No fim, a fala de Lula não é apenas uma possibilidade eleitoral.

É um sinal.

Um sinal de que, até aqui, o projeto de reeleição no Ceará ainda busca algo essencial em política:
uma liderança que caminhe com as próprias pernas.

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Ipsos confirma tendência: Elmano ainda patina nas pesquisas e segue sem identidade própria https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/ipsos-confirma-tendencia-elmano-ainda-patina-nas-pesquisas-e-segue-sem-identidade-propria/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/ipsos-confirma-tendencia-elmano-ainda-patina-nas-pesquisas-e-segue-sem-identidade-propria/#respond Thu, 26 Mar 2026 15:27:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=228903 A nova rodada de pesquisas reforça um cenário que já vinha sendo desenhado — e agora ganha contornos mais claros. O levantamento Ipsos-Ipec, divulgado nesta quinta, 26, confirma a tendência apontada anteriormente pelo Datafolha: o governador Elmano de Freitas ainda não conseguiu transformar a estrutura política que possui em força eleitoral consolidada.

Os números são diretos. No principal cenário estimulado, Ciro Gomes aparece com 44% das intenções de voto, contra 34% de Elmano, uma diferença de 10 pontos. Não é um detalhe estatístico. É um padrão que se repete.

E quando o cenário avança para o segundo turno, a situação não melhora: Ciro venceria por 49% a 39%, ampliando a vantagem mesmo em um confronto direto. Ou seja, não se trata apenas de largada — há, neste momento, dificuldade real de reversão.

O problema não está na estrutura política. Pelo contrário.

Elmano governa com uma base ampla, conta com o apoio de três das maiores forças políticas do estado — Camilo Santana, Cid Gomes e Lula — e ocupa a máquina administrativa. Ainda assim, os números mostram que isso não tem sido suficiente para consolidar uma liderança própria.

E aqui entra o ponto mais incômodo.

A pesquisa sugere que há voto disponível, mas não necessariamente conectado ao governador. Brancos e nulos somam 10% e indecisos chegam a 5% — um espaço relevante que ainda não foi capturado. Em política, isso costuma indicar ausência de identificação mais forte com o candidato.

Em outras palavras: há base, mas falta vínculo.

E isso ajuda a explicar o fenômeno que se repete nas pesquisas — não só na Ipsos, mas também em levantamentos anteriores como o Datafolha. A tendência é a mesma: Elmano aparece competitivo, mas não dominante. Presente, mas não protagonista.

LEIA: Datafolha no Ceará surpreende: Ciro larga na frente de Elmano e cenário de 2026 ganha novo rumo

Com todo o capital político ao redor, o governador ainda depende fortemente desse entorno para se sustentar eleitoralmente. Sua imagem segue muito associada aos padrinhos — especialmente Camilo Santana e Lula — e menos a um projeto próprio claramente percebido pelo eleitor.

E eleição, no fim das contas, não é soma de apoios institucionais.

É percepção direta.

O eleitor não vota em articulação política. Vota em quem ele reconhece como liderança. E, neste momento, os números indicam que essa “luz própria” ainda não apareceu com força suficiente.

Enquanto isso, o adversário ocupa esse espaço com mais clareza, capturando tanto voto consolidado quanto parte do eleitorado que busca mudança.

O recado das pesquisas é menos sobre quem está na frente — e mais sobre quem ainda não conseguiu se firmar.

Porque, no fim, a Ipsos apenas confirma o que já estava posto:
base ampla ajuda a governar, mas não garante reeleição.

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Os números do Datafolha e os alertas para Elmano no Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/03/25/os-numeros-do-datafolha-e-os-alertas-para-elmano-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/25/os-numeros-do-datafolha-e-os-alertas-para-elmano-no-ceara/#respond Wed, 25 Mar 2026 15:43:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=228716 A pesquisa Datafolha no Ceará trouxe um cenário curioso — e, para quem olha com calma, um tanto desconfortável. Não pelos números isolados, mas pelo que eles sugerem sobre o momento político do governador petista.

No principal cenário testado, Ciro Gomes aparece com 47% das intenções de voto, contra 32% de Elmano de Freitas . A diferença é significativa — 15 pontos — e não pode ser tratada como detalhe estatístico. É um recado.

E o recado fica ainda mais claro no segundo turno: Ciro vence por 56% a 37% . Ou seja, não se trata apenas de largada melhor — há, neste momento, vantagem consolidada em cenário direto.

Mas o dado mais revelador talvez não esteja nem na liderança de Ciro. Está no contraste.

Quando o ex-ministro sai da disputa, o cenário muda completamente: Elmano passa a liderar com 42%, contra 20% de Roberto Cláudio .

Traduzindo: o problema não é ausência de espaço político. O problema é ocupação desse espaço.

E aqui entra a questão mais delicada — e inevitável.

Apesar de governar com base ampla e índices relevantes de aprovação — 71% avaliam a gestão como ótima, boa ou regular, e 60% aprovam pessoalmente o governador — Elmano ainda não consegue converter isso em liderança eleitoral sólida diante de um adversário competitivo.

É um paradoxo raro: governo aprovado, candidatura vulnerável.

A explicação, em parte, aparece nos próprios números. A rejeição de Elmano é de 28%, enquanto Ciro registra apenas 16% . Isso limita crescimento e indica que há resistência que ainda não foi neutralizada politicamente.

E mais: na espontânea, onde o eleitor fala sem estímulo, o cenário é ainda mais aberto — Ciro tem 15% e Elmano 13%, com impressionantes 54% sem saber em quem votar .

Mais da metade do eleitorado sem posição definida. E, mesmo assim, o governador não dispara.

É aqui que entra a ironia inevitável da política: base ampla, por si só, não resolve.

Elmano governa com o apoio de três das maiores forças políticas do estado — Camilo Santana, Cid Gomes e Lula —, mas ainda não conseguiu construir algo essencial em eleições: luz própria.

Hoje, sua força eleitoral parece muito mais associada aos padrinhos do que a um projeto pessoal claramente percebido pelo eleitor. E isso pesa.

Porque eleição não é apenas soma de apoios institucionais. É percepção direta.

O eleitor comum não vota em arranjo político. Vota em quem ele identifica, reconhece e confia. E, nesse ponto, os números mostram que Elmano ainda está em processo de construção — enquanto o adversário já chega pronto.

No fim das contas, a pesquisa não aponta uma derrota. Mas aponta um risco.

E o risco é claro:
sem identidade política própria, nem a melhor das alianças sustenta um projeto de reeleição no longo prazo.

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Os limites reais da candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/os-limites-reais-da-candidatura-de-ciro-gomes-ao-governo-do-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/os-limites-reais-da-candidatura-de-ciro-gomes-ao-governo-do-ceara/#comments Wed, 25 Mar 2026 02:06:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=228614 1 Comentário 🔥]]> A nova pesquisa Datafolha no Ceará entrega um daqueles cenários que parecem impressionar à primeira vista — mas pedem uma segunda leitura, com menos empolgação e mais atenção aos detalhes.

Sim, Ciro Gomes aparece na frente no cenário estimulado, com 47% contra 32% de Elmano . Sim, em um eventual segundo turno, ele venceria por 56% a 37% . E sim, sua rejeição é menor: 16%, contra 28% de Elmano .

Até aqui, tudo parece um passeio tranquilo.

Mas é justamente aqui que a análise começa — e a empolgação começa a desidratar.

Porque, quando se troca o nome “Ciro” por “antipetismo”, os números passam a fazer mais sentido. A própria pesquisa mostra que os grupos onde Ciro é mais forte são exatamente aqueles onde a rejeição ao PT também é maior: homens, eleitores de renda mais alta, nível superior e parte do eleitorado evangélico .

Ou seja: não é exatamente um fenômeno político próprio. É mais um reflexo.

E isso fica ainda mais evidente quando se observa outro dado pouco confortável para quem aposta no “cirismo”: quando Ciro sai do jogo, Elmano lidera com 42%, contra 20% de Roberto Cláudio .

Traduzindo sem rodeios: o eleitor não está necessariamente migrando para um projeto alternativo consistente — está apenas reagindo a um campo político específico. E o grande desafio de Ciro será de prender esse eleitor não somente pelo antagonismo, mas por um projeto sólido que tenha como objetivo provocar mudanças reais no estado em áreas sensíveis como Segurança Pública e Saúde.

Na espontânea, então, o cenário fica ainda mais revelador. Ciro aparece com 15% e Elmano com 13%, enquanto impressionantes 54% não sabem em quem votar .

Mais da metade do eleitorado sem decisão — e mesmo assim, o “líder” não dispara.

É aqui que entra a ironia inevitável: para quem lidera com quase 50% na estimulada, depender tanto de um eleitor ainda indefinido parece menos força e mais… circunstância.

E tem mais.

O próprio levantamento aponta quem realmente pesa na campanha. Lula (41%), Camilo Santana (39%) e Cid Gomes (37%) aparecem como os principais cabos eleitorais . Do outro lado, Bolsonaro — que tende a apoiar Ciro — é rejeitado por 64% dos entrevistados .

Ou seja: enquanto um campo político agrega, o outro precisa lidar com um apoio que mais atrapalha do que ajuda.

No fim das contas, a pesquisa deixa uma mensagem que vai além dos percentuais:
o que existe hoje no Ceará é um antipetismo pontual e localizado — não um movimento orgânico em torno de Ciro.

E isso muda tudo.

Porque rejeição pode até impulsionar uma candidatura. Mas, quando ela vira combustível único, o risco é claro: o projeto deixa de caminhar sozinho — e passa a depender, exaustivamente, do adversário para continuar existindo.

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Datafolha no Ceará expõe força da base de Lula e fragilidade da oposição sem Cid no páreo https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/datafolha-no-ceara-expoe-forca-da-base-de-lula-e-fragilidade-da-oposicao-sem-cid-no-pareo/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/datafolha-no-ceara-expoe-forca-da-base-de-lula-e-fragilidade-da-oposicao-sem-cid-no-pareo/#respond Tue, 24 Mar 2026 15:09:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=228513 A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 24, pelo O Povo para o Senado no Ceará deixa um dado objetivo: quando a base do governo Lula entra organizada, ela domina a disputa. O melhor exemplo é o cenário em que Cid Gomes aparece com 56%, abrindo vantagem direta sobre Roberto Cláudio, com 37%, e Eunício Oliveira, com 31%.

Não é uma diferença pequena. São 19 pontos de frente sobre o principal nome da oposição na disputa, o que indica liderança consolidada e não apenas oscilação de momento.

Nos cenários em que Cid não aparece, a disputa muda de forma relevante — e isso revela mais sobre a fragmentação da oposição do que sobre força própria. Capitão Wagner lidera com 53% e 55%, mas sempre enfrentando nomes da base divididos, como Eunício (37%) ou José Guimarães (29%).

Ou seja: quando o campo progressista se apresenta pulverizado, a direita cresce artificialmente. Quando há unidade, o cenário muda completamente.

Outro ponto ignorado por leituras superficiais é a disputa pela segunda vaga. Mesmo nos cenários adversos, nomes da base seguem competitivos:

  • Eunício Oliveira chega a 37%
  • José Guimarães aparece com 29%
  • Júnior Mano marca 25% a 29%

Isso mostra que a base ligada ao governo Lula não depende de um único nome — ela ocupa o campo inteiro da disputa.

Já a oposição apresenta um padrão mais limitado: depende de Capitão Wagner em dois cenários e de Roberto Cláudio no terceiro. Mesmo assim, quando enfrenta Cid, Roberto Cláudio fica 19 pontos atrás (37% contra 56%).

Não há, nos números, sinal de crescimento consistente fora desse núcleo.

Outro dado relevante: o volume de votos em branco, nulo ou indeciso segue alto, chegando a 28% para a segunda vaga em alguns cenários. Isso indica que a disputa ainda está aberta — e que organização política será decisiva.

Dentro desse contexto, o campo ligado ao governo Lula parte com vantagem estrutural no Ceará. O estado mantém um histórico recente de alinhamento com projetos progressistas, e a força de lideranças como Cid reforça esse cenário.

Para 2026, a leitura é direta: com unidade, a base governista lidera com folga. Sem coordenação, abre espaço para crescimento circunstancial da oposição.

E é exatamente esse equilíbrio — entre fragmentação e unidade — que vai definir o resultado final.

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