Computação Quântica - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ciencia/computacao-quantica/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 10 May 2026 19:19:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Computação Quântica - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ciencia/computacao-quantica/ 32 32 Esferas de concreto no fundo do mar podem virar nova arma da transição energética https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/esferas-de-concreto-no-fundo-do-mar-podem-virar-nova-arma-da-transicao-energetica/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/esferas-de-concreto-no-fundo-do-mar-podem-virar-nova-arma-da-transicao-energetica/#respond Sun, 10 May 2026 19:19:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=245306 Cientistas alemães querem transformar o fundo do mar em uma gigantesca bateria para armazenar energia renovável.

A ideia parece saída de ficção científica: lançar esferas ocas de concreto, com centenas de toneladas, a centenas de metros de profundidade, para guardar eletricidade gerada por fontes como eólica e solar. Mas o projeto é real, tem nome, StEnSea, e está sendo desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer de Economia de Energia e Tecnologia de Sistemas Energéticos, na Alemanha.

O sistema tenta enfrentar um dos maiores gargalos da transição energética: como armazenar energia limpa quando o vento sopra demais ou o sol produz mais do que a rede consegue consumir.

Esse problema é central. Energia eólica e solar são fundamentais para reduzir emissões, mas dependem das condições naturais. Quando há excesso de produção, parte da eletricidade pode ser desperdiçada. Quando a produção cai, a rede precisa recorrer a outras fontes ou a sistemas de armazenamento.

É nesse ponto que entram as esferas submarinas.

O projeto StEnSea adapta para o fundo do mar o princípio das usinas hidrelétricas reversíveis, também conhecidas como sistemas de bombeamento. Em terra, esse modelo usa dois reservatórios em alturas diferentes: quando sobra energia, a água é bombeada para cima; quando falta energia, ela desce e movimenta turbinas.

No mar, a lógica muda de cenário, mas mantém o mesmo princípio físico. As esferas ocas são instaladas no leito oceânico. Quando há excesso de eletricidade, bombas retiram a água de dentro delas. Quando a rede precisa de energia, a pressão do mar empurra a água de volta para o interior da esfera, movimentando uma turbina e gerando eletricidade.

Segundo o Fraunhofer IEE, cada unidade do teste previsto terá cerca de 9 metros de diâmetro, 400 toneladas e será instalada a uma profundidade entre 500 e 600 metros. A esfera funciona como reservatório, enquanto uma unidade técnica removível abriga bomba-turbina, válvula e sistemas de medição, controle e regulação.

A vantagem está no uso da própria pressão oceânica. Quanto maior a profundidade, maior a força da água sobre a estrutura. Em vez de construir grandes barragens em terra, o sistema tenta usar a geografia natural do mar como parte da infraestrutura energética.

O primeiro teste em escala menor já foi realizado no Lago de Constança, na Europa. Agora, os pesquisadores preparam uma nova etapa na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, em parceria com empresas e instituições internacionais. A meta é testar uma esfera de concreto em condições mais próximas de uma aplicação real.

A tecnologia não pretende substituir todas as baterias atuais. Ela mira outro tipo de problema: armazenamento estacionário, de grande escala e longa duração. Ou seja, guardar energia para estabilizar redes elétricas inteiras, especialmente em regiões com forte presença de parques eólicos offshore.

Esse detalhe é decisivo. A expansão da energia eólica no mar exige infraestrutura capaz de lidar com variações de produção. Sem armazenamento, a energia limpa perde eficiência econômica e operacional. Com armazenamento, ela pode ser entregue à rede quando houver demanda, não apenas quando houver vento.

O StEnSea também chama atenção porque evita parte dos conflitos associados a grandes obras em terra. Sistemas hidrelétricos reversíveis convencionais exigem montanhas, reservatórios, áreas disponíveis e licenciamento complexo. No fundo do mar, a proposta busca ocupar áreas submarinas profundas, próximas a regiões com grande potencial eólico.

Ainda há obstáculos. Instalar, operar e manter equipamentos a centenas de metros de profundidade exige engenharia robusta, custos competitivos e alta confiabilidade. Turbinas, válvulas, cabos, sensores e sistemas de manutenção precisam funcionar em ambiente hostil, sob pressão elevada e com acesso difícil.

Mesmo assim, o interesse no projeto revela uma mudança importante: a transição energética não depende apenas de painéis solares, turbinas eólicas e carros elétricos. Ela depende, sobretudo, de armazenamento, redes inteligentes e infraestrutura capaz de sustentar um sistema elétrico menos dependente de combustíveis fósseis.

Para países com litoral extenso, como o Brasil, esse tipo de tecnologia deve ser observado com atenção. O país tem potencial eólico offshore, uma costa gigantesca e demanda crescente por soluções que combinem energia limpa, segurança elétrica e desenvolvimento industrial.

A questão não é apenas importar uma tecnologia pronta no futuro. É entender desde já que armazenamento energético será uma das áreas mais estratégicas da economia global. Quem dominar esses sistemas terá vantagem na indústria, na segurança energética e na disputa por cadeias produtivas verdes.

As esferas de concreto no fundo do mar mostram que a transição energética entrou em uma fase mais complexa. Não basta produzir energia limpa. É preciso armazená-la, distribuí-la e controlá-la com inteligência.

No fim, a imagem das enormes estruturas submersas resume o tamanho do desafio. A energia do futuro não será decidida apenas na superfície, em painéis e turbinas visíveis. Parte dela poderá estar guardada no silêncio do oceano, em baterias de concreto movidas pela pressão do mar.

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Computação quântica deixa o “0 e 1” para trás e abre nova corrida tecnológica https://www.ocafezinho.com/2026/05/05/computacao-quantica-deixa-o-0-e-1-para-tras-e-abre-nova-corrida-tecnologica/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/05/computacao-quantica-deixa-o-0-e-1-para-tras-e-abre-nova-corrida-tecnologica/#respond Tue, 05 May 2026 23:14:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=243280 A computação quântica acaba de dar um passo importante para sair do modelo mais conhecido dos qubits e avançar para sistemas capazes de carregar mais informação em cada partícula.

Pesquisadores da Universidade Técnica de Viena, em parceria com grupos da China, demonstraram uma nova porta lógica quântica capaz de operar com dois fótons preparados em quatro estados quânticos diferentes. O avanço foi publicado na revista Nature Photonics e é visto como um marco para o desenvolvimento de computadores quânticos ópticos mais eficientes.

Hoje, a computação clássica funciona com bits, representados por 0 ou 1. A computação quântica tradicional já rompe essa barreira ao usar qubits, que podem representar combinações desses dois estados ao mesmo tempo. Mas o novo experimento vai além: em vez de trabalhar apenas com sistemas de dois níveis, os pesquisadores exploraram os chamados qudits, unidades quânticas com mais de dois estados possíveis.

Na prática, isso significa tentar fazer com que cada partícula carregue mais informação, reduzindo a necessidade de usar muitas partículas para executar determinadas operações. Esse ponto é central porque um dos maiores desafios da computação quântica está justamente na instabilidade dos sistemas e na dificuldade de controlar grandes quantidades de unidades quânticas ao mesmo tempo.

O trabalho liderado pela TU Wien usa fótons, partículas de luz, não pela polarização, como ocorre em muitos experimentos quânticos, mas pela forma espacial da onda. Essa forma pode assumir diferentes configurações associadas ao momento angular orbital, abrindo um espaço de operação mais amplo do que o modelo binário tradicional.

Nicolai Friis, do Instituto de Física Atômica e Subatômica da TU Wien, explicou a mudança de abordagem: “Usamos fótons de uma forma fundamentalmente diferente”, e completou: “Não estamos interessados na polarização, mas na forma espacial da onda dos fótons, que pode estar em infinitos estados diferentes, correspondentes a diferentes momentos angulares orbitais.”

A demonstração permitiu entrelaçar e separar, de forma controlada, dois fótons codificados em quatro estados distintos. Esse tipo de operação é essencial porque computadores quânticos precisam de portas lógicas capazes de manipular múltiplas entradas para realizar cálculos complexos. Sem esse controle, a promessa de uma máquina quântica mais poderosa fica restrita ao laboratório.

O aspecto mais relevante do experimento é que a porta lógica foi realizada de maneira “sinalizada”, ou seja, com indicação de quando a operação deu certo. Isso permite repetir o procedimento quando ele falha, característica considerada importante para aplicações práticas em sistemas quânticos mais estáveis e confiáveis.

Friis resumiu o resultado ao afirmar: “Fomos bem-sucedidos ao realizar uma porta lógica quântica que funciona com dois fótons que podem ser preparados em combinações de quatro estados diferentes”. Segundo ele, a equipe conseguiu entrelaçar os fótons e verificar quando o protocolo funcionou, o que representa uma exigência concreta para transformar experimentos em tecnologia utilizável.

O avanço ocorre em um momento em que a computação quântica deixou de ser apenas uma promessa acadêmica e passou a integrar a disputa global por soberania tecnológica. Estados Unidos, China e União Europeia ampliam investimentos em hardwares, algoritmos, criptografia, sensores e comunicação quântica, áreas que podem redefinir desde a segurança digital até a indústria farmacêutica e a modelagem de materiais.

No Brasil, o tema também começa a ganhar espaço institucional. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação incluiu tecnologias quânticas entre áreas estratégicas de fomento, com foco em computação, comunicação e sensoriamento quânticos. A decisão mostra que o país começa a enxergar esse setor como parte da disputa por infraestrutura científica e industrial de longo prazo.

A importância dos qudits está na possibilidade de aumentar a densidade de informação, criar estruturas de entrelaçamento mais ricas e reduzir custos de recursos em determinados algoritmos. Segundo resumo técnico do Nature Index, sistemas quânticos de dimensões elevadas podem melhorar a capacidade de comunicação quântica, reduzir sobrecargas e oferecer caminhos para códigos de correção de erros mais eficientes.

Ainda não se trata de um computador quântico pronto para substituir supercomputadores clássicos. O resultado é um bloco fundamental, não uma máquina completa. Mas blocos fundamentais são exatamente o que define a próxima etapa dessa corrida tecnológica.

A computação quântica óptica, baseada em fótons, tem vantagens estratégicas: pode dialogar melhor com infraestruturas de comunicação por fibra óptica e operar em arquiteturas diferentes das plataformas baseadas em íons aprisionados ou circuitos supercondutores. Se os próximos avanços confirmarem maior estabilidade e escalabilidade, os qudits podem se tornar uma das rotas mais promissoras para máquinas quânticas menos frágeis e mais eficientes.

O que está em jogo não é apenas velocidade de cálculo. É a capacidade de dominar uma tecnologia que pode impactar criptografia, inteligência artificial, simulação molecular, defesa cibernética, logística e novos materiais. Para países que desejam autonomia científica, ficar fora dessa corrida significa depender das plataformas, patentes e infraestruturas controladas pelos grandes polos tecnológicos.

A descoberta da TU Wien com grupos chineses mostra que a computação quântica talvez não precise ficar presa ao “0 e 1” nem mesmo em sua versão mais avançada. Ao abrir novas dimensões para o processamento de informação, os pesquisadores apontam para uma etapa em que menos partículas poderão carregar mais dados — e em que a disputa pelo futuro digital será decidida por quem controlar a física, os chips, os laboratórios e a cadeia industrial por trás dessa revolução.

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Descoberta de €64 bilhões em terras raras na Suécia muda disputa global por minerais estratégicos https://www.ocafezinho.com/2026/04/26/descoberta-de-e64-bilhoes-em-terras-raras-na-suecia-muda-disputa-global-por-minerais-estrategicos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/26/descoberta-de-e64-bilhoes-em-terras-raras-na-suecia-muda-disputa-global-por-minerais-estrategicos/#respond Sun, 26 Apr 2026 21:40:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=240151 Uma das maiores descobertas minerais recentes colocou a Europa no centro da corrida por recursos estratégicos. Um depósito de terras raras avaliado em cerca de €64 bilhões foi identificado no norte da Suécia.

A jazida fica na região de Kiruna, uma área tradicional de mineração.

O local, conhecido como depósito Per Geijer, reúne cerca de 585 milhões de toneladas de minério, com aproximadamente 1 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.

Isso o torna o maior depósito já identificado na Europa.

O valor não está apenas no volume.

As terras raras são consideradas “ouro moderno” por serem essenciais para tecnologias estratégicas.

Entre as aplicações estão:

  • veículos elétricos
  • turbinas eólicas
  • eletrônicos avançados
  • sistemas de defesa

O interesse global é direto.

Hoje, a China domina grande parte da produção e, principalmente, do refino desses minerais, o que gera dependência em outros países.

A descoberta na Suécia muda esse cenário.

Segundo autoridades europeias, o depósito pode ajudar a reduzir a dependência externa e fortalecer a autonomia industrial do continente.

Mas há um ponto importante.

A exploração não será imediata.

Estimativas indicam que a produção pode levar de 10 a 15 anos para começar, devido a exigências ambientais, licenciamento e desafios técnicos.

Ou seja, o impacto é mais estratégico do que imediato.

Mesmo assim, o efeito já é global.

A descoberta ocorre em um momento de alta demanda por minerais críticos, impulsionada pela transição energética e pela digitalização da economia.

Isso inclui:

  • expansão dos carros elétricos
  • crescimento da energia renovável
  • avanço da indústria tecnológica

No plano geopolítico, o movimento é claro.

Terras raras deixaram de ser apenas mineração.

Viraram ativo estratégico.

E passaram a influenciar decisões de Estado.

O dado central não é só o valor de €64 bilhões.

É o reposicionamento.

A Europa começa a construir alternativas à dependência chinesa.

E entra com mais força em uma das disputas mais importantes da economia global no século XXI.

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China lança modelo de IA que recalcula emissões globais e pressiona EUA na disputa climática https://www.ocafezinho.com/2026/04/22/china-lanca-modelo-de-ia-que-recalcula-emissoes-globais-e-pressiona-eua-na-disputa-climatica/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/22/china-lanca-modelo-de-ia-que-recalcula-emissoes-globais-e-pressiona-eua-na-disputa-climatica/#respond Wed, 22 Apr 2026 13:38:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=238202 A China apresentou um modelo de inteligência artificial que redefine o cálculo de emissões de carbono. O sistema reduz o peso das emissões chinesas e amplia a responsabilidade dos Estados Unidos.

O projeto foi desenvolvido pela Academia Chinesa de Ciências, por meio do Instituto de Pesquisa Avançada de Xangai.

A proposta rompe com o modelo tradicional.

Hoje, a maior parte dos sistemas globais mede emissões com base na produção. Ou seja, quem fabrica arca com o carbono emitido.

A China mudou esse critério.

O novo modelo incorpora também o consumo final dos produtos, redistribuindo a responsabilidade para quem utiliza os bens produzidos.

Isso altera os resultados.

Segundo os cálculos do sistema, as emissões da China em 2022 seriam 17,7% menores do que as estimativas padrão internacionais.

Já as dos Estados Unidos seriam 15,2% maiores quando considerado o consumo dos produtos importados.

O impacto é direto na narrativa global.

Países exportadores, como a China, deixam de concentrar toda a responsabilidade pelas emissões industriais.

E países consumidores passam a assumir parcela maior.

O modelo é mais amplo.

Ele integra três dimensões:

  • produção
  • consumo
  • fontes naturais

Essa abordagem cria o que os pesquisadores chamam de sistema “panorâmico” de carbono.

A base tecnológica é robusta.

O sistema reúne mais de 200 terabytes de dados e utiliza inteligência artificial para processar informações em tempo quase real, reduzindo análises que antes levavam semanas para poucos minutos.

Também há ganho de precisão.

O modelo permite rastrear emissões ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo comércio internacional e ciclo de vida dos produtos.

Isso muda a governança climática.

Segundo os pesquisadores, a ferramenta pode criar um sistema mais “justo e científico” de distribuição de responsabilidades entre países.

O movimento tem dimensão geopolítica.

A disputa climática deixou de ser apenas ambiental.

Passou a envolver comércio, indústria e poder global.

Ao mudar a forma de medir emissões, a China também altera o debate sobre tarifas verdes, sanções e políticas industriais.

Isso afeta diretamente o comércio internacional.

Produtos exportados por países industriais podem carregar menos “culpa climática”, enquanto economias consumidoras passam a ter maior exposição.

Para o Brasil, o impacto é relevante.

O país é exportador de commodities e pode se beneficiar de metodologias que considerem o consumo final.

Ao mesmo tempo, precisa acompanhar a evolução das regras.

Novos padrões de carbono podem influenciar tarifas, acesso a mercados e competitividade.

O dado central é a mudança de critério.

Não se trata apenas de medir carbono.

Mas de definir quem é responsável por ele.

E, nesse ponto, a China acaba de propor um novo padrão global.

Com informações da SCMP 

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USP projeta 60 milhões de chips por ano e abre caminho para indústria nacional de semicondutores https://www.ocafezinho.com/2026/04/12/usp-projeta-60-milhoes-de-chips-por-ano-e-abre-caminho-para-industria-nacional-de-semicondutores/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/12/usp-projeta-60-milhoes-de-chips-por-ano-e-abre-caminho-para-industria-nacional-de-semicondutores/#respond Sun, 12 Apr 2026 10:40:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=233669 O Brasil pode produzir até 60 milhões de chips por ano com tecnologia nacional. O projeto liderado pela USP mira o setor automotivo e reduz dependência externa.

A iniciativa gira em torno de um novo modelo industrial. Em vez de megafábricas bilionárias, o país aposta em microfábricas modulares chamadas “PocketFab”.

A lógica é simples e estratégica.

Cada unidade produz cerca de 10 milhões de chips por ano, e o plano prevê até 10 unidades espalhadas pelo país, chegando a 60 milhões anuais.

O investimento inicial da primeira unidade gira em torno de R$ 89 milhões, muito abaixo dos custos tradicionais da indústria global de semicondutores.

O diferencial está no modelo.

As fábricas ocupam cerca de 150 m², operam de forma modular e podem ser replicadas conforme a demanda industrial.

Isso muda a lógica do setor.

Enquanto países como EUA e China investem centenas de bilhões em grandes plantas, o Brasil tenta entrar pela via da flexibilidade e escala distribuída.

O foco inicial é direto: indústria automotiva.

Os chips serão usados em sistemas ADAS, que incluem assistência ao motorista, sensores e eletrônica embarcada.

Esse é um ponto crítico.

A indústria global de veículos sofreu paralisações recentes por falta de semicondutores. Ter produção local reduz esse risco.

Mas o projeto vai além.

Os chips também devem atender:

  • automação industrial
  • Internet das Coisas (IoT)
  • equipamentos médicos

Isso amplia o impacto econômico.

Outro dado relevante é o emprego.

Cada unidade pode gerar até 500 postos de trabalho qualificados, entre engenheiros, técnicos e pesquisadores.

Na escala total, isso pode representar milhares de empregos especializados.

O projeto é uma parceria.

A USP lidera o design dos chips, enquanto o SENAI cuida da validação e integração industrial, com apoio da FIESP.

Esse modelo aproxima pesquisa e indústria.

E resolve um dos maiores gargalos do Brasil: transformar conhecimento acadêmico em produção real.

O contexto global ajuda a entender a importância.

O mercado de semicondutores deve ultrapassar US$ 1 trilhão até 2026, impulsionado por IA, automação e eletrificação.

Hoje, o Brasil é altamente dependente.

Grande parte dos chips consumidos vem da Ásia, especialmente da China.

Isso cria vulnerabilidade.

Crises logísticas ou geopolíticas afetam diretamente a indústria nacional.

O projeto da USP tenta mudar esse cenário.

Não para competir com gigantes como TSMC ou Intel em tecnologia de ponta.

Mas para dominar nichos estratégicos e garantir abastecimento interno.

Para o Brasil, o impacto é estrutural.

Produzir 60 milhões de chips por ano não resolve toda a demanda.

Mas cria base industrial, forma mão de obra e reduz dependência externa.

Também abre espaço para inovação.

Empresas nacionais passam a ter acesso mais rápido e barato a componentes, o que pode impulsionar novos produtos.

No plano geopolítico, o movimento é relevante.

Semicondutores são hoje um dos ativos mais estratégicos do mundo.

Quem controla essa cadeia controla tecnologia, indústria e poder econômico.

O Brasil ainda está no início.

Mas o projeto da USP mostra uma mudança de direção.

Em vez de apenas importar tecnologia, o país começa a construir sua própria capacidade produtiva.

E isso pode definir seu lugar na economia digital das próximas décadas.

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Cientistas desenvolvem “cristais quânticos” capazes de controlar elétrons livres e abrem caminho para novos computadores e catalisadores industriais https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/cientistas-desenvolvem-cristais-quanticos-capazes-de-controlar-eletrons-livres-e-abrem-caminho-para-novos-computadores-e-catalisadores-industriais/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/cientistas-desenvolvem-cristais-quanticos-capazes-de-controlar-eletrons-livres-e-abrem-caminho-para-novos-computadores-e-catalisadores-industriais/#respond Thu, 06 Nov 2025 13:35:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220576 Pesquisadores da Universidade Auburn, nos Estados Unidos, anunciaram o desenvolvimento de uma nova classe de materiais que permite controlar elétrons livres com precisão inédita. A inovação, descrita pelos autores como “cristais quânticos”, pode abrir caminho para avanços em computação quântica e processos industriais de alta eficiência.

A solução foi alcançada por meio da criação de estruturas chamadas “eletretos imobilizados em superfície”, que funcionam como guias capazes de organizar e direcionar elétrons soltos. Esses materiais superam limitações de eletretos anteriormente projetados, que sofriam com baixa estabilidade e falta de escalabilidade.

Estrutura e funcionamento

De acordo com o estudo, os pesquisadores ancoraram moléculas conhecidas como precursores de elétrons solvatados em superfícies altamente resistentes, como diamante e carbeto de silício. Este último é um semicondutor amplamente utilizado em aplicações de alta potência, devido à sua robustez.

A imobilização dessas moléculas cria uma plataforma estável para abrigar elétrons livres. Segundo o professor Evangelos Miliordos, coordenador da equipe, a disposição das moléculas na superfície permite ajustar o comportamento dos elétrons em duas configurações distintas:

Ilhas isoladas, que funcionam como potenciais qubits estáveis para computação quântica;

Um “mar” metálico contínuo, adequado para catalisar reações químicas complexas com elevada eficiência.


“Ao aprender a controlar estes elétrons livres, podemos projetar materiais que fazem coisas que a natureza nunca pretendeu”, afirmou Miliordos.

Avanços científicos e aplicações

O controle direto sobre elétrons soltos representa um marco para a engenharia de materiais. Nos campos químico e tecnológico, elétrons governam processos como reações redox, formação de ligações, condutividade e funcionamento de dispositivos eletrônicos.

Os pesquisadores afirmam que a descoberta tem potencial imediato em duas áreas principais:

Computação quântica – As ilhas de elétrons poderiam formar qubits mais estáveis do que os modelos atuais, uma vez que a perda de coerência é um dos principais obstáculos para a expansão dos computadores quânticos.

Catálise industrial – O “mar de elétrons” pode aumentar drasticamente a eficiência de reações químicas, beneficiando setores como produção de combustíveis, síntese farmacêutica e fabricação de materiais industriais. A expectativa é que processos se tornem mais rápidos, baratos e sustentáveis.

Konstantin Klyukin, membro da equipe, destacou que o estudo inaugura novas possibilidades tecnológicas. “Esta é uma ciência fundamental, mas com implicações muito reais. Estamos falando de tecnologias que podem mudar a forma como computamos e como fabricamos.”

Os resultados reforçam o avanço de materiais projetados para manipulação quântica, campo estratégico para diversas áreas, da inteligência artificial à transição energética.

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Super computador Helios é anunciado e abre nova era de IA quântica para empresas https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/super-computador-helios-e-anunciado-e-abre-nova-era-de-ia-quantica-para-empresas/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/super-computador-helios-e-anunciado-e-abre-nova-era-de-ia-quantica-para-empresas/#respond Thu, 06 Nov 2025 13:19:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220573 A Quantinuum anunciou o Helios, descrito pela companhia como o computador quântico comercial de uso geral mais preciso do mundo, marcando um avanço para a aplicação corporativa de inteligência artificial quântica generativa.

Segundo a empresa, a tecnologia permite programar o sistema de forma semelhante aos computadores tradicionais, graças à nova linguagem Guppy, baseada em Python e projetada para integrar computação clássica e quântica em um único programa.

“Pela primeira vez, empresas podem acessar um computador quântico de uso geral altamente preciso para gerar impacto no mundo real, transformando a maneira como as indústrias inovam – da descoberta de medicamentos às finanças e aos materiais avançados”, afirmou o presidente-executivo da Quantinuum, Rajeeb Hazra.

Aplicações e parceria com a Nvidia

O Helios foi desenvolvido para incorporar dados gerados por computação quântica em modelos de inteligência artificial, ampliando o potencial de aplicações em áreas como análise de dados, química, design de materiais e otimização. Para reforçar esse processo, a Quantinuum expandirá sua parceria com a Nvidia, integrando o processador GB200 ao Helios por meio do sistema NVQLink, voltado a aplicações específicas de IA quântica.

Nos testes conduzidos nos últimos meses, empresas selecionadas avaliaram diferentes aplicações do sistema:

BMW Group: pesquisa de materiais para catalisadores de células a combustível;

JPMorgan Chase: estudos sobre capacidades para análises financeiras avançadas;

SoftBank Corp: exploração de materiais orgânicos para baterias, interruptores ópticos e células solares;

Amgen: uso de aprendizado híbrido quântico-clássico para descoberta de biológicos;

BlueQubit: reconhecimento de imagens com IA usando vídeos reais de direção.


A Quantinuum também informou que construirá um centro de pesquisa e desenvolvimento em Singapura, em parceria com o Escritório Nacional de Computação Quântica (NQO) e o Centro Nacional de Computação Quântica (NQCH). O objetivo é acelerar projetos comerciais nas áreas de biologia computacional, modelagem financeira, materiais avançados, química e otimização combinatória.

Arquitetura e desempenho do Helios

O computador opera com 98 qubits totalmente conectados, permitindo processar cálculos complexos com taxa de erro muito inferior à de sistemas concorrentes. De acordo com a Quantinuum, a precisão se aproxima de 100% em determinados processos.

“Seria necessário coletar energia de todas as estrelas do universo para alimentar uma máquina clássica capaz de realizar os mesmos cálculos que fizemos com o Helios”, afirmou Anthony Ransford, arquiteto líder do projeto. Segundo ele, o sistema operou utilizando apenas a energia de um rack de data center.

Uma das inovações da máquina é a estrutura interna semelhante a um “cruzamento”, que permite mover qubits de forma coordenada e confiável, reduzindo a complexidade física do computador. Esse arranjo prepara o caminho para máquinas com centenas de cruzamentos, formando redes internas mais densas.

Outra mudança relevante foi a substituição dos qubits de itérbio por qubits de bário, que simplificam o uso de lasers no sistema, aprimoram a detecção de erros e aumentam a estabilidade atômica dos cálculos.

Com a nova geração de hardware e linguagem de programação integrada, a Quantinuum afirma que empresas já podem explorar aplicações de IA quântica generativa em escala comercial, entrando em uma nova fase de competitividade no setor.

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China revela supercomputador do tamanho de um frigobar que promete revolucionar a computação doméstica https://www.ocafezinho.com/2025/10/28/china-revela-supercomputador-do-tamanho-de-um-frigobar-que-promete-revolucionar-a-computacao-domestica/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/28/china-revela-supercomputador-do-tamanho-de-um-frigobar-que-promete-revolucionar-a-computacao-domestica/#respond Tue, 28 Oct 2025 18:34:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220009 Pesquisadores da China apresentaram um novo equipamento de alta performance que promete unir a potência de um supercomputador ao tamanho de um eletrodoméstico comum. Chamado de BI Explorer — ou BIE-1 —, o modelo é resultado de uma parceria entre duas empresas incubadas no Guangdong Institute of Intelligence Science and Technology (GDIIST).

Com dimensões semelhantes às de um frigobar, o BIE-1 pode ser ligado diretamente em tomadas residenciais ou corporativas e se destaca pelo baixo consumo de energia, estimado em apenas 10% do gasto de supercomputadores convencionais.

Miniaturização e eficiência energética

De acordo com informações divulgadas pelos laboratórios responsáveis, o BIE-1 foi desenvolvido para trazer a capacidade de processamento de centros de dados para ambientes domésticos e empresariais.

Mesmo sem todos os detalhes técnicos publicados, o protótipo apresenta especificações impressionantes:

1.152 núcleos de CPU;

4,8 TB de memória DDR5;

204 TB de armazenamento interno;

nível de ruído abaixo de 45 decibéis;

temperatura operacional estável abaixo de 70 °C.


O projeto é conduzido pelas empresas Zhuhai Hengqin Neogenint Technology e Suiren Medical Technology, que atuam em parceria dentro do GDIIST. Segundo o instituto, o BIE-1 foi pensado como um equipamento versátil e modular, adequado para uso em diferentes setores, como saúde domiciliar, educação personalizada e automação de escritórios.

Aplicações e proposta de uso

O objetivo é que o dispositivo funcione como um superassistente inteligente, capaz de executar tarefas complexas de computação local — sem depender totalmente de servidores externos ou conexões em nuvem.

Entre as aplicações previstas estão:

monitoramento contínuo de parâmetros de saúde em residências;

suporte a tutores virtuais personalizados para ensino doméstico;

assistência cognitiva em ambientes de trabalho;

uso em laboratórios e pequenas empresas que demandem processamento intensivo de dados, mas com limitação de espaço e energia.


A equipe afirma que o aparelho poderá ser comercializado em versões ajustadas ao perfil de uso — desde modelos simplificados até configurações corporativas mais robustas.

Desempenho e capacidade de IA

Um dos aspectos mais notáveis do BIE-1 é seu desempenho em tarefas de inteligência artificial (IA). Segundo os desenvolvedores, o sistema consegue treinar 100 mil tokens por segundo e realizar inferências de até 500 mil tokens por segundo em modelos de linguagem de grande porte — desempenho equivalente ao de servidores equipados com múltiplas GPUs.

Isso significa que o BIE-1 poderia executar localmente sistemas de IA generativa, como assistentes conversacionais, tradutores neurais e ferramentas de análise de imagem, sem depender de grandes infraestruturas em nuvem.

A potência, segundo os criadores, é alcançada graças a uma “rede neural intuitiva” desenvolvida internamente, que imita os mecanismos de processamento do cérebro humano. Essa arquitetura permite que o sistema aprenda com pequenas quantidades de dados e extraia padrões complexos com rapidez.

Rede neural intuitiva: o segredo do projeto

De acordo com a Neogenint e a Suiren Medical, a tecnologia central do BIE-1 é uma rede neural proprietária de inspiração biológica, projetada para trabalhar com múltiplas modalidades de dados — texto, imagem e fala — em um mesmo modelo.

Diferente de arquiteturas tradicionais de IA, baseadas em cálculos estatísticos massivos, a rede intuitiva do BIE-1 busca simular processos cognitivos humanos, tornando o raciocínio da máquina mais explicável.

Os pesquisadores destacam que o sistema é transparente, permitindo visualizar passo a passo o raciocínio e a construção de argumentos, o que representa um avanço em direção a uma IA mais interpretável e segura.

“Essa capacidade de mostrar como o sistema chegou a uma conclusão é um divisor de águas. É o tipo de transparência que falta em muitos modelos atuais”, afirmou um dos cientistas do GDIIST, durante o lançamento.


Potencial industrial e autonomia digital

O lançamento do BIE-1 ocorre em um contexto de forte investimento da China em autonomia tecnológica e redução da dependência de chips estrangeiros. O país tem buscado desenvolver hardware nacional de alto desempenho capaz de sustentar suas ambições em inteligência artificial, computação quântica e supercomputação.

A miniaturização do BIE-1 pode representar um novo paradigma para a indústria de computação avançada, aproximando o poder de supermáquinas de laboratórios, empresas e até residências.

Especialistas afirmam que o projeto reflete a estratégia chinesa de “democratizar o supercálculo”, descentralizando o acesso à capacidade de processamento.

“Se o desempenho prometido for confirmado, o BIE-1 inaugura uma nova categoria de dispositivos: os supercomputadores pessoais”, avaliou o analista de tecnologia Zhang Lei, da revista TechChina.


Desafios e próximos passos

Apesar do entusiasmo, o laboratório ainda não apresentou o equipamento em operação nem revelou detalhes sobre disponibilidade comercial ou custo. Também não há informações sobre o tipo de processadores utilizados — se são chips proprietários ou versões otimizadas de arquiteturas conhecidas, como ARM ou RISC-V.

Analistas apontam que o maior desafio será equilibrar alto desempenho, refrigeração e eficiência energética em um formato tão compacto.

Ainda assim, o projeto já desperta interesse internacional. Universidades e centros de pesquisa da Europa e da Ásia manifestaram intenção de testar a plataforma, especialmente em projetos de IA aplicada à saúde, robótica e automação educacional.

Supercomputação de mesa

Com o BI Explorer, a China entra em um novo território tecnológico, combinando supercomputação, inteligência artificial e design compacto.

Se o desempenho e a eficiência anunciados forem confirmados, o BIE-1 poderá redefinir o conceito de supercomputador pessoal, trazendo para o cotidiano capacidades até então restritas a grandes centros de pesquisa — e reforçando a posição chinesa na corrida global pela computação de alta performance acessível e inteligente.

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China lança supercomputador de IA no espaço e inaugura nova era de data centers em órbita https://www.ocafezinho.com/2025/10/10/china-lanca-supercomputador-de-ia-no-espaco-e-inaugura-nova-era-de-data-centers-em-orbita/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/10/china-lanca-supercomputador-de-ia-no-espaco-e-inaugura-nova-era-de-data-centers-em-orbita/#respond Sat, 11 Oct 2025 00:35:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219059 A China deu início a um dos projetos mais ambiciosos de sua história tecnológica: a criação do primeiro supercomputador de inteligência artificial (IA) em órbita. O país já colocou em operação os satélites iniciais da constelação Three-Body Computing Constellation, que deve funcionar como um data center espacial capaz de processar informações diretamente no espaço — sem depender do envio massivo de dados para a Terra.

O objetivo é desenvolver uma nova infraestrutura de processamento capaz de reduzir o impacto ambiental dos centros de dados terrestres e, ao mesmo tempo, lidar com o volume crescente de informações geradas por satélites.

Primeira constelação de IA em órbita

Em maio de 2025, Pequim iniciou oficialmente a construção da Three-Body Computing Constellation, uma rede de satélites interconectados projetada para operar como o primeiro data center de IA no espaço.

De acordo com estimativas divulgadas por fontes do setor aeroespacial chinês, o sistema poderá atingir uma capacidade de até mil petaoperações por segundo, tornando-se capaz de realizar análises complexas diretamente em órbita. Em vez de transmitir grandes volumes de dados brutos para o solo, os satélites enviarão apenas os resultados processados, otimizando tempo, energia e largura de banda.

Essa iniciativa coloca a China na vanguarda da computação espacial. Até agora, ideias semelhantes apareciam apenas em projetos experimentais ou estudos de viabilidade conduzidos por governos e empresas privadas. O país asiático é o primeiro a transformar o conceito em uma operação real e em escala.

Motivos por trás do projeto

Os data centers terrestres são a base de toda a infraestrutura de IA moderna, mas também representam um dos maiores desafios ambientais da era digital.

Essas instalações demandam grande consumo de energia elétrica para manter servidores operando 24 horas por dia e milhões de litros de água para o resfriamento dos equipamentos. Com o avanço dos modelos de linguagem e sistemas inteligentes — como o ChatGPT, da OpenAI, e o Gemini, do Google —, essa pressão sobre os recursos naturais tem aumentado rapidamente.

No espaço, parte desses problemas pode ser mitigada. A energia solar em órbita é praticamente ilimitada e livre de interrupções causadas por clima ou estações. Além disso, o vácuo frio do espaço atua como um sistema natural de refrigeração, reduzindo drasticamente a necessidade de água e diminuindo o impacto ambiental.

Outra vantagem é o processamento local dos dados. Satélites de observação ou monitoramento poderiam executar algoritmos de reconhecimento de imagem ou detecção de padrões diretamente em órbita, transmitindo apenas relatórios e alertas consolidados para a Terra. Isso reduziria o tráfego de informações e aumentaria a agilidade das decisões em operações meteorológicas, ambientais ou de segurança.

Como o supercomputador espacial deve funcionar

O Three-Body Computing Constellation foi projetado para operar de forma distribuída: cada satélite funcionará como um nó de processamento dentro de uma grande rede de computação de borda. Essa arquitetura permitirá análises paralelas e execução simultânea de algoritmos de IA, de maneira semelhante a um supercomputador tradicional, mas com menor custo energético e maior eficiência.

As aplicações vão desde o monitoramento de desastres naturais até o controle em tempo real de sistemas agrícolas e logísticos. As informações coletadas por sensores e câmeras serão processadas no espaço, reduzindo o tempo entre a captura e a análise.

Benefícios e implicações estratégicas

O impacto ambiental é um dos principais pontos defendidos pelos engenheiros chineses envolvidos no projeto. A expectativa é que o novo modelo reduza a necessidade de construir data centers terrestres em larga escala, contribuindo para metas de sustentabilidade e eficiência energética.

No campo tecnológico, o supercomputador espacial promete acelerar a integração entre IA e operações orbitais, criando um ecossistema autossuficiente de coleta, processamento e transmissão de dados. Essa estrutura também abre caminho para novas formas de comunicação e controle em setores estratégicos, como previsão climática, defesa e pesquisa científica.

Além disso, o projeto tem uma dimensão geopolítica clara. Ao liderar a criação de um data center em órbita, a China antecipa uma tendência global e estabelece uma vantagem competitiva na corrida por tecnologias espaciais de próxima geração. O país busca posicionar-se como referência na computação orbital, combinando avanços em IA, satélites e energia solar.

Desafios e riscos tecnológicos

Apesar do potencial, especialistas apontam que o projeto enfrenta barreiras técnicas significativas. A operação de supercomputadores no espaço exige componentes resistentes à radiação cósmica, ao vácuo extremo e às oscilações bruscas de temperatura.

A comunicação entre os satélites e as estações terrestres também precisa ser altamente estável e segura, para evitar perdas de dados e garantir a integridade das análises processadas em órbita.

Há ainda desafios relacionados à manutenção e atualização dos equipamentos. Como cada satélite atua como parte do sistema de processamento, falhas em um ou mais módulos podem comprometer o desempenho geral da constelação.

Mesmo assim, a China aposta que a experiência adquirida na construção de constelações de comunicação e em missões lunares e marcianas fornecerá a base técnica necessária para superar essas limitações.

O futuro da computação em órbita

Com o avanço do Three-Body Computing Constellation, a China dá um passo decisivo para inaugurar uma nova fronteira tecnológica, onde o espaço se torna não apenas uma fonte de dados, mas também um ambiente de inteligência e processamento.

Se o projeto atingir seus objetivos, poderá redefinir o conceito de infraestrutura digital e abrir um novo capítulo na integração entre computação, energia e exploração espacial.

A experiência chinesa pode servir de modelo para outras potências e empresas privadas que buscam soluções mais sustentáveis e eficientes para a era da inteligência artificial.

📊 Resumo do projeto chinês de supercomputador espacial:

Nome: Three-Body Computing Constellation

Início: maio de 2025

Função: primeiro data center de IA em órbita

Capacidade estimada: até mil petaoperações por segundo

Vantagens: uso contínuo de energia solar, refrigeração natural e redução de custos ambientais

Desafios: radiação, manutenção e segurança de dados

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China acelera corrida pela computação inteligente e desafia liderança global dos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/08/26/china-acelera-corrida-pela-computacao-inteligente-e-desafia-lideranca-global-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/26/china-acelera-corrida-pela-computacao-inteligente-e-desafia-lideranca-global-dos-eua/#respond Tue, 26 Aug 2025 13:16:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216173 A China projeta um crescimento superior a 40% em seu poder de computação inteligente em 2025, segundo dados divulgados na China Computing Power Conference, realizada em Pequim.

O avanço, impulsionado pela inteligência artificial (IA), coloca o país em uma nova fase de desenvolvimento tecnológico e reforça sua posição como segunda maior potência mundial em capacidade computacional, atrás apenas dos Estados Unidos.

Escalada sem precedentes

Em junho de 2025, a China já havia alcançado 788 EFLOPS em poder de computação inteligente, contra apenas 90 EFLOPS no fim de 2024 — um crescimento exponencial. Para efeito de comparação, a capacidade total do país no ano passado era de 280 EFLOPS, sendo apenas 32% de computação inteligente.

O governo chinês, por meio da Administração Nacional de Dados (NDA), prevê uma expansão de 20% ao ano na infraestrutura e investimentos de mais de 500 bilhões de yuans (US$ 69,8 bilhões) por gigantes da internet nos próximos três anos.

Aplicações práticas da IA

Especialistas destacam que a explosão da capacidade computacional acompanha a multiplicação de usos da IA em setores estratégicos:

Saúde: diagnósticos médicos mais rápidos via análise de imagens.

Educação: plataformas de aprendizado adaptativo e ambientes virtuais imersivos.

Agronegócio: plantio de precisão e uso de robôs agrícolas.

Indústria e cidades inteligentes: automação e análise de dados em tempo real.

Economia de baixa altitude: uso de drones e veículos aéreos em logística.

Mais de 23 mil projetos de inovação já foram registrados em competições nacionais, abrangendo também setores como finanças, energia e mobilidade.

Avanços em chips e infraestrutura

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) planeja integrar regiões do leste e oeste da China para equilibrar oferta e demanda de recursos computacionais. Um dos pontos centrais é o desenvolvimento de chips domésticos de alto desempenho, capazes de sustentar a nova geração de IA.

O destaque da conferência foi o modelo DeepSeek-V3.1, otimizado para chips locais e que utiliza o padrão FP8 — reduzindo a representação numérica para 8 bits, dobrando a eficiência energética e ampliando a capacidade de treinamento de modelos de grande escala.

Impacto econômico

Segundo o China Telecom Research Institute, a IA pode adicionar até 11 trilhões de yuans ao PIB chinês até 2035, o equivalente a 4% a 5% da economia do país. A expectativa é que a demanda por computação seja multiplicada de 10 a 100 vezes nos próximos anos, transformando radicalmente a competitividade da China frente a EUA e Europa.

O ciclo de reforço entre chips, IA e poder de computação

Zhang Xiaorong, do Cutting-Edge Technology Research Institute, resumiu o desafio estratégico:

“As aplicações de IA impulsionam a demanda por poder de computação, que depende de chips avançados. Esses, por sua vez, permitem sistemas mais eficientes, criando um ciclo de reforço em que cada componente acelera a evolução do outro.”

Conclusão

Com a combinação de investimentos massivos, desenvolvimento de chips locais e aplicação prática da IA em larga escala, a China entra em uma corrida que não é apenas tecnológica, mas também geopolítica.

Se cumprir as projeções de crescimento de 40% em 2025, o país pode reduzir a distância para os EUA e consolidar o yuan tecnológico como pilar de sua estratégia global.

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China ultrapassa Google com nova geração de computadores quânticos https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/china-ultrapassa-google-com-nova-geracao-de-computadores-quanticos/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/china-ultrapassa-google-com-nova-geracao-de-computadores-quanticos/#respond Wed, 25 Jun 2025 21:05:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211349 A China tem acelerado seus investimentos e desenvolvimentos em computação quântica, com foco em aplicações industriais de grande escala, segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua. A estratégia busca consolidar a posição do país como liderança global na corrida tecnológica, ao transformar descobertas científicas em soluções práticas para setores como finanças, inteligência artificial e simulações químicas.

Em março de 2025, pesquisadores chineses apresentaram o “Zuchongzhi 3.0”, um protótipo de computador quântico supercondutor com 105 qubits. O sistema demonstrou capacidade de superar significativamente os computadores clássicos mais avançados.

De acordo com os cientistas responsáveis, o equipamento realizou tarefas de amostragem de circuitos aleatórios com velocidade quadrilhões de vezes superior à dos supercomputadores tradicionais. Os dados também indicam que o Zuchongzhi 3.0 é um milhão de vezes mais rápido do que os resultados mais recentes do Google, divulgados em outubro de 2024.

A demonstração da chamada “vantagem quântica” posiciona o Zuchongzhi 3.0 como um marco tecnológico, ao oferecer desempenho inatingível por arquiteturas clássicas. O conceito de vantagem quântica refere-se à capacidade de sistemas baseados em qubits realizarem operações que são inviáveis para máquinas convencionais em tempo razoável.

Outro destaque do setor vem da startup Origin Quantum, com sede na cidade de Hefei, na província chinesa de Anhui. A empresa desenvolveu o computador quântico supercondutor “Origin Wukong”, equipado com 72 qubits. Este sistema já presta serviços de computação em nuvem para usuários em escala internacional.

Segundo a Origin Quantum, mais de 23 milhões de pessoas em 139 países acessaram os serviços oferecidos pelo Origin Wukong. Foram executadas, até o momento, cerca de 350.000 tarefas relacionadas à computação quântica, número que evidencia o crescimento do uso prático da tecnologia. A companhia também atua no fornecimento de soluções para empresas e instituições de pesquisa interessadas em explorar o potencial quântico em problemas complexos.

O avanço do setor está diretamente ligado à estratégia de desenvolvimento científico da China. O governo central definiu a computação quântica como prioridade no esforço nacional de alcançar autossuficiência tecnológica. Essa diretriz inclui investimentos contínuos em programas estratégicos voltados à inovação e ao fortalecimento da indústria de alta tecnologia.

De acordo com o plano nacional de ciência e tecnologia, a China tem investido em centros de pesquisa, formação de talentos e parcerias entre empresas privadas e universidades. A meta é consolidar uma base técnica capaz de viabilizar o uso da computação quântica em aplicações industriais escaláveis, além de garantir segurança e soberania em áreas críticas.

Com os resultados apresentados recentemente, a China não apenas se destaca na pesquisa fundamental, como também busca converter esse conhecimento em produtos e serviços que possam ser implementados no mercado global. O movimento ocorre em um momento de disputa tecnológica crescente com os Estados Unidos, especialmente no campo da computação de próxima geração.

Apesar de outros países também manterem iniciativas de peso na área, como os Estados Unidos, Alemanha e Japão, os avanços divulgados por instituições chinesas mostram uma aceleração expressiva na corrida pela supremacia quântica. O lançamento de sistemas funcionais, com capacidade de atender milhões de usuários em tempo real, representa um passo além da pesquisa acadêmica.

Especialistas observam que, à medida que o desempenho desses computadores aumenta, cresce também a possibilidade de impacto direto sobre setores estratégicos. Problemas matemáticos complexos, otimização de processos industriais, desenvolvimento de novos materiais e análise de grandes volumes de dados são alguns dos exemplos de aplicações possíveis.

Enquanto a computação quântica ainda enfrenta desafios como estabilidade dos qubits, correção de erros e escalabilidade dos sistemas, os protótipos chineses indicam que as barreiras técnicas vêm sendo superadas gradualmente. O esforço contínuo em pesquisa e desenvolvimento tem gerado resultados que aproximam a tecnologia de um ponto de virada, com potencial para alterar estruturas produtivas e capacidades analíticas em escala global.

Com isso, a China não apenas acelera sua presença no setor quântico, mas estabelece metas concretas de aplicação em indústrias de ponta. O movimento reforça a tendência de que a próxima década será marcada pela incorporação de soluções baseadas em computação quântica em setores fundamentais da economia global.

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China começa a construir o primeiro supercomputador do mundo que ficará em órbita da Terra https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/china-comeca-a-construir-o-primeiro-supercomputador-do-mundo-que-ficara-em-orbita-da-terra/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/china-comeca-a-construir-o-primeiro-supercomputador-do-mundo-que-ficara-em-orbita-da-terra/#respond Thu, 15 May 2025 13:09:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208753 A China deu início à formação de sua primeira constelação de satélites voltada para computação espacial, com o lançamento de 12 unidades equipadas com sistemas de inteligência artificial e comunicação intersatélite.

Os satélites foram enviados à órbita terrestre por um foguete Longa Marcha 2D, lançado a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste do país, por volta do meio-dia de quarta-feira (horário local), segundo informou o jornal estatal Guangming Daily.

O projeto faz parte da Constelação de Computação de Três Corpos, uma infraestrutura em desenvolvimento pelo Zhejiang Lab, instituto de pesquisa apoiado pelo governo da província de Zhejiang.

A iniciativa busca construir uma rede orbital capaz de realizar processamento de dados em tempo real no espaço, com capacidade computacional estimada em até 1.000 peta operações por segundo (POPS), o equivalente a um quintilhão de operações por segundo, quando plenamente operante.

Em comparação, o supercomputador El Capitan, desenvolvido pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, e considerado um dos mais potentes da atualidade, atinge uma capacidade de 1,72 POPS. A constelação chinesa, portanto, busca rivalizar com os maiores centros de processamento de dados baseados em solo.

Cada um dos satélites lançados possui capacidade de processamento de até 744 trilhões de operações por segundo.

A comunicação entre os dispositivos será feita por meio de enlaces ópticos de alta velocidade, com taxa de transferência de até 100 gigabits por segundo. Essa primeira formação orbital possui capacidade computacional combinada de 5 POPS e armazenamento de até 30 terabytes a bordo.

O projeto inclui também um modelo de inteligência artificial com 8 bilhões de parâmetros, projetado para operar diretamente no espaço e capaz de realizar processamento de dados brutos coletados por sensores embarcados.

Segundo informações divulgadas, a constelação será utilizada para validar tecnologias como comunicação óptica entre satélites, computação descentralizada e observações astronômicas.

O Zhejiang Lab foi responsável pelo desenvolvimento dos sistemas de IA embarcados e dos modelos espaciais que sustentam a operação computacional dos satélites.

A empresa Guoxing Aerospace, com sede em Chengdu, desenvolveu as plataformas de satélites inteligentes e coordenou a montagem dos equipamentos.

Já a HiStarlink, uma startup chinesa especializada em sistemas de comunicação óptica, forneceu os terminais a laser que possibilitam a transferência de dados de alta velocidade entre os satélites.

A proposta de criar centros de dados orbitais se insere em uma tendência crescente de descentralização da computação em larga escala, com possíveis implicações para eficiência energética e redução do uso de recursos naturais.

Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers ao redor do mundo poderão consumir mais de 1.000 terawatts-hora de eletricidade anualmente até 2026, o que equivale aproximadamente ao consumo de energia elétrica de todo o Japão.

Além da demanda energética, há o fator do consumo de água utilizado no resfriamento dessas instalações. Apenas em 2022, o Google informou ter utilizado cerca de 19,7 bilhões de litros de água para refrigerar seus data centers.

A alternativa apresentada pelos centros de dados espaciais está relacionada à possibilidade de uso contínuo de energia solar e à dissipação direta do calor no vácuo espacial, reduzindo custos operacionais e impactos ambientais.

Jonathan McDowell, astrônomo e historiador espacial da Universidade de Harvard, afirmou que a ideia de computação em nuvem no espaço tem ganhado relevância. “Os data centers orbitais podem usar energia solar e irradiar seu calor para o espaço, reduzindo as necessidades de energia e a pegada de carbono”, disse.

Segundo McDowell, o lançamento feito pela China representa o primeiro teste substancial da viabilidade técnica da infraestrutura de rede orbital voltada à computação. Ele acrescentou que China, Estados Unidos e Europa podem vir a desenvolver iniciativas semelhantes nos próximos anos.

A computação em órbita representa uma mudança no modelo tradicional de operação de satélites, que até então coletavam dados no espaço e os transmitiam para processamento em estações terrestres.

Este método enfrenta limitações relacionadas à largura de banda e disponibilidade de conexão com a Terra, o que restringe o volume de dados efetivamente processados. Estima-se que menos de 10% das informações captadas por satélites chegam à superfície para análise.

Com os novos satélites chineses, a expectativa é que dados coletados possam ser processados diretamente no espaço, acelerando a produção de informações e diminuindo a dependência de infraestrutura terrestre.

Ainda não há cronograma oficial divulgado para a conclusão total da Constelação de Computação de Três Corpos, mas o lançamento atual representa um marco inicial no desenvolvimento de capacidades avançadas de processamento em órbita por parte da China. As autoridades responsáveis não informaram o número final de satélites previstos, mas fontes ligadas ao Zhejiang Lab indicam que novos lançamentos deverão ocorrer nos próximos meses.

A missão marca mais um passo da China na ampliação de sua presença tecnológica no espaço, em meio à crescente competição internacional por domínio em áreas como inteligência artificial, comunicação segura e exploração orbital.

Com informações da SCMP

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Empresa chinesa avança no uso de computação quântica para aplicações biomédicas https://www.ocafezinho.com/2025/04/29/empresa-chinesa-avanca-no-uso-de-computacao-quantica-para-aplicacoes-biomedicas/ https://www.ocafezinho.com/2025/04/29/empresa-chinesa-avanca-no-uso-de-computacao-quantica-para-aplicacoes-biomedicas/#respond Tue, 29 Apr 2025 13:24:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207752 A empresa chinesa Origin Quantum anunciou a aplicação de sua tecnologia de computação quântica em áreas biomédicas, incluindo exames de detecção de câncer de mama e desenvolvimento de medicamentos, como parte do esforço nacional da China para ampliar a utilização prática dessa tecnologia.

A iniciativa representa um passo no processo de comercialização de soluções quânticas em ambientes clínicos e farmacêuticos. Com sede em Hefei, a Origin Quantum é apoiada pela Academia Chinesa de Ciências e integra a estratégia chinesa de autossuficiência tecnológica.

De acordo com o China News Service, a empresa demonstrou o uso de seu computador quântico, o Origin Wukong, em procedimentos biomédicos, incluindo exames de mamografia e modelagem molecular.

Segundo o relatório, o equipamento mostrou capacidade para processar dados de imagens médicas de alta complexidade de forma significativamente mais rápida que sistemas convencionais.

A empresa afirma que o desempenho do Origin Wukong pode enfrentar desafios associados a métodos tradicionais de mamografia, como a alta incidência de falsos positivos e limitações operacionais.

Além disso, a Origin Quantum cooperou com a Universidade Fudan e outras instituições de pesquisa em iniciativas que envolvem o uso de computação quântica para prever estruturas cristalinas e projetar medicamentos com moléculas pequenas.

A empresa lançou ferramentas com capacidade para prever toxicidade de compostos e realizar análises de interações entre medicamentos, conforme informou Zhao Xuejiao, vice-diretor da companhia.

A computação quântica é baseada em princípios da mecânica quântica e permite resolver cálculos de alta complexidade em escalas de tempo reduzidas. No setor biomédico, a expectativa de pesquisadores é que a tecnologia possibilite avanços em diagnóstico, desenvolvimento de fármacos e análise de dados genômicos.

A adoção de soluções quânticas na área médica também é objeto de interesse internacional. Em setembro de 2023, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos lançou o programa “Inovações e Tecnologias Biomédicas Quânticas”, com o objetivo de promover o uso de tecnologias quânticas em aplicações médicas.

O avanço da Origin Quantum ocorre em um cenário de tensão tecnológica entre Estados Unidos e China. A empresa integra uma lista de 22 instituições de pesquisa chinesas em computação quântica adicionadas em maio de 2023 à lista de restrições comerciais dos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Comércio norte-americano, as entidades teriam tentado obter tecnologia de origem americana para aprimorar suas capacidades no setor.

O computador Origin Wukong, lançado em janeiro de 2023, é descrito pela empresa como um sistema desenvolvido com alto grau de autonomia. De acordo com o site da Origin Quantum, mais de 80% dos componentes do sistema, incluindo hardware, chips, sistema operacional e software, são de produção nacional.

Em outubro de 2023, a empresa informou que seu chip de 72 qubits, desenvolvido internamente, operava de forma estável no Origin Wukong havia nove meses. Na mesma ocasião, a empresa anunciou planos de ampliar sua capacidade de produção de chips e suas instalações de montagem de computadores quânticos.

Fundada em 2017, a Origin Quantum surgiu a partir de um laboratório da Academia Chinesa de Ciências e foi criada pelos físicos Guo Guoping e Guo Guangcan, ambos professores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China.

A companhia conta com apoio financeiro de fundos vinculados ao governo, incluindo o Fundo de Investimento em Internet da China, gerido pela Administração do Ciberespaço da China, e o Shenzhen Capital Group. A atuação da empresa se insere no contexto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura tecnológica e científica do país.

A aplicação da computação quântica no setor biomédico é observada por órgãos reguladores e centros de pesquisa em diversas partes do mundo, que avaliam tanto seu potencial técnico quanto os desafios éticos, operacionais e de segurança associados ao uso de algoritmos avançados em ambientes clínicos.

A Origin Quantum ainda não informou datas específicas para a disponibilização comercial das soluções biomédicas testadas, nem detalhes sobre parcerias com instituições médicas para eventual implementação em escala.

No entanto, o anúncio dos testes bem-sucedidos indica a continuidade do esforço chinês para ampliar o escopo da computação quântica no setor de saúde e aumentar a independência tecnológica em setores estratégicos.

Com informações do SCMP

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Pesquisadores chineses quebram barreira de código quântico e alcançam nova etapa de fatoração https://www.ocafezinho.com/2025/04/22/pesquisadores-chineses-quebram-barreira-de-codigo-quantico-e-alcancam-nova-etapa-de-fatoracao/ Tue, 22 Apr 2025 13:47:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207297 Uma equipe de pesquisadores da China anunciou um avanço no campo da criptologia quântica ao fatorar com sucesso um número RSA de 90 bits utilizando um computador quântico D-Wave Advantage.

A conquista foi liderada pelo professor Wang Chao, da Universidade de Xangai, e representa um novo marco na aplicação de tecnologias quânticas em sistemas de segurança digital.

O RSA é um dos algoritmos criptográficos mais utilizados na proteção de comunicações digitais. Sua segurança é baseada na dificuldade matemática de fatorar números inteiros grandes.

O avanço divulgado pela equipe chinesa amplia o debate global sobre a capacidade de computadores quânticos em quebrar sistemas criptográficos, uma possibilidade conhecida como Dia Q — cenário em que máquinas quânticas teriam poder suficiente para decifrar algoritmos considerados seguros.

A pesquisa foi realizada por meio da integração de algoritmos de recozimento quântico com técnicas clássicas de criptografia.

O processo envolveu o uso do sistema D-Wave Advantage, equipamento desenvolvido no Canadá com capacidade de 5.760 qubits, unidades fundamentais de informação na computação quântica.

Segundo o professor Wang, a abordagem adotada pela equipe utilizou uma combinação de física quântica, criptografia e arquitetura computacional para superar limitações técnicas anteriores.

“A força do recozimento quântico reside em sua capacidade de escapar rapidamente de ótimos locais e se aproximar de uma solução global por meio do tunelamento quântico”, afirmou Wang no artigo que descreve a pesquisa.

Para realizar a fatoração, os pesquisadores transformaram o problema RSA em um Problema de Vetor Mais Próximo (CVP).

Em seguida, aplicaram múltiplos algoritmos clássicos junto ao efeito de tunelamento quântico para otimizar a solução. A técnica de recozimento quântico busca o estado de menor energia de um sistema, o que corresponde à melhor solução possível para o problema em análise.

O resultado supera marcas anteriores de fatoração quântica. Pesquisadores da Fujitsu haviam alcançado fatoração de 9 bits, enquanto a Lockheed Martin registrou 13 bits e a Universidade Purdue, 20 bits.

Até 2023, estudos conduzidos por pesquisadores do Google e da IonQ apontavam que a fatoração de números RSA acima de 80 bits continuava inviável com a tecnologia disponível.

Em 2024, o Google lançou o chip quântico Willow, mas o dispositivo ainda não foi utilizado com sucesso em ataques criptográficos. Tanuj Khattar, do Google Research, declarou na época que “[o método atual] não consegue encontrar relações de fatoração suficientes para números inteiros aleatórios de 80 bits e além”.

Apesar do avanço, Wang reconhece que o feito não compromete a segurança das chaves RSA atualmente em uso, que possuem, em sua maioria, pelo menos 2.048 bits.

Segundo o pesquisador, o método híbrido desenvolvido pode ser escalável para desafios maiores, mas limitações práticas, como o tempo de coerência dos estados quânticos e a taxa de sucesso das operações, ainda impõem barreiras significativas.

O progresso obtido pela equipe chinesa reacende discussões sobre a preparação de sistemas de segurança digital para o cenário pós-quântico. Setores como bancos, plataformas de blockchain e serviços governamentais estão entre os que mais investem em soluções de criptografia resistentes à tecnologia quântica.

A adoção da criptografia pós-quântica, prática conhecida como “migração quântica”, busca proteger informações sensíveis contra a possibilidade de quebra futura por computadores quânticos.

Um especialista em computação quântica baseado em Pequim, que não teve a identidade revelada, afirmou que “o progresso na computação quântica tem sido lento por dois motivos principais: os computadores quânticos atualmente carecem de recursos de autocorreção, tornando os cálculos propensos a erros, e a incompatibilidade entre hardware e software”. Segundo ele, a metáfora adequada para a situação é “operar um trem de alta velocidade em trilhos estreitos”.

A equipe de Wang argumenta que a velocidade de evolução da computação quântica pode superar o ritmo de adaptação das defesas criptográficas.

“A computação quântica pode evoluir mais rápido do que o esperado, ultrapassando as defesas existentes”, declarou Wang. O pesquisador destacou ainda que os caminhos entre ataque e defesa nem sempre seguem o mesmo ritmo, o que pode abrir espaço para vulnerabilidades.

Especialistas alertam que, embora a fatoração de um inteiro RSA de 90 bits não represente uma ameaça imediata aos sistemas criptográficos robustos, o avanço técnico aponta para a necessidade de desenvolvimento contínuo em tecnologias de segurança digital. A expectativa é que a integração de soluções quânticas e clássicas acelere os processos de pesquisa e desenvolvimento no setor.

A pesquisa conduzida pela equipe da Universidade de Xangai reforça o papel da China na disputa global por liderança em tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, computação quântica e criptografia.

O estudo contribui para o debate sobre as implicações da tecnologia quântica na segurança da informação e amplia a pressão para que governos e empresas revisem suas estratégias de proteção de dados.

Com informações da SCMP

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China usa computador quântico para treinar modelo de IA com 1 bilhão de parâmetros https://www.ocafezinho.com/2025/04/11/china-usa-computador-quantico-para-treinar-modelo-de-ia-com-1-bilhao-de-parametros/ Fri, 11 Apr 2025 23:54:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206558 Experimento realizado com o supercomputador Origin Wukong mostra potencial da computação quântica no ajuste de modelos de linguagem de grande porte

Pesquisadores chineses anunciaram ter utilizado, pela primeira vez, um computador quântico real para realizar o ajuste de um modelo de inteligência artificial (IA) com 1 bilhão de parâmetros.

A experiência, conduzida em Hefei, na China, foi feita com o supercomputador quântico Origin Wukong, equipamento de terceira geração desenvolvido no país.

Segundo publicação do jornal estatal Science and Technology Daily, o experimento alcançou um aumento de 8,4% no desempenho do modelo ajustado, ao mesmo tempo em que reduziu o número de parâmetros em 76%. O computador utilizado no processo conta com 72 qubits e foi produzido pela startup chinesa Origin Quantum.

“Esta é a primeira vez que um computador quântico real foi usado para ajustar um modelo de linguagem de grande porte em um ambiente prático. Isso mostra que o hardware quântico atual pode começar a suportar tarefas de treinamento de IA no mundo real”, afirmou Chen Zhaoyun, pesquisador do Instituto de Inteligência Artificial do Centro Nacional de Ciências Abrangente de Hefei.

O modelo ajustado apresentou desempenho superior em tarefas específicas. De acordo com o relatório, quando treinado com dados de conversas sobre saúde mental, o sistema cometeu 15% menos erros. Em uma avaliação voltada para resolução de problemas matemáticos, a taxa de acerto aumentou de 68% para 82%.

O ajuste fino de parâmetros é uma etapa considerada essencial na adaptação de modelos de IA genéricos para aplicações especializadas, como análise de dados clínicos ou jurídicos.

Esse processo normalmente requer grande capacidade computacional e consumo elevado de energia, sendo conduzido com servidores tradicionais de alto desempenho.

A computação quântica é apontada como uma alternativa para superar essas limitações. Utilizando princípios como superposição — em que partículas existem em múltiplos estados simultaneamente — e emaranhamento — quando partículas permanecem correlacionadas independentemente da distância —, computadores quânticos são capazes de processar grandes volumes de dados em paralelo.

A equipe responsável pelo experimento desenvolveu uma abordagem denominada “ajuste fino de parâmetros híbridos de tensor ponderado quântico”. Essa técnica combina métodos clássicos e quânticos para gerenciar os pesos do modelo de IA.

A porção quântica do sistema identifica padrões complexos nos dados, enquanto a porção clássica executa a compressão do modelo, reduzindo a necessidade de recursos computacionais.

Segundo Dou Menghan, vice-presidente da Origin Quantum, o chip Wukong permitiu a execução simultânea de centenas de tarefas quânticas com um único lote de dados de treinamento, demonstrando a capacidade do sistema de lidar com operações intensivas.

O Origin Wukong foi lançado em janeiro de 2024 e é considerado um dos computadores quânticos supercondutores programáveis mais avançados disponíveis comercialmente.

A empresa informa que mais de 80% dos componentes do sistema — tanto de hardware quanto de software — são de fabricação nacional. Também foram implementados sistemas internos de backup para garantir a continuidade operacional.

Até fevereiro deste ano, a plataforma registrou mais de 20 milhões de acessos vindos de 139 países e regiões. Entre as áreas de aplicação das tarefas executadas pelo sistema estão biomedicina, dinâmica de fluidos e finanças.

Os países com maior número de acessos incluem Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá, com os usuários norte-americanos liderando em número de visitas internacionais.

“Os computadores quânticos dos EUA não estão abertos à China”, disse Guo Guoping, físico quântico da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e cofundador da Origin Quantum, em entrevista ao jornal South China Morning Post.

“Mas, aderindo à noção de exploração científica sem fronteiras, estamos dispostos a abrir nossos serviços para usuários ao redor do mundo, incluindo os EUA, para promovermos conjuntamente o conceito de computação quântica para o benefício da humanidade”, afirmou.

A empresa informou ainda que já está na fase final de desenvolvimento de um novo computador quântico, o Origin Wukong 2, considerado de quarta geração e com capacidade superior ao modelo atual.

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Incrível! China utiliza computador quântico para treinar modelo de IA com 1 bilhão de parâmetros https://www.ocafezinho.com/2025/04/09/incrivel-china-utiliza-computador-quantico-para-treinar-modelo-de-ia-com-1-bilhao-de-parametros/ Wed, 09 Apr 2025 13:21:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206321 Pesquisadores chineses anunciaram ter usado, pela primeira vez, um computador quântico real para ajustar um modelo de inteligência artificial com 1 bilhão de parâmetros.

O experimento, realizado com o Origin Wukong — supercomputador quântico supercondutor de terceira geração desenvolvido na China — demonstrou ganhos de desempenho no treinamento e redução significativa na complexidade computacional do modelo. A informação foi divulgada pelo jornal estatal Science and Technology Daily nesta segunda-feira, 8.

Segundo o relatório, a equipe de pesquisa com base em Hefei utilizou o Origin Wukong, com 72 qubits, para realizar uma etapa de ajuste fino em um modelo de linguagem de grande porte.

Os testes mostraram uma melhoria de 8,4% na performance geral do modelo, acompanhada por uma redução de 76% no número de parâmetros utilizados.

“Esta é a primeira vez que um computador quântico real foi usado para ajustar um modelo de linguagem de grande porte em um ambiente prático. Isso mostra que o hardware quântico atual pode começar a suportar tarefas de treinamento de IA no mundo real”, afirmou Chen Zhaoyun, pesquisador do Instituto de Inteligência Artificial do Centro Nacional de Ciências Abrangente de Hefei.

O modelo de inteligência artificial ajustado apresentou resultados superiores em testes específicos. Em interações simuladas com temas relacionados à saúde mental, houve redução de 15% nos erros. Em uma avaliação voltada à resolução de problemas matemáticos, a precisão aumentou de 68% para 82%.

A técnica de ajuste fino, aplicada neste caso, é parte central da adaptação de modelos gerais para tarefas específicas. Essa etapa, usada na personalização de sistemas como DeepSeek ou Qwen, costuma ser realizada em servidores de alto desempenho, com elevados custos energéticos e limitações de escalabilidade.

A computação quântica, por sua vez, utiliza princípios como superposição e emaranhamento para processar simultaneamente múltiplos estados e variáveis.

Esses recursos permitem que algoritmos quanticamente assistidos explorem configurações mais amplas do espaço de parâmetros em menor tempo, com ganhos em velocidade e eficiência.

O trabalho foi conduzido pela Origin Quantum, empresa com sede em Hefei responsável pelo desenvolvimento do Origin Wukong.

A equipe criou um método chamado “ajuste fino de parâmetros híbridos de tensor ponderado quântico”, que combina técnicas clássicas e quânticas na gestão dos pesos do modelo.

A parte quântica identifica padrões de alta complexidade nos dados, enquanto a parte clássica atua na compressão do modelo e na redução do uso de recursos computacionais.

Dou Menghan, vice-presidente da Origin Quantum, explicou que o chip do Origin Wukong permite que um único lote de dados de treinamento acione centenas de tarefas quânticas simultâneas, indicando a capacidade do sistema de lidar com cargas de trabalho intensivas.

O Origin Wukong foi lançado em janeiro de 2024 e é classificado pela empresa como um dos computadores quânticos supercondutores programáveis mais avançados do mundo.

Segundo a Origin Quantum, mais de 80% dos componentes de hardware e software do sistema são fabricados na própria China, incluindo sistemas de redundância internos.

Até fevereiro, a plataforma havia registrado mais de 20 milhões de visitas de usuários em 139 países e regiões.

De acordo com a empresa, centenas de milhares de tarefas foram realizadas por meio do sistema em áreas como biomedicina, dinâmica de fluidos e finanças.

Os Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá estão entre os países com maior número de acessos internacionais. Os usuários norte-americanos lideraram as visitas estrangeiras desde o lançamento da plataforma.

Guo Guoping, físico quântico da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e cofundador da Origin Quantum, declarou anteriormente ao South China Morning Post que, embora os computadores quânticos norte-americanos não estejam acessíveis à China, o país pretende manter sua plataforma aberta.

“Mas, aderindo à noção de exploração científica sem fronteiras, estamos dispostos a abrir nossos serviços para usuários ao redor do mundo, incluindo os EUA, para promovermos conjuntamente o conceito de computação quântica para o benefício da humanidade”, disse.

A empresa também informou que está na fase final de desenvolvimento do Origin Wukong 2, a quarta geração do computador quântico supercondutor.

O novo sistema deve incorporar melhorias técnicas e ampliar a capacidade de processamento da plataforma atual, embora detalhes específicos sobre data de lançamento ou número de qubits não tenham sido divulgados.

A iniciativa reforça a estratégia chinesa de avançar na liderança em tecnologias de computação quântica e inteligência artificial, áreas consideradas prioritárias na política de inovação do país. A combinação das duas tecnologias tem sido apontada por especialistas como potencial caminho para a aceleração de processos computacionais em larga escala.

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China apresenta novo processador quântico que supera desempenho de supercomputadores clássicos https://www.ocafezinho.com/2025/03/11/china-apresenta-novo-processador-quantico-que-supera-desempenho-de-supercomputadores-classicos/ Wed, 12 Mar 2025 02:11:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203981 Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC) anunciaram o desenvolvimento de um novo protótipo de computador quântico supercondutor, denominado Zuchongzhi-3.

Segundo os cientistas responsáveis, o equipamento representa um avanço na área da computação quântica e estabelece novos parâmetros em termos de capacidade de processamento.

De acordo com informações publicadas na revista Physical Review Letters e divulgadas pelo jornal britânico The Independent, o novo processador alcançou um desempenho superior ao dos supercomputadores mais avançados atualmente disponíveis.

Os pesquisadores afirmam que o Zuchongzhi-3 opera a uma velocidade estimada em um quatrilhão de vezes superior à dos modelos clássicos mais rápidos.

O estudo aponta que o equipamento desenvolvido pela equipe da USTC supera em seis ordens de grandeza os resultados mais recentes apresentados pela equipe do Google, responsável pelo processador quântico Sycamore.

O avanço teria sido alcançado após ajustes na fabricação e na configuração da fiação do chip, fatores que teriam contribuído para o aumento significativo da capacidade computacional do dispositivo.

A comparação com o processador Sycamore remonta a 2019, quando o Google anunciou a realização de uma tarefa de amostragem de circuito aleatório em 200 segundos. À época, a empresa destacou que o mesmo cálculo demandaria aproximadamente 10.000 anos em um supercomputador convencional.

O marco foi considerado um passo relevante na chamada “vantagem quântica”, conceito utilizado para descrever o ponto em que computadores quânticos superam definitivamente os clássicos em aplicações específicas.

A disputa entre as equipes Zuchongzhi, da China, e Sycamore, do Google, tem sido um dos principais vetores da corrida internacional pelo desenvolvimento de processadores quânticos de alto desempenho. O novo protótipo chinês, segundo o estudo, amplia a distância entre os sistemas baseados em computação quântica e os tradicionais.

“Executamos com sucesso uma amostragem de circuito aleatório em maior escala do que a alcançada anteriormente pelo Google, ampliando ainda mais a lacuna nas capacidades computacionais entre a computação clássica e a quântica”, afirmaram os autores do estudo.

Os pesquisadores também afirmaram que o novo modelo representa um avanço na construção de hardware dedicado à computação quântica.

“Nosso trabalho não apenas avança as fronteiras da computação quântica, mas também estabelece as bases para uma nova era em que os processadores quânticos desempenham um papel essencial no enfrentamento de desafios sofisticados do mundo real”, escreveram.

Especialistas consideram que esse tipo de avanço pode ter aplicações em diversas áreas, incluindo desenvolvimento de medicamentos, inteligência artificial e resolução de problemas matemáticos complexos.

A expectativa é que a evolução dos processadores quânticos contribua para tornar viáveis tarefas que exigem grande capacidade de cálculo e que, atualmente, estão além da capacidade dos computadores tradicionais.

A pesquisa da USTC se insere em um contexto de investimentos crescentes no setor de computação quântica, com diversas empresas buscando soluções para melhorar a estabilidade, a eficiência e a escalabilidade dos chips.

Organizações como Intel, AWS e Google também vêm apresentando novos modelos e arquiteturas, com o objetivo de ampliar as possibilidades de aplicação dos processadores quânticos.

O desempenho alcançado pelo Zuchongzhi-3 é citado pelos pesquisadores como um indicativo de que a computação quântica está se aproximando de um novo patamar tecnológico.

A chamada vantagem quântica tem sido um objetivo perseguido por cientistas de diversos países, e o anúncio da USTC reforça a possibilidade de utilização prática desses sistemas em larga escala no futuro.

O estudo da equipe chinesa ainda será avaliado em relação à sua replicabilidade e aos desafios para aplicação comercial da tecnologia. A comunidade científica acompanha os desdobramentos da pesquisa com atenção, diante da possibilidade de mudanças estruturais no paradigma da computação de alto desempenho.

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Cientistas lançam primeiro computador com neurônios humanos https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/cientistas-lancam-primeiro-computador-com-neuronios-humanos/ Thu, 06 Mar 2025 23:06:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203620 A empresa australiana Cortical Labs anunciou o lançamento do CL1, o primeiro computador a utilizar neurônios humanos em seu processamento de dados.

Este avanço é uma fusão inédita entre biologia e tecnologia, representando um marco no desenvolvimento de inteligência artificial biológica.

O CL1 utiliza um chip com neurônios cultivados a partir de células-tronco, oferecendo uma abordagem inovadora no campo da computação.

Ao contrário dos computadores tradicionais, que dependem de circuitos eletrônicos feitos de silício, o CL1 adota um sistema híbrido.

Ele combina células cerebrais cultivadas em laboratório com hardware especializado para criar um modelo de processamento mais dinâmico e adaptável.

Essa fusão oferece uma série de benefícios que podem redefinir os limites da inteligência artificial (IA).

Estrutura do CL1

O funcionamento do CL1 é baseado em três pilares fundamentais que asseguram a operação do sistema. O primeiro deles é o hardware bio-híbrido, que integra biochips equipados com microeletrodos.

Esses microeletrodos estimulam e monitoram a atividade neural, permitindo que o CL1 realize um processamento de dados mais flexível e interativo, em comparação com os modelos tradicionais de IA.

Em seguida, o sistema de suporte vital é responsável por manter os neurônios ativos. Essa unidade regula a temperatura, a circulação de nutrientes e as trocas gasosas, garantindo que as células cerebrais permaneçam viáveis por até seis meses. Esse controle cuidadoso do ambiente permite a manutenção de um funcionamento contínuo, essencial para o desempenho do biocomputador.

Por fim, o CL1 é operado por um software denominado biOS. Essa plataforma cria um ambiente simulado onde os neurônios podem interagir, aprender e se organizar de forma análoga ao funcionamento do cérebro humano.

Isso confere ao CL1 uma capacidade de auto-organização que permite que o sistema aprenda e se adapte de maneira mais eficaz do que as máquinas tradicionais baseadas em silício.

Vantagens do CL1 em Relação à IA Tradicional

Uma das principais vantagens do CL1 em comparação com os computadores convencionais é a eficiência energética. O CL1 consome entre 850 e 1000 watts de energia para operar um rack com 40 unidades, um número significativamente mais baixo quando comparado aos grandes supercomputadores que exigem vastas quantidades de eletricidade para processar dados.

Essa eficiência energética reduz a pegada de carbono da computação de alto desempenho, um fator importante em tempos de crescente preocupação ambiental.

Além da eficiência energética, os neurônios humanos oferecem vantagens naturais em termos de aprendizado e adaptação.

Enquanto as IAs tradicionais baseadas em silício precisam de grandes volumes de dados e recursos computacionais para aprender, os neurônios têm a capacidade de auto-organização, permitindo um aprendizado mais rápido e eficiente.

Essa característica torna o CL1 particularmente útil para aplicações em áreas como o estudo de doenças neurológicas, o desenvolvimento de novos medicamentos e a medicina personalizada, onde avatares neurais específicos podem ser usados para representar as condições de saúde de pacientes individuais.

Avanços Futuro: Cortical Cloud e Cérebro Mínimo Viável

A Cortical Labs já está olhando para o futuro e planeja expandir suas inovações. A empresa está investindo mais de US$ 25 milhões no desenvolvimento da Cortical Cloud, uma plataforma que permitirá que pesquisadores e empresas acessem remotamente os biocomputadores para realizar experimentos e criar novas tecnologias.

Essa iniciativa visa democratizar o acesso ao biocomputador, tornando-o uma ferramenta acessível para um número maior de instituições e organizações ao redor do mundo.

Além disso, a empresa está desenvolvendo o conceito de Cérebro Mínimo Viável. O objetivo desse projeto é criar um modelo neural que combine eficiência com a complexidade necessária para avançar ainda mais na integração entre biologia e tecnologia.

Esse modelo tem o potencial de impulsionar novas descobertas e aplicações em diversos campos, incluindo inteligência artificial, neurociência e biotecnologia.

Implicações para o Futuro da Computação

O lançamento do primeiro computador com neurônios humanos sinaliza uma mudança de paradigma na ciência da computação e na inteligência artificial. Este desenvolvimento não apenas amplia as fronteiras da computação, mas também abre portas para a criação de sistemas mais eficientes e adaptáveis.

A convergência entre biologia e tecnologia está reformulando a maneira como pensamos sobre a computação e as possibilidades para o futuro dessa área.

À medida que os sistemas biológicos e tecnológicos continuam a se fundir, o CL1 pode ser apenas o começo de uma nova era na computação.

Este novo modelo de biocomputação tem o potencial de revolucionar a forma como resolvemos problemas complexos, além de permitir avanços significativos em áreas como medicina, neurociência e inteligência artificial.

Com informações do Canal Tech

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Cientistas realizam teletransporte quântico entre processadores em experimento inédito https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/cientistas-realizam-teletransporte-quantico-entre-processadores-em-experimento-inedito/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/cientistas-realizam-teletransporte-quantico-entre-processadores-em-experimento-inedito/#respond Wed, 19 Feb 2025 23:46:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202153 Pesquisadores da Universidade de Oxford concluíram um experimento que demonstra a possibilidade de distribuir componentes críticos de um processador quântico entre diferentes computadores sem comprometer o desempenho. O estudo, liderado pelo físico Dougal Main, representa um avanço na construção de redes quânticas interconectadas.

O experimento foi realizado dentro de um laboratório, com distância de aproximadamente dois metros entre os sistemas conectados. Apesar do alcance limitado, os cientistas destacam que o resultado indica um caminho viável para a escalabilidade da computação quântica por meio de redes distribuídas.

Teletransporte quântico e emaranhamento

O teletransporte quântico ocorre dentro das propriedades da mecânica quântica, onde partículas podem existir em múltiplos estados simultaneamente até serem medidas. Esse fenômeno permite a transmissão de informações sem deslocamento físico, um processo diferente do conceito popularizado pela ficção científica.

No estudo, os pesquisadores utilizaram um fenômeno conhecido como “emaranhamento”, em que duas partículas compartilham um estado quântico, independentemente da distância. Ao manipular as propriedades de uma partícula, a outra adota o mesmo estado, possibilitando a transferência de informações.

“Não estamos apenas transferindo estados quânticos entre sistemas separados fisicamente, mas também criando interações entre eles”, afirmou Main. Essa abordagem diferencia o experimento de estudos anteriores e pode ser um passo essencial para a construção de redes quânticas operacionais.

Transmissão por luz e portas lógicas

Enquanto computadores convencionais utilizam sinais elétricos para processar informações, os sistemas quânticos exploram fótons para transmitir estados quânticos por meio de fibras ópticas. Os pesquisadores demonstraram que é possível teletransportar “portões lógicos”, componentes fundamentais de algoritmos, dentro dessa rede.

A transferência bem-sucedida desses portões lógicos sugere a possibilidade de uma “internet quântica”, onde processadores poderão compartilhar informações e executar cálculos em um ambiente seguro. Segundo Main, essa tecnologia pode conectar processadores quânticos distantes, criando um sistema integrado que funcione como um único computador quântico.

O conceito é comparável ao dos supercomputadores convencionais, que utilizam múltiplas unidades de processamento interligadas para aumentar a capacidade de cálculo. A implementação de redes quânticas interconectadas pode ampliar significativamente o potencial da computação quântica.

Teste com algoritmo de busca de Grover

Para validar o experimento, os cientistas executaram o algoritmo de busca de Grover, uma ferramenta utilizada para explorar múltiplas possibilidades simultaneamente. Esse algoritmo aproveita propriedades da superposição e do emaranhamento para realizar buscas de forma mais eficiente do que métodos tradicionais.

Os resultados demonstraram que a execução distribuída do algoritmo manteve a eficiência esperada, reforçando a viabilidade da abordagem. O avanço pode levar ao desenvolvimento de computadores quânticos mais potentes e interconectados, capazes de realizar cálculos que seriam inviáveis para sistemas convencionais.

O estudo contribui para a evolução das tecnologias quânticas e pode ter implicações na criação de redes seguras de comunicação, além de aplicações em áreas como simulações de fenômenos físicos e otimização de processos computacionais.

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https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/cientistas-realizam-teletransporte-quantico-entre-processadores-em-experimento-inedito/feed/ 0
Teletransporte quântico: Avanços científicos e questões éticas para o futuro https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/teletransporte-quantico-avancos-cientificos-e-questoes-eticas-para-o-futuro/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/teletransporte-quantico-avancos-cientificos-e-questoes-eticas-para-o-futuro/#respond Thu, 02 Jan 2025 23:28:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199783 Os avanços na tecnologia de teletransporte quântico já alcançaram a transferência de partículas a distâncias significativas, abrindo novos caminhos para a comunicação e a segurança de dados.

No entanto, a aplicação dessa tecnologia para o teletransporte humano ainda enfrenta enormes desafios técnicos e éticos, levantando questões profundas sobre a essência da identidade humana e a viabilidade técnica de tal feito.

Teletransporte quântico, diferente do retratado em obras de ficção como Star Trek, não envolve o transporte de matéria física, mas sim a transferência de informações sobre estados quânticos de partículas.

Este fenômeno, baseado no entrelaçamento quântico, permite que o estado de uma partícula influencie outra instantaneamente, independentemente da distância entre elas.

Desde a primeira demonstração prática de teletransporte quântico de um fóton por um metro em 1998, cientistas têm expandido a escala de seus experimentos.

Notavelmente, em 2017, pesquisadores chineses conseguiram teletransportar um fóton da Terra para um satélite em órbita a mais de 300 km de distância, demonstrando a viabilidade de aplicar esta tecnologia em escalas cósmicas.

Apesar desses avanços impressionantes, a transição do teletransporte de partículas simples para sistemas mais complexos, como moléculas ou células vivas, ainda é uma fronteira a ser ultrapassada.

O teletransporte humano, que envolveria replicar trilhões de átomos com precisão, esbarra no princípio da incerteza de Heisenberg, que limita a precisão com que podem ser conhecidas as propriedades de uma partícula.

Além das barreiras técnicas, surgem questões éticas significativas. A ideia de destruir um indivíduo em um local para recriá-lo em outro levanta dúvidas sobre a continuidade da identidade: a cópia é realmente a mesma pessoa? Essas preocupações destacam a necessidade de um debate ético amplo antes que qualquer tentativa de teletransporte humano possa ser considerada.

O teletransporte quântico promete revolucionar nossos métodos de comunicação e segurança de dados através da criptografia quântica, que poderia eliminar praticamente o risco de interceptações.

A possibilidade de enviar informações instantaneamente entre continentes ou mesmo entre planetas pode parecer distante, mas está cada vez mais tangível com os avanços contínuos na física quântica.

Enquanto o teletransporte humano permanece um conceito para o futuro, as implicações de tais tecnologias demandam consideração cuidadosa.

A ciência está nos aproximando de capacidades que antes pareciam limitadas ao campo da ficção, e é crucial que a sociedade acompanhe esses desenvolvimentos, ponderando suas consequências éticas e práticas.

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